segunda-feira, 12 de março de 2012

Beata Francisca Théhet, mártir da Rev. Francesa - Festa 13 de março

     Francisca nasceu em Saint-Mars-sur-la-Futaie no dia 8 de abril de 1756, em uma nobre família proprietária de terras. Professou os votos religiosos na Congregação das Irmãs da Caridade de Nossa Senhora de Evron, dedicada à educação das jovens e à várias obras de caridade. Devido ao hábito característico de cor cinza, as religiosas deste Instituto eram chamadas de “as irmãzinhas cinza”.
     Em 1783 Francisca foi enviada a Saint-Pierre-des-Landes para abrir uma escola paroquial e logo conseguiu uma auxiliar na pessoa da Irmã Jeanne Véron. As duas religiosas ensinavam e se dedicavam também ao atendimento dos doentes.
     Francisca tinha um caráter muito forte e com a sua vivaz inteligência pressagiou os males que logo viriam com a Revolução Francesa, não apenas para a Igreja, mas para toda a nação.
     Embora não houvesse denúncia ou reclamação contra as duas Irmãs, elas foram inseridas em uma lista de condenados a guilhotina, e por isso foram aprisionadas do final de fevereiro até os primeiros dias de março de 1794. Ambas foram detidas em Ernée: Francisca na prisão e Jeanne no hospital.
     No dia 13 de março Francisca foi chamada a comparecer diante do tribunal dito “Comissão Clément”, onde foi acusada de ter ajudado a monarquia. Ela respondeu que tanto os vandeanos fieis ao soberano como os revolucionários eram todos seus irmãos em Jesus Cristo e consequentemente ela não recusava a nenhum a sua generosa ajuda. Foi-lhe então mandado que gritasse: “Longa vida a República!”, mas a religiosa recusou fazê-lo e foi então definitivamente condenada. O veredito da comissão a acusou de ter “escondido sacerdotes refratários e ajudado os revoltosos vandeanos”.
     A trágica execução ocorreu no mesmo dia e Francisca subiu o patíbulo cantando a Salve Regina. Tinha 37 anos. Sete dias depois Jeanne Véron também foi guilhotinada.
     Seus despojos são venerados na igreja de Saint-Pierre-des-Landes desde 1814. Ambas foram beatificadas em 19 de junho de 1955, junto com outros mártires da Diocese de Laval.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Santa Francisca Romana - Festejada 9 de março

     Santa Francisca nasceu em Roma, em 1384. Seu pai, Paulo Busa de Leoni, pertencia à nobreza romana. Teve uma educação elevada para uma jovem de seu tempo.
     Ainda pequena acompanhava a mãe nas visitas às várias igrejas de sua região, mas especialmente à longínqua igreja de Santa Maria Nova dirigida pelos beneditinos do Monte das Oliveiras, com os quais a mãe gostava de confessar-se.
     Francisca também ali encontrou seu diretor espiritual, o Padre Antonino de Monte Savello, que logo percebeu a vocação da menina à vida monástica. Mas, foi ele mesmo quem a convenceu a aceitar a vontade do pai, que, segundo os costumes da época, havia combinado o casamento de Francisca, então com 12 anos, com o jovem nobre Lourenço de Ponziani, cuja família se orgulhava de ter entre os ascendentes o Papa mártir Ponciano.
     A história de Francisca confunde-se com a da Cidade Eterna daquela época. Roma estava dividida em dois grupos que se digladiavam: os Orsini, em cuja facção Lourenço ocupava elevado posto, lutavam em favor do Papa Alexandre V; os Colonnas, seus adversários, apoiavam Ladislau de Nápoles.
     Após o casamento Francisca foi morar no palácio dos Ponziani, mas sua inclusão na nova família não foi fácil. Além desta dificuldade, havia o sofrimento por ter renunciado à vocação religiosa, que a levou a um profundo estado de prostração. Tentaram em vão tirá-la desta situação.
     Afinal, na alvorada do dia 16 de julho de 1398, Santo Aleixo lhe apareceu em sonho e disse a ela: "Deves viver! O Senhor quer que vivas para glorificar o Seu nome". Estendeu seu manto de ouro sobre a enferma e lhe restituiu uma saúde perfeita.
     Ao acordar, Francisca, acompanhada da cunhada Vanossa, dirigiu-se à igreja dedicada ao Santo peregrino para agradecê-lo. A partir de então sua vida mudou: aceitou a sua condição de esposa e aos dezesseis anos teve o primeiro filho, João Batista, depois outros dois, João Evangelista e Inês. Somente João Batista chegou à idade adulta e deixou posteridade. Cuidava ela mesma da educação dos filhos e preparou-os tão bem, que João Evangelista, que viveu somente nove anos, chegou a ter o dom da profecia.
     Eram anos dramáticos para Roma: o Cisma do Ocidente devastava a unidade da Igreja e o Estado Pontifício estava politicamente abandonado e economicamente em ruína.
     Por três vezes a Cidade Eterna foi ocupada e saqueada pelo Rei de Nápoles, e por causa das guerrilhas urbanas a cidade estava reduzida a um reduto de miseráveis. Papas e antipapas daquele período de Cisma combatiam entre si, e faltava uma autoridade central que restaurasse a ordem e a prosperidade.
     Numa batalha perdida, Lourenço ficou gravemente ferido e foi feito prisioneiro. Ladislau entrou vitorioso em Roma e levou como reféns os filhos das famílias mais distintas. Francisca viu-se obrigada a entregar seu filho João Batista. Depressa o recuperou, mas, numa segunda invasão dos napolitanos, voltou a perdê-lo depois de ver seu palácio saqueado. Mais tarde, teve seus familiares e bens restituídos.
     Apesar de seu marido estar ferido e aprisionado, junto com seu cunhado, o filho cativo e o palácio saqueado, ela não perdeu a paz de alma, a resignação e o fervor. Os saques de Roma ofereceram a ela a oportunidade de dar asas à sua caridade: procurava os desprotegidos, os enfermos, as crianças para mitigar-lhes a dor, aliviar a pobreza.
     Outras senhoras, desejosas de imitar sua generosidade, juntaram-se a ela, que as dirigia espiritualmente apartando-as das vaidades do mundo e ensinando-lhes as virtudes evangélicas da caridade e do sacrifício.
     Em 15 de agosto de 1425, diante do altar da Virgem, as senhoras que acompanhavam Francisca há tempos, constituíram a confraria das Oblatas Beneditinas Olivetanas, pronunciando uma fórmula de consagração que as agregava a Ordem Beneditina. As senhoras deveriam permanecer cada qual em sua própria casa, empenhando-se em viver as virtudes monásticas e na doação aos pobres.
     Em março de 1433 Santa Francisca pode reunir as Oblatas num local próximo à igreja paroquial de Santo André, e em 21 de julho do mesmo ano o Papa Eugênio IV aprovou a confraria com o título de Oblatas da Santíssima Virgem. Foi depois chamada Oblatas de Santa Francisca Romana.
     Com aquele grupo de senhoras, Francisca cultivava um campo do qual colhia frutas e verduras transportadas por um burrinho, e que ela pessoalmente entregava a uma longa fila de pobres.
     Francisca converteu várias mulheres perdidas, porém a algumas que não quiseram fazer penitência e emendar-se, empenhou-se para que fossem expulsas de Roma para que não pervertessem outras.
     Após o falecimento de seu sogro, Francisca passou a cuidar do Hospital do Santíssimo Salvador, fundado por ele, mas sem deixar as visitas domiciliares que fazia aos pobres.
     Enquanto fazia tão zelosas obras de amor concreto, pelas quais o povinho a chamava de "a pobrezinha de Trastevere", Francisca recebia graças excepcionais de Deus, que ela referia ao seu confessor Padre João Mariotto, pároco de Santa Maria em Trastevere, que as transcrevia.
     Estas confidências, publicadas em 1870, fazem referência às lutas dela contra o demônio; suas viagens místicas ao Inferno, com o seu fogo e os suplícios horríveis; ao Purgatório com o seu fogo claro, de tonalidade avermelhada e lhe foi dito que esse lugar de purificação era também chamado de pousada de esperança. Levada pela mão de Deus, penetrou no Paraíso. A sua visão mais sublime foi a do Ser divino antes da Criação dos anjos.
     Ela meditava constantemente sobre a Paixão de Cristo, e teve a honra de trazer as impressões das chagas de Nosso Senhor no corpo, e sentir as dores de sua Santa Mãe. Francisca teve a alegria de receber o Menino Jesus em seus braços na véspera do Natal de 1433.
     Esses dons extraordinários coexistiam com muitas desgraças. Quando seu marido foi ferido, em 1409, ficou semi-paralizado para o resto da vida, e foi amorosamente cuidado pela mulher e pelo filho durante vinte e cinco anos.
     Depois, Roma foi invadida pela peste. Sua generosa dedicação pelos enfermos a fez cometer a imprudência de abrir as portas de seu palácio aos empestados. Seus dois filhos, Inês e João Evangelista, foram vítimas do contágio, bem como ela mesma; ela conseguiu recuperar-se, não porém seus filhos queridos.
     João Evangelista morreu aos nove anos em odor de santidade; apareceu à sua mãe um ano depois, acompanhado de um anjo belíssimo "do segundo coro da primeira hierarquia". Ele comunicou que aquele Anjo a consolaria, e daquela data em diante estaria junto dela por toda a vida.
     Esse Anjo suplementar acompanhou-a durante 24 anos, sendo especialmente visível quando falava com o confessor e quando o demônio a molestava com fortes tentações. Era ele quem a sustentava quando o demônio a submetia até a agressões físicas.
     Francisca visitava todos os dias o mosteiro fundado por ela, mas continuou a morar no palácio Ponziani, onde cuidava de Lourenço. Em 21 de março de 1436, após a morte do marido, com quem vivera em harmonia por 40 anos, retirou-se de sua casa, deixando-a aos cuidados do filho João Batista e de sua esposa, e se reuniu às companheiras. Estas a nomearam Superiora Geral, cargo que desempenhou até sua morte.
     Viveu ali quatro anos, dedicando-se à formação de suas filhas segundo as luzes que Deus lhe dera, sustentando-as com seu exemplo nas obras de misericórdia e rezando pelo fim do Cisma na Igreja.
     Santa Francisca Romana ensinou às Irmãs a preparação de um ungüento especial; ela o usava para curar doentes e feridos. Este ungüento ainda hoje é preparado no mesmo recipiente usado por ela há mais de cinco séculos.
     A "Santa de Roma" não morreu no seu mosteiro. Seu filho João Batista adoeceu gravemente e ela foi ao palácio Ponziani para tratar dele. Pouco tempo depois o filho se recuperou, mas ela faleceu no dia 9 de março de 1440, no palácio de Trastevere.
     Seus despojos foram expostos por três dias na Igreja de Santa Maria Nova. Ela foi sepultada no altar principal da igreja que depois recebeu o seu nome.
     São Roberto Belarmino juntou ao seu voto favorável à sua canonização a declaração de que Francisca merecia as honras dos altares, pois podia ser apresentada como modelo de virtude a todas as idades e a todos os estados: viveu doze anos como donzela, quarenta num casto matrimônio e, após as tristezas da viuvez, quatro anos de perfeição religiosa.
     Em 29 de maio de 1608, Paulo V a proclamou Santa. Este Papa visitou repetidamente o sepulcro de Santa Francisca e junto dele celebrou Missa. O Papa Urbano VIII mandou erigir um altar com quatro colunas com uma estátua em bronze dourado que a representa em companhia do Anjo da Guarda que a assistira toda a vida.
     Santa Francisca Romana é considerada co-patrona de Roma; é invocada como protetora contra as pestes e como libertadora das almas do Purgatório. Desde 1951 é patrona dos automobilistas.

terça-feira, 6 de março de 2012

Santas Perpétua e Felicidade, mártires - Festejadas 7 de fevereiro

     Estas duas santas morreram martirizadas em Cartago (África) no dia 7 de março de 203. Perpétua era uma jovem mãe de 22 anos, que tinha um filhinho de poucos meses. Pertencia a uma família rica e muito estimada por toda a cidade. Enquanto estava na prisão, a pedido de seus companheiros mártires, foi escrevendo o diário de tudo o que ia acontecendo com eles. Felicidade era uma escrava de Perpétua. Era também muito jovem e na prisão deu à luz uma menina que depois os cristãos se encarregaram de criar muito bem.
     Uns escravos que foram aprisionados com elas as acompanharam em seu martírio, bem como o diácono Sáturo, que as havia instruído na religião e as havia preparado para o Batismo. Não tinham prendido Sáturo, mas ele se apresentou voluntariamente.
     Os antigos documentos que narram o martírio destas duas Santas eram imensamente estimados na antiguidade e Santo Agostinho disse que eram lidos nas igrejas com grande proveito para os ouvintes. Esses documentos narram o seguinte:
     No ano 202, o imperador Severo mandou matar aqueles que continuassem a ser cristãos e não quisessem adorar os falsos deuses.
     Perpétua estava celebrando uma reunião religiosa em sua casa de Cartago, quando chegou a polícia do imperador e a levou prisioneira, junto com sua escrava, Felicidade, e os escravos Revocato, Saturnino e Segundo.
     Diz Perpétua em seu diário: "Nos lançaram no cárcere e eu fiquei consternada, porque nunca havia estado em um lugar tão escuro. O calor era insuportável e estávamos em muitas pessoas em um subterrâneo muito estreito. Me parecia morrer de calor e de asfixia, e sofria por não poder ter junto de mim meu filhinho que era tão pequeno e que necessitava muito de mim. O que mais eu pedia a Deus era que nos concedesse uma coragem muito grande para sermos capazes de sofrer e lutar por nossa Santa Religião".
     Felizmente dois diáconos católicos chegaram no dia seguinte e deram dinheiro aos carcereiros para que passassem os prisioneiros para outra habitação menos sufocante e escura que a anterior, e foram levados a uma sala aonde pelo menos entrava a luz do sol e não ficavam tão apertados e incômodos. E permitiram que o filhinho de Perpétua fosse levado até ela, pois ele estava sofrendo muito a sua falta. Ela diz em seu diário: "Desde que tive meu pequenino junto de mim aquilo não me parecia um cárcere, mas um palácio, e eu me sentia cheia de alegria. E o menino também recuperou a sua alegria e o seu vigor". As tias e a avó se encarregaram depois da criança e de sua educação.
     O chefe do governo de Cartago chamou a juízo Perpétua e seus companheiros. A noite anterior Perpétua teve uma visão na qual lhe foi dito que teriam que subir por uma escada cheia de sofrimentos, mas que no final de dolorosa escalada estaria o Paraíso Eterno os esperando. Ela narrou a visão que tivera a seus companheiros, e todos se entusiasmaram e fizeram o propósito de permanecerem firmes na Fé até o fim.
     Os primeiros a comparerer foram os escravos e o diácono. Diante das autoridades todos proclamaram que eram cristãos e que preferiam morrer a adorar aos falsos deuses.
     Em seguida, chamaram Perpétua. O juiz suplicava que deixasse a religião de Cristo e que aceitasse a religião pagã, pois assim salvaria a sua vida. E lhe recordava que ela era uma mulher jovem e de família rica. Porém Perpétua proclamou que estava resolvida a ser fiel à religião de Cristo Jesus até a morte.
     Então chegou seu pai (o único da família que não era cristão) e de joelhos lhe rogava e suplicava que não persistisse em se chamar cristã, que aceitasse a religião do imperador, que o fizesse por amor a seu pai e a seu filhinho. Ela se comoveu intensamente, porém terminou dizendo-lhe: "Pai, como se chama essa vasilha que há aí em frente?" "Uma bandeja", respondeu-lhe o pai. "Pois bem, essa vasilha deve ser chamada de bandeja, e não de xícara, ou de colher, porque é uma bandeja. E eu, que sou cristã, não posso ser chamada nem de pagã, nem de nenhuma outra religião, porque sou cristã e quero ser para sempre". E acrescenta o diário escrito por Perpétua: "Meu pai era o único de minha família que não se alegrava porque nós íamos ser mártires por Cristo".
     O juiz decretou que os três homens seriam levados ao circo e ali, diante da multidão, seriam destroçados pelas feras no dia da festa do imperador; e que as mulheres seriam amarradas diante de uma vaca furiosa para que as destroçasse.
     Havia, entretanto um inconveniente: Felicidade ia ser mãe e a lei proibia matar aquela que ia dar à luz. Felicidade deu à luz uma linda menina, que foi confiada a cristãs fervorosas, e assim a mãe pode sofrer o martírio. Ela desejava, sim, ser martirizada por amor a Cristo.
     Então os cristãos rezaram com fé e era permitido aos condenados à morte fazer uma ceia de despedida. Perpétua e seus companheiros converteram sua ceia final em uma Ceia Eucarística. Dois santos diáconos levaram-lhes a Comunhão e depois de rezarem e de animar-se uns aos outros, se abraçaram e se despediram com o ósculo da paz. Todos estavam animados, alegremente dispostos a entregar a vida para proclamar a sua fé em Jesus Cristo.
     Os escravos foram lançados às feras que os destroçaram, e eles derramaram assim o sangue por nossa religião. Antes de levá-los à praça os soldados queriam que os homens entrassem vestidos de sacerdotes dos falsos deuses e as mulheres vestidas de sacerdotisas das deusas dos pagãos. Porém Perpétua se opôs corajosamente e ninguém quis colocar roupas de religiões falsas.
     O diácono Sáturo havia conseguido converter um dos carcereiros, chamado Pudente, e lhe disse: "Para que vejas que Cristo sim é Deus, te anuncio que me lançarão a um urso feroz, e essa fera não me fará nenhum mal".
     E assim aconteceu: amarraram-no e aproximaram-no da jaula de um urso muito agressivo. O feroz animal não lhe quis fazer nenhum mal, mas, pelo contrário, deu uma tremenda mordida no domador que tratava de fazê-lo se lançar contra o santo diácono. Soltaram então um leopardo, que destroçou Sáturo. Quando o diácono estava moribundo, untou com seu sangue um anel e o colocou no dedo de Pudente. Ele aceitou definitivamente a fé cristã.
     Perpétua e Felicidade foram envolvidas em uma malha e colocadas no centro da praça; os algozes soltaram uma vaca bravíssima que as chifrava sem misericórdia. Perpétua unicamente se preocupava em manter as roupas arrumadas para não dar escândalo por parecer pouco coberta. Ajeitava também os cabelos para não parecer despenteada como uma pagã chorona.
     A multidão, emocionada diante da valentia destas jovens mulheres, pediu que as tirassem pela porta por onde levavam os gladiadores vitoriosos. Perpétua, como que saindo de um êxtase, perguntou: "E onde está a tal vaca que ia nos chifrar?" Porém, logo o povo cruel pediu que as trouxessem de novo para a praça e lhes cortassem a cabeça ali, diante de todos.
Local do martírio das Santas
     As duas jovens valentes se abraçaram emocionadas e voltaram para a praça. Um golpe cortou a cabeça de Felicidade, porém o verdugo que devia matar Perpétua estava muito nervoso e errou o golpe. Ela deu um grito de dor, estendeu a cabeça sobre o cepo e indicou com a mão o local preciso onde o verdugo devia dar-lhe o golpe. Esta mulher valorosa demonstrou com este gesto que morria mártir por sua própria vontade e com toda generosidade.

sábado, 3 de março de 2012

Beata Plácida Viel - Festejada 4 de março

     Eulália Vitória Viel nasceu no dia 26 de setembro de 1815 em Quettehou, um vilarejo da Normandia, França. A sua numerosa família, que contava com onze filhos, vivia discretamente e assim a menina estudou até os 12 anos, frequentando depois uma escola de costura.
     Muito tímida, teve uma adolescência muito serena. Distinguia-se por uma grande religiosidade, estava sempre presente nos cursos de catecismo da sua paroquia. Quando chegou a hora de decidir sobre o seu futuro, uma sobrinha do pai, erroneamente mencionada como tia, teve nisto um papel decisivo.
     Ela se chamava Maria e era uma das primeiras companheiras de Santa Maria Madalena Postel, que em 1806 havia fundado as Irmãs das Escolas Cristãs da Misericórdia, para a instrução das jovens do povo, seguindo o modelo educacional de São João Batista de la Salle.
     Irmã Maria combinou um encontro entre Vitória e a fundadora. A jovem, que tinha apenas dezoito anos, ficou entusiasmada com a Santa e com o ambiente pobre mas feliz em que viviam as religiosas. Após superar a difícil e penosa aceitação da família, sobretudo por parte do pai e do irmão mais velho, ela ingressou na comunidade.
     A casa mãe da congregação, adquirida poucos anos antes, era o que havia restado da antiga abadia beneditina de Saint Sauveur-le-Vicomte, abandonada desde os tempos da Revolução Francesa. Tudo estava por reconstruir mas, com grande entusiasmo e com a direção extraordinária da fundadora, aquelas antigas paredes tornaram a abrigar uma nova obra do Senhor.
     Vitória vestiu o hábito com o nome de Plácida no dia 1º de maio de 1835. Até o momento da profissão religiosa foi auxiliar na cozinha, mas depois funções mais importantes lhe foram designadas. Frequentou cursos para aperfeiçoar a sua instrução e após receber a habilitação para ensinar, desempenhou o papel de mestra de noviças e de conselheira.
     As funções que ia assumindo causaram inveja à sua parente, mas Santa Maria Madalena Postel percebia que a jovem Plácida fazia um grande bem a congregação e colocava nela uma grande confiança.
    Irmã Plácida foi enviada a Paris com o encargo de arrecadar fundos para a restauração da abadia Saint Sauveur-le-Vicomte e neste ofício não hesitou bater à porta do Palácio Real e de vários ministros. Ela procurou os grandes do mundo: a Rainha dos franceses, o Rei da Prússia e o Conde de Chambord. Durante quatro anos enfrentou, com humildade e em espírito de obediência, numerosas contrariedades.
     Em 1846 voltou para Saint Sauver, chamada pela fundadora, que tinha quase noventa anos e estava então no extremo de suas forças (faleceu em 16 de julho). Quando no mês de setembro daquele ano foi necessário eleger uma nova superiora, todos os olhares se voltaram para a Irmã Plácida, que tinha então só trinta anos. A Beata entretanto desejava levar a cabo o compromisso de arrecadação de fundos para a restauração da casa mãe, ocupando-se somente dos problemas mais importantes; os assuntos do dia-a-dia ficaram a cargo da parente, Irmã Maria. A solução provisória durou dez anos.
     Madre Plácida, sempre viajando, se ocupou principalmente da consolidação da congregação. Sob sua direção as irmãs chegaram a milhares, com outras centenas de casas. Sob seu impulso as obras do Instituto se espalharam; entre elas a mais importante, a fundação do Saint-Coeur de Marie em Paris, o local de sua alegria no meio das crianças pobres.
     Não descansava, dava instruções por meio de correspondência e quando voltava a casa, repousava nas águas furtadas, porque a sua cela era ocupada pela Irmã Maria, que não perdia ocasião para lhe infringir provas e humilhações. Ao terminar a arrecadação de fundos para a restauração da abadia, a parente morreu, como havia prognosticado a santa fundadora, e Madre Plácida se estabeleceu definitivamente em Saint Sauver.
     Seu coração se expandiu para além das fronteiras: em 1862, ela fundou a primeira casa na Alemanha, em Heiligenstadt.
     Nos trinta anos de direção da congregação Madre Plácida respondeu às necessidades do tempo não só com a abertura de 36 escolas para crianças pobres na Normandia, mas também com a fundação de orfanatos, asilos e hospitais.
     Em 1859, obteve do Beato Pio IX a autorização papal para a congregação.
     Após uma vida de abandono à vontade de Deus, de doçura e de bondade para com o próximo, no dia 4 de março de 1877 a morte pôs fim à sua operosa jornada terrena. Foi beatificada em 6 de maio de 1951 pelo Papa Pio XII.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Santa Inês de Praga, Abadessa - Festejada 2 de março

     Inês viveu e morreu em Praga, mas já em vida sua fama se difundiu por toda a Europa. Há 700 anos vem sendo invocada pelos habitantes de Praga e pelo povo tcheco como sua padroeira. E ela é realmente uma das figuras mais nobres daquele povo. A vida de Inês foi tão extraordinária quanto sua personalidade.
     Filha do rei da Boemia, Premysl Otokar I, e de Constança da Hungria, nasceu em 1211. Por parte do pai descendia da famosa estirpe dos santos boêmios, Ludmila e Venceslau; Santa Edviges da Silésia era sua tia-avó, Santa Isabel da Hungria sua prima e Santa Margarida da Hungria sua sobrinha.
     Com sua irmã mais velha, Ana, aos três anos foi enviada para o Mosteiro Cisterciense de Trzebnica, onde Santa Edviges lhe ensinou as verdades fundamentais da fé, as primeiras orações e a formou na vida cristã. Três anos depois retornou a Praga e foi recebida pelas monjas premonstratenses de Doksany, onde aprendeu a ler e escrever.
     Em 1220, tendo sido prometida como esposa a Henrique VII, rei da Sicília e da Alemanha, filho do Imperador Frederico II o Barbaruiva, Inês foi conduzida para a corte de Viena onde deveria completar sua educação de futura imperatriz. Ali viveu até 1225, sempre fiel aos princípios e aos deveres da moral católica: dava muitas esmolas, se mortificava com jejuns e se consagrou a Mãe de Deus, desejando manter sua virgindade. O pacto de casamento tendo sido então rescindido, Inês voltou para Praga onde pôde se dedicar a uma vida de oração e de obras de caridade mais intensa.
     Chegaram à corte de Praga novas propostas de casamento para a jovem princesa boêmia: a do rei inglês Henrique III e a do Imperador Frederico II que enviuvara. Mas ambas foram recusadas. O Papa Gregório IX, a quem Inês tinha pedido proteção, interveio reconhecendo o voto de castidade da princesa, que assim conquistou a liberdade de se consagrar a Deus. A notícia da recusa se propagou por toda Europa causando grande admiração.
     Entrementes chegaram a Praga alguns nobres que retornavam da Itália trazendo notícias de São Francisco e da nova Ordem de Santa Clara. Ao tomar conhecimento da vida angélica de Santa Clara, Inês desejou imitar a todo custo o seu exemplo. Desfez-se de todas as joias, adornos e vestidos preciosos e distribuiu aos pobres o valor que arrecadou.
     Com seus próprios recursos fundou em Praga, entre 1232 e 1233, o hospital de São Francisco para os pobres, e confiou-o à direção de um sodalício fundado por ela, a Ordem dos Crucíferos da Estrela Vermelha, que se tornou mais tarde de Cônegos Regulares (cf. Annuario Pontificio 1981, pág. 1.207), obra que ainda hoje existe.
     Ao mesmo tempo fundou o mosteiro de São Francisco para as Irmãs Pobres (Damianas ou Clarissas) em Praga, nas margens do Moldava, no bairro que ainda leva o nome de São Francisco. Santa Clara enviou cinco Irmãs do mosteiro de Trento para auxiliar na nova fundação. Cinco jovens, filhas das principais famílias de Praga, se juntaram a elas.
     Inês professou solenemente no mosteiro por ela fundado no dia de Pentecostes de 1234. Foi eleita Abadessa pouco tempo depois, cargo que exerceu com humildade e caridade, com sabedoria e zelo, considerando-se sempre como "a irmã mais velha" das monjas sob sua autoridade.
     Santa Clara enviou a ela uma carta em que se alegrava com sua fama "conhecida não apenas por ela, mas por quase todo o mundo", e a elogiava com entusiasmo por ter preferido o desponsório com Cristo a todas as honras do mundo, escolhendo de todo coração "a santíssima pobreza e as dores corporais", para se converter em esposa "do mais nobre Esposo" (Carta I).
     Entre Santa Clara e Santa Inês nasceu uma amizade profunda, embora nunca tivessem podido se encontrar. Santa Clara enviou-lhe quatro belíssimas cartas onde expressava o afeto que dedicava a Inês, a quem chamou "metade da sua alma". Ela também presenteou Inês com uma cruz de madeira, um véu de linho e uma vasilha de barro.
     Seguindo o estilo de vida austera de São Francisco e de Santa Clara, Inês viveria no mosteiro mais de 40 anos. Como Santa Clara no Mosteiro de São Damião, Santa Inês renunciou às rendas, preferindo que o mosteiro vivesse só de esmolas, mas esta restrição só foi aprovada por Inocêncio IV (1243-1254). Inês inclusive renunciou aos seus direitos sobre o hospital que havia fundado, e que poderia abastecer seu mosteiro com o alimento necessário. Ela afirmou "preferir sofrer indigência e miséria a renunciar a pobreza de Cristo".
     A entrada de Inês no mosteiro causou admiração em toda Europa, e todos aqueles que entravam em contato com ela davam testemunho de suas virtudes, como também são concordes as memórias biográficas. Sua devoção se exprimia de modo particular no fervor com que ela adorava o mistério da Eucaristia e da Cruz do Senhor, além da devoção a Nossa Senhora contemplada no mistério da Anunciação.
     Sua devoção a Nosso Senhor na Eucaristia propagou-se pelos outros mosteiros da Ordem e incentivou o desejo da comunhão diária. Graças ao exemplo de Inês, sucederam-se fundações de outros mosteiros da mesma Ordem na Boêmia, Polônia e em outros países. O amor ao próximo não esmoreceu em seu coração generoso após a fundação do hospital. Assistia as Irmãs enfermas, cuidava dos leprosos, socorria também pessoas com doenças contagiosas.
     Amou a Igreja Católica intensamente e implorava a Deus os dons da perseverança na fé e na caridade cristã para seus filhos. Colaborou com os papas de seu tempo, atendendo às solicitações de orações que faziam, e intermediando junto aos soberanos boêmios, seus familiares, em negociações para o bem da Igreja. Ela nutriu sempre um amor profundo por sua pátria, que beneficiou com obras de caridade individuais e sociais. Com a sabedoria de seus conselhos evitou conflitos de toda sorte e promoveu a fidelidade de seu país à religião católica.
     O Senhor a cumulou de muitas graças: êxtases, profecia, intuição e vários milagres. Predisse que seu irmão Venceslau venceria o Duque d'Áustria. No dia 26 de agosto de 1278, durante o Ofício de Vésperas, em uma visão tomou conhecimento da morte trágica do sobrinho nesse mesmo dia na batalha de Morasvke Pole. Após a morte de Premysl Otakar II a Boêmia foi ocupada por exércitos estrangeiros, reinou a desordem e a violência; o povo morria de fome e de peste, e na porta das Clarissas, cuja despensa estava vazia, se amontoavam moribundos famintos em busca de ajuda. Santa Inês suportou com paciência inalterada a dor que a afligia, bem como a toda família real e a Boêmia diante de todos esses fatos trágicos.
     Foi em meio a todos esses horrores que Santa Inês morreu. Em 2 de março de 1282 sua longa existência de quase 80 anos terminou santamente no seu mosteiro, confortada pelo afeto das monjas e dos Frades Menores que a assistiam. Seus funerais foram acompanhados pelo Ministro Geral dos Frades Menores, Padre Bonagrazia.
     Numerosos milagres foram atribuídos à intercessão da princesa morta, mas o culto tributado a ela desde sua morte só teve reconhecimento papal em 28 de novembro de 1874, com o decreto de beatificação promulgado pelo Beato Pio IX. João Paulo II a canonizou em 12 de novembro de 1989 na Basílica Vaticana. Seus restos mortais, sepultados na igreja do mosteiro, até hoje são venerados pelos fiéis.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Santas do mês de março

mar 01 Beata Joana Maria Bonomo, Religiosa MR
mar 01 Santa Domnina, Virgem na Síria
mar 01 Santa Eudóxia de Eliópolis, Mártir
mar 01 Santa Inês Cao Kuiying, Viúva, mártir MR
mar 02 Santa Ângela da Cruz, Fundadora MR
mar 02 Santa Inês da Boêmia, Princesa, abadessa MR
mar 03 Santa Artelaide, Virgem MR
mar 03 Santa Camila de Auxerre, Virgem
mar 03 Santa Catarina Drexel, Fundadora MR
mar 03 Santa Cunegundes, Imperatriz MR
mar 03 Santa Piamum, Virgem no Egito
mar 03 Santa Teresa Eustoquia Verzeri MR
mar 04 Beata Plácida Viel, Virgem MR
mar 05 Beata Joana Irrizaldi, Virgem mercedária
mar 06 Beata Rosa de Viterbo, Virgem MR
mar 06 Santa Coleta Boylet, Virgem MR
mar 07 Santa Teresa Margarida (Redi) do Coração de Jesus MR
mar 07 Santas Perpétua e Felicidade, Mártires MR
mar 09 Santa Catarina (Vigri) de Bologna, Virgem MR
mar 09 Santa Francisca Romana, Religiosa MR
mar 10 Santa Maria Eugênia de Jesus (Ana Milleret de Brou), Fundadora MR
mar 11 Santa Rosina de Wenglingen, Virgem e mártir
mar 12 Beata Ângela (Aniela) Salawa, Terciária Franciscana MR
mar 12 Beata Justina Bezzoli Francucci, Virgem beneditina MR
mar 12 Santa Fina de São Geminiano, Virgem MR
mar 13 Beata Francisca Trehet, Virgem e mártir MR
mar 13 Santa Cristina, Mártir na Pérsia MR
mar 13 Santa Eufrásia de Nicomédia, Virgem e Martir
mar 13 Santa Judite de Ringelheim, Abadessa
mar 13 Santas Patrícia e Modesta de Nicomédia, Mártires MR
mar 14 Beata Eva, Reclusa de S. Martinho de Liège MR
mar 14 Santa Matilde da Alemanha, Rainha MR
mar 14 Santa Paulina, Religiosa MR
mar 15 Santa Lucrecia de Córdoba, Virgem e mártir MR
mar 15 Santa Luísa de Marillac, Viúva e religiosa MR
mar 16 Beata Benedita de Assis
mar 16 Santa Eusébia, Abadessa de Hamay MR
mar 17 Santa Gertrudes de Nivelles MR
mar 18 Beata Celestina Donati, Fundadora
mar 18 Beata Marta (Amada Adele) Le Bouteiller, Religiosa MR
mar 19 Beata Sibilina Biscossi, Dominicana MR
mar 20 Beata Joana Veron, Virgem e mártir MR
mar 20 Santa Alexandra de Amiso e companheiras Mártires
mar 20 Santa Cláudia e comp. Martires de Amiso
mar 20 Santa Maria Josefina do Coração de Jesus (Sancho de Guerra) MR
mar 21 Beata Lúcia de Verona
mar 21 Santa Benedita Cambiagio Frassinello, Religiosa MR
mar 22 Santa Lea MR
mar 23 Beata Anunciada Cocchetti, Virgem
mar 23 Santa Rebeca Petra Ar-Rayes, Religiosa MR
mar 24 Beata Bertranda de Laon, Mãe de S. Carlos Magno
mar 24 Beata Maria Karlowska, Fundadora MR
mar 24 Beata Maria Serafina do S. Coração (Clotilde Micheli), Fundadora
mar 24 Santa Catarina da Suécia, Religiosa MR
mar 25 Beata Josafata Micaelina Hordashevska MR
mar 25 Beata Maria Rosa Flesch, Fundadora
mar 25 Santa Lúcia Filippini, Virgem MR
mar 25 Santa Margarida Clitherow, Mártir na Inglaterra MR
mar 25 Santa Matrona de Tessalônica, Mártir MR
mar 26 Beata Madalena Catarina Morano MR
mar 27 Beata Panaceia de Muzzi, Virgem e mártir MR
mar 27 Santa Augusta de Serravalle, Virgem e mártir
mar 28 Beata Joana Maria de Maillé, Viúva MR
mar 28 Beata Renata Maria Feillatreau, Mártir MR
mar 29 Beata Inês de Chatillon, Monja
mar 29 Santa Gladys (Gwladys), Rainha
mar 30 Beata Restituta Kafka, Virgem e mártir MR
mar 30 Sant Osburga de Coventry, Abadessa MR
mar 31 Beata Joana de Tolosa Condessa, Terc. carmelita MR
mar 31 Beata Natália Tulasiewicz, Mártir MR
mar 31 Santa Balbina de Roma, Mártir MR

Beata Antonia de Florença, Abadessa - Festejada 29 de fevereiro (ano bissexto)

      Antonia ou Antonieta, nascida em Florença em 1400, casou-se aos 15 anos, ficando viúva com um filho.
      São Bernardino de Siena, com alguns companheiros, difundia em muitas cidades o movimento da Observância e o retorno às origens da Ordem Franciscana. A maior parte de suas pregações era feita nas praças, pois as igrejas não continham a multidão que acorria.
      Frei Bernardino pregou na Santa Cruz, em Florença, do dia 8 de março ao dia 3 de maio de 1425. Depois de ouvi-lo, Antonia resolveu atender ao chamado de Deus. Quatro anos depois, resolvidas as questões familiares, entrou no convento florentino de Santo Onofre, das terceiras franciscanas fundadas pela Beata Angelina de Marsciano, onde edificou as Irmãs pela piedade e todas as virtudes.
      Foi enviada para o convento de Santa Ana de Folinho, e a fundadora a transferiu em seguida para Assis, Todi, e depois definitivamente a Áquila, para fundar um convento, em 2 de fevereiro de 1433. Neste convento, dedicado a Santa Isabel, foi prioresa.
      Passados vários anos, São João de Capistrano, seu diretor, fez que lhe dessem o mosteiro de Corpus Christi, na mesma Áquila, no qual ela fez renascer a observância em toda a pureza.
      Também para o filho de Antonia, Batista, São João de Capistrano teve um papel determinante. Batista esbanjara os bens da mãe, só lhe causando desgostos. Sob a direção do Santo, o jovem vestiu o hábito franciscano no convento de Campli, conduzindo uma vida exemplar.
      Depois de sete anos na direção do mosteiro, Antonia pode finalmente dedicar-se exclusivamente à contemplação e ao silêncio. “Silenciava, mas a sua fama gritava”, como se disse de Santa Clara.
      Era modesta e obediente, à mesa e no coro permanecia no último lugar, usava os hábitos mais gastos, deixados pelas Irmãs. Algumas monjas a viram em êxtase, com uma aureola luminosa sobre a cabeça. Nos últimos anos teve uma chaga na perna que a manteve acamada. Foi honrada com uma aparição da Santíssima Virgem e com várias visões.
      A Beata morreu no dia 29 de fevereiro de 1472, e foi velada com amor pelas Irmãs. Alguns milagres ocorreram antes mesmo que fosse sepultada. Uma monja tocou-a e se curou de umas chagas.
      Contra o costume, os habitantes de Áquila rogaram que o corpo ficasse exposto na igreja. Quinze dias após o sepultamento as Irmãs, querendo ainda ver o seu semblante, abriram a sepultura e a encontraram como recém-falecida. O fato se difundiu na cidade e o Bispo Agnifili ordenou que ela fosse sepultada em um local diferente.
      Em 1477, o Bispo Borgio, depois de um novo reconhecimento, constatou o estado de perfeita conservação do corpo da Madre Antonia e, sobretudo, conhecendo bem sua fama de santidade, autorizou o culto da Beata. A 11 de setembro de 1847, o Papa Beato Pio IX aprovou o culto imemorial prestado a esta Beata.