quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Beata Antônia de Florença, Abadessa - 28 de fevereiro (29 em ano bissexto)

     Antônia nasceu em Florença, no ano de 1400. Jovem viúva, com um filho, opôs-se à família que desejava que ela contraísse novo matrimônio. Ela via nas adversidades da vida um desígnio singular do Senhor.
     Eram os anos em que São Bernardino de Siena, com alguns companheiros, difundia em muitas cidades italianas o movimento da Observância e a volta ao espírito franciscano original. A maior parte dos sermões era realizada nas praças, pois as igrejas não eram suficientemente grandes para acolher as multidões que acorriam pontualmente.
     Frei Bernardino pregou na igreja Santa Cruz, de Florença, de 8 de março a 3 de maio de 1425. Antônia, ouvindo seus sermões, resolveu dispor de si, sem restrições, ao chamado de Deus. Tinha vivido a experiência da vida matrimonial, era mãe, mas o Senhor desejava mudar sua vida.
     Quatro anos depois, resolvidas as questões familiares, entrou no mosteiro das Terceiras Franciscanas fundado pela Beata Angelina de Marsciano, ela também uma jovem viúva.
     Após sua profissão, Antônia foi enviada para o mosteiro mais antigo da Ordem, erigido em Foligno em 1397. Em seguida, a fundadora transferiu-a para Assis, para Todi, e finalmente, em 2 de fevereiro de 1433, para L’Aquila, para fundar uma nova comunidade.
     Na direção do convento de L’Aquila, colocado sob a proteção de Santa Isabel, ela permaneceu por 14 anos, tempo em que trabalhou intensamente para que a comunidade crescesse segundo os preceitos do Evangelho.
     A Beata maturava, entretanto, o desejo de uma vida mais contemplativa. Foi para ela motivo de sofrimento por muitos anos a vida desordenada do filho, que delapidara o patrimônio causando litígios entre os parentes.
     Ao movimento da Observância aderiram diversas comunidades de clarissas e a de L’Aquila foi guiada para a reforma por São João de Capistrano. Antônia esteve entre as primeiras a aderirem. O Santo encontrou o edifício para o mosteiro, estando presente na solene fundação, em 16 de julho de 1447.
     Eleita abadessa, por designação de São João de Capistrano, junto com treze companheiras deu início ao mosteiro da Eucaristia (ou Corpus Domini). O mosteiro começou a sua vida na mais estrita observância, em que faltava o necessário, e Antônia não hesitou em abraçar a nova regra. A pobreza era vivida com alegria evangélica, e o exemplo da Madre era forte e materno e o clima sinceramente fraterno. Os frutos foram abundantes e muitas jovens desejaram vestir o hábito e consagrar-se ao Senhor.
     São João de Capistrano teve também um papel importante para o filho de Antônia, Batista. O jovem vestiu o hábito franciscano no convento de Campli, levando uma vida exemplar.
     Sete anos transcorridos, finalmente Antônia conseguiu dedicar-se exclusivamente à contemplação e ao silêncio. “Calava-se, mas a sua fama gritava”, como se disse de Santa Clara. Era modesta e obediente, à mesa e no coro punha-se no último lugar, vestia os hábitos mais usados, deixados pelas Irmãs. Algumas monjas viram-na em êxtase, com uma auréola luminosa sobre a cabeça.
     A Beata faleceu no dia 29 de fevereiro de 1472, rodeada do afeto das Irmãs. Alguns milagres ocorreram antes mesmo de seu sepultamento. Uma monja ficou curada de umas chagas. Os magistrados da cidade arcaram com as despesas do funeral.
     Quinze dias após o sepultamento, as Irmãs, desejando ver mais uma vez o seu semblante, a exumaram, encontrando-a como se tivesse falecido há pouco. O fato difundiu-se na cidade e o bispo de Agnifili ordenou que ela fosse sepultada em outro local.
     Em 1447, o bispo Borgio, após um novo reconhecimento, constatou o estado de perfeita conservação do corpo de Madre Antônia e, conhecendo bem a fama de sua santidade, autorizou o seu culto, que foi confirmado pelo Beato Pio IX em 17 de setembro de 1847. As clarissas de Paganica custodiam ainda hoje o seu corpo incorrupto.
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Santa Paula de S. José de Calazans, Fundadora - 26 de fevereiro

     A vida de Santa Paula de S. José de Calazans, fecunda e profética, quase centenária, decorreu em um amplo contexto histórico (1799-1889), um período de crises do agitado século XIX espanhol, que se debatia entre os postulados do Antigo Regime e as novas correntes liberais, com repercussões sócio-políticas, culturais e religiosas muito peculiares.
     Paula Montal Fornés nasceu na vila de Arenys de Mar, perto de Barcelona, Espanha, em 11 de outubro de 1799, e no mesmo dia recebeu o batismo. Passou a infância e a juventude em sua cidade natal, trabalhando desde os 10 anos de idade, quando seu pai morreu. O seu lazer era a vida espiritual da sua paróquia, onde se destacou por sua devoção à Virgem Maria.
     Durante este período, Paula constatou, por sua própria experiência, que para as mulheres as possibilidades de acesso à instrução e à educação eram quase nenhuma. Um dia, quando estava em profunda oração, se sentiu iluminada por Deus para desenvolver este dever. Decidiu deixar sua cidade natal para fundar um colégio inteiramente dedicado à formação e educação feminina. Junto com mais três amigas de espiritualidade mariana, especialmente sua fidelíssima amiga Inês Busquets, Paula se transferiu para a cidade de Figueras (Gerona), uma cidade de fronteira com a França e bastião militar com o seu famoso castelo de armas, e iniciou sua obra.
     Em 1829, ela abriu ali a primeira escola para meninas, com amplos programas educativos, que superavam o sistema pedagógico dos meninos. Era uma escola nova. Com o seu apostolado totalmente voltado à formação feminina, se tornou a fundadora de uma família religiosa, inspirada no lema de São José de Calazans: "piedade e letras".
     Sempre fiel a sua devoção à Virgem Maria, deu a sua obra o nome de Congregação das Filhas de Maria. A estas religiosas transmitiu seu ideal: "Salvar a família, educar as meninas no santo temor de Deus". E continuou se dedicando à promoção da mulher e da família.
     A partir de 1837, Paula se sentia identificada com São José de Calazans e desejava viver a espiritualidade e as regras do Instituto fundado por ele. Foi durante a fundação da escola de Arenys de Mar, em 1842, que ela entrou em contato direto com os Padres Escolápios de Mataró. Depois disto, abriu sua terceira escola em Sabadell (Barcelona) em 1846.
     Um ano após abrir sua terceira escola, Paula conseguiu a autorização canônica para, junto com suas três companheiras, se tornar religiosa escolápia. Em 2 de fevereiro de 1847, fez profissão de Filha de Maria Escolápia junto com suas três companheiras: Inés Busquets, Felicia Clavell e Francisca de Domingo. No Capítulo geral, ocorrido em Sabadell, no dia 14 de março de 1847, não foi eleita nem superiora geral, nem assistente geral.
     No período de 1829-1859, desenvolveu uma atividade intensa e fundou pessoalmente sete escolas. Inspirou e ajudou a fundação de outras quatro. Além disso, foi formadora das primeiras 130 escolápias da Congregação.
     Em 1859, deu a prova final da autenticidade, da coragem e da ternura do seu espírito modelado por Deus, no pequeno e pobre povoado de Olesa de Montserrat (Barcelona) fez sua última fundação pessoal. Foi a sua fundação predileta, onde permaneceu até a morte (15/12/1859 – 26/2/1889). Foram 30 anos de graças para as crianças e para as jovens da cidade, que puderam gozar de sua presença e de seu magistério fecundo.
     Santa Paula de S. José de Calazans morreu no dia 26 de fevereiro de 1889 e foi sepultada na capela da Igreja da Matriz de Olesa de Montserrat, Espanha.
     Por ocasião de sua morte, a Congregação das Filhas de Maria Religiosas das Escolas Pias, fundada por ela, era formada por 346 religiosas que continuavam sua obra educativa em 19 colégios. Hoje, 800 Religiosas Escolápias distribuídas em 112 comunidades educam cerca de 30.000 alunas em 19 nações dos quatro continentes, para a promoção da mulher.
     Foi solenemente beatificada em 1993 pelo Papa João Paulo II, que posteriormente a canonizou em Roma, no ano de 2001.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Beata Josefa Naval Girbès, Leiga catequista - 24 de fevereiro

     Josefa Naval Girbés nasceu em Algemesi, na Ribera del Júcar, a 32 km de Valência, Espanha, no dia 11 de dezembro de 1820, tendo sido batizada no mesmo dia na Igreja de São Tiago Apóstolo, recebendo o nome de Maria Josefa.
     Seus pais Francisco Naval Carrasco e Josefa Girbés tiveram cinco filhos sendo Josefa a primogênita. Josefa Naval herdou de seus pais grande espírito de fé, ardente caridade, amor ao trabalho e sincero desejo de viver sempre na graça de Deus.
     Algemesi era um povoado eminentemente agrícola, com quase 8.000 habitantes, uma única paróquia, um convento de Dominicanos, um hospital, escassos centros de instrução e poucas indústrias elementares. Josefa adquiriu uma cultura suficiente para desenvolver-se no meio em que vivia. Aprendeu a bordar, atividade que com tanto acerto ensinou às suas numerosas alunas. Em sua formação religiosa colaborou eficazmente sua mãe.
     Desde pequena aprendeu a amar à Santíssima Virgem, venerada perto de sua casa no convento dos Padres Dominicanos, e já manifestava um caráter reto, um tanto enérgico, que ela depois administraria em sua atividade apostólica. Fez sua Primeira Comunhão quando apenas contava com nove anos, fato incomum na época.
     Sua mãe morreu quando ela tinha treze anos. A Virgem inspirou-lhe que nunca a abandonaria. Com seu pai e três de seus irmãos (os outros faleceram em tenra idade) Josefa foi viver com sua avó materna.
     Em 1847, quando sua avó faleceu, Josefa tornou-se a perfeita “dona” da casa na qual viviam o pai, o tio, mantenedores econômicos, e os irmãos Vicente de 20 anos e Maria Joaquina de 22. Josefa cuidou com dedicação do tio e do pai nos seus últimos anos de vida. O pai faleceu quando Josefa tinha 42 anos,
     Mas sua vida não era dedicada somente à família: frequentava com assiduidade a paróquia vizinha, comungava todos os dias, colocou-se sob a direção espiritual do pároco Pe. Gaspare Silvestre. Aos 18 anos, no dia 4 de dezembro de 1838, escolheu Jesus como seu esposo e a Ele consagrou para sempre sua virgindade; praticou os três princípios: obediência, laboriosidade, perseverança, fazendo deles uma norma de vida.
     Josefa ensinava os pobres, aconselhava os que a ela se dirigiam, restaurava a paz nas famílias desunidas, organizava reuniões em sua casa com o fim de ajudar as mães em sua formação cristã, encaminhava as mulheres que haviam se afastado do reto caminho e com prudência admoestava os pecadores. Além disso, cuidava da confecção, conservação e limpeza dos ornamentos litúrgicos e do adorno dos altares.
     Seus trabalhos eram intercalados de leituras piedosas, orações, jaculatórias, meditação, recitação do Rosário. Viveu sempre unida às dores de Cristo: ao sofrimento redentor de Nosso Senhor uniu os seus, as dores de cabeça que sofreu desde os trinta anos até sua morte e as penitências, inclusive materiais, como jejuns e cilícios, que se impunha e eram autorizadas por seus diretores espirituais.
     A obra na qual concentrou todos os seus cuidados e energias foi a da educação religiosa e humana das jovens, para as quais abriu em sua casa uma escola gratuita de bordado, atividade manual em que era muito habilidosa. Aquela atividade, à qual acudiam muitas jovens de todas as esferas sociais, se converteu em um centro de convivência fraterna, oração, louvor a Deus, explicação e aprofundamento da Sagrada Escritura e das verdades eternas.
     A jornada diária de Josefa era muito apertada: levantava muito cedo para assistir a primeira Missa da paróquia, comungava e fazia oração mental; a seguir dedicava algum tempo à limpeza; o horário da escola-oficina era das 9 as 12 e das 14 às 18 horas.
     Consciente das dificuldades que se opõem à perfeição, dizia a suas alunas: “Filhas minhas, não temos que temer demasiadamente as dificuldades do caminho que temos empreendido; é verdade que esse caminho é pedregoso e está cheio de trabalhos e privações, porém também é certo que nosso Divino Capitão o trilhou durante sua vida, paixão e morte”.
     Josefa primava pela confiança em Deus e a infundia às suas alunas: “Que nenhuma de vocês desconfie à vista de seus muitos pecados; nossa confiança não se apóia no que nós somos, senão no que Deus é e no amor misericordioso que Ele nos tem”.
     Terminada a jornada de trabalho, para dar prosseguimento à sua formação espiritual, as alunas mais seletas permaneciam de ordinário no jardim da casa. Deste grupo escolhido saíram tantas jovens religiosas, que o Cardeal Guisasola, Arcebispo de Valência, em visita pastoral a Algemesi perguntou cheio de admiração: “Que povo é este que tem tantas religiosas em todos os conventos de nossa arquidiocese?”.
     Amante da pureza, que ela mesma vivia plenamente, recomendava às jovens: “Sede limpas, asseadas no modo de vestir, sede muito honestas como a Virgem. Todas as virtudes embelezam a alma, porém, a pureza a embeleza de um modo especial, fazendo-a semelhante aos anjos”.
     Josefa entretanto não descuidou das jovens inclinadas ao matrimônio; a elas dedicou tempo e esforço. De sua escola saíram excelentes esposas e mães de família. Dizia: “Haveis de levar vossa cruz e cumprir o próprio dever como Deus manda: as solteiras, como solteiras; as casadas, como casadas”.
     A caridade de Josefa brilhou na epidemia de cólera de 1885, quando contava 65 anos. Ela e algumas de suas alunas se dedicaram a atender aos empestados que estavam sozinhos e, portanto, os mais necessitados de ajuda.
     Josefa amou profundamente a Igreja e infundia esse amor àqueles que se acercavam dela: “Amemos a Igreja a que pertencemos e aproveitemo-nos de seus meios de santificação”. Ela viveu e morreu em um século difícil para a Igreja. Dois Papas sofreram exílio da cidade de Roma; perderam-se os Estados Pontifícios, o movimento trabalhista se instalou com virulência implacável contra o Catolicismo. Consciente do que ocorria, Josefa sofreu com a Igreja e compartilhou suas alegrias: exultou com a declaração do dogma da Imaculada Conceição.
     Por tudo isso, ganhou grande estima e fama de santidade entre o clero e o povo, inclusive depois de sua morte.
     Uma doença crônica a manteve no leito por 15 dias em fevereiro de 1893. Rodeada de suas filhas espirituais, piedosamente faleceu em 24 de fevereiro de 1893.   
     Vestida com o hábito da Ordem Terceira do Carmo, seu venerável corpo foi depositado em um humilde ataúde. Josefa foi depositada em um nicho adquirido por Josefa Esteve Trull, sua discípula predileta. Ali permaneceu incorrupto até 20 de outubro de 1946, quando foi transladado para a paróquia Basílica de São Tiago de Algemesi.
     A causa para sua beatificação foi introduzida em Roma a 27 de janeiro de 1952, e a cerimônia de beatificação foi celebrada em Roma no dia 25 de setembro de 1988.
     Sua celebração litúrgica é 24 de fevereiro; os Carmelitas Descalços celebram sua memória em 6 de novembro.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Beata Maria de Jesus, Fundadora - 22 de fevereiro

     Emília d’Oultremont d’Hooghvorst nasceu a 11 de outubro de 1818, em Wégimont (Liége, Bélgica), numa família nobre e impregnada dos valores cristãos. Era filha do Conde Emilio d’Oultremont e da Condessa Maria de Lierneux de Presles. Recebeu uma sólida formação humanística e religiosa, que resultou em um caráter enérgico, seja no plano físico (tornou-se uma ótima atleta) seja no plano moral. Coragem e energia foram dois traços fundamentais da sua personalidade.
     A devoção ao Sagrado Coração, à Virgem Maria e sobretudo à Eucaristia, se enraizaram no sua alma juvenil e caracterizaram desde então o desenvolvimento de sua espiritualidade. A personalidade da jovem desenvolveu-se de forma serena e equilibrada, enriquecida com os seus extraordinários dons humanos e espirituais.
     Precisamente durante uma cerimônia num palácio em Roma, ela teve uma inspiração e pronunciou estas palavras: “Mestre, só Tu na minha vida!”, e pensou em consagrar-se ao Senhor. Diversas foram as propostas de casamento, mas quando conheceu o Conde Victor van der Linden, “um jovem de virtude sólida e de piedade excepcional” - como ela mesma diria - Emília reconheceu que o Senhor a queria conduzir pelo caminho do matrimônio, o qual foi celebrado a 19 de outubro de 1837.
     Viveu em plenitude a vida de uma jovem e feliz esposa, mãe de quatro filhos: Adriano, Edmundo, Olímpia e Margarida. A partir daí Emília encontrou nos Padres Jesuítas os guias espirituais, que a compreenderam e orientaram no seu caminho espiritual.
     De 1839 a 1846, Emília permaneceu em Roma e foi brindada com experiências interiores que a dirigiram sempre mais a um amor total a Deus. Aos 24 anos, quando já era mãe de dois filhos, enquanto rezava na capela de Santo Inácio de Loyola, perto da Igreja de Jesus, em Roma, teve uma visão do santo fundador dos Jesuítas que, com a Constituição da Ordem nas mãos, lhe assegurou que um dia haveria de seguir as suas Regras.
     Em 10 de agosto de 1847 o seu esposo faleceu vítima de malária. Emília viveu esta prova com fé e prosseguiu com coragem a sua missão de mãe e educadora; consagrou-se a Deus com o voto de castidade, dedicando-se ainda mais às obras de caridade. Transferiu-se para Paris, a fim de seguir a formação dos seus filhos no Colégio dos Jesuítas.
     Quando a 8 de dezembro de 1854 o Papa Pio IX proclamava a Imaculada Conceição da Mãe de Deus, Emília pedia a Maria que lhe inspirasse o que era mais agradável a Deus. Durante uma longa e intensa oração na capela do castelo da família lhe foi revelado por Nossa Senhora o que Deus esperava dela: a fundação de uma Congregação destinada à reparação dos ultrajes cometidos contra o Ssmo Sacramento.
     Com algumas jovens de diversas nacionalidades, iniciou no ano seguinte a vida em comum, mas o início oficial da nova família religiosa teve lugar em 1º de maio de 1857, em Estrasburgo, com o nome de Instituto de Maria Reparadora, dia da vestidura de Madre Maria de Jesus (este era o seu nome religioso) e das suas companheiras, guiadas pelo espírito de Santo Inácio.
     Madre Maria de Jesus acompanhou com solicitude a opção dos seus dois filhos de seguirem o caminho matrimonial, e alegrou-se com a decisão das suas filhas de a seguirem na vida religiosa, na mesma Congregação por ela fundada.
     O espírito inaciano foi a alma que animou todo o seu zelo apostólico, a tal ponto que tomou decisões arriscadas, como a resposta ao chamado dos Jesuítas para que constituísse uma casa na Índia, após apenas dois anos de fundação, a fim de as religiosas se dedicarem à promoção humana e espiritual das jovens relegadas a uma situação de inferioridade devido à divisão das castas. Foi o lançamento definitivo de uma expansão por vários países da Europa.
     Os últimos anos de Madre Maria de Jesus foram repletos de sofrimentos de diversos gêneros: lutos familiares, preocupação pelos seus filhos, separações e dificuldades no seio da Congregação.
     Com a saúde muito debilitada, quando se encontrava de passagem por Florença, de retorno à Bélgica, estando na casa do filho Adriano, Madre Maria de Jesus faleceu, no dia 22 de fevereiro de 1878, aos 59 anos de idade. Seu túmulo se encontra na Igreja da Santa Cruz e São Bartolomeu na Via Lucchesi, em Roma.
      A heroicidade de suas virtudes foi reconhecida em 23 de dezembro de 1993 e foi beatificada em Roma no dia 12 de outubro de 1997 pelo papa João Paulo II.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Beata Elisabete de Mântua, Virgem Servita - 19 de fevereiro

    A Beata Elisabete Picenardi nasceu em Mântua entre 1428 e 1430, filha do nobre Leonardo e de Paula Nuvoloni. O pai estava a serviço dos Gonzaga e aspirava para ela o casamento com algum nobre da cidade, porém ela havia decidido permanecer virgem como Maria Santíssima, por quem tinha uma intensa devoção.
     A decisão certamente era resultado da influência dos frades Servos de Maria, do vizinho convento de São Barnabé, que ela frequentava.
     Aos 20 anos vestiu o hábito das “Mantellate”, que agiam a partir das suas habitações, mas ligadas aos frades como religiosas. A sua vida religiosa foi curta e intensa, não apresentando externamente nada de especial.
     Logo ficou órfã de mãe e após a morte do pai, que aconteceu em 1465, deixou a casa paterna retirando-se na casa da irmã, Orsina, casada com Bartolomeu Gorni, ocupando uma cela reservada para ela. Morava um pouco distante da igreja de São Barnabé dos Servos de Maria, para onde se dirigia todos os dias, recebendo com frequência a Eucaristia, coisa raríssima nos costumes da época; se confessava com o seu diretor espiritual, Frei Barnabé de Mântua, e recitava o Ofício Divino como os religiosos. Como resultado de sua grande devoção a Nossa Senhora, muitos se aproximavam dela para obter sua intercessão.
     Um ano antes de sua morte, que pressagiara, escreveu um testamento deixando o seu breviário e trezentos ducados aos Servos.
     Faleceu no dia 19 de fevereiro de 1468. Ao prepararem seu corpo para o sepultamento, verificaram que ela usava o cilício e uma faixa penitencial. Foi sepultada no túmulo da família em São Barnabé, e logo a fama de sua santidade espalhou-se e milagres ocorreram, entre os quais o da salvação de uma menina que havia caído no lago e permanecera por meia hora sob as águas.
     Quando da invasão francesa de 1799, o seu corpo foi transferido para a igreja do oratório do castelo de Tor de Picenardi, na região de Cremona, e depois foi levado para a igreja paroquial local.
     O Papa Pio VII aprovou o seu culto, em 20 de novembro de 1804, extensivo, além da Ordem dos Servitas, às dioceses de Mântua e Cremona. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Santas Constança e Exupéria de Vercelli, Virgens - 18 de fevereiro

Basílica de Sto. André em Vercelli, Itália
Etimologia: Constança = que tem firmeza, tenacidade, do latim; Esuperia = excessiva, do latim.
 
     No século XVI, durante os trabalhos de reconstrução da basílica eusebiana, foi encontrada uma lápide sob as fundações, na qual estava esculpido o elogio métrico de duas monjas ali sepultadas de nomes Constança e Exupéria.
     O elogio as honrava como santas religiosas e recordava que ambas receberam o véu de religiosas pelas mãos do irmão, São Constâncio, Bispo de Vercelli. As santas irmãs pertenceram ao mosteiro feminino instituído por Santo Eusébio e confiado a direção de sua irmã Santa Eusébia.
     O calendário eusebiano comemora uma santa virgem de nome Constança no dia 18 de fevereiro: se pode deduzir que se trata da irmã do bispo, mas não se sabe por que não se celebra também a memória de Exupéria.
     Alguns pesquisadores pensam superar a dificuldade supondo que Constança sobrepujasse a irmã em virtude e santidade. Aceitando a identificação, se pode dizer que Constança viveu na primeira metade do século VI.
     O louvor métrico que ornava o sepulcro das duas irmãs afirma que elas gozavam de uma grande tranquilidade na paz da morte. Semelhantes nos costumes e na profissão monástica, modestas nos atos; assim como um sagrado recinto fora a sua morada em vida, assim um só sepulcro acolhia os sagrados despojos das irmãs. Tinham conservado casta a mente num corpo intato, e, por tais méritos, como qualquer pessoa que professa a fé, vive com doutrina verdadeira, é certo que elas estão na luz da vida eterna. Esta afirmação enérgica, que é atribuída ao bispo poeta São Flaviano, sucessor de São Constâncio na cátedra de Vercelli, pode ser considerada como testemunha de grande peso em favor da santidade de Constança e da irmã, ainda que esta não apareça comemorada no calendário antigo.
 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Nossa Senhora de La Vang

     Durante a maior parte do século XVII, o Vietnã esteve em guerra por várias lutas de poder e domínio. No século XVIII, a mais forte de entre elas foi conduzida pelos três irmãos Tay Son. Com pequeno intervalo, derrubaram sucessivamente os senhores de Nguyen e derrotaram os senhores de Trinh, restaurando a unidade nacional pela primeira vez desde o declínio da dinastia Le. Um dos irmãos Tay Son foi aclamado rei com o nome de Quang Trung. Em 1792 morreu e deixou o reino ao filho que se tornou o Rei Canh Thinh.
     Entretanto, Nguyen Anh continuou a revolta tentando reclamar o trono. Ao tentar fugir dos rebeldes Tay Son, em 1777, refugiou-se na ilha de Phu Quoc, onde D. Pedro Pigneau de Behaine, da Sociedade das Missões Estrangeiras, dirigia um seminário para jovens das terras vizinhas. O bispo convenceu-o a pedir auxílio a Luís XVI de França.
     O Rei Canh Thinh soube que Nguyen Anh recebia apoio do missionário francês e teve receio que os católicos vietnamitas apoiassem o seu reinado. Começou a pôr restrições à prática do catolicismo na região. Em 17 de agosto de 1798, o Rei Canh Thinh promulgou um édito anticatólico e uma ordem para destruir todas as igrejas católicas e seminários.
     Começou uma perseguição aos católicos vietnamitas e aos missionários que durou até 1886. Mesmo depois de Nguyen Anh ter conseguido recuperar o trono como Rei Gia Long (1802-1821), os seus sucessores, Rei Minh Mang (1821-1840), Rei Thieu Tri (1841-1847) e Rei Tu Duc (1847-1884), o último imperador Nguyen, a intensa campanha contra os católicos continuou, ordenando castigos que iam desde queimarem as suas caras, até a morte por diversos métodos cruéis para os católicos vietnamitas e os padres missionários.
     Foi no meio destes grandes sofrimentos que a Senhora de La Vang veio até ao povo vietnamita. O nome La Vang pensa-se que tem origem no nome da grande floresta da região central do Vietnã (conhecida agora como a Cidade de Quang Tri) onde havia abundância de um tipo de árvore chamada La Vang. Também se disse que o nome vinha do significado em vietnamita da palavra "gritar por socorro", para assinalar os gritos de ajuda das pessoas perseguidas.
     A primeira aparição de Nossa Senhora de La Vang foi assinalada em 1798, quando a perseguição aos católicos vietnamitas começou. Muitos católicos da cidade próxima de Quang Tri procuraram refúgio na floresta de La Vang. Muitas dessas pessoas sofreram frio, ataques de animais selvagens, doenças da floresta e fome. À noite, juntavam-se muitas vezes em pequenos grupos para rezar o terço.
     Inesperadamente, numa noite foram visitados pela aparição de uma linda Senhora com uma longa capa, com um menino nos braços, com dois anjos de cada lado. As pessoas reconheceram a Senhora como a bendita Mãe de Deus e nossa.
     A nossa bendita Mãe consolou-os e disse-lhes para ferverem as folhas das árvores circundantes e usá-las como remédio. Também lhes disse que, a partir daquele dia, todos os que viessem àquele lugar para rezar as suas orações seriam ouvidas e atendidas.
     Isto aconteceu numa área de ervas perto da grande figueira indiana onde rezavam os refugiados. Todos os presentes testemunharam o milagre. Depois da primeira aparição, Ela continuou a aparecer ao povo neste mesmo lugar, várias vezes ao longo de um período de quase cem anos de perseguição religiosa. Entre muitos grupos de católicos vietnamitas que foram queimados vivos por causa da sua fé, estava um grupo de 30 pessoas que foram apanhadas quando saíam do seu esconderijo na floresta de La Vang. A seu pedido foram levadas para a pequena capela de La Vang e foram imolados ali.
     Desde a altura em que a Senhora de La Vang apareceu pela primeira vez, o povo que se refugiava ali erigiu uma pequena e simples capela em sua honra. Durante os anos seguintes, o Seu nome espalhou-se a outros lugares. Apesar da sua localização isolada nas altas montanhas, grupos de pessoas continuaram a penetrar na floresta profunda e perigosa para prestar culto à Senhora de La Vang. Gradualmente, os peregrinos que vinham com machados, lanças, paus, tambores para assustar os animais selvagens, foram substituídos por aqueles que traziam bandeiras, flores e rosários. As peregrinações continuaram todos os anos apesar das contínuas campanhas de perseguição.
Reconhecimento pela Igreja
     Em 1886, depois de oficialmente terminada a perseguição, o Bispo D. Gaspar mandou construir uma igreja em honra de Nossa Senhora de La Vang. Por causa da sua difícil localização e pela falta de fundos, a sua construção levou 15 anos para se completar. Foi inaugurada por D. Gaspar numa cerimônia solene em que participaram mais de 12.000 pessoas e durou de 6 a 8 de agosto de 1901. O bispo proclamou Nossa Senhora de La Vang protetora dos católicos.
     Em 1928 foi construída uma igreja maior para albergar o número crescente de peregrinos. Esta igreja foi destruída em 1972, durante a guerra do Vietnã.
     A história da Senhora de La Vang continua a ganhar importância à medida que são validados os pedidos das pessoas cujas orações foram atendidas.
     Em abril de 1961, a Conferência dos Bispos Vietnamitas selecionou a igreja de La Vang como o Centro Sagrado Mariano Nacional. Em agosto de 1962, o papa João XIII elevou a igreja de La Vang a Basílica.
     Em 19 de junho de 1988, o papa João Paulo II, na cerimônia de canonização dos 117 mártires vietnamitas, pública e repetidamente reconheceu a importância e significado da Senhora de La Vang, e expressou o desejo da reconstrução da Basílica para comemorar os 200 anos de aniversário da primeira aparição da Senhora de La Vang, em agosto de 1998.
 
 
Vietnã: 14 ativistas católicos podem ser sentenciados à morte
Por Joseph Dang
 
     Hanoi (AsiaNews, 31-12-2012) – Um grupo de católicos ativistas de direitos humanos poderia ser sentenciado à pena de morte. Em 6 de janeiro, seus membros irão a julgamento por subversão, acusados de violar o artigo 79 do Código Penal do Vietnã: “Realização de atividades destinadas a derrubar o governo do povo”, o que pode acarretar a pena de morte. ...
     Para os católicos locais, o julgamento não só é vergonhoso e falho em defender os direitos humanos, mas vem na época do Natal, quando a atenção da mídia internacional é a mais baixa. O momento não é por acaso e destina-se a limitar as críticas da comunidade internacional.
     Os processos judiciais são parte da repressão do primeiro-ministro Nguyen Tan Dung contra blogueiros e críticos que têm exposto a corrupção no Partido Comunista e do governo, bem como aqueles que ficaram ricos com a crise financeira.
     Como parte desta campanha, as forças de segurança têm como alvo muitos usuários de Internet. Além disso, durante uma conferência nacional de segurança pública em 17 de dezembro, em Hanói, Dung ordenou à polícia “que evitasse a formação de organizações políticas de oposição”.
     A lista de violações inclui a prisão de Le Quoc Quan, conhecido advogado católico e defensor dos direitos humanos, que foi detido na última quinta-feira sob acusação de evasão fiscal. [...]
     Na sexta-feira, um tribunal em Saigon condenou Nguyen Van Hai (blogueiro conhecido como Dieu Cay), Maria Ta Phong Phan Thanh e Tan Hai a longas penas de prisão.
     Maria Ta Phong Tan, católica, postou “Justiça e Verdade” em seu blog. Mas pagou caro por suas ações, pois sua mãe pôs fim à própria vida ateando-se fogo diante da sede do Comitê Popular, no Bac Lieu.
     Em seu site, os redentoristas vietnamitas acusaram a polícia de maltratar Maria Ta Phong Tan durante a sua detenção. Eles alertaram que sua saúde está se deteriorando a uma velocidade alarmante, especialmente sua saúde mental; algo que eles suspeitam estar sendo feito para levá-la, como sua mãe, ao suicídio.
     Uma missa realizada na Igreja do Santíssimo Redentor, em Saigon, com orações especiais de leitura para os blogueiros detidos, reuniu milhares de cristãos e não cristãos. Ela visava oferecer apoio moral e orações a todos aqueles que se encontram presos por exercerem sua liberdade de expressão.
     De acordo com a Human Rights Watch, 40 blogueiros, dissidentes e ativistas foram condenados no Vietnã em 2012. Entre eles, ao menos 18 foram acusados de “realizar propaganda contra o Estado”, nos termos do artigo 88.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Beata Eustoquia Bellini, Virgem beneditina - 13 de fevereiro

     Seu nascimento não foi legítimo: Lucrecia Bellini nasceu em Pádua, em 1444, de uma freira do mosteiro beneditino de São Prosdócimo e de Bartolomeu Bellini. Com quatro anos o demônio tomou posse de seu corpo, sem tolher-lhe o uso da razão, atormentando-a praticamente por toda a sua vida.
     Aos sete anos foi confiada aos monges de São Prosdócimo, que administravam no mosteiro uma espécie de internato. A conduta da comunidade não era exatamente exemplar, mas Lucrecia às diversões mundanas preferia o retiro, o trabalho e a oração; era muito devota de Nossa Senhora, de São Jerônimo e de São Lucas.
     Em 1460 o Bispo Jacopo Zeno, após a morte da abadessa, tentou impor uma maior disciplina no mosteiro, mas tanto as monjas como as pensionistas voltaram para suas casas, só permanecendo Lucrecia Bellini. Em substituição, vieram as monjas beneditinas do convento de Santa Maria da Misericórdia, sob a orientação da abadessa Justina de Lazzara.
     Lucrécia, então com 18 anos, pediu para entrar naquela Ordem e, em 15 de janeiro de 1461, recebeu o negro hábito beneditino tomando o nome de Eustoquia.
     O demônio, que por algum tempo a havia deixado em paz, voltou de novo ao seu corpo, obrigando-a a fazer atos contrários à Regra, fazendo-a agir em atos tão barulhentos e violentos, que as Irmãs ficavam aterrorizadas e tiveram que amarrá-la por vários dias a uma coluna.
     Mas a paz durou pouco, depois que Eustoquia foi libertada a abadessa adoeceu de uma doença estranha e ela foi culpada, quase a consideravam uma hipócrita bruxa; foi trancada em uma prisão durante três meses a pão e água.
     Mas todas essas provas não acovardaram a noviça e aos que lhe diziam para voltar ao mundo ou mudar de mosteiro, respondia que todas as tribulações eram bem aceitas e destinadas a expiar a culpa da qual ela nascera, ali mesmo onde foi cometida; em sua solidão se consolava na recitação do Rosário ou da coroa de Salmos e de orações por ela compostas.
     Uma vez libertada, ela voltou a ser atormentado pelo diabo com flagelações, vômitos incontroláveis ​​e outros sofrimentos estranhos que ela suportava com grande paciência, o que convenceu as Irmãs de suas virtudes. Finalmente, em 25 de março de 1465, foi admitida à profissão solene e, como era o costume da época, dois anos depois lhe foi dado o véu negro da Ordem Beneditina.
     Sua vida não foi muito longa. Ela tinha sido muito bonita, mas as possessões diabólicas, as doenças e as penitências a tinham reduzido a um esqueleto vivo; os últimos anos da sua vida foram passados ​​principalmente na cama, doente, absorta em oração e meditação sobre a Paixão de Jesus.
      Morreu no dia 13 de fevereiro de 1469 com a idade de 25 anos; o seu fim foi tão sereno, que seu rosto pode recuperar a sua beleza antiga; algumas horas antes o demônio finalmente a tinha deixado em paz.
     Eustóquia é o único exemplo conhecido de uma fiel que chegou à santidade embora ao longo de sua vida estivesse possuída pelo demônio. Quatro anos após sua morte, seu corpo foi exumado do túmulo original, o qual começou a encher-se de água puríssima e milagrosa, que deixou de surgir apenas quando o mosteiro foi suprimido.
     Em 1475 o corpo foi levado para a igreja, e desde 1720 foi colocado em uma arca de cristal. O mosteiro de São Prosdócimo foi supreso em 1806 e o corpo da Beata beneditina foi transferido para a Igreja de São Pedro, sempre em Pádua. Sobre o altar de mármore que contém o seu corpo, se encontra o retábulo de Guglielmi representando a Beata enquanto pisa o demônio.
     Em 1760, o Papa Clemente XIII, que já fora Bispo de Pádua, confirmou o seu culto na cidade de Pádua e, em seguida, em 1767, estendeu-o a todos os Estados da República Vêneta.
     Sua festa religiosa, ainda hoje comemorada em toda a diocese de Pádua, é no dia 13 de fevereiro.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Santa Heloisa (Elisa, Helvisa), viúva e reclusa - 11 de fevereiro


Ruínas da Abadia de Coulombs
     Heloisa etimologicamente significa "guerreira ilustre", proveniente de Ludwig (masculino) na língua alemã, como Luís, do qual é o feminino, derivado do franco Chlodowech (Clodoveo); no inglês é Lewis, no italiano Luigi, no latim Helvisa.
     Pertencente a uma família nobre francesa, Heloisa foi esposa do Conde Ugo de Meulan, chamado o "Cabeça de ursa", do qual entretanto bem cedo ficou viúva.
     Religiosíssima e de grande piedade, doou uma considerável parte dos bens herdados do esposo à abadia beneditina de Notre-Dame de Coulombs (perto de Nogent-le-Roi, na diocese de Chartres). O abade Berengário recebeu dela em 1033 as duas igrejas paroquiais de Lainville e de Montreuil-sur-Epte, com as rendas respectivas e metade das terras anexas, como resultado do ato de cessão confirmado naquele mesmo ano pelo Conde Galerano de Meulan, o qual tinha aquelas igrejas como feudo.
     Tendo também perdido o segundo marido, Heloisa decidiu renunciar ao mundo para sempre, resolvendo levar uma vida religiosa na mesma Abadia de Coulombs, para a qual doou, sem levar em conta a herança para seus próprios familiares, filhos de seu irmão Erluino, as terras e a igreja de Anthieux, na diocese de Evreux. O Duque da Normancia, Guilherme, confirmou a possessão daquelas terras aos monges somente em 1066, quando os bens foram restituídos à abadia de Ricardo, sobrinho de Heloisa, que as havia reivindicado depois da morte da tia, ocupando-as a força.
     Heloisa mandou construir uma pequena habitação junto à igreja da Abadia de Coulombs, onde se recolheu para sempre, vivendo santamente e permanecendo ali até o dia da sua morte, ocorrida antes de 1060, com a fama de santidade.
     Mabillon indica o 10 de fevereiro, festa de Santa Escolástica, como o dia do seu feliz trânsito, que foi na realidade em 8 de janeiro, como claramente se pode verificar no obituário da Catedral de Chartres, onde se pode ler: "VI idus Januarii. Obiit Helvisa santissime memorie reclusa".
     Já no século XVII se perdera qualquer traço do túmulo de Santa Heloisa, da qual, todavia, se conservava ainda o crâneo entre as outras relíquias protegidas no tesouro da abadia. A sua festa é celebrada em 11 de fevereiro. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Santa Cointa, Virgem e Mártir - 8 de fevereiro

     Cointa (Coynta ou Quinta), pertence ao grupo que o Martirológio de Floro menciona em 20 de fevereiro com o título geral de "os Mártires de Alexandria".
     A fonte de informação de Floro é o historiador Eusébio, mas segundo ele, o escritor de "Vetus romanum" (ou seja, Adón) distribuiu por sua conta os mártires do grupo em muitos dias do ano. Assim, encontramos Metras ou Metrano em 31 de janeiro, encontramos Cointa e depois encontraremos Apolônia ou Apolila.
     Segundo Adón, o Martirológio Romano menciona o nome de Cointa no dia 8 de fevereiro, com uma nota manifestamente inspirada em Eusébio ("Hist. Eccl.", L.6, c. 41). O mesmo nome aparecia um pouco mudado em outras datas, por exemplo, Greven também nomeia Tonita ou Cointa, virgem e mártir da Alexandria, no dia 15 de janeiro. Em outro lugar, Cointa figura no dia 21 de agosto, como “nobre de Alexandria”.
     O célebre historiador eclesiástico Eusébio de Cesaréia cita uma carta do Bispo de Alexandria, São Dionísio, a Fabiano, Bispo de Antioquia, sobre o derramamento de sangue de muitos mártires em Alexandria do Egito, sob o Imperador Décio. A passagem de Eusébio é um extrato daquela carta que narra os combates heroicos dos mártires naquela cidade durante a perseguição de Décio.
     "Os perseguidores - diz a carta - conduziram uma mulher cristã, que se chamava Quinta, ao templo pagão e queriam forçá-la a adorar os ídolos. Ela, porém, teve horror a isto e resistiu, dando-lhes as costas. Então ataram seus pés a um cavalo arrastando-a pelos pavimentos ásperos de toda a cidade, fazendo-a bater contra grandes pedras. Não satisfeitos que as pedras agudas dos caminhos tivessem maltratado o seu corpo, golpearam-na com umtego. Finalmente, voltando ao templo, mataram-na sob uma chuva de pedras no mesmo local em que mataram Metrano”.
     Seu martírio ocorreu no ano 249 d.C. Venerada como uma santa mártir, sua comemoração no dia 8 de fevereiro é relatada ainda hoje pelo Martirológio Romano

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Santa Alice (Adelaide) de Vilich, Abadessa - 5 de fevereiro

     Alice (ou Adelaide) nasceu por volta de 960, provavelmente no castelo de Geldern, na Alemanha. Era filha de Megengose, Conde de Guelder. Foi entregue às canonesas de São Jerônimo, do Mosteiro de Santa Úrsula, em Colônia, para ser por elas educada, onde se destacou no estudo e na piedade inata.
     Seu irmão Godofredo morreu durante a guerra contra os Boemianos, em 977, e os pais destinaram a quota da herança que lhe pertencia à construção de um mosteiro de canonesas em Vilich, perto de Bonn, designando como primeira abadessa Alice. Apesar de sua pouca idade, ela se mostrou à altura da tarefa, promovendo no convento o estudo e as obras de piedade.
     Após a morte de sua mãe (994), Alice decidiu introduzir a Regra de São Bento na comunidade, e depois de tê-la experimentado pessoalmente por um ano inteiro, se colocou sob a direção do mosteiro beneditino de Santa Maria in Capitólio, de Colônia, onde sua irmã Bertranda era abadessa.
     Por volta de 1000 sua irmã morreu e Alice foi colocada pelo Bispo de Colônia, Santo Eriberto, com o consentimento do imperador Oto III, à direção do mosteiro de Colônia.
     Na direção dos dois mosteiros ela se destacou pela grande prudência, energia na tomada de decisões e caridade para com os pobres; a eles destinou certos rendimentos permanentes do mosteiro de Vilich. Fazia questão que suas monjas soubessem latim para seguirem os Ofícios do coro apropriadamente.
     A Santa tinha dons místicos e graças à sua intercessão ocorreram milagres. Santo Eriberto a respeitava muito e a consultava em todas as dificuldades.
     Ela morreu em Colônia, em 5 de fevereiro de 1015, e seu corpo, a seu pedido, foi sepultado no claustro do mosteiro de Vilich; foi posteriormente transferido para a igreja do mosteiro devido o grande número de peregrinos que vinham rezar em seu túmulo, perturbando a tranqüilidade do claustro.
     O culto de Santa Alice (Adelaide) de Vilich começou imediatamente após a sua morte e teve grande difusão, também chegando à França onde ela era conhecida apenas pelo nome de Alice. Sua festa é celebrada em 5 de fevereiro.
. . .
      O nome Alice curiosamente vem da mesma base que deu origem ao nome Adelaide. Athalaid é o nome alemão, mas tornou-se Alis em francês antigo, latinizado depois para Alicia, nome que mais tarde foi tomado pelos ingleses e se transformou em Alice, sendo em seguida re-exportado para a França e a Itália.
     O nome remonta mesmo ao grego "alyké", que significa "mar". Foi generalizado após o sucesso de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, pseudônimo do escritor inglês Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898).
     No campo cristão, Santa Alice (Adelaide), abadessa de Vilich, é lembrada a 5 de fevereiro, enquanto uma pequena citação é encontrada em 13 de junho em memória de Santa Alice de La Chambre, que morreu em 1250, de quem infelizmente não temos informações: deve tratar-se da devoção a uma figura local, que nem sequer é mencionada no Martirológio Romano, o texto oficial dos santos e beatos da Igreja Católica.
 
Fonte: Acta Sanctorum, fevereiro, vol. 1, pp. 721.727, onde se encontra sua vida, escrita por Bertranda, uma monja sua contemporânea - cf. DHG., vol. 1, c. 517.