quinta-feira, 12 de abril de 2012

Santa Ludovina de Schiedam, Virgem - Festejada 14 de abril

     A Igreja celebra hoje uma santa dos Países Baixos. Como vítima expiatória, ela viveria por mais de 38 anos atingida por quase todas as moléstias imagináveis em meio à extrema miséria. Tinha constantes visões de Nosso Senhor, do Paraíso, do Purgatório e do Inferno. Na época em que ela viveu toda a Cristandade gemia sob o peso e a confusão do Grande Cisma.
     Ludovina (ou Liduina, Ludwina, Lidwina) nasceu no dia 18 de março de 1380, em uma família materialmente pobre, mas riquíssima na religiosidade e honestíssima.
     Ludovina era muito vivaz; desde criança lhe notavam o cunho de profunda religiosidade e uma admirável devoção a Maria Santíssima. Sendo belíssima, antes dos 15 anos de idade recebeu muitas propostas de casamento, mas por amor a Jesus, recusou a todas para ser fiel a Deus. Ela descobriu o dom da virgindade, decidindo-se pelo celibato muito cedo.
     No dia 2 de fevereiro de 1395, festa de Nossa Senhora das Candeias, acedendo ao convite das companheiras, com elas dirigiu-se ao local de patinação, divertimento muito apreciado na região. Ali sofreu um acidente no gelo, fraturando uma das costelas. O tratamento médico, muito doloroso, não conseguiu aliviar seu sofrimento e, com apenas 15 anos, ficou praticamente paralisada. Uma cruz que com a ajuda da família e de seu diretor espiritual, Padre João de Pot, ela uniu à cruz gloriosa de Nosso Senhor. Ela deixou-se instruir pela ciência da Cruz.
     Incompreendida por muitos, foi acusada de mentirosa e de ser castigada por Deus. E não faltava quem atribuísse seu estado à influência diabólica. Ludovina deu a mesma resposta que Jesus deu no alto da cruz: a do amor e do perdão.
     Talvez o pior de todos os seus sofrimentos foi a perseguição que sofreu de alguns membros do clero que negavam-lhe os sacramentos. Um padre caluniou-a. Profeticamente, a Santa advertiu-o de sua morte iminente e disse que se ele não se arrependesse de seu hábito de roubar e não fizesse a restituição adequada, ele seria condenado. Ele "morreu com espuma em seus lábios num acesso de raiva contra a Santa".
     Pela paciência angélica e heroica alcançou a conversão de não poucos pecadores que, impressionados pelos sofrimentos dela e por sua admirável conformidade, abandonaram o vício e voltaram à graça de Deus.
     Ludovina vivia frequentemente em êxtase e teve visões celestes. Seu Anjo da Guarda com frequência a visitava e a confortava, mostrando-lhe as delícias do céu e os horrores do inferno. Jesus Cristo e Maria Santíssima também se dignaram aparecer para ela. Se pudesse ter terminado com seu sofrimento através de uma única oração, ela não o teria feito.
     Em 1421 os magistrados de Schiedam declararam que Ludovina "estava há 7 anos sem comer nem beber". Recebia como alimento Jesus Eucarístico.
     Sua casa era visitada por pessoas vindas das cidades vizinhas, atraídas pelas notícias dos milagres. Depois vieram de Rotterdam, das Flandres, da Alemanha e por fim, da Inglaterra. Todos vinham vê-la, porque ela era o milagre! Ludovina a todos acolhia: escutava, falava, sofria, aconselhava e eles deixavam sua casa como que saindo de uma festa. E ela sem cessar oferecia a Deus suas dores para alcançar a conversão dos pecadores e o alívio das almas do purgatório.
     Ludovina faleceu em Schiedam no dia 14 de abril de 1433. O corpo da Santa, tão maltratado e desfigurado pelas moléstias, depois da morte retomou a formosura juvenil.
     Durante sua vida ela já vinha sendo venerada como santa. Um ano após a sua morte a prefeitura de Schiedam construiu uma capela com um altar sobre seu túmulo no cemitério de São João. Muitos milagres foram atribuídos a seus restos mortais.
     Em 1616, por ordem do Arquiduque Alberto (na época a região pertencia aos Wittelsbach da Baviera) as suas relíquias foram transferidas para Bruxelas e guardadas no convento das carmelitas daquela cidade. Uma parte das relíquias foi devolvida para Schiedam em 1891, e são veneradas até o dia de hoje na Igreja de Nossa Senhora da Visitação.
     Em 1890 o Papa Leão XIII aprovou o culto em sua honra, sendo fixado o dia da celebração em 14 de abril. Santa Ludovina é a patrona dos patinadores, dos doentes, de muitas igrejas e hospitais.
     Diante da vida de Santa Ludovina e de outras almas inocentes e sacrificadas, poderíamos nos perguntar: - Por que tantos sofrimentos? A resposta dá-nos São Paulo Apóstolo: - "Completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu corpo místico, que é a Igreja" (Col. 1, 24). A resposta é decisiva e a nós compete compreendê-la e praticá-la.

Livro sobre a vida de Sta. Ludovina editado em 1498
     Vendo a sociedade moderna imersa na corrupção e na decadência moral, nós desejaríamos descobrir se ainda existem vítimas expiatórias que com sua contínua mortificação retêm a mão de Deus que castiga e alcançam graças e bênçãos imerecidas para um mundo pecaminoso. Certamente nunca houve uma época que mais precisasse delas!...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Beata Helena Guerra, Fundadora - Festejada 11 de abril

      A cidade de Lucca na Etrúria (Itália) orgulha-se de ter sido o berço de Santa Gema Galgani (também comemorada hoje) e da Beata Helena Guerra. Ali veio ela ao mundo aos 23 de junho de 1835 em parto prematuro.
      Seus pais, Antonio Guerra e Faustina Francheschi, ilustres por nascimento e muito mais por suas virtutes, colocaram a filha sob a proteção de Santa Zita, honra insigne da mesma cidade, e procuraram incutir-lhe a verdadeira piedade desde os mais tenros anos. Foi educada em casa com professores particulares para que o límpido espelho da sua alma não fosse embaciado por possíveis más companhias.
      A 5 de julho de 1845 recebeu o sacramento da Confirmação. O Espírito Santo tomou posse daquela alma infantil, infundindo-lhe os seus dons. É que nos designios divinos esta menina estava predestinada para ser uma grande apóstola da devoção à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Com efeito, impulsionada pelo mesmo Espírito Santo, dedicou-se a estudar latim para poder ler a Sagrada Escritura e os Santos Padres.
      Reuniu um grupo de amigas e com elas formou a associação das "Amizades espirituais" com o fim de se ajudarem mutuamente no caminho da virtude e se dedicarem à salvação das almas. Fundou, ademais, os "Jardins de Maria", isto é, uma associação em que as jovens do campo cultivassem com empenho uma determinada virtude para oferecer como flor à Mãe de Deus. Deu a essa associação o nome de Filhas de Maria.
      Levada do desejo de cuidar dos pobres, filiou-se às Conferências de S. Vicente de Paulo. E quando a cólera-morbo atacou as redondezas de Lucca, ela não deixou de atender as vítimas da peste.
      Na própria casa reuniu um grupo de jovens que, depois de muitos sofrimentos e contratempos, deram começo à Congregação de Santa Zita, que mais tarde tomou o nome de Oblatas do Espírito Santo, pois a vocação da Beata era praticar e difundir a devoção ao Divino Paráclito. Para isto ela recorreu ao Papa Leão XIII.     De 1895 a 1903, a Beata Helena, movida pelo Espírito Santo, escreveu doze cartas confidenciais ao Papa pedindo-lhe uma renovação da pregação sobre o Espírito Santo. Nos seus diferentes escritos ao Sumo Pontífice, ela exortava-o a convidar os fiéis a redescobrir o que é uma vida vivida sob a ação do Espírito Santo. Na sua oração, ela pedia uma renovação da Igreja, a unidade dos cristãos, uma renovação da sociedade e por isso mesmo "uma renovação da face da terra".
     No seu coração, havia a ideia de um Pentecostes permanente. Dizia ela: O Pentecostes não terminou; de fato é sempre Pentecostes em todos os tempos e em todos os lugares, porque o Espírito Santo deseja ardentemente dar-se a todos os homens e, aqueles que o desejam, podem recebê-lo sempre; portanto não temos nada a invejar aos Apóstolos e aos primeiros cristãos; nós só temos que nos dispor, como eles, a recebê-lo bem e Ele virá a nós como veio a eles.
     Para pedir esta renovação, a Beata Helena teve também a idéia de um movimento mundial de oração segundo o modelo do Cenáculo de Jerusalém, onde Jesus celebrou a última Ceia. Ela declarava: "Oh, se de todos os lugares da Cristandade, se pudesse elevar ao Céu uma oração tão unânime e fervorosa como a do Cenáculo de Jerusalém, para reacender o fogo do Espírito Divino!"
     Incitado pela Beata, Leão XIII publicou nada menos que três documentos importantes sobre o Espírito Santo.
      A serva de Deus tinha cumprido sua missão. Mas antes de partir, no dia 11 de abril de 1914, teve que se associar de perto aos sofrimentos e humilhações de Cristo. Caluniaram-na de tal forma, que foi forçada a abandonar o cargo de Superiora da Congregação que fundara, e ficar reduzida ao silêncio durante anos. Verificou-se nela a sentença do Meste: "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só, mas se morre, dá muito fruto".
      Aceitou a humilhação com paciência e espírito de fé. A glorificação tinha que vir rapidamente. Assim sucedeu com a beatificação a 26 de abril de 1959.
Fontes: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J., 3a. ed. Editorial A.O. - Braga;

domingo, 8 de abril de 2012

Santa Valdetrudes, Abadessa - Festejada 9 de abril

     Na história da Cristandade não faltam casos de famílias inteiras que foram elevadas às honras dos altares, como, por exemplo, a santa festejada no dia de hoje, Valdetrudes (em francês Waudru), que é venerada com seus genitores, São Valdeberto e Santa Bertila, com sua irmã Santa Aldegundes, com seu esposo, São Vicente Madelgário, e seus quatro filhos: São Landerico, Bispo de Paris, São Dentilino, falecido ainda jovem, Santa Aldetrudes, Abadessa de Maubeuge e Santa Madelberta, Abadessa no mesmo mosteiro.
     Natural de Coulsore, no Hainu, Bélgica, Valdetrudes desposou Madelgário e com ele viveu uma união profundamente católica. Sendo a família abastada, Valdetrudes consagrava os rendimentos disponíveis ao resgate de cativos e alívio dos infelizes.
     Após todos os filhos terem se dedicado ao serviço de Deus, os dois esposos separaram-se de comum acordo, deixaram a corte dos reis merovíngios e foram servir a Deus na vida religiosa.
     Madelgário fundou um mosteiro em Haumont, onde se tornou monge assumindo o nome religioso de Vicente. Por sua vez Valdetrudes viveu dois anos em uma pequena habitação solitária. Sua irmã Aldegundes convidou-a a unir-se à comunidade de Maubeuge, mas Valdetrudes aspirava a uma vida ainda mais austera, e permaneceu no exterior da abadia.
     Entretanto, com o passar do tempo sua solidão foi invadida pelos visitantes que se aproximavam dela para pedir-lhe conselho, o que a fez decidir-se pela fundação de seu próprio mosteiro na colina onde mais tarde se ergueu a cidade de Mons, Bélgica.
     Valdetrudes dirigiu o mosteiro até sua morte. Recebia por vezes a visita de sua irmã Santa Aldegundes. Ela se tornou célebre devido suas numerosas obras de misericórdia;,a sua caridade para com os pobres aumentou na vida religiosa. Deus conseguia-lhe milagrosamente o dinheiro que precisava para auxiliar os mais necessitados, e concedeu-lhe também o dom de curar crianças doentes. Esses milagres foram alcançados em vida e depois de morta.
Igreja de Sta Waudru, Mons
     Onze anos após enviuvar, Valdetrudes entregou sua alma a Deus, pelo ano de 688. O seu culto se difundiu principalmente a partir do século IX, período em que um monge de Mons redigiu sua vida em latim. Em 1679 seu nome foi introduzido no Martirológio Romano, onde aparece até os dias de hoje celebrada no dia 9 de abril.
     Santa Valdetrudes é padroeira da cidade de Mons, onde suas relíquias são veneradas em uma igreja do século XV. A cidade de Mons celebrava nada menos de quatro festas anuais em honra de sua padroeira.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Beata Maria Assunta Pallotta, Franciscana - Festejada 7 de abril

     Primogênita de Luís Pallotta e Eufrásia Casali, agricultores pobres, que tinham de trabalhar com afinco de manhã à noite para sobreviver, Maria, aos oito anos, teve de abandonar a escola, que freqüentava desde os seis, para ajudar a mãe nas lides de casa e tomar conta dos irmãozinhos, Alexandre, José, Vicente e Madalena.
     Mas nem assim a família conseguia o necessário para a vida. Era forçoso arranjar trabalho remunerado para a pequena Maria. Puseram-na, por isso, a servente de uns pedreiros, que trabalhavam nas redondezas. Estes encarregaram-na de transportar baldes de água e cestos de cal e cimento. A tudo ela se sujeitou de cara alegre e com tão boa disposição que logrou ser respeitada por aqueles homens. Na sua presença não se atreviam a proferir palavras inconvenientes.
     A mãe, no entanto, achou que aquele trabalho era demasiado pesado para a filha e conseguiu-lhe outro mais leve em casa de um velho alfaiate do lugar, que a recebeu com satisfação.
     Entrementes, a ação do Espírito Santo na alma da menina era cada vez mais notória. Desde os mais tenros anos sentia uma atração irresistível para a oração. Depois do trabalho em casa do alfaiate, corria à igreja a visitar o Santíssimo. Ai se demorava de olhos fitos no sacrário. A um canto da cozinha levantou um altarzinho. Depois de ter arrumado tudo, quando a família já dormia, ela, de joelhos diante das imagens do pequenino altar, rezava e meditava na vida dos santos.
     Esta vida de oração levava-a à prática da caridade, que se traduzia em ir buscar água à fonte e prestar outros serviços a famílias doentes ou pessoas de idade. Para aquilatar o valor destes atos, deve-se ter presente que o tempo mal lhe dava para o trabalho da alfaiataria e da própria casa. Era preciso não perder um minuto para dar conta de tudo.
     O pároco, conhecedor daquela alma de eleição, aos onze anos encarregou-a de ensinar, aos domingos, o catecismo às mais pequeninas. Com que satisfação ela aceitou o encargo é fácil imaginar.
     Assim ia Maria Assunta crescendo em idade e virtudes, guiada pelo Espírito Santo, que a preparava para a vida consagrada. A idéia da vocação surgiu-lhe de um incidente banal, no dia 2 de março de 1897, numa festa da aldeia. Ela abandonou a festa e no dia seguinte confiou a Marieta Fedeli, sua íntima amiga: "Se não formos para religiosas, não nos salvaremos! Não, não conseguirei salvar-me..."
     A resolução estava tomada. Mas havia dois problemas: ela era arrimo da casa e sendo a família muito pobre, ela não contaria com o dinheiro do dote. Porém, o que é impossível aos homens é possível ao Espírito Santo. Assunta sabia disso, e à força de oração e penitência haveria de lograr o seu intento.
     O Senhor, que recomendou: "Pedi e recebereis", dispôs as coisas de forma que a jovem pudesse entrar numa congregação. Serviu-Se para isso de um Bispo, dom Luís Canestrari, natural de Force, que vivia em Roma. Foi o prelado passar alguns dias à terra natal. Informado pelo pároco das prendas e desejos da menina, interessou-se por ela e conseguiu que a Superiora Geral das Franciscanas Missionárias de Maria generosamente a recebesse sem dote.
     Era o mês de Maio de 1898. Mês de flores e mês em que o trabalho do campo mais aperta. Seus pais e irmãozinhos atiraram-se a ela, suplicando-lhe: "Não vás, Assunta. Não te vás embora".
     "Quem lhe daria energia, coragem decisiva e inabalável, a ela, que era tão sentimental, tão afeiçoada aos seus entes queridos?... Mais tarde, lá na China, havia de escrever a seus pais: 'Só Deus seria capaz de me apartar de vós'" (F. M. M., O Caminho de Assunta, Barcelos, 1955, p. 37).
     Maria Assunta teve que apelar para toda a força do seu amor a Deus, a fim de não vacilar naquela hora. Partiu de casa com o coração a sangrar e entrou em Roma, na arca santa da vida consagrada, a entoar louvores à misericórdia do Pai Celeste.
     Da casa de Roma, na Via Giusti, onde fez a maior parte do postulantado, passou para Grottaferrata, a fim de se preparar para receber o hábito e dar início ao noviciado. Lá, como em Roma, a sua vida pode sintetizar-se nestas breves palavras: humildade profundíssima, obediência pronta, total e alegre, por mais pesados que fossem os trabalhos.
     De fato, em Grottaferrata, as religiosas para prover ao próprio sustento, cultivavam alguns campos e criavam frangos, pombos e suínos. Assunta, apesar estar habituada a trabalhos rudes, sentiu no corpo a carga que lhe impuseram na vida consagrada. Mas com o pensamento de "fazer tudo por Jesus", como repetia amiúde, não havia nada que lhe perturbasse a alegria, nem sequer a limpeza da pocilga em dias de chuva.
     Ademais, tinha sempre presentes as palavras da Fundadora da Congregação, Madre Maria da Paixão, que, ao vê-Ia a primeira vez em Grottaferrata lhe perguntou o nome e de onde era, e comentou:
     - "És das Marcas?! Olha que as Marcas são terra de Santos; e é preciso que tu também o sejas" (o. c., p. 74).
     Sê-lo-á e bem depressa, como veremos. Mas antes terá que passar pelas provações a que Deus submete os seus fiéis servos. Pelos fins do noviciado, Assunta adoeceu gravemente e como se temia perigo de contágio, disseram-lhe que talvez tivesse de voltar temporariamente para casa da família. Foi para ela um tormento inenarrável. Estava disposta a tudo, até a morrer, contanto que fosse na vida religiosa.
     - "Reze comigo à Senhora de Pompéia - dizia suplicante a uma Irmã. Nossa Senhora tudo pode" (o.c., p. 107)."
     A Mãe de Misericórdia e Consoladora dos aflitos atendeu a filha que pôs n'Ela tamanha confiança. Assunta não só recuperou a saúde, mas teve a suprema alegria de fazer os votos no dia 8 de dezembro de 1900, festa da Imaculada Conceição.
     Nesse ano, as Franciscanas Missionárias de Maria ardiam em fervor porque sete delas tinham tido a invejável dita de derramar o seu sangue por Jesus Cristo na missão da China, Este fato vai influir poderosamente no espírito da religiosa para "fazer todas as ações com a maior perfeição possível" como aconselhava a Madre Fundadora. E para que não decaísse o seu fervor, a 8 de dezembro de 1903 pediu licença à mesma Madre para se obrigar por voto a "fazer tudo o melhor que me seja possível com a graça de Deus e por toda a vida".
     A licença foi-lhe concedida e ela, em data que ignoramos, depois de comungar, dirigiu ao Senhor a seguinte prece:
     "Meu Deus, com a Vossa santíssima graça e por intercessão da Santíssima Virgem Imaculada faço voto de fazer tudo por amor de Deus, consagrando-me para sempre ao Sagrado Coração de Jesus com todos os meus pensamentos, palavras e obras que fizer durante a minha vida, e bem assim as que fizer depois da minha morte, a fim de que o Sagrado Coração de Jesus disponha delas como Lhe agradar" (o. c., p. 147-148).
     Há aqui dois atos heróicos: o de "fazer tudo por amor de Deus" e a "entrega ao Coração de Jesus de todos os sufrágios que se façam por ela depois da morte", para que disponha deles como Lhe aprouver. Generosa até ao heroísmo, não quer nada para si, tudo para Deus e em beneficio dos outros.
     Dotada de tão elevado grau de generosidade, não é de estranhar que se oferecesse à Madre Geral para ir para a missão da China "tratar especialmente dos leprosos". O seu pedido foi aceito. Para lá partiu no dia 19 de março de 1904, sem ver a Madre Fundadora e sem abraçar os pais, que por falta de recursos não puderam ir a Roma despedir-se da filha.
     Depois de uma terrível e dolorosa viagem, chegou finalmente à missão. Lá esperava-a nova provação, a noite espiritual, que consistiu em trevas, dúvidas, desalentos, escrúpulos, que "atormentam-na até ao paroxismo. Deus permitiu que ela sofresse um verdadeiro martírio interior" (o. c., p. 201-202). Era a pincelada final do Divino Artista, que preparava esta alma para luzir no candelabro da Igreja. De fato, Maria Assunta viria a falecer antes de completar um ano na missão, vítima do tifo, que também ceifou a vida de outras religiosas.
     Deus quis glorificar a sua humilde serva no próprio momento da morte, pois um perfume, "como uma mistura de violetas e de incenso, que não se assemelha a nada que se conheça" se desprendeu do quarto onde ela faleceu e se fez sentir tão longe, que arrastou "uma multidão de chineses para ver o milagre".
     Quando se exumaram os restos mortais da Serva de Deus, a 23 de abril de 1913, apareceu o corpo de Assunta, intacto e incorrupto. "Quem se humilha será exaltado", proclamou o Divino Mestre. Cumpriu a palavra em Assunta. São Pio X naquele ano começou a ocupar-se do Processo de Beatificação e Canonização
     No dia 7 de novembro de 1954 - Ano Mariano - foi beatificada por Pio XII, na presença de seus irmãos Vicente e Madalena, que viajaram dos EUA a Roma para assistir a beatificação da irmã que deles cuidara quando pequenos. Cerca de um milhar de religiosas da própria Congregação, que nesse ano contava 9400 membros de 64 nacionalidades, com casas em 55 países.
Fontes: AAS 15 (1923) 473-6; 24 (1932) 125-8; F. M. M, O Caminho de Assunta; http://www.portalcatolico.org.br

terça-feira, 3 de abril de 2012

Santa Irene, Virgem - Festejada 4 de abril

Catacumbas de São Calisto
     Santa Irene era irmã do Papa São Dâmaro (vide abaixo). Quando Irene morreu em Roma aos 20 anos, e foi sepultada no cemitério de Calisto, na Via Ápia, o irmão dedicou-lhe o seguinte epitáfio, que julgamos poder traduzir do latim desta maneira:
     “Descansam agora neste túmulo os restos de quem se consagrou a Deus. Esta é irmã de Dâmaso: se perguntas o seu nome, chamava-se Irene. Estando em vida consagrou-se a Cristo, para que até o exterior patenteasse o mérito da virgindade. Não chegou a completar 20 invernos, mas à idade adiantaram-se insignes costumes, e a piedade veneranda da jovem antecipou-se ao propósito do espírito. Deu magníficos frutos nos mais belos anos. A ti me refiro, irmã, agora certificada de quanto te amei. Ao saíres do corpo, deixaste-me um rico penhor, tu que, ao conseguires a melhor parte, a pátria do céu, longe te temeres a morte, livremente entraste nos céus. Eu, porém, senti dor, ao ver partir tal companhia da vida. Mas agora, ao vir Deus ao teu encontro, lembra-te de nós, tu virgem, a fim de a recordação de ti me trazer luz mediante o Senhor”.

Fonte: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J., 3ª. Ed. Editorial A. O. Braga

     São Dâmaso ocupou a Sé de Roma de 366 a 384. Foi natural, ou pelo menos originário, da antiga Hispânia. O Livro Pontifical, não muito posterior, dá-o como hispanus. Seu pai e uma irmã ao menos, Santa Irene, viveram também em Roma. Lá, S. Dâmaso erigiu uma Basílica a S. Lourenço, que recebeu o cognome de in Damaso.
     Ele viveu num período de grande agitação para a Igreja. No tempo de seu Pontificado, era Bispo de Milão o grande Santo Ambrósio e São Jerônimo punha sua formidável inteligência ao serviço da Igreja. São Dâmaso teve que enfrentar um cisma causado por um antipapa, isto no início do seu Pontificado. Infelizmente este não consistiu no único problema para Dâmaso, já que teve de combater o Arianismo. Sendo ele Papa, chegou quase a extinguir-se a heresia ariana.
Interior da Basílica de S Lourenço
     O Papa Dâmaso esteve no II Concílio Ecumênico onde aconteceu a definição dogmática sobre a Divindade do Espírito Santo. Foi ele quem encarregou São Jerônimo na tradução da Bíblia da língua original para o latim, língua oficial da Igreja. Conhecido como o "Papa das Catacumbas", São Dâmaso foi responsável pela zelosa restauração das catacumbas dos mártires. Em Roma, conseguiu separar Estado e Paganismo. A sua obra foi paciente e oculta, mas não medíocre nem definhante. Soube ligar à Sé apostólica todas as Igrejas e obteve do poder civil o maior respeito.
     São Dâmaso, o Papa mais notável do século IV, veio a falecer em 384. Na chamada Cripta dos Papas, por ele explorada nas Catacumbas de S. Calisto, no fim de uma longa inscrição, escreveu: "Aqui eu, Dâmaso, desejaria mandar sepultar os meus restos, mas tenho medo de perturbar as piedosas cinzas dos santos". Humildade e discrição de um Papa verdadeiramente santo, que de fato preparou para si a sepultura longe, num local solitário, à margem da Via Ardeatina.
     Foi enterrado com sua mãe, Laurência, e a irmã, Irene; a inscrição no sarcófago ainda existe; a cabeça supostamente está num relicário doado por Clemente VIII para a Basílica de São Pedro.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Beata Maria de São José Alvarado, Fundadora venezuelana - Festa 2 de abril

     Laura Evangelista Alvarado Cardozo, conhecida como a Madre Maria de S. José, ou simplesmente como Madre Maria, nasceu em Choroní, Estado Aragua, na Venezuela, em 25 de abril de 1875.
     Maria de São José era filha do Coronel Clemente Alvarado e de Dona Margarida Cardozo, de quem herdou seu amor fervoroso a Cristo e a Eucaristia. Iniciou seus estudos no seu povoado natal, porém se mudou com a família para Maracay, onde terminaria seus estudos.
     Aos 13 anos de idade, no dia 8 de dezembro de 1888, recebeu a Primeira Comunhão, fazendo seus primeiros votos, consagrando-se assim ao senhor. Desde então começava sua vida religiosa. Em 1892, aos dezessete anos, foi-lhe imposto o santo escapulário da Virgem do Carmo. Antes de cumprir 18 anos, se dedicava à preparação de crianças para a Primeira Comunhão.
     Em 1893, o sacerdote Justo Vicente López Aveledo fundou a Sociedade das Filhas de Maria e Laura passa a formar parte dela, renovando assim seus primeiros votos.
     Muito cedo Laura demonstrou sua devoção a Deus e sua força espiritual. Desde muito jovem trabalhava como voluntária em hospitais, coisa que faria quase que toda sua vida e de onde obteve o nome com que é conhecida hoje.
     Seu caráter espiritual fica evidente em situações difíceis, como por ocasião do falecimento de seu pai. Antes de ele morrer Laura roga a Deus lhe conceda a graça de que seu pai receba a Extrema Unção e contraia matrimônio com sua mãe. O Sr. Clemente aceita receber estes sacramentos.
     Em resposta à graça concedida por Deus, Laura prometeu guardar jejum perpetuo, o qual durou dez anos, até que o Padre Vicente López a dispensou disto.
Vida Religiosa
     Em 1897, começou a trabalhar voluntariamente no Hospital São José de Maracay, Estado Aragua, fundado pelo presbítero Vicente López. A jovem futura beata tinha então 22 anos de idade. Daí em diante, assessorada por seu diretor espiritual, o Padre López Acevedo, se dedicou ao serviço dos mais pobres.
     Em 1899, pouco antes de cumprir 24 anos, Laura recebeu do Pe. López a direção e a administração do hospital.
     Em 1900-01, por causa do seu trabalho, junto com outras voluntárias que desempenhavam o mesmo ofício, foi consagrada como irmã hospitalária agostiniana, adotando o nome de Irmã Maria de São José.
     Em 1901, junto com seu diretor espiritual e quatro leigas, fundou (com a aprovação de São Pio X), a Congregação "Irmãs Agostinianas Recoletas do Coração de Jesus", na Venezuela, e se tornou Superiora Geral da comunidade (por algum tempo a Beata se fizera chamar de Laura Maria em honra a Santíssima Virgem), com a finalidade de ajudar as meninas abandonadas, e os idosos pobres.
Grande trabalho em hospitais e nas escolas
     Irmã Maria de São José continuou seu intenso trabalho não apenas neste hospital. Além do Hospital São José, ela trabalhou em muitos centros de saúde do país, em Maracaibo, Caracas, Coro, Cidade Bolívar, entre outros. Inclusive os novos hospitais que iam sendo abertos. Durante muito tempo de sua vida, ela se dedicou a cuidar dos doentes.
      Madre Maria de São José criou também a Casa “Doutor Gualdron” no ano de 1901 e, em 2 de setembro de 1945, o Instituto Madre Maria, que após sua morte foi cedido à Arquidiocese de Barquisimeto por sua Congregação. Ambas as obras dedicadas à educação.    
Corpo incorrupto de Madre Maria de S José
Morte e beatificação
     Madre Maria de São José morreu na Casa Imaculada Conceição, em Maracay, em 1967, na idade de 92 anos.
     O processo de sua beatificação começou em 1978. Em 1982, aconteceu a cura da Irmã Teresa Silva, inválida devido a uma doença penosa, cuja cura a Madre havia profetizado anos antes. Este milagre, obtido pela Madre foi aprovado por decreto papal.
     Em 1994, o seu corpo incorrupto foi transladado para um sarcófago de cristal para veneração de suas filhas espirituais e dos fieis.
     No dia 7 de maio de 1995, realizou-se a cerimônia de sua beatificação na Praça de São Pedro. A Beata Maria de São José Alvarado é a primeira beata venezuelana.
Frase da Madre María:
"Oh! adorável Hóstia, divina Eucaristia, amor de meus amores, alívio de minhas penas, esperança de minha salvação, sede tenho meu Deus de morrer em teu amor".

domingo, 1 de abril de 2012

Santas do mês de abril

abril 01  Santas Ágape e Quionia, Mártires em Salonico
abril 02  Beata Elisabete Vendramini  MR
abril 02  Beata Maria de S. José Alvarado (Laura Alvarado Cardozo), Fundadora  MR
abril 02  Santa Teodósia (Teodora) de Cesareia, Virgem de Tiro, mártir  MR
abril 04  Beata Aletta, Mãe de S. Bernardo de Claraval
abril 05  Beata Juliana de Cornillon ou de Liège  MR
abril 05  Santa Catarina Thomas  MR
abril 05  Santa Ferbuta, Mártir  MR
abril 05  Santa Irene de Salonico, Mártir  MR
abril 05  Santa Maria Crescência Hoss  MR
abril 06  Beata Catarina Morigi de Pallanza  MR
abril 06  Beata Pierina Morosini, Virgem e mártir  MR
abril 06  Santa Gala de Roma  MR
abril 06  Santa Platonide  
abril 07  Beata Catarina de Montenegro, Dominicana   MR
abril 07  Beata Maria Assunta Pallotta, Franciscana  MR
abril 07  Beata Ursulina (Veneri) de Parma, Virgem
abril 08  Beata Libânia de Busano, Abadessa 
abril 08  Santa Maria Rosa Julia Billiart, Religiosa    MR
abril 09  Beata Catarina Celestina Faron, Virgem e mártir  MR
abril 09  Beata Margarida Rutan, Virgem e mártir 
abril 09  Santa Cacilda de Toledo, Virgem  MR
abril 09  Santa Valdetrude, Esposa, monja   MR
abril 10  Santa Madalena de Canossa, Virgem  MR
abril 11  Beata Helena Guerra, Virgem   MR
abril 11  Beata Sancha de Portugal, Princesa, virgem  MR
abril 11  Santa Gema Galgani, Virgem  MR
abril 12  Santa Teresa de Jesus dos Andes, Monja carmelita  MR
abril 12  Santa Vissia de Fermo, Virgem e mártir  MR
abril 13  Beata Ida de Boulogne, Condessa   MR
abril 13  Beata Ida de Louvain, Monja de Val-des-Roses  MR
abril 13  Beata Margarida de Città di Castello, Dominicana  MR
abril 14  Beata Isabela (Josefina Calduch Rovira), Virgem e mártir  MR
abril 14  Santa Liduina, Virgem   MR
abril 14  Santa Tomaíde de Alexandria, Mártir  MR
abril 14  Santas Bernica, Prosdocia e Domingas, Mártires  MR
abril 15  Santas Anastásia e Basilissa, Mártires
abril 16  Santa Bernardete Soubirous, Virgem  MR
abril 16  Santa Engrácia, Virgem e mártir  MR
abril 17  Beata Catarina (Kateri) Tekakwitha  MR
abril 17  Beata Clara Gambacorti, Dominicana   MR
abril 17  Beata Maria Ana de Jesus (Navarro) Mercedária  MR
abril 18  Beata Maria da Encarnação (Bárbara Avrillot), Carmelita  MR
abril 18  Beata Savina Petrilli   MR
abril 18  Santa Antusa de Constantinopla, Virgem, princesa imperial
abril 18  Santa Atanásia de Egina  MR
abril 19  Santa Ema da Saxônia, Viúva
abril 19  Santa Marta da Pérsia, Virgem e mártir  MR
abril 20  Beata Clara Bosatta, Virgem  MR
abril 20  Beata Oda, Monja premostratense  (Oda = germ bens, riquezas)
abril 20  Santa Eliena (Eilena, Elena) de Laurino, Solitária  MR
abril 20  Santa Endelienda, Virgem
abril 20  Santa Inês Segni de Montepulciano, Virgem  MR
abril 20  Santa Sara de Antioquia, Mártir 
abril 22  Santa Alexandra e companheiras Mártires em Nicomedia
abril 22  Santa Oportuna de Seez, Abadessa  MR
abril 22  Santa Senhorinha de Vieira, Abadessa   MR
abril 23  Beata Helena Valentini de Udine, Religiosa   MR
abril 23  Beata Maria Gabriela Sagheddu  MR
abril 23  Beata Teresa Maria da Cruz (Teresa Manetti)  MR
abril 24  Beata Maria Elisabete Hesselblad   MR
abril 24  Santa Maria de Cleofas  MR
abril 24  Santa Maria de Sta. Eufrásia (Rosa Virginia Pelletier), Fundadora  MR
abril 24  Santa Salomé, Mãe dos apóstolos Tiago e João  MR
abril 25  Santa Franca de Piacenza  MR
abril 25  Santa Hunna, Viúva da Alsácia 
abril 26  Beata Alda (Aldobrandesca) de Sena, Viúva
abril 27  Beata Maria Antonia Bandrés y Elósegui, Religiosa  MR
abril 27  Santa Zita, Virgem  MR
abril 28  Beata Maria Ludovica de Jesus Trichet, Co-fundadora  MR
abril 28  Santa Gianna Beretta Molla, Mãe de familia  MR
abril 28  Santa Valéria  MR
abril 29  Santa Catarina de Sena, Virgem, doutora, patrona da Itália  MR
abril 30  Beata Hildegarda de Kempten, Rainha
abril 30  Beata Maria da Encarnação Guyart, Viúva e fundadora  MR
abril 30  Beata Paulina von Mallinckrodt, Fundadora  MR
abril 30  Beata Rosamunda
abril 30  Santa Sofia de Fermo, Virgem e mártir  MR