domingo, 28 de setembro de 2014

Beata Amália Abad Casasempere, Mãe de família e mártir - 28 de setembro

     Amália Abad Casasempere nasceu em 11 de dezembro de 1897 em Alcoy, Alicante, na Espanha. Foi batizada no mesmo dia na paróquia do seu povoado; foi crismada em 6 de  outubro de 1906 e recebeu a 1ª Comunhão em 22 de maio de 1907. Amália foi educada nos valores da fé e cresceu, como muitas jovens da sua geração, em meio às dificuldades políticas daquelas primeiras décadas do século XX, na Espanha.
     Em 6 de setembro de 1924, casou-se com o capitão do exército Luís Maestre Vidal, preocupando-se doravante em ser uma boa esposa e criar o ambiente adequado para criar os filhos que Deus lhes concederia. Nada levava a crer que, após a alegria do nascimento dos seus três filhos, e depois de três anos de matrimônio, Amália ficaria viúva.
     Ela teve que ser forte e nos momentos de fraqueza confiava seus filhos à Virgem Maria. Sabia que a fé era o maior tesouro que poderia lhes dar e educou-os num ambiente de piedade e generosidade. Apesar da responsabilidade que implicava educar seus três filhos, Amália encontrava tempo para participar de várias atividades da Igreja, de maneira especial na Ação Católica. Sem se descuidar do seu lar, se dedicava com entusiasmo à catequese e às obras de caridade.
     Quando a perseguição religiosa começou na Espanha, com a consequente destruição de igrejas e conventos, e o assassinato de inúmeros católicos, Amália escondeu em sua casa duas religiosas, sabendo que esta atitude poderia custar-lhe a vida. Seu despojamento e caridade a impulsionaram a visitar dois fiéis encarcerados para dar-lhes ânimo e socorrê-los materialmente. Os perseguidores, conhecendo sua militância católica e a ajuda que prestava aos detentos, prenderam-na e submeteram-na a todo tipo de maus-tratos e fome.
     Finalmente, em 28 de setembro de 1936, a jovem mãe deu testemunho do seu amor a Jesus Cristo com seu próprio sangue, sendo assassinada em Benillup pelos milicianos. Sua confiança na Providência de Deus frutificou: seus filhos foram ajudados e anos mais tarde uma filha sua partiu rumo à África como missionária.
     O Papa João Paulo II elevou-a a honra dos altares no dia 11 de março de 2001, juntamente com outros 232 mártires da perseguição religiosa ocorrida na Espanha. 
 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Santa Justina, virgem e mártir - 26 de setembro


     Vivia em Antioquia, região situada entre a Síria e a Arábia, pertencente ao governo da Fenícia, a bela e rica donzela Justina. Seu pai Edeso, sacerdote dos ídolos, e sua mãe Cledônia a educaram nas tradições pagãs. Ela “sentava-se todos os dias à janela a ouvir o diácono Prélio ler o Evangelho, até que, por fim, foi convertida por ele”(*) ao Cristianismo, dedicando sua vida às orações, consagrando e preservando sua virgindade.
     Um jovem rico chamado Acládio apaixonou-se por Justina. Os pais da donzela, agora já convertidos à fé cristã, concederam-na a ele por esposa, mas Justina não aceitou casar-se. Acládio recorreu a Cipriano, o feiticeiro, para que este usasse seu poder para que a donzela abandonasse a Fé e se entregasse ao matrimônio.
     Cipriano de Antioquia, o feiticeiro, assim denominado para distinguir-se de Cipriano de Cartago, era filho de pais pagãos muito ricos. Desde menino foi induzido aos estudos da feitiçaria e das ciências ocultas como a alquimia, astrologia, adivinhação e as diversas modalidades de magia.
     Após muito tempo viajando pelo Egito, Grécia e outros países aperfeiçoando seus conhecimentos, aos trinta anos de idade Cipriano foi à Babilônia a fim de conhecer a cultura ocultista dos Caldeus. Encontrou a Bruxa Évora e intensificou seus estudos e aprimorou a técnica da premonição. Évora morreu em avançada idade deixando seus manuscritos para Cipriano, o que foi de grande proveito para ele. O feiticeiro logo se tornou conhecido, respeitado e temido por onde passava.
     Cipriano iniciou o ataque contra Justina: usou um pó que despertaria a luxúria, ofereceu sacrifícios aos demônios e empregou diversas obras malignas. Mas Justina se defendia redobrando as orações a Deus e fazendo o Sinal da Cruz a cada novo ataque do demônio, e as magias não obtinham resultado.
     A ineficácia dos feitiços fez com que Cipriano caísse em si e se desiludisse profundamente de sua fé pagã e se voltasse contra o demônio. Ele foi ter com o bispo contando-lhe tudo o que havia acontecido, protestando sincero arrependimento e pedindo-lhe que o batizasse. Assim, o bruxo se converteu ao Cristianismo, queimou seus manuscritos de feitiçaria e distribuiu seus bens entre os pobres.
     Cipriano avançou tanto no conhecimento da doutrina como na vida cristã que foi ordenado bispo após a morte do titular. Ele então pôs Justina à frente de um grupo de muitas virgens. São Cipriano enviava muitas cartas aos mártires fortalecendo-os no combate.
     Chegou ao conhecimento do governador romano daquela região a fama de Cipriano e de Justina. Baseando-se no decreto do imperador Diocleciano, que perseguia os cristãos, ordenou que fossem presos, torturados e forçados a negar a Fé Cristã.
     Diante do governador Justina foi chicoteada e Cipriano açoitado com pentes de ferro, mas não cederam. Irritado com esta resistência, o governador ordenou que Cipriano e Justina fossem lançados numa caldeira cheia de banha e cera ferventes. Eles não só não renunciaram à Fé, como sentiam muito frescor em vez de qualquer suplício.
     O sacerdote dos ídolos supôs que as torturas não produziam resultado devido a algum feitiço lançado por Cipriano. Desafiando-o, ele invocou os demônios e atirou-se na caldeira. Em poucos segundos seu corpo foi destruído.
     O governador então ordenou que Justina, Cipriano e outro cristão de nome Teoctisto fossem decapitados. Era o ano 302. Os seus corpos ficaram expostos aos cães por seis dias, mas estes não os tocaram; foram depois recolhidos pelos cristãos e trasladados para Roma.
     Estes santos foram introduzidos por São Beda em seu Martirológio, e por meio dos martirológios históricos passaram para o Martirológio Romano, onde são comemorados no dia 26 de setembro.
     Obs.: Justina vem de justitia, “justiça”.
 
(*) Fonte: Legenda Áurea, Tiago de Voragine.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Beata Colomba Gabriel, Abadessa e Fundadora - 24 de setembro


     Martirologio Romano: Em Roma, Beata Colomba (Joana) Gabriel, abadessa do mosteiro de Lviv, na Ucrânia, que, injustamente caluniada, viajou para Roma onde, vivendo pobre e alegre, fundou a Congregação das Irmãs Beneditinas da Caridade, além da obra social chamada Casa da Família para jovens operárias pobres ou afastadas de sua família.
     Joana Matilde Gabriel nasceu no dia 3 de maio de 1858, em Stanislawow (Polônia), no seio de uma família de nobre linhagem. Teve uma formação cultural sólida primeiro na família, depois nas escolas de sua cidade natal e em Lviv. Tendo se formado professora, ensinou nas escolas públicas e depois nas escolas das Irmãs Beneditinas de Lviv, onde, em 20 de agosto de 1882, fez sua profissão religiosa solene. Tomou o nome de Colomba e mais tarde chegou a ser abadessa.
     Mas a Providência dispôs de outra forma. Como resultado de conflitos internos teve que deixar o cargo e, em 24 de janeiro de 1900, também o mosteiro. Foi para Roma, ingressou no mosteiro beneditino de Subiaco onde permaneceu até 1902. Voltou depois para Roma onde se dedicou ao cuidado das crianças da paróquia de Testaccio e Prati.
     Continuou o trabalho social com os necessitados e com a ajuda de um grupo de damas romanas presidido pela Princesa Barberini organizou uma “casa da família”, a fim de proteger as jovens trabalhadoras pobres.
     Aconselhada por seus superiores, reuniu em torno a si mulheres jovens que desejavam colaborar com a obra, unindo-se na vida religiosa. Assim nasceu, em 1908, o Instituto chamado das “Beneditinas da Caridade”, com o objetivo de dedicar-se às jovens abandonadas, que mais tarde se estenderia aos jovens em general e à paróquia.
     Madre Colomba Gabriel recebeu a ajuda da co-fundadora, Plácida Oldoini, que a sucedeu depois de sua morte, ocorrida no subúrbio romano de Centocelle, em 24 de setembro de 1926. Sua sucessora expandiu a fundação, que em 1970 já possuía 118 casas na Itália.
     A beatificação de Madre Colomba Gabriel foi celebrada pelo Papa João Paulo II em 16 de maio de 1993.
 
Fonte: www.santiebeati/it

domingo, 21 de setembro de 2014

Santa Salaberga, Abadessa - 22 de setembro

    
     Um trecho da vida de Santo Eustáquio, escrita por Jonas de Bobbio, relata que quando aquele Santo, segundo abade de Luxeuil, viajava de volta a seu mosteiro desde a Baviera, hospedou-se na casa de Gondoino, que residia então em um domínio rural chamado Meuse (Haute-Marne), nome do rio que passava por lá. Ao avistar Eustáquio, o homem encheu-se de alegria e o recebeu em sua casa como uma grande honra. Gondoino tinha uma filha, Salaberga, que era cega. O Santo jejuou por dois dias, “encheu sua alma de fé, colocou óleo bento sobre os olhos da menina” e Deus devolveu a vista à criança.
     Salaberga nasceu no início do século VII em Orney, Diocese de Langres; seus pais eram nobres e virtuosos. Obedecendo a vontade dos pais, ela se casou com um jovem do lugar, porém o esposo morreu dois meses depois das bodas e Salaberga interpretou o acontecido como um sinal que Deus a queria para seu serviço em algum mosteiro, como lhe inspirara Santo Eustáquio.
     Entretanto, os pais da jovem pensavam de outra maneira e a casaram de novo com um nobre cavaleiro chamado Blandino. Com ele Salaberga teve cinco filhos, dois dos quais, Baudino e Anstrudio, chegaram a ser venerados como santos.
     Salaberga havia dotado um convento de Poulangey e após vários anos de feliz matrimônio, tanto ela como seu marido, de comum acordo, decidiram retirar-se do mundo. Blandino se tornou ermitão e é venerado como santo na Diocese de Meaux. Ela se retirou primeiro no convento de Poulangey e mais tarde, por conselho de São Valberto, abade de Luxeuil, fundou, por volta do ano 641, um novo mosteiro em Laon, que foi construído com parte de seu patrimônio.
     Para completar a história da abadia Nossa Senhora a Profunda e São João Batista de Laon é preciso lançar luz sobre a figura da fundadora por meio de um estudo da situação religiosa em Laon por ocasião de sua chegada.
     Extratos contidos nas Acta Sanctorum da Ordem de São Bento redigidos por Luc d’Achery e Mabillon relatam os prodígios que assinalaram a entrada da santa naquela cidade. Após descrever Laon, fortaleza sobre uma montanha, rodeada de possantes muralhas e alimentada por fontes à suas portas, o autor acrescenta: A cidade foi toda iluminada por raios de sol à aproximação desta venerável dama e de suas santas monjas; o Bispo Atole foi ao encontro delas com hinos e cânticos.
     A narração continua dizendo que no dia seguinte, como o bispo desejasse oferecer uma refeição para as viajantes, enviou seus serviçais à caça no campo. Os caçadores, voltando ao cair da noite, viram com terror sair de todas as saídas da cidade espíritos de uma deformidade extraordinária, tendo figuras de animais cruéis e imundos.
     Enfim, o autor conta que naquela cidade uma antiga serpente exercia seus artifícios, enganando com sua astúcia todo o povo. Durante um batismo idólatra eles invocavam o demônio; muitos homicídios eram perpetrados; os parentes das vitimas silenciavam o sangue derramado.
     A presença da Santa livrou a cidade de todos os demônios que permaneciam entre seus habitantes mantendo-os em tão miserável situação. O mosteiro logo agrupou 300 monjas. Posteriormente a santa transformou-o, já que era um estabelecimento muito grande, em um mosteiro duplo, isto é, para monges e monjas, do qual ela foi a primeira abadessa.
     Salaberga tinha um irmão casado que se chamava Bodo; ela o convenceu a abandonar o mundo e tomar o hábito religioso, ao mesmo tempo em que sua esposa, Santa Odila, se uniu à comunidade de Laon. Bodo chegou a ser bispo de Toul e fundou três mosteiros, em um dos quais sua própria filha foi abadessa. A festa de São Bodo se celebra no dia 11 deste mês.
     Salaberga foi sempre um modelo de virtudes para suas filhas espirituais. A caridade, a prudência e uma grande confiança em Deus a dirigiram durante o tempo em que governou o mosteiro. O Bispo de Soissons, Santo Anseri, visitava-a às vezes e a consolava em suas provações. Ele lhe apareceu após sua morte e lhe mostrou o local que o Justo Apreciador de seus méritos lhe reservava no Céu.
     Nos dois últimos anos de sua vida Santa Salaberga sofreu continuamente grandes dores que suportou com fortaleza e paciência. Depois de sua morte, ocorrida no ano 664, sua filha, Santa Astrude, foi encarregada da direção da comunidade.
     Santa Salaberga foi sepultada na abadia, onde seu corpo foi conservado em um relicário de cobre e prata; posteriormente, os restos de São Bodo foram exumados de sua sepultura em Toul e trasladados para junto de sua santa irmã.
     A sua biografia impressa originalmente em Acta Sanctorum, sept. vol. VI, e foi editada com comentários críticos por B. Krusch en MGH., Scriptores Merov., vol. V, pp. 40-66, é uma recopilação que data do século IX. São mais dignas de confiança algumas referências que o escritor Jonas, abade de Bobbio, faz sobre Salaberga em sua vida de São Columbano e de Santo Eustáquio.
 
Reflexão: No 1º milênio da Cristandade, Sta. Salaberga – com outras grandes heroínas, como Sta. Brígida da Irlanda, Sta. Gertrudes de Nivelles, Sta. Hilda de Whitby, e tantas outras, que praticamente fundaram cidades – enfrentou todas as adversidades e sua ação benéfica congregou o povo junto à abadia que governou.
Estas santas deram apoio à ação civilizadora da Igreja, a qual enfrentou e venceu muitos obstáculos: paganismo, heresias, violência dos poderes humanos que se opunham à sua marcha. Elas viveram em épocas remotas, mas os efeitos de sua ação se estenderam pelos séculos e ainda repercutem. Muitas delas são lembradas ainda hoje nos seus países de origem.
Entretanto, devido à ação de invasores, a existência de muitas almas heroicas é desconhecida, pois parte dos documentos que as poderiam identificar se perderam, as edificações em que viveram tornaram-se ruínas, algumas relíquias foram destruídas pelo ódio dos inimigos da Igreja, e tantos outros contratempos.
Mas, aos olhos de Deus nenhuma boa obra fica esquecida, nenhum de seus filhos, até os mais pequeninos, é olvidado, e certamente elas há muito tempo O contemplam face a face. Elas uniram suas lágrimas e seu sangue às lágrimas de Nossa Senhora e ao Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e difundiram a virtude pela Europa católica.
Que essas almas de escol nos inspirem e nos façam crescer no amor de Deus, de sua Mãe, Maria Santíssima, e da Santa Igreja Católica. Que por meio delas conheçamos mais e melhor todo o trabalho evangelizador e civilizador da Santa Igreja, escrínio das verdades eternas.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nossa Senhora de La Salette - 19 de setembro

 

Nas pastagens da montanha
     No sábado, 19 de setembro de 1846, bem cedo, duas crianças - Maximino Giraud e Melânia Calvat - sobem as ladeiras do Monte Planeau. O sol resplandecia sobre as pastagens. Ao meio dia, no fundo do vale, o sino da Igreja da aldeia toca a hora do Ângelus. Junto à fonte, eles comem pão e um pedaço de queijo.
Uma estranha claridade
     Contrariamente a seu costume, eles se estendem sobre a relva e adormecem. Melânia acorda e não vê o rebanho que pastoreavam. Ela sacode Maximino e ambos sobem a ladeira à procura dos animais. Voltando-se, têm diante de si toda a pradaria: as vacas lá estão ruminando calmamente. Os dois pastores se tranquilizam. Melânia começa a descer, mas ela se detém imóvel e de susto deixa cair o cajado. Junto à pequena fonte, sobre um dos assentos de pedra, ela vê um globo de fogo: "É como se o sol tivesse caído lá", aponta. No entanto, o sol continua brilhando num céu sem nuvens. Então, uma mulher aparece, sentada, a cabeça entre as mãos, os cotovelos sobre os joelhos, numa atitude de profunda tristeza.
A "Bela Dama"
     Maximino Giraud e Melânia Calvat haviam recebido apenas uma muito limitada educação. As crianças relataram que a "Belle Dame" estava triste e chorando, com seu rosto descansando em suas mãos. A Bela Senhora pôs-se de pé e disse:
     "Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade! Se meu povo não se quer submeter, sou forçada a deixar cair o braço de meu Filho. É tão forte e tão pesado que não o posso mais. Há quanto tempo sofro por vós. Dei-vos seis dias para trabalhar, reservei-me o sétimo, e não o querem me conceder! É isso que torna tão pesado o braço de meu Filho. E também os carroceiros não sabem jurar sem usar o nome de meu Filho. São essas as duas coisas que tornam tão pesado o Seu braço. Se a colheita for perdida a culpa é vossa (...) Orai bem, fazei o bem. Se a colheita se estraga, e só por vossa causa, Eu vo-lo mostrei no ano passado com as batatinhas: e vós nem fizestes caso! Ao contrário, quando encontráveis batatinhas estragadas, blasfemáveis usando o nome de meu Filho. Elas continuarão assim e, neste ano, para o Natal, não haverá mais".
     Então, as crianças vão até a Bela Senhora. Ela não parava de chorar. Segundo os relatos das crianças, a Senhora era alta e toda de luz; vestia-se como as mulheres da região: vestido longo, um grande avental, lenço cruzado e amarrado às costas, touca de camponesa. Rosas coroavam sua cabeça, ladeavam o lenço e ornavam seu calçado. Em sua fronte a luz brilhava como um diadema. Sobre os ombros carregava uma pesada corrente. Uma corrente mais leve prendia sobre o peito um crucifixo resplandecente, com um martelo de um lado e de outro uma torquês. Assim a Bela Senhora falou em segredo a Maximino e depois a Melânia.
     E novamente os dois em conjunto ouvem as seguintes palavras: "Se se converterem, as pedras e rochedos se transformarão em montões de trigo, e as batatinhas serão semeadas nos roçados". E a Bela Senhora conclui, não mais em patois, mas em francês: "Pois bem, meus filhos, transmitireis isso a todo o meu povo".
     Terminou assim a aparição. Segundo as crianças ela andava, mas as plantas de seus pés não esmagavam a relva, quase não dobravam os talos. Melânia correu e a contemplou de novo lá no alto. E depois, segundo ela, viu o rosto e a figura da Senhora desaparecendo à medida que a luminosidade aumentava.
As Profecias da Virgem
     O tema central das mensagens da Virgem para a Humanidade foi que deveriam livrar-se do pecado mortal e fazer penitência, ou sofreriam terríveis sofrimentos.
     A Virgem Maria predisse eventos futuros da sociedade e da Igreja. O cumprimento destas previsões foi também visto como uma das indicações da veracidade da aparição nas investigações que se seguiram à aparição.
     No que diz respeito à sociedade, a Virgem Maria previu que a colheita seria completamente fracassada. Em dezembro de 1846, a maior parte das camadas populares foi atingida por doenças e, em 1847, uma fome assolou a Europa, resultando na perda de cerca de um milhão de vidas, sendo cem mil só na França. A cólera se tornou prevalente em várias partes da França e custou a vida de muitas crianças. O desaparecimento da Segunda República Francesa, com a Guerra franco-prussiana (1870-1871) e a revolta da Comuna de Paris de 1871, foram igualmente previstos.
     No que diz respeito à Igreja, Ela previu que a fé católica na França e no mundo, mesmo na hierarquia católica, iria diminuir bastante por causa dos muitos pecados dos leigos e do clero. Guerras iriam ocorrer se os homens não se arrependessem, Paris e Marselha seriam destruídas.
     A Humanidade foi alertada para a vinda do Anticristo e do fim dos tempos. Para Maximino, Ela previra a conversão da Inglaterra na fase final do Apocalipse.
Alerta para os erros e a diminuição da Fé
     Nas suas profecias a Virgem alerta com bastante rigor:
     "No ano de 1864, Lúcifer, com um grande número de demônios serão soltos do inferno. Eles abolirão a fé pouco a pouco, mesmo nas pessoas consagradas a Deus. Os cegará duma tal maneira que, a não ser por uma graça especial, essas pessoas tomarão o espírito desses anjos maus. Muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas".
     "Os maus livros se multiplicarão sobre a terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda a parte um relaxamento universal por tudo o que respeita ao serviço de Deus; eles terão um poder muito grande sobre a natureza. Haverá igrejas para servir a esses espíritos. Pessoas serão transportadas dum lugar para outro por esses espíritos malignos e mesmo sacerdotes, porque estes não serão conduzidos pelo bom espírito do Evangelho que é um espírito de humildade, de caridade e de zelo pela glória de Deus. 'Far-se-á ressuscitar mortos e justos' (isto é, esses mortos tomarão a forma das almas justas que tinham vivido na terra, a fim de seduzir melhor os homens: esses autodenominados mortos ressuscitados, que não serão outra coisa que o demônio debaixo dessas figuras, pregarão um outro evangelho contrário ao do verdadeiro Jesus Cristo, negando a existência do céu e mesmo a das almas dos condenados. Todas essas almas parecerão como unidas a seus corpos). Haverá em todos os lugares prodígios extraordinários, porque a verdadeira fé se extinguiu e a luz falsa ilumina o mundo. Desgraçados dos Príncipes da Igreja que não se ocuparão senão com amontoar riquezas sobre riquezas, salvaguardar a sua autoridade e dominar com orgulho!"
     Seu alerta, embora parecesse confuso à época, aparentemente previra o lançamento, em 1864, do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo" de Allan Kardec, versão dos ensinamentos de Jesus pregando ideias na forma contestada em La Salette, e relatando os mesmos "prodígios" alertados dezenas de anos antes por Maria SSma.
     Não se pode esquecer, contudo, que no século XIX surgiram inúmeras seitas e filosofias ditas de cunho religioso, oriundas de diferentes nações, idiomas e raízes filosóficas ou mesmo pretensamente teológicas, nem sempre afinadas com os tradicionais ensinamentos da Santa Igreja Católica.
Crise Moral dos Sacerdotes
     Outro clamor atual da Virgem é quanto à crise moral e até mesmo litúrgica da vida sacerdotal; podemos até citar as desonras e a vergonha da Igreja com a falta de muitos dos seus membros pelos escândalos de pedofilia, sincretismo, apostasia e outras abominações:
     "Os sacerdotes, ministros de meu Filho, por sua má vida, por suas irreverências e sua impiedade em celebrar os santos mistérios, por amor do dinheiro, das honras e dos prazeres, os sacerdotes tornaram-se cloacas de impureza. Sim, os padres pedem vingança, e esta está suspensa sobre as suas cabeças. Desgraçados dos padres e das pessoas consagradas a Deus, as quais, por suas infidelidades e sua má vida crucificam novamente o meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao Céu e chamam a vingança e ela está às suas portas, pois não se encontra ninguém para implorar misericórdia, e perdão para o povo; não há mais almas generosas não há mais ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Pai Eterno em favor do mundo".
     Que vosso zelo vos faça como que famintos da glória e honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins”.
 
O Santuário
     Em 1º de maio de 1852 D. Felisberto de Bruillard anunciou a construção de um santuário em La Salette e a criação de um grupo de missionários diocesanos a quem dá o nome de "Missionários de Na. Sra. de La Salette". E acrescentou: - "A Santa Virgem apareceu em La Salette para o mundo inteiro, quem disso pode duvidar?". O santuário se encontra nos Alpes franceses, no coração da montanha, a 1800 metros de altitude. Os missionários e as irmãs de Na. Sra. de La Salette asseguram seu funcionamento: missa, ofício, vigília, procissão, terço, Via Sacra, hospedagem, além da possibilidade da oração no silêncio das montanhas. 
Fontes:
Santuário de La Salette - São Paulo-SP; Michel Corteville – René Laurentin, “Découverte du Secret de La Salette — Au-delà des polémiques, la vérité sur l'apparition et ses voyants”,Fayard, Paris, 2002 ; http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Salete

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Santa Ricarda, Imperatriz - 18 de setembro


Santa Ricarda, filha de Erchanger, Conde da Alsácia, se casou em 862 com Carlos, bisneto de Carlos Magno, que era então rei dos francos da Renânia, e logo se converteu em imperador do Ocidente, rei da Alemanha e França e protetor titular do Papado.
Como princesa Ricarda tornou-se grande benfeitora de vários mosteiros na Alemanha, Suíça e Itália; por volta de 880 fundou em suas propriedades a Abadia de Andlau, no Baixo Reno.
Em 881, junto com seu marido, foi a Roma onde o Papa João VIII lhes deu a coroa imperial; Ricarda na ocasião colocou a nova abadia sob a proteção pontifícia.
O novo imperador do Sacro Império Romano adotou o nome de Carlos, o Gordo, sucedendo seu pai e dois irmãos, e veio governar uma área quase igual à de Carlos Magno, mas não com as mesmas capacidades de governo. Ele não conseguiu reduzir de forma eficaz as incursões dos normandos e foi combatido pelos senhores feudais. Além disso, abandonou o Papa João VIII, que pedia o seu auxilio a partir do Palácio de Latrão, aonde finalmente foi assassinado. Na Dieta de Tribur, de 887, Carlos foi deposto e se mudou para a Suábia, no Danúbio, onde morreu depois de alguns meses.
A Imperatriz Ricarda angustiada com o acidente e a morte de seu marido foi injustamente acusada de adultério com o chanceler-bispo, acusações falsas que logo provaram ser infundadas: a rainha se defendeu e, segundo a legenda, foi submetida à prova do fogo (*), na qual Deus demostrou com um patente milagre sua inocência.
Ricarda decidiu retirar-se para a Abadia de Andlau fundada por ela e dirigida pela Abadessa Rotruda sua sobrinha. Ela viveu seus últimos anos em oração e obras de caridade, e morreu no dia 18 de setembro de 894.
Como, segundo a legenda, para provar sua inocência ela teria passado pela prova de fogo, ela é invocada como protetora contra incêndio.
Seu corpo foi sepultado na própria abadia até 1049, quando o Papa Leão IX foi venerar suas relíquias e a elevou à honra dos altares, transferindo-a para a igreja da abadia consagrada por ele próprio. Em 1350 um monumento foi erguido no túmulo, que ainda é um lugar de peregrinação.
 
(*) Prova do fogo, ou ordálio(a) é um tipo de prova judiciária usada para determinar a culpa ou a inocência do acusado por meio da participação de elementos da natureza e cujo resultado é interpretado como um juízo divino. Também é conhecido como juízo de Deus (judicium Dei, em latim).
     A Igreja Católica, por meio dos papas, condenou sucessivamente o ordálio, por exemplo, Estêvão VI em 887/888, Alexandre II em 1063, e por Inocêncio III no IV Concílio de Latrão, em 1215, proibindo que o clero cooperasse com os julgamentos pelo fogo e pela água, substituindo-os por um misto de juramento e testemunho.
     A versão mais antiga do ordálio é citada na Bíblia, na lei chamada de águas da amargura, no livro de Números, onde a mulher suspeita de adultério deveria beber uma água possivelmente contaminada, e se ela fosse adúltera morreria, porém, se fosse fiel, sobreviveria e teria filhos.
     A origem da palavra ordálio é do latim ordalium ou, de acordo com Verstegan, do saxão, ordal e ordel, que, segundo Hicks, vem de Dael, julgamento, com o sentido de grande julgamento. Outros derivam do franco ou teutônio Urdela, que significa julgar.
 
Etimologia: O nome Ricarda/Ricardo deriva do provençal Richart, tomado por sua vez a partir do alemão rich (senhor) e hard (forte). Outros: “forte pelo poder”.

domingo, 14 de setembro de 2014

Serva de Deus Lavínia Sernardi, Mãe de Família - 15 de setembro

    
      “Tudo que conhecemos – escreve D. Vincenzo Catani em sua obra Os Santos da Igreja de Trento – devemos à pena de um padre do Oratório de São Filipe Neri, Pe. Venâncio Bevilacqua, que quando se encontrava em Fermo, em 1684, escreveu e imprimiu uma vida da Serva de Deus”.
     Lavínia nasceu no dia 2 de junho de 1588 em Grottammare, a Pérola do Adriático, Província de Ascoli Piceno (Itália). Naqueles anos era papa Sisto V que também nasceu naquela cidade em 13 de dezembro de 1521. A Serva de Deus era filha de Segismundo Sernardi e Emilia Tesei. Aparentemente Lavínia foi a primeira dos filhos, certamente era a mais velha de suas irmãs Angelella, Portia e Vincenza. Ela também tinha um irmão chamado Astolfo.
     A mãe de Emília assumiu a formação espiritual de Lavínia e educou-a com grande cuidado. No caminho da santidade Lavínia foi orientada por três sacerdotes que ela considerava como seus diretores espirituais: Pe. Vagnozzo Pica, sacerdote diocesano de Ripatransone e pároco da paróquia de Sto. Ângelo, na mesma cidade; Frei Nicolau Pallotta, franciscano de Monteprandone; e D. Jeronimo Leti, reitor da igreja do castelo de S. Bento. Lavínia tinha grande devoção a São Bento Mártir, em cujo túmulo costumava rezar, percorrendo a pé a estrada Loretana.
     Com 15 anos, como era costume na época, casou-se com Gio Marino, filho de Gio Antônio, da família dos Giammarini. Após sete anos de casamento ela deu à luz uma filha, Ifigênia, que morreu depois de alguns meses. Depois de algum tempo teve um segundo filho a quem deu o nome de Francisco, e depois de três anos nasceu uma outra filha a quem deu o nome de Margarida.
     Particularmente cuidadosa foi a educação dada por Lavínia a seus filhos: Francisco estudou física na Universidade de Fermo e Margarida seguiu a vida religiosa e tornou-se uma Capuchinha naquela cidade.
     Escreve D. Catani: “É extremamente comovente ler o depoimento dos confessores de Lavínia, que são confrontados com uma alma tão bela, longe de todo o pecado e sempre em atitude de oração. Na realidade, a vida de Lavínia não tem nada marcante ou particularmente grandioso, com exceção - e não é pouco - da escolha da união mística com Deus; da fidelidade evangélica; e de ser um modelo que inspire qualquer mulher, casada e com filhos, a colocar em prática a perfeição do Sermão da Montanha, dirigido não só aos Apóstolos, mas a todos os discípulos de Cristo”.
     Lavínia Sernardi é um exemplo para a Igreja de hoje que se deve e se pode ser santa em qualquer forma de vida, inclusive no casamento e na vida familiar. Ela nos ensina que a vida familiar pode e deve ser uma vida de santidade, uma vida de virtudes heroicas vividas nas condições comuns e ordinárias da existência humana.
     A partir da biografia do Pe. Bevilacqua não conseguimos diagnosticar de que doença morreu Lavínia. Era o ano de 1623, dia 15 de setembro; ela estava com a idade de 35 anos, 3 meses e 13 dias. O funeral realizou-se na Igreja de Nossa Senhora dos Montes, dos franciscanos, onde ela foi enterrada. Ainda hoje uma placa indica o local de seu túmulo.
     Devota de São Bento mártir, Lavínia dedicou sua vida às obras de misericórdia e de caridade no quotidiano e estava entre os benfeitores do convento dos franciscanos. Seu túmulo tornou-se logo meta dos peregrinos pelos milagres atribuídos à sua intercessão.
     A Igreja de Santa Luzia em Grottammare foi construída pelo Papa Sisto V no local em que se encontrava a modesta casa da família Peretti, onde o futuro papa nasceu, e foi dedicada à santa comemorada no dia de seu nascimento (13 de dezembro).
 

sábado, 13 de setembro de 2014

Exaltação da Santa Cruz - 14 de setembro

 

Ecce lignum crucis, in quo salus mundi pependit. Venite adoremus!
     Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, convertida ao Catolicismo, procurou como Relíquia preciosa a Cruz de Jesus Cristo. Para este fim, mandou fazer escavações no Calvário e encontraram três cruzes e, à parte, os cravos e a inscrição: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus (INRI). Não podendo distinguir qual delas fosse a Cruz verdadeira, São Macário, patriarca de Jerusalém, ordenou preces públicas, depois mandou levar as três cruzes junto de uma mulher enferma, apenas esta foi tocada pela terceira Cruz, curou-se imediatamente.
     Reconhecida desta maneira a verdadeira Cruz, Santa Helena, mandou construir uma Igreja magnífica e nela guardou, dentro de um cofre de prata ornado de pedras preciosas, grande parte do Sagrado Lenho.
 
Exaltação da Santa Cruz: proclamação da glória da Cruz com ufania
 
* O sentido da festa da exaltação da Santa Cruz
     Hoje é festa da Exaltação da Santíssima Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os comentários comuns na festa da exaltação da Santa Cruz muito condignamente falam da Cruz. E um pouco paradoxalmente eu vou falar da Exaltação da Cruz, mais do que propriamente da Cruz, para indicar bem qual é o sentido desta festa.
     A cruz era um instrumento de suplício, usado em toda a antiguidade, que representava uma ignomínia para a pessoa que fosse crucificada; uma vergonha para a pessoa e uma vergonha para a família. [...]
     Neste sentido a cruz não era apenas uma humilhação, mas o auge de todas as outras humilhações que Ele sofreu durante a sua existência terrena.
     O povo judaico foi enchendo Nosso Senhor de humilhações durante sua vida terrena. E essas humilhações, que correspondiam a um ódio crescente, desfecharam na maior de todas as humilhações possíveis que foi o sacrifício da Cruz. Este desejo de infligir a Nosso Senhor um martírio moral, humilhando-O ao longo de toda a sua ação é muito evidente. [...]
* Os católicos tomaram a cruz como sinal de honra para reivindicar a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo
     Mas, paralelamente, a honra de Deus, a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo é reivindicada pela Igreja. E por causa disto os católicos tomaram a Cruz como sinal de honra, como o que há de mais sagrado, o símbolo de quanto há de mais santo, e aí nós vemos três manifestações características dos tempos de Fé: a Cruz colocada no alto das coroas; a Cruz como sinal heráldico dos mais nobres galardões das famílias da alta aristocracia; a Cruz colocada como insígnia das condecorações.
     Tudo isto provando que o católico, para exaltar a Cruz em face desta humilhação, para revidar esta humilhação, e revidar com ufania cavalheiresca e sobrenatural, faz a Exaltação da Santa Cruz.
     O que representa isto? Antes de tudo, tomar a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e glorificá-la. O aparecimento da Cruz a Constantino na Ponte Milvia, dizendo: "Com este sinal vencerás!", significava isto. A Cruz se levantava no céu e ia ficar definitivamente no horizonte do mundo, humilhando por sua vez os maus, humilhando por sua vez os demônios.
     E a Cruz por sua vez ia ser o sinal de nossa honra, como as nossas cruzes iam ser sinal de nossa honra. E a nossa honra não consiste em nós não sermos humilhados, mas consiste em receber a humilhação com ufania. E receber gabando-se da humilhação. E mais ainda, num espírito de desafio. Em face daquele que nos humilha, nós revidamos como cavalheiros e nós proclamamos com ufania ainda maior a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
* A exaltação é a proclamação da glória da Cruz com ufania
     Esta idéia da exaltação exatamente é isto: é a proclamação da glória da Cruz, com uma ufania que esmague as humilhações que o adversário procura impor a Cristo.
     Daí vem a palavra exaltar. Exaltare, altere in alto, levar para o alto. Quer dizer, levar para o alto aquilo que estava humilhado, que estava abaixado. É esta então a glorificação da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. [...]
     A Causa Católica precisa ser defendida com espírito de Cavalaria e, portanto, se alguém injuria a Cruz diante de nós, devemos redarguir incisivamente. Mas não como se defende a nossa honra, porque a nossa honra é uma coisinha muito insignificante, mas como quem defende a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, a honra de Nossa Senhora. [...]
 
Plinio Corrêa de Oliveira, "Santo do Dia", 14 de setembro de 1965.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Festa do Santíssimo Nome de Maria - 12 de setembro


 

     "Teu nome, ó Maria, diz Santo Ambrósio, é um bálsamo delicioso que se espalha o cheiro de Graças!"
     "Feliz, feliz aquele que Vos ama, ó Maria, Mãe dulcíssima" - exclamava o redentorista Santo Afonso de Ligório.
     São João Berchmans, da Companhia de Jesus, sempre dizia: "Se amo a Maria, estou certo da minha perseverança e de Deus obtenho tudo o que quiser". Maria também é minha Mãe e eu quero amá-la sempre. Ave Maria!
     A Liturgia celebra hoje, 12 de setembro, o Nome Santíssimo da Virgem Maria. Como era costume entre os judeus, oito dias após a Santíssima Virgem nascer, seus pais deram-lhe, inspirados por Deus, o nome de Maria (Miryam em hebraico).
     O objetivo dessa festa é que os fiéis possam se recomendar a Deus, de modo especial, por intercessão de Sua Santíssima Mãe, as necessidades da Igreja e as próprias necessidades, e agradecer a Deus pelas graças recebidas por intermédio de Sua Mãe.
     Esta festa foi concedida na Espanha em 1513 e espalhou-se por todo o país. Era inicialmente comemorada em 15 de setembro, entretanto em 1587, o Papa Sisto V mudou o dia da celebração para 17 de setembro. O Papa Gregório XV estendeu a festa para a Arquidiocese de Toledo em 1622. Em 1666 os Carmelitas Descalços receberam a permissão para recitar o Ofício do Nome de Maria quatro vezes por ano (dúplice). Posteriormente, em 1671, a festa foi estendida para toda a Espanha.
     Em 1683 o Papa Inocêncio XI a estendeu para toda a Igreja do Ocidente como um ato de ação de graças pelo levantamento do cerco de Viena e a derrota dos turcos por João Sobieski, rei da Polônia. Na época ela foi estabelecida para o domingo dentro da oitava da Natividade de Nossa Senhora, atualmente se celebra na data do triunfo de Sobieski.

O Rei da Polônia, João Sobieski, abençoa o exército católico