"O encanto grandioso e delicado da Cristandade não provém tanto do que ela realizou, como da harmonia profunda e da veracidade cintilante dos princípios sobre os quais ela construiu". Graças a Igreja Católica a mulher foi elevada a uma dignidade nunca antes atingida. Essas mulheres virtuosas também contribuíram para a grandeza da Cristandade. Aquelas glorificadas pela Igreja, o foram para que as mulheres de todos os tempos as tomassem como exemplo.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Beata Joana Maria Lluch, Fundadora - Festejada 16 de janeiro
Joana Condesa Lluch nasceu no dia 30 de março de 1862, em Valência, Espanha. Foi batizada no dia seguinte na Igreja de Santo Estevão, na qual foram batizados São Vicente Ferrer e São Luis Bertrán. Ali mesmo recebeu o sacramento da Confirmação em 1864 e a Primeira Comunhão aos 10 anos.Seu pai, Luís, médico, era um homem de profunda fé; sua entrega aos enfermos resultou que ele contraisse o cólera que assolou Valência em 1865, morrendo vítima desta enfermidade. Sua mãe, Joana, mulher humilde e piedosa, confiou a educação de suas filhas Joana e Trinidad, segundo o costume da época e de sua posição social, a uma mestra, Dona Teresa Ballester.Joana foi uma menina rebelde e travessa, porém com um grande coração e uma fina sensibilidade. Este temperamento foi dando lugar a uma vontade firme e decidida, confiando-se cada vez mais a Deus, que passou a ser o centro de sua vida. Logo se entregou às devoções da época e a exercer a caridade com os necessitados.Por volta de 1875, consagrou-se a Maria Ssma. como escrava, segundo o método ensinado no Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora de São Luis Maria Grignion de Montfort; ingressou na Arquiconfraria das Filhas de Maria e de Santa Teresa de Jesus, onde lhe confiaram a secretaria. Como seus pais, Joana pertenceu a Ordem Terceira do Carmo. Comungava diariamente na Igreja do Patriarca.Antes de descobrir qual seria o caminho para o qual Deus a chamava, fez voto de virgindade no silêncio de seu coração. Como Maria Santíssima, queria ser toda de Deus.Sua família tinha uma casa de recreio na praia de Nazaret, aonde ia com freqüência. Foi no caminho para aquele local que Joana descobriu sua vocação.Ela via um grupo de mulheres de classe social baixa e de pouca cultura, que todos os dias iam de suas casas, nos arredores da cidade, para as fábricas de seda, tabaco e leques, e que trabalhavam para ganhar seu sustento e o de suas famílias, expondo-se a graves perigos andando sozinhas pelos caminhos.Joana sentiu que Deus lhe pedia para abrir uma casa para estas jovens para ajudá-las a viver com dignidade, fomentando sua educação e sua formação religiosa, dando-lhes teto, comida e um pouco de amor. Sentiu que devia fundar uma Congregação Religiosa para atendê-las. E assim, com apenas 20 anos de idade, começou a dar forma ao seu plano.As dificuldades logo chegaram: o Cardeal Monescillo se mostrou pouco entusiasmado com suas ideias. Porém, de tanto insistir, vendo sua constância, em 1884 lhe deu permissão para abrir uma casa para as operárias.Em março de 1884, Joana Maria abria um Asilo Protetor de Operárias na Rua Viana em Valência e uma escola gratuita para as filhas das operárias. Dona Teresa, sua professora, e duas amigas, Rita Sancho e Maria Gil, juntaram-se a ela. Sua obra ia adquirindo forma. “Eu e todo o meu para as operárias”. Não se tratava de uma frase feita, era a resposta de Joana ao chamado de Deus.Purificada na prova e mantendo um espírito sereno, firme e confiante: “Senhor, mantende-me firme junto à tua Cruz”, fazendo “da fé a sua luz, da esperança a sua força e do amor a sua alma”, obteve do Cardeal Monescillo, antes deste se transferir para a sede de Toledo em 1892, a autorização diocesana para a fundação do Instituto.No dia 10 de dezembro de 1892, Joana, Teresa, Rita e Maria receberam o hábito. No dia 19 de março de 1895 emitiram a profissão temporária junto com as primeiras Irmãs e em 8 de setembro de 1911, fizeram a profissão perpétua.Durante todos estes anos, sua vida, seguindo o exemplo da Virgem Imaculada, foi uma doação incondicional à vontade de Deus, fazendo suas as palavras de Maria por ocasião da Anunciação do Anjo: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra” (Lc 1, 38), palavras que se transformaram na clave da sua espiritualidade e no seu estilo de vida, até o ponto de definir-se como “a escrava da Escrava do Senhor” e de dar nome e significado à Congregação que ela fundou.Sua obra foi se expandindo pouco a pouco. Em 1897, em Manises foi aberta uma casa para formação das operárias; em 1900, um noviciado em Burjasot; em 1906, outra casa de formação em Ayora; e em 1912, foi aberta uma casa em Almansa para a educação de crianças e operárias.A doença foi minando a vida da Madre Joana Maria, que soube deixar passar despercebidas muitas de suas enfermidades. Em 1916, na madrugada do dia 16 de janeiro, com apenas 54 anos de idade, entregava sua alma a Deus.O Instituto, nutrido pela firme vontade de sua Fundadora, obteve a aprovação pontifícia temporária por parte do Papa Pio XI e, em 27 de janeiro de 1947, a aprovação definitiva pelo Papa Pio XII.Em 1953, foi aberto o processo diocesano para a canonização de Madre Joana Maria. Suas virtudes heróicas foram aprovadas em 1997 e em 5 de julho de 2002, na presença do Papa João Paulo II, foi promulgado o decreto de aprovação de um milagre atribuído à sua intercessão.Foi proclamada Beata em 23 de março de 2003.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Santa Margarida Bourgeoys, Fundadora - Festa 12 de janeiro
A cidade de Montreal (Canadá) deve sua origem a um grupo de fiéis, homens e mulheres da França do século dezessete, cujo sonho era levar aos povos do Novo Mundo o que consideravam como seu bem mais precioso: sua fé. Foi com a esperança de realizar este objetivo que estabeleceram uma colônia na ilha de Montreal. Em maio de 1642 a Vila Maria era fundada na ilha de Montreal. Margarida Bourgeoys chegou à nascente Vila Maria em 1653. A fundação vivia então o temor de todos os perigos aos quais estava exposta.A chegada de Margarida, onze anos depois da fundação, realizava uma parte do plano inicial, que previa a educação das crianças da colônia. Ela acompanhava o “recrutamento dos cem homens”, com o qual se contava salvar Vila Maria, que em 1653 enfrentava uma tremenda alternativa: abandonar o novo posto ou aumentar seus habitantes.Com aqueles homens e aquelas mulheres, compartilhava tanto os perigos e as privações, como os esforços e as esperanças que marcavam o ritmo da vida da colônia nascente. Como eles, era vulnerável às ameaças que a rodeavam: ataques dos inimigos ou enfermidades, bem como as incompreensões das autoridades da Igreja e do Estado, algumas vezes hostis ou incompetentes.Como muitos dos que participaram da direção dos trabalhos de fundação de Montreal, Margarida Bourgeoys vinha de uma região da França onde desde a Idade Média as mulheres colaboravam ativamente na sociedade. Ela estava convencida da importância do papel das mulheres na colônia: nas mãos das educadoras, nas mãos das futuras esposas e mães repousava o futuro do Canadá. Como conseqüência, considerava sua educação como uma prioridade.A educação que Margarida e suas companheiras davam às crianças, meninos e meninas no começo, bem como às mulheres da Nova França, era antes de tudo a educação da fé. A fé que Margarida expressava tanto na sua vida como em suas palavras, era a alma de todo seu ensinamento, era uma fé baseada no mandamento do Novo Testamento: Amarás ao Senhor teu Deus de todo coração, de toda tua alma e ao próximo como a ti mesmo.Além dos valores religiosos, Margarida preparava as crianças, em sua maioria filhos dos colonos que edificavam Montreal, para o desafio de ganhar a vida para si e para suas famílias e construir um país novo.A FundadoraMargarida nasceu no dia 7 de abril de 1620, em Troyes, antiga capital da Champagne, sexta de doze filhos de comerciantes de cera. Na cidade natal freqüentou a escola elementar. Nas suas “Memórias” a Santa revela a sua vocação precoce. “Desde minha primeira juventude o Senhor me deu uma particular inclinação para reunir as jovens da minha idade”. Com elas não só jogava, como costurava e rezava.Aos dezenove anos, com a morte da mãe, Margarida assume a direção da casa. Participando de uma procissão no primeiro domingo de outubro de 1640, Margarida passou diante do portal da abadia e ergueu o olhar na direção de uma imagem de Nossa Senhora. Por um instante o rosto da Virgem lhe pareceu vivo e sorridente, e ela sentiu-se livre dos sentimentos de vaidade que a vinham acometendo. Ela considerou sempre tal episódio como “a sua conversão”.Para corresponder à graça recebida, Margarida entrou na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, fundada por São Pedro Fourier e ali fez os votos.Seu diretor espiritual, Monsenhor Jendret, lhe propôs a fundação de uma congregação de religiosas que embora vivendo em comunidade trabalhassem no mundo a favor dos pobres, dos doentes e dos ignorantes. Como tal empreendimento não fosse momentaneamente levado adiante, Margarida retoma sua vida de oração e de assistência aos pobres e doentes.Em 1650, no dia da Assunção, prostrada em adoração ao Santíssimo Sacramento, viu, ao lado da Hóstia, o Menino Jesus que lhe sorria sem nada dizer.Um dia recebe a visita do governador do Canadá, Paul Chomedey de Maisonneuve, considerado pelos contemporâneos “um verdadeiro cavaleiro, forte e corajoso como um leão e piedoso como um monge”, francês de origem, que propõe a Margarida transferir-se para Montreal para abrir uma escola elementar.Na noite anterior, São Francisco aparecera à Santa em sonho acompanhado daquele senhor. Ela não hesitou em colocar-se à sua disposição, no caso de seus superiores consentirem. Os parentes procuraram retê-la, mas, no início de 1653, embarcou para o Novo Mundo, sem dinheiro nem vestiário, não sem antes renunciar legalmente à sua parte na herança. A viagem durou três meses e foi trágica: a peste se espalhou a bordo e Margarida se tornou enfermeira, médica e sacerdote.Em Vila Maria, na ilha de Montreal, ao lado do forte onde Margarida se alojou, surgira um pequeno hospital fundado pela Serva de Deus Jeanne Mance em 1645. As duas heroínas da caridade logo se tornaram amigas e colaboradoras. A principal ocupação da Santa era dar aulas aos filhos dos colonos, mas também seria enfermeira no hospital e auxiliadora dos soldados mais pobres.Escoltada por trinta homens, fez reconstruir a grande cruz que Maisonneuve havia erigido sobre a montanha vizinha, em cumprimento a um voto, e que os iroqueses tinham abatido. Libertou o governador de grave tentação, exortando-o a cumprir o voto de castidade. Enfim, idealizou a construção da primeira igreja de pedra dedicada a Nossa Senhora.Em 1658, após quatro anos de intensa atividade, Margarida conseguiu abrir a primeira escola. Como os trabalhos se multiplicassem, a Santa pensou em procurar na França jovens desejosas de servir a Deus no próximo. O seu plano para o futuro constava de um pequeno instituto para as crianças indígenas, uma associação para as jovens e um círculo para os jovens esposos, com a finalidade de preparar boas mães de família. Encontrou quatro jovens na França dispostas a segui-la, e a amiga Jeanne Mance ajudou-a a encontrar reforços para suas obras.As obras de Madre Bourgeoys foram se consolidando, o que lhe pareceu uma confirmação da Providência para que ela realizasse a fundação da Congregação de Nossa Senhora de Montreal. A doação de terras efetuadas em 1662 pelo governador é uma nova forma de apoio à obra.Para obter autorização real e encontrar novas vocações, a Fundadora viajou novamente para a França em 1670. Ajudada pela “Companhia de Montreal”, consegue ser recebida por Luiz XIV, que lhe concedeu tudo que desejava. A única preocupação da Madre era então dar uma formação religiosa ao seu Instituto, como ela anotou em suas “Memórias”: “Nos é sempre lembrado que um certo espírito de humildade, de simplicidade, de docilidade, de obediência, de pobreza, de desprendimento de todas as coisas e de abandono à Divina Providência deve ser o verdadeiro espírito da Congregação”.O primeiro Bispo de Quebec, Monsenhor de Laval, erigiu a Congregação em 1676. Madre Margarida fundava uma das primeiras comunidades religiosas de mulheres não enclausuradas da Igreja, as quais deviam prover as suas próprias necessidades, e que sobrevivem até hoje. Sua característica é resultado da experiência adquirida por Margarida ao longo do que se tem chamado “o período heróico da história de Montreal”. Sua fonte de inspiração foi a Santíssima Virgem, que ela considerava como a primeira e a mais fervorosa dos discípulos do Senhor, ensinando e fazendo o bem na Igreja primitiva.Se fossemos perguntar a Madre Margarida qual foi o melhor momento de sua vida, acreditamos que ela teria escolhido o período compreendido entre 1653, com a saída de Paul de Chomedey de Maisonneuve e a chegada do batalhão de Carignan. Foram anos de luta, de perigo, de privação e de prova; foram também anos de esperança, de amizade e de sonhos compartilhados. Naqueles anos, Margarida conhecia cada colono e cada mulher de Montreal, muitos dos quais intimamente: ela era parte de suas vidas como eles eram da sua.Durante sua vida, a Congregação contou não somente com mulheres francesas, mas também com norte-americanas de ascendência francesa, ameríndia e até inglesa. Sua ação educadora se estendeu até Quebec e aos pequenos povoados ao redor de São Lourenço.Como tantas outras fundadoras de congregações religiosas, Margarida é conhecida por sua obra, para cuja realização sofreu a dupla prova de ter posta em dúvida sua capacidade de realização, e de sentir-se terrivelmente indigna aos olhos de Deus. Porém, sua coragem e seu ardente desejo de ajudar as crianças e a todos, levou-a sempre para frente. Ela dizia: “Quero a todo custo não apenas amar ao meu próximo, mas fazer-me amada por eles”.Em 19 de setembro de 1693, aos 72 anos, Madre Margarida renunciou ao cargo de superiora, quando suas forças começavam a declinar. Eis as palavras que dirigiu à comunidade na ocasião:“Agora não se trata mais de falar de mim senão como uma miserável, que por não ter sido fiel ao empreendimento que me foi confiado tão amorosamente, merece grandíssimos castigos, que aumentaram ainda por causa da pena que meu relaxamento vos fez sofrer. Peço-vos perdão e o auxílio de vossas orações. Coloquem aqui o remédio enquanto for possível. É preciso mudar prontamente de superiora, e a que for eleita faça observar exatamente a Regra, até nas maiores minúcias, porque sem isto, que coisa se fará nesta comunidade diferente do que fazem as pessoas do mundo que vivem cristãmente? Mantende-vos no espírito que deveis ter, que é de pobreza, de mortificação, de obediência e de abandono nas mãos de Deus”.Nos últimos anos de vida, Madre Margarida viveu serena e em perfeita conformidade com a vontade de Deus.Em 1698, após quarenta anos, o Senhor concedeu-lhe a alegria de ver sua Congregação ser aprovada como ela a havia concebido: além dos três votos, as religiosas fazem o de instruírem e educarem a juventude feminina.Confinada na enfermaria, a Fundadora se preparou para a morte cosendo, rezando e exortando as Irmãs à fidelidade ao dever, à caridade e à observância da Regra. O fim chegou de forma inesperada. No último dia do ano 1699, a fundadora ofereceu sua vida para salvar a da mestra de noviças, que estava gravemente enferma. A mestra de noviças recobrou a saúde e a Madre Bourgeoys morreu no dia 12 de janeiro de 1700.Pio XII a beatificou em 12 de novembro de 1950, e foi canonizada por João Paulo II em 31 de outubro de 1982Fontes: Museu “Margarida Bourgeoys”; www.santiebeati.it
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Sta. Leônia Francisca de Sales Aviat, Fundadora - Festa 10 de janeiro
Leônia Aviat nasceu no dia 16 de setembro de 1844 na cidade de Sézanne, na região francesa de Champagne. Seus pais eram católicos praticantes e honestos comerciantes.Conforme o costume da época, quando completou dez anos eles a enviaram para o colégio das Irmãs da Visitação da cidade de Troyes, ali permanecendo por seis anos. Foi naquele período que ela recebeu a Primeira Comunhão e a Crisma. Sob a sábia orientação do capelão Pe. Luis Brisson e da superiora Madre Chappuis, recebeu uma educação humanística, uma profunda formação religiosa e moral, marcada pela doutrina salesiana de abandono à Divina Providência.Em 1866, Leônia rejeitou um vantajoso matrimonio, expressando o desejo sincero de dedicar sua vida a Jesus Cristo. Com autorização dos pais ela foi visitar o Pe. Brisson a fim de se aconselhar.A cidade de Troyes naquela época tinha se tornado um pólo de indústrias têxteis que atraiam a mão-de-obra do campo para o centro urbano.Atento a esta situação e sensível às necessidades das adolescentes camponesas que deixavam suas famílias em busca do trabalho promissor, desde 1858 o Pe. Brisson havia fundado a Obra São Francisco de Sales, uma casa-família que acolhia e assegurava a assistência e a educação cristã àquelas jovens operárias. Porém, como era difícil encontrar uma diretora estável para esta casa-família, o Pe. Brisson havia decidido fundar uma congregação religiosa.Durante a visita de Leônia o experiente padre expôs esta situação e encontrou nos anseios da jovem um sinal de Deus. Colocou-a direção da casa-família.Em 1868 ele fundou a Congregação para continuar de forma organizada a sua Obra para as operárias e Leônia vestiu o hábito religioso juntamente com Lucia Cannet, sua ex-companheira de estudos, adotando o nome de Irmã Leônia Francisca de Sales Aviat.Em 1872 Leônia foi eleita superiora da nova Congregação, colocada sob a proteção e guia do santo bispo de Genebra, de quem adotam completamente as regras espirituais e pedagógicas. Isto explica o nome adotado “Madres Oblatas de São Francisco de Sales”.Desde então, Madre Aviat se dedicou ao apostolado entre as jovens operárias, dando a elas segurança, educação religiosa, recreação e preparando-as para no futuro constituírem famílias católicas bem estruturadas. As Oblatas abrem escolas básicas nas paróquias.Após ter estabilizado a Congregação e as casas-famílias de Troyes, Madre Aviat foi para Paris, onde organizou um pensionato para moças de famílias ricas, revelando-se uma educadora excepcional, obtendo, junto à alta sociedade parisiense, o mesmo sucesso que alcançara com as jovens operárias de Troyes. Madre Aviat dirigiu esta obra por oito anos, estendendo assim seu apostolado às diversas classes sociais.Retornando a Casa-Mãe da Congregação, ali residiu por mais quinze anos, assumindo o posto de superiora até sua morte.Madre Aviat enviou Irmãs Oblatas para a Namíbia, África do Sul, Equador, Suíça, Áustria, Inglaterra e Itália, abrindo pensionatos, escolas e obras assistenciais.No ano de 1903 as leis anticlericais francesas de Emilio Combes decretaram a dissolução das Congregações religiosas e o fechamento de suas casas, apoderando-se de todos os seus bens. Vinte e três casas de sua obra, mais seis dos padres Oblatas foram fechadas.Madre Aviat e suas Oblatas se refugiam em Perúgia, onde desde 1896 tinham uma casa para assistência das jovens empregadas domésticas.Daquela cidade Madre Aviat, que não esmorecera, continuou a atividade da Congregação, exortando suas Irmãs com cartas, visitas e ensinamentos.Em 2 de fevereiro de 1908, o venerando Pe. Brisson falece na sua cidade natal, e Madre Leônia só pode assistir ao funeral vestindo roupas civis.Nos últimos anos ela se dedicou à obtenção da aprovação definitiva das Constituições da obra, que ela apresentou ao Papa São Pio X, tendo este dado a aprovação canônica em 1911.Madre Leônia morreu em Perúgia, Itália, no dia 10 de janeiro de 1914, na Casa religiosa da Via della Cupa. Foi primeiramente sepultada no cemitério local. Mais tarde seu corpo foi transladado para a Igreja de Santa Maria della Valle e atualmente repousa na Casa-Mãe da Congregação em Troyes, França.Foi beatificada em 27 de setembro de 1992 pelo Papa João Paulo II e canonizada pelo mesmo pontífice em 25 de novembro de 2001, na Basílica Vaticana, em Roma. Para sua festa litúrgica a Igreja reservou o dia 10 de janeiro.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Santa Gúdula, padroeira de Bruxelas - Festejada 8 de janeiro
A Catedral de Bruxelas é visitada por todos que vão àquela cidade por causa de seu grande valor histórico e arquitetônico. Ela é dedicada a Santa Gúdula, virgem, padroeira de Bruxelas, muito pouco conhecida fora da Bélgica. Para muitos o seu nome soa estranho e bárbaro, como a longinqua época em que ela viveu.Segundo uma biografia escrita em 1047, Santa Gúdula nasceu numa aristocrática família franca. Seu pai era Viterico, duque da Lorena, e sua mãe, Santa Amalberga.Gúdula veio ao mundo no ano de 650, no Brabante, região central da atual Bélgica. É uma das estrelas de uma constelação de santos: filha de Santa Amalberga, afilhada de Santa Gertrudes de Nivelles e irmã de São Aldeberto e Santa Reinalda.Gúdula foi educada no Convento de Nivelles sob a tutela de sua santa madrinha. Por ocasião da morte de Santa Gertrudes, em 659, retornou à casa de seus pais. De acordo com alguns historiadores, Gúdula viveu reclusa no oratório de São Salvador de Moorsel, distante poucas milhas de sua casa paterna. Segundo outros, ela passou a viver em casa, levando uma vida extraordinária de piedade e de recolhimento.Narra a tradição que todas as manhãs, antes da aurora, Santa Gúdula se dirigia à capela de madeira dedicada a São Salvador, em Moorsel. Certa manhã, o demônio, furioso por vê-la tão devota, apagou a lanterna que ela levava. Gúdula ajoelhou-se no chão lamacento, se pôs a rezar e a lanterna acendeu milagrosamente. Este fato deu origem à iconografia da Santa: uma lanterna às vezes substituída por uma vela que a Santa tem na mão, enquanto o demônio, iracundo, jaz a seus pés e um anjo acende de novo o círio.Humberto, o antigo cronista de Lobbes, apresenta Santa Gúdula como uma mulher consagrada de corpo e alma ao socorro do próximo. Voltando um dia da capela de Moorsel, encontrou uma pobre mulher que levava nos braços um menino de dez anos, paralítico de pés e mãos. Gúdula tomou-o em suas mãos, acariciou-o e rezou com fervor Àquele que disse: "Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome vos será concedido". O menino se sentiu curado imediatamente e começou a dar saltos de alegria.Em outra ocasião, uma leprosa chamada Emenfreda foi ao seu encontro. A Santa examinou suas chagas, consolou-a com pensamentos sublimes e em seguida a curou. Estes fatos prodigiosos rapidamente se tornaram conhecidos na região e uma multidão de sofredores procuravam-na em busca de alívio para os seus males.Após breve enfermidade Gúdula morreu, provavelmente em 8 de março de 712. O cronista Humberto descreve a desolação da pobre gente da comarca, que estava acostumada a vê-la como a uma espécie de fada protetora, e relata os grandes louvores que dela fizeram. Nunca se tinha visto tantas muletas e sacolas numa missa de funeral, que foi rezada na igreja de Ham (Alost, Bélgica). Gúdula foi enterrada em Vilvoorde.
Catedral S.Miguel e Sta.Gúdula, Bruxelas Tempos depois, o corpo de Santa Gúdula foi transladado para Moorsel, e junto ao seu túmulo construiu-se um mosteiro que durou pouco tempo.Mais tarde, provavelmente em 977, seus despojos foram confiados a Carlos de França, filho de Luis, duque da Lorena. Durante uns sessenta anos Santa Gúdula repousou na Igreja de São Géry de Bruxelas.Finalmente, em 1047, o Conde de Lovaina, Lamberto II, transladou a preciosa relíquia para a Igreja de Molemberg, dedicada a São Miguel, a primeira paróquia de Bruxelas, mudando o seu nome para o de Santa Gúdula. O Conde erigiu ali uma colegiada. Nos Arquivos Gerais do Reino de Bruxelas encontramos um relato da história desta fundação. A partir de então, Bruxelas tomou-a como sua padroeira.O Martirológio Romano celebra a festa de Santa Gúdula em 8 de janeiro; a arquidiocese de Malinas e a diocese de Gante a celebram no dia 19 do mesmo mês.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
600o. aniversário de nascimento de Santa Joana d'Arc
No dia 6 de janeiro de 2012 será comemorado o 600o. aniversário de nascimento da heroína e mártir francesa, Santa Joana d'Arc, que "teve uma profunda influência sobre uma jovem Santa da época moderna: Teresa do Menino Jesus", segundo afirmação do Papa Bento XVI (audiência de 26 de janeiro de 2011).
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Santa Elizabeth Ana Seton, Viúva, Fundadora - Festa 4 de janeiro
Esposa, mãe, viúva, religiosa, fundadora, 1ª. Santa dos EUA
Elizabeth Ann Bayley nasceu em 28 de agosto de 1774. No mês de setembro de 1773 acontecera a reunião do primeiro congresso continental da Filadélfia, a semente da nova nação que estava para florescer.
O seu pai, Richard Bayley, era um cirurgião anglicano de grande reputação educado na Inglaterra; foi o primeiro professor de anatomia do Columbia College. A mãe de Elizabeth, Catarina Charlton, era filha de um ministro episcopaliano (*) da Igreja de Santo André, em Staten Island. Tiveram três filhos: Maria Madalena, Elizabeth Ana e Catarina Josefina, segundo a ordem de nascimento.
Quando Elizabeth tinha dois anos de idade a declaração da independência dos EUA foi assinada e durante sua infância a Revolução Americana estourou. Quando a nova nação foi estabelecida, seu pai foi ardorosamente recebido com altos postos na comunidade nova-iorquina, a ponto de ter um de seus projetos, um Lazareto, aprovado pela política local. Dr. Bayley ficava mais no Lazareto do que com sua própria família. A guerra não lhe tinha custado grande perda financeira e nos dias de juventude, Elizabeth vivia num grande conforto.
Os sofrimentos de Elizabeth começaram quando ela perdeu a sua mãe, cuja morte, em 8 de maio de 1777, ocorreu quando ela não tinha ainda três anos de idade. Com as filhas para cuidar e fazendo o papel de pai e de mãe por um ano, Dr. Bayley casou-se com Carlota Amélia Barclay, filha de André Barclay e Helena Roosevelt, cujo pai fora o fundador da dinastia Roosevelt nos EUA.
Bela, vivaz, fluente em francês, uma excelente música e uma talentosa dama, Elizabeth cresceu e tornou-se uma presença popular em festas e bailes.
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| Elizabeth jovem |
Quando Elizabeth tinha dezenove anos casou-se com William Magee Seton, um rico comerciante nova-iorquino, em 25 de janeiro de 1794, na Igreja de São Paulo, uma das mais antigas igrejas anglicanas de Nova York, ainda existente. Em seguida, habitaram na elegante Wall Street. Sua cunhada, Rebeca Seton, era ‘a amiga de sua alma’, e como elas gostavam de fazer obras de caridade, ficaram conhecidas como “as irmãs protestantes de caridade”.
Problemas de negócios culminaram com a morte de seu sogro em 1798. Deste momento em diante Elizabeth e seu esposo tornam-se o sustentáculo da órfã família Seton. Dr. Bayley falece em 1801, devido à febre amarela.
Em 1803, William Seton foi acometido de uma tuberculose e o casal tentou fazer um tratamento com uma viagem à Itália. Por causa desta viagem, ele vendeu todos os pertences de luxo de sua casa, como vasos, quadros e objeto de prata, provavelmente herdados de seu pai. Somente sua filha primogênita, Ana Maria, os acompanhou nesta viagem à Livorno, onde os irmãos Filicci, amigos de negócios de William, residiam. As outras crianças do casal, William, Ricardo, Rebeca e Catarina, foram deixados aos cuidados de Rebeca Seton.
O esforço de Elizabeth para obter a saúde de seu amado esposo foi descrito em seu diário de viagem. Entretanto, uma quarentena, seguida pela deterioração completa da saúde de William Seton, levou-o à morte em 27 de dezembro de 1803, na cidade de Pisa, aos 37 anos de idade.
Aceitando um convite da família Filicci, decidiu passar um tempo na Itália. No convívio com esta família, e visitando as igrejas italianas, Elizabeth começou a ver a beleza da Fé Católica. Após a doença de sua filha e dela própria, Elizabeth embarcou para casa acompanhada do Sr. Antonio Filicci, aportando em Nova York no dia 3 de junho de 1804. A ‘amiga de sua alma’, Rebeca Seton, faleceu no mês de julho, logo após a sua chegada.
Um tempo de grande perplexidade espiritual começou para Elizabeth. O Sr. Filicci lhe apresentava os esplendores da verdadeira religião. Logo ele conseguiu um encontro entre Elizabeth e o Bispo católico de Nova York, D. Cheverus. O Sr. Filicci escreve também para o Bispo Carroll. Elizabeth por seu lado rezava para conseguir alguma luz.
Numa quarta-feira, 14 de março de 1805, ela foi recebida na Igreja Católica pelo Padre Matthew O’Brien, na Igreja de São Pedro, em Nova York. No dia 25 de março seguinte, ela recebeu a sua Primeira Comunhão com extraordinário fervor. Tinha agora um grande interesse por este Sacramento, que em seus tempos de anglicana lhe faltava.
Ela bem compreendia a tempestade que sua conversão levantaria entre seus parentes e amigos protestantes, no momento em que ela mais precisava de seu socorro e apoio. Ela perdera o pouco da fortuna de seu esposo, e muitos de seus numerosos parentes poderiam ter proporcionado um sustento para seus filhos, se não tivesse surgido a barreira da sua conversão. Mesmo assim ela ficou firme em sua fé.
Em janeiro de 1806, Cecília Seton, a mais jovem cunhada de Elizabeth, ficou gravemente enferma e pediu para ver a ‘condenada convertida’. Então Elizabeth foi vê-la e tornou-se uma visita constante. Cecília Seton revelou desejar tornar-se católica. Quando a decisão de Cecília foi conhecida, Elizabeth foi ameaçada de expulsão do Estado de Nova York. Após sua recuperação, Cecília fugiu para junto de Elizabeth, a fim de ser recebida na religião católica.
Seus dois filhos foram enviados pelos Filicci ao Georgetown College. Elizabeth esperava encontrar algum refúgio em algum convento no Canadá, onde ela poderia lecionar para sustentar suas três filhas. O Bispo Carroll não aprova e ela tem que abandonar esse plano. O Padre Dubourg, do Seminário de Santa Maria, de Baltimore, Maryland, encontrou-a em Nova York e sugeriu abrir uma escola para moças naquela cidade.
Depois de grande demora e privações, ela e suas filhas chegam à Baltimore na Festa de Corpus Christi de 1808. Seus filhos foram trazidos para Baltimore para estudar no St. Mary’s College; ela abre uma escola próxima à capela do Seminário de Santa Maria.
Numa Quarta-feira de Cinzas, quando entrava na modesta igreja católica de São Pedro, de Baltimore, exclamou: “Ó meu Deus, deixa-me descansar aqui!” Ela podia então assistir às Missas e comungar diariamente.
A sua vida de ascese, vivida desde sua estadia na Itália, era pelo menos praticável agora: era praticamente a de uma religiosa e sua veste fora inspirada nas roupas utilizadas por certas freiras italianas.
Cecília Conway, da Filadélfia, que tinha programado ir à Europa para satisfazer sua vocação religiosa, se junta a ela. Mais tarde outras postulantes chegariam. Entrementes, a pequena escola tem todos os alunos que pode acomodar.
O Sr. Cooper, um convertido e seminarista do Estado da Virgínia, ofereceu US$ 10.000 para Elizabeth fundar uma instituição para ensinar crianças pobres.
Como uma primeira medida para a formação da futura comunidade religiosa, Elizabeth fez voto de pobreza, de castidade e de obediência privadamente, com o Arcebispo Carroll.
Uma fazenda foi comprada em Emmitsburg, a duas milhas de distância do Sr. Mary’s College. Enquanto isto, Cecília Seton e sua irmã Harriet juntam-se a Elizabeth, em Baltimore. Em junho de 1808 a comunidade religiosa se transferiu para Emmitsburg para dar início a uma nova instituição.
O grande fervor e a mortificação de Madre Seton, imitado por suas irmãs, fez com que os inúmeros sofrimentos da nova comunidade se tornassem luminosos.
Em dezembro de 1809, Harriet Seton, que fora recebida na Igreja, falece em Emmitsburg; e Cecília Seton morre no ano seguinte, no mês de abril.
Em 1810 a comunidade solicita ao Bispo Flaget que obtenha a Regra das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo. Três destas irmãs francesas foram indicadas para ensinar a jovem comunidade a trilhar nas vias e no espírito de São Vicente de Paulo, mas Napoleão proibiu-as de deixar a França.
Com algumas modificações a Regra foi aprovada pelo Arcebispo Carroll em janeiro de 1812 e finalmente adotada. Contra sua vontade e tendo que cuidar de seus filhos, Elizabeth foi eleita superiora.
Muitas se juntaram à comunidade. A filha de Madre Seton, Ana Maria, morre durante o noviciado (12 de março de 1812), mas foi-lhe permitido fazer os votos em seu leito de morte.
Madre Seton e dezoito irmãs fazem os votos em 19 de julho de 1813. Os padres confessores da comunidade, padres Dubourg, David e Dubois, pertenciam à Congregação Francesa de São Sulpicio. O Padre Dubois esteve no posto por quinze anos e trabalhou no setor de imprensa da comunidade, no espírito das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, cujas 40 comunidades estavam sob seus cuidados na França.
O fervor da comunidade ganhou a admiração de todos. A escola para jovens prosperou e dava sustento para as irmãs se dedicarem aos pobres.
Em 1814 foram convidadas para cuidar de um asilo-orfanato na Filadélfia; em 1817 foram enviadas para Nova York.
Elizabeth Seton tinha grande facilidade para escrever. Por outro lado, fez a tradução de muitos trabalhos ascéticos franceses para a sua comunidade, incluindo a vida de São Vicente de Paulo e de Mlle. Le Gras. Ela deixou um diário e correspondência que mostravam uma alma toda em chamas pelo amor de Deus e zelo pelas almas. Grandes sofrimentos purificaram sua alma durante grande parte de sua vida religiosa, mas ela trilhava alegremente a estrada real da Cruz. Por muitos anos foi seu diretor espiritual o Padre Bruti.
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| Residência da Santa em Manhattan NY, ao lado da igreja em sua honra |
Na terceira eleição para superiora (1819), ela protestou dizendo que fora eleita perto de sua morte, mas ela viveu por mais dois anos sofrendo de tuberculose, doença que tinha infectado a maioria dos membros de sua família. Sua perfeita sinceridade e grande encanto ajudaram maravilhosamente no trabalho de santificação das almas.
Na noite de sua morte, Elizabeth, ela mesma, começou as orações para a sua morte e uma das irmãs, sabendo que ela amava a língua francesa, rezou o Glória e o Magnificat em francês com ela. Elizabeth entregou sua preciosa alma a Deus aos 46 anos de idade, nas primeiras horas do dia 4 de janeiro de 1821. Suas últimas palavras foram “sejam filhas da Igreja” último conselho dado às suas seguidora.
Em 1880 o Cardeal Gibbons deu início ao processo de sua canonização. Elizabeth Ana Seton foi beatificada em 1963 e elevada aos altares na Basílica de São Pedro em 14 de setembro de 1975.
Treze volumes de suas cartas podem ser lidos na sede da Congregação em Emmitsburg, Estado de Maryland, onde o túmulo de Madre Seton, anexo à Basílica, pode ser visitado.
Em 1850 a comunidade de Emmitsburg foi incorporada à Congregação francesa e observa a Regra dada por São Vicente de Paulo. Elas se encontram em 30 dioceses dos EUA.
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(*) Episcopal = ramo dos anglicanos, sobretudo nos Estados Unidos da América; Episcopaliano = membro da religião episcopal.
Fonte: B. Randolph (1913 Catholic Encyclopedia)
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