sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Santa Vereburga de Chester, Abadessa - Festejada 3 de fevereiro

     Beneditina, patrona de Chester, Inglaterra, Abadessa de Weedon, Trentham, Hanbury, Minster in Sheppy e Ely, Vereburga nasceu em Staffordshire, no início do século VII, e faleceu em Trentham, no dia 3 de fevereiro de 699 ou 700.
     Sua mãe, Santa Ermenilda, era filha de Ercomberto, Rei de Kent, e de Santa Sexburga; seu pai Wulfhere, era filho de Penda o mais bravio dos reis de Mercia. Santa Vereburga portanto tinha em suas veias o sangue de duas raças muito diferentes: uma ferozmente cruel e pagã; a outra, um tipo de nobreza e de santidade católica. Nela se concentrou o sangue real de todos os reis Saxões.
     A santa princesa Vereburga descendia de uma família de santas. Veneradas como tal eram: sua mãe Ermenilda, sua tia Ercongota, sua avó materna Sexburga, a irmã desta última Eteldreda, Etelburga e Virburga, e a cunhada Santa Setrida. Eteldreda, Sexburga e Ermenilda se sucederam no cargo de abadessa da Abadia de Ely, e a tradição relata que após estas, Vereburga também ocupou o prestigioso cargo.
     Há controvérsias quanto ao fato de seu pai ser um pagão obstinado, ou um cristão relapso, mas a legenda de crimes terríveis – um dos quais o de ter assassinado seu irmão por se ter convertido ao Cristianismo –, imputados contra ele por alguns escritores, deve ser rejeitada, baseando-se na autoridade de cronistas antigos e contemporâneos, segundo indicaram os Bolandistas.
     Os mártires, Santos Wulfald e Ruffin, não eram filhos de Wulfhere e de Santa Ermenilda, nem vítimas da tirania do rei. Ermenilda logo conquistou os corações de seus súditos, seu zelo resultou na conversão de muitos deles, e sua influência sobre o caráter apaixonado de seu marido transformou-o em um modelo de rei cristão.
     Vereburga herdou o temperamento e os dotes naturais da mãe. Devido sua beleza e graça a princesa tinha muitos pretendentes à sua mão. Werebode, um obstinado guerreiro pagão, era o maior dos seus admiradores. Wulfhere o tinha em grande conta, mas a constância de Vereburga superou todos os obstáculos e ela obteve o consentimento do pai para entrar na Abadia de Ely, que fora fundada por sua tia-avó, Santa Eteldreda, e cuja fama era muito difundida.
     Wulfhere não viveu muito tempo após a consagração de sua filha. Após sua morte, Santa Ermenilda vestiu o hábito em Ely, onde sucedeu sua mãe, Santa Sexburga, como abadessa.
     Como o irmão de Vereburga fosse ainda criança por ocasião da morte de seu pai, seu tio, Etelred subiu ao trono. Este rei convidou Santa Vereburga a assumir a direção de todos os mosteiros de monjas de seu território, a fim de que ela os conduzisse ao alto grau de disciplina e de perfeição que ele tanto admirava na Abadia de Ely e que o edificava.
     Com alguma dificuldade a santa consentiu em sacrificar a reclusão que ela amava, e tomou para si o trabalho de reformar os mosteiros existentes na Mercia, e o de fundar novos, que o Rei Etelred generosamente dotava, especialmente os de Trentham e Hanbury, em Staffordshire, e Weedon em Northamptonshire.
     Fora um privilégio de Santa Vereburga ter sido instruída por santos: em casa, por São Chad (depois Bispo de Lichfield) e por sua mãe; no claustro, por sua tia e pela avó.
     Sua posição não causou mudanças em sua humildade, que sempre a caracterizara, de tal forma que sua dedicação a todas aquelas que estavam sob seus cuidados faziam-na parecer mais serva do que superiora. Seu único pensamento era levar suas irmãs às práticas da perfeição religiosa.
     Deus recompensou sua confiança inocente operando muitos milagres que fizeram de Santa Vereburga uma das mais conhecidas e amadas santas da Saxônia.  
     O milagre dos gansos foi imortalizado na iconografia de Santa Vereburga. A legenda relata que a uma simples ordem sua Vereburga baniu um bando de gansos selvagens que estavam devastando os campos de trigo de Weedon, e desde então nenhuma dessas aves foi vista naquela região.
     Ela gozava do dom da profecia e conhecia os segredos dos corações. Sabendo que todas as diversas comunidades sob sua responsabilidade tinham por ela grande devotamento, e desejariam garantir a posse de seu corpo após sua morte, ela se antecipou a esta piedosa rivalidade escolhendo Hanbury como local de seu sepultamento.
Catedral de Chester, UK
     Mas as monjas do Mosteiro de Trentham estavam determinadas a ficar com seus despojos. Elas não só se recusaram a liberar o corpo para aqueles que vieram de Hanbury para buscá-lo, como trancaram o caixão numa cripta e colocaram guardas para vigiá-lo. O povo de Hanbury veio para Trentham a meia-noite, e quando os guardas foram vencidos pelo sono o féretro foi carregado para Hanbury.
     Tão numerosas e maravilhosas foram as curas obtidas no túmulo da Santa, que em 708 seu corpo foi solenemente transladado para um local mais proeminente na igreja, estando presente seu irmão, Kenred, que havia então sucedido o Rei Etelred. Apesar de ter estado nove anos no túmulo, o corpo estava intacto. Foi tão grande a impressão causada em Kenred, que este resolveu abdicar do trono e seguir os passos de sua irmã.
     Em 875, por medo dos bárbaros e a fim de conceder maior honra a Santa, o corpo foi removido para Chester. A Igreja de São Pedro e São Paulo, no local da atual Catedral de Chester, foi dedicada a Santa Vereburga e a Santo Osvaldo, muito provavelmente no reinado de Athelstan.
     Leofric, Conde de Mercia (que era também Conde de Chester), e sua esposa, Condessa Godiva, reformaram e aumentaram a igreja, e em 1093, Hugo Lupus, Conde de Chester, dotou abundantemente a abadia e sua igreja. Por sua intervenção, Chester, que era cuidada por cônegos seculares, tornou-se uma grande abadia beneditina, sendo Santo Anselmo, então monge em Bee, associado a esta transformação.
Altar da Santa na Catedral de Chester
     A abadia possuía imensa influência no tempo das perseguições de Henrique VIII. Na grande onda iconoclasta que varreu o país no reino daquele tirano, a catedral foi saqueada por apóstatas que dispersaram as relíquias de Santa Vereburga. Fragmentos do relicário foram usados como base de um trono episcopal.
     Muitos selos e imagens foram mutilados, e, ao serem restaurados, os artesãos colocaram por engano cabeças femininas sobre ombros masculinos e vice-versa. Somente 30 das imagens originais foram conservadas, quatro foram perdidas. Posteriormente estes fragmentos foram removidos para as alas oeste e sul do coro, onde foram colocados quase que na posição original do santuário.
    A festa de Santa Vereburga é celebrada no dia 3 de fevereiro.
 
Fontes: Acta SS., I Feb.; Bradshaw, Metrical Holy Lyfe and History of Saynt Werburge, etc., ed. Hawkins (printed in facsimile for the Chetham Society, 1848); Sister Gertrude Casanova (1913 Catholic Encyclopedia).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Santa Brígida da Irlanda - Festejada 1o. de fevereiro

      Provavelmente a mais antiga vida de Santa Brígida (Brighid ou Brigit em irlandês antigo) seja a escrita por São Broccan Cloen, que faleceu em 17 de setembro de 650. Ela é escrita em versos.
     No século VIII, um monge de Kildare, Cogitosus, reescreveu a vida de Santa Brígida em um bom latim. Este trabalho é conhecido como a "Segunda Vida", e é um excelente exemplo da literatura irlandesa daquele século. Talvez a mais interessante informação do trabalho de Cogitosus seja a descrição da Catedral de Kildare em seu tempo.
     É extremamente difícil conciliar as informações dos biógrafos de Santa Brígida, mas as "Vidas" são unânimes em dizer que ela era filha de Brocca, uma escrava da corte de seu pai Dubtbach, um rei irlandês de Leinster. Brocca fora batizada por São Patrício, o Apóstolo da Irlanda. Brígida, que nasceu em 452 (ou 453), próximo de Dundalk, Louth, tinha ouvido ainda criança as pregações de São Patrício e nunca as esqueceu.
     Recusando muitos pedidos de casamento, ela resolveu se tornar monja e recebeu de São Macaille o véu de consagração. Ela se estabeleceu por algum tempo nas faldas do Monte Croghan com sete outras virgens, mas mudou-se para Druin Criadh, nas planícies de Magh Life, onde, sob um enorme carvalho, fez erigir o seu famoso Convento de Ciull-Dara, isto é, 'a igreja do carvalho'.
     Embora Santa Brígida tivesse recebido o véu de São Macaille, é provável que ela tenha professado com São Mel de Ardagh, discípulo de São Patrício, que também conferiu a ela os poderes de abadessa. Isto ocorreu por volta do ano 468.
     O convento de Santa Brígida em Ciull-Dara tornou-se centro de religiosidade e aprendizado, e desenvolveu-se na importante cidade e diocese de Kildare. Ela fundou dois conventos - um para homens e outro para mulheres -, e designou São Conleth como diretor espiritual deles.
     Afirma-se que Santa Brígida deu jurisdição canônica a São Conleth, Bispo de Kildare, mas, como afirma o Arcebispo Healy, ela simplesmente "selecionou a pessoa a quem a Igreja deu tal jurisdição". E seu biógrafo informa-nos que ela escolheu São Conleth "para governar a Igreja junto com ela". Como resultado, durante séculos Kildare foi dirigida por uma dupla linhagem de bispos abades e de abadessas, e a abadessa de Kildare era tida como a superiora geral dos conventos da Irlanda.
     Santa Brígida fundou também uma escola de artes presidida por São Conleth, em que se executavam trabalhos em metal e iluminuras. Kildare foi o berço do "Livro dos Evangelhos", ou o "Livro de Kildare", que foi comentado por Giraldus Cambrensis. Infelizmente esta preciosidade desapareceu durante a Pseudo-Reforma Protestante.
     De acordo com os eclesiásticos do século XII, nada era comparável ao "Livro de Kildare", cujas páginas repletas de iluminuras maravilhosas, cheias de harmonia e de cores, deixavam a impressão de que "todo o trabalho era de qualidades mais angélicas do que humanas". Gerald Barry dizia ter a impressão de que o livro fora escrito noite após noite: enquanto Santa Brígida rezava, "um anjo fornecia os desenhos, copiados pelo copista".
     Mesmo admitindo que os numerosos biógrafos de Santa Brígida exageravam nos detalhes, o que é certo é que ela ocupa um lugar de destaque entre as mais famosas mulheres irlandesas do século V, e é a Patrona da Irlanda. Santa Brígida morreu deixando uma diocese e uma escola que se tornaram famosas em toda a Europa. Em sua honra São Ultan escreveu um hino que começa assim:
Na nossa ilha de Hibernia, Cristo tornou-se conhecido através dos grandes milagres que Ele realizou por meio da feliz virgem de vida celestial, famosa por seus méritos no mundo inteiro.
     Santa Brígida foi assistida por São Ninnidh em sua morte, que ocorreu em 1° de fevereiro de 525, em Kildare. Ela foi enterrada à direita do altar principal da Catedral de Kildare. Durante anos seu túmulo foi objeto da veneração dos peregrinos, especialmente no dia de sua festa, 1° de fevereiro.
     Por volta do ano 878, as relíquias de Santa Brígida foram levadas para Downpatrick, onde foram enterradas junto às de São Patrício e São Columbano. As relíquias dos três santos foram descobertas em 1185, e em 9 de junho do ano seguinte foram transladadas solenemente para a Catedral de Downpatrick, na presença do Cardeal Vivian, de quinze bispos, de numerosos abades e eclesiásticos.
Catedral de Sta. Brígida em Kildare, UK
     Vários breviários anteriores à Pseudo-Reforma comemoravam Santa Brígida e o seu nome foi incluído na ladainha do Missal de Stowe.
     Após 1500 anos, a memória de Santa Brígida continua tão venerada na Irlanda quanto antes, e Brígida é o nome muito usado pelas mulheres católicas irlandesas. Além disso, pelo país todo centenas de locais têm o nome em sua honra: Kilbride, Brideswel, Tubbersbride, Templebride, etc.
     A mão de Santa Brígida está preservada em Luminar, perto de Lisboa, Portugal, desde 1587, e há uma outra relíquia sua na Igreja de São Martinho, em Colônia, Alemanha. O antigo poço de Santa Brígida, próximo da igreja em ruínas, é um local dos mais venerados da Irlanda e ainda hoje atrai peregrinos.
     A amizade de Santa Brígida com São Patrício é atestada pelo seguinte parágrafo do "Livro de Armagh", um precioso manuscrito do século VIII, cuja autenticidade é fora de questão:
"Entre São Patrício e Santa Brígida, as colunas da Irlanda, havia tão grande amizade baseada na caridade, que eles tinham um só coração e uma só cogitação. Por meio dele e dela Cristo realizou muitos milagres".
     Em Armagh havia um "Templum Brigidis", pequena igreja abacial conhecida como "Regles Brigid", que continha algumas relíquias da Santa, e que foi destruída em 1179, por William Fitz Aldelm. Os manuscritos originais da 'Vida de Brígida' de Cogitosus, ou a "Segunda Vida", se encontra hoje com os frades dominicanos de Eichstätt, na Bavária.

Santas do mês de fevereiro

fev 01  Beata Ana Michelotti, Fundadora  MR
fev 01  Beatas Maria Ana Vaillot e 46 comp. Mártires  MR
fev 01  Santa Bárbara Ch'oe Yong-i, Mártir de Seul, Coréia 1840  MR
fev 01  Santa Brígida da Irlanda (de Cell Dara) Abadessa   MR
fev 01  Santa Verdiana (ou Veridiana), Virgem e reclusa  MR
fev 02  Beata Maria Domingas Mantovani (Josefina da Imaculada) Fundadora  MR
fev 02  Santa Adeloga de Kitzingen, Abadessa
fev 02  Santa Catarina de Ricci, Virgem   MR
fev 02  Santa Joana de Lestonnac  MR
fev 02  Beata Maria Catarina Kasper, Fundadora  MR
fev 03  Beata Josefina Vannini, Fundadora   MR
fev 03  Beata Maria Ana Rivier, Fundadora  MR
fev 03  Beata Maria Helena Stollenwerk, Fundadora   MR
fev 03  Santa Ana, Viúva e profetisa   MR
fev 03  Santa Berlinda de Meerbeke  MR
fev 03  Santa Claudina Thevenet (Maria de S. Inácio), Religiosa   MR
fev 03  Santa Vereburga. Abadessa   MR
fev 04  Santa Joana de Valois, Rainha da França, religiosa   MR
fev 05  Beata Elisabete Canori Mora, Esposa  MR
fev 05  Beata Eulália Pinos, Viúva
fev 05  Beata Francisca Meziere, Virgem e mártir  MR
fev 05  Santa Ágata Virgem e mártir  MR
fev 05  Santa Alice (Adelaide) de Vilich, Abadessa  MR
fev 06  Beata Hildegundes, Monja premostratense 
fev 06  Beata Teresa Fernandez, Virgem mercedária
fev 06  Santa Doroteia de Alexandria
fev 06  Santa Doroteia e Teófilo, Mártires de Cesárea de Capadocia  MR
fev 06  Santa Renilda, Abadessa   MR
fev 07  Beata Ana Maria Adorni, Fundadora 
fev 07  Beata Eugênia Smet (Maria da Providência)   MR
fev 07  Beata Rosália Rendu, Virgem   MR
fev 07  Santa Juliana, Viúva    MR
fev 08  Beata Josefina Gabriella Bonino  MR
fev 08  Santa Cointa de Alexandria Mártir  MR
fev 08  Santa Josefina Bakhita, Virgem   MR
fev 09  Beata Ana Catarina Emmerick, Mística, religiosa 
fev 09  Santa Apolônia, Virgem e mártir  MR 
fev 10  Beata Clara Agolanti de Rimini, Clarissa  MR
fev 10  Beata Eusébia PalominoYenes, Religiosa   MR
fev 10  Santa Austraberta, Abadessa de Pavilly  MR
fev 10  Santa Escolástica, Virgem   MR
fev 11  Santa Elisa (Eloisa, lat. Helvisa), Reclusa
fev 11  Santa Sotera, Virgem e mártir   MR
fev 12  Beata Umbelina, Abadessa  MR
fev 13  Beata Cristina de Spoleto  MR
fev 13  Beata Eustáquia (Lucrecia) Bellini de Pádua, Virgem  MR
fev 13  Santa Juliana, Leiga venerada em Turim
fev 13  Santa Zoé de Cesareia (séc. V) e S. Fotino, seu esposo, mártires
fev 13  Santas Fosca e Maura, Mártires
fev 14  Santa Alexandra do Egito, Reclusa Penitente
fev 15  Santa Geórgia, Virgem  MR
fev 16  Beata Filipa Mareri  MR
fev 16  Santa Juliana de Nicomedia, Virgem e mártir  MR
fev 18  Santa Constância de Vercelli
fev 18  Santa Exúpera de Vercelli
fev 18  Santa Gertrudes Comensoli, Fundadora  MR
fev 19  Beata Elisabete de Mântua (Bartolomea Picenardi) Virgem   MR
fev 19  Santa Lúcia Yi Zhenmei  Catequista chinesa, mártir  MR
fev 20  Beata Amada (de Corano) de Assis  
fev 20  Beata Jacinta Marto, Vidente de Fátima   MR
fev 20  Beata Júlia Rodzinska, Dominicana, mártir  MR
fev 21  Beata Maria Henriqueta Dominici, Virgem  MR
fev 21  Santa Eleonora, Rainha da Inglaterra
fev 22  Beata Isabela de França, Princesa   MR
fev 22  Beata Maria de Jesus (Emilia d’Oultremont d’Hooghvorst), Fundadora  MR
fev 22  Santa Margarida de Cortona, Religiosa  MR
fev 23  Beata Rafaela Ybarra,  Fundadora  MR
fev 23  Santa Milburga, Abadessa  MR
fev 23  Santa Romana, Venerada em Todi  
fev 24  Beata Ascensão do Coração de Jesus, Co-fundadora
fev 24  Beata Berta de Busano, Abadessa
fev 24  Beata Josefa Naval Girbès, Leiga  MR
fev 25  Beata Cecília, Dominicana 
fev 25  Beata Maria Adeodata Pisani  MR
fev 25  Beata Maria Ludovica De Angelis, Missionária  
fev 25  Santa Aldetrude, Abadessa
fev 25  Santa Valburga, Abadessa de Heidenheim   MR
fev 26  Beata Piedade da Cruz Ortiz Real  MR
fev 26  Santa Paula de S. José de Calazans, Fundadora das Filhas de Maria  MR
fev 27  Beata Caridade (Ma Josefa Carolina Brader) Fundadora  MR
fev 27  Beata Francisca Ana da Virgem Dolorosa, Fundadora  MR
fev 27  Beata Maria de Jesus Deluil-Martiny  MR
fev 27  Santa Ana Line, Mártir  MR
fev 27  Santa Honorina, Mártir   MR
fev 28  Beata Antonia de Firenze, Abadessa  MR
fev 28  Santas Marana e Cira, Virgens  MR

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

São João Bosco encontra pela primeira vez sua nobre protetora

       Hoje a Igreja comemora, entre outros, o grande São João Bosco. O episódio abaixo é um dos encantadores fatos de sua vida laboriosíssima. S. João Bosco, rogai por nós!


 
     Juliette Colbert, nascida na Vendée, França, casou-se com o Marquês Tancredi Falletti de Barolo, e dela se pode dizer o que lemos de Tabita nos Atos dos Apóstolos: "Esta mulher se dedicou às boas obras e às ações de caridade". Realmente, ela usou seus bens abundantes para ajudar as classes trabalhadoras e os pobres. Uma mulher generosíssima e diligente, ela costumava dizer: "Tudo que damos para a caridade nunca é perdido. Não é preciso manter-se informado sobre o que nós demos. Deus tomará conta".
     Ela gostava de visitar a prisão feminina onde, com autorização oficial, ela permanecia por três a quatro horas toda manhã. Ali ela suportava insultos e por vezes estouros temperamentais. Ela aceitava estas humilhações, rezava e levava outras a rezar, dava generosas esmolas, e foi capaz de transformar aquelas criaturas rudes em mulheres arrependidas e resignadas.
     A pedido do Rei Carlos Felix ela trouxera para Turim as Irmãs do Sagrado Coração para trabalharem na educação das meninas da classe alta, e colocou à disposição delas uma casa de campo grande e magnífica, não muito distante de Turim.
     Dom Bosco, um homem que apreciava as ações da nobreza, soube muito bem que quando a epidemia de cólera varreu Turim, em 1835, esta senhora magnânima, que estava de férias perto de Moncalieri, voltou para a cidade e cuidou continuamente dos doentes nas próprias casas e nos hospitais, consolou os moribundos e prometeu cuidar de suas pobres viúvas e filhos, o que ela fielmente cumpriu.
     A venerável senhora estava então com 60 anos de idade. No primeiro encontro Dom Bosco detectou uma grande humildade sob sua majestosa figura, e percebeu que sua postura reservada e nobre era mesclada com a afabilidade e a gentileza de uma mãe e de uma senhora caridosa. Ele ficou satisfeito com esta primeira entrevista.
 
(The Biographical Memoirs of Saint John Bosco, by Fr. Giovanni Battista Lemoyne, 1839-1916)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Santa Jacinta Marescotti, Padroeira de Viterbo - Festa 30 de janeiro

     Clarice de Marescotti era filha de Marcantonio Marescotti e Otávia Orsini, Condessa de Vignanello, localidade próxima de Viterbo, Itália, onde nasceu provavelmente no dia 16 de março de 1585.
     De seus pais recebeu profunda formação religiosa. Entretanto, atingindo a adolescência, Clarice, nobre, bela, tornou-se vaidosa e mundana, buscando apenas divertir-se. Sua preocupação passou a ser vestidos, adornos, entretenimentos e um casamento digno de sua classe social.
     Seu pai se preocupava muito com a salvação da filha. Resolveu mandá-la para o convento onde já estava sua irmã mais velha, que lá era um exemplo de virtude. Clarice foi de má vontade, mas como terceira franciscana, pois alimentava o desejo de sair dele o mais rápido possível para voltar à vida de antes. Tanto insistiu que o pai acabou cedendo.
     Mas fora ela não encontrou o que esperava: nenhum casamento apareceu e Clarice viu ainda sua irmã mais nova, Hortência, casar-se com o marquês romano Paulo Capizucci e ela ficar para trás.
     Por insistência da família ela retornou àquele mesmo convento das religiosas da Ordem Terceira Franciscana regular, desta vez como freira, tomando o nome de Jacinta.
     Mas, julgando ela que as celas das freiras eram muito pequenas e pobres, mandou construir uma especial para si, de acordo com sua posição social. Sua cela parecia um bazar pelos luxuosos adornos. Aquilo poderia ficar bem num palácio, destoava do ambiente do convento. Sua piedade é tíbia; a mortificação prescrita, um tédio; até recebe as admoestações com desprezo. Por dez anos levou no convento uma vida mundana.
     Quando completou 30 anos, chegou a hora de Deus e surgiu potente a nobre e católica linhagem que levava dentro de si. Uma grave doença a faz refletir sobre o fogo do Purgatório e do Inferno; tremeu de terror e clamou pelo confessor.
     O Pe. Antônio Biochetti, virtuoso sacerdote, foi atender a doente. Mas, entrando naquele quarto luxuoso recusou-se atender a confissão da freira, dizendo que o Paraíso não era feito para os soberbos. Chorando perguntou-lhe: "Então não há mais salvação para mim?". "Sim — respondeu o religioso — contanto que deixe esses vãos adornos, essas vestimentas suntuosas, e se torne humilde, piedosa, esqueça o mundo e pense só nas coisas do Céu".
     Na manhã seguinte, após ter trocado sua roupa de seda por um pobre hábito, Jacinta fez sua confissão geral com um verdadeiro arrependimento. Depois, no refeitório, aplicou-se forte disciplina diante das irmãs e pediu-lhes perdão pelos maus exemplos que havia dado.
     Nova enfermidade fez com que a ruptura com a vida antiga fosse total. Entregou tudo o que possuía para a superiora e revestiu-se com a mortalha de uma freira que acabava de morrer. Fez o propósito de romper com tudo aquilo que lhe lembrava a antiga vida. Desde então passou a ser chamada de Jacinta de Santa Maria e não mais de Marescotti.
     Trocou sua cama por um feixe de lenha, tendo uma pedra como travesseiro; mortificava-se dia e noite, tomando tão ásperas disciplinas, que o solo de sua cela ficava manchado de sangue. Às sextas-feiras, em memória da sede que Nosso Senhor sofreu na Paixão, colocava um punhado de sal na boca. Sua alimentação passou a ser pão e água. Durante a Quaresma e o Advento, vivia de verduras e raízes apenas cozidas na água.
     Considerando-se como a pior pecadora, escolheu para patronos santos que tinham ofendido a Deus antes de se converterem, como Santo Agostinho, Santa Maria Egipcíaca e Santa Margarida de Cortona. Era devota do Arcanjo São Miguel, amava a contemplação da Paixão de Jesus Cristo, a Missa a levava às lágrimas, as imagens da Virgem Santíssima eram seu refúgio.
     Procurava toda ocasião para se humilhar. Às vezes ia ao refeitório com uma corda ao pescoço, ajoelhava-se diante das freiras, beijava-lhes os pés pedindo perdão pelos maus exemplos passados.
     Ela escreveu a uma religiosa: "Há 14 anos que eu mudei de vida. Durante esse tempo eu rezei algumas vezes quarenta horas seguidas, assisti todos os dias a várias missas, e me encontro ainda longe da perfeição. Quando poderei servir meu Deus como Ele merece? Reze por mim, minha amiga, para que o Senhor me dê ao menos a esperança".
     Embora se considerasse a mulher mais pecadora, a nomeiam subpriora e mestra de noviças. E a fama de suas virtudes propaga-se por toda a região. Deus recompensou sua fiel serva com dons extraordinários como o de profecia, milagres, conhecer os corações, ser instrumento de conversões e frequentes êxtases.
     A conversão de Francisco Pacini, célebre por seus desmandos, tornou-se famosa. Ouvindo falar dele, a Santa fez jejuns e orações por sua conversão. Convencido por um amigo convertido por Jacinta, Pacini vai ao convento falar com ela. No parlatório, diante daquela pobre freira, começou a tremer e à medida que ela falava, ele foi se transformando, caiu de joelhos e prometeu confessar-se.
     No domingo seguinte, o da Paixão, com os pés descalços e uma corda no pescoço, Pacini, no meio da Igreja pediu perdão a todos por seus crimes e escândalos. Mais tarde revestiu o hábito de peregrino e consagrou sua vida a Deus.
     Jacinta reformou muitos conventos com cartas escritas às superioras relaxadas, admoestando-as dos castigos que as ameaçavam. Por sugestão sua a Duquesa de Farnese e de Savella fundou dois mosteiros de clarissas, um em Farnese, outro em Roma.
     Ela se preocupava com as almas que se extraviavam no pecado e para sua recuperação fundou duas confrarias: a Companhia dos Sacconi, para atendimento material dos enfermos e para ajudá-los a morrer bem; e a Congregação dos Oblatos de Maria para incentivar a piedade, fazer obras de caridade e fomentar o apostolado dos leigos.
     Como não tinha voto de clausura, Jacinta ia visitar os pobres, levando-lhes sempre o auxílio espiritual, além do material. Em seu grande apreço pela nobreza dava assistência especialmente aos nobres empobrecidos e envergonhados.
     Santa Jacinta de Marescotti entregou sua bela alma a Deus em 30 de janeiro de 1640. Foi canonizada em 1807 pelo Papa Pio VII. É festejada no dia de seu nascimento para o Céu.
 
Fontes: Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Paris, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, 1882, tomo II, pp. 348 a 356 ; Manuel de Castro, O.F.M., Santa Jacinta de Marescotti, in Santoral Franciscano.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Santa Ângela Merici, Fundadora - Festejada 27 de janeiro

     Santa Ângela Merici viveu na época em que o tristemente célebre Martinho Lutero pregava a desobediência à Cátedra de Pedro e a rebelião contra a Igreja Católica. O Renascimento corroborava com os desmandos dos pseudo-reformistas. Deus suscitou então donzelas que levantariam o pendão da pureza e da virgindade numa época em que a corrupção era ostentada com despudor e petulância. Ângela foi a alma dessa verdadeira reforma dos costumes.
     Ângela Merici nasceu em 21 de março de 1470, num pequeno porto de pescadores na margem meridional do Lago de Garda (Norte da Itália) chamado Desenzano. Sua família era pobre, mas piedosa. De sua mãe sabe-se apenas seu nome de família, Biancosi, originária da cidade de Salò.
     Ela não freqüentou escolas. Seu pai reunia todas as noites os filhos e os servidores para as orações e para a leitura de alguma passagem piedosa. Ângela demonstrou desde cedo muita atração por tais leituras e decidiu seguir a via da santidade.
     O traço dominante de sua personalidade era uma extraordinária pureza. Desde a mais tenra idade dedicava-se a uma intensa mortificação, limitando-se apenas ao necessário. Jamais imaginou outro destino para sua vida do que a de permanecer virgem.
     Aos treze anos, ainda sob a ação das consolações que recebeu na sua Primeira Comunhão, uma grande provação a atingiu: o falecimento de seu pai, modelo de homem católico. Dois anos após, sua mãe também falecia.
     Ângela e sua irmã foram confiadas a um tio materno, em Salò. As duas jovens viviam em casa do tio num tal recolhimento, que eram conhecidas por todos pelo nome "as duas rolinhas de Salò". A profunda amizade que unia as duas irmãs durou pouco: a irmã também deixou esta terra.
Sua missão
     Tendo morrido seu tio, Ângela retornou à Desenzano com o intuito de consagrar-se à instrução religiosa da mocidade feminina.
     No ano de 1506, Deus lhe fez conhecer Seu desígnio sobre ela. Certo dia, quando trabalhava no campo, por volta do meio-dia separou-se um pouco das jovens que a acompanhavam para rezar sozinha entre as vinhas. Numa visão, foi-lhe apresentado um número incontável de virgens rodeadas de luz celeste, trazendo coroas na cabeça e lírios nas mãos, que subiam uma escada que ia da terra ao céu. Anjos, cujos instrumentos enchiam o ar de sons, acompanhavam as virgens, e os movimentos se fundiam numa espécie de apoteose da pureza sem mancha.
     Uma delas, que Ângela reconheceu como uma amiga falecida, se destacou dentre as companheiras e lhe disse: "Ângela, saiba que Deus te concedeu esta visão para indicar que, antes de morrer, tu deverás fundar em Bréscia uma sociedade de Virgens semelhantes a estas que vês; tal é a disposição da Providência a teu respeito".
     Ângela estava ainda em êxtase, quando suas jovens amigas a encontraram. Por inspiração divina, contou a elas a visão que tivera, bem como a missão que recebera de Deus. Tocadas pela graça, as jovens desejaram segui-la nessa via. Ela porem não conhecia Bréscia nem as pessoas que lá moravam, mas estava certa que a fundação se faria lá. Ela decidiu esperar a ocasião suscitada por Deus para isso.
     A espera prolongou-se por dez anos, durante os quais sua atividade apostólica se intensificou e se ampliou. Ângela tinha uma graça natural, uma suavidade sorridente, uma afabilidade constante que lhe bastavam para atrair os corações. Deus abençoou o seu apostolado: as famílias confiavam-lhe a educação das filhas e sua fama espalhou-se tão rapidamente, que ela era conhecida por toda região.
     Durante esses dez anosum núcleo de discípulos se formou em torno dela. Entre eles, Jerônimo Pentagola e sua esposa Catarina ocupavam lugar de destaque.
     Em 1516, os Pentagola perderam seus dois filhos, com breve intervalo entre os falecimentos. Como nada os pudesse consolar em sua imensa dor, pensaram em Ângela. Pediram-lhe então, com insistência, que lhes concedesse a graça de sua presença na casa onde moravam, em Bréscia.
     Foi assim que Ângela se dirigiu a Bréscia. A fama de sua santidade lá se difundiu tanto quanto em sua cidade natal ou em Salò.
Ciência infundida pelo Espírito Santo
     Devido à ação do Espírito Santo sobre a alma de Ângela, que ignorava as letras e as ciências humanas, de repente ela foi capaz de ler, não somente em italiano, mas também em latim; comentava a teologia, especialmente a teologia mística, de tal sorte que lia não apenas nos textos, mas nas próprias almas, que eram para ela como livros abertos.
     Em vista disso, aos visitantes habituais, as notabilidades e o bom povo de Bréscia, se juntaram caravanas de eruditos, teólogos, legistas, diretores de consciência e filósofos. Nem uma só vez, durante os minuciosos interrogatórios a que era submetida, Ângela caiu em erro. A ciência infusa daquela mulher humilde causava admiração em todos. A sua integridade doutrinária contrapunha-se aos erros de Lutero, que dividiam a Cristandade.
     A guerra entre o rei da França, Francisco I, e o futuro Imperador alemão, Carlos V, estendia-se por todas as províncias italianas do Norte. Em meio àqueles conflitos, Ângela se esmerou em opor ao sensualismo a pureza virginal, e à heresia uma dócil e total submissão à ortodoxia doutrinária.
Em Roma, com o Papa
     Por ocasião do ano jubilar de 1525, a Santa fez uma peregrinação a Roma. O Papa Clemente VII recebeu-a em audiência, tomou conhecimento da visão que ela tivera em 1506 e da missão que recebera de Deus. Ele examinou os seus projetos e, convencido da origem sobrenatural dessa missão, o Papa abençoou a sua obra.
     Pouco depois de seu regresso, foi obrigada a deixar novamente a cidade ameaçada de pilhagem em conseqüência das devastações que a guerra fazia em todo o norte da Itália. Parte então para Cremona como refugiada com seus amigos mais próximos. Durante o êxodo é sua força de alma que ergue os abatidos, animando-os e consolando a todos.
     Em Cremona também a procuram no lugar onde reside. O próprio duque Francesco Sforza, de Milão, também refugiado em Cremona, recebe de Ângela a direção espiritual iniciada pouco antes em Bréscia.
     Em 23 de dezembro de 1529, a paz é assinada em Cambrai e Carlos V é sagrado Imperador pelo Papa Clemente VII. Ângela pôde então voltar a Bréscia.
As companheiras da Santa Fundadora
A fundação
     É chegada a hora de cumprir o que lhe fora indicado na visão. Vinte e quatro anos haviam se passado (1506-1530). No ano de 1530, reuniu as doze moças que escolhera para serem o núcleo original da Companhia de Virgens que tinha por missão fundar.
     Ângela tinha em mente uma congregação totalmente diferente do que até então tinha havido: não procurou um lugar para instalar um convento para aí residir com suas religiosas, mas apenas um local onde elas pudessem reunir-se para receber uma orientação adequada e fazer certas orações em comum.
     Suas filhas espirituais continuariam a residir em suas próprias casas, no mundo, para ali serem exemplo eloqüente de uma virtude tipicamente contra-revolucionária: a pureza. Elas combateriam a dissolução dos costumes no próprio âmbito familiar e social; não seriam religiosas de clausura, mas deveriam praticar uma pureza ilibada e virginal, vencendo o mundo em seu próprio reduto.
     Embora a vigilância pela conservação dos bons costumes fosse a principal meta de sua obra, suas filhas trabalhariam também na instrução religiosa, na assistência aos pobres e enfermos. Mais tarde seu instituto tomaria a feição de Ordem religiosa, com clausura e votos. Mas o fim conservou-se o mesmo: a educação da mocidade. Foi o primeiro instituto religioso de ensino na Europa.
     Em 25 de novembro de 1535 já eram 27 as virgens reunidas em torno de Ângela. No ano seguinte ela submeteu a Regra da nova sociedade ao Cardeal Francesco Cornaro, bispo de Bréscia, que a aprovou em 8 de agosto de 1536.
     Ângela foi eleita Superiora Geral por unanimidade, apesar dos protestos de sua humildade. Ela fez entretanto duas exigências: a de não ser apontada como Fundadora, e a de colocar o novo Instituto sob o patrocínio de Santa Úrsula. Ela esperava assim ver seu nome desaparecer, substituído pelo da gloriosa padroeira, virgem e mártir.
     Até sua morte, ocorrida em 27 de janeiro de 1540, Ângela continuou a ser um modelo perfeito de santidade para suas filhas espirituais.
     Após ter indicado a Condessa Lucrécia Lodroni como sua sucessora e reunindo em torno de si as 150 virgens que formavam sua Companhia, entregou a alma ao Criador, não sem antes recomendar expressamente a suas filhas:
     "Obedecendo a vossas superioras é a mim mesmo que obedecereis; e, ao me obedecer, obedecereis a Jesus Cristo, cuja misericordiosa bondade me escolheu para ser, viva ou morta, a Mãe desta Companhia, ainda que, de mim mesma, fosse muito indigna disso".
     A notícia de seu falecimento espalhou-se rapidamente por toda a região e uma multidão participou de seu sepultamento, que se realizou no dia seguinte. Seus santos despojos foram sepultados na Igreja de Santa Afra. Nessa ocasião, durante três noites consecutivas apareceu no céu uma estrela de brilho extraordinário, cujos raios convergiam para o ponto onde estava o corpo.
     É interessante notar a similitude da obra de Ângela com a de Santo Inácio de Loyola: ambos fundaram Ordens com o nome de companhia. Assim como o nome Companhia de Jesus indicava seu caráter militante, o nome do instituto fundado por Santa Ângela indicava sua luta contra o sensualismo renascentista.
     Ela foi beatificada em 1768 e o Papa Pio VII a canonizou em 1807. É festejada a 27 de janeiro.
 
Fonte: G. Bernoville, Sainte Angèle Merici; Les Ursulines de France et l'Union Romaine, Bernard Grasset Éd., Paris, 1947.