Ana Eugênia Milleret
de Brou nasceu em Metz no dia 25 de agosto de 1817; sua infância transcorreu
entre a casa natal dos Milleret de Brou e a vasta propriedade de Preisch, na
fronteira entre Luxemburgo, Alemanha e França. De uma família incrédula cujo pai,
voltairiano, era um alto funcionário e a mãe, uma excelente educadora que só
praticava um formalismo religioso, Ana Eugênia teve um verdadeiro encontro
místico com Jesus Cristo no dia de sua Primeira Comunhão, no Natal de 1829: “Nunca
o esqueci”.
Aos
13 anos uma grave doença obrigou Ana a interromper os estudos, que teve que
prosseguir sozinha. As provas de Ana continuaram em 1830: durante a revolução
contra o rei Carlos X, que deu o trono da França a Felipe de Orleans, o pai
caiu na ruína e teve que vender o Castelo de Preisch, e mais tarde a casa de
Metz. Seus pais se separaram; ela foi para Paris com a mãe, que uma epidemia
de cólera – uma doença que açoitava com
grande força Paris naquela época – colherá brutalmente em 1832. Uma rica
família amiga de Châlons a acolheu.
Aos
17 anos, conheceu a solidão em meio dos mundanismos que a rodeiam: "Vivi
uns anos me perguntando sobre a base e o efeito das crenças que não havia
compreendido... Minha ignorância sobre o ensino da Igreja era inconcebível e,
contudo, havia recebido as instruções comuns do Catecismo". (Carta ao Pe.
Lacordaire, 1841).
Seu
pai a fez voltar para Paris. Durante a Quaresma de 1836, ouviu o Pe. Lacordaire
pregar na Catedral de Notre-Dame. "Vossa palavra despertava em mim uma fé
que nada pode fazer vacilar". "Minha vocação começou em Notre-Dame",
diria mais tarde.
Na
Quaresma de 1837, Ana Eugênia encontrou o Pe. Combalot, que pregava em São
Sulpício, e que a orientou na fundação de uma nova Congregação. Ele sonhava
fundar uma congregação dedicada a Nossa Senhora da Assunção para formar jovens
dos meios dirigentes, a maioria irreligiosa; ela sonhava com a vocação
religiosa.
O
Pe. Combalot enviou Ana Eugênia ao Convento da Visitação de La Côte-Saint-André
(Isère), experiência que deixaria nela a marca do espírito e da espiritualidade
de São Francisco de Sales. Já tinha as bases de sua pedagogia: rechaçava uma
educação mundana em que a instrução cristã fosse pouca, queria um cristianismo
autêntico e não um verniz superficial, queria dar para as jovens uma educação à
luz de Cristo.
Em
outubro de 1838, se encontrou com o Pe. d’Alzon. Esta grande amizade duraria 40
anos. Em 30 de abril 1839, com 22 anos, se unem a ela duas jovens para realizar
o seu projeto em um apartamento pequeno da Rua Férou; em outubro já eram quatro
em um andar da Rua de Vaugirard. Elas estudam teologia, a Sagrada Escritura e
as ciências profanas. Kate O’Neill, uma irlandesa, se uniu a elas e tomou o
nome de Teresa-Emanuel. De personalidade forte, ela acompanharia Ana Eugênia
oferecendo-lhe sua amizade e sua ajuda durante toda sua vida.
Em
maio de 1841, as Irmãs se separaram definitivamente do Pe. Combalot. Mons.
Affre lhes ofereceu o apoio de seu vigário geral, Mons. Gros.
As
Irmãs retomam os estudos e fazem sua primeira profissão religiosa em 14 de
agosto de 1841. A pobreza em que viviam era grande e a comunidade não
aumentava. Isto não impediu Madre Maria Eugênia de abrir o primeiro colégio na
primavera de 1842, no Impasse des Vignes. Mais tarde se instalou em Chaillot,
porque a comunidade crescia e se tornava cada vez mais internacional. Às vezes
ela se queixava dos sacerdotes e dos leigos: "Seu coração não bate por
nada que seja grande".
No
Natal de 1844, Madre Maria Eugênia fez sua Profissão perpétua, com um
quarto voto: “Estender por toda minha vida o Reino de Jesus Cristo...”.
Madre
Maria Eugênia desejava para suas filhas “contemplativas da ação” a recitação do
Ofício Divino como devoção principal por ser a oração oficial da Igreja, e o
centro de sua espiritualidade devia ser Jesus Eucaristia. Roma reconheceu esta
nova Congregação em 1867. As Constituições, ou a Regra da Congregação da
Assunção, foram definitivamente aprovadas em 11 de abril de 1888.
A
morte do Pe. d’Alzon em 1880 pressagiava o despojamento que ela havia
entrevisto como necessário em 1854: "Deus quer que tudo caia ao meu redor".
Irmã Teresa-Emanuel faleceu em 3 de maio de 1888, e sua solidão se tornou mais
profunda.
Entre
1854 e 1895, nasceram novas comunidades na França, seguidas das fundações na
Inglaterra, Espanha, Nova Caledônia, Itália, América Latina e Filipinas.
As
viagens, as construções, os estudos, as decisões se sucediam. Sua preocupação
constante, porém, será sempre sua intuição inicial, a que as Irmãs têm que ser
fieis aos chamados do Senhor: "Na educação, uma filosofia, um carácter,
uma paixão. Porém, que paixão dar? A da Fé, a do Amor, a da realização do
Evangelho”. As religiosas devem ser professoras educadoras adaptando-se às
necessidades que vão se apresentando, sem deixar de lado a observância
monástica.
Quando
descobriu a debilidade da velhice, "um estado no qual só resta o amor",
Madre Maria Eugênia foi se apagando pouco a pouco: "Só me resta ser boa".
Vencida por uma paralisia em 1897, somente terá seu olhar para expressar essa
bondade. Em 10 de março de 1898, entregou sua alma a Deus.
Madre
Maria Eugênia de Jesus foi beatificada em 9 de fevereiro de 1975 pelo papa
Paulo VI; e em 3 de junho de 2007 o papa Bento XVI canonizou-a em
Roma, na Festa da Santíssima Trindade.

A vida e a obra de
Santa Colete se situam numa época extremamente tormentosa: a Guerra dos Cem
Anos, gerada pelas rivalidades sangrentas entre duas famílias principescas da
França; e o Cisma do Ocidente que dividia a Cristandade. Na Ordem franciscana,
as dissensões - nascidas já em vida de São Francisco - entre os partidários da
regra estrita e os que desejavam mitigações, terminaram com a vitória destes
últimos.
Quanto ao ramo feminino da Ordem, o
direito de possuir bens, concedido por Alexandre IV ao mosteiro de Longchamps,
próximo de Paris, fundado pela Beata Isabel de França, irmã de São Luís IX,
começou a enfraquecer seriamente o "privilégio da pobreza" arduamente
defendido por Santa Clara.
Em 1263, Urbano IV estendeu a regra
mitigada a todos os conventos de Clarissas e só raras comunidades guardaram a
estrita observância primitiva. Autorização de possuir bens e tolerâncias
relativas à clausura levaram à tibieza os conventos "urbanistas".
É neste contexto que devemos compreender a
missão de Santa Colete.
A vocação
Nicolette Boylet ou Boëllet nasceu em
Corbie, diocese de Amiens, França, em 13 de janeiro de 1381. Seus pais, Roberto
Boylet e Marguerite Moyon, quase sexagenários, colocaram este nome na menina em
sinal de reconhecimento a São Nicolau de Bari pelo seu nascimento. O pai era
artista carpinteiro, caridoso e virtuoso; a mãe confessava-se e comungava toda
semana, coisa rara naquela época.
A menina cresceu em um ambiente acolhedor
e muito religioso. Aos quatro anos já tinha uma vida de oração; aos sete, fazia
uma hora de oração diária e assistia clandestinamente as Matinas cantadas nos
beneditinos. Ela dirá mais tarde que aos nove anos recebeu plena e inteira
revelação do espírito da Ordem franciscana e da necessidade de sua reforma.
Em 1399, seus pais faleceram com alguns
meses de intervalo um do outro. O pai confiara a filha aos cuidados de D. Raoul
de Roye, abade do mosteiro beneditino de Corbie. Este desejava que ela se
casasse. Colete recusou-se e acabou obtendo sua permissão para doar seus bens
aos pobres e para entrar para a beguinaria (*) de Amiens, onde ficou apenas um
ano por achar muito suave a disciplina ali vigente.
Pelo mesmo motivo fez tentativas
frustradas junto às beneditinas de Corbie e no Convento de Moncel, que seguia a
regra de Urbano IV.
Colete retornou a Corbie e seus
concidadãos, que anteriormente a admiravam, passaram a desprezá-la porque a
consideravam uma instável. Seu tutor começava a se impacientar com seus
"caprichos".
Neste isolamento moral, a Providência
colocou o Padre João Pinet em seu caminho. Ele era guardião do convento de
Hesdin, fervoroso religioso de São Francisco, intensamente desejoso de fazer
reviver a observância primitiva da Ordem. Este religioso aconselhou-a a se
fazer reclusa da Terceira da Ordem de São Francisco.
Em 17 de setembro de 1402, festa dos
Estigmas de São Francisco, ela pronunciou o voto de clausura, e passou a viver
numa pequena ermida próxima da igreja paroquial de Nossa Senhora, em Corbie.
Emparedaram-na entre dois contrafortes da igreja, numa pequeníssima cela que
recebia a luz através de uma grade de ferro que dava para a igreja. Ali
permaneceu por três anos, jejuando durante a Quaresma a pão e água, dormindo
sobre um punhado de gravetos espalhados no chão.
A reformadora
Em sua reclusão as visões se multiplicaram: por determinação de São Francisco e
de Santa Clara, que lhe apareceram, ela devia reformar a Ordem segunda
franciscana. Colete temia que tais visões fossem causadas "pelo inimigo do
inferno". Ela consultou clérigos de seu meio e todos concordam em que ela
devia agir. Após muita relutância, fruto de sua humildade, empreendeu a reforma
inspirada por Deus.
Ela precisava de alguém que a aconselhasse
e mais uma vez a Providência vem em seu auxílio: o Padre Henrique de Baume,
religioso franciscano de grande virtude, que sofria com a decadência da sua
Ordem, tornou-se seu diretor espiritual e seu colaborador zeloso. Ele obtém a
adesão da Condessa Branca de Genebra para a causa de Colete. Em Besançon, ele
se encontra com Isabeau de Rochechouard, viúva do Barão de Brissay, que o
acompanha a Corbie.
Durante o Cisma havia três papas ao mesmo
tempo: um em Roma, outro em Avinhão e o terceiro em Pisa. A França - bem como a
Espanha e a Escócia - prestava obediência ao papa de Avinhão, que então era
Bento XIII.
Em 1406, obtida a dispensa do voto de
reclusão perpétua, Colete dirigiu-se a Nice, acompanhada do Padre Baume e da
Baronesa de Brissay, para se encontrar com Bento XIII. Expõe-lhe detalhadamente
seu propósito restaurador.
Depois de profunda reflexão, Bento XIII
impôs-lhe o véu e o cordão seráfico e nomeou-a Superiora Geral de todos os
conventos de Clarissas que viesse a fundar ou reformar. Autorizava Colete a
transferir para o convento que fosse fundar as religiosas de mosteiros
estrangeiros, e acolher eventualmente membros da Ordem Terceira franciscana.
Bento XIII expediu a bula autorizando a reforma no dia 16 de outubro de 1406.
Os católicos viviam na perplexidade e na
boa vontade durante esses tormentosos anos do Cisma; estavam do lado que tinham
por autêntico, ou que lhes indicavam suas autoridades. Santa Catarina de Siena
e Santa Catarina da Suécia estavam com o papa de Roma, enquanto São Vicente
Ferrer e Santa Colete estavam com o de Avinhão, concretamente com Bento XIII.
Não foi fácil para Colete dar andamento
aos seus projetos imediatamente. Durante alguns anos suas tentativas de reforma
fracassaram. Seu empenho teve o apoio de personagens tão relevantes como a
Condessa de Genebra e das duquesas de Borgonha e da Baviera.
No Franche-Comté, com mais três amigas,
que se tornaram suas primeiras filhas, ela se instalou. A comunidade logo
cresceu e foi preciso procurar um lugar mais espaçoso. Em 1410, conseguiu
finalmente autorização para ocupar o convento de urbanistas de Besançon, onde
viviam apenas duas irmãs. A reforma estava assegurada. Àquele convento logo
seguiram outros até um total de 17, reformados ou novas fundações.
Como norma, cada convento devia ter quatro
frades a seu serviço. Assim, a dinâmica reformadora sempre mantinha contato com
os Gerais Franciscanos. Os Gerais da Ordem, principalmente Antônio de Massa e
Guilherme de Casal, aceitaram e confirmaram a bula de 1406. O espírito da
reforma coletina se infiltrava sutilmente na Ordem primeira.
Colete precisava criar as Constituições
para reger tão numerosas fundações. Em 1430, ela redigiu um texto - conhecido
como Sentimentos de Santa Colete - que foi remanejado em 1432 e
aprovado em 28 de setembro de 1434 por Frei Guilherme de Casal. Este havia
submetido o texto a dois cardeais e alguns outros teólogos, que deram sua
aprovação.
Quanto ao ramo masculino, Santa Colete não
tinha evidentemente jurisdição sobre a Ordem primeira, mas ela exerceu uma
forte influência espiritual nela e conseguiu a adesão de alguns conventos
masculinos à sua reforma. Segundo uma estimativa mais provável, em 1447, data
da morte da Santa, a sua reforma contava com 17 conventos femininos e 7
masculinos.
A reforma coletina estendeu-se rapidamente
pela França, Espanha, Flandres e Saboia. Sob o impulso renovador de Santa
Colete, os franciscanos voltaram a praticar aquilo que São Francisco havia
querido para sua Ordem: vida de pobreza sem mitigações, vida austera, intensa
oração pessoal e comunitária, e muita oração e penitência pela unidade da
Igreja, então dividida pelo Cisma.
Nos dias atuais, os conventos de
"coletinas" são cerca de 140, a maior parte na Europa,
embora haja alguns também na América, Ásia e África.
A piedade de Colete, notável desde a
infância, cresceu e a conduziu a um tal grau de união com Deus, que os êxtases
tornaram-se contínuos. Por vezes, eles duravam vários dias. Ao redor dessa
intensa vida mística, que a ação não obstava, gravitavam fenômenos tais como:
levitação; eflúvios odoríferos que emanavam não somente da pessoa de Colete,
mas das coisas que ela tocava; conhecimento das consciências; o estado das
almas do Purgatório; dons de profecia.
Santa Colete era de uma pureza requintada,
e seu amor por esta virtude se manifestava por seu pendor irresistível pelas
almas puras, as crianças também a atraiam, e mesmo os animais cuja aparência
simbolizavam a pureza, como as rolas e os cordeiros.
Ela protagonizou inúmeros milagres que
favoreciam suas fundações: na reforma de Hesdin, recebeu uma soma de quinhentos
escudos de ouro, de origem celeste; em Poligny, descoberta de água potável; a
provisão de trigo de Auxonne não diminuía e possibilitava as religiosas
reparti-lo com os frades de Dôle; um tonel de vinho encheu-se sob a ação das
preces de Colete, e muitos outros fatos relatados em seu processo de
canonização.
Verdadeira
filha da Igreja, ele sofria com o Cisma que dilacerava sua unidade, e trabalhou
denodadamente com São Vicente Ferrer pela extinção do Cisma.
Coleta era também filha da França. As
nobres casas conflitantes, Armagnacs (partido do Duque d'Orleans) e
Bourguignons (partido do Duque de Bourgogne), a chamaram para fundar conventos
em seus domínios. Segundo depoimentos, ela certa vez conseguiu dissuadi-los de
lutar. Apesar das tensões, Colete foi respeitada por ambas e pode continuar sua
obra.
Santa
Colete viajou muito, operou numerosos milagres, suportou sofrimentos de toda a
espécie. Ela foi uma mulher extraordinária que soube obter a colaboração de
papas, frades, príncipes, duques para a sua obra. Santa Colete morreu em Gand,
Bélgica, no dia 6 de março de 1447. As marcas de sua própria doença e do
sofrimento desapareceram. Seu corpo tornou-se belo, com uma pele branca como a
neve, membros flexíveis e exalando um celestial perfume. Como era seu desejo, o
corpo foi sepultado direto na terra. Numeroso foi o público que compareceu às
suas exéquias, atraídos por sua fama de virtude e pelos fatos maravilhosos que
narravam sobre ela.
O processo de sua canonização iniciou
poucos anos após sua morte, em 1472, mas somente se tornaria realidade anos
depois. O processo relata, além dos fatos mencionados, curas operadas em
pessoas de suas comunidades e cinco casos de ressurreição. Colete foi
beatificada em 23 de janeiro de 1740. Porém, ela só foi canonizada em 24 de
maio de 1807, sob o pontificado de Pio VII. Sua festa é celebrada no dia 6 de
março.
(*) Beguinaria:
convento onde vivem religiosas sem pronunciar votos, cada qual ocupando o seu
aposento à parte. Beguina é o nome dado a essas religiosas nos Países
Baixos e na Bélgica.
Etimologia: Colete,
ou Colette, abreviação de Nicolette, feminino de Nicolet, em
português Nicolau, do grego Nikólaos: “vencedor (niko) do povo
(laos)”.
Tomasa Ortiz Real
nasceu em Bocairente, Valência (Espanha), no dia 12 de novembro de 1842, tendo
sido batizada no dia seguinte. Recebeu a Primeira Comunhão aos dez anos,
sacramento que despertou nela o desejo de pertencer inteiramente a Nosso Senhor
e viver para Ele.
Completou
a sua formação humana e espiritual no Colégio de Loreto, que as religiosas da
Sagrada Família de Burdeos tinham em Valência. Pediu várias vezes para
ingressar no noviciado desse Instituto, mas seu pai, considerando a situação
política da época e a pouca idade da menina, obrigou-a a voltar para casa.
Esta
etapa da sua vida em Bocairente foi caracterizada por três aspectos: o espírito
de piedade e de oração, a sua dedicação em fazer o bem às crianças pobres, aos
idosos e aos doentes, e o empenho em dar uma resposta àquilo que sentira no seu
íntimo no dia da Primeira Comunhão.
Tomasa
fez sem sucesso algumas tentativas para ingressar em um convento de clausura.
Ela intuiu depois que Deus não queria que ela seguisse aquele caminho. Ela
então pediu a Ele que lhe indicasse claramente a Sua vontade e, retirando-se em
oração, recitava assim: "Tua, meu Jesus, desejo ser tua, porém, diz-me
onde".
Tendo
a certeza de sentir-se chamada para uma vida de especial consagração, mas com a
dúvida de onde Deus a queria, Tomasa dirigiu-se para Barcelona. Depois de
muitas dificuldades, ali o Senhor respondeu à sua busca vocacional, fazendo-a
viver uma profunda experiência mística na qual o Coração de Jesus,
mostrando-lhe o seu lado esquerdo ensanguentado, lhe disse: "Olha como me
deixaram os homens com a sua ingratidão. Queres ajudar-me a levar esta cruz?".
Tomasa respondeu: "Senhor, se tens necessidade de uma vítima e me queres,
estou aqui". Então, o Redentor disse-lhe: "Funda, minha filha, que
sobre ti e sobre a tua Congregação concederei sempre misericórdia".
Esta
experiência foi determinante para Tomasa, dando-lhe uma certeza tão grande que
nunca a tirou de sua mente e do seu coração. Naquele momento ela compreendeu
que Deus lhe pedia para dar vida a um novo Instituto. A pergunta agora era:
“onde fundar?”. O Bispo D. Jaime Catalá indicou-lhe que abrisse seu coração com
seu confessor e fizesse o que ele mandasse.
No
mês de março, acompanhada de três postulantes, Tomasa saiu de Barcelona a
caminho de Puebla de Soto, a 1 km de Alcantarilla, para fundar ali, com a
autorização do Bispo de Cartagena-Murcia, a primeira Comunidade de Terciárias
da Virgem do Carmelo.
Após
a tragédia das inundações de 1884, eclodiu a cólera. Tomasa, que então havia
tomado o nome de Piedade da Cruz, e suas Filhas se desdobraram no cuidado dos
doentes e a das meninas órfãs em um hospitalzinho que ela chamou de “A
Providência”.
Foram
chegando mais jovens atraídas pelo modo de viver daquelas primeiras Terciárias
Carmelitas. A Casa tornou-se pequena e foi preciso comprar a de Alcantarilla.
Uma nova comunidade se estabeleceu em
Caudete. Tudo fazia pensar que finalmente ela havia encontrado o lugar onde
levaria a cabo sua vocação.
Entretanto,
uma nova cruz: no mês de agosto as irmãs de Caudete foram para lcantarilla e
levaram as noviças, deixando Madre Piedade da Cruz somente com a Irmã Alfonsa.
Foram dias de muita dor. A Fundadora, como sempre, se refugiou na oração;
prostrando-se diante de Nosso Senhor Jesus Cristo ali permanecia horas e horas
a seus pés.
Depois
de imensas dificuldades e tribulações, no dia 8 de setembro de 1890, chegou
para ela a hora de Deus. Nascia na Igreja a Congregação das Irmãs Salesianas do
Sagrado Coração de Jesus na qual se devia amar, servir e reparar, ver o rosto
do Senhor nas meninas órfãs, nas jovens operárias, nos doentes, nos idosos
abandonados e ajudá-los a levar a cruz.
Embora
toda a vida de Madre Piedade tivesse sido uma renúncia do mundo, ela não deixou
o mundo, continuou nele fazendo o bem e lutando contra o mal. São testemunha
disto casamentos que ela impediu que se desfizessem, jovens que ela ia buscar
nas fábricas para formá-las na escola dominical, meninas sem lar que amou
entranhadamente, idosos solitários, doentes...
Viveu
pobre e morreu pobre, sentada em uma cadeira, porque “Aquele – dizia
indicando o Crucifixo – morreu na cruz e eu não devo morrer na cama, se
não na terra”.
Madre
Piedade da Cruz expirou com o crucifixo nos lábios e na santa paz de Deus,
num sábado, dia 26 de fevereiro de 1916.
Depois
de um estudo exaustivo sobre as virtudes praticadas por Madre Piedade da Cruz,
em 1º de julho de 2000 elas foram reconhecidas como heroicas; e a 21 de março
de 2004, Madre Piedade foi beatificada em Roma.
Fonte: www.vaticano.va/
No Martirológio Jeronimiano encontramos sua memória celebrada nos dias 13 e
16 de fevereiro. Na memória do dia 13, se lê Juliana ou Juliano, o que deu
origem ao mártir imaginário de Lyon do Martirológio Romano no mesmo dia. Esta
fonte, no entanto, comemora mais justamente Juliana, mártir da Nicomédia, no
dia 16 de fevereiro, e menciona sua trasladação em Campania, como já fora
mencionado tanto no Martirológio de São Beda, o Venerável, bem como nos
Martirológios de Floro e de Adonis.
De acordo com o texto das Paixões, Juliana nasceu
por volta de 285 em Nicomédia, hoje Izmit, na Turquia. Em sua
família de origem era a única cristã. Seu pai, em
particular, era um seguidor zeloso dos deuses pagãos. Com
nove anos de idade, foi prometida em casamento ao prefeito da
cidade, um pagão chamado Evilásio. De acordo com as
negociações das duas famílias, o casamento seria celebrado quando
Juliana completasse 18 anos. Mas, naquele dia, a jovem disse que
somente aceitaria se casar se Evilásio fosse batizado.
Irritado com as exigências da jovem, Juliana
foi denunciada pelo noivo como cristã praticante e a fez
comparecer diante do tribunal. Nada foi capaz de fazê-la revogar sua decisão:
nem os tormentos, nem a prisão. Finalmente, ela foi condenada a ser decapitada,
consumindo assim seu martírio. Isto ocorreu na época de Maximiano, no ano 305.
Tentou-se explicar a divergência dos dias de
celebração de Juliana entre o Oriente e o Ocidente propondo ver a data de 16 de
fevereiro como a do dia da trasladação (talvez a segunda) das relíquias da
santa mártir: estas teriam sido transferidas primeiro de Nicomédia à Pozzuoli;
em seguida, no tempo da invasão dos lombardos (cerca de 568) teriam sido
colocadas em segurança em Cuma, e, finalmente, em 25 de fevereiro de 1207,
foram transportadas para Nápoles. Isto explica a propagação do culto desta
santa em toda a região de Nápoles, bem como a sua presença no calendário
marmóreo do século IX.
Certamente seria difícil esclarecer o
problema das trasladações parciais que poderiam justificar as reivindicações de
muitas igrejas na Itália, Espanha, Holanda, e outros países, de possuirem
relíquias de Juliana.
A iconografia a representa junto ao diabo, que
a atormenta, mas muitas vezes há representações da tortura que
sofreu em vida, como ser pendurada pelos cabelos, ou atormentada
com o fogo.
Etimologia:
Juliana = do Latim, pertencente à 'gens Julia', ilustre família romana.
Fonte: santiebeati.it
Clara nasceu em 1280, foi educada por seu
pai, Onosdeo, no cultivo de um carácter forte, quase masculino, e intolerante a
qualquer submissão. Passou sua adolescência entre cavalos e torneios, rebelde
nas práticas religiosas que sua mãe Gaudiana tentava inculcar-lhe. Morta a mãe
quando ela contava apenas sete anos de idade, seu pai tornou a se casar e ela
ficou ainda mais independente.
Bem
jovem casou-se com o filho de sua madrasta, porém ficou viúva três anos depois,
herdando uma imensa fortuna. Durante oito anos continuou se entregando a
festas, justas de cavalaria, banquetes, com uma vida frívola e mundana, dando
lugar a escândalos e péssimos falatórios na cidade.
Seu
pai e seu irmão morreram no mesmo dia, enquanto estavam em guerra com os
Malatesta, rivais pelo domínio na zona de Rimini. Deste modo todas as riquezas
da família Agolanti se concentraram nas mãos da jovem viúva. Nem mesmo esse
duplo luto a tirou da vida dissipada. Foi pedida em casamento por um nobre que
levava uma vida relaxada e ela aceitou com a condição de que pudesse manter o
mesmo estilo de vida.
Aos
34 anos, um fato insólito: um dia, uma força misteriosa, mas irresistível, a
obriga a entrar na igreja dos Padres Conventuais, Santa Maria em Trivio, e a
rezar um Pai Nosso, que tem o poder de mudar-lhe a vida. Pela primeira vez ela
se sentiu perturbada e agitada. Voltou para casa, se fechou em seu quarto, onde
caiu no chão num mar de lágrimas de arrependimento, e decidiu mudar de vida.
No
dia seguinte, depois de uma noite insone, foi à mesma igreja, onde fez uma
confissão geral, e a partir desse momento começou uma vida de piedade, boas
obras e penitência, convertendo inclusive o marido, que morreu dois anos depois
de modo cristão.
Então
Clara não pôs limites às suas penitências, que se tornaram terríveis, animada
de um desejo de expiação que a devorava. Com suas imensas riquezas começou a
ajudar a todas as misérias materiais e morais; deu dote e apoio a todas as
jovens pobres que desejavam se casar.
Algumas
mulheres de grande fervor se reuniram a ela dispostas a levar uma vida de
reclusão e penitência. Clara então fundou um pequeno mosteiro chamado Santa
Maria dos Anjos – mais tarde conhecido como de Santa Clara. Obteve a bênção do
Bispo de Rimini, Guido Abasi, indo em seguida à Catedral para emitir os votos
religiosos, de acordo com a Regra de Santa Clara de Assis.
Viveu
uma dezena de anos como superiora, intensificando os sacrifícios e a
contemplação da Paixão de Cristo. O Senhor lhe concedeu o dom de graças
místicas elevadíssimas, com êxtases tão profundos, que nenhuma força humana podia
deter, e só se recuperava se era levada diante do Santíssimo Sacramento.
No
dia 10 de fevereiro de 1326, Clara morreu aos 46 anos, consumida pela
penitência e pela contemplação, e seu corpo descansa na igreja do mosteiro.
Seu culto “de tempo imemorial” foi
confirmado pelo papa Pio VI em 1784. Sua vida é contada em um
manuscrito em italiano vulgar, tingido de formas dialetais da Romagna do final
do século XV, ainda preservado em Rimini.
A legenda foi captada nas suas
dobras mais sutis por Jacques Dalarun em um livro de
uma força narrativa cativante, Santa e rebelde, que desmonta e
monta tempos, espaços, eventos da jornada
terrena da Beata.
Fonte:
www.santiebeati/it