sexta-feira, 30 de maio de 2014

Santa Petronília, mártir - 31 de maio

  
  

     Aurélia Petronília é romana de sangue patrício. Descendente de Tito Flávio Petrônio, estava aparentada com a família imperial dos Flávios. Além do seu nome patronímico, temos prova disso reparando que ela foi sepultada no cemitério de Flávia Domitila: era então regra absoluta, vinda dos costumes pagãos, não admitir no cemitério familiar qualquer pessoa fora da “gens”. Pertencia contudo ao ramo cristão, não reinante, dessa família.
     Petronília foi provavelmente catequisada e batizada por São Pedro. Por esta razão, vários documentos dão-lhe o nome de “filha de Pedro”. Esta virgem tinha pelo príncipe dos Apóstolos grande veneração e mereceu ser objeto da sua mais paternal ternura, de maneira que foi considerada sua filha espiritual adotiva.
     Nos tempos seguintes, a expressão filha de São Pedro enganou, e uma opinião errônea impôs-se até ao século XVII, segundo a qual Petronília foi verdadeiramente filha de São Pedro, nascida antes da vocação apostólica deste último. E, dizendo-se a França a Filha Primogênita da Igreja, o que vem dos tempos de Clóvis, não admira que tenha tomado Santa Petronília como sua protetora (a França é a primeira “filha” da Igreja Católica, porque foi o primeiro grande país da Europa Ocidental a se converter ao Cristianismo, assim como Petronília é a “filha” do primeiro Chefe da Igreja).
     As Actas dos Santos Nereu e Aquileu, exilados com Flávia Domitila na ilha Ponza e martirizados no tempo de Domiciano (81-96), contêm uma carta dirigida por Marcelo, filho de Marcos, prefeito de Roma, a estes santos quando estavam exilados. Este documento narra a cura miraculosa da nossa virgem Petronília que, segundo afirma, se consagrara ao serviço de São Pedro. Atacada de paralisia, depressa se viu impossibilitada de fazer o seu trabalho. Tito, discípulo do Apóstolo, perguntou-lhe então: “Por que não a curas?” – “Porque é bom para ela estar assim”. Mas para não parecer que estas palavras escondessem incapacidade: “Levanta-te”, manda São Pedro à paralítica, “e serve-nos!” Fê-lo imediatamente.
     Um afresco das catacumbas de Flávia Domitila, em Roma, representa uma mulher, chamada Veneranda, recebida no céu por “Petronella mart”. Este afresco, um dos mais antigos da Cristandade, encontra-se atrás da abside da basílica subterrânea que o Papa Sirício (cujo papado durou de 384 a 399) mandou construir, entre 390 e 395, na Via Ardeatina, conhecida como Via Domitilla. Esta basílica foi descoberta em 1874.
     Fica assim provado que Petronília era objeto de culto; ora, é sabido que nessa época o culto só podia ser dos mártires. E temos a certeza de que se trata sem dúvida da nossa Santa, pois as Actas de Nereu e Aquileu especificam que Petronília foi, na verdade, sepultada na propriedade de Domitila. A Santa deve, portanto, incluir-se entre as virgens mártires.
     O sarcófago que conservava os restos de Santa Petronília foi transferido para a basílica pontifical pelo Papa Paulo I, em 757, e o Papa Leão III (795-816) dotou o seu altar de ricas ornamentações; ela se encontra, desde então, na Basílica de São Pedro.
     Santa Petronília é representada com a palma do martírio, frequentemente em companhia de São Pedro. Ela é invocada contra febres, pois ela teria sofrido muito com esse problema. Quanto ao nome, Petronília vem de Petrônio, e não de Pedro, e é o diminutivo de Petronia.
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     A devoção da França pela Santa perdurou: Carlos Magno, Imperador francês, em meados do ano 800 foi visitar a capela onde repousava o corpo de Petronília e pareceu ter uma profunda veneração por ela. Aliás, desde a época de Carlos Magno, Petronília ficou conhecida como padroeira dos reis da França, tornando-se sua padroeira nacional.
     Luís XI tinha por ela uma grande veneração; ele dirigiu a ela fervorosas orações durante a doença do delfim, o futuro Carlos VIII. Este último tendo sido curado, o rei mandou embelezar a capela de Santa Petronília. Ela é a patrona dos delfins de França.
     Durante o reino de Luís XII, o Cardeal Jean de Bilhères Lagraulas encomendou ao jovem escultor Michelangelo uma Pietá para decorar a capela de Santa Petronília - pequeno edifício próximo da basílica constantiniana de São Pedro de Roma e lugar de encontro dos franceses em Roma antes da construção da Igreja São Luís dos Franceses. Todo ano, no dia 31 de maio, dia da festa da Santa, é rezada uma Missa pela França nessa capela e todos os franceses de Roma são convidados a comparecer.
 
Fontes: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J., 3a. edição;

terça-feira, 27 de maio de 2014

Santas Bárbara Kim e Bárbara Yi, Mártires - 27 de maio

    


      Durante a dura perseguição estatal contra a Igreja Católica na Coreia, estas católicas morreram no cárcere por defenderam sua fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Além de perderem a liberdade, elas morreram de tifo na prisão. Bárbara Kim e Bárbara Yi faleceram em 1839.
     Bárbara Kim Obi nasceu em 1805, em Shi-heung, província de Kyonggi; sua família era pobre, mas católica de grande devoção. Embora relutasse em casar-se, seu pai insistiu e ela finalmente desposou um pagão que não pensava em se converter. Ele permitiu que ela batizasse a filha, mas os filhos não. Ela teve muitos problemas religiosos com o marido até a morte dele. Aos 30 anos tornou-se criada em uma casa onde pode aderir de todo coração a Deus. Após a morte do marido se dedicou à oração e as boas obras; com a chegada de sacerdotes à região, pode tê-los como seus diretores espirituais.
     Bárbara Yi nasceu em Ch'ongp'am, Seul, em 1825. Era sobrinha de Santa Madalena Yi Yong-hui e de Santa Bárbara Yi Chong-hui, que também deram a vida pela fé e foram canonizadas com a sobrinha. Esta jovem martirizada aos 15 anos fora viver com as tias por ocasião da morte de seus pais.
     Estas Santas foram beatificadas por Pio XI em 5 de julho de 1925 e canonizadas por João Paulo II em 6 de maio de 1984.
 
Fonte: “Año Cristiano” - AAVV, BAC, 2003
A Igreja na Coreia do Sul
     A Igreja coreana tem uma característica única que é de ter sido fundada e sustentada por leigos. Desde o início de 1600 a fé católica apareceu na Coreia transmitida por delegações que todos os anos visitavam Pequim, China, para um intercâmbio cultural com aquela Nação.
     Na China os coreanos tiveram contato com a fé católica levando para sua pátria o livro do grande jesuíta, Pe. Mateus Ricci, "A verdadeira doutrina de Deus", e um leigo, Lee Byeok, grande pensador, inspirando-se no livro do famoso missionário jesuíta, fundou uma primeira comunidade cristã muito ativa.
     Por volta de 1780, Lee Byeok, pediu a um amigo, Lee-sunghoon, que fazia parte de uma delegação cultural em visita a China, que se batizasse e ao retornar trouxesse livros e escritos religiosos para se aprofundarem na nova fé.
     Na primavera de 1784, o amigo retornou com o nome de Pedro, dando um forte impulso à comunidade. Não conhecendo bem a natureza da Igreja, o grupo se organizou com uma hierarquia própria celebrando o Batismo, como também a Crisma e a Eucaristia.
     Informados pelo bispo de Pequim que para ter uma hierarquia era necessário ter a sucessão apostólica, eles pediram ao bispo que enviasse sacerdotes o mais rápido possível. O Pe. Chu-mun-mo foi enviado e a comunidade coreana logo cresceu atingindo em pouco tempo milhares de fieis.
     Mas, também na Coreia se desencadeou uma perseguição em 1785, e se recrudesceu sempre mais até que em 1801 o único padre também foi assassinado. Isto entretanto não paralisou o crescimento da comunidade coreana.
     Em 1802, o rei emanou um edito de Estado no qual ordenava o extermínio dos cristãos como a única solução para sufocar o germe daquela "loucura".
     Os católicos coreanos, sozinhos e sem direção espiritual, rogavam continuamente ao bispo de Pequim e também ao Papa, que enviassem sacerdotes para eles. Mas as condições locais somente permitiram que em 1837 fossem enviados um bispo e dois sacerdotes da Missão Estrangeira de Paris, os quais penetraram clandestinamente na Coreia e foram martirizados dois anos depois.
     Uma segunda tentativa levada a cabo por Santo André Kim Taegon conseguiu fazer entrar um bispo e um sacerdote no país; desde aquele momento a presença de uma hierarquia católica na Coreia não mais deixará de existir, não obstante a perseguição de 1866. Em 1882, o governo decretou a liberdade religiosa.
     Nas perseguições coreanas, segundo fontes locais, houve mais de dez mil mártires, dos quais 103 foram beatificados em dois grupos distintos em 1925 e 1968; depois foram canonizados conjuntamente em 6 de maio de 1984 em Seul, Coreia, por João Paulo II. Destes 10 são estrangeiros, 3 bispos, 7 sacerdotes; os outros são coreanos, catequistas e fieis.

sábado, 24 de maio de 2014

Nossa Senhora, Auxiliadora dos Cristãos - 24 de maio

    
  

    No ano 1571, Selim I, imperador dos turcos, após conquistar várias ilhas do Mediterrâneo, lançou seu olhar de cobiça sobre toda a Europa. O Papa Pio V, diante da inércia das nações cristãs, resolveu organizar uma poderosa esquadra para salvar os cristãos da escravidão muçulmana. Para tanto, invocou o auxílio da Virgem Maria para este combate católico.
     A vitória aconteceu no dia 7 de outubro de 1571. Afastada a perseguição maometana, o Santo Padre demonstrou sua gratidão à Virgem acrescentando nas ladainhas loretanas a invocação: Auxiliadora dos Cristãos.
     No entanto, a festa de Nossa Senhora Auxiliadora só foi instituída em 1816, pelo Papa Pio VII, a fim de perpetuar mais um fato que atesta a intercessão da Santa Mãe de Deus: Napoleão I, empenhado em dominar os Estados Pontifícios, foi excomungado pelo Sumo Pontífice. Em resposta, o imperador francês sequestrou o Vigário de Cristo, levando-o para a França. Movido por ardente fé na vitória, o Papa recorreu à intercessão de Maria Santíssima, prometendo coroar solenemente a imagem de Nossa Senhora de Savona logo que fosse liberto.
     O Santo Padre ficou cativo por cinco anos, sofrendo toda espécie de humilhações. Uma vez fracassado, Napoleão cedeu à opinião pública e libertou o Papa, que voltou a Savona para cumprir sua promessa. No dia 24 de maio de 1814, Pio VII entrou solenemente em Roma, recuperando seu poder pastoral. Os bens eclesiásticos foram restituídos. Napoleão viu-se obrigado a assinar a abdicação no mesmo palácio onde aprisionara o velho pontífice.
     Para marcar seu agradecimento à Santa Mãe de Deus, o Papa Pio VII criou a festa de Nossa Senhora Auxiliadora, fixando-a no dia de sua entrada triunfal em Roma.
     O grande apóstolo da juventude, Dom Bosco, adotou esta invocação para sua Congregação Salesiana porque ele viveu numa época de luta entre o poder civil e o eclesiástico. A fundação de sua família religiosa, que difunde pelo mundo o amor a Nossa Senhora Auxiliadora, deu-se sob o ministério do Conde Cavour, no auge dos ódios políticos e religiosos que culminaram na queda de Roma e destruição do poder temporal da Igreja. Nossa Senhora foi colocada à frente da obra educacional de Dom Bosco para defendê-la em todas as dificuldades.
     No ano de 1862, as aparições de Maria Auxiliadora na cidade de Spoleto marcaram um despertar mariano na piedade popular italiana. Nesse mesmo ano, São João Bosco iniciou a construção, em Turim, de um santuário que foi dedicado a Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos.
     A partir dessa data, Dom Bosco, que desde pequeno aprendeu com sua mãe Margarida a confiar inteiramente em Nossa Senhora, ao falar da Mãe de Deus lhe unirá sempre o título Auxiliadora dos Cristãos. Para perpetuar o seu amor e a sua gratidão para com Nossa Senhora e para que ficasse conhecido por todos e para sempre que foi "Ela (Maria) quem tudo fez", quis Dom Bosco que as Filhas de Maria Auxiliadora, Congregação por ele fundada juntamente com Santa Maria Domingas Mazzarello, fosse um monumento vivo dessa sua gratidão.
     Dom Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de Auxiliadora. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com Dom Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de Ela ser conhecida também como a "Virgem de Dom Bosco".
     Escreveu Dom Bosco: "A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso".

 

Santa Amália, Mártir de Tavio - 24 de maio

    
     O calendário de dezembro está cheio de belos nomes femininos: Bibiana, Bárbara, Valéria, Eulália, Lúcia, Adelaide, Eugênia, Anastásia, e assim por diante. Nomes bonitos no som e na memória da santidade que eles evocam.

     Não há, porém, nem em dezembro nem no resto do ano, uma Santa com o nome de Amália, semelhante no som, mas diferente na origem e no significado daquele de Amélia, talvez derivado do nome latino de Emiliana.
     No entanto, em muitos calendários na data de hoje vem indicado o nome - de origem alemã - de Santa Amália. Vejamos por que. No dia de hoje é comemorado um grupo de mártires presos na perseguição de Décio, na metade do século III, e condenados à morte em Alexandria, no Egito. Trata-se de dois homens, Epimaco e Alexandre, e três mulheres, Mercúria, Dionísia e Ammonaria. Este último nome, de forma incomum, foi então trocado pelo mais usual, Amália.
     Vale a pena notar, no entanto, que os nomes originais das três mulheres de Alexandria: Mercúria, Dionísia e Ammonaria, correspondem aos nomes de muitos deuses pagãos: Mercúrio, Dionísio e o Ammon egípcio. Por coincidência, ou por um deliberado simbolismo, as três mulheres cristãs tinham nomes pagãos, como se quisessem esconder uma realidade espiritual bem diferente.
     Entretanto, além de seus nomes, sabe-se muito pouco delas. O Martirológio Romano diz das três: "A primeira delas, depois de superar todo tipo de tormentos, foi abatida pela espada, terminando santamente sua vida. Quanto às outras, tendo o juiz se envergonhado por se ver superado pelas mulheres, e temendo que se ele usasse contra elas os mesmos tormentos seria vencido pela sua perseverança inabalável, mandou decapitá-las em seguida".
     Ammonaria, portanto, havia sofrido as torturas com tanta firmeza que pusera por terra o zelo do juiz. Uma crise de consciência por parte de um funcionário imperial não é muito frequente nas histórias dos Mártires. Basta por si só para constituir título de grande elogio para Santa Ammonaria, ou seja, para Santa Amália.
     Mas o breve vacilo de consciência do juiz foi logo superado da maneira mais viva e definitiva: para não correr riscos, ele imediatamente se livrou das outras duas mulheres cristãs mandando decapitá-las.
     Quando o juiz viu a fortaleza da jovem, titubeou e pensou na origem da força que os cristãos demostravam diante dele para defender sua fé no Crucificado. Meditando seriamente no que tinha que fazer com a jovem, mandou que lhe cortassem a cabeça. Após a decapitação, o juiz continuou pensando no ocorrido e não se sentia feliz, porque no fundo havia agido contra sua consciência, pois ele não vira nada de falso e de mal nela.
     Qual era seu problema? Ou bem ele morria sendo coerente com sua consciência, ou fazia o que fez, tinha que obedecer as ordens do imperador... Outros juízes, a história o comprova, diante de uma verdade tão clara se converteram ao Cristianismo. O que não aconteceu com este juiz de Alexandria.
 
Etimologia: Amália = ativa, enérgica, do ostrogodo.                                   Fonte: santiebeati.it 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Santa Rita de Cássia, Viúva e religiosa - 22 de maio

    
     A primeira parte da vida de Rita é obscura, as fontes escritas são um pouco tardias; a maior parte das biografias compostas com dados certos concorda ter ela nascido em Roccaporena, cerca de cinco quilômetros de Cascia, Itália, e que seu nome deriva do nome Margarida (Margherita em italiano). Estudos e pesquisas confirmam que ela nasceu em 1381 e morreu em 1457, mas por muitos anos tinha sido aceite, respectivamente, 1371 e 1447 (Pe. Agostinho Trapè, A mensagem de Rita). Rita morreu em idade avançada em relação ao tempo e à maneira que ela viveu: fontes dizem que nos 40 anos de reclusão ela sujeitava seu corpo a contínuos jejuns e penitências.
     Rita era a filha única de Antonio Lotti e Amata Ferri, descritos como pessoas muito religiosas e "pacificadores de Cristo" nas lutas políticas entre os guelfos e gibelinos e familiares. Diz a legenda que Rita nasceu quando seus pais estavam em idade avançada. Eles lhe ensinaram a ler e a escrever, e a educaram nos valores cristãos.
     O primeiro evento considerado milagroso pela tradição é o milagre das abelhas. Diz a legenda que enquanto seus pais estavam ocupados na colheita, a pequena Rita fora colocada debaixo de uma árvore em uma cesta. Um agricultor foi ferido com uma foice e deixou o trabalho para se tratar. Passando pela criança, viu as abelhas ao redor da cesta e, com a mão ferida, ele tentou afastá-las. A ferida foi curada. As abelhas não picavam a pequena Rita, ao contrário, depositavam mel na sua boca.
     As hagiografias descrevem-na como uma menina gentil, respeitosa e obediente. Fascinada pela família agostiniana, Rita quando jovem queria ser freira, mas seus pais aconselharam-na a decidir-se pelo casamento. Era costume da época que os casamentos fossem planejados, especialmente se os pais já não eram jovens.
     E assim, Rita aos quinze anos de idade casou-se com Paulo Mancini (também chamado Paulo de Ferdinando), comandante da guarnição de Collegiacone, descrito como um homem muito orgulhoso e autoritário, descendente da nobre família Mancini (os Mancini remontam ao século XI; foram originalmente chamados de Lucij, Lucii, ou Lucci; mudaram o nome a partir do século XVI).
     O casal teve dois filhos, talvez gêmeos, chamados Antonio e Paulo Maria. Rita dedicou-se incansavelmente à sua família, criando as condições para a conversão de seu marido. Com efeito, levou o marido à fé e educou seus filhos na religião.
     O casamento durou cerca de dezoito anos, quando Paulo Mancini foi morto à noite, perto de Collegiacone, a caminho de casa, provavelmente devido à mágoas passadas, por seus antigos companheiros e amigos. Rita, fiel até o fim, perdoou os assassinos de seu marido, mas se angustiou quando ela percebeu que seus filhos queriam tomar o caminho da vingança. Ela então rezou a Deus preferindo a morte deles a vê-los responsáveis ​​por atos de violência que pudessem comprometer a salvação de suas almas. Pouco depois ambos adoeceram e morreram.
A entrada no mosteiro
     Tendo ficado sozinha, Rita queria realizar o desejo que nutrira em sua juventude: emitir seus votos e dedicar-se completamente a Deus, e na família agostiniana, que era muito presente no mosteiro de Santa Maria Madalena de Cássia. Três vezes ela pediu em vão para entrar no mosteiro de Santa Maria Madalena. Sua viuvez e talvez também as implicações do assassinato de seu marido podiam ter-lhe bloqueado a entrada do mosteiro.
     Mas Rita encontrou uma terceira via. Era uma tradição medieval que quando alguém fosse ofendido por um assassinato, a pessoa lesada, para vingar o morto, devia nomear um membro da família para matar seu assassino. Rita impediu que mais sangue fosse derranado perdoando os assassinos e fez com que seus parentes fizessem o mesmo, abandonando todos os projetos de vingança. Tendo pacificado os ânimos e reconciliado a família de seu marido e a do assassino, Rita entrou no mosteiro com a bênção dos familiares de seu esposo.
     Segundo a tradição, Rita, no meio da noite foi levada para dentro dos muros do mosteiro por seus três santos padroeiros (Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau de Tolentino) a partir da rocha de Roccaporena (onde muitas vezes ela ia rezar). Assim, a abadessa, convencida da fé de Rita, aceitou-a no mosteiro, onde viveu até sua morte. Durante o noviciado a abadessa, para testar sua vocação, mandou que ela regasse uma videira seca que havia no claustro do Mosteiro. Do amor e da constância que ela empenhou no cuidado da madeira seca resultou a restauração da planta, que passou a dar muitos frutos. Ainda hoje é possível admirar no claustro a videira maravilhosa que a cada ano produz abundantes frutos, bem como o admirável jardim de rosas, antes de concluir a visita ao Mosteiro.
O culto, alguns episódios
     Há muitos sinais sobrenaturais atribuídos a Santa Rita de Cássia pelos fieis: na noite de Sexta-feira Santa, após o sermão do Frei Joaquim da Marca, fascinada pela descrição da Paixão de Cristo, ela teria pedido e recebido um espinho da coroa de Cristo sobre a testa. Após tal evento, a madre superiora recusou o pedido da santa para ir a Roma em peregrinação com as outras freiras. Mas, de acordo com a tradição, no dia da partida o espinho desapareceu e assim Rita pode ir. Santa Rita portou o espinho nos seus últimos quinze anos de vida.
     Teriam aparecido abelhas brancas em seu berço no dia do batismo, abelhas negras em seu leito de morte; uma rosa vermelha floresceu no inverno e dois figos na árvore existente no jardim de sua casa. Antes de morrer, ela pediu a sua prima para ir buscá-los em seu quintal em Roccaporena. A prima, descrente, pensava que ela estava delirando, mas ela encontrou, numa época de neve e de frio, uma belíssima rosa vermelha e dois figos maduros na árvore, sinal interpretado como a salvação das almas de seu marido e de seus filhos.
A canonização
     Sua morte ocorreu em 22 de maio de 1457; seu corpo foi colocado em um caixão feito de madeira de álamo, e depois em outro. Os primeiros milagres, depois de examinados, eram devidamente registrados no Código dos Milagres, entre os quais está presente o de Cecco Barbari que era coxo, mas assim que quis arrumar o corpo de Rita dignamente, teve a perna curada; como gesto de devoção, ele mesmo fabricou o caixão em que ela foi sepultada. Posteriormente, foi feito um caixão solene com o verdadeiro rosto da Santa e uma inscrição que resume os últimos anos de sua vida, ainda hoje conservado na cela onde ela morreu, na parte antiga do Mosteiro de Cássia.
     A veneração dos fieis por Rita de Cássia começou logo após a sua morte e foi caracterizada pelo grande número e qualidade dos eventos prodigiosos alcançados por sua intercessão, tanto que ela recebeu o título de "santa dos impossíveis". Sua beatificação ocorreu em 1627, 180 anos após sua morte, durante o pontificado de Urbano VIII, que havia sido bispo de Spoleto. Leão XIII canonizou-a em 1900.
     Os seus devotos chamam-na de "santa dos impossíveis", porque desde o dia de sua morte ela tem realizado milagres muito prodigiosos, coisas consideradas impossíveis. A devoção católica a Santa Rita Católica ainda é sem dúvida uma das mais populares do mundo, reunindo fiéis de todos os cantos da Terra; tem-se documentado grupos de fiéis também na Austrália.
     Uma estátua de Santa Rita de Cássia, localizada no complexo turístico religioso localizado no município de Santa Cruz, RN, é a maior de todo o continente americano e a maior imagem católica do planeta, com 56 metros de altura. A construção foi iniciada em novembro de 2007 e foi inaugurada em 26 de junho de 2010; é administrada pela Paróquia de Santa Cruz. A cidade localiza-se a 115 km da capital do Estado, Natal. De acordo com o censo realizado pelo IBGE no ano 2012 sua população é de 36.477 habitantes.
O corpo da Santa
     Os restos mortais da santa são conservados na Basílica de Santa Rita em Cascia, Itália, O corpo está revestido do hábito costurado pelas monjas agostinianas do Mosteiro, como desejado pela Beata Madre Teresa Fasce, e está em uma caixa de vidro e prata na capela em estilo neobizantino. Nas paredes estão retratadas magníficas pinturas que representam as principais etapas de sua vida. Tudo está por trás de uma grade de ferro forjado.
     Pesquisas médicas recentes confirmaram a presença na área frontal esquerda traços de uma lesão óssea aberta, enquanto o pé direito mostra sinais de uma doença sofrida nos últimos anos de vida, talvez associada à ciática. Ela tem 1,57 m de altura. A face, as mãos e os pés estão mumificados, o resto do corpo, coberto pelo hábito agostiniano, está na forma de esqueleto.
     Com a reforma do ano litúrgico no Martirológio Romano, o dia 22 de maio, sua festa, tornou-se memória.
Sta Rita de Cássia, Santa Cruz do Sul, RN

domingo, 18 de maio de 2014

Beata Pina Suriano, Leiga - 19 de maio

    
     Nasceu em Partinico (Itália), centro agrícola da província de Palermo, a 18 de fevereiro de 1915; foi batizada no dia 6 de março com o nome de Giuseppina (Josefina em português), mas será sempre conhecida com o diminutivo: Pina.
     Os seus jovens pais, José e Graziela Costantino, viviam dos modestos proventos do trabalho nos campos; a família era profundamente religiosa o que refletia no ânimo sereno de Pina. De índole dócil e submissa, interessava-se pelas coisas simples da vida relacionadas com o sentido religioso que será, ao longo de toda a sua vida, o primeiro dos seus interesses. Pina recebeu em família a primeira educação moral e religiosa, que depois foi aperfeiçoada, a partir dos 4 anos de idade, quando entrou no asilo das Irmãs "Collegine de San Antonio".
     Em 1922, à distância de poucos dias um do outro, recebeu os Sacramentos da Penitência, da Primeira Comunhão e da Confirmação. Com apenas doze anos, entrou na Ação Católica.
     Começou a inserir-se na vida paroquial e diocesana, participando ativamente em todas as iniciativas da Ação Católica e nas que eram ditadas pela necessidade dos problemas locais. Fez da sua paróquia o centro de todas as suas ações, em colaboração com o pároco, Pe. Antonio Cataldo, que era o seu diretor espiritual e confessor.
     Em 1937, após a instituição da nova paróquia de Nossa Senhora do Rosário, devido sua residência estar naquela jurisdição, Pina passou a frequentá-la e teve como confessor e diretor espiritual o Pe. Andrea Soresi, que foi posteriormente o seu biógrafo.
     De 1939 a 1948 foi secretária da A.C. e, posteriormente, foi nomeada Presidente das jovens da A.C. Fundou a Associação das Filhas de Maria, da qual foi Presidente até à morte.
     Pina Suriano baseou todo o seu apostolado e espiritualidade na trilogia da A.C.: “Oração, Ação, Sacrifício”, a qual acrescentou a Santa Missa, a Comunhão, a meditação quotidiana, o estudo da palavra de Deus e a obediência ao magistério eclesiástico.
     Embora sendo uma filha perfeita, que de boa vontade realizava os serviços para a família, Pina teve que enfrentar a oposição de sua mãe que não queria que ela se dedicasse tanto à Igreja, pois desejava para ela o estado matrimonial, que entretanto não estava em suas cogitações. O empenho religioso de Pina era resultado de uma convicção e de uma escolha de vida, e nesse contexto ela fez o voto de castidade em 29 de abril de 1932, na pequena igreja das Filhas da Misericórdia e da Cruz, que era a sede social da Juventude Feminina da A.C. de Partinico.
     Como prova da seriedade do voto emitido, Pina renovava-o todos os meses, com a autorização do seu diretor espiritual, recusando as várias propostas de matrimônio que lhe foram feitas por mais de um jovem. Era grande o seu desejo de se fazer religiosa, mas encontrou grandes dificuldades na oposição dos seus pais. Visto que para ela o caminho da vida religiosa não se abria, quis dar a Jesus a última prova do seu imenso amor e, a 30 de março de 1948, com outras três companheiras, ofereceu-se como vítima pela santificação dos sacerdotes.
     Antes que o sofrimento desejado e ofertado se apresentasse em sua jovem vida, em setembro de 1948 com grande alegria Pina foi a Roma em peregrinação por ocasião de uma celebração da Juventude Feminina.
     No mesmo ano de 1948, manifestou-se uma forma de artrose reumática tão violenta que provocou uma deficiência cardíaca; nos meses seguintes Pina sofria muito, mas estava feliz porque a oferenda de vítima para a santificação dos sacerdotes fora aceita.
     Ela desejou muito voltar a Roma para assistir à canonização de Santa Maria Goretti, que aconteceu em 24 de junho de 1950, mas faleceu repentinamente, vítima de um infarto, em 19 de maio de 1950, com apenas 35 anos.
     O funeral foi solene, com a participação de muita gente convencida de que havia morrido uma santa; ela foi sepultada no túmulo da família no cemitério de Partinico. Em 8 de maio de 1969 seus restos mortais foram definitivamente transladados para a igreja paroquial do Sagrado Coração de Partinico.
     Ela foi beatificada em Loreto, no dia 5 de setembro de 2004. Determinante para sua beatificação foi um milagre obtido por sua intercessão pela jovem Isabel Mannone, de 18 anos, de Mazara del Vallo.
     Pina amou a Jesus com um amor ardente e fiel, até o ponto de poder escrever com toda sinceridade: “Não faço mais que viver de Jesus”. Dirigia-se a Jesus com coração de esposa: “Jesus, faz-me sempre tua. Jesus, quero viver e morrer contigo e para ti”. 
 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Maria Gaetana Agnesi, Matemática - 16 de maio


Ilustre pela Ciência e sublime pela Virtude
    
     Maria Gaetana Agnesi nasceu em Milão no dia 16 de maio de 1718, em uma família rica e culta. Seu pai, Pietro Agnesi, professor de matemática da Universidade de Bolonha, teve vinte e três filhos com suas três esposas, sendo Maria a primogênita. Pietro tinha condições de oferecer a Maria os melhores tutores para que ela pudesse ter uma educação privilegiada. Dessa maneira, proporcionou-lhe uma educação privada primorosa, que lhe possibilitou adquirir conhecimentos profundos em várias áreas, o que não era hábito das damas desse século.
     Aos nove anos de idade, publicou um discurso em latim que defendia um ensino de alta qualidade para as mulheres. Ao contrário do que muitos pensaram, Maria não havia escrito o discurso, mas fizera a tradução para o latim a partir do original escrito por um de seus tutores. Entretanto, Maria fez o discurso em público, sem recorrer à leitura, para uma audiência acadêmica, organizada por seu pai.
     Aos 13 anos, além do italiano e do latim, sabia cinco outras línguas: grego, hebreu, francês, espanhol e alemão e, por isso, a chamavam de: O Oráculo das Sete Línguas. Quando tinha 15 anos, o pai a introduziu num círculo de intelectuais, onde todos se admiravam com a sua genialidade na área da Matemática, da Física e da Filosofia.
     Em 1738, publicou uma série de estudos filosóficos chamado Propositiones Philosophicae. Essa obra continha 191 teses que Maria defendera publicamente na presença de importantes convidados nacionais e internacionais. Seu pai os convidava e ela, apesar de não apreciar muito falar em público, obedecia.
     Certo dia, Maria confessou ao pai seu desejo de tornar-se freira, mas ele, desejoso da companhia da filha, implorou-lhe que mudasse de ideia. Maria aceitou apenas sob três condições: ir à Igreja sempre que quisesse, vestir-se de maneira simples e humilde e não precisar frequentar festas, teatros e outras diversões que considerava profanas.
     A partir daí, concentrou seus esforços para estudar Religião e Matemática. Maria tinha que aprender Matemática praticamente sozinha - um feito reservado a pouquíssimas pessoas - mas teve a sorte de Ramiro Rampinelli, professor de matemática da Universidade de Roma e Bolonha, chegar em Milão e se tornar um assíduo frequentador de sua casa. Foi ele quem a ajudou a estudar os textos de Cálculo do matemático Reyneau.
     Através de Rampinelli, Agnesi entrou em contato com o matemático Riccati, que foi de vital importância na revisão da obra que lhe daria grande reconhecimento. Esse trabalho foi publicado em 1748, numa obra em dois volumes, intitulada Istituzioni Analitiche ad uso della Gioventù Italiana com temas de Álgebra, Geometria e Cálculo Infinitesimal. O aparecimento desse livro causou grande sensação ser uma publicação feita por uma senhora e desenvolvida com maestria, envolvendo questões matemáticas consideradas profundas e difíceis.
     Tamanho foi o sucesso dessa obra que a Academia de Ciências de Paris publicou um relatório onde dizia: "... Muita habilidade, como a autora demonstrou ter, foi necessária para reduzir e quase uniformizar os métodos que estas descobertas geraram ao longo dos trabalhos de matemáticos modernos, frequentemente muito diferentes entre si. Ordem, clareza e precisão reinam em todas as partes deste trabalho... Nós o consideramos como o mais completo e melhor tratado já feito".
     A primeira seção de Istituzioni Analitiche trata da análise de quantidades finitas, dos problemas elementares de máximo e mínimo, tangentes e dos pontos de inflexão. A segunda seção discute a análise de quantidades infinitamente pequenas. A terceira seção é sobre o Cálculo Integral e apresenta uma discussão geral do estado do conhecimento. A última seção trata do método inverso das tangentes e das equações diferenciais. No volume 2 é apresentada uma extensa discussão sobre a curva cúbica, conhecida como Curva de Agnesi.
     A contribuição matemática mais importante de Agnesi foi a primeira tradução francesa dos Principia de Newton, publicada postumamente em 1756, com um prefácio de Voltaire e sob a direção de Clairaut.
     Por volta de 1750, Agnesi foi convidada para ocupar a cadeira de Matemática na Universidade de Bolonha, mas sua vida, em seguida, tomaria um rumo completamente diferente.
     Com a morte do pai, movida pelos seus sentimentos religiosos, deixou a docência e recolheu-se em um convento para se dedicar aos que sofriam de doenças graves. Quando a instituição Pio Istituto Trivulzo foi aberta, Maria ficou encarregada de sua direção. Esse Instituto era uma casa para doentes e enfermos, aos quais ela se dedicou inteiramente, doando toda a sua fortuna e trabalhando ali até a sua morte.
     Maria era uma pessoa delicada e muito tímida. Nunca teve ambição de se tornar uma matemática famosa a despeito de seu gênio brilhante. Alguns dizem que ela apenas se interessou por matemática para agradar ao pai.
     Não obstante, a sua inteligência e o seu talento tornaram possível integrar todo o conhecimento de mais alto nível sobre Cálculo da época de uma maneira muito clara. Maria Agnesi é reconhecida como a primeira mulher matemática a ter produzido textos de alta qualidade científica.
     Morreu em janeiro de 1799, com 81 anos de idade, no seu hospital. Pode dizer-se que foi ilustre pela Ciência e sublime pela Virtude.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Santa Cesária, Eremita em Otranto - 15 de maio

    
     Santa Cesária nasceu em um dezembro do século XIV, filha de Luís e Lucrécia, graça alcançada após dez anos de matrimônio e ao final de uma piedosa prática da devoção sabatina, sugerida pelo eremita José Benigno.
     Ao ficar órfã de mãe ainda adolescente, Cesária foi obrigada a abandonar a casa dos pais para fugir das insanas tentações do pai; ela se refugiou em uma gruta da marinha de Castro, sob um outeiro rochoso próximo de Otranto.
     Ali ela enfrentou uma vida de privações e de oração, devotada a uma dedicação total a Deus, tornando-se uma eremita cuja fama se estendeu em toda a região de Otranto. Após sua morte, ocorrida na gruta, de onde nunca saíra, já no século XIV uma igreja foi erguida no local, a qual tornou-se um centro de seu culto.
     Em 1924 esta igreja foi confiada aos Franciscanos que a substituíram por uma nova, erigida depois em paróquia em 1954.
     Em honra de Santa Cesária outras igrejas foram erguidas nos centros do Salentino, em particular em Francavilla Fontana (Brindisi) que algumas tradições consideram como a pátria de origem da Santa.
     Patrona do Porto Cesário na província de Lecce, a sua festa litúrgica é em 15 de maio.
     A cidade de Santa Cesária Terme festeja a sua patrona em 11 de setembro de cada ano, data tradicionalmente conhecida como a data da fuga de Cesária, com uma procissão que depois de ter percorrido todas as ruas da cidade termina com um cortejo de barcas até a gruta onde ela teria vivido e morrido.
     O culto da Santa é muito difundido por toda a região da Puglia (Itália) e o nome de Cesária é muito usado em toda a província de Lecce.
 
Etimologia: Cesária = feminino de Cesário do latim Caesarius, "devoto de Cesar" ou segundo outros autores, "cabelos longos", "cabeludo".
 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Santa Inês de Poitiers, Abadessa - 13 de maio

    

     Inês foi educada “ab ineunte aetate loco filiae” pela Rainha da França, Santa Radegunda. Depois de ter-se retirado da corte, Santa Radegunda fundou o mosteiro de Santa Cruz de Poitiers, a mais antiga abadia feminina, e como não desejasse para si o encargo de abadessa, pediu que Inês assumisse aquela função. Atendendo ao pedido de sua benfeitora, Inês tornou-se a 1ª abadessa de Santa Cruz de Poitiers, com a bênção abacial dada por São Germano, Bispo de Paris, na presença de outros bispos.
      Depois de alguns anos, devido a disputas entre o mosteiro e o bispo da cidade, Meroveu, por questões de jurisdição, a Santa resolveu oportuno se retirar temporariamente para Arles, juntamente com Radegunda. Ao retornar, ela introduziu no mosteiro a regra de São Cesário, bem como para a abadia feminina de São João de Arles.
     A prudência com que Inês exercia a difícil arte de governo, além de atrair mais de 200 religiosas ao mosteiro, fez com que após a morte de Santa Radegunda fosse possível a reconciliação com Meroveu, que teve uma alta direção do cenóbio.
     A vida destas duas Santas no interior do mosteiro foi expressa nas palavras de um poeta cujas obras chegaram até nós, Venâncio Fortunato, o último poeta latino da Gália, que foi por muitos anos capelão da Abadia da Santa Cruz. Ele nasceu na Itália c. 530 e morreu Bispo de Poitiers no início do século VII.
     Após visitar os reis e os bispos de França, ele foi apresentar seu apreço à Rainha Radegunda, viúva, madrasta dos reis, e ficou tão encantado com aquela comunidade intelectual e amável, bem como o seu refinamento, que ele permaneceu ali como capelão até o falecimento de Santa Radegunda.
     A rainha constantemente o enviava para importantes missões junto a vários personagens, e assim a comunidade ficava informada e se interessava por tudo o que acontecia em outros lugares. Ele cuidava dos negócios externos das monjas e tomava parte em suas ocupações. Elas liam e transcreviam livros, representavam peças de teatro, recebiam visitantes, tinham pequenas festas nos aniversários.
     Fortunato tornou-se apreciado por elas como fora por bispos santos e reis semicivilizados e encontrou na abadia um oásis de paz e refinamento em um deserto de bárbaros. Em seus escritos ele descreve a vida na abadia e as comidas, no que ele parece ter sido um connaisseur. Ele tomou Nosso Senhor como testemunha de que sua afeição por Inês era a de um irmão. Entre os seus poemas estão dois hinos adotados pela Igreja: Pange lingua e Vexilla Regis. Os Bollandistas preservaram a Vida de Sta. Radegunda escrita por ele, bem com outra vida daquela Santa escrita por uma das monjas.
     As Santas Radegunda e Inês tiveram muitos aborrecimentos com duas princesas desobedientes, Crodielde e Basine (ver Ludovera), que tinham sido postas sob seus cuidados. Após a morte destas duas dirigentes da Abadia de Santa Cruz, aquelas princesas se rebelaram contra Ludovera, a abadessa seguinte; uma delas exigia ofício como uma filha de rei, embora absolutamente desqualificada para a posição. Um grande escândalo se seguiu; bispos e reis tiveram que interferir e as senhoras refratárias foram removidas, para grande alívio de Ludovera e das monjas boas.
     Inês morreu em 13 de maio de 588, nove meses depois de Radegunda, e foi sepultada na Igreja de Santa Maria, fora dos muros da cidade.
     A Diocese de Poitiers celebra Santa Inês em 13 de maio. Ela é patrona dos Trinitários e contra os perigos no mar.
 
Etimologia: Inês = pura, casta, do grego.

sábado, 10 de maio de 2014

Santa Estela (Stella ou Eustelle), Mártir - 11 de maio

   
Quadro na Igreja de S Hilaire de Villefranche em Saintonge
     Eustelle é um nome de origem grega e significa "bem adornada (de virtudes)" (do grego "eu" = belo, bem e "stello"= adornar, ornar, enfeitar); este nome era muito popular na região de Charentes, mas o poeta Frederico Mistral tomou a santa como patrona de seu movimento literário e latinizou seu nome para Estelle, que significa "estrela".
     Esta Santa de origem francesa, chamada na França Estelle ou Eustelle, é venerada em Saintes (região histórica da França ocidental ao norte da Gironda, hoje compreendida no departamento de Charente-Maritime). Eustelle, ou Estela em português, foi por muito tempo a patrona das jovens cristãs.
     Esta Santa somente vai aparecer na literatura cristã na Idade Média, em particular no Guia do peregrino de Santiago de Compostela, no trecho que fala sobre a vida de Santo Eutrópio de Saintes. Na vida do mártir Santo Eutrópio, escrita em 1612 por um jesuíta anônimo, ela é apresentada como uma mártir.
     Estela era filha de um funcionário do pretor das Gálias no século III; foi convertida ao Cristianismo por Santo Eutrópio (festejado a 30 de abril), Bispo de Saintes, e quando o santo bispo sofreu o martírio mediante decapitação, Estela recolheu o seu corpo e o sepultou. Era uma obra piedosa que muitos cristãos praticavam para com seus mártires mesmo com o risco de serem aprisionados e mortos.
     Como a hagiografia áurea dos santos mártires narra de várias jovens e rapazes mártires dos primeiros séculos, também para Estela foi o pai, pagão, quem a fez morrer pouco tempo depois, ao que parece ela também decapitada. No local do seu martírio surgiu uma nascente d’água.
     Eis um extrato da obra de 1612: "Para aqueles que amam a virtude, não deixa de ser uma grande perda não ter as memórias das ações particulares de Santa Estela. Nós aí reconheceríamos sem dúvida o modelo de uma perfeita santidade, mesmo sem saber quanto tempo ela viveu e de que forma ela morreu. O antigo Breviário de Saintes dá a ela o título de Virgem e Mártir e coloca sua festa no dia 24 de maio; entretanto ele não diz nada além de sua morte, que se deu devido ao desprezo aos prazeres e às glórias do mundo; ela sofreu uma morte muito gloriosa e foi sepultada junto ao túmulo de Santo Eutrópio. Pode ser que seu pai, vendo que nem seus rogos nem suas ameaças podiam afastar a filha da Religião Cristã, e diante da promessa que ela havia feito a Deus de guardar inteira e sem desonra a flor de sua virgindade, ele ficou tão irritado, que se esquecendo de toda afeição natural, ensopou suas mãos no sangue inocente de sua santa filha, como fez Dióscoro, pai de Santa Bárbara, que cortou a cabeça de sua filha porque esta não quis seguir sua impiedade e renunciar a Jesus Cristo".
     Em 1655, ela foi declarada mártir nos documentos do priorado de Santo Eutrópio. Isto foi autenticado por Mons. Tomas, Bispo de Saintes, somente no século XIX.
     A sua festa se celebra em 11 de maio.
     Estela significa "luminosa como um astro" e, além da França, este nome é muito usado em toda Itália, especialmente na Sicília. Também são usadas as suas variantes femininas Estelita, Maristela, Estela Maria. Este nome afetivo em uso desde a Idade Media reflete sobretudo a devoção a Maria Santíssima, invocada como Maris Stella (Estela do Mar). No latim litúrgico há um belíssimo canto "Ave maris stella", onde Nossa Senhora, guia e fonte de salvação, é comparada à Estrela Polar, guia e referência para os navegantes.
 
Fonte: ww.santiebeati.it e Les Jeunes Saintes, par l'Abbé J. Knell, 1896