sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Santa Aldegunda, Abadessa - 30 de janeiro


     Santa Aldegunda (ou Aldegonde, em francês; Aldegundis ou Adelgundis, em latim) foi uma santa do século VII. Há muitos escritos sobre sua vida, mas nenhum deles contemporâneo da Santa. Alguns deles, incluindo a biografia escrita no século X por Hucbald, foram publicados pelos Bolandistas (Acta SS., Janeiro 11, 1034–35).
     O Senhorio de Malzy há muito tempo pertencia a uma ordem religiosa: as Damas Abadessas e Canonisas do Muito Ilustre Capítulo de Maubeuge, cuja fundadora é Santa Aldegunda.
     Ela nasceu por volta do ano 630 em Coulsore, perto de Maubeuge. Filha de Valberto IV e de Bertila, seu pai, de origem franca, era conde de Hainaut, governador das províncias entre Sambre e Meuse. Sua mãe era princesa da Turíngia. Sua irmã mais velha, Santa Valdru, nascida por volta de 620, tornou-se abadessa de Mons.
     Aldegunda recebeu uma educação mística com o monge Sobin da Abadia de Nivelles e fora convertida ao cristianismo por Santo Amando. À espera da idade legal para o casamento (12 anos na época), seu pai a prometeu a um príncipe anglo-saxão, Eudon.
     Desejando obter o véu das virgens, que somente era conferido na idade de 30 anos, Aldegunda fugiu do castelo da família atravessando a floresta dos arredores. Perseguida por seu pretendente, os anjos vieram em seu auxílio e a protegeram; ela então se instalou naquele local, em plena floresta chamada Maldodium, sendo depois seguida por sua irmã.
     Ela fundou, por volta de 658, um convento de religiosas no local onde os anjos tinham vindo em seu auxílio, o que contribuiu para o nascimento da cidade de Maubeuge.
     A maior parte das noviças que entravam no convento vinha das famílias ricas da região; elas deviam fazer donativos à comunidade. Foi assim que as terras de Malzy lhes foram entregues, bem como as de Seboncourt.
     Aldegunda vinha com frequência a Malzy onde ela fizera construir um leprosário. Alguns milagres de cura lhe são atribuídos.
     Ela faleceu no dia 30 de janeiro de 684 em seu convento, de um câncer no seio. Ela foi enterrada no túmulo familiar de Coulsore. Canonizada em 1039, Aldegunda é invocada contra os males que ela sofreu: dor de cabeça, febre, câncer do seio. Sua intercessão também obtém que as criancinhas caminhem sem dificuldades: bebês são vistos dando seus primeiros passos no bairro de Sainte-Aldegonde, em Maubeuge.
     Santa Aldegunda é representada com um livro em uma das mãos e um bastão de abadessa na outra. Suas sobrinhas, Santa Maldalberta e Santa Aldetrudes, também foram abadessas no mosteiro por ela fundado. Santa Aldegunda é uma das mais famosas santas da linha merovíngia, como é chamada por Aline Hornaday.
     Na Bélgica há igrejas consagradas a Santa Aldegunda em Hérinnes, Baisieux, Écaussinnes-Lalaing, Froidchapelle, Mont-Sainte-Aldegonde, Noirchain e Rance. Na França, Maubeuge é o principal local de seu culto. A Igreja dos Santos Pedro e Paulo, no centro de Maubeuge, expõe o tesouro da Santa que inclui um precioso relicário do século XV, um bastão pastoral e bandeiras que eram usadas nas procissões.
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     Após anos de pesquisas utilizando o carbono 14, a casula da santa patrona da cidade, foi finalmente autenticada pelo Centro de Pesquisas e de Conservação dos museus da França e pelo Laboratório de Pesquisas dos monumentos históricos.
     Segundo o relatório, uma das principais peças do tesouro de Santa Aldegunda – como há muito tempo era reconhecido – data do século XI e provém de um tecido oriental antigo composto de uma teia de seda e de uma trama de fios, que fora oferecido pelo imperador mongol Mongka ao rei São Luís IX. O tecido foi em seguida transformado em traje litúrgico: “Na época, era a vestimenta a mais preciosa, o destino o mais nobre para os tecidos, uma roupa para dar glória a Deus!”

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Beata Boleslava Maria Lament, Fundadora - 29 de janeiro

 
  

     Primeira dos oito filhos do casal Martino Lament e Lúcia Cyganowska, Boleslava Lament, nasceu em 3 de julho de 1862 em Lowicz, Polônia.
     Durante sua infância viu com dor a morte de suas irmãzinhas Helena e Leocádia, e do pequeno Martino; era um tempo em que a mortalidade infantil dizimava as crianças, fazendo com que as famílias numerosas perdessem muitos de seus membros. A pequena Boleslava foi marcada irremediavelmente por estas dolorosas experiências.
     Depois dos cursos elementar e colegial, Boleslava foi para Varsóvia onde conseguiu o diploma de modista em uma escola de artes e profissões; de volta a Lowicz abriu, junto a sua irmã Estanislava, uma casa de modas, enquanto vivia uma intensa vida espiritual em seu interior.
     Em 1884, aos 22 anos, decidiu entrar na Congregação da Família de Maria, que estava se organizando em Varsóvia na clandestinidade por causa das perseguições czaristas.
     Como religiosa, distinguiu-se pelo dom da oração, do recolhimento, da seriedade e da fidelidade no cumprimento de seus deveres. Depois do noviciado e da profissão dos votos simples, trabalhou como mestra de costura e educadora em muitas Casas da Congregação, abertas no território do império russo.
     Mas depois de nove anos, antes de pronunciar os votos solenes, teve uma profunda crise que a fez sentir-se insegura de sua vocação naquela congregação, por isto a deixou e voltou para sua casa em Lowicz, com a intenção de entrar em um convento de clausura.
     Aconselhada por seu confessor, optou pelas obras de assistência aos sem-teto, atividade que também continuou em Varsóvia, quando a família mudou-se para lá. Para ajudar nos gastos familiares, abriu uma casa de modas com sua irmã Maria.
     Logo lhe confiaram a direção de uma hospedagem para os sem-teto, onde também se preocupou em por em ordem a vida ética e religiosa de seus socorridos. Ela os preparava para receber os Sacramentos, visitava os doentes em suas pobres casas ou nos refúgios, cuidava das crianças.
     Em 1894, uma epidemia de cólera atingiu seu pai, colocando sobre seus ombros outras responsabilidades familiares; levou consigo sua mãe e seu irmão Estevão, que era aluno do colégio em Varsóvia e que desejava ser sacerdote.
     Ingressou na Ordem Terceira Franciscana onde conheceu o Beato Honorato Kozminski (1829-1916), frade capuchinho, fundador de diversas congregações religiosas que trabalhavam na clandestinidade por causa dos acontecimentos políticos que afetavam a Polônia naqueles tempos.
     Em 1900, uma vez mais a morte golpeou sua família: aos pés do caixão de seu irmão Estevão, Boleslava Lament prometeu voltar à vida de religiosa. Dois anos depois o Pe. Honorato apresentou-a a uma senhora chegada da Bielorrússia, que buscava religiosas para dirigir a Ordem Terceira e um centro educativo em Mogilev, cidade junto ao Rio Dnieper.
    Boleslava consciente de todas as dificuldades que enfrentaria, aceitou a tarefa e em 1903 partiu para Mogilev, uma cidade de cerca de 40.000 habitantes. No início morou com Leocádia Gorczynska, que dirigia uma oficina de costura, para ensinar ali essa profissão às meninas das famílias pobres; depois Boleslava alugou uma casa de madeira para convertê-la em sua casa de modas.
     Admirada com a laboriosidade de Boleslava, Leocádia Gorczynska decidiu ir viver com ela; em seguida juntou-se a elas Lúcia Czechowska. Neste ponto Boleslava começou a pensar em fundar uma Congregação, rigorosamente religiosa, entregue ao apostolado entre os ortodoxos.
     Com a ajuda do Padre Félix Wiecinski, que contribuiu diretamente com a fundação, em outubro de 1905 as três mulheres começaram a nova congregação, chamada inicialmente Sociedade da Sagrada Família, mas que em seguida mudou o nome para Congregação das Irmãs Missionárias da Sagrada Família. Boleslava foi sua primeira superiora.
    No outono de 1907, Boleslava mudou-se para Petersburgo com as seis monjas que então formavam a comunidade, onde desenvolveu um ampla atividade educativa, dedicada sobretudo aos jovens, e em 1913 estendeu sua atividade à Finlândia, abrindo um colégio para meninas em Wyborg.
     Em Petersburgo empreendeu uma intensa atividade catequética, educativa e assistencial nos bairros mais pobres, se esforçou para criar bom relacionamento entre as alunas e as famílias de diferentes nacionalidades e religiões.
     Como consequência das dificuldades geradas pela 1ª. Guerra Mundial e o Movimento Bolchevique que tomou o poder na Rússia em outubro de 1917, Boleslava foi obrigada a deixar a Rússia em 1921 e voltar para a Polônia. Tudo isto produziu enormes perdas materiais, também na Polônia; a Congregação vivia pobremente, mas Madre Boleslava Lament, com sua grande fé, se encomendou totalmente à vontade de Deus e paulatinamente aquilo foi sendo superado.
     Durante alguns meses Madre Boleslava dirigiu o trabalho das monjas em Wolynia, em 1922 fundou uma nova Casa na Pomerânia, na Polônia oriental, onde a população era pobre e a maior parte de religião ortodoxa.
     A partir de 1924, começou a abrir outras Casas na arquidiocese de Vilna e na diocese de Pinsk; em 1935 já existiam 33 Casas espalhadas por toda Polônia e uma em Roma.
     Em 1925, Madre Boleslava foi a Roma para conseguir a aprovação pontifícia de sua Congregação, mas não a conseguiu por falta de clareza sobre as tarefas das monjas, divididas em dois ramos: apostolado e ensino e direção doméstica das Casas.
     Em 1935, Madre Boleslava Maria Lament decidiu renunciar ao cargo de Superiora Geral por graves motivos de saúde, e num acordo com a nova Superiora se retirou em Bialystok, onde, embora idosa e gravemente doente, se dedicou a abrir escolas, um hospital para mulheres sozinhas e um refeitório para os desempregados.
     A 2ª. Guerra Mundial gerou novas dificuldades para a idosa Madre Boleslava, incluindo a ameaça nazista; foi obrigada a mudar a forma de atuar, adaptando-se às necessidades da época. Em 1941 foi atacada pela paralisia e se dedicou a uma vida mais ascética, transmitindo preciosos conselhos às suas irmãs de hábito.
     Morreu santamente em Bialystok em 29 de janeiro de 1946, aos 84 anos; foi levada para o convento de Ratow e enterrada na cripta da Igreja de Santo Antônio.
     A Congregação das Irmãs Missionárias da Sagrada Família está difundida na Polônia, Rússia, Zâmbia, Líbia, EUA e Itália.
 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Santa Devota, patrona do Principado de Mônaco - 27 de janeiro

    
     Devota nasceu em Mariana, Córsega, em 283 d.C. Decidiu consagrar-se a Deus como virgem e no ano 304 foi martirizada durante uma perseguição desencadeada pelo governador provincial Diocleciano.

     O governador ordenou queimar seu corpo, porém este foi recuperado por um grupo de cristãos que tinham a intenção de levá-lo de barco para a África para sepultá-lo ali.
     Durante a viagem, o barco foi sacudido por uma tormenta durante a qual uma pomba saiu do corpo da santa guiando o barco até um lugar seguro conhecido como o vale de Les Gaumates, em Mônaco, onde está localiza a atual Igreja de Santa Devota.
     Isto ocorreu no sexto dia antes das calendas de fevereiro, que corresponde aproximadamente ao dia 27 de janeiro, data de sua festividade.
     Santa Devota é muito venerada em Mônaco devido sua relação com o principado e o primeiro livro escrito em monegasco pelo poeta Louis Noari, A Legenda de Santa Devota, relata a história desta santa.
*
     A Igreja de Santa Devota é uma igreja paroquial situada no distrito de La Condamine, Mônaco. Um cemitério foi criado junto à igreja. Uma pequena capela foi construída antes do ano 1070 próximo de um túmulo no vale de Les Gaumates, onde, segundo a tradição, foi enterrado o corpo de Santa Devota. Em 1075, tendo como base uma doação, esta capela passou para a jurisdição da abadia beneditina de Saint-Pons. A capela sofreu sucessivas ampliações e restaurações, incluindo as de 1476, 1606, 1637 e 1870.
     A igreja atual foi construída pelo príncipe Carlos III, e foi inaugurada em 25 de janeiro de 1871. Os vitrais eram de Nicolas Lorin, de Chartres. Eles foram destruídos durante o bombardeio de Mônaco durante a 2ª Guerra Mundial, e restaurados por Fassi Cadete, de Niza, em 1948. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Santa Emerenciana, Virgem e Mártir - 23 de janeiro

 
     Mártir romana que morreu em 304 durante as perseguições de Diocleciano.
     Segundo o Martirológio Romano e a Lição do Breviário deste dia, Santa Emerenciana era irmã de leite de Santa Inês. Eram pois aproximadamente da mesma idade. Mas Emerenciana era catecúmena (cristã convertida que ainda não havia recebido o batismo).
     Dois dias depois do martírio de Santa Inês, Santa Emerenciana morreu apedrejada quando se encontrava rezando junto ao túmulo de sua irmã de leite, pois confessou também ser cristã. Desta forma Emerenciana recebeu o batismo de sangue.
     Este relato constitui uma espécie de apêndice das “Actas” de Santa Inês, mas não devem ser tomados ao pé da letra; existem provas de que a mártir chamada Emerenciana esteve inicialmente sepultada no "Coemeterium majus". Este cemitério fica um pouco distante da Via Nomentana, local onde foi erigida a Basílica de Santa Inês.
     Consta que Santa Emerenciana era celebrada nos dias 23 de janeiro e 16 de setembro junto com os Santos Victor, Félix e Alexandre, mas por alguma razão seus restos foram trasladados posteriormente para a Basílica de Santa Inês e assim as duas Santas foram relacionadas pela legenda.
     Santa Emerenciana é Padroeira de Teruel, Espanha.
 
Etimologia: Emerenciana, do latim Emerentianus ou Emerêncio de Emerentius: “digno; o que tem merecimento”.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Santa Inês, Virgem e Mártir - 21 de janeiro

     São Jerônimo, em referência a esta santa, escreve: “Todos os povos são unânimes em louvar Santa Inês, porque vencendo a fraqueza da idade e o tirano, coroou a virgindade com a morte do martírio”. De modo semelhante se exprimem Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Com Maria Santíssima e Santa Tecla, Santa Inês é invocada para obter-se a virtude da pureza.
     Inês nasceu em Roma, descendente da nobre e poderosa família Cláudia e desde pequena foi educada pelos pais na fé cristã. Cresceu virtuosa e logo que soube avaliar a excelência da pureza virginal ofereceu-a a Deus num santo voto. A riqueza, formosura e nobre origem de Inês fizeram com que diversos jovens de famílias importantes de Roma a pedissem em casamento. A todos Inês respondia que seu coração já pertencia a um esposo invisível a olhos humanos.
     Às declarações de amizade e afeto dos pretendentes seguiu-se a denúncia, que arrastou a donzela ao tribunal, para defender-se contra a acusação de ser cristã. A maneira que o juiz a tratou para conseguir que abandonasse a religião obedeceu ao programa costumeiro em tais ocasiões: elogios, desculpas, galanteios e promessas. Experimentada a ineficácia destes recursos, entravam em cena imposições, ameaças, insultos, brutalidades.
     O juiz fez Inês saborear todos os recursos da força inquisitorial da justiça romana. Arrastada com brutalidade ao lugar onde se achavam imagens de deuses e intimada a queimar incenso, a donzela levantou as mãos puríssimas ao céu, para fazer o sinal da cruz. No auge do furor, vendo baldados todos os esforços, o juiz teve uma inspiração diabólica: condenou-a a ser exposta nua num prostíbulo no Circo Agnolo (hoje Praça Navona, onde se ergue a Basílica de Santa Inês in Agone).
     Diz a história que, introduzida no local da desonra, uma luz celestial a protegeu e ninguém ousou aproximar-se dela. Seus cabelos cresceram maravilhosamente cobrindo seu corpo. Ao ser defendida por um anjo guardião, um dos seus lascivos pretendentes caiu morto. Os companheiros, tomados por um grande pavor, tiraram o corpo do infeliz e levaram-no para outro lugar. Mas a santa, apiedada, orou a Deus e o ressuscitou.
     Temeroso, o Prefeito Simprônio passou o caso ao seu cruel substituto, Aspásio. Após novo interrogatório, a menina foi condenada a morrer queimada. As chamas também não a tocaram, voltando-se contra seus algozes e matando muitos deles. Foi por fim decapitada, a mando do vice-prefeito de Roma, Aspásio.
     O juiz, profundamente humilhado com esta inesperada vitória da Santa, deu ordem para que fosse decapitada. O algoz tinha recebido ordem para antes de executar a sentença de morte convidar Inês para prestar obediência à intimação do juiz. Feito pela última vez, Inês com firmeza o rejeitou. Ajoelhando-se, inclinou a cabeça, ao que parecia para prestar a Deus a última adoração aqui na terra, quando a espada do algoz lhe deu o golpe de morte.
     Santa Inês completou o martírio aos 21 de janeiro de 304 ou 305, tendo apenas a idade de 13 anos. Seus pais sepultaram seu corpo num terreno próximo da Via Nomentana, onde a princesa Constantina, filha do imperador Constantino mandou erguer a majestosa Basílica de Santa Inês Fora dos Muros, palco de grandes milagres por intermédio da santa virgem.
     A história conta que oito dias depois da morte, Inês apareceu em grande glória aos pais que rezavam em seu túmulo, segurando um cordeirinho branco e cercada de muitas virgens e anjos, e anunciou-lhes sua grande felicidade no céu.
     Santa Inês é padroeira das Filhas de Maria, por causa da sua pureza angélica. Os jardineiros também a veneram como padroeira, por ser o modelo perfeito da pureza como Maria Santíssima, que é chamada “hortus conclusus”, horto fechado. É padroeira dos noivos, por ter-se chamado esposa de Cristo. Do nome Inês há duas interpretações, a grega e a latina. Inês em grego é Hagne, isto é, pura; em latim, Agna significa cordeirinho.
     Santo Agostinho admitia as duas interpretações: “Inês, diz ele, significa em latim um cordeirinho e em grego a pura”.
     No dia da festa desta Santa, na sua igreja em Roma são apresentados e bentos cordeirinhos de cuja lã são confeccionados os “palliums” dos Arcebispos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Santa Eufrosina, Virgem - 16 de janeiro

     
Santa Eufrosina se dá a conhecer a seu pai
     Eufrosina faleceu por volta do ano 470. Sua história faz parte do grupo de legendas que relatam como virgens cristãs que para serem mais bem sucedidas na escolha de uma vida celibatária e ascética em que se desejavam consagrar, se trajavam como homens e passavam por um deles.
     De acordo com o relato de sua vida na “Vitae Patrum”, Eufrosina era a única filha de Paphnutius, um homem rico de Alexandria, que desejava casá-la com um rico jovem. Mas tendo ela consagrado sua vida a Deus e aparentemente não vendo outros meios de manter os seus votos, vestiu-se como um homem e sob o nome de Smaragdus conseguiu ser admitida num mosteiro masculino próximo de Alexandria, onde ela viveu desde então por trinta e oito anos.
     Ela logo atraiu a atenção do abade pela rápida caminhada que fez em direção a perfeição na vida ascética. Quando Paphnutius procurou o abade e apelou para que ele o confortasse em seu sofrimento, o superior do mosteiro colocou-o sob os cuidados do jovem monge Smaragdus.
     O pai então recebeu da própria filha, que ele não conseguiu reconhecer, conselhos e exortações que o confortaram. Ela somente revelou-se ao pai no momento de sua morte, quanto ele soube que ela era sua filha desaparecida. Após a morte de Eufrosina Paphnutius também entrou mosteiro.
     Sua festa é celebrada na Igreja Católica no dia 16 de janeiro e pelos Carmelitas em 11 de fevereiro.
 
Fonte: Enciclopédia Católica
 
Etimologia: Eufrosina, do grego Euphrosyna: “alegre, jovial, agradável”.

Beata Eufêmia Domitila, Abadessa - 17 de janeiro

Antiga igreja de Racibórz, atualmente museu
 
     Eufêmia Domitila era filha do Duque Przemysław de Ratibor (Racibórz), Silésia, Polônia. Entrou no convento dominicano daquela cidade e mais tarde se tornou priora do mesmo. Eufêmia faleceu no dia 17 de janeiro de 1359 e gozava da fama de santidade. O povo a venerava como beata. Desde 1821 seu corpo se encontra na igreja paroquial de Liebfrauen, na Alemanha.
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     O Ducado de Racibórz foi formado em 1172 como território de Mieszko, tendo como principais cidades Racibórz, Koźle e Cieszyn.
     Após várias anexações, em 1327 o filho do Duque Przemysław, Duque Leszek, prestou homenagem a D. João da Boêmia, após o que seu ducado tornar-se um feudo da Boemia.
     Após Leszek morrer sem herdeiros, em 1336, o Rei João concedeu o ducado para o Duque Nicolas II de Opava, formando o Estado Ducado de Opava e Racibórz. O ducado iria sofrer várias alterações territoriais até em 1521 foi novamente fundido com Opole sob o governo do Duque Jan II, o Bom.
      Após a morte do Duque Jan em 1532, o Ducado de Opole e Racibórz voltou a pertencer aos Habsburgo, reis da Boêmia desde 1526. O feudo foi dado em penhor ao Margrave George de Brandenburg Ansbach da Casa de Hohenzollern, mais tarde brevemente para a polonesa Casa de Vasa e, finalmente, foi anexado e incorporado ao Reino da Prússia pelo Tratado de Breslau em 1742.
     O título de "Duque de Ratibor" foi adquirido pelo Landgrave Victor Amadeus de Hesse Rotenburg em 1821. Em 1840 o rei Frederico Guilherme IV da Prússia concedeu-o para o sobrinho do landgrave, Príncipe Victor de Hohenlohe Schillingsfürst, que por sua vez renunciou em favor de seu irmão mais novo Chlodwig.
     Atualmente Racibórz é uma cidade da Polônia, do Condado de Raciborski. Estende-se por uma área de 74,96 km2, com 60.218 habitantes, segundo o censo de 2006.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Venerável Ana de Guigné - 14 de janeiro


 Uma tão grande alma para uma tão pequena menina
 
     Em 1915, um ano após o início da primeira guerra mundial, enquanto os combates se atolam nas trincheiras, todas as famílias de França sabem que uma visita de oficiais do estado civil num lar significa o anúncio de uma morte a frente de batalha. Assim, quando a 29 de julho de 1915, a Senhora de Guigné vê o presidente da câmara de Annecy-le-Vieux chegar à porta da sua residência, ela percebe que o seu marido, ferido já em três ocasiões, não regressará mais.
“Ana, se me queres consolar, tens de ser boazinha”, diz a mãe à sua filha de tão-somente quatro anos de idade, a mais velha dos seus quatro filhos. A partir desse momento, a criança até aí voluntariosamente desobediente, orgulhosa e invejosa, vai realizar, com tenacidade e continuidade, um combate de cada instante a fim de se tornar boa, o combate da sua transformação interior que ela vencerá graças à sua vontade, obviamente, mas sobretudo – e é ela a dizê-lo – através da oração e de sacrifícios que ela se impõe. Veem-na ficar vermelha, serrando os seus pequenos punhos para controlar o seu forte caráter perante as contrariedades que enfrenta; depois, pouco a pouco, as crises diminuem até ao ponto dos seus familiares e conhecidos ficarem com a impressão que tudo se lhe tornou agradável. O amor pela sua mãe que ela quer consolar vai assim tornar-se o seu caminho para o seu Deus.
Este caminho encontra-se balizado pelas numerosas reflexões de Ana que nos revelam a intensidade da sua vida espiritual e pelos numerosos testemunhos dos seus próximos que recordam os esforços contínuos que ela fazia para progredir na sua conversão. Para Ana de Guigné, o farol que ilumina o seu caminho de conversão é a sua primeira comunhão à qual aspira com todo o seu ser e toda a sua alma e que ela prepara com alegria. Chegado o momento, a sua tenra idade necessitando uma licença especial, o bispo impõe-lhe um exame que ela ultrapassará com uma facilidade desconcertante. “Desejo que estejamos sempre ao nível de instrução religiosa desta criança”, dirá o seu examinador.
 A continuação da sua curta vida traduz a paz de uma grande felicidade íntima alimentada pelo amor ao seu Deus que se aplica, à medida que cresce, a um círculo de pessoa cada vez mais vasto: seus parentes e familiares, pessoas com quem vai contatando, os doentes, os pobres, os não crentes.
Ela vive, reza, sofre pelos outros. Atingida precocemente pelo reumatismo, ela sabe o que é o sofrimento e corresponde-lhe com uma oferta: “Jesus, eu vo-lo ofereço”, ou ainda “Ó, eu não sofro; aprendo a sofrer!”
Mas em dezembro de 1921, é afetada por uma doença cerebral – sem dúvida uma meningite – que a força a permanecer acamada. Ela repete incessantemente: “Meu Deus, eu quero tudo o que quiserdes”, e acrescenta sistematicamente às orações que são feitas pelas suas melhoras: “e curai também todos os outros doentes”.
Ana de Guigné morre na madrugada de 14 de janeiro de 1922 após este último diálogo com a religiosa que vela por ela: “Irmã, posso ir com os anjos?” - “Sim, minha bela pequena menina”. “Obrigada, Irmã! Ó obrigada!”.
Esta menina é uma “santa”, tal é então o veredito geral. Os testemunhos abundam, artigos são publicados e o Bispo de Annecy inicia em 1932 o processo de beatificação. Mas então a Igreja não tinha tido ainda a necessidade de ajuizar sobre a santidade de uma criança que não fosse mártir. Os estudos conduzidos em Roma sobre a possibilidade da heroicidade das virtudes da infância foram concluídos positivamente em 1981 e a 3 de março de 1990 o decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Ana de Guigné e declarando-a “venerável” era assinado pelo papa João Paulo II. 
Notas escritas e bilhetes
“Meu pequeno Jesus, eu vos amo e para vos agradar tomo a resolução de obedecer sempre.” (Bilhete deixado sobre o altar aquando da sua primeira comunhão)
“O pequeno Jesus, parece-me que me respondeu no meu coração. Eu dizia-Lhe que queria ser muito obediente e pareceu-me ouvir: sim, sê-o.” (bilhete à mãe 1917)
“Eu quero que o meu coração seja puro como um lírio”.
“Quero que Jesus viva e cresça em mim. Que meios tomar para isso?” (Notas de retiro 1920)
“Bem podemos sofrer por Jesus pois Jesus sofreu por nós”.
Numa imagem do Calvário que ela tinha feito, Ana escreve: “De pé diante da Cruz sobre a qual o seu Filho estava suspenso, a Mãe das dores chorava com resignação. Dai-me a graça de chorar convosco”. Ela acrescentava: “Porque Jesus não é suficientemente amado”.
 
Emprestai-m’O, Oh Maria minha boa Mãe
Emprestai-me o vosso filho, apenas um segundo,
Colocai-o nos meus humildes braços.
Permiti-me, Maria
De beijar os pés do vosso querido Filho
Que me deu tantas graças.
Como eu desejo, ó Maria
Receber nos meus braços o vosso Filho,
Dai-m’O, dai-m’O!
Que feliz eu sou agora
Pois tenho-O comigo!
(Canto composto por Ana para a comunhão)
     À sua mãe que lhe pergunta por que razão deixou de usar o seu missal, ela responde: “Porque sei de cor as suas orações e distraio-me facilmente ao lê-lo. Pelo contrário, quando falo ao pequeno Jesus nunca me distraio. É como quando falamos com alguém, Mãezinha, sabemos muito bem o que dizemos”. (dezembro de 1919)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Beata Verônica de Binasco, Virgem - 13 de janeiro

    
     A vida da Beata Verônica de Binasco pode ser lida num dos numerosos volumes conservados na preciosa biblioteca do mosteiro de Santa Rita de Cássia. A biografia publicada em Foligno, no longínquo 1709, recorda a figura de uma esposa de Cristo perfeita, um modelo de verdade evangélica.

     Verônica nasceu em Binasco, cidade entre Pavia e Milão, em 1445. Foi batizada com o nome de Joana. Pertencia a uma família de lavradores pobres, mais rica de virtudes do que de bens tirados da terra. Devido à pobreza, seus pais precisaram colocá-la muito cedo para trabalhar no campo. Em vez de dar ouvidos às conversas mundanas e às canções populares, ela se entregava às orações e parecia alheia a tudo o que se passava ao seu redor. Esta flor de virtude iria desabrochar na vida religiosa.
     Movida pelo ardente desejo de entrar para a família das Irmãs Agostinianas de Santa Marta, em Milão, Verônica dedicou uma parte de suas noites a aprender a ler e a escrever, condição necessária para ser admitida no convento.
     Seus esforços foram em vão e, desencorajada, ela se queixou à Virgem Santíssima, que lhe apareceu, dizendo: “Minha filha, não se inquiete; você precisará aprender apenas as três lições que eu trago do Céu. A primeira é a pureza do coração, que nos leva a amar Deus acima de todas as coisas; você deve ter apenas um amor, o de meu Filho. A segunda é a de não murmurar contra os defeitos do próximo, mas suportá-los com paciência, orando por ele. A terceira é meditar todos os dias a Paixão de Jesus Cristo, que a aceita por Sua esposa”.
     A partir desse momento, Verônica não se preocupou mais com o alfabeto e os livros, mas encontrou o caminho da “ciência dos santos”. Finalmente foi recebida entre as irmãs convertidas de Santa Marta em 1466.
     O seu leito consistia em um saco de palha; usava o cilício e seus hábitos não eram adaptados ao frio. O alimento era insípido e renunciou ao vinho. Mas Verônica distinguiu-se não apenas pelas virtudes mais brilhantes, mas pelos dons os mais extraordinários. Seus olhos eram infinitas fontes de lágrimas. Frequentemente Nosso Senhor lhe aparecia. Certa feita Ele recitou o Ofício Divino com ela; outra vez, Ele Se mostrou a ela pregado na Cruz, a cabeça coroada de espinhos, o rosto pálido e desfigurado, o corpo coberto de chagas. Esta visão fez Verônica desmaiar. Os demônios a atormentavam de mil maneiras, procurando aniquilar uma virtude tão heroica, mas seus ataques serviram apenas para aumentar os méritos da religiosa.
     Sofreu intensas dores por êxtases durantes anos. Ela teve um visão de Cristo em 1494 quando recebeu uma mensagem para o Papa Alexandre VI. Fez a viagem para Roma para entregar a mensagem que o papa recebeu com admiração pela sua notável exatidão e coerência vindo de uma irmã sem profundos conhecimentos dos Evangelhos.
     Todos os dias, durante um ano, o santo venerado pela Igreja a cada dia lhe aparecia e instruía. Os Anjos a serviam e, durante os três anos que precederam sua morte, um destes espíritos celestes lhe trazia, às segundas, terças e quartas-feiras de cada semana, um pão que a saciava, tirando-lhe o gosto por qualquer outra comida. Sua vida, envolta em maravilhas, foi coroada por uma santa morte, cujo dia e hora Verônica havia predito.
     Depois de um doença de 6 meses, faleceu em 13 de janeiro de 1497 em Milão. Beatificada pelo Papa Leão X em 1517, em 1672 o Papa Clemente X estendeu sua devoção a toda a Ordem Agostiniana.
 
Tradução e Adaptação: Gisele Pimentel gisele.pimentel@gmail.com
Fontes: www.santiebeati.it; Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.
Etimologia: Veronica, do grego, “portadora de vitória”.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Beata Maria Dolores Rodriguez Sopeña, Fundadora - 10 de janeiro

    
     Maria Dolores foi a quarta dos sete filhos de Tomás Rodríguez Sopeña, um jovem magistrado, e Nicolasa Ortega Salomón. Sua infância foi um “lago de tranquilidade”, segundo ela mesma. Trasladou-se para Almería e com dezessete anos começou a frequentar festas levando uma vida social, porém descobriu que o que lhe interessava era fazer o bem aos demais. Atendia aos pobres, especialmente a um leproso e a duas irmãs doentes de tifo.
     Seu pai foi transferido para Porto Rico e vai para lá com seu filho mais velho, enquanto o resto da família vai viver em Madrid. Ali Maria Dolores colabora ensinando doutrina católica na prisão feminina, no Hospital da Princesa e nas Escolas Dominicais. Pouco tempo depois toda a família se reúne em Porto Rico, onde ela funda as Filhas de Maria e as Escolas Dominicais para meninas.
     Devido a uma nova transferência de seu pai como fiscal do rei na Audiência de Cuba, ela se mudou para Santiago de Cuba. Ali visita os doentes do hospital militar. Começou a trabalhar nos bairros de periferia e fundou, com a ajuda de algumas colaboradoras, os Centros de Instrução em três bairros diferentes, onde se ensina cultura geral, catecismo e se dá assistência médica. Fundou em Cuba as Damas Catequistas, Instituto para catequizar a população mais pobre, que incluía negros e mestiços. Colaborou com ela José Maria Orberá, vigário desta arquidiocese naquela época e que anos mais tarde seria bispo de Almería. Maria Dolores estabeleceria depois vários destes Centros em várias cidades cubanas e espanholas.
     Com a morte de sua mãe, seu pai se aposenta e volta para Madrid em 1877. Seu pai falece em Madrid. Ela inicia seus trabalhos no bairro das Injúrias e funda Centros de Instrução. Por sugestão do bispo de Madrid, Ciriaco Sancha, em 1892 funda uma associação de apostolado secular, hoje denominada Movimento de Leigos Sopeña. Também criou Centros Operários de Instrução, onde assistiam os operários fortemente influenciados pelo anticlericalismo, pois não se podia pretender ensinar a religião diretamente.
     Em 1896, ela estendeu suas comunidades e centros por toda Espanha, sobretudo pelas cidades mais industrializadas de então. Em 1901 fundou o Instituto que atualmente é denominado Instituto Catequista Dolores Sopeña. Em 1902, o Governo da Espanha aprovou os estatutos de sua associação civil de Obra social, atualmente chamada Obra Social e Cultural Sopeña (OSCUS).
     A primeira fundação fora da Espanha a faz na Itália em 1914, e em 1917 as primeiras catequistas viajam para abrir no Chile a primeira casa na América. Entra em contato com os principais movimentos sociais da época. Em 1915 recebeu a Cruz de Afonso XII por seus desvelos pelos mais humildes.
     Maria Dolores faleceu em Madrid no dia 10 de janeiro de 1918. Em 23 de março de 2003 foi beatificada em Roma.
     Atualmente a família Sopeña, formada pelas três instituições que ela fundou (o Instituto Catequistas Dolores Sopeña, o Movimento de Leigos Sopeña e a OSCUS), está presente na Espanha, Itália, Argentina, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, México e São Domingos.
 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Santa Virginia, patrona de Sainte-Vierge - 7 de janeiro

    
     Esta pequena pastora é venerada no Poitou, na França. Sua ‘vida’ é resultado de uma tradição popular aparentemente legendária. Ela é patrona de Sainte-Vierge, em Deux Sèvres, vizinha à Poitiers, e a sua festa é celebrada no dia 7 de janeiro. Há uma igreja paroquial a ela dedicada e uma medalha muito difundida leva sua efigie.
     Ignora-se qual a época exata em que ela viveu. As suas relíquias foram dispersas em 1793, durante a Revolução Francesa.
     São as únicas informações que temos sobre ela, porém seu nome se tornou muito comum na Itália e na França. Ele provém do latim “virgo”, por sua vez derivado do etrusco, e significa “virgem”.
     Em 1777 Vitor Alfieri escreveu sua tragédia homônima, inspirada na legenda do século V a.C., em que Virginia, assediada por Appio Claudio, foi morta pelo pai, Lúcio, para livrá-la da desonra.
     Na antiguidade latina o nome Virginia (o) indicava os jovens de ambos os sexos prontos para o matrimônio.