sexta-feira, 29 de novembro de 2013

1 de dezembro: 1o. Domingo do Advento

A d v e n t o
 
     Advento é um tempo litúrgico que começa no domingo mais próximo da festa de Santo André Apóstolo (30 de novembro) e abarca quatro domingos. O primeiro domingo pode adiantar-se até o dia 27 de novembro (Festa da Medalha Milagrosa), então o Advento tem vinte e oito dias, ou atrasar-se até o dia 3 de dezembro, tendo só vinte e um dias. Em 2013 o Advento se inicia no próximo domingo, dia 1º de dezembro.
     Com o Advento o ano eclesiástico se inicia nas Igrejas Ocidentais. Durante este tempo os fiéis são exortados a preparar-se dignamente para celebrar o aniversário da vinda de Nosso Senhor ao mundo, de maneira que suas almas sejam moradas adequadas ao Redentor que vem através da Sagrada Comunhão e da graça, e em conseqüência estejam preparadas para sua vinda final como Juiz, na morte e no fim do mundo.
 
Simbolismo
     A Igreja prepara a Liturgia neste tempo para alcançar este objetivo. A oração oficial, no Breviário, no Invitatório de Matinas, chama seus ministros para adorar "o Rei que vem, o Senhor que se aproxima", "o Senhor que está perto", "amanhã contemplareis Sua glória". Nos Evangelhos a Igreja fala do Senhor que vem em sua glória; dAquele no qual e através do qual as profecias são cumpridas.
 
Origem Histórica
     A primeira referência ao "Tempo do Advento" é encontrada na Espanha, quando no ano 380 o Sínodo de Saragoça prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que antigamente também se celebrava o Natal. Na França, Perpétuo, bispo de Tours, instituiu seis semanas de preparação para o Natal e em Roma o Sacramentário Gelasiano cita o Advento no fim do século V.
     Há relatos de que o Advento começou a ser observado entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo como preparação para a festa do Natal.
     No final do século IV, na Gália (atual França) e na Espanha, tinha caráter ascético com jejum, abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de São Martinho). Duas homilias de São Máximo, Bispo de Turim (415-466), intituladas "In Adventu Domini", porém não fazem referência a nenhum tempo especial.
     Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o Batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor, passando a ser celebrado durante 5 domingos. No século oitavo, desde o dia 15 de novembro à Natividade, o Advento era observado não como uma celebração litúrgica, mas como um tempo de jejuns e abstinência que foi posteriormente reduzido a sete dias. Porém, um concílio ordenava o jejum de acordo com a velha regra desde o quinze de novembro.
 
A Coroa do Advento                                                         

 
   Origem: A Coroa do Advento tem sua origem numa tradição pagã européia que consistia em acender velas durante o inverno para representar o fogo do deus sol, pedindo que regressasse com sua luz e calor durante o inverno. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. A partir de seus costumes, ensinaram-lhes a Fé Católica. A coroa é formada por uma grande variedade de símbolos:
   A forma circular: O círculo não tem princípio nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e sem fim, e também de nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar.
   Os ramos verdes: Verde é a cor da esperança e da vida, e Deus quer que esperemos Sua graça, o perdão dos pecados e a glória eterna no final de nossas vidas. O anelo mais importante em nossas vidas deve ser chegar a uma união mais estreita com Deus, nosso Pai.
   As quatro velas nos fazem pensar na obscuridade provocada pelo pecado que cega o homem e o afasta de Deus. Depois da primeira queda do homem, Deus foi dando pouco a pouco uma esperança de salvação que iluminou todo o Universo como as velas a coroa. Assim como as trevas se dissipam com cada vela que acendemos, os séculos foram se iluminando com a proximidade cada vez maior da chegada de Cristo a nosso mundo.
   São quatro as velas que se coloca na coroa e que acendemos uma após a outra, cada uma representando um dos quatro domingos do Advento. Elas vão sendo acesas uma de cada vez. Assim, no 1o domingo só haverá uma vela acesa; no 2o duas; e assim por diante. Nos domingos do Advento a família deve se reunir em torno da Coroa do Advento para fazer alguma oração, todos se preparando para receber o Menino Jesus que vem nos trazer abundantes graças “aos homens de boa vontade”.
 
Os que esperavam a Cristo:
 
   Durante o Advento podemos nos recordar de alguns personagens do Antigo e do Novo Testamento que esperavam a vinda do Messias. Alguns personagens que se podem incluir:
       Abraão: Deus disse a Abraão que sua descendência ia ser numerosa como as estrela do céu e os grãos de areia do mar, e assim foi.
      David: Deus disse ao rei David que o Messias ia nascer de sua família.
      Isaías: Deus disse ao profeta Isaías que o Messias ia nascer da Virgem.
       Jeremias: Deus disse ao profeta Jeremias que quando nascesse o Messias, Ele ia dar aos homens um coração novo para conhecê-lo e amá-lo muito.
      Ezequiel: Deus disse ao profeta Ezequiel que o Messias ia ressuscitar.
      Miquéias: Deus disse ao profeta Miquéias que seu Filho ia nascer em Belém.
      Oséias: Deus disse ao profeta Oséias que Ele ia chamar seu Filho do Egito.
      Zacarias: Deus disse ao profeta Zacarias que seu filho ia entrar em Jerusalém montado em um jumento.
      Homens Sábios ou Reis Magos: esperavam a vinda do Salvador dos homens.
      Os pastores: Foram avisados por um anjo do grande acontecimento.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Santa Bililde, Duquesa e monja - 27 de novembro

    
     Pouco se sabe da vida de Santa Bililde (ou Bilhildis) de Altmünster. Seu culto é atestado pela primeira vez em um calendário de Mainz no ano 1000. Sua Vita embelezada foi escrita depois de 1060/62.

     Segundo a legenda, ela nasceu na Baviera, em Veitshoechheim, perto de Würzburg e era filha do Conde Iberin, da nobre família de Haganonen, e de sua esposa Matilde. No ano 672, Bililde desposou o Duque da Turíngia. Ela esperava uma criança quando seu marido partiu para uma guerra; ela então se refugiou junto ao seu tio, Bispo de Mogúncia, Sigiberto (ou Rigiberto). Seu filho morreu ali.
     Após a morte de seu marido, o Bispo Sigiberto adquiriu terras nas proximidades de Mainz. Lá ela fundou, com seu apoio, um mosteiro feminino, o primeiro de Hagenmüster, ou alta Münster, e chamado desde a Idade Média de Mosteiro Beneditino de Altmünster. Bililde o dotou de seus bens e o governou até a sua morte.
     Bililde faleceu provavelmente em 734 e foi enterrada no coro da igreja do mosteiro. Em 1289, foi construído um altar para ela em um mosteiro e um santuário com a sua própria cabeça. As relíquias chegaram pela primeira vez no Mainz e após o bombardeio e destruição, em 1945, e foram colocadas na sacristia da Catedral de Mainz. A relíquia da cabeça foi estudada cientificamente em 1991, e declarada genuína.
     Após a transladação de suas relíquias para Veitshoechheim em 1722, seu culto teve um grande impulso. Mas, foi após a dissolução do Mosteiro de Altmünster que em Veitshoechheim se iniciou uma comemoração anual em sua honra no dia 27 de novembro. Além disso, em um domingo de maio, há uma procissão com um relicário de Santa Bililde que percorre pelo pátio e pelas ruas.
     Embora as informações sobre a vida de Bililde não sejam inteiramente confiáveis, é certo que há testemunha de seu culto principalmente em Mainz e na Francônia. Em um calendário do século IX, hoje perdido, mas consultado por Mabillon na biblioteca de São Benigno em Dijon, se liam estas palavras: V Kal. dec. commemoratio sanctae Bilhildis virginis. Em Mogúncia existe hoje uma pequena igreja dedicada a ela. Pode-se portanto admitir que Bililde viveu perto de Mogúncia, que foi virgem e não esposa e que teve parte na fundação do mosteiro mencionado acima.
          Santa Bililde é patrona dos enfermos.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Santas Magnança e Máxima, Virgens - 26 de novembro


S Germano, Bispo de Auxerre e Sta Magnança

     Eis uma legenda que remonta suas origens nas profundezas do patrimônio cultural da região de Yonne, França.
     É preciso, para situar os fatos no seu contexto, recuar até a primeira metade do século V. São Germano ia suceder Santo Amatre e se preparava para ser o sexto Bispo de Auxerre. Esta sucessão seguiu-se a um verdadeiro plebiscito da população. Germano, inicialmente reticente, acabou por aceitar tornar-se Bispo de Auxerre.
     Assim, durante os 30 anos que durou o seu episcopado, de 418 a 448, a popularidade de Germano não parou de crescer e sua renomada aumentar com a imagem de um homem justo e bom, preocupado no amparo aos mais necessitados. Também lhe atribuem numerosos milagres, ao longo das viagens que ele empreendia.
    Por isso, quando em 448 São Germano foi para a Itália, em Ravena, atuando como mediador do povo de Armorique (em revolta contra os funcionários romanos) junto ao Imperador Valentiniano, ele estava, pode-se dizer, no auge de sua reputação. E foi naquele momento que a doença o atingiu, levando à sua perda.
     Antes de sua morte, São Germano manifestou o desejo de que seu corpo fosse enviado ao seu país natal, Auxerre. Sua vontade foi atendida e cinco jovens, que haviam sido suas discípulas, foram designadas para acompanhar os “despojos embalsamados” de São Germano até a sua última morada: Magnança, Paládia, Camila, Pórcia e Máxima. Ao longo do caminho os peregrinos se revezavam para tornar bom o estado das estradas e das pontes, a fim de facilitar o avanço do cortejo fúnebre.
     Mas, o trajeto de Ravena à Auxerre é longo e a viagem punha à prova. Assim, a mais frágil das jovens, Magnança, após ter com toda boa vontade atravessado os Alpes, caiu enferma a alguns dias do término da viagem. Seu devotamento a São Germano lhe fora fatal e ela morreu a beira da estrada, suplicando a suas companheiras que a sepultassem ali onde ela se encontrava e que continuassem a viagem para Auxerre. Isto ocorreu em novembro de 448.
     Durante um século e meio não mais se ouviu falar de Magnança; o lugar onde seu corpo havia sido sepultado se tornara desconhecido, embora os eruditos o situassem nos arredores da aldeia de Saint-Pierre-sous-Cordois.
     A legenda conta que no século VII um peregrino à procura de um lugar para dormir se deitou no mesmo local onde Magnança fora sepultada, tendo como travesseiro o esqueleto da cabeça de um cavalo. À noite, ele teve um sonho em que uma serpente saia da cabeça do cavalo e tentava se introduzir em sua boca. Ele acordou em pânico e teve então a visão de duas jovens que se apresentaram como Magnança e Paládia e o tranquilizaram dizendo que a serpente havia fugido e que elas o haviam acordado para salvar sua vida.
     Ao amanhecer, o homem foi para a aldeia próxima, Saint-Pierre-sous-Cordois, e contou sua história. Acreditou-se no milagre, e após terem cavado no local indicado pelo peregrino, o esqueleto de uma mulher foi encontrado e o transportaram para a aldeia. Foi assim que aquela aldeia tomou o nome de Santa Magnança.
     Mais tarde, por volta do século XV, um túmulo foi construído para acolher Santa Magnança.
 
     O pouco que se sabe sobre as duas virgens Magnança e Máxima vem de duas fontes: uma “Vida” anônima do século XII e o "Miracula Sancti Germani" de Henry de Auxerre.
     Segundo Henry, das discípulas de São Germano que seguiam com carinho e orações o trajeto de seu corpo, três morreram durante a longa viagem e seus túmulos foram construídos em várias igrejas. Henry relata que em seu tempo (976) multidões de peregrinos chegavam a Auxerre durante todo o ano.
     Para confirmar isto, existe na Borgonha a cidade de Santa Paládia (Vermenton) e Santa Magnança. Os monges de Moutier-Saint-Jean ajudaram na divulgação do culto de Santa Magnança.
     O belo túmulo da virgem Magnança, que até hoje está preservado, data do século XII e seus artísticos baixos-relevos representando cenas da legenda felizmente escaparam da destruição das relíquias pelos calvinistas e pelos adeptos da Revolução Francesa.
     Em 1823 e 1842 foram realizados dois reconhecimentos canônicos das relíquias. Santa Magnança vem sendo invocada especialmente para as crianças em perigo de morte. A sua festa na Diocese de Sens é no dia 26 de novembro.
     As relíquias de Santa Máxima foram preservadas no Mosteiro de Auxerre até 1567, quando foram destruídas pelos calvinistas. Por ambas - Magnança e Máxima - terem aparecido para salvar o peregrino, juntas elas são lembradas em tantos lugares na França.
 
     A Abadia de São Germano d’Auxerre é um mosteiro beneditino do centro da França, dedicado ao seu fundador São Germano, Bispo de Auxerre, falecido em 448.
     A abadia atingiu o ápice de sua importância cultural durante o período carolíngio; a fonte de sua história inicial consta do Miracula Sancti Germani Episcopi Autissiodorensis ("Milagres de São Germano, Bispo de Auxerre") escrito por volta do ano 880.
     Em 1927, foram descobertos afrescos do século IX sob os afrescos do século XVII nas paredes da cripta; aqueles afrescos são os únicos sobreviventes de pinturas de sua época na França para serem comparados com manuscritos iluminados.
     Durante a Revolução Francesa várias ogivas da nave foram demolidas e a abadia foi secularizada e usada como hospital. A nave primitiva se estendia sob o átrio atual.
     Nos últimos séculos os edifícios residenciais e de serviços da abadia foram remodelados como museu, apresentando descobertas pré-históricas, galo-romanas e medievais de Auxerre. Uma exposição em 1990 pôs em evidência o impacto cultural da abadia. A antiga igreja da abadia permanece em uso em determinadas ocasiões.

sábado, 23 de novembro de 2013

Santa Eanfleda, Rainha e Abadessa - 24 de novembro

    
Ruínas da célebre Abadia de Whitby, Inglaterra
 
     Santa Eanfleda era uma princesa da Nortúmbria (atual Inglaterra), filha do rei Santo Edwin, mártir, e sua esposa Etelburga. A mãe de Eanfleda tinha sido criada como cristã, mas seu pai era pagão e permanecia alheio à nova religião quando ela nasceu, na noite antes da Páscoa, em 626, em uma residência real perto do Rio Derwent.

     São Beda o Venerável relata que antes do dia em que Eanfleda nasceu um assassino enviado por Cwichelm de Wessex fez uma tentativa contra a vida de Edwin. Depois, Edwin, solicitado pelo Bispo de York, São Paulino, concordou com o batismo de Eanfleda e prometeu se tornar cristão se lhe fosse concedida uma vitória contra Cwichelm. Eanfleda foi batizada, segundo São Beda, na festa de Pentecostes (8 de junho 626) com onze outras pessoas da casa real.
     A campanha de Edwin contra Cwichelm foi um sucesso e o rei adotou a nova fé em 627. Seu reinado terminou em 633 com a sua derrota e morte na batalha de Hatfield Chase. Fugindo dos tempos incertos que se seguiram à morte de Edwin, Etelburga, juntamente com o Bispo Paulino, voltou para Kent com Eanfleda, onde esta cresceu sob a proteção de seu tio, o Rei Eadbald de Kent.
     Em 642 Oswiu, Rei de Bernicia, chefe da família real rival, enviou um sacerdote chamado Utta de Kent, que então era governada pelo primo de Eanfleda, Eorcenberht, para pedir sua mão em casamento. Oswiu já havia sido casado com uma princesa britânica chamada Rieinmellt, e recentemente tornara-se rei após a morte de seu irmão, Oswald, na batalha de Maserfield. O Rei Penda de Mércia, o vencedor de Maserfield, dominava a região central e Oswiu precisava de apoio contra ele. O casamento com Eanfleda lhe traria esse apoio; a data do casamento não está registrada. Por seu lado, Eanfleda tinha esperança de reunificar os dois ramos da monarquia da região, assumindo o papel de protetora do cristianismo.
     Se o objetivo de Oswiu ao se casar com Eanfleda fora a aceitação pacífica de seu governo em Deira, o plano não foi bem sucedido. Em 644 Oswine, primo em segundo grau do Eanfleda, governava Deira e em 651 foi morto por um dos generais de Oswiu. Para expiar a morte do parente de sua esposa, Oswiu fundou a Abadia de Gilling, em Gilling, onde orações eram feitas por ambos os reis.
     Com diferentes graus de certeza, os filhos de Eanfleda com Oswiu são identificados como Ecgfrith, Aelfwine, Osthryth e Aelfflaed.
     Embora Eanfleda tenha sido criada na tradição celta, apoiou São Wilfrid no cálculo da Páscoa de acordo com o método romano. Ela tornou-se protetora de São Wilfrid; este desempenhou um papel importante na política da Nortúmbria durante os reinados de Ecgfrith, Aldfrith e Osred, e no resto da Grã-Bretanha do século sétimo. Quando Wilfrid desejou viajar em peregrinação a Roma, a rainha recomendou-o a seu primo, o Rei Eorcenberht.
     O apoio inicial de Oswiu à facção celta, envolvendo a dupla celebração da Páscoa na corte real, levou a uma crise decisiva na Igreja da região e resultou na convocação do Sínodo de Whitby. Agradecido por seu apoio a data latina da Páscoa, o Papa Vitaliano deu a Eanfleda uma cruz de ouro, provavelmente recamada com alguns elos da corrente de São Pedro.
     Viúva em 670, ela ingressou na Abadia de Whitby como discípula da abadessa, Santa Hilda. Este mosteiro estava intimamente associado à família real e muitos membros foram enterrados lá. A Abadia de Whitby era um mosteiro duplo, que abrigava freiras e monges em alas separadas, embora eles compartilhassem a igreja da abadia e os ritos religiosos.
    Em 680, após a morte de Santa Hilda, fundadora e abadessa do mosteiro, Eanfleda tornou-se abadessa juntamente com sua filha Elfleda. Sob a orientação de Eanfleda o mosteiro mais e mais se aproximou das posições da Igreja de Roma. Neste mosteiro foi enterrado Oswiu e sua esposa fez transladar para Whitby até mesmo os restos de seu pai, o Rei Edwin.
     Eanfleda faleceu por volta do ano 704, no reinado de seu enteado, Aldfrith (685-704) e foi enterrada ao lado de seu marido. Infelizmente, durante a invasão os dinamarqueses apagaram todos os traços do seu culto primitivo. As relíquias da santa, no entanto - de acordo com William de Malmesbury - foram resgatadas e transportadas para a Abadia de Glastonbury, com as de outros santos da Nortúmbria, onde, segundo alguns relatos, existia um monumento dedicado a ela no século XII.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Beata Francisca Siedliska, Fundadora - 21 de novembro

    


     Ao ler a biografia da Beata Maria de Jesus Bom Pastor, Francisca Siedliska, ficamos maravilhados com o grande número de quilômetros percorridos em muitas viagens por toda a Europa e os EUA, que ocuparam a maior parte de sua vida religiosa, e utilizando os meios de transporte não certamente rápidos e confortáveis do final do século XIX.
     Francisca Siedliska nasceu no castelo de Roszkowa Wala, perto de Varsóvia, na Polônia, no dia 12 de novembro de 1842, a filha mais velha do casal Adolfo Siedliska e Cecilia Morawska, descendentes da antiga nobreza polonesa. A parte da Polônia onde viviam estava então sob a proteção do czar da Rússia, e 20 anos mais tarde, em 1863, foi incorporada ao império do czar.
     Ela cresceu com o carinho de seus pais, mais preocupados com sua saúde e com sua formação cultural, do que dar-lhe uma educação religiosa. Em um ambiente embebido de indiferença religiosa, própria da filosofia daquele tempo, Francisca começou a conhecer a Deus através de uma governanta muito boa e culta, que também a ensinou a rezar, mas a morte repentina desta governanta privou-a de seu apoio espiritual.
     Em seguida, uma parenta materna a preparou para a Primeira Confissão e em seguida sua mãe ficou muito doente e angustiada Francisca teve forças para pedir à Virgem pela sua recuperação, o que ocorreu logo em seguida.
     Neste período, quando Francisca acompanhava a mãe hospedada em Varsóvia na casa de seu avô, encontrou, em novembro de 1854, o capuchinho Padre Leandro Lendzian, de origem lituana, e entre os dois se iniciou uma união espiritual que ela considerou o "momento da minha conversão: eu fui conduzida ao padre como uma pagã, vazia de Deus e do Seu amor, voltei iluminada no amor”.
     Então, com as etapas da Primeira Comunhão feita em 1º de maio de 1855, da Quaresma de 1860 vivida por ela com profundo espírito ascético, do dramático confronto com seu pai que queria casá-la e colocá-la na alta sociedade, Francisca tomou cada vez mais consciência da vocação religiosa que gradualmente amadurecia nela.
     Em 1860, ela acompanhou seus pais que tiveram de viajar para a Suíça, Tirol, Alemanha e França, mas sua saúde, talvez devido a fadiga da viagem, começou a declinar, de modo a temer uma tuberculose, mal que assolava a época.
     No outono de 1860, a mãe a acompanhou para tratamento em Merano, em seguida na Suíça e, finalmente, em Cannes, na França, onde, em 1868, seu pai também se juntou a elas para fugir da insurreição polonesa; a reunião da família com o ressurrecionista Hube levou à conversão o pai, Adolfo.
     Seguiu-se um período de paz para a família que continuou mesmo depois de seu retorno à Polônia, em 1865, e até a morte do pai em 1870.
     Sempre com a orientação espiritual do Padre Leandro Lendzian, Francisca cultivava sua aspiração de se dedicar inteiramente a Deus, dificultada porém pelos problemas de saúde. Em 12 de abril de 1873, tinha 31 anos, o Padre Leandro lhe disse claramente que era a vontade de Deus que ela começasse a fundação de uma nova família religiosa.
     Embora surpresa com o pedido, não ofereceu resistência e começou o trabalho; juntaram-se a ela, em primeiro lugar a mãe, influenciada há tempos pela espiritualidade da filha, e duas terciárias franciscanas idosas que pertenciam a uma comunidade extinta de Lublin.
     A nova comunidade deveria ser dedicada à adoração do Santíssimo Sacramento, à imitação da vida da Virgem Maria em Nazaré, à educação catequética das crianças; por causa da oposição do Governo russo, não se podia abrir na Polônia a Casa Mãe, então Francisca Siedliska partiu para Roma para apresentar o programa da nova Congregação ao Papa Pio IX.
     Em 1º de outubro de 1873, ela foi recebida pelo Papa, que aprovou a idéia da fundação das "Irmãs da Sagrada Família de Nazaré"; de volta à Polônia, procurou escolher um lugar onde se estabelecer: foi para a França, para Lourdes, mas depois decidiu fundar sua Nazaré em Roma, e em 1874 para lá voltou, e teve como assessor o Geral dos Ressurrecionistas, Padre Semenko.
     Ela comprou uma pequena casa na Rua Merulana, onde se estabeleceu; depois a Casa Mãe foi finalmente fixada na Rua Maquiavel.
     O ideal ascético da fundação amadureceu em Loreto, em 1875, isto é, imitar a vida oculta e todas as virtudes da Sagrada Família de Nazaré; o período 1873-1876 foi chamado de "a primavera da Congregação", no primeiro domingo do Advento de 1875 teve lugar a fundação do novo Instituto com as primeiras noviças chegadas da Polônia, as três irmãs Wanda, Laura e Felicidade Lubowidzki.
     Em 1881, ela fundou uma nova casa em Cracóvia, na Polônia; em 1º de maio de 1884, a fundadora e as primeiras companheiras fizeram a profissão religiosa e nesta ocasião Francisca adotou o nome de Irmã Maria de Jesus Bom Pastor.
     Querendo alargar o âmbito da Congregação para as famílias emigrantes poloneses nos Estados Unidos, em 1885, 1889 e 1896, foi para lá, abrindo três casas em Chicago e espalhando as irmãs por toda parte; em 1892, ela estava em Paris, onde abriu uma casa; em 1895 fez o mesmo em Londres.
     Enquanto isso preparava as Constituições, nas quais a Congregação declarava que seu principal objetivo era levar as almas para a verdade fazendo-as conhecer e amar a Igreja de Jesus, por meio das seguintes obras: instrução religiosa dos catecúmenos judeus, protestantes e cismáticos, retiros espirituais para as senhoras, ensino da doutrina cristã e da história da Igreja para os jovens, preparação das crianças para a Primeira Comunhão.
     As Constituições remodeladas e expandidas foram definitivamente aprovadas pela Santa Sé em 1923, mais de 20 anos após a morte da fundadora.
     Madre Maria de Jesus Bom Pastor continuou seu trabalho amoroso junto às irmãs, especialmente aquelas doentes de quem cuidava e servia pessoalmente; para consolar, encorajar e aconselhar as religiosas, realizou outras viagens para a Inglaterra, França, Polônia.
     Mas seu organismo começou a dar sinais de fadiga, resultado das viagens, das preocupações e das várias doenças; ela aceitou o conselho dos médicos e foi passar um período de descanso junto às beneditinas de Subiaco, retornando a Roma em 16 de outubro de 1902.
     Em 15 de novembro foi atingida por peritonite aguda e no dia 21 de novembro de 1902 faleceu santamente em meio ao pesar de suas filhas: tinha 60 anos.
     Seu túmulo está localizado na Capela da Casa Geral das Irmãs da Sagrada Família de Nazaré, em Roma.
     Madre Maria de Jesus Bom Pastor Siedliska foi beatificada em Roma, em 23 de abril de 1989, pelo Papa João Paulo II; a sua festa litúrgica é 21 de novembro.
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Beata Maria Gabriela Hinojosa e 5 comp., Visitandinas, mártires na Espanha - 18 de novembro

    
     Também a Ordem da Visitação de Santa Maria, fundada em 1610 por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal, pagou o tributo de sangue de sete religiosas suas mártires durante a incrível e sanguinária Guerra Civil que ensanguentou a Espanha, especialmente de 1936 a 1939.

     As sete religiosas de que falamos pertenciam ao primeiro mosteiro da Ordem da Visitação de Madri, vinham de várias regiões da Espanha e levavam uma vida de oração e mortificação, mas isto não era suficiente para torná-las inumes às violências revolucionárias de homens obcecados de ódio à fé cristã.
     E como já acontecera durante o Terror da Revolução Francesa e a revolução mexicana, também na Espanha, tão católica e com tantas almas devotadas ao serviço de Deus e do próximo, ser sacerdote ou religioso era motivo suficiente para ser fuzilado, como também as igrejas foram destruídas ou transformadas em armazéns.
     Com o aumento do perigo de uma guerra civil, as Irmãs da Visitação de Madri se transladaram para Oronoz na Navarra, onde podiam se sentir seguras, mas não desejando deixar abandonado o mosteiro madrileno, sete irmãs permaneceram escondidas em um local adjacente ao convento, levando uma vida na observância da Regra tanto quanto possível, na contemplação de Deus e oferecendo a si próprias.
     A guerra civil eclodiu em 18 de julho de 1936 e logo depois o mosteiro foi atacado e incendiado e transformado em caserna dos milicianos revolucionários; embora podendo, as irmãs não fugiram e permaneceram unidas, como haviam prometido, esperando a vontade de Deus, ainda que se tratasse do martírio.
     Na metade do mês de agosto, uma mulher cruel delatou a presença das irmãs e assim, depois de uma brutal perseguição no local onde viviam, embora não encontrassem nada que pudesse incriminá-las, no dia 18 de novembro levaram-nas embora numa camioneta.
     Elas fizeram o sinal da cruz, certas de um fim próximo. Depois de um breve trajeto entre os gritos hostis da turba, foram conduzidas fora da cidade e mandaram-nas descer do veículo; enquanto elas se davam as mãos para infundir coragem umas às outras, foram abatidas com disparos de fuzis. O sangue de mártires mais uma vez orvalhou o solo da Espanha, como aconteceu naquele período com outras 7.300 vítimas entre bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos - culpados de serem almas consagradas a Jesus Cristo.
     Por incrível que pareça, a mais jovem delas, Irmã Maria Cecília, não foi atingida pelos projeteis: ao ouvir o barulho dos disparos, largou a mão da irmã morta e à noite fugiu apavorada sem saber aonde ir; ao encontrar os milicianos confessou: “Sou uma irmã”. Conduzida a uma das muitas prisões provisórias que funcionavam também como tribunais populares, revelou a sua identidade e na aurora do dia 23 de novembro foi fuzilada diante do muro do cemitério de Madri.
     Após a guerra procurou-se identificar o seu corpo sepultado em uma vala comum e a cruz que ela levava ao pescoço foi encontrada com a perfuração de uma bala; hoje ela é conservada como uma relíquia no mosteiro de Santa Engracia de Madri.
     As sete irmãs eram dirigidas naquela última missão em Madri pela Irmã Maria Gabriela Hinojosa Naveros, que nascera em Alhama de Granada no dia 24 de julho de 1872, em uma família numerosa e abastada; tendo ficado órfã, transferiu-se com o irmão para Madri e aos 19 anos ingressou no mosteiro da Visitação da cidade, fez a profissão em 25 de março de 1894.
     Embora fosse de temperamento tímido, desempenhou o cargo de superiora de 1929 a 1936, e em 1936 ficou encarregada da comunidade que permaneceu em Madri, enquanto todas as outras irmãs se transferiram para Navarra. Nesta missão, animou as coirmãs, com a força e a doçura das almas grandes; uma das últimas frases escritas por ela e que se conserva dizia: “Deus Nosso Senhor, em cujas mãos estamos todas, fará de nós o que mais convém a Ele”.
     Os nomes das sete Irmãs da Visitação, mártires, são:
 1) Maria Gabriela Hinojosa y Naveros de 64 anos
2) Teresa Maria Cavestany y Andauga de 48 anos
3) Josefa Maria Barrera y Izaguirre de 55 anos
4) Maria Agnese Zudaire y Galdeano de 36 anos
5) Maria Angela Olaizola y Garagarza de 43 anos
6) Maria Engracia Lecouna y Aramburù de 39 anos
7) Maria Cecilia Cendoya y Araquistan de 26 anos
     (Esta última o ‘Martirologio Romano’ celebra no dia 23 de novembro, enquanto as outras seis o são no dia 18 de novembro)
     A causa canônica foi introduzida em 2 de julho de 1985; foram beatificadas pelo Papa João Paulo II em 10 de maio de 1998.
 
Fonte:: santiebeati/it - Autor: Antonio Borrelli
 

domingo, 17 de novembro de 2013

Beata Carolina Közka Virgem e mártir - 18 de novembro

    
     Carolina nasceu na aldeia de Wal-Ruda, próximo de Tárnow, Polônia, no dia 2 de agosto de 1898. Era uma dos onze filhos de Jan e Maria Borzecka Közka. De 1904 a 1912 Carolina frequentou a escola local, tendo feito apenas o curso elementar, pois seus pais eram muito pobres.

     A piedade e a devoção ela recebeu em casa, onde o Rosário era rezado diariamente e a Missa dominical era a forma da família agradecer a Deus os dons que dEle recebia. Com frequência Carolina reunia vizinhos e parentes, especialmente as crianças, e liam as Sagradas Escrituras sob uma pereira próximo de sua casa. Ela gostava de rezar o Rosário usando o terço que sua mãe lhe dera. Devido às suas orações, ela geralmente dormia menos do que precisava. “Durante o dia ela sempre sussurrava as palavras ‘Ave Maria’, pois, como ela mesma dizia, estas palavras faziam-na ‘sentir uma grande alegria no coração’”.
     Ela rezava o Rosário constantemente e mesmo no seu trajeto para ir a igreja assistir à Missa; além da Missa dominical, ela a assistia também durante a semana. O tio de Carolina, Franciszek Borzecki, era uma inspiração para sua fé. Ela o auxiliava na biblioteca e na organização de outras coisas na paróquia; também ensinava catecismo para seus irmãozinhos e para as crianças da vizinhança. Desde a adolescência ela era dirigida pelo Padre Ladislao Mendrala, que a acompanhava na sua ativa vida no núcleo paroquial da aldeia.
     Com o início da 1ª. Guerra Mundial (1914-1918) a Polônia foi invadida pelo exército soviético. A situação em Tárnow era cada dia mais difícil devido aos abusos e a brutalidade dos soldados. Em novembro de 1914 eles controlaram Wal-Ruda. Seis meses antes, no mês de maio de 1914, Carolina recebera o sacramento da Crisma.
     Na noite de 18 de novembro de 1914, um soldado bêbado irrompeu na casa da família Közka exigindo alimento. Como não ficou satisfeito, obrigou o pai e Carolina a acompanhá-lo para reportar a conduta da família às autoridades.
     Nas proximidades da floresta, o soldado obrigou o pai, sob as ameaças de matá-lo e à sua família, a voltar para casa, ficando em poder de Carolina. Dois rapazes que voltavam para casa foram testemunhas do que aconteceu em seguida. O soldado tentou violentá-la, mas ela defendeu-se lutando com ele. Enfurecido, o homem feriu-a várias vezes com sua baioneta. Carolina correu em direção ao pântano, que a salvou de mais ataques, pois a caça ali era difícil para o soldado. Mas era tarde demais para Carolina: as feridas que ele fizera causaram muita perda de sangue. Ela morreu no pântano, mas com sua pureza intacta. Ela tinha somente 16 anos.
     Dezesseis dias depois, no dia 4 de dezembro, o seu corpo foi encontrado. Ele estava mutilado apresentando feridas de baioneta na cabeça, pernas, costas e peito. Suas mãos ensanguentadas demonstravam a resistência que opôs.
     Toda a aldeia compareceu ao seu enterro; Carolina foi sepultada no cemitério da paróquia. Ela passou a ser conhecida como “a Estrela de Tárnow”. Após o seu sepultamento, os habitantes da região vinham rezar no seu túmulo e no local de sua morte. Seu martírio causara muita comoção nos habitantes da região e, no dia 18 de junho de 1916, um monumento em sua memória foi construído próximo à igreja de Zabawa, e no local do delito foi erguida uma cruz.
     Em fevereiro de 1965, o Bispo Jerzy Ablewicz submeteu à apreciação a causa de sua beatificação e canonização (também de seu martírio). Em 10 de junho de 1987, ela foi beatificada em Tárnow. Ao beatificá-la, João Paulo II disse: “A morte de Carolina nos diz que o corpo humano tem um valor e uma dignidade imensa que não se pode baratear. Carolina Közka tinha consciência desta dignidade. Consciente desta vocação, ela entregou sua jovem vida, quando foi necessário entregá-la, para defender sua dignidade de mulher”.
     Após sua beatificação, suas relíquias foram colocadas no altar mor e veneradas pelos paroquianos e peregrinos. Sua casa foi transformada em um museu onde os visitantes podem conhecer mais sobre esta corajosa jovem.
     Carolina ainda não foi canonizada, mas milagres têm sido alcançados por sua intercessão. No 10º dia de cada mês há uma cerimônia junto às suas relíquias pedindo que ela seja canonizada.
     Conhecida como a “Maria Goretti da Polônia”, a Beata Carolina é vista como um grande exemplo de pureza para os jovens do 3º milênio, devido à sua humildade, coragem e fé em Deus. Ela é patrona da juventude e dos agricultores.
 
Fontes: en.wikipedia.org;wiki; santiebeati.it
 
Etimología: Carolina, feminino e diminutivo de Carlos = do latim Carolus, por sua vez do alto alemão antigo, Kharal, “homem”, sentido pritivo “viril, varonil, vigoroso”.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Santa Hilda de Whitby, Abadessa - 17 de novembro




     Não se sabe o local de nascimento de Hilda, mas, de acordo com São Beda o Venerável, foi no ano de 614. Era a segunda filha de Hereric, sobrinho de Eduino, primeiro rei cristão da Nortúmbria (atual Inglaterra), e de sua esposa Bregusvita. Sua irmã mais velha, Heresvita, se casou com Etelrico, irmão do rei Anna da Anglia Oriental. Quando era apenas um bebê, seu pai foi envenenado no exílio, na corte do rei de Elmet (hoje em dia West Yorkshire). Presume-se que ela cresceu na corte de Eduino, na Nortúmbria.
O batismo de Hilda
     Em 12 de abril de 627, Festa da Páscoa, o rei Eduino foi batizado junto com sua corte, que incluía Hilda, na pequena capela de madeira construída, especialmente para a ocasião, próximo do local em que está hoje a Catedral de York. A cerimônia foi oficializada pelo monge bispo Paulino, que viera de Roma com Agostinho (Santo Agostinho de Canterbury). Ele acompanhava Etelburga, uma princesa cristã que voltava para Kent para casar-se com Eduino.
     Desconhecem-se os detalhes da vida de Hilda de 627 a 647. Parece que depois da morte de Eduino em uma batalha, em 633, ela foi viver com sua irmã. São Beda resume sua história num ponto chave de sua vida quando, na idade de 33 anos, ela decidiu ir viver em um convento de Chelles, na França, acompanhando sua irmã que enviuvara. Santo Adriano, bispo de Lindisfarne, dissuadiu-a de tal propósito e aconselhou-a a voltar para a Nortúmbria e viver como monja beneditina.
Os mosteiros de Santa Hilda
     Não se sabe exatamente aonde Hilda iniciou sua vida de monja, apenas que ela se fixou com algumas companheiras junto ao Rio Wear. Elas aprenderam as tradições do monaquismo celta trazidas pelo Bispo de Iona, Santo Adriano. Depois de um ano, Santo Adriano nomeou Hilda a segunda Abadessa de Hartepool. Não restam vestígios desta abadia, porém o cemitério monástico foi encontrado próximo da atual Igreja de Santa Hilda.
     Em 657, Hilda fundou com suas rendas um novo mosteiro duplo em Whitby (então conhecido como Straneshalch), aonde permaneceu o resto de sua vida até sua morte em 680. (Whit = Pentecostes; by = mantido por). Whitby era então a capital da Nortúmbria. Hilda governou os dois mosteiros com grande prudência durante 30 anos.
Vida monástica em Whitby
     Em Whitby erguem-se impressionantes ruínas de uma abadia beneditina do século XII. Entretanto, não foi este o edifício que Hilda conheceu. Evidências arqueológicas mostram que o seu mosteiro tinha estilo celta, com seus monges vivendo em pequenas casas para duas ou três pessoas. Na tradição dos mosteiros duplos, como os de Hartepool e Whitby, os monges e as monjas viviam separados, porém podiam rezar juntos na Missa.
     São Beda nos conta que as idéias originais do monaquismo eram seguidas com rigor na abadia de Hilda. Todas as propriedades e bens eram comuns, praticavam-se os conselhos evangélicos, especialmente a paz e a caridade, todos tinham que estudar as Sagradas Escrituras e praticar obras de caridade. Entretanto, o número de monges e monjas que viviam em Whitby não é conhecido.
     Cinco monges de Whitby se tornaram bispos e um foi venerado como santo, São João de Beverly. A rainha Eanfreda de Deira e sua filha Alfreda se tornaram monjas, e juntas foram abadessas de Whitby depois da morte de Hilda.
     São Beda descreve Santa Hilda como uma mulher de grande energia, uma audaz e eficaz administradora e mestra. Gozava da reputação de grande sabedoria por toda a Inglaterra, e todas as grandes personalidades a consultavam: reis, príncipes e bispos. Entretanto, ela também se preocupava com as pessoas comuns, como Caedmon, um pastor e bardo religioso. Santa Hilda teve o dom da profecia e foi celebrada por todos os escritores e historiadores ingleses, tanto pela sabedoria divina que possuía como pela santidade altíssima. Mesmo tendo um temperamento forte, ela inspirava afeto. São Beda disse: "Todos os que a conheciam a chamavam de 'mãe' por causa de sua grande devoção e graça".
O Sínodo de Whitby
     Na segunda metade do século VI, os monges irlandeses, discípulos de São Patrício e São Columbano, chegaram à Inglaterra e fundaram uma série de mosteiros, entre eles o de Iona. Paralelamente, Roma havia enviado para lá vários monges, entre eles Santo Agostinho de Canterbury, com idêntica missão de evangelização. Esses empreendimentos missionários acabaram se chocando devido a diferenças que existiam entre eles de ritual, de estilo e de organização.
     A Nortúmbria ficou durante alguns anos sem saber a quem dar razão, se aos monges irlandeses ou aos romanos. Então, o rei Oswin da Nortúmbria decidiu resolver a questão convocando o Sínodo de Whitby, o que aconteceu no ano de 664. São Beda o Venerável se refere a esta reunião em sua Historia eclesiástica dos ingleses.
     O rei Oswin escolheu o mosteiro de Santa Hilda como sede para o Sínodo de Whitby, o primeiro sínodo da Igreja em seu reino. A maioria dos presentes, incluindo Santa Hilda, seguiam as tradições do Cristianismo celta, porém, vários no reino, incluindo a rainha Eanfreda e sua filha, a monja Alfreda, que vivia com Hilda no mosteiro, seguiam as tradições da Igreja Romana. Convencidos por São Vilfrido, um mensageiro de Roma, decidiu-se optar pelas tradições romanas. Santa Hilda aceitou esta decisão e aderiu às novas regras dando um bom exemplo de devoção e de obediência.
     Muitas das tradições celtas continuaram em uso, porém pontos essenciais como festas e celebrações foram mudados. São Cutberto de Lindisfarne, um Santo da Nortúmbria, demonstrou com sua vida como as tradições beneditinas e celtas podem ser combinadas efetivamente.
Morte de Santa Hilda
     Santa Hilda faleceu em 17 de novembro de 680 ao cabo de longa e penosa doença que durou seis anos. Não cessou, entretanto, de trabalhar durante esses anos. No último ano de vida ela fundou outro mosteiro em Hackness. Ela entregou a alma a Deus depois de receber o viático, e, segundo a tradição, os sinos do mosteiro de Hackness tocaram no momento de sua morte.
O legado de Santa Hilda
     As sucessoras de Santa Hilda foram Eanfreda, viúva do Rei Oswin, e sua filha Alfreda. Depois das mortes destas, não se sabe mais nada da Abadia de Whitby, além do fato de ter sido destruída pelos invasores daneses em 867. Depois da invasão da Inglaterra por Guilherme I, monges vindos de Evesham fundaram outra abadia beneditina para homens. E continuou existindo até a dissolução dos mosteiros por Henrique VIII em 1539.
     A partir do século XIX até hoje, surgiu no mundo todo um renovado interesse e uma grande devoção por Santa Hilda. Com o crescimento da educação feminina, muitas escolas e universidades foram fundadas em sua honra. A Universidade Santa Hilda, em Oxford, recebeu este nome em sua homenagem. Santa Hilda é considerada uma das padroeiras da educação e da cultura, inclusive da poesia, graças ao apoio que dedicava a Caedmon.

 
Etimologia: Hilda, do alemão, abreviatura de nomes como Hildegarda. Do alto alemão antigo Hiltia: “combate, guerra”, também se traduz por “guerreira”.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Santa Agostinha Lívia Pietrantoni, Religiosa - 13 de novembro

    
         27 de março de 1864. No pequeno povoado de Pozzaglia Sabina, a 800 m de altitude, na bonita zona geográfica entre Rieti, Orvinio, Tivoli, nasceu e foi batizada Lívia, segunda de 11 filhos. Os pais, Francisco Pietrantoni e Catarina Costantini, eram pequenos agricultores que trabalhavam a própria terra e algum terreno arrendado. A infância e a juventude de Lívia respiram os valores da família honesta, laboriosa, religiosa e são marcadas sobretudo pela sabedoria do avô Domingos, verdadeira ícone patriarcal na casa abençoada, onde "todos procuravam fazer o bem e a oração era comum".

Aos quatro anos, Lívia recebeu o sacramento da Crisma e por volta de 1876 fez a sua Primeira Comunhão, com uma consciência certamente extraordinária, comprovada pela sua posterior vida de oração, de generosidade e de doação. Ainda muito cedo aprendeu da mãe Catarina as atenções e os gestos de maternidade que exprime com docilidade entre os numerosos irmãozinhos da sua família, onde todos parecem ter direito ao seu tempo e à sua ajuda. Trabalha no campo e cuida dos animais. Portanto, não tem muito tempo para brincar e para a escola. Mesmo assim consegue obter um grande proveito da sua irregular freqüência, tanto a merecer das suas colegas o título de "professora".
Aos 7 anos começou a trabalhar com outras crianças transportando inúmeros baldes de cascalho e areia para a construção da estrada Orvinio-Poggio Moiano. Aos 12 anos parte com as outras meninas que nos meses invernais se encontram em Tivoli para a colheita da azeitona. Lívia, com uma sabedoria precoce, assume a responsabilidade moral e religiosa das jovens colegas: é para elas apoio na dureza do trabalho longe da família e do povoado; com decisão e coragem é também guia nas relações com os chefes prepotentes e sem escrúpulos.
Lívia era uma jovem admirável pela sabedoria, o senso altruísta, a generosidade, a beleza e isso não passa despercebido aos olhos dos rapazes do seu povoado. Mais que um rapaz a quis para esposa. Um deles deu este testemunho:
Lívia percebeu porque era inteligentíssima... Um dia passei por ela ao longo da estrada, quase por acaso. Estava a ler um livro. Parou e olhou para mim, um pouco atrapalhada. Depois tirou para fora do livro um 'santinho', um Ecce Homo (Cristo flagelado, coroado de espinhos e com as mãos atadas). Mostrou-o e disse:
- Este é que será o meu esposo.
Respondi-lhe apenas: - Já sabia e és bem digna dEle.
Às companheiras, que procuravam dissuadi-la, diz resolutamente: - Hei-se ser religiosa e no convento mais difícil.
Às pessoas da família e do povoado que pretendiam desviá-la da sua decisão, definindo-a uma fuga das dificuldades, Lívia respondia: "Quero escolher uma Congregação onde tenha trabalho para o dia e para a noite" e todos estão certos da autenticidade dessas palavras. A mãe declarou: - Que bênção de Deus esta minha filha! Sabe tratar melhor do que eu com o pai, com os irmãos, com a agulha, com o tear, na cozinha e na limpeza. Que poderia eu fazer sem ela, com uma família tão grande?
Como mãe católica que era, apesar da falta que lhe fazia, deu-lhe licença, assim como o pai, de seguir a vida religiosa.
Em 3 de março de 1886, a Superiora Geral das Irmãs da Caridade de Sta. Joana Antida Thouret, a Madre Josefina Bocquin, comunica-lhe que a espera na Casa Geral localizada na rua Sta. Maria em Cosmedin.
23 de março de 1886. Lívia chega a Roma aos 22 anos, passando a morar na Rua Sta. Maria em Cosmedin. Alguns meses de Postulado e de Noviciado são suficientes para constatar que a jovem possui todas as condições para ser Irmã da Caridade, isto é, uma verdadeira "serva dos pobres", conforme a tradição de São Vicente de Paulo e de Sta. Joana Antida. Lívia levava para o convento, como herança familiar, um potencial humano particularmente sólido que lhe serve de garantia.
Ao vestir o hábito religioso, recebeu o nome de Irmã Agostinha; ela percebeu que ela mesma deveria ser santa com este nome, visto que, de fato, não existe uma santa Agostinha!
Enviada ao Hospital Espírito Santo, glorioso pela sua história de 700 anos e definido como "o ginásio da caridade cristã", Irmã Agostinha dá a sua contribuição pessoal a exemplo dos santos que a precederam, entre os quais São Carlos Borromeo, São José Calasâncio, São João Bosco, São Camilo de Léllis, e naquele lugar de dor manifesta a caridade até o heroísmo.
Começou primeiramente a tratar das crianças; depois passou para a enfermaria dos tuberculosos.
Naqueles tempos de luta declarada contra a Igreja, a paciente religiosa tinha de ouvir freqüentemente blasfêmias, injúrias, palavras malcriadas e provocadoras. Os Padres Capuchinhos são expulsos, o crucifixo é banido, bem como os demais sinais religiosos. O clima no hospital é hostil à religião. Quereriam afastar também as Irmãs, mas temem a impopularidade. A vida torna-se "impossível" para elas e lhes é proibido falar de Deus. Ir. Agostinha, porém, não tem necessidade da boca para "gritar Deus" e nenhuma mordaça a pode impedir de anunciar o Evangelho.
Descontentamento, insultos, impaciências, grosserias de toda a espécie nunca lhe faltavam, mas ela sabia pagar tudo com muita delicadeza - escreveu um enfermo.  E outra testemunha: - Com os doentes era uma verdadeira mãe, especialmente com os mais graves. À noite, antes de se retirar, não deixava de se aproximar das camas dos que estavam em maior perigo. Acomodava-lhes o travesseiro e dizia-lhes qualquer boa palavra. Por vezes, algum doente mau e descontente provocava-lhe algum aborrecimento, como atirar ao chão o prato de comida. Mas a Irmã Agostinha nunca perdia a paciência.
Pela sua dedicação a boa Irmã contraiu depressa a tuberculose. Viu-se obrigada a retirar-se, mas fez a Superiora prometer-lhe que, se se curasse, voltaria para a mesma enfermaria. E assim aconteceu: milagrosamente sara.
Em segredo, em um pequeno ângulo escondido, Ir. Agostinha encontrou um lugar para a Virgem Maria, para que fique no hospital. A Ela confia os seus "protegidos", prometendo vigílias de oração e maiores sacrifícios para obter a graça da conversão dos mais obstinados.
José Romanelli era o pior de todos, o mais vulgar e insolente, sobretudo com Ir. Agostinha que se desdobra em atenções e acolhe com grande bondade a mãe cega que vem visitá-lo. Ele tinha sido quatro vezes condenado nos tribunais... Dele se pode esperar de tudo, todos estão aborrecidos.
Na noite de 23 de outubro de 1894, toma atitudes provocadoras com as lavadeiras. Um enfermeiro avisa o diretor clínico que, dois dias depois, o despede do hospital. Na sua raiva Romanelli quer encontrar uma vítima e a indefesa Irmã Agostinha é a vítima designada. "Matar-te-ei com as minhas mãos! Irmã Agostinha, não tens mais que um mês de vida!", são as expressões de ameaças que ele faz chegar, seguidas vezes, através de bilhetes.
De fato, Romanelli não brinca, mas nem mesmo Irmã Agostinha fixa limites à sua generosidade ao Senhor. Quando naquele 13 de novembro de 1894 Romanelli a surpreende em um estreito corredor do hospital e a fere mortalmente, dos seus lábios saem somente a invocação à Virgem e palavras de perdão. A Irmã cai de joelhos sem um lamento. Com extremo esforço levanta-se, dá uns passos para a habitação das religiosas, perdoa ao assassino e exala o último suspiro murmurando: Minha Mãe do céu, ajudai-me! A autópsia revelará que o coração tinha sido atravessado em três pontos.
No dia 15 de novembro toda a cidade de Roma se apinha nas ruas, do Hospital do Espírito Santo para o cemitério, a fim de ver passar o caixão da religiosa mártir. Os jornais do tempo referem que estavam presentes mais de 200 mil pessoas.
No dia 12 de novembro de 1972, Paulo VI elevou às honras dos altares, com o título de Beata, a Irmã Agostinha Lívia, falecida aos 30 anos. Ela foi canonizada no domingo, 18 de abril de 1999 por João Paulo II.
Esta Santa tinha feito a promessa solene: Ofereço-me a Deus para amar Nosso Senhor Jesus Cristo e para servi-Lo na pessoa dos pobres. Prometeu e cumpriu.
 
Fontes: www.vatican.va; Santos de Cada Dia, Pe. José Leite, S.J.