sábado, 29 de dezembro de 2012

Santa Colomba de Sens, Virgem e mártir - 31 de dezembro

     Esta é uma das mais célebres mártires de toda a Idade Média e o seu culto teve uma grande difusão. Entretanto, as informações históricas relativas a ela estão repletas de legendas, inclusive a própria Passio. Santa Colomba (ou Comba) é venerada por ter sido martirizada em Sens, no tempo do Imperador Aureliano (270-275).
     As suas Actas, escritas no século VIII, relatam que ela teve sempre grande horror aos ídolos. É apresentada como pertencente a uma nobre família pagã da Espanha, onde nasceu no século III. Para afastar-se do culto aos ídolos, deixou a família e entrou na França, inicialmente em Vienne, onde recebeu o Batismo, depois foi para Sens. Parece que seu verdadeiro nome era Eporita e que foi chamada Colomba devido sua inocência.
     Ao passar por Sens, durante suas guerras na Gália, o imperador Aureliano Lucio Domicio deu ordem para ser cumprida naquela cidade a perseguição aos cristãos, lei em vigor em todo o Império Romano.
     Colomba, por ser cristã, foi feita prisioneira e conduzida diante do imperador. A jovem de dezessete anos foi a única pessoa que encontrou graça a seus olhos, tal a nobreza de suas feições, reveladoras de ascendência ilustre. Foi em vão, porém, que ele tentou fazê-la renunciar ao seu voto de virgindade. Encolerizado, deu ordem que a aprisionassem em uma cela do anfiteatro, mas quando um libertino tentou violá-la, um urso do anfiteatro interveio para protegê-la, pondo em fuga os soldados.
     Como nenhum dos soldados quisesse intervir, Aureliano, enfurecido, ordenou que tanto a virgem quanto o urso fossem queimados, mas uma chuva providencial apagou o fogo já preparado. Após o urso fugir para a floresta, o obstinado imperador condenou Colomba à decapitação.
      O martírio ocorreu entre os anos 270 e 275. A mártir foi sepultada por um homem que havia recuperado a visão ao invocar sua intercessão.
     Muitíssimo venerada na França, em 620 o rei Lotário III fundou a célebre abadia real de Santa Colombe-les-Sens sobre o túmulo da Santa mártir. Em 623 o bispo de Sens, São Lupo († 623), quis ser sepultado aos pés da mártir; em 853 o bispo Wessilone, ao consagrar a nova igreja, encontrou unidas as relíquias dos dois santos e mandou colocá-las em um precioso tecido, cujos fragmentos foram encontrados no século XIX e são conservados no tesouro da catedral.
     A igreja da abadia foi construída uma terceira vez e consagrada, em 1164, pelo papa Alexandre III, depois destruída em 1792 pelos adeptos da abominável Revolução Francesa. As ruínas do complexo abacial e da igreja foram adquiridas, em 1842, pelas religiosas da Santa Infância de Jesus e Maria, que ali edificaram sua Casa-Mãe, salvaguardando os restos da antiga cripta. As relíquias de Santa Colomba já haviam sido transferidas para a Catedral de Sens em 1803.
     São numerosas as igrejas dedicadas a esta Santa mártir na França, Espanha, Flandres, Alemanha e Itália, onde o culto se difundiu particularmente em Rimini.
     No Martirologio Jeronimiano, bem como no Romano, a festa de Santa Colomba é celebrada no dia 31 de dezembro. Em Sens, devido a uma festa local que ocorre no último dia do ano, a sua celebração foi transferida para o dia 27 de julho, data da transladação das relíquias e da dedicação da sua igreja.
     Santa Colomba é invocada para obter chuva e é representada com um urso e uma pena de pavão substituindo a palma dos mártires.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Santa Catarina Volpicelli, Fundadora - 28 de dezembro


     “Senhor, o que queres que eu faça?”, era a pergunta constante que a jovem Catarina Volpicelli, ao regressar de espetáculos como o teatro, ou a dança, de que tanto gostava, fazia à imagem do Ecce Homo, que se encontrava em sua casa e que está hoje na casa central da comunidade das Escravas do Sagrado Coração, fundada por ela.
     Catarina Volpicelli nasceu em Nápoles no dia 21 de janeiro de 1839, no seio de uma família da alta burguesia, da qual recebeu sólida formação humana e religiosa. Estudou letras, línguas e música, coisa não frequente para as mulheres do seu tempo. Guiada pelo Espírito Santo e através dos diretores espirituais, Catarina renunciou à vida social que apreciava para atender uma voz interior, o chamado de Deus à vida religiosa.
     Foi em 1854 que ocorreu o seu encontro casual com o futuro bem-aventurado Ludovico de Casoria na sua cidade. Encontro depois considerado por ela uma graça providencial de Deus, porque por suas mãos se associou à Ordem Franciscana Secular. Pe. Ludovico foi enfático quando lhe indicou como único objetivo de sua vida o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Apesar disso, cinco anos depois, orientada por seu confessor, ingressou em uma Congregação religiosa, saindo, logo em seguida, por graves motivos de saúde.
     Eram anos difíceis para a Igreja em Nápoles: a invasão garibaldina, a perseguição por parte dos maçons e a dispersão dos jesuítas eram alguns desafios para o apostolado neste tempo.
     Também se desenvolvia em Roma o Concílio Vaticano (1869-1870), convocado pelo Papa Pio IX. Paralelamente, um grupo de anticlericais realizava o “Anti-concílio de livre pensadores”. Foi neste contexto no qual Catarina decidiu começar sua obra, com o acompanhamento espiritual do Pe. Ludovico.
A Santa aos 18 anos
     O plano de Deus sobre Catarina era outro, havia bem entendido o Pe. Ludovico, que muitas vezes dizia: "O Coração de Jesus é a tua obra, Catarina!" Novamente, com a indicação do seu confessor, tornou-se a primeira a receber na Itália o diploma de zeladora da Associação do Apostolado da Oração da França. Em 1867, estabeleceu a sua Sede em Nápoles mesmo, onde se dedicou às atividades apostólicas. No edifício de Largo Petrone, na Saúde, localizado em   Nápoles, Catarina reuniu 12 mulheres com suas mesmas inquietudes, a quem chamou de “zeladoras do apostolado e da oração”.
     Foram grandes os frutos de seu apostolado. Graças à amizade e aos conselhos de Volpicelli, o hoje beato Bartolo Longo, fundador do santuário de nossa Senhora do Rosário em Pompéia, teve uma conversão radical, após ter-se dedicado durante anos à superstição e ao espiritismo.
     "Ele se havia afastado da Igreja, mas com ela conseguiu converter-se, fez a primeira comunhão e da casa de Volpicelli foi para Pompéia, para fundar o santuário", diz Carmela Vergara, postuladora da causa de canonização de Catarina e religiosa da Congregação das Escravas do Sagrado Coração.
     O apostolado da oração passou a ser o ponto central da espiritualidade de Catarina. Na sua vida, totalmente consagrada ao Coração de Jesus, distinguem-se três aspectos: a profunda espiritualidade eucarística, a integral fidelidade à Igreja e a imensa generosidade apostólica.
     Em 1874, com as suas primeiras zeladoras Catarina fundou o novo Instituto das Servas do Sagrado Coração de Jesus, aprovado inicialmente pelo seu arcebispo, e, em 1890, pelo Vaticano. Preocupada com o futuro da juventude, abriu o orfanato, fundou uma biblioteca circulante e instituiu a Associação das Filhas de Maria. Em pouco tempo abriu outras Casas na Itália. E as servas muito se distinguiram na assistência às vítimas da cólera, em 1884, em várias localidades italianas.
     Em 14 de maio de 1884 o novo arcebispo de Nápoles, Guilherme Sanfelice, consagrou o Santuário dedicado ao Sagrado Coração edificado adjacente a Casa Mãe.
     A Santa viajou várias vezes a Roma para encontrar-se com o Papa Leão XIII, que a alentou a que seguisse adiante com este instituto, o qual recebeu sua aprovação pontifícia em 1911, com o Papa São Pio X.
     A participação de Catarina no primeiro Congresso Eucarístico Nacional, celebrado em Nápoles em 1891, foi um ato culminante do apostolado da fundadora e das Servas do Sagrado Coração de Jesus.
     Catarina morreu no dia 28 de dezembro de 1894, em Nápoles, aos 55 anos de idade. Antes de falecer, ela deixou uma carta a seus familiares, na qual dizia: "Iluminada por Deus bendito, em sua infinita misericórdia, acima da vaidade do mundo e do dever de gastar-me total e unicamente no servir a Deus, meu Criador, Redentor e Benfeitor, segundo seu beneplácito, a Ele consagrei e paguei o ser e o que Ele me deu".
     O papa João Paulo II beatificou-a em 29 de abril de 2001. Catarina Volpicelli foi canonizada pelo Papa Bento XVI no dia 26 de abril de 2009. A data de sua festa ocorre no dia de sua morte. 
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Santa Fabiola de Roma, Matrona - 27 de dezembro

     A única fonte biográfica sobre esta santa é a Epístola 77 de São Jerônimo, escrita no verão do ano 400 da era Cristã.
     Da nobre família dos Fabi, Fabíola muito jovem casou-se com um homem cruel de quem se divorciou para casar-se novamente, fato que escandalizou a Igreja.
     No Sábado Santo de um ano impreciso, Fabiola se apresentou, vestida com tecido se saco, na Basílica de São João de Latrão, pedindo para ser recebida na Igreja. Diante do clero e dos fieis fez publicamente penitência, e o papa Sirício (384-399) admitiu-a de novo à comunhão.
     Retirou-se para a vida privada, dedicou-se ao cuidado dos pobres e fundou em Óstia, junto a Roma, um grande hospital para os doentes abandonados, onde eles eram tratados gratuitamente. Foi a primeira fundação do gênero na Europa. Esta fundação é “uma das datas mais altas da história da civilização ocidental”, segundo o historiador Camille Julian.
     Em 394 ela foi para a Palestina convidada por São Jeronimo e lá se dedicou ao estudo das Sagradas Escrituras. São Jerônimo ficou muito impressionado com a sua forte personalidade, inteligência e virtude, e escreveu sua biografia. No ano seguinte, receando uma invasão dos Hunos, ela retornou a Roma, onde viveu na pobreza, morrendo no ano 400. Toda a cidade participou de seu funeral cantando o Aleluia.
     Em 397, São Jeronimo enviara a ela uma dissertação sobre as vestes sacerdotais e a ela também destinou, em 400, o Liber exegeticus XLII mansionibus Israelitarum in deserto. Por outro lado, ela também tinha admirado ao máximo a carta escrita por Jerônimo ao monge Heliodoro, por volta de 376, em que ele elogiava a solidão. Na carta a Oceano assim São Jeronimo resume as virtudes de Fabiola: "Laudem Christianorum, miraculum gentilium, luctum pauperum, solatium monachorum".
     O nome de Fabiola aparece nos martirológios somente a partir do século XV ao século XVIII no dia 27 de dezembro. Entretanto, não foi incluída por Baronio no Martirológio Romano. Ela deve a sua grande notoriedade ao famoso livro do Cardeal Wisemann, intitulado Fabiola, ou a Igreja das Catacumbas (Londres 1855) que apresenta uma Fabiolaespectadora simpática da última perseguição" em vez de uma matrona penitente do século. IV.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Santa Vicenta Maria Lopez y Vicuña - 26 de dezembro

     A Madre Vicenta Maria López y Vicuña nasceu em Navarra, Cascante, no dia 24 de março de 1847, em uma família solidamente cristã.

     Na família Vicenta Maria captou o sentido de Deus em sua vida. Seu pai, José Maria López, membro do Colégio de Advogados de Pamplona, foi seu primeiro mestre. Rezava com os familiares, aprendendo a sentir a necessidade da gratidão a Deus, da obediência à suas leis. A devoção ao Rosário na família, orações marianas, seria como uma tábua de salvação em sua vida espiritual. Um tio padre completava a sua formação religiosa.
     Momento significativo na sua vida espiritual foi sua Primeira Comunhão. Outro fato importante para o seu crescimento foi sua transferência, em 1857, para a casa dos tios em Madri, a fim de completar sua formação. Ali continuou a aprender o catecismo e vivia sua fé nos trabalhos de caridade para a "Casita". "Casita" era uma casa para as jovens da zona rural vítimas da transformação social ocasionada pela industrialização.
     Aos 17 anos, resolvida a dedicar sua vida ao apostolado e convencida da necessidade de fundar uma congregação religiosa que garantisse sua continuidade, comunicou a ideia ao seu diretor espiritual o Pe. Víctorio Medrano SJ. Ele aprovou a ideia deixando para o futuro a concretização.
     Em março de 1868, Vicenta fez os Exercícios Espirituais no Primeiro Mosteiro da Visitação e saiu resolvida a fundar sua obra. Mas seus pais se opõem ao projeto e ela teve que retornar a Cascante onde permaneceu por sete meses.
     Em fevereiro de 1869 retornou a Madri e se dedicou completamente ao desenvolvimento da obra em favor das empregadas e a elaboração das Constituições e regras da nova congregação. A situação política e social atrasou um tanto a fundação, mas Vicenta Maria, sua tia Maria Eulália e um pequeno grupo de senhoras, começaram a levar uma vida de comunidade a partir de 22 de fevereiro de 1871.
     O Pe. Isidro Hidalgo y Soba S.J. começou a dirigir espiritualmente Vicenta e suas companheiras em julho de 1875.
     Em 11 de junho de 1876, solenidade da Santíssima Trindade, D Ciriaco Maria Sancha impunha o hábito religioso a Vicenta Maria e as outras companheiras; nascia assim a Congregação das Irmãs do Serviço Doméstico (o nome atual da Congregação, depois de várias mudanças é Religiosas de Maria Imaculada).
     Antes de completar um ano de fundação, Madre Vicenta abria a terceira casa de seu Instituto. E outras fundações se seguiram, não sem dificuldades, e lentamente novas candidatas foram se apresentando.
     Em 1879 uma enfermidade começou a minar a saúde de Madre Vicenta. Prostrada na cama, debilitada pela enfermidade, pronunciou a fórmula de sua profissão perpétua em 31 de julho de 1890, às cinco e meia da manhã. Duas horas mais tarde participou na capela da primeira celebração deste tipo que a Congregação teria, em que foram recebidas em profissão nove companheiras.
     Na tarde do dia 26 de dezembro de 1890, após ter abençoado pela primeira vez sua religiosas, tendo nas mãos o Crucifixo e uma estampa da Virgem, entregou sua alma ao Criador.
     A causa para sua beatificação e canonização foi introduzida em 19 de fevereiro de 1915. Foi beatificada pelo Papa Pio XII em 1950 e canonizada pelo Papa Paulo VI em 25 de maio de 1975. A memória litúrgica é 26 de dezembro, o dia de sua morte.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Venerável Teresa de Sto. Agostinho, Princesa e Carmelita - 23 de dezembro


     A princesa Louise Marie de France, filha do rei Luís XV e da rainha Maria Leszczynska, princesa da Polônia, nasceu no Palácio de Versalhes a 15 de julho de 1737. Foi educada na Abadia de Fontevrault.
     Ainda muito criança sofreu um acidente que quase a fez perder a vida. Impaciente por sua criada de quarto não vir logo atendê-la, subiu na grade de seu leito, daí caindo. Embora logo tratada, essa queda legou-lhe uma deformidade física, e levou-a às portas da morte. Nessa ocasião, as religiosas do mosteiro fizeram um voto à Virgem pela saúde da princesa e ela foi curada miraculosamente. Nunca mais esqueceu ao que devia sua vida, o que a marcou de um modo profundo.
     Desde a infância mostrou inclinação para a vida de piedade, nunca se cansando da extensão do Oficio Divino. Um dia chorou amargamente porque uma dama que a servia falou-lhe de um príncipe estrangeiro que seria seu esposo. Entretanto, era orgulhosa de sua posição. Certa ocasião, julgando-se ofendida por uma de suas damas, disse-lhe com azedume: "Não sou eu a filha de vosso rei?" "E eu, Madame", respondeu a senhora, "não sou a filha de vosso Deus?" "Tendes razão", respondeu a princesa tocada pela resposta, "eu estava errada e peço perdão".
     Extremamente generosa com os pobres, dava-lhes o dinheiro que recebia para seus gastos, nada reservando para si. A dama de honra encarregada de suas despesas acostumou-se a entregar aos pobres o que recebia para Louise Marie, sem mesmo consultá-la.
     Dotada de um caráter vivaz, gostava dos exercícios violentos. Um dia, caçando em Compiègne, seu cavalo assustou-se e lançou-a a razoável distância. Ela caiu quase sob as rodas de uma carruagem que vinha em disparada. Salva como por milagre, fizeram com que regressasse de carro. Rindo-se dos temores gerais, ordenou ao seu escudeiro que lhe trouxesse o cavalo, montou, dominou o animal nervoso e continuou o passeio. De volta ao castelo, foi agradecer a Virgem o que chamou a segunda salvação de sua vida.
     Madame Louise viveu até os 33 anos na Corte mais faustosa do mundo, nela haurindo tudo quanto havia de bom e dando ali exemplo de virtude, sem se deixar contaminar pelos aspectos mundanos e frívolos que, infelizmente, vinham se introduzindo em tais ambientes a partir do fim da Idade Média. Seu pai tinha concubinas e ela e a irmã, Clotilde (já beatificada), serviram de esteio para uma reação dentro da corte, que conduzia consigo os destinos da moralidade da corte, e consequentemente os destinos da moralidade do reino.

     Desejando ingressar no convento, ao assistir a tomada de hábito no Carmelo de uma condessa quis ingressar nessa Ordem. Começou a preparar-se para isso estudando a regra de Santa Teresa, e abstendo-se lentamente do conforto que a cercava. Afastava-se do aquecimento do castelo durante períodos de frio horroroso. Ela não suportava o cheiro de velas e venceu essa repugnância após anos de esforços.
     Tendo falecido sua mãe, a piedosa rainha Maria Leszczynska, conseguiu o consentimento do rei e a 20 de fevereiro de 1770, entrou para as carmelitas de Saint-Denis, considerado o mais pobre da França e o de regime mais severo. A França admirou-se desse exemplo e o papa Clemente XIV escreveu à princesa, para lhe exprimir a felicidade que sentia em ver seu pontificado assinalado por um acontecimento tão consolador para a religião.
     No convento, lutou arduamente para que suas companheiras deixassem de distingui-la das outras. Trabalhou também para vencer sua dificuldade em ficar longo tempo de joelhos, tendo conseguido essa graça após uma novena feita a São Luís Gonzaga. Recebeu o hábito a 10 de setembro de 1770, revestida do manto de Santa Teresa que as carmelitas de Paris possuíam e tomou o nome de Irmã Teresa de Santo Agostinho.
     Nomeada mais tarde mestra de noviças, destacou-se sobremodo nesse trabalho tão difícil, manifestando constante alegria em meio às dificuldades com que se deparava. Foi eleita depois, unanimemente, superiora. Quando o visitador geral das carmelitas levou a notícia ao rei, avisou-lhe que somente um voto fora contra a Irmã Teresa. "Então", respondeu Luís XV, "entretanto, houve um voto contra ela?" "Sim, Senhor", respondeu o prelado, "mas foi o voto dela mesma".
     Como superiora, foi cheia de caridade para com suas irmãs e extremamente severa consigo própria, procurando seguir com o máximo de fidelidade o espírito de sua regra. Preocupava-se, também, em conseguir junto a seu pai e, mais tarde, junto a Luís XVI, todos os benefícios que pudesse para a religião. Foi a ela que as carmelitas dos Países Baixos austríacos deveram ser acolhidas em França, quando expulsas de sua terra por José II.
     Irmã Teresa também contribuiu para a fundação de um mosteiro de estrita observância para os carmelitas descalços, cuja regra relaxara durante algum tempo. Severamente interdita de usar de sua influência para tudo aquilo que se referisse a assuntos mundanos, usou-a, entretanto, o quanto pode, para a salvação das almas.
     Afastada dos problemas do Estado, interessava-se profundamente por suas necessidades e na oração procurava solvê-los. Suas orações e penitências pela conversão do pai foram atendidas: em 1774, o rei Luís XV morreu reconciliado com Deus e com a Igreja, depois de 30 anos afastado dos Sacramentos. Rezava pela conservação da fé no reino, a restauração dos costumes, a salvação dos povos, a paz e a tranquilidade pública. Deixou duas obras espirituais, publicadas postumamente: Meditações Eucarísticas e Coletânea dos testamentos espirituais a suas filhas religiosas carmelitas.
     Devotadíssima ao Papa, tornou-se defensora dos direitos da Santa Sé face aos ataques dos galicanos e jansenistas, que exerciam grande influência na Corte. Nessa luta, procurou ajudar os Jesuítas, então especialmente perseguidos.
     Tinha pelos franceses o mesmo amor que seu antepassado São Luís. Tudo que interessava à sua pátria interessava à sua piedade. Luís XVI a reverenciava como o anjo tutelar da França. Indiscutivelmente, foi para afastar a influência que ela exercia sobre Luís XVI que os ímpios decidiram exterminá-la definitivamente. É quase certo que Marie Louise morreu envenenada.
     Em novembro de 1787, seu mal de estômago agravou-se violentamente com dores agudas (dois anos antes da Revolução Francesa...). Daí em diante piorando gradativamente, preparou-se para morrer. Sua morte foi magnífica pela coragem com que a enfrentou. Suas últimas palavras foram: "Ao Paraiso! Depressa! Já é tempo!". Era o dia 23 de dezembro de 1787, às quatro e meia da manhã.
     Em 1793, por ordem dos revolucionários, lançou-se ácido contra os restos da venerável princesa e acreditaram tê-los destruído. Mas um grande número de milagres conduziu a introdução de sua causa, declarando-a Pio IX venerável no dia 1º de junho de 1873.
     O decreto reconhecendo as virtudes heroicas da Venerável Madre Teresa de Santo Agostinho foi publicado em 18 de dezembro de 1997. Basta apenas um milagre oficialmente reconhecido e atribuído a ela para que a Igreja a declare Beata. Madame Louise de France deixou por Deus os degraus do trono. Esperemos que em troca Ele um dia a faça gozar a honra dos nossos altares. 
 
Fontes: Daras, “La Vie des Saints”; www.catolicismo.com.br

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Santa Sametana (Samthann), Abadessa de Clonbroney - 19 de dezembro

     Sametana (ou Samthann) de Clonbroney não é tão conhecida hoje, embora a sua influência sobre o Cristianismo Celta tenha sido profundo. Sua legenda não a retrata como uma reformadora, mas simplesmente como mais uma pessoa santa na história da “Ilha dos santos”. No entanto, seu relacionamento espiritual com o jovem monge Maelruin levou-o a realizar a mais poderosa reforma da história do Cristianismo Celta. Sua vida está repleta de diferentes maravilhas: palavras de sabedoria, profecias, curas e milagres.
    Há três manuscritos em que a Vida de Santa Sametana é relatada, sendo a cópia mais completa um manuscrito do século XIV, em Oxford, na Bodleian Library, Rawlinson B. 485 ff.150-3, como parte do Codex Insulensis. Charles Plummer usou todos os três manuscritos nesta edição latina, que foi traduzida para o inglês por Dorothy Africa. Há pequenas variações entre os três manuscritos, não há omissões ou adições importantes, o que faz deles cópias confiáveis dos originais.
     Das quatro primeiras santas irlandesas que constam das Vidas latinas (Santas Brígida, Ita, Monena e Sametana), cronologicamente Sametana é a última, tendo os Anais de Ulster relatado sua morte em 19 de dezembro de 739. É também das primeiras menções a seu mosteiro em Clonbroney (Ir. Clúan-bróaig).
     Referências ao mosteiro continuaram a aparecer esporadicamente de meados do século VIII até o século IX, e depois muito raramente. O mosteiro, que deve ter sido fundado no século V, deixou de aparecer em relatos após a morte da Abadessa Caillechdomhnaill, em 1163.
     Samthann era uma donzela de Ulster, Irlanda, confiada por sua família à guarda do rei irlandês Cridan. Embora ela não quisesse se casar, o rei prometeu-a a um nobre. Na noite antes do casamento, o nobre, que se hospedara no castelo do rei Cridan, acordou com a visão de um faxo de luz que partia do telhado da residência real. Após ter subido para ver para onde a luz se dirigia, ele descobriu que ela descia em direção ao quarto de Sametana e banhava o seu rosto com uma luz celestial enquanto ela dormia. Este incidente milagroso, seguido de outro após o casamento, convenceu o nobre e o rei Cridan a atenderr ao desejo de Sametana de consagrar a sua virgindade a Deus. O rei lhe disse: "Nós te damos em casamento e te unimos a Deus, o cônjuge de tua escolha".
     Ao contrário das três santas monjas do século VI, Sametana não foi a fundadora do mosteiro, mas herdeira dele, após a então abadessa e fundadora Fuinnech ter uma visão profética da grandeza de Sametana. Isto fez com que Sametana fosse convidada a se mudar da Abadia de Urney (Ulster), onde ela foi monja e prioresa, para Clonbroney, que ficava a leste da moderna cidade de Longford.
     A Vida de São Patrício indica que Clonbroney foi fundado pelo Santo para duas irmãs de nome Emer, cujo irmão, Guasacht, foi feito bispo de Granard também por ele. Todos os três eram filhos de Milchú, a quem São Patrício em sua juventude servira como escravo em Ulster. Embora a história não pareça plausível, deve haver uma ligação entre Sametana e Granard, pois na sua Vida é relatado que ela viajou para lá. Sametana também tem origens em Ulster e as genealogias ligam-na de perto a São Patrício na Vida deste último.
     Muitos milagres foram atribuídos a ela. Quando um trabalhador contratado por ela para construir um oratório silenciosamente desejou para si e para os seus colaboradores uma festa de 40 pães com manteiga, queijo e leite, ele ficou aturdido ao ver esta refeição sonhada ser trazida a eles. Rindo de seu espanto, Sametana disse-lhe: "O desejo de seu coração está atendido, não é?"
     Quando um monge perguntou a ela em qual posição a oração deve ser feita, se deitado, sentado ou em pé, ela respondeu: "Em qualquer posição a pessoa deve orar!" Para alguém que falava de peregrinação, mas na realidade estava apenas ansioso para viajar e revestia isto com desculpas, ela disse: “Deus está perto de todos os que O invocam, e o Reino dos Céus pode ser alcançado de qualquer lugar".     Tudo quanto desta Santa se conta respira misericórdia e bondade.
     O Pe. José Leite, S.J., em seu livro Santos de Cada Dia, conta dois fatos interessantes sobre esta Santa.
     Um dia, na margem do ribeiro ao lado da abadia, [a Santa] encontra uma ermitã com um saco e neste um bebê que ela acabava de dar à luz e se dispunha a afogar, destruindo qualquer escândalo. “Deus seja louvado, minha Irmã”, diz Sametana, tomando-lhe conta do saco, “ora eu precisamente procurava um rapazinho para o educar!” E tão bem o educou que veio a ser um dos melhores abades que teve a Abadia de São Cainnech. Quanto à Irmã, mais feita para ser enclausurada do que ermitã, Sametana conservou-a algum tempo na abadia, animou-a, restabeleceu-a de todo, e depois mandou-a a santificar-se num convento onde homens só se viam através das grades da sala de visitas.
     Tendo ido o barco da abadia a Escócia buscar lã, foi apanhado no regresso por uma tempestade medonha. “Se nós não deitamos toda a carga da Velha ao mar, todos pereceremos sem exceção!”, exclamou o quartel-mestre. O mar logo amainou. Infelizmente, porém, a bonança, que veio a seguir, imobilizou o navio e os alimentos começaram a escassear. “Será que a Velha nos vai agora levar a morrermos de fome?”, exclamou de novo o quartel-mestre. Logo a seguir, levantou-se um pé de vento que pôs de novo a embarcação a caminho.
     Ao chegarem, os homens do navio foram beijar a mão da abadessa. “Está claro”, disse Sametana ao quartel-mestre, pondo-lhe a mão no ombro, “não é crime nenhum chamar-me ‘Velha’, mas dizer isto não bastava: era preciso rezar e vós estáveis todos perdidos se eu não tivesse rezado substituindo-vos”. Foi isto dito com tanta amabilidade que o marinheiro, enternecido até ao fundo do coração, não deixou desde esse momento nem um dia sem rezar alguma coisa.


Atual igreja paroquial de Clonbroney, Irlanda
 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Beata Nemesia (Júlia) Valle, Virgem - 18 de dezembro

     Júlia foi o nome que seus pais, Anselmo Valle e Maria Cristina Dalbar, escolheram para ela. Nasceu em Aosta no dia 26 de junho de 1847, e no mesmo dia foi batizada na antiga igreja de San Orso.
     Os primeiros anos de sua vida transcorrem na serenidade de uma família que se alegra pelo nascimento de um novo filho, Vicente. Mas a alegria logo se dissipou: sua mãe morreu quando Júlia tinha somente quatro anos. Os dois órfãos foram confiados primeiramente aos cuidados dos parentes paternos em Aosta, depois aos parentes maternos em Donnas. Ali encontram um ambiente sereno, a escola; o catecismo e a preparação aos sacramentos são feitos em casa, sob a direção de um sacerdote amigo da família.
     Para completar sua educação, Júlia aos 11 anos foi enviada para Besançon, na França, a um pensionato pertencente às Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida. A separação da família foi um novo sofrimento para ela, uma nova experiência de solidão que a orienta para uma profunda amizade com “o Senhor que tem a seu lado sua mamãe”.
     Em Besançon aprendeu bem a língua francesa, enriqueceu sua cultura, chegou a ser habilidosa nos trabalhos femininos, maturou uma delicada bondade que a faz amável e atenta com os outros.
     Depois de cinco anos, Júlia regressou a sua terra natal, porém não encontrou mais sua casa em Donnas. Seu pai contraíra novo matrimônio e se transferira para Pont Saint Martín. Encontrou uma situação familiar tensa, onde a convivência não era fácil. Seu irmão Vicente não suportou, saiu de casa e não se soube mais nada dele... Júlia permaneceu e em sua solidão nasceu o desejo de buscar aquilo que a família não lhe podia dar, a compreender aqueles que vivem a mesma experiência de dor, a encontrar gestos que expressem amizade, compreensão, bondade para todos.
     Neste período, as Irmãs da Caridade haviam se estabelecido em Pont Saint Martín. Júlia encontrou ali sua professora de Besançon; as filhas de Santa Joana Antida Thouret a ajudam, a animam. Ela observava o estilo de vida doado a Deus e aos outros, e decidiu ser uma delas. Quando seu pai lhe apresentou a proposta de um bom casamento, Júlia não vacilou: deseja somente ser Irmã da Caridade.
     No dia 8 de setembro de 1866 seu pai a acompanhou a Vercelli, ao Mosteiro de Santa Margarida, onde as Irmãs da Caridade mantêm seu noviciado. Júlia entrou com alegria no caminho do noviciado, a cada dia descobria aquilo que devia perder ou conquistar: “Jesus despoja-me de mim mesma e reveste-me de Vós. Jesus, por ti vivo, por ti morro”, é a oração que a acompanhava e a acompanharia ao longo de sua vida.
     No fim do noviciado, em 29 de setembro de 1867, com o hábito religioso recebeu um nome novo: Irmã Nemésia. É o nome de uma mártir dos primeiros séculos. Ficou contente e do nome fez seu programa de vida: testemunhar seu amor a Jesus até as últimas consequências, a qualquer preço, para sempre.
     Irmã Nemésia foi enviada ao Instituto de São Vicente em Tortona. Encontrou uma escola primária, cursos de cultura, um pensionado, um orfanato. Ensinava a língua francesa na escola primária e nos cursos superiores. Era o terreno propício para semear bondade. Ela estava presente aonde havia um trabalho humilde para realizar, um sofrimento para aliviar, onde um desgosto impede relações serenas, onde o cansaço, a dor, a pobreza limitam a vida.
     Irmã Nemésia procurava transmitir o amor pela beleza da Criação através do estudo e da observação da arte e da natureza. Logo se difundiu no instituto e na cidade uma constatação: “Que coração o da Irmã Nemésia!” Seu coração parecia não ter limite: irmãs, órfãos, alunos, famílias, pobres, sacerdotes do seminário vizinho, soldados da grande casa de Tortona recorrem a ela, procuram-na como se fosse a única irmã presente na casa.
     Quando aos quarenta anos foi nomeada superiora da comunidade, Irmã Nemésia fica desconcertada, mas um pensamento lhe dá coragem: ser superiora significa “servir”, portanto poderá dar-se sem medida e, humildemente, enfrenta a escolha. As linhas de seu programa são traçadas: “Enfrentar o desafio sem retroceder, fixando uma única meta: Só Deus! A Ele a glória, aos outros a alegria, para mim o preço a pagar, sofrer, mas jamais fazer sofrer. Serei severa comigo mesma e toda caridade com as irmãs: o amor que se doa é a única coisa que permanece”.
     Embora enfrentasse dificuldades financeiras, ajudava as missões. O diretor espiritual do instituto, Pe. José Carbone, partiu para a Eritreia. Ela o sustentava e com várias iniciativas recolhia dinheiro para ajudá-lo. Nasceu assim o primeiro círculo missionário da cidade.
     Sua caridade não tem limites. Em Tortona a chamam “nosso anjo”.
     Na manhã de 10 de maio de 1903, as órfãs e as alunas encontram uma mensagem da Irmã Nemésia para elas: “Eu vou contente, as confio à Virgem... Eu as seguirei em cada momento do dia”. Partira às 4 da manhã, depois de 36 anos.
     Em Borgaro, pequeno povoado próximo de Turim, um grupo de jovens esperava ser acompanhado por um novo caminho de doação total a Deus no serviço aos pobres. Eram as noviças da nova província das Irmãs da Caridade. O método de formação usado por Irmã Nemésia era sempre o mesmo: o da bondade, da compreensão que educa a renuncia mais por amor, da paciência que sabe esperar e encontrar o caminho justo que convém a cada uma.
     Suas noviças a recordam: “Ela conhecia cada uma, compreendia nossas necessidades, nos tratava de acordo com nossa maneira de ser, nos pedia aquilo que conseguia fazer-nos amar”.
     A superiora provincial, que tinha um carácter “em perfeita antítese com o seu”, dissentia deste método. Ela aplicava um método rígido, forte, imediato. Esta forma de ver gerava relevantes contrastes que resultavam em repreensões e humilhações. A Irmã Nemésia recebia tudo em silêncio, sorridente continuava seu caminho, sem mágoas, sem deixar suas responsabilidades.
     Dos seus escritos: “De estação em estação, percorramos nosso caminho no deserto. Se a noite, o deserto e o silêncio são surdos, Aquele que te criou te escutará sempre. Estejamos alegres, santamente alegres! Canta, canta sempre! Não te inquietes: cuida do presente!"
    A Irmã Nemésia se aproxima do fim de seu caminho. Já havia passado treze anos em Borgaro. Cerca de quinhentas irmãs aprenderam com ela a caminhar nas sendas de Deus. Havia doado tudo: agora o Senhor lhe pede também deixar para outras o “seu noviciado”. É a última oferta de sua vida.
     No dia 18 de dezembro de 1916, Irmã Nemésia falecia. No quarto se difunde um suave perfume de rosa e violeta; assim Nosso Senhor recompensava quem por toda vida tinha amado e se doado ao serviço do próximo.
     Foi beatificada por João Paulo II em 25 de abril de 2004. Seus despojos são venerados na igreja do Instituto em Borgaro.

Fonte: Vatican.va

domingo, 16 de dezembro de 2012

Santa Olímpia, Viúva - 17 de dezembro

     Vários documentos históricos importantes e contemporâneos citam ou descrevem esta santa da hagiografia grega. Além disso, existem 17 cartas que São João Crisóstomo enviou a ela do exilio.
     Olímpia nasceu por volta de 361 em uma família abastada de Constantinopla; seu avô, Ablabios, gozava da estima do imperador Constantino e fora prefeito do Oriente por quatro vezes; seu pai era nobre do palácio.
     Ficando órfã bem jovem, foi confiada a Teodosia, mulher de grande cultura e sentimentos cristãos, irmã do Bispo de Iconio, Santo Anfiloco, muito estimada por São Basílio e São Gregório Nazianzeno, Doutores da Igreja. São Gregório de Nissa lhe dedicou um comentário do “Cântico dos Cânticos”. Assim, desde muito cedo Olímpia foi instruída sobre as Sagradas Escrituras. Imitando Santa Melânia, se dedicou à mortificação; e embora sendo rica, instruída e nobre pudesse aspirar a uma brilhante posição na corte, dela se afastou.
     No ano de 384-85, casou-se com Nebridio, que foi prefeito de Constantinopla em 386, mas vinte meses depois seu esposo morreu. O imperador Teodósio o Grande desejava que ela se casasse novamente e tinha um pretendente: seu primo. Olímpia recusou-se a contrair novo matrimônio e Teodósio, para vencer sua resistência, sequestrou todos os seus bens.
     O imperador fez uma longa viagem e ao voltar, três anos depois, ficou tão impressionado com as informações sobre sua vida santa e repleta de humildade e caridade, que restituiu os bens a ela.
     Foi então que Olímpia pode fundar algumas obras de caridade, entre elas um grande recolhimento para acolher eclesiásticos de passagem e viajantes pobres. O Bispo Netário (381-397), contrariando o costume da época, nomeou-a diaconisa aos 30 anos, dignidade que então se dava somente às viúvas de 60 anos, e recorria aos seus conselhos cheios de sabedoria e ciência.
     Olímpia fundou, sob o pórtico sul de Santa Sofia, um mosteiro cujas religiosas pertenciam às melhores famílias de Constantinopla, entre elas suas três irmãs: Elisância, Martiria e Paládia, e uma sobrinha também de nome Olímpia. No início eram cerca de 50 religiosas, que logo se tornaram 250.
     Quando no início do ano 398 São João Crisóstomo chegou à cidade como arcebispo de Constantinopla, encontrou o fervor enfraquecido tanto nos fieis como nos religiosos, inclusive a corte se tornara mundana com a presença de Eudoxia, mulher do imperador do Oriente, Arcádio. Mas se consolou vendo o mosteiro de Olímpia, formado de almas bem dispostas e que serviam de modelo.
     Entre o arcebispo e Olímpia se estabeleceu uma profunda amizade; ela tornou-se uma colaboradora valiosa na renovação espiritual por ele iniciada. Possuidora de grandes riquezas e propriedades, tanto na cidade como em outras regiões, grande foi sua generosidade doando a São João Crisóstomo ouro e prata para a sua igreja de Santa Sofia. Ela se esforçava para ajudá-lo em tudo, desde o alimento até o vestuário.
     Mas tudo isto atraiu também sobre ela o rancor daqueles que pretendia atrapalhar a obra reformadora do arcebispo. Dois bispos dissidentes obtiveram de Arcádio um decreto de exílio contra São João Crisóstomo, que em meio ao tumulto dos fieis e das religiosas, teve que deixar Santa Sofia, e foi conduzido por soldados a Cucusa, entre os montes da Armênia.
     No mesmo dia de sua partida, 30 de junho de 404, um incêndio destruiu o episcopado e grande parte da igreja e do senado. Os fieis do arcebispo foram acusados e inclusive Olímpia foi levada diante do prefeito da cidade, Optato. Acusada do incêndio, ela se defendeu dizendo que havia doado valores consideráveis para a construção da igreja e não tinha nenhuma razão para queimá-la.
     Optato ofereceu deixá-la, bem como as suas religiosas, em paz, se reconhecesse o novo bispo Arsacio, o que Olímpia recusou. Foi condenada a pagar uma grande quantia como multa e depois, no ano de 405, se retirou voluntariamente em Cizico.
     A perseguição contra os seguidores de São João Crisóstomo continuou e Olímpia foi novamente processada pelo prefeito e exilada na Nicomédia.
     Naqueles anos manteve uma correspondência com o bispo exilado na Armênia, interessando-se por sua saúde, enviando-lhe dinheiro para os pobres da região e para o resgate de pessoas cativas. Por sua vez, São João Crisóstomo a exortava a banir a tristeza e a fazer nascer a alegria espiritual que despreza as coisas do mundo e eleva a alma, recomendando-lhe sustentar os seus amigos, que sofriam a perseguição por causa dele.
     Olímpia faleceu por volta de 408, em uma data não documentada. Segundo o escritor Paládio, “os habitantes de Constantinopla a colocam entre os confessores da fé, porque ela morreu e retornou ao Senhor entre as batalhas suportadas por Deus”; antigamente os confessores eram os mártires.
     As religiosas de seu mosteiro foram dispersas em 404, quando foram mandadas para o exílio; se reuniram somente em 416, sob a direção de Honorina, parente de Olímpia, quando os seguidores de São João Crisóstomo se reconciliaram com os seus sucessores; o mosteiro foi destruído no incêndio de Santa Sofia, em 532, retornaram depois, quando Justiniano o reconstruiu.
     As relíquias de Santa Olímpia, que tinham sido levadas da Nicomédia para a igreja de São Tomás, no Bósforo, se perderam durante o incêndio da igreja quando das incursões dos persas (616-626). A superiora Sérgia teve a graça de reencontrá-las entre os escombros e transportou-as para o interior do mosteiro. Depois disto, não se teve mais notícias delas.
     No Oriente Santa Olímpia é celebrada nos dias 24, 25 e 29 de julho; no Martirológio Romano, no dia 17 de dezembro. 
Etimologia: Olímpia = que habita no Olimpo, sede dos deuses

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Santa Maria de la Rosa, Fundadora - 15 de dezembro

     Seu nome de batismo era Paula Francisca Maria; nasceu dia 6 de novembro de 1813, em Bréscia, na Itália. Ficou órfã de mãe quando tinha apenas 11 anos. Estudou no colégio das Irmãs da Visitação.
     Quando tinha 17 anos, seu pai lhe apresentou um jovem, dizendo-lhe que havia decidido que ele seria seu esposo. A jovem se assustou e foi procurar o pároco para comunicar que havia planejado permanecer sempre solteira e dedicar-se totalmente a obras de caridade. O sacerdote procurou seu pai e contou os planos da filha. O Sr. de la Rosa aceitou quase imediatamente a decisão dela e a apoiou mais tarde na realização de suas obras de caridade.
     O pai de Maria tinha umas fábricas de tecidos e, com as operárias que ali trabalhavam, a jovem fundou uma associação destinada a se ajudarem mutuamente e a se exercitarem nas obras de piedade e de caridade.
     Na propriedade de seus pais fundou também, com as camponesas dos arredores, uma associação religiosa que as afervorou. Em sua paróquia organizou retiros e missões especiais para as mulheres, e a transformação delas foi tão admirável, que ao pároco parecia que eram outras mulheres.
     Em 1836 a peste da cólera chegou a Brescia, e com a permissão de seu pai (que o fez com grande temor) Maria foi aos hospitais para atender os milhares de contagiados. Logo se associou a uma viúva que tinha muita experiência nesses trabalhos de enfermaria, e as duas deram tais mostras de heroísmo em atender aos empestados, que os moradores da cidade ficaram admirados.
     Depois da peste, como muitas meninas tinham ficado órfãs, o município formou umas oficinas artesanais e as confiou a direção de Maria de la Rosa, que tinha então apenas 24 anos, porém já era estimada em toda a cidade.
     Ela desempenhou esse cargo com grande eficácia durante dois anos, mas vendo que nas obras oficiais se tropeça em muitas coisas que tiram a liberdade de ação, resolveu organizar sua própria obra e abriu por sua conta um internato para as meninas órfãs ou muito pobres Pouco depois abriu também um instituto para meninas surdas-mudas. Tudo isto é admirável em uma jovem que ainda não chegara aos 30 anos, e que era de saúde sumamente débil. Mas a graça de Deus concede imensa fortaleza.
     As pessoas se admiravam ao ver nesta jovem apostólica umas qualidades excepcionais. Por exemplo, um dia em que uns cavalos desgovernados ameaçavam enviar para um precipício os passageiros de uma carruagem, ela se lançou no posto do condutor e conseguiu dominar os cavalos enlouquecidos  e detê-los.
     Em certos casos muito difíceis se ouviam de seus lábios respostas tão cheias de inteligência que solucionavam os problemas que pareciam impossíveis de consertar. Nos momentos livres se dedicava à leitura de livros de religião, e chegou a possuir tantos conhecimentos teológicos, que os sacerdotes se admiravam ao escutá-la. Possuía uma memória prodigiosa, que lhe permitia recordar com impressionante precisão os nomes das pessoas que tinham falado com ela, e os problemas que haviam consultado, o que foi muito útil em seu apostolado.
     Em 1840 Monsenhor Pinzoni fundou em Brescia uma associação piedosa de mulheres para atender os doentes dos hospitais. Maria de la Rosa foi nomeada superiora. As sócias se chamavam Servas da Caridade. No início eram só quatro jovens, três meses depois já eram 32.
     As Servas da Caridade eram admiradas pelo trabalho que faziam nos hospitais, atendendo aos doentes mais abandonados e repugnantes; outros, porém, as criticavam e tentaram tirá-las dali, para que não levassem a religião aos moribundos.
     Comentando isto a Santa escrevia: “Espero que não seja esta a última contradição. Francamente, eu sentiria se não fossemos perseguidas”.
     Foi-lhe confiado o hospital militar de São Lucas, quando Brescia sofria os efeitos de uma guerra contra a Áustria. Maria de la Rosa e suas companheiras trabalharam incansavelmente, dia e noite, cuidando dos feridos. Mas os médicos e alguns militares começaram a pedir que as tirassem dali, porque com estas religiosas não podiam ter os atrevimentos que tinham com as outras enfermeiras.
     Um dia, uns soldados atrevidos quiseram entrar no local onde estavam as religiosas e as enfermeiras para desrespeitá-las; Santa Maria de la Rosa tomou um crucifixo nas mãos e, acompanhada por seis religiosas que levavam círios acesos, enfrentou-os proibindo-lhes em nome de Deus de entrar. Os doze soldados vacilaram um momento, se deteram e se afastaram rapidamente.
     O crucifixo foi guardado depois com grande respeito como uma relíquia e muitos doentes o beijavam com grande devoção.
     Em 1850, Maria foi a Roma e obteve do Beato Papa Pio IX a aprovação de sua Congregação. Tomou o nome de Maria do Crucificado. As pessoas ficaram admiradas com a rapidez com que ela conseguiu algo que outras comunidades levavam muitos anos para obter, mas ela era muito ágil em buscar soluções. Ela dizia: “Não posso acostumar-me, com a consciência tranquila, com os dias em que perdi a oportunidade, por pequena que seja, de impedir algum mal ou de fazer o bem”.
     Em 1852, a fundadora e as companheiras fizeram a sua profissão religiosa. A consolidação da Congregação foi difícil, mas aos poucos, o trabalho das Irmãs foi reconhecido.
     Dia e noite Maria estava pronta para acudir os doentes, assistir a algum pecador moribundo, intervir para por paz entre os que brigavam, consolar quem sofria. Por isso Mons. Pinzoni exclamava: “A vida desta mulher é um milagre que assombra a todos. Com uma saúde tão frágil faz trabalhos como de três pessoas robustas”.
     Com apenas 42 anos, suas forças já estavam totalmente esgotadas de tanto trabalhar pelos pobres e doentes. Na Sexta-feira Santa de 1855 recobrou sua saúde como por milagre e pode trabalhar alguns meses mais. Porém, no final do ano sofreu um ataque e no dia 15 de dezembro de 1855 passou para a eternidade, a fim de receber o prêmio de suas boas obras.
     Santa Maria de la Rosa foi canonizada por Pio XII em 1954. Hoje suas Irmãs se encontram espalhadas por todos os continentes.
 
 
Corpo incorrupto de Santa Maria de la Rosa