sábado, 30 de julho de 2011

Beata Zdenka Cecília Schelingova, Mártir - Festejada 31 de julho

     No dia 14 de setembro de 2003, Festa da Santa Cruz, João Paulo II beatificou, numa solene cerimônia em Bratislava, na Eslováquia, a Irmã Zdenka Cecilia Schelingova e o Bispo Vasil’ Hopko, ambos mártires eslovacos.
     Na presença de bispos, alguns cardeais, sacerdotes e religiosas, testemunhas e vítimas ainda vivas da “Igreja do Silêncio”, também chamada “Igreja das catacumbas do século XX” nos países sob o domínio comunista, o papa recordou os filhos da Santa Igreja que irrigaram com seu sangue aquelas regiões e deu como exemplo das perseguições de ontem e de hoje as duas figuras notáveis que beatificava.
 
      
     Cecilia Schelingova, este era o seu nome de leiga, nasceu em 24 de dezembro de 1916 em Krivá, distrito de Dolny, Eslováquia, penúltima de 11 filhos. Três dias depois foi batizada. Seus pais, Pavol e Zugana, eram honestos camponeses que deram uma educação religiosa aos filhos, fundamentada na oração e no cumprimento do dever - trabalhar no campo e nas lides da casa.
     Cecília se distinguia de suas companheiras na escola pela diligência, obediência e a prontidão com que procurava ajudar os outros.
     Em 1929 começou a colaborar na paróquia das Irmãs de Caridade da Santa Cruz.  Atraída pela caridade das Irmãs, com apenas 15 anos desejou entrar naquela Congregação. Seus pais e seus irmãos se alegraram muito e se sentiram muito satisfeitos com sua escolha.
     Durante seu noviciado fez estudos de enfermagem em Podunajské Biskupice por dois anos, e depois um curso de especialização em radiologia. No dia 30 de janeiro de 1936 emitiu os primeiros votos mudando o nome para Zdenka (Sidônia).
     Era intensa sua oração. Durante o trabalho se mantinha muito unida a Deus. Era amável com todos e estava sempre disposta a servir. A amizade espiritual com Jesus marcou sua vida religiosa e seu trabalho de enfermeira.
     Com o diploma de enfermeira, exerceu esta atividade em Humenné, cidade situada na parte oriental da Eslováquia, próximo da Ucrânia, e de 1942 em diante, gozando de grande estima por suas qualidades, trabalhou na radiologia do Hospital Estatal de Bratislava com competência, generosidade e amor pelos doentes. Muitos a consideravam um “modelo de Irmã e de enfermeira profissional”.
     Em 1948, o partido comunista começou uma verdadeira perseguição contra a Igreja Católica, usando discriminação com os fieis, fechando Ordens religiosas, enviando sacerdotes e religiosos para os trabalhos forçados, perseguindo e aprisionando bispos e seus colaboradores.
     As Irmãs de sua Congregação também viviam no temor e nas dificuldades cada vez mais pesadas. Irmã Zdenka Schelingova participava do sofrimento da Igreja eslovaca oprimida pelo regime, e procurou ajudar alguns sacerdotes em dificuldade por causa de sua Fé.
     Com grande coragem conseguiu ajudar na fuga de um sacerdote católico em tratamento no hospital por causa das torturas sofridas durante os interrogatórios, e já destinado aos trabalhos forçados na Sibéria. Depois da fuga do sacerdote, Irmã Zdenka rezou assim diante da cruz na capela do hospital: “Jesus, eu vos ofereço a minha vida pela dele. Salvai-o!”
     Mas a coisa não passou de todo despercebida: o regime comunista totalitário pos a Polícia secreta a vigiar a religiosa.
     Assim, oito dias depois, 29 de fevereiro de 1952, quando Irmã Zdenka procurava ajudar outros seis sacerdotes a escapar, foi descoberta e aprisionada. Nos dias seguintes, sofreu terríveis interrogatórios no cárcere, com humilhações e torturas.
     No dia 17 de junho de 1952, acusada de alta traição, foi condenada a doze anos de prisão, a perda dos direitos civis por dez anos. Era evidente que a condenação era infringida no âmbito da perseguição religiosa contra a Igreja Católica e não por um atentado à soberania do Estado: era o motivo das condenações de tantos eclesiásticos.
     Embora sofrendo, Irmã Zdenka não mostrava nenhum rancor contra os seus algozes, antes perdoando e disposta a morrer por Deus e pelo bem da Igreja. Enquanto era golpeada quase até a morte, sussurrou: "O perdão é o maior na vida”.
     Sua via crucis prosseguiu por diversas prisões e hospitais de cárceres (Rimavska Sabota, Brno, Praga, Pardubice), o que causou graves conseqüências a sua saúde: devido às torturas, apareceu um tumor maligno no peito e uma tuberculose.  .
     Temendo que ela morresse na prisão, libertaram-na no dia 15 de abril de 1955, mas por medo da situação política, não foi recebida no hospital de Bratislava, foi aceita no de Trnava.
     Depois de pouco mais de três meses, vividos no sofrimento com humildade e abandono à vontade de Deus, Irmã Zdenka morreu de câncer (é o que foi escrito no seu atestado de óbito), no dia 31 de julho de 1955, após ter recebido o Santo Viático, na idade de apenas 38 anos.
     Imediatamente após a sua morte o povo a considerava mártir da Fé.
     Em 1970 o tribunal de Bratislava e a Corte Suprema reconheceram a inocência de Irmã Zdenka da infamante acusação.
     As suas co-irmãs e o povo eslovaco se recordam da sempre risonha Irmã Zdenka como uma religiosa que caminhou na via da perfeição imitando Nosso Senhor Jesus Cristo, suportando os sofrimentos com paciência heróica, firme determinação, disposta a morrer por Deus e pelo bem da Igreja, sem nenhum rancor aos seus perseguidores.
     Seus despojos repousam na Igreja da Santa Cruz, em Podunajske Biskupice.
 
 
Uma Heroina do Século XXI
 
Jovem religiosa defende o uso público do hábito desafiando a Cristofobia
 
     Irmã Ana Verônica, oblata de São Francisco de Sales em Paris, foi convocada juntamente com vários outros professores de Filosofia ao Liceu Carnot, da capital francesa. O objetivo da reunião era combinar a correção de muitas provas da matéria que tinham ficado sem corrigir no fim do ano escolar.
     Ela se apresentou como de costume: com o hábito completo do instituto religioso a que pertence. Sua presença foi pretexto para um rebuliço. Professores laicistas e socialistas exigiram das autoridades do Liceu a expulsão da religiosa sob o pretexto de que ela ofendia a laicidade e, de forma caricata e ofensiva, compararam seu hábito com o véu islâmico.
     As autoridades nada fizeram, pois sabiam que o procedimento da religiosa era irrepreensível do ponto de vista legal.
     Os professores laicistas exigiram que ela tirasse o hábito. “V. poderia ser mais discreta!”, desabafou uma professora laicista.
     - “Eu não posso fazer melhor nem pior. Eu devo levá-lo”, respondeu a jovem religiosa.
     Os jornais fizeram estardalhaço com o fato e o secretariado geral do ensino católico exigiu que a Irmã Ana Verônica desse prova de “juízo” e comparecesse usando roupas civis. Com tom sereno e respeitoso, mas firme, a freira respondeu a seus detratores em carta publicada pelo jornal parisiense “La Croix”, de 13/07/2011:
 
     Nós repetimos claramente que jamais tiraremos nosso hábito. …
     Um hábito religioso é o sinal da resposta a um chamado para se consagrar a Deus, que nem todos os batizados recebem.
     Desde 8 de setembro de 2004, data de minha entrada na vida religiosa, minha vida mudou muito e o hábito não é mais que a expressão visível disso.
     Comparecer agora de outra maneira, sem o hábito religioso, é uma coisa impossível para mim, pois eu não uso mais outros vestidos que não sejam os de minha consagração religiosa.
     Eu não sou religiosa por horas. Fazemos a profissão para viver seguindo Cristo até a morte.
     Esta consagração religiosa inclui todas as dimensões de nosso ser: corpo, coração, alma e espírito.
     O jovem homem rico do Evangelho recuou diante do apelo de Jesus para segui-Lo, quando Ele pousou seu olhar sobre ele. Isso significa que a decisão de se consagrar a Deus não é fácil de tomar. Ela pressupõe certas renúncias…
     O hábito religioso é sinal desse fato. Ele pode, portanto, ser um sinal de contradição. Nós sabemos que nosso hábito não deixa indiferentes as pessoas. Ele é um testemunho da presença de Deus.
     Por meio dele nós relembramos, de modo silencioso, mas eloqüente, que Deus existe neste mundo que se obstina a não querer pensar nem sequer na possibilidade da transcendência divina.
     Mas, Jesus nos diz no Evangelho que o servidor não é maior que seu mestre. Vós conheceis a continuação? “Se eles me perseguiram, eles vos perseguirão também” (Jn 15, 20).
     E Jesus acrescentou: “As pessoas vos tratarão assim por causa de Mim, porque eles não conhecem Aquele que me enviou” (Jn 15, 21).
    
     A carta da corajosa Irmã Ana Verônica causa viva impressão na França.
     No Brasil, o PNDH-3 pretende banir os símbolos religiosos dos locais públicos e instalar um laicismo – na realidade, um anti-catolicismo mal disfarçado – como o francês. Para atingir sua finalidade extremada, não poderá deixar de tentar proibir as próprias vestes talares dos religiosos e das religiosas.
 
Fonte: Artigo L. Dufaur 28/7/2011 www.ipco.org.br 

Santa Maria de Jesus Sacramentado Venegas, Fundadora - Festejada 30 de julho

A primeira santa mexicana, chamada carinhosamente ''Madre Nati''
    
     “Os idosos são viajantes que estão indo e é preciso acompanhá-los com a maior ternura possível”. Tal frase só poderia estar nos lábios de uma pessoa sensível e atenta, pressurosa e delicada, tão enamorada de Nosso Senhor Jesus Cristo para vê-Lo em todas as pessoas idosas e sofredoras. Assim se delineia a figura e a personalidade de Maria Natividade de Jesus Sacramentado, a primeira mulher mexicana proclamada santa.
     Seu pai era um católico tão fervoroso e convicto, que renunciou aos estudos universitários de jurisprudência no momento em que percebeu que estavam minando a sua Fé. Este católico coerente e corajoso transmitiu aos seus doze filhos os princípios que cultivava.
     Natividade Venegas de La Torre nasceu em 8 de setembro de 1868, em Zapotlanejo, Jalisco, no México. A última de doze filhos, desde a adolescência cultivou uma devoção especial à Eucaristia, comungava todos os dias de joelho, exercia obras de caridade e sentindo o forte desejo de consagrar-se totalmente ao Senhor no serviço ao próximo.
     A vida da jovem Maria Natividade na infância e adolescência transcorreu num clima de simplicidade, sem feitos extraordinários. Aos 16 anos ficou órfã da mãe e aos 19 seu pai também falece. Vai então viver com uma tia paterna.
     Em 8 de dezembro de 1989, ingressou na florescente Associação de Filhas de Maria, em sua cidade natal. 
     Em 8 de dezembro de 1905, após ter assistido a uns Exercícios Espirituais, uniu-se ao grupo de senhoras fundado recentemente pelo Cônego Atenógenes Silva y Alvarez Tostado, e que com a aprovação do arcebispo local dirigia em Guadalajara um pequeno hospital para os pobres, o Hospital do Sagrado Coração. Em 1910, emitiu, de forma privada, os votos de pobreza, castidade e obediência.
     Em 1912, as companheiras elegeram-na Vigária, posto que ocupou até 25 de janeiro de 1921, quando foi eleita Superiora Geral. Desse modo, com o conselho de eclesiásticos autorizados, transformou a sua comunidade numa verdadeira Congregação religiosa.
     Durante a perseguição religiosa de 1926, redigiu as Constituições que regeriam as Filhas do Sagrado Coração de Jesus, e em 8 de setembro de 1930, Festa da Natividade de Maria, estas foram aprovadas, sendo assim reconhecido o novo Instituto. Madre Nati, como era conhecida, e as Irmãs formularam seus votos perpétuos. Ela mudou então seu nome para Irmã Maria de Jesus Sacramentado.
     Desde então foram fundadas Casas na diocese para atender anciãos doentes e desvalidos. Entre outras em Mazatlán, la Barca, Santa Anita, Durango, Guadalajara, Tepic, Cananea, Mazatlán, Hermosillo, Salvatierra e Mochis.
     Exerceu o cargo de Superiora Geral entre 1921 e 1954, conseguindo conservar a sua fundação nos anos difíceis da perseguição religiosa. Amou e serviu a Igreja, cuidou da formação das suas co-irmãs, entregou a vida pelos pobres e sofredores, tornou-se um modelo de irmã-enfermeira.
     Em 1956, Irmã Maria de Jesus, que também era mística, sofreu uma embolia cerebral da qual não se recuperou totalmente. Após deixar a direção da sua Congregação, passou os últimos anos de vida, marcados pela enfermidade, em oração e recolhimento, dando mais um testemunho de sua abnegação. Em 25 de julho de 1959, sua saúde se agravou. No dia 29 sofreu uma síncope. No dia 30 de julho de 1959, aos 91 anos de idade, entregou sua alma ao Criador, cheia de paz, depois de receber os sacramentos.
     No dia 31, festa de Santo Inácio de Loyola, de quem era grande devota, foi solenemente sepultada, sendo que seu funeral foi assistido por incontáveis pessoas de todas as classes.
     A Causa de sua canonização foi introduzida em 8 de setembro de 1980 e em maio de 1989 foi declarada oficialmente Venerável. Foi beatificada por João Paulo II, em novembro de 1992. Sua canonização ocorreu em  21 de maio do Ano Santo 2000, em Roma, na solene cerimônia do Grande Jubileu da Encarnação de Jesus Cristo, no dia dedicado ao México, junto com o grupo de 25 Beatos Mártires Mexicanos.
     Continuamente recordada e invocada pelo povo, que pela sua intercessão obteve diversos favores celestes, Santa Maria de Jesus Sacramentado Venegas, primeira mexicana canonizada, soube permanecer unida a Cristo na sua longa existência terrestre, por isso deu abundantes frutos de vida eterna.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Santa Afonsa da Imaculada Conceição, Clarissa Indiana - Festejada 28 de julho

     No dia 12 de outubro de 2008, as Clarissas de Kochi, no Kerala (Índia), esqueceram os sofrimentos que envolveram a sua congregação, sobretudo, em Orissa, onde mais dramáticas foram as consequências da violência dos fundamentalistas hindus.
     Ao redor do altar comemoraram a canonização da irmã de hábito, Afonsa da Imaculada Conceição, no século Ana Muttathupadathu. Tratou-se de um evento que envolveu toda a Igreja católica da Índia, num momento particularmente difícil, marcado pelo ódio em relação aos cristãos.
     Numa época em que os cristãos sofrem uma dura perseguição na Índia, e em tantos outros países ao redor do mundo, Ana Muttathupadathu, religiosa da Congregação das Clarissas da Terceira Ordem de São Francisco tornava-se naquele dia a primeira Santa indiana canonizada pela Santa Igreja.
     Ana nasceu em Kudamaloor, arquidiocese de Changanacherry (Estado de Kerala), Índia, em 19 de agosto de 1910. Seu batismo foi feito no rito católico sirio-malabar.
     Annakutty (diminutivo de Ana) era a última de cinco filhos de Ouseph e Mariam Muttathupadathu, em uma família católica de origem nobre. Tendo ficado órfã de mãe aos três meses de idade, foi criada por uma tia materna. Foi a avó materna, entretanto, que a fez descobrir a fé e o amor pela oração já em tenra idade: aos 5 anos guiava a oração noturna, costume do rito oriental ao qual a família pertencia.
     Aos sete anos Annakutty recebeu a Primeira Comunhão e comentava com as amigas: "Sabem por que estou tão feliz hoje? É porque tenho Jesus no coração".
     Sua adolescência foi marcada por graves e difíceis doenças, e pela insistência da tia à qual tinha sido confiada. Mulher muito autoritária, a tia queria que ela casasse aos 13 anos com um tabelião. Na Índia é muito comum casamentos programados por familiares sem que os noivos participem da decisão.
     Porém seu coração já estava entregue a Deus, queria tornar-se religiosa. Após ter lido a “História de uma Alma”, Ana se orientava com firmeza a dedicar sua vida por inteiro a Jesus Cristo, a exemplo de Santa Teresinha de Lisieux.
     Ao concluir que se tornando parcialmente desfigurada nenhum homem se interessaria por ela, Ana chegou a colocar o pé sobre brasas incandescentes queimando-se gravemente.  Resultado, sua tia desistiu de casá-la.
     O encontro com o Pe. James Muricken mudou a sua vida. Ele introduziu-a na espiritualidade franciscana e ajudou-a a ingressar no noviciado das Clarissas Franciscanas de Bharananganam, em maio de 1927.
     De saúde delicada, perseverou em sua vocação e após muitas dificuldades pode emitir sua profissão perpétua em 2 de agosto de 1936, tomando por nome religioso Afonsa da Imaculada Conceição, uma homenagem a Santo Afonso de Ligório, cuja festa era comemorada naquele dia.
     Um dos maiores sofrimentos enfrentados por Irmã Afonsa foi o desejo de suas superioras de que ela voltasse para casa, pois sua delicada saúde era considerada um obstáculo para a vida religiosa, mas esse problema foi superado pela intercessão divina.
     A despeito de suas limitações físicas, Irmã Afonsa deixou escrito: "Para cada pequena falta pedirei perdão ao Senhor e a expiarei com uma penitência; sejam quais forem os meus sofrimentos, não me lamentarei jamais, e quando tiver de enfrentar qualquer humilhação procurarei refúgio no Sagrado Coração de Jesus".
     Durante um ano ensinou em Vakakkadu, porém a tuberculose que padecia há anos a impediu continuar ensinando. Consciente da situação, manteve-se muito reservada e caridosa com todos, procurando não pesar à comunidade; sofria em silêncio tanto as hostilidades que não faltaram, como as doenças, que os exames feitos não especificavam quais eram.
     Irmã Afonsa havia escolhido como caminho para sua santificação a pequena via de Santa Teresinha do Menino Jesus.
     Em 1945 a doença se agravou violenta e incontrolável: um tumor estendido por todo o organismo transformou seu último ano de vida em uma contínua agonia. Em meio aos seus sofrimentos, ela dizia: "Eu sinto que o Senhor me destinou para ser uma vítima, um holocausto de sofrimento... O dia em que não tenho sofrimento é um dia perdido para mim". Santa Afonsa considerava toda sua vida como um holocausto a Deus; oferecia cada sofrimento ao Sagrado Coração de Jesus.
     Concluiu sua vida entre grandes dores, vividas com grande resignação, e, encomendando serenamente sua alma a Deus, pronunciou os nomes de Jesus, Maria e José. Era o dia 28 de julho de 1946, Irmã Afonsa tinha apenas 35 anos.
     Um médico pagão, depois de haver visitado Irmã Afonsa, manifestou a um amigo sua grande admiração e assombro pela serenidade e alegria com que a religiosa suportava os grandes sofrimentos causados pelo tumor espalhado por todo seu corpo.
     A explicação desta atitude alegre diante da dor no-la dá uma companheira sua: “Sacrifício, amor de Deus e do próximo, são estes os elementos que devem santificar a vida; e esta é a mensagem que Irmã Afonsa lança ao mundo moderno, à Igreja e à pátria”.
     Sua curta vida de religiosa Clarissa deixou a lembrança de uma existência santa; a fama de sua santidade se espalhou de um modo impressionante após sua morte. Todos os anos numerosas peregrinações, não só de católicos, dirigem-se à sua sepultura em Bharananganam, perto de Kottayam, para rezar e pedir graças, atraídos pela pureza de sua jovem vida de tanto sofrimento e seu poder de cura.
     Mons. Sebastião Valloppilly, Bispo de Tellicherry (Índia), que conheceu muito bem a Santa, percebeu o valor incalculável e atual da mensagem da Irmã Afonsa para o mundo de hoje: a dor não é um mal, as provações e dificuldades da vida, aceitas e sofridas com alegria por amor de Deus, obtêm méritos, e, para adquiri-los, não é necessário realizar ações extraordinárias que chamem a atenção: as cruzes diárias, abraçadas com alegria por amor de Deus, exaltam a vida cristã e nos permitem adquirir grandes méritos.
     Irmã Afonsa, durante sua breve vida, não fez grandes e extraordinárias ações do ponto de vista humano, porém sua mensagem é facilmente perceptível na Índia: ela imprimiu a este ensinamento a luz sobrenatural do Evangelho.
     Em 1955, o bispo de Palai iniciou o processo diocesano para sua beatificação.
Igreja de Santa Afonsa em Bharananganam
     Beatificada em 8 de fevereiro de 1986 por João Paulo II na Índia, em Kottayam, foi canonizada por Bento XVI em 12 de outubro de 2008. No momento da canonização, ocorrida no Vaticano, numerosos católicos reuniram-se junto a seu túmulo em Bharananganam.

 

Participe da palestra Cristofobia: Por que são mortos e perseguidos os cristãos de hoje?
 
Data: 04 de agosto de 2011
Horário: 19h00 (recepção) 19h30 (início da palestra)
Local: Colégio e Faculdade São Bento s/n°
Centro – São Paulo/SP

Palestrante: Dr. Alexandre de Valle, professor de Relações Internacionais na Universidade de Metz, consultor do Parlamento Europeu e autor de vários livros publicados sobre a questão do Islã, da perseguição religiosa e do terrorismo.
 
Inscreva-se no site
 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sant'Ana, Mãe de Nossa Senhora - Festejada 26 de julho


São Joaquim e Sant'Ana, por Giotto

  O nome Hanah, Hannah em hebraico significa ‘graça, clemência, mercê’. Ela pertencia à família do sacerdote Aarão e seu marido, São Joaquim (Ioakhin, elevação, ou preparação), à família real de Davi.
     São Joaquim, homem piedoso, fora censurado pelo sacerdote Ruben por não ter filhos. Sant’Ana já era idosa e estéril, por isso São Joaquim retirou-se para o deserto onde passou a rezar e a fazer penitência, rogando a Deus a graça de ter um filho. Ali um anjo do Senhor lhe apareceu dizendo que Deus havia ouvido suas preces. Tendo voltado ao lar, algum tempo depois Sant’Ana ficou grávida. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade alcançaram-lhes o prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe do Messias.
     O casal residia em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Sant’Ana. Num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz" - na forma latina, Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos.
     Desde os primeiros séculos de nossa era os pais de Nossa Senhora já eram cultuados no Oriente, atingindo sua plenitude no século VI.
     No Ocidente, o culto de Sant’Ana remonta ao século VIII. No ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla e distribuídas a muitas igrejas do Ocidente, sendo que a maior delas estava na igreja de Sant’Ana, em Düren, Renânia, Alemanha.
     Ao escrever sobre o Natal, São João Damasceno deixa claro que São Joaquim e Santa Ana são os pais de Maria. Seu culto foi tornando-se muito popular na Idade Média, especialmente na Alemanha. Em 1378, o Papa Urbano IV oficializou seu culto. Em 1584, o Gregório XIII fixou a data da festa de Sant’Ana em 26 de julho, e Leão XIII a estendeu para toda a Igreja, em 1879.

Santuário de Sant'Ana de Auray, França

     Na França, o culto a Mãe de Maria Santíssima teve um impulso extraordinário depois das aparições da Santa em Auray, em 1624.
 
Aparição de Sant´Ana em Auray, França
 
    Contam os historiadores que Yves Nicolazic, camponês que vivia na aldeia de Ker Anna, Bretanha, França, foi o portador da mensagem de uma “majestosa senhora”. Na noite de 26 de julho de 1624, ele teve um sonho em que Sant’Ana lhe pedia a reconstrução de uma capela construída em sua honra no século VI. O fato, entretanto, não convenceu o Cura da aldeia.
     Na noite de 7 para 8 de março de 1625, Sant´Ana apareceu-lhe, mais uma vez, pedindo-lhe que fosse chamar os vizinhos e que todos seguissem a luz que os guiaria: "Leva-os contigo: esta luz vos conduzirá e vós encontrareis a imagem que vos protegerá de todos os males do mundo, e o mundo conhecerá, enfim, a verdade daquilo que prometi".
     Pouco depois, sob a luz das tochas os camponeses encontraram uma antiga imagem de Sant´Ana em madeira, já bem desgastada, com vestígios em tons brancos e azuis. Ao seu lado, a Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo.
     Três dias depois os peregrinos começaram a chegar para rezar a Sant´Ana diante da imagem que serviria de sinal de conversão para o mundo. Era a realização da profecia: a partir de então as peregrinações tornaram-se constantes.
     Apesar da discrição e das restrições do Cura, que depois se desculpou, as pesquisas ordenadas por Monsenhor de Rosmadec, Bispo de Vannes, concluiriam sobre a veracidade dos fatos. A primeira Missa oficial foi celebrada por decisão sua no dia 26 de julho de 1625, diante de uma multidão estimada em cem mil pessoas.
     A partir daquele dia, Yves Nicolazic tornou-se construtor. Os senhores de Kermedio e de Kerloguen, este último proprietário do campo de Bocenno, prometeram-lhe apoio para a construção da capela. Ives passou a dirigir os trabalhos: conduzia as carroças, oferecidas pelo povo, cheias de pedras ou de ardósia, lenha do derrube das árvores, pagamento dos fornecedores e tudo com sabedoria e probidade de um homem que não sabia nem ler nem escrever, e que só falava bretão.
     Quando a capela ficou pronta, ele se eclipsou: deixou a aldeia e cedeu lugar a Sant´Ana e aos peregrinos, cada vez mais numerosos. Até hoje Sant´Ana é venerada na Basílica de Auray, dedicada à avó de Jesus.
     No século XIX, como a afluência de peregrinos era muito grande, tornou-se necessário que uma igreja maior fosse construída. A Basílica foi edificada entre os anos 1865 e 1872.
     Sant’Ana é padroeira dos Bretões deste 1914.
     Em 1996, João Paulo II fez uma visita ao local e na ocasião estiveram presentes cerca de 150 mil pessoas. Após sua visita, aumentou o número de peregrinos para cerca de 800 mil pessoas por ano, sendo que não há um dia sequer que não haja peregrinos.
 
Devoção a Sant’Ana no Brasil
 
Sant'Ana e Na. Sra. Menina
     A devoção à Sant’Ana veio de Portugal, país responsável pela colonização do Brasil. Um exemplo desta devoção é a Vila de São Paulo. A importância de Sant’Ana na Vila de São Paulo se dava pelo fato de que os fundadores da Vila foram os Jesuítas.
     De acordo com o historiador e professor universitário Mário Sérgio de Moraes, a devoção à Santana surgiu em Mogi das Cruzes, que na época ainda era um vilarejo, com os primeiros colonizadores de São Paulo que vieram para a região.
     "A história da santa e até do primeiro nome da cidade é uma mescla da religião com os indígenas, povo este muito presente no ano de 1611, quando foi dado o nome ao vilarejo de Sant”Ana de Boigy das Cruzes", contou o historiador.
     Segundo Moraes, Boigy, palavra de origem indígena, significa rio que tem cobras de duas cabeças. O nome de Sant’Ana na frente seria uma forma de dizer que a Santa abençoava a terra onde existia uma serpente com duas cabeças.
     Mas, além da Vila de São Paulo, da Vila de Mogi das Cruzes, a devoção a Sant”Ana está presente em várias regiões do Brasil, de Norte ao Sul, desde os primeiros séculos de seu descobrimento.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Beata Maria do Carmo Sallés y Baranguera, Fundadora - Festejada 25 de julho

     A Beata nasceu em Vic (Barcelona) no dia 9 de abril de 1848, filha de José Sallés e Francisca Barangueras, casal profundamente católico
     Tendo sua família se transferido para Manresa, frequentou o Colégio das religiosas da Companhia de Maria, recebendo uma educação religiosa e civil, sobretudo uma espiritualidade mariana, que a fez receber com grande alegria a proclamação do dogma da Imaculada Conceição.
     Aos 16 anos expressou o desejo de tornar-se religiosa, enfrentando a insatisfação dos pais que desejavam que ela se inclinasse ao matrimônio.
     Em 1869, ingressou no noviciado das Adoradoras, que se dedicavam à recuperação de mulheres marginais pela delinqüência ou prostituição. Com o conselho de seu diretor espiritual, procurou um instituto dedicado a formação da mulher, mais afim com os anseios de sua alma. Assim, em 1871, decidiu-se pelas Dominicanas da Anunciada, fundadas pelo Pe. Coll, que a recebeu no Noviciado.
     Durante 22 anos se dedicou à educação em diversos lugares, dirigiu uma escolinha para que os filhos de mulheres que trabalhavam não ficassem na rua; em Barcelona, dirigiu um colégio dedicado à classe média, e, ajudada pelas alunas do curso diurno, conseguiu que se abrissem aulas noturnas para 300 operárias.
     Esforçava-se para aumentar a cultura feminina e educar às jovens numa piedade profunda, bem fundamentada.
     Em 1889, Carmem iniciou um profundo processo de busca. Rezava, consultava e se punha à escuta da voz do Espírito Santo. Sonhava com jovens que, graças ao harmonioso equilíbrio entre piedade e cultura, fossem propulsoras da família e da sociedade, fieis à hierarquia e plenamente inseridas na vida da Igreja.
     Os problemas maiores aconteceram no final de 1891 e primeiros meses de 1892. Ela não quis sair da Congregação Dominicana, mas criar um ramo da mesma árvore. Queria continuar no Instituto para continuar nele o seu método de ensino. Porém, não lhe foi permitido e se viu forçada a iniciar um caminho novo.
     Acompanhada de três companheiras, Candelária Boleda, Remédios Pujals, Emília Horta, iniciou uma Congregação nova na Igreja, chamada no primeiro momento Concepcionistas de São Domingos, hoje Concepcionistas Missionárias do Ensino.
     Numa busca perseverante, porém tranquila, porque confiava no Senhor mais que em si mesma, Carmem fez uma viagem a Madrid. Ali a esperava a Providência Divina. A palavra firme e serena de D. Celestino Pazos, pertencente ao Cabido de Zamora, a ajudou a buscar a vontade de Deus. Carmem entregou seu projeto à Virgem do Bom Conselho, situada na capela da Colegiada de São Isidoro. Depois de rezar, disse a suas companheiras: "É vontade de Deus. Vamos a Burgos. Ali trabalharemos e lutaremos com tudo que se apresente. E Deus proverá".
     No dia 15 de outubro de 1892, festividade de Santa Teresa de Jesus, Carmem chegou a Burgos com as três companheiras. Ali encontrou um grande protetor na pessoa do Arcebispo, D. Manuel Gómez-Salazar y Lucio Villegas, que em 7 de dezembro do mesmo ano, outorgou a aprovação Diocesana à nascente Congregação e autorizou a abertura do primeiro colégio Concepcionista.
     Em 16 de abril de 1893, foi obtida a aprovação Diocesana das Constituições e Carmem Salles foi nomeada Superiora Geral.
     Em 29 de fevereiro de 1908, Carmem Sallés solicitou ao Santo Padre a aprovação do Instituto. E em 19 de setembro do mesmo ano recebeu o Decreto outorgado por São Pio X.
     Desde o primeiro momento se dedicou à preparação adequada das futuras religiosas mestras. Naquele tempo as leis não exigiam o título de professora para ensinar nos colégios privados da Igreja, mas Carmem quis que as religiosas cursassem o Magistério e piano, e as introduziu no domínio da língua francesa.
     A Universidade ainda não abrira suas portas para a mulher, porém dois anos após a fundação do Instituto suas alunas já estudavam o Magistério. Carmem planejou a educação de uma forma integral e equilibrada: a menina e a jovem deviam desenvolver harmonicamente a inteligência e a alma.
     Madre Carmem gastou sua vida no serviço da educação das crianças e das jovens. Em 19 anos de trabalho, empenhou todas as suas energias em fundar 13 “Casas de Maria Imaculada”, como gostava de chamar as suas Comunidades e Colégios: Burgos, Segovia, El Escorial, Madrid, Pozoblanco, Almadén, Valdepeñas, Manzanares, Santa Cruz de Mudela, Murchante, Barajas de Melo, Arroyo del Puerco (hoy de la Luz), Santa Cruz de la Zarza.
     Uma mulher de grande caráter e de grande doçura, a Beata soube superar muitas dificuldades ao longo do itinerário de fundadora. Sua fé profunda e sua caridade ardente vão unidas a uma grande sensibilidade pela formação católica das mulheres de seu tempo, quando surgiam pressões laicistas e anti-clericais.
     A Beata também manifestou sempre um grande amor pelas meninas mais pobres: todas as suas fundações surgem unidas a iniciativas para favorecer as meninas mais pobres. Iniciou também os primeiros passos para levar sua obra para a Itália e o Brasil.
     Morreu em Madrid, aos 63 anos, no dia 25 de julho de 1911, deixando 166 Irmãs na nova Congregação, deixando-lhes como herança seu desejo de expansão missionária do Instituto. Atualmente as Irmãs estão presentes nos paises do Extremo Oriente, em cinco Estados americanos, na África e na Itália.
     No dia 8 de dezembro de 1954, festividade da Imaculada Conceição e Ano Mariano, Pio XII aprovou definitivamente a Congregação. João Paulo II a beatificou em Roma no dia 5 de março de 1998.
 
Frases suas:
   “Não espero nada das criaturas, mas de Deus, doador de todos os bens”.
   “Enquanto houver jovens para educar e valores a transmitir, as dificuldades não contam”.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Beata Margarida Maria López de Maturana, Fundadora - Festejada 23 de julho

     Nasceu em Bilbao em 25 de julho de 1884. Foi batizada com o nome de Pilar. Teve uma irmã gêmea, Leonor, com quem manteve toda a vida uma relação afetiva e espiritual muito intensa.
     Em 1901, seus pais decidiram mandá-la para o colégio interno das Monjas Mercedárias em Bérriz, pois queriam afastá-la de um noivo que eles não aceitavam. Depois de passar um ano e meio em Bérriz, regressou à casa paterna. O noivo voltou a visitá-la, mas tudo havia mudado... Em Bérriz Margarida descobrira que Deus a chamava para entregar toda sua vida a Jesus e aos demais.
     Seus familiares, acreditando ser mais uma de suas loucuras juvenis, lhe dizem que esperasse, que pensasse... Porém ela, firme e decidida, entrou no convento de Bérriz no ano seguinte. Aos 19 anos, no dia 10 de agosto de 1903, ingressou no Mosteiro de Clausura das Irmãs Mercedárias de Bérriz, tomando o nome de Margarida Maria.
     Poucos dias antes sua irmã Leonor havia ingressado no noviciado das Carmelitas da Caridade, Instituto fundado por Santa Joaquina Vedruna (Leonor morreu na Argentina em odor de santidade e já foi decretada a heroicidade de suas virtudes).
     Margarida se entregou a Deus desde o primeiro momento, numa fidelidade total em sua vida de monja de clausura. Em 1906, começou a trabalhar no colégio, onde permaneceu por mais de vinte anos.
     Duas características principais a distinguem: sua oração e sua caridade. Na vida de oração constante, fiel, em sua intimidade com o Senhor, sua caridade, sua vocação mercedária de redenção dos cativos se foi ampliando e alcançando novos e amplos horizontes. Foi aumentando o seu desejo de fazer chegar ao mundo inteiro a alegria que ela gozava na comunicação com Deus e o amor a Jesus Cristo que sentia crescer mais e mais em seu interior.
     Em 5 de maio de 1912 ela escrevia: “Eu não desejo senão dá-lo a conhecer aqueles que Ele me encomendou, que é o mundo inteiro”. Desde então seus desejos de abarcar o mundo inteiro foram dilatando, primeiro na oração e depois em seu trabalho com as alunas do colégio anexo ao mosteiro.
     Pelo ano de 1920, começou na Espanha um grande movimento missionário. Chegaram a Bérriz missionários vindos da China e das Ilhas do Pacífico, que traziam os ares de terras e povos também amados por Deus. Margarida vibrava com tudo isto. Sentia que Deus a chamava a fazer algo também a partir do seu convento de clausura.
     Naquele ano, com a aprovação da superiora, iniciou no colégio uma associação "Juventude Mercedária Missionária de Bérriz", primeira associação do gênero na Espanha, e através dela formou várias gerações de jovens no espírito missionário, que como religiosas ou como leigas souberam viver o ideal missionário aonde Deus as ia chamando. Com as alunas do colégio organizou rifas, cartas a missões e, em suas orações as necessidades destes povos que sofrem estavam sempre presentes.
     Todo este movimento do colégio contagiou as monjas e Margarida descobriu, com o apoio de todas elas, um novo chamado: “Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a toda a criação” (Mc. 15).
     O Espírito Santo inspirava e, impulsionadas por Ele, em maio de 1926 todas as monjas receberam o crucifixo missionário, preparando assim a primeira expedição à China. Em 19 de setembro de 1926, o primeiro grupo de missionárias de Bérriz partiu para a missão de Wuhu (China). Tinha iniciado o "êxodo" missionário daquelas mulheres contemplativas, apoiadas e animadas, em todos os momentos, pelo encorajamento de Margarida. As monjas se dispersaram pelo longínquo Oriente: depois da China, as ilhas da Oceania e Japão. Eram fundações vinculadas a casa-mãe.
     Eleita priora do convento, Margarida Maria acompanhou pessoalmente, em 1928, a terceira expedição, para ver de perto as missões e encarregar-se das exigências apostólicas da nova vida missionária.
     Em seguida, outras missionárias partiram para Tóquio, Saipan (Ilhas Marianas), e Panapé (Ilhas Carolinas). Ela cuidou com grande dedicação da formação das religiosas do mosteiro para aquele novo serviço e para o testemunho missionário para o qual o Senhor as tinha chamado.
     O passo seguinte foi transformar o mosteiro de clausura em um Instituto Missionário , com o voto favorável das 94 monjas e com o consentimento da Santa Sé.
     O sonho de Irmã Margarida Maria se tornou realidade em 23 de maio de 1930: o Instituto das Mercedárias Missionárias de Na. Sra. das Mercês de Bérriz foi aprovado e abençoado pela Igreja, e no ano seguinte ela foi eleita a primeira superiora  do Instituto.
Corpo incorrupto da Beata
     Neste cargo completou duas voltas ao mundo para acompanhar as Irmãs que partiam para a missão, para visitá-las nas comunidades já em funcionamento, para seguir de perto o progresso da sua obra, que hoje conta com cerca de 600 Irmãs e 72 comunidades distribuídas nos vários continentes.
     O grande desejo de Madre Margarida Maria fora que o Instituto pudesse levar a Redenção libertadora até o fim do mundo, vivendo o quarto voto de permanecer na missão quando houvesse perigo de perder a vida. Ela deixou ao Instituto a herança de uma rica espiritualidade que alcançou o auge nos últimos anos de sua vida.
      Após uma dolorosa enfermidade, que contudo não a distanciou das suas responsabilidades na direção do novo Instituto, nem da sua vida de amor e de dedicação missionária, Madre Margarida foi chamada definitivamente por Deus.
     Morreu no dia 23 de julho de 1934, dois dias antes de completar 50 anos, após uma cirurgia delicada de um mal incurável, prometendo às suas Irmãs ajudá-las do Céu.
      Em 22 de outubro de 2006, na Catedral de Santiago de Bilbao, a Irmã que “tinha o coração voltado para o Céu, o olhar no tempo e os pés no chão” e que havia ousado tanto sob a ação do Espírito Santo, foi solenemente proclamada Beata.

Catedral de Santiago de Bilbao

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Santa Maria Madalena - Festejada 22 de julho

                                                               Contrição perfeita que levou à santidade

     Maria Madalena, Maria de Betânia e Maria pecadora, citadas no Evangelho são a mesma pessoa, segundo o Papa São Gregório Magno, grande estudioso dos santos e criador do Calendário Gregoriano. Também os Padres latinos, desde Tertuliano, Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho, até São Bernardo e Santo Tomás de Aquino, reconhecem nas três uma e mesma pessoa: a Santa Maria Madalena penitente, que seguiu Nosso Senhor durante a Paixão.
     Maria Madalena teria nascido em Betânia, cidade da Judéia, de pais muito ricos, tendo por irmãos Marta e Lázaro. Como parte de sua herança, recebera o castelo de Magdala, de onde lhe veio o nome.
     Uma lenda fala de sua esplêndida formosura, cabeleira famosa, de seu engenho, e relata ser ela casada com um doutor da Lei que a trancava em casa quando saía. Altiva e impetuosa, Maria teria fugido com um oficial das tropas do César e se estabelecido no castelo de Magdala, perto de Cafarnaum. Suas desordens e escândalos logo se espalharam pela região
     Enquanto isso, Nosso Senhor iniciara sua peregrinação: fama de seus milagres e a santidade de vida estendia-se pelas terras da Palestina.
     Atormentada por demônios e pelos remorsos de sua consciência culpada, Maria foi procurar Aquele que alguns apontavam como sendo o Messias prometido. O Senhor apiedou-se dela e livrou-a de sete demônios (Mc 16, 9), tocando-lhe também profundamente o coração.
     A partir de então, começou para Madalena a completa conversão. Horrorizada ante seus inúmeros pecados, cativada pela bondade e mansidão de Jesus, ela procurava uma ocasião em que pudesse mostrar-Lhe seu reconhecimento e profundo arrependimento.
     Essa ocasião surgiu na casa de Simão — um fariseu, provavelmente de Cafarnaum —, que havia convidado o Mestre para uma refeição. Durante um banquete ao qual Jesus participava, inesperadamente Madalena irrompeu na sala, foi diretamente até Jesus, rompeu um vaso de alabastro que levava apertado ao peito, e “começando a banhar-Lhe os pés com lágrimas, enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, beijava-os e os ungia com o bálsamo” (Lc 7, 38).
     Perdoada, convertida, Maria Madalena foi viver com seus irmãos em Betânia. Em uma ocasião, as duas irmãs receberam a visita do Messias. Maria sentou-se junto ao Salvador para absorver suas palavras divinas, enquanto Marta afanava-se nos afazeres domésticos para bem receber seu divino Hóspede. E julgou que sua irmã fazia mal, pois em vez de ajudá-la, estava ali sentada esquecida da vida. Disse Jesus: “Marta, Marta, afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas. Entretanto uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” (Lc 10, 38-42).
     Em outra visita do divino Mestre a Betânia, Maria Madalena, já não mais “a pecadora”, ungiu novamente os pés do Redentor com precioso perfume, o que levou Judas a reclamar do “desperdício”, pois podiam vender o perfume e “dar o dinheiro aos pobres”. Nosso Senhor interveio: “Deixai-a; ela reservou isso para o dia da minha sepultura; porque sempre tendes os pobres convosco, mas a mim não tendes sempre” (Jo 12, 1-8).
     Chegou o momento da Paixão. Aos pés da cruz, Maria Madalena acompanhava Nossa Senhora e São João Evangelista. Depois do sepultamento, Maria também estava junto ao túmulo, de fora, chorando. Enquanto chorava, se inclinou para o interior do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus havia sido colocado, um na cabeceira e outro aos pés.
     Disseram então "Mulher por que choras?" Ela respondeu: "Levaram meu Senhor e não sei onde o colocaram". Dizendo isto se voltou e viu Jesus de pé. Mas não podia imaginar que era Jesus. E Jesus lhe disse: "Mulher por que choras? A quem procuras?" Pensando ser Ele o jardineiro ela respondeu: "Senhor se foste tu que O levaste me diga onde O puseste que eu irei busca-LO" Jesus responde: "Maria". Ela então O reconhece e grita em hebraico "Raboni!" (que quer dizer Mestre!).
     De acordo com uma antiga tradição do Oriente, Maria Madalena acompanhou São João Evangelista e a Virgem Maria a Efeso onde morreu e foi sepultada.
     No Ocidente, a tradição diz que ela viajou para Provença, França com Santa Marta e São Lázaro. Alguns afirmam que São Maximino, um dos 72 discípulos do Senhor, e Sidônio (o cego de nascença de que fala o Evangelho, e que foi curado por Nosso Senhor) e mesmo José de Arimatéia estão entre os que os acompanharam na conversão da Gália.
     São Maximino foi bispo de Aix e São Lázaro encarregou-se da igreja de Marselha. Santa Marta reuniu em Tarascão uma comunidade de virgens, e Maria Madalena, depois de ter trabalhado na conversão dos marselheses, retirou-se para viver na solidão numa montanha entre Aix, Marselha e Toulon, La Sainte Baume (a Santa Montanha ou Santa Gruta), como dizem os habitantes do lugar. Lá permaneceu cerca de trinta anos, levando vida contemplativa e penitencial.
     Ela foi milagrosamente transportada, pouco antes de sua morte, para junto de São Maximino, que lhe ministrou os últimos sacramentos. Segundo a tradição, seu corpo foi levado para um povoado vizinho –– a Villa Lata, depois São Maximino –– onde esse bispo havia construído uma capela.
     No século VIII, por temor dos sarracenos, suas relíquias foram trasladadas para um lugar seguro, tendo ficado esquecidas até que Carlos II, Rei da Sicília e Conde da Provença, as encontrou em 1272.
     São Vilibaldo diz que viu sua tumba em Efeso (hoje Turquia) no século VIII. Vezelay, França diz ter suas relíquias desde o século XI.
     É a padroeira das cabeleireiras, estilistas de cabelos, podólogos, pecadoras penitentes, perfumistas, manicuras, fabricantes de perfumes e de óleos para o corpo.
     Na arte litúrgica da Igreja ela é representada segurando um alabastro de óleo.
 
Comentário extraído de “Homilias sobre os Evangelhos”,
de São Gregório Magno, Papa (Hom. 25,1-2.4-5; PL 76, 1189-1193) (Séc. VI)
 
      Santa Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que ela lhes dissera. Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20, 10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando (Jo 20,11).
     Este fato mostra quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher que não se afastava do túmulo do Senhor mesmo depois de os discípulos terem ido embora.
     Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava, pois sentia a ardente saudade daquele que julgava ter sido roubado. Por isso, só ela o viu então, porque só ela o ficou procurando.
     Na verdade, a eficácia das boas obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo. (Mt 10, 22).
     Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar. Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; já aqueles que diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos. Quem experimentou esse amor ardente, pôde alcançar a verdade.
     Mulher por que choras? A quem procuras? (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por Ele.
     Então Nosso Senhor lhe disse: Maria (Jo 21,16). Depois de tê-la tratado por “mulher” sem que ela antes o tenha reconhecido, chama-a em seguida pelo próprio nome. Foi como se dissesse abertamente: Reconhece aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti.      Chamada pelo próprio nome, ela reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: Raboni, que quer dizer Mestre (Jo 20,16). Era Ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era Ele próprio que impelia interiormente a procurá-lo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Santa Macrina a Jovem, Monja - Festejada 19 de julho

     A vida desta Santa nos leva às origens da vida religiosa feminina. Santa Macrina está ligada à fundação do monasticismo no Oriente, apesar de ter ficado obscurecida pelas figuras ilustres de seus irmãos. Além de São Basílio o Grande, São Gregório de Nissa e São Pedro de Sebaste, um outro irmão de Macrina, Naucratius, tornou-se ermitão, dedicando sua vida a auxiliar os pobres.
     Santa Macrina persuadiu sua mãe a fundar dois mosteiros, um para homens e outro para mulheres, pois não existiam conventos e a vida consagrada se realizava nas próprias casas; escreveu as regras para as monjas com admirável prudência e piedade; estabeleceu no mosteiro o espírito de pobreza, de humildade, de oração permanente, de contemplação, um desprendimento completo do mundo e o canto de Salmos.
     Macrina nasceu em Cesaréia, na Capadócia, outrora um reino independente e província do Império Romano a partir de 14 d.C. Era a primogênita de dez filhos de São Basílio o Maior e Santa Emélia, pertencentes à aristocracia helenizada da Ásia Menor que prontamente aceitou o cristianismo.
     Como seus pais sofressem perseguições religiosas por parte do imperador Galério Máximo (293-311), a família mudou-se para o Ponto, província romana localizada ao norte da Capadócia.
     Macrina é chamada a Jovem, porque levava o nome da avó paterna, ela também santa, Macrina a Anciã. Desde a mais tenra idade foi educada nas Sagradas Escrituras; o Livro da Sabedoria e os Salmos de David eram as obras prediletas de Macrina, que não se descuidava dos deveres domésticos e dos trabalhos de bordado e de costura.
     Na adolescência, devido a sua beleza, muitos foram os pretendentes à sua mão. Aos doze anos, como era costume, o pai prometeu-a em matrimônio, mas o noivo morreu prematuramente. Macrina recusou-se a aceitar novos compromissos e, como a mãe ficara viúva após o nascimento do décimo filho, permaneceu a seu lado ajudando-a na educação de seus irmãos.
     Os irmãos aprenderam com ela o desprezo do mundo, o temor da riqueza e o amor à oração e a palavra de Deus. Macrina foi “o pai e a mãe, a guia, a mestra e a conselheira” de seu irmão mais novo, Pedro, pois o pai morreu pouco depois do seu nascimento.
     Macrina exerceu muita influência sobre seu irmão Basílio, que deixou a vida mundana de erudito para abraçar, em 356, a vida monástica, tornando-se depois Bispo de Cesárea (em 370). Ele voltou a rever a irmã no mosteiro em 376; ordenou sacerdote o irmão mais novo, Pedro, que vivia em um mosteiro vizinho ao da irmã. São Basílio morreu em 1° de janeiro de 379.
     Quando todos os irmãos se tornaram auto-suficientes, Macrina convenceu a mãe a se retirar com ela para a solidão em uma propriedade da família em Anési, nas margens do Rio Íris, onde fundaram um mosteiro, e para onde seguiram também suas criadas e companheiras.
     Numa organização de tipo familiar, as monjas dedicavam-se à meditação sobre as verdades do cristianismo, às orações e ao auxílio aos pobres. O claustro feminino deveria ser um espaço inviolável, longe do profano. O convento era considerado essencial para as virgens absorverem a cultura sagrada; nele as mulheres poderiam ser alfabetizadas. Não só os irmãos de Macrina, mas também amigos da família, como São Gregório Nazianzeno e Santo Eustáquio de Sebaste, estiveram ligados a esta comunidade.
     Macrina teve papel preponderante na espiritualidade católica do século IV. Pelo fato de viverem inteiramente dedicadas ao ascetismo virginal e de basear seu conhecimento unicamente nas Escrituras, Macrina e outras virgens são consideradas verdadeiros esteios do cristianismo. Macrina possuía uma excelente bagagem intelectual: sua mãe a ensinara a ler e ela conhecia autores cristãos, como Orígenes, além de ler as obras dos irmãos.
     Macrina e outras virgens elaboravam retiros para onde afluíam moças pobres e também viúvas abastadas que decidiam ingressar na vida religiosa. Os grandes grupos de virgens, de cinqüenta a cem, eram mantidos por aquelas senhoras ricas que dedicavam seus recursos ao convento e nele também viviam.
      Uma passagem de uma carta de São Basílio Magno aos habitantes de Neocesaréia mostra a força da virtude feminina na difusão do cristianismo do século IV: “Que prova mais clara poderia haver em favor da nossa fé do que o fato de ter sido educado por uma avó que era uma bem-aventurada mulher saída do meio de vós? Falo-vos da ilustre Macrina, que nos ensinou as palavras do bem-aventurado Gregório (o Taumaturgo), todas as que a tradição oral lhe tinham conservado, que ela própria guardava e de que se servia para educar e para formar nos dogmas da piedade a criancinha que éramos ainda?”
     Por ocasião da morte da mãe, em 373, Macrina tornou-se superiora do mosteiro. Macrina repartiu entre os pobres a herança que recebeu de sua mãe, e viveu do trabalho de suas mãos.
     Retornando do Concílio de Antioquia, em 379, São Gregório, Bispo de Nissa, desejou passar por Anési para visitar a irmã, mas a encontrou nos seus últimos momentos de vida.
     O santo ficou muito consolado vendo a alegria com que sua irmã suportava a tribulação e muito impressionado com o fervor com que ela se preparava para a morte. Eles tiveram somente um último colóquio de elevado teor espiritual e depois de uma magnífica oração a Deus Macrina entregou a alma a Deus (380).
     Santa Macrina era tão pobre, que para amortalhar o cadáver não se encontrou outra coisa além de um vestido velho e um tecido surrado. São Gregório, porém, doou a sua túnica de linho para seu sepultamento. O corpo foi sepultado na igreja dos 40 Mártires de Sebaste, a pouca distância do mosteiro, onde já estavam sepultados seus pais.
     Ao funeral compareceu o bispo do local, Arauxio; juntos ele e São Gregório transportaram o féretro. Uma grande multidão de fieis foram venerar a falecida.
 
“A Vida de Macrina”
     A sua “Vida” e a sua espiritualidade são narradas em uma importante obra escrita pelo próprio São Gregório de Nissa, com muitos detalhes sobre sua virtude, sua vida e seu enterro. A “Vita Macrinae Junioris” foi redigida em forma de carta e dedicada ao monge Olímpio, que o acompanhara no Concílio de Constantinopla em 381.
     O Concílio de Nicéia, convocado por Constantino, refutara as idéias de Ario (c. 260-336), bispo de Alexandria, que afirmava que Deus e Cristo não possuíam a mesma substância: o Filho seria inferior ao Pai. Em Nicéia, os ensinamentos de Ario foram condenados e adotou-se o conceito de substância idêntica para estabelecer a relação entre Pai e Filho, conforme descrito no Credo de Nicéia.
     Entretanto, o arianismo continuaria forte por mais sessenta anos, praticamente durante toda a vida de Macrina (o arianismo, embora enfraquecido, fez ainda muita devastação na Cristandade nascente). As disputas teológicas e as perseguições aos cristãos do Oriente formam o pano de fundo da Vida de Macrina, a obra escrita por São Gregório de Nissa.
     O santo fala de dois milagres: no primeiro, Santa Macrina recuperou a saúde quando a mãe traçou sobre ela o Sinal da Cruz; e, no segundo caso, a Santa curou de uma doença nos olhos a filhinha de um militar.
     São Gregório acrescenta: "Creio que não é necessário que eu repita aqui todas as maravilhas que contam os que viveram com ela e a conheceram intimamente... Por incrível que pareçam esses milagres, posso assegurar que os consideram como tais quem teve ocasião de estudá-los a fundo. Só os homens carnais se recusam em crer neles e os consideram impossíveis. Assim, pois, para evitar que os incrédulos sejam castigados por se negar a aceitar a realidade desses dons de Deus, preferi abster-me de repetir aqui essas maravilhas sublimes..."
     O texto grego se encontra nas obras do Santo. Na Acta Sanctorum, julho, vol. IV, há uma tradução em latim. Há também uma tradução em inglês feita por W. K. Lowther Clarke (1916).