domingo, 12 de fevereiro de 2012

Beata Umbelina, Abadessa cisterciense - Festejada 12 de fevereiro

     Única irmã de São Bernardo de Claraval (que tinha outros cinco irmãos), Umbelina nasceu por volta de 1092 no Castelo de Fontaine-les-Dijon.
     Ela ficou conhecida pelos colóquios que mantinha com seu célebre irmão, narrados em todas as "Vidas" de São Bernardo. Nelas pode-se conhecer toda dor de São Bernardo por ocasião da morte de seu irmão, o Beato Gerardo, e da própria Umbelina.
     Um ano mais jovem que o irmão, parece que Umbelina se assemelhava muito com ele quanto à beleza física, mas também provavelmente quanto ao caráter.
     Quando seu pai e seus seis irmãos se consagraram a Deus na Abadia de Citeaux (*), na Borgonha, para levarem uma vida piedosa e exemplar, ela se casou com Guido de Marcy, irmão da Duquesa de Lorena, e, possuindo uma grande fortuna, levava uma vida frívola e mundana.
     Algum tempo depois, Umbelina resolveu fazer uma visita a Bernardo perto de Claraval, ostentando seus atavios e escoltada por grande séquito. Bernardo recusou recebê-la se ela não prometesse seguir os seus conselhos, isto é, mudar de vida, abandonando todo luxo.
     Debulhada em lágrimas, ela porém teve forças para responder: “Eu posso ser uma pecadora, mas foi por pessoas como eu que Cristo morreu, e é porque sou uma pecadora que eu preciso da ajuda dos homens piedosos”.
     Depois de alguns anos, provavelmente inspirando-se na repreensão do irmão, Umbelina obtém a permissão do esposo para ingressar no mosteiro de Jully-les-Nonnais, próximo de Troyes, como simples monja. Decidiu penitenciar-se pelos anos de vaidade e de luxo com inúmeras mortificações. Mais tarde se tornou abadessa.
     Este mosteiro logo se tornou pequeno para acolher as novas vocações. Assim, ela precisou fundar um novo mosteiro em Crisenon (paróquia de Prégilbert).
     Umbelina faleceu por volta de 1140, na presença de três de seus irmãos: Bernardo, que a estreitava nos braços, André e Nivardo. Foi enterrada em Jully.
     O seu culto foi confirmado em 1703 e a sua comemoração foi fixada no dia 12 de fevereiro no novo Martirológio Romano.
     A Beata Umbelina é patrona daqueles que perderam seus pais.

Etimologia: Umbelina tem origem no latim, Umbellina, diminutivo de umbella: sombreiro, guarda-sol; por sua vez diminutivo de umbra: sombra. No francês, Ombelline; no italiano, Ombelina.
Abadia de Cister, foto atual

(*) Esta abadía, de uma importância capital dentro do monaquismo católico, foi fundada em 1098 por um grupo de 21 monjes que, sob a direção de São Roberto de Molesmes, se retiraram neste lugar com a finalidade de seguir de uma maneira mais estrita a regra beneditina. Em 1112 Bernardo de Claraval, personagem de excepcional importância, ingressou na abadia. Daquí foram fundados centros dependentes, os quatro primeiros em um lugar mais destacado: La Ferté (1113), Pontigny (1114), Claraval (fundada por Bernardo em 1115) e Morimont (1115). Converteu-se no centro espiritual da Ordem de Cister.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Nossa Senhora de Lourdes - 11 de fevereiro

     Quando a ciência médica pensava ter atingido o seu zênite de progresso, Nossa Senhora intercedia por aqueles que haviam sido desenganados pelos médicos; quando o racionalismo ria do sobrenatural e considerava infantis aqueles que aceitavam a palavra infalível concedida aos Sumos Pontífices; quando o Beato Pio IX definia solenemente o dogma da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro de 1854; Nossa Senhora apareceu no Sul da França a uma menina do campo, e lhe disse: Sou a Imaculada Conceição!
     A festa de hoje comemora as Aparições que aconteceram de 11 de fevereiro a 10 de julho de 1858, em que a Virgem Imaculada dignou-se transmitir a Santa Bernadette uma missão durante estas 18 Aparições.
     Qual é a mensagem que se depreende das 18 Aparições de Lourdes?
     Para obter respostas a esta e outras perguntas, assista na íntegra a Conferência "As Aparições e os Milagres de Nossa Senhora de Lourdes", que aconteceu dia 8 de fevereiro no Clube Homs, São Paulo.

Video completo
Parte I
http://pt-br.justin.tv/institutoplinio/b/307958129
Parte II


Vista aérea de Lourdes, França

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Santa Escolástica, irmã gêmea de São Bento - Festa 10 de fevereiro

     O Papa São Gregório Magno diz que nossa santa "desde sua infância dedicou-se ao Senhor Deus Todo Poderoso". Este grande Papa escreveu a vida de São Bento e nos refere o maravilhoso diálogo mantido entre São Bento e sua irmã, Santa Escolástica, que damos mais adiante.
     Pelo final do século V, nascia esta irmã gêmea de São Bento, o Patriarca da vida monástica ocidental, na cidade de Núrsia, aos pés do Apenino Central, no ducado de Espoleto, Itália. Seus pais, Eutrópio e Abundância, pertenciam às famílias mais distintas daquela cidade.
     Pouco se sabe de sua infância. Unidos antes de nascer e irmãos gêmeos também na alma, Bento e Escolástica aprenderam de seus pais a virtude e a fé católica.
     Quando ainda adolescente Bento foi enviado a Roma para aperfeiçoar seus estudos. A separação deve ter custado muitíssimo à jovem Escolástica. Desde a morte dos pais vivia ela mais recolhida ainda no retiro de sua casa, e meditava sobre o testamento que sua boa mãe lhe deixara quando morreu, sendo ela ainda uma menina:
     "Saiba, minha filha, que os adornos, os ricos vestidos e os colares de pérolas não valem nada diante de Deus. O maior elogio que se pode fazer de uma donzela é sua modéstia e piedade".
     Escolástica nunca esqueceu tais conselhos e praticou-os desde sua tenra idade. Renunciou a tudo que o mundo lhe oferecia, à sua beleza e ao seu distinto nascimento, e consagrou toda sua vida, e para sempre, a Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Depois de absorver a vida e a doutrina dos famosos eremitas do Oriente - Santo Atanásio, São Jerônimo e outros - Bento tratou de imitá-los em Roma. Ele teria uns vinte anos quando, depois de viver alguns anos no deserto de Subiaco, se estabeleceu junto ao Monte Cassino. Como acontece com todos os fundadores, os primeiros passos de sua obra não foram fáceis: as dificuldades muitas vezes procediam de seus próprios discípulos.
     Refletindo que os ensinamentos propostos por seu irmão eram igualmente estendidos a todos os cristãos, Escolástica distribuiu todos os seus bens pelos pobres e, acompanhada de uma única criada de confiança, partiu em busca do irmão.
     Ao ser informado da chegada da irmã, São Bento foi recebê-la acompanhado de alguns monges. Escolástica expôs-lhe o plano de passar o resto de sua vida numa solidão não distante da sua, e suplicou-lhe fosse seu pai espiritual e desse a ela as regras que deveria observar para sua santificação.
     E foi assim que São Bento, ajudado por sua irmã, fundou o primeiro convento de religiosas beneditinas, pois a fama da santidade desta nova fundadora atraiu grande número de donzelas. Sob sua direção e a de São Bento inúmeras mulheres passaram a guardar a mesma regra. Tal foi a origem da célebre Ordem feminina, que rapidamente se estendeu por todo o Ocidente.
     Escolástica não tinha feito voto de clausura, mas respeitou-a sempre. Apesar de estarem próximos, Bento e Escolástica se viam somente uma vez por ano, ocasião em que ela dava conta da comunidade e de sua alma ao Fundador. Encontravam-se eles em uma casinha que havia a meio caminho entre os dois mosteiros, vindo São Bento sempre acompanhado de dois monges.
     São Gregório conta esta admirável entrevista:
     Era por volta do ano 543, primeira quinta-feira da Quaresma. Escolástica previu que seria aquela a última entrevista que teria com seu irmão, com quem compartilhou sua vida desde a infância. Passaram o dia todo falando de coisas espirituais.
     Ao entardecer, seu irmão se levanta e lhe diz: - "Adeus, irmã. Até o ano que vem". - "Meu irmão", lhe suplica Escolástica, "não vá embora. Passemos toda a noite falando das coisas de Deus". - "O que dizeis, Escolástica? Ignorais que não posso passar a noite fora da clausura do mosteiro?"
     Escolástica não respondeu. Abaixou a cabeça, colocou-a entre suas mãos e rezou fervorosamente ao Senhor. O céu, que estava claro, turvou-se de repente, desencadeou-se uma copiosa chuva acompanhada de relâmpagos e trovões, como nunca se havia visto naquelas paragens.
     - "O que fizestes, minha irmã?" - "Pedi-vos e não me quisestes ouvir; pedi a Deus e Ele me ouviu. Meu irmão, Deus preferiu o amor à Regra. Agora, saí, se podeis, deixai-me e voltai ao vosso mosteiro". E assim, impossibilitados de voltar, passaram a noite toda em práticas espirituais.
     Ao referir-se a este fato, São Gregório deseja nos dar uma idéia da virtude e dos merecimentos de Santa Escolástica.
     Três dias depois, ao aproximar-se da janela de sua cela, São Bento viu a alma de sua irmã, partindo do mosteiro das monjas, voar ao Céu em forma de uma pomba branquíssima. Enviou um dos seus monges para recolher os despojos da irmã e trazê-los ao seu mosteiro, para que fossem enterrados num túmulo que havia preparado para si mesmo debaixo do altar de São João Batista, no lugar preciso do altar de Apolo que ele tinha derrubado.
     Era o ano de 543, contava Escolástica provavelmente sessenta anos de idade. Uns 40 dias depois, São Bento anunciou sua morte próxima a alguns discípulos. Efetivamente, segundo a opinião comum, ele faleceu no dia 21 de março de 543.
     Os discípulos depositaram o corpo do venerável Pai ao lado do da santa irmã. Os irmãos tão unidos espiritualmente ficaram juntos no túmulo, e suas almas cantam eternamente os louvores de Deus no Céu.
 
O trabalho oferecido a Deus é uma grande oração. (São Bento)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Beata Maria da Providência (Eugênia Smet) - Festejada 7 de fevereiro

Introdução:
     Segundo a doutrina da Igreja Católica, o Purgatório não é um nível intermédio entre o Inferno e o Paraíso, mas um estado de purificação onde as almas dos que morreram em estado de graça (isto é, não estão manchados pelo pecado mortal e, portanto, já estão destinadas ao Paraíso), ainda precisam se purificar para ver a face de Deus no Céu. Isto se justifica pela existência nas almas de manchas originadas pelos pecados veniais (ou leves) e pelas penas temporais devidas ao pecado, pois que 'nada de impuro pode entrar no céu' (Ap.21,27).
     A existência do Purgatório se baseia no testemunho da Sagrada Escritura e da Tradição. Vários Concílios o definiram como dogma; Santos Padres e Doutores da Igreja o atestam a uma voz. Há uma prisão da qual não se sairá senão quando tiver pago o último centavo. (Mat. 18, 23-35).
     O menor sofrimento no Purgatório, como dizem os santos, ultrapassa todos os possíveis sofrimentos na terra. Está em nosso poder reduzi-los e ajudar as almas a alcançar a felicidade pela qual anseiam. Por isso o amor ao próximo deve ser o estímulo para lhes levar ajuda.
     Santa Faustina, no seu diário, registrou muitas passagens referentes ao Purgatório. Eis uma delas:
     “Vi o Anjo da Guarda que me mandou acompanhá-lo. Imediatamente encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo, e, dentro deste, uma multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. As chamas que as queimavam não me tocavam. O meu Anjo da Guarda não se afastava de mim nem por um momento. E perguntei a essas almas qual era o seu maior sofrimento. Responderam-me, unânimes, que o maior sofrimento delas era a saudade de Deus. Vi Nossa Senhora que visitava as almas no Purgatório. As almas chamam a Maria “Estrela do Mar.” Ela lhes traz alívio. Queria conversar mais com elas, mas o meu Anjo da Guarda fez-me sinal para sair. Saímos pela porta dessa prisão de sofrimento. Ouvi então uma voz interior que me dizia: A Minha misericórdia não deseja isto, mas a justiça o exige. A partir desse momento, me encontro mais unida às almas sofredoras” (D.20).
     Em vista de tudo o que foi acima exposto, se compreenderá a importância da fundação levada a cabo pela Beata Maria da Providência.

     Eugênia Maria Josefina Smet nasceu no dia 25 de março de 1825, na cidade de Lille, França. Era a terceira de seis filhos de uma família abastada de origem flamenga. Estudou por dez anos junto às Irmãs do Sagrado Coração de Lille. Concluídos os estudos, desejava ingressar naquele instituto como religiosa, mas retornou à sua casa.
     Embora tivesse inclinação para a vida religiosa, permaneceu em família e dedicou-se ao apostolado leigo. Comunicou ao seu confessor que havia feito o voto privado de castidade e depois começou a trabalhar nas obras de caridade.
      Tornou-se membro da obra pela propagação da fé, fundada em Lion no ano de 1822 por Paulina Jaricot, ela também uma leiga, obra esta que vinha obtendo uma ampla difusão e influência; os sócios ajudavam as missões com a oração diária e com uma esmola semanal. Pequenos gestos somados produzem grandes resultados.
     Nessas obras ninguém da paróquia tinha tanta dedicação quanto Eugênia. Distribuía diariamente alimentos aos carentes e aos enfermos. Sua participação ativa e objetiva aumentava cada vez mais os donativos para as obras missionárias, deixando os padres admirados com o seu senso de organização e carisma. "É necessário ajudar bem a Providência", dizia ela, justificando os crescentes donativos e pacotes de alimentos que conseguia.
     Em novembro de 1853, aos 28 anos, decidiu promover uma associação de fieis empenhados em rezar pelas almas do Purgatório. Logo conseguiu adesões, mas as dificuldades que encontrou levaram-na a fundar, com o mesmo objetivo, uma congregação de religiosas.
     Durante três anos pediu conselhos a muitos, inclusive ao próprio papa Beato Pio IX e ao Santo Cura d’Ars, que deram a ela todo apoio, e, finalmente, nos primeiros dias de 1856, ela está em Paris. Era a Paris triunfal de Napoleão III, da vitória da Crimeia, dos grandes congressos e projetos.
      Com a orientação espiritual de um padre jesuíta e com mais cinco religiosas, iniciou a Congregação das Auxiliadoras das Almas do Purgatório, com a finalidade de rezar pelos defuntos.
     Mas, Maria da Providência (nome que adotou na Congregação) conheceu o duríssimo “purgatório” que muitos passavam ainda em vida e por isso estabeleceu que as Irmãs Auxiliadoras deveriam interceder em duas frentes: pelas almas, com suas orações; pelos vivos carentes, alimentação, alfabetização e tratamento quando enfermos.
     Assim, sempre confiante na Providência, seguiu avante serena e decidida, promovendo uma sólida ligação entre o terreno e o celeste: toda alegria doada neste mundo é convertida para os outros em esperança de maior beatitude no mundo invisível.
     A regra e a espiritualidade de Santo Inácio foram adotadas em 1859, consolidando o Instituto, cuja expansão é lenta porque a fundadora não tem pressa: com sua praticidade flamenga ela quer primeiro “robustecer as raízes”. Uma casa foi aberta em Nantes em 1865 e dois anos depois nascia a casa missionária de Xangai, China.
     No final do século XX as Auxiliadoras eram cerca de 1500 em sessenta casas espalhadas pelo mundo.
     Nos últimos anos a fundadora dirigiu o Instituto em meio a sofrimentos físicos e a tragédia da guerra perdida contra a Prússia. Ela se extinguiu sob os tiros dos canhões inimigos. O sacerdote que a assistia, Pe. Pierre Olivaint, morreria nos massacres da Comuna de Paris alguns meses depois. A Fundadora faleceu no dia 7 de fevereiro de 1871 consumida por um câncer. Seu rosto crispado pelas dores voltou à serenidade após sua morte.
     Pio XII a proclamou beata em 1957, com sua celebração litúrgica no dia 7 de fevereiro.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Santa Vereburga de Chester, Abadessa - Festejada 3 de fevereiro

     Beneditina, patrona de Chester, Inglaterra, Abadessa de Weedon, Trentham, Hanbury, Minster in Sheppy e Ely, Vereburga nasceu em Staffordshire, no início do século VII, e faleceu em Trentham, no dia 3 de fevereiro de 699 ou 700.
     Sua mãe, Santa Ermenilda, era filha de Ercomberto, Rei de Kent, e de Santa Sexburga; seu pai Wulfhere, era filho de Penda o mais bravio dos reis de Mercia. Santa Vereburga portanto tinha em suas veias o sangue de duas raças muito diferentes: uma ferozmente cruel e pagã; a outra, um tipo de nobreza e de santidade católica. Nela se concentrou o sangue real de todos os reis Saxões.
     A santa princesa Vereburga descendia de uma família de santas. Veneradas como tal eram: sua mãe Ermenilda, sua tia Ercongota, sua avó materna Sexburga, a irmã desta última Eteldreda, Etelburga e Virburga, e a cunhada Santa Setrida. Eteldreda, Sexburga e Ermenilda se sucederam no cargo de abadessa da Abadia de Ely, e a tradição relata que após estas, Vereburga também ocupou o prestigioso cargo.
     Há controvérsias quanto ao fato de seu pai ser um pagão obstinado, ou um cristão relapso, mas a legenda de crimes terríveis – um dos quais o de ter assassinado seu irmão por se ter convertido ao Cristianismo –, imputados contra ele por alguns escritores, deve ser rejeitada, baseando-se na autoridade de cronistas antigos e contemporâneos, segundo indicaram os Bolandistas.
     Os mártires, Santos Wulfald e Ruffin, não eram filhos de Wulfhere e de Santa Ermenilda, nem vítimas da tirania do rei. Ermenilda logo conquistou os corações de seus súditos, seu zelo resultou na conversão de muitos deles, e sua influência sobre o caráter apaixonado de seu marido transformou-o em um modelo de rei cristão.
     Vereburga herdou o temperamento e os dotes naturais da mãe. Devido sua beleza e graça a princesa tinha muitos pretendentes à sua mão. Werebode, um obstinado guerreiro pagão, era o maior dos seus admiradores. Wulfhere o tinha em grande conta, mas a constância de Vereburga superou todos os obstáculos e ela obteve o consentimento do pai para entrar na Abadia de Ely, que fora fundada por sua tia-avó, Santa Eteldreda, e cuja fama era muito difundida.
     Wulfhere não viveu muito tempo após a consagração de sua filha. Após sua morte, Santa Ermenilda vestiu o hábito em Ely, onde sucedeu sua mãe, Santa Sexburga, como abadessa.
     Como o irmão de Vereburga fosse ainda criança por ocasião da morte de seu pai, seu tio, Etelred subiu ao trono. Este rei convidou Santa Vereburga a assumir a direção de todos os mosteiros de monjas de seu território, a fim de que ela os conduzisse ao alto grau de disciplina e de perfeição que ele tanto admirava na Abadia de Ely e que o edificava.
     Com alguma dificuldade a santa consentiu em sacrificar a reclusão que ela amava, e tomou para si o trabalho de reformar os mosteiros existentes na Mercia, e o de fundar novos, que o Rei Etelred generosamente dotava, especialmente os de Trentham e Hanbury, em Staffordshire, e Weedon em Northamptonshire.
     Fora um privilégio de Santa Vereburga ter sido instruída por santos: em casa, por São Chad (depois Bispo de Lichfield) e por sua mãe; no claustro, por sua tia e pela avó.
     Sua posição não causou mudanças em sua humildade, que sempre a caracterizara, de tal forma que sua dedicação a todas aquelas que estavam sob seus cuidados faziam-na parecer mais serva do que superiora. Seu único pensamento era levar suas irmãs às práticas da perfeição religiosa.
     Deus recompensou sua confiança inocente operando muitos milagres que fizeram de Santa Vereburga uma das mais conhecidas e amadas santas da Saxônia.  
     O milagre dos gansos foi imortalizado na iconografia de Santa Vereburga. A legenda relata que a uma simples ordem sua Vereburga baniu um bando de gansos selvagens que estavam devastando os campos de trigo de Weedon, e desde então nenhuma dessas aves foi vista naquela região.
     Ela gozava do dom da profecia e conhecia os segredos dos corações. Sabendo que todas as diversas comunidades sob sua responsabilidade tinham por ela grande devotamento, e desejariam garantir a posse de seu corpo após sua morte, ela se antecipou a esta piedosa rivalidade escolhendo Hanbury como local de seu sepultamento.
Catedral de Chester, UK
     Mas as monjas do Mosteiro de Trentham estavam determinadas a ficar com seus despojos. Elas não só se recusaram a liberar o corpo para aqueles que vieram de Hanbury para buscá-lo, como trancaram o caixão numa cripta e colocaram guardas para vigiá-lo. O povo de Hanbury veio para Trentham a meia-noite, e quando os guardas foram vencidos pelo sono o féretro foi carregado para Hanbury.
     Tão numerosas e maravilhosas foram as curas obtidas no túmulo da Santa, que em 708 seu corpo foi solenemente transladado para um local mais proeminente na igreja, estando presente seu irmão, Kenred, que havia então sucedido o Rei Etelred. Apesar de ter estado nove anos no túmulo, o corpo estava intacto. Foi tão grande a impressão causada em Kenred, que este resolveu abdicar do trono e seguir os passos de sua irmã.
     Em 875, por medo dos bárbaros e a fim de conceder maior honra a Santa, o corpo foi removido para Chester. A Igreja de São Pedro e São Paulo, no local da atual Catedral de Chester, foi dedicada a Santa Vereburga e a Santo Osvaldo, muito provavelmente no reinado de Athelstan.
     Leofric, Conde de Mercia (que era também Conde de Chester), e sua esposa, Condessa Godiva, reformaram e aumentaram a igreja, e em 1093, Hugo Lupus, Conde de Chester, dotou abundantemente a abadia e sua igreja. Por sua intervenção, Chester, que era cuidada por cônegos seculares, tornou-se uma grande abadia beneditina, sendo Santo Anselmo, então monge em Bee, associado a esta transformação.
Altar da Santa na Catedral de Chester
     A abadia possuía imensa influência no tempo das perseguições de Henrique VIII. Na grande onda iconoclasta que varreu o país no reino daquele tirano, a catedral foi saqueada por apóstatas que dispersaram as relíquias de Santa Vereburga. Fragmentos do relicário foram usados como base de um trono episcopal.
     Muitos selos e imagens foram mutilados, e, ao serem restaurados, os artesãos colocaram por engano cabeças femininas sobre ombros masculinos e vice-versa. Somente 30 das imagens originais foram conservadas, quatro foram perdidas. Posteriormente estes fragmentos foram removidos para as alas oeste e sul do coro, onde foram colocados quase que na posição original do santuário.
    A festa de Santa Vereburga é celebrada no dia 3 de fevereiro.
 
Fontes: Acta SS., I Feb.; Bradshaw, Metrical Holy Lyfe and History of Saynt Werburge, etc., ed. Hawkins (printed in facsimile for the Chetham Society, 1848); Sister Gertrude Casanova (1913 Catholic Encyclopedia).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Santa Brígida da Irlanda - Festejada 1o. de fevereiro

      Provavelmente a mais antiga vida de Santa Brígida (Brighid ou Brigit em irlandês antigo) seja a escrita por São Broccan Cloen, que faleceu em 17 de setembro de 650. Ela é escrita em versos.
     No século VIII, um monge de Kildare, Cogitosus, reescreveu a vida de Santa Brígida em um bom latim. Este trabalho é conhecido como a "Segunda Vida", e é um excelente exemplo da literatura irlandesa daquele século. Talvez a mais interessante informação do trabalho de Cogitosus seja a descrição da Catedral de Kildare em seu tempo.
     É extremamente difícil conciliar as informações dos biógrafos de Santa Brígida, mas as "Vidas" são unânimes em dizer que ela era filha de Brocca, uma escrava da corte de seu pai Dubtbach, um rei irlandês de Leinster. Brocca fora batizada por São Patrício, o Apóstolo da Irlanda. Brígida, que nasceu em 452 (ou 453), próximo de Dundalk, Louth, tinha ouvido ainda criança as pregações de São Patrício e nunca as esqueceu.
     Recusando muitos pedidos de casamento, ela resolveu se tornar monja e recebeu de São Macaille o véu de consagração. Ela se estabeleceu por algum tempo nas faldas do Monte Croghan com sete outras virgens, mas mudou-se para Druin Criadh, nas planícies de Magh Life, onde, sob um enorme carvalho, fez erigir o seu famoso Convento de Ciull-Dara, isto é, 'a igreja do carvalho'.
     Embora Santa Brígida tivesse recebido o véu de São Macaille, é provável que ela tenha professado com São Mel de Ardagh, discípulo de São Patrício, que também conferiu a ela os poderes de abadessa. Isto ocorreu por volta do ano 468.
     O convento de Santa Brígida em Ciull-Dara tornou-se centro de religiosidade e aprendizado, e desenvolveu-se na importante cidade e diocese de Kildare. Ela fundou dois conventos - um para homens e outro para mulheres -, e designou São Conleth como diretor espiritual deles.
     Afirma-se que Santa Brígida deu jurisdição canônica a São Conleth, Bispo de Kildare, mas, como afirma o Arcebispo Healy, ela simplesmente "selecionou a pessoa a quem a Igreja deu tal jurisdição". E seu biógrafo informa-nos que ela escolheu São Conleth "para governar a Igreja junto com ela". Como resultado, durante séculos Kildare foi dirigida por uma dupla linhagem de bispos abades e de abadessas, e a abadessa de Kildare era tida como a superiora geral dos conventos da Irlanda.
     Santa Brígida fundou também uma escola de artes presidida por São Conleth, em que se executavam trabalhos em metal e iluminuras. Kildare foi o berço do "Livro dos Evangelhos", ou o "Livro de Kildare", que foi comentado por Giraldus Cambrensis. Infelizmente esta preciosidade desapareceu durante a Pseudo-Reforma Protestante.
     De acordo com os eclesiásticos do século XII, nada era comparável ao "Livro de Kildare", cujas páginas repletas de iluminuras maravilhosas, cheias de harmonia e de cores, deixavam a impressão de que "todo o trabalho era de qualidades mais angélicas do que humanas". Gerald Barry dizia ter a impressão de que o livro fora escrito noite após noite: enquanto Santa Brígida rezava, "um anjo fornecia os desenhos, copiados pelo copista".
     Mesmo admitindo que os numerosos biógrafos de Santa Brígida exageravam nos detalhes, o que é certo é que ela ocupa um lugar de destaque entre as mais famosas mulheres irlandesas do século V, e é a Patrona da Irlanda. Santa Brígida morreu deixando uma diocese e uma escola que se tornaram famosas em toda a Europa. Em sua honra São Ultan escreveu um hino que começa assim:
Na nossa ilha de Hibernia, Cristo tornou-se conhecido através dos grandes milagres que Ele realizou por meio da feliz virgem de vida celestial, famosa por seus méritos no mundo inteiro.
     Santa Brígida foi assistida por São Ninnidh em sua morte, que ocorreu em 1° de fevereiro de 525, em Kildare. Ela foi enterrada à direita do altar principal da Catedral de Kildare. Durante anos seu túmulo foi objeto da veneração dos peregrinos, especialmente no dia de sua festa, 1° de fevereiro.
     Por volta do ano 878, as relíquias de Santa Brígida foram levadas para Downpatrick, onde foram enterradas junto às de São Patrício e São Columbano. As relíquias dos três santos foram descobertas em 1185, e em 9 de junho do ano seguinte foram transladadas solenemente para a Catedral de Downpatrick, na presença do Cardeal Vivian, de quinze bispos, de numerosos abades e eclesiásticos.
Catedral de Sta. Brígida em Kildare, UK
     Vários breviários anteriores à Pseudo-Reforma comemoravam Santa Brígida e o seu nome foi incluído na ladainha do Missal de Stowe.
     Após 1500 anos, a memória de Santa Brígida continua tão venerada na Irlanda quanto antes, e Brígida é o nome muito usado pelas mulheres católicas irlandesas. Além disso, pelo país todo centenas de locais têm o nome em sua honra: Kilbride, Brideswel, Tubbersbride, Templebride, etc.
     A mão de Santa Brígida está preservada em Luminar, perto de Lisboa, Portugal, desde 1587, e há uma outra relíquia sua na Igreja de São Martinho, em Colônia, Alemanha. O antigo poço de Santa Brígida, próximo da igreja em ruínas, é um local dos mais venerados da Irlanda e ainda hoje atrai peregrinos.
     A amizade de Santa Brígida com São Patrício é atestada pelo seguinte parágrafo do "Livro de Armagh", um precioso manuscrito do século VIII, cuja autenticidade é fora de questão:
"Entre São Patrício e Santa Brígida, as colunas da Irlanda, havia tão grande amizade baseada na caridade, que eles tinham um só coração e uma só cogitação. Por meio dele e dela Cristo realizou muitos milagres".
     Em Armagh havia um "Templum Brigidis", pequena igreja abacial conhecida como "Regles Brigid", que continha algumas relíquias da Santa, e que foi destruída em 1179, por William Fitz Aldelm. Os manuscritos originais da 'Vida de Brígida' de Cogitosus, ou a "Segunda Vida", se encontra hoje com os frades dominicanos de Eichstätt, na Bavária.

Santas do mês de fevereiro

fev 01  Beata Ana Michelotti, Fundadora  MR
fev 01  Beatas Maria Ana Vaillot e 46 comp. Mártires  MR
fev 01  Santa Bárbara Ch'oe Yong-i, Mártir de Seul, Coréia 1840  MR
fev 01  Santa Brígida da Irlanda (de Cell Dara) Abadessa   MR
fev 01  Santa Verdiana (ou Veridiana), Virgem e reclusa  MR
fev 02  Beata Maria Domingas Mantovani (Josefina da Imaculada) Fundadora  MR
fev 02  Santa Adeloga de Kitzingen, Abadessa
fev 02  Santa Catarina de Ricci, Virgem   MR
fev 02  Santa Joana de Lestonnac  MR
fev 02  Beata Maria Catarina Kasper, Fundadora  MR
fev 03  Beata Josefina Vannini, Fundadora   MR
fev 03  Beata Maria Ana Rivier, Fundadora  MR
fev 03  Beata Maria Helena Stollenwerk, Fundadora   MR
fev 03  Santa Ana, Viúva e profetisa   MR
fev 03  Santa Berlinda de Meerbeke  MR
fev 03  Santa Claudina Thevenet (Maria de S. Inácio), Religiosa   MR
fev 03  Santa Vereburga. Abadessa   MR
fev 04  Santa Joana de Valois, Rainha da França, religiosa   MR
fev 05  Beata Elisabete Canori Mora, Esposa  MR
fev 05  Beata Eulália Pinos, Viúva
fev 05  Beata Francisca Meziere, Virgem e mártir  MR
fev 05  Santa Ágata Virgem e mártir  MR
fev 05  Santa Alice (Adelaide) de Vilich, Abadessa  MR
fev 06  Beata Hildegundes, Monja premostratense 
fev 06  Beata Teresa Fernandez, Virgem mercedária
fev 06  Santa Doroteia de Alexandria
fev 06  Santa Doroteia e Teófilo, Mártires de Cesárea de Capadocia  MR
fev 06  Santa Renilda, Abadessa   MR
fev 07  Beata Ana Maria Adorni, Fundadora 
fev 07  Beata Eugênia Smet (Maria da Providência)   MR
fev 07  Beata Rosália Rendu, Virgem   MR
fev 07  Santa Juliana, Viúva    MR
fev 08  Beata Josefina Gabriella Bonino  MR
fev 08  Santa Cointa de Alexandria Mártir  MR
fev 08  Santa Josefina Bakhita, Virgem   MR
fev 09  Beata Ana Catarina Emmerick, Mística, religiosa 
fev 09  Santa Apolônia, Virgem e mártir  MR 
fev 10  Beata Clara Agolanti de Rimini, Clarissa  MR
fev 10  Beata Eusébia PalominoYenes, Religiosa   MR
fev 10  Santa Austraberta, Abadessa de Pavilly  MR
fev 10  Santa Escolástica, Virgem   MR
fev 11  Santa Elisa (Eloisa, lat. Helvisa), Reclusa
fev 11  Santa Sotera, Virgem e mártir   MR
fev 12  Beata Umbelina, Abadessa  MR
fev 13  Beata Cristina de Spoleto  MR
fev 13  Beata Eustáquia (Lucrecia) Bellini de Pádua, Virgem  MR
fev 13  Santa Juliana, Leiga venerada em Turim
fev 13  Santa Zoé de Cesareia (séc. V) e S. Fotino, seu esposo, mártires
fev 13  Santas Fosca e Maura, Mártires
fev 14  Santa Alexandra do Egito, Reclusa Penitente
fev 15  Santa Geórgia, Virgem  MR
fev 16  Beata Filipa Mareri  MR
fev 16  Santa Juliana de Nicomedia, Virgem e mártir  MR
fev 18  Santa Constância de Vercelli
fev 18  Santa Exúpera de Vercelli
fev 18  Santa Gertrudes Comensoli, Fundadora  MR
fev 19  Beata Elisabete de Mântua (Bartolomea Picenardi) Virgem   MR
fev 19  Santa Lúcia Yi Zhenmei  Catequista chinesa, mártir  MR
fev 20  Beata Amada (de Corano) de Assis  
fev 20  Beata Jacinta Marto, Vidente de Fátima   MR
fev 20  Beata Júlia Rodzinska, Dominicana, mártir  MR
fev 21  Beata Maria Henriqueta Dominici, Virgem  MR
fev 21  Santa Eleonora, Rainha da Inglaterra
fev 22  Beata Isabela de França, Princesa   MR
fev 22  Beata Maria de Jesus (Emilia d’Oultremont d’Hooghvorst), Fundadora  MR
fev 22  Santa Margarida de Cortona, Religiosa  MR
fev 23  Beata Rafaela Ybarra,  Fundadora  MR
fev 23  Santa Milburga, Abadessa  MR
fev 23  Santa Romana, Venerada em Todi  
fev 24  Beata Ascensão do Coração de Jesus, Co-fundadora
fev 24  Beata Berta de Busano, Abadessa
fev 24  Beata Josefa Naval Girbès, Leiga  MR
fev 25  Beata Cecília, Dominicana 
fev 25  Beata Maria Adeodata Pisani  MR
fev 25  Beata Maria Ludovica De Angelis, Missionária  
fev 25  Santa Aldetrude, Abadessa
fev 25  Santa Valburga, Abadessa de Heidenheim   MR
fev 26  Beata Piedade da Cruz Ortiz Real  MR
fev 26  Santa Paula de S. José de Calazans, Fundadora das Filhas de Maria  MR
fev 27  Beata Caridade (Ma Josefa Carolina Brader) Fundadora  MR
fev 27  Beata Francisca Ana da Virgem Dolorosa, Fundadora  MR
fev 27  Beata Maria de Jesus Deluil-Martiny  MR
fev 27  Santa Ana Line, Mártir  MR
fev 27  Santa Honorina, Mártir   MR
fev 28  Beata Antonia de Firenze, Abadessa  MR
fev 28  Santas Marana e Cira, Virgens  MR