quarta-feira, 16 de maio de 2012

Santa Julia Salzano, Fundadora - Festa 17 de maio

     No fim do segundo XIX, em Nápoles, foi constituído um renascer primaveril de programas educativos cristãos, no instante em que se registravam situações políticas e sociais muito complexas.
     "Ensinarei sempre o catecismo, até o meu último sopro de vida. E vos asseguro que morreria contentíssima lecionando o catecismo" foi o lema de uma vida toda dedicada a catequese, a de Julian Salzano.
     Julia Salzano nasceu em Santa Maria Capua Vetere (Caserta), dia 13 de outubro de 1846, filha de Diego Salzano, capitão dos lanceiros de Fernando II, rei de Nápoles, e de Adelaide Valentino. Aos quatro anos ficou órfã de pai e como sua mãe não sabe como manter a família, Julia foi confiada às Irmãs da Caridade no Orfanato Real de São Nicolau La Strada, onde permaneceu até os quinze anos de idade.
     Diplomada professora, recebeu o encargo de ensinar na Escola Municipal de Casoria, na província de Nápoles, para onde se transferiu toda a família.
     Em Casoria, Julia não se limita a exercer a função de professora, encontra tempo para visitar os doentes e ajudar os pobres, mas sobretudo começa a preparar as crianças para a Primeira Comunhão.
     “Dona Julieta”, como é chamada em sinal de deferência, manifestou um notável interesse pelo catecismo para educar na fé as crianças, os jovens e os adultos, cultivando, ao mesmo tempo, a devoção à Virgem Maria. Para tanto abriu sua casa não apenas para seus alunos, mas também a todas as crianças da região, organizando cursos de catecismo para os jovens, as mães e os operários, guiando os fieis na oração.
     Abriu uma oficina para confecção de paramentos para as igrejas pobres, promovia a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, junto com a Beata Catarina Volpicelli, vivendo o lema: “ad maiorem Cordis Iesu gloriam”; difundia a recitação do Rosário e a prática do mês de maio.
     Aos 50 anos, sente que é necessário dar continuidade à sua obra de catequese. Já tinha em torno de si algumas ex-alunas e outras jovens que se deixavam atrair por sua influência e com elas fundou, em 1894, a Obra de Catequese, que dez anos depois se tornaria uma congregação, com o nome de Irmãs Catequistas do Sagrado Coração.
     Julia as instruía e preparava repetindo: "Em qualquer hora a irmã catequista deve sentir-se disposta a instruir os pequeninos e os ignorantes; não deve medir os sacrifícios requeridos por este ministério, antes deveria desejar morrer no cumprimento do próprio dever, se assim fosse do agrado de Deus". Ela as precedia com o exemplo, dedicando-se completamente à catequese, apesar dos trabalhos para dirigir o Instituto.
     Em 16 de maio de 1929, na idade de 83 anos, examinou mais de cem crianças que deveriam ser admitidas à Primeira Comunhão. Na madrugada seguinte, entregou sua alma a Deus, fiel ao propósito de “ensinar o catecismo até o último sopro de vida.
     Esta figura única de fundadora devotada à catequese foi proclamada beata em 23 de abril de 2002, e canonizada em Roma por Bento XVI em 17 de outubro de 2010.
     A sua Congregação se expandiu não somente pelas cidades italianas, como também pela Europa, Canadá, Brasil, Filipinas, Peru e Índia.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Beata Berta de Bingen, Mãe e penitente - Festejada 15 de maio

     Entre as inúmeras figuras de mães de Santos, elas também veneradas pela Santa Igreja como Santas ou Beatas, aparece a figura da Beata Berta, mãe de São Ruperto de Bingen.
     A comovente história de Berta e Ruperto teria se perdido ao longo dos séculos se não tivesse sido escrita pela grande mística, escritora e musicista, Santa Ildegarda de Bingen, que viveu na mesma região séculos depois. Esta Santa tinha grande veneração pelo Santo e o mosteiro do qual era abadessa guardava suas relíquias de ambos.
     Berta viveu nos séculos VIII-IX, era filha do Duque da Lorena, e foi casada com o príncipe pagão Robolau (ou Roboldo), no tempo de Carlos Magno (742-814), tendo recebido como dote um vasto território ao longo da região do Rio Reno, hoje conhecida como Rupertsberg (Renânia, Alemanha).
     Sendo católica praticante, procurou converter o marido, mas sem sucesso. Este morreu ainda jovem, combatendo, pouco tempo depois do nascimento de seu filho. Berta enfrentou com coragem a viuvez e dedicou-se ao serviço de Deus e a educação do filho, Ruperto, de três anos, e a proteger sua propriedade de Bingen das pretensões dos familiares de seu marido.
     Ruperto cresceu fiel aos ensinamentos maternos e com a assessoria do seu mentor, São Vigberto, sacerdote e diretor espiritual de Berta, que os inclinou às práticas de devoção e obras de caridade. Iniciou-se assim uma relação de profunda convivência espiritual entre mãe e filho.
     Ruperto mostrou um precoce entendimento dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando Berta disse a ele que planejava financiar a construção de uma igreja, Ruperto retrucou: "Mas primeiro precisamos obedecer a Deus e dar pão aos famintos e roupas aos nus". Tocada pela compaixão de Ruperto, Berta associou seu filho, então com 12 anos, a fundação de um mosteiro em Bingen, usando também seus bens para construir hospitais para os pobres e doentes.
     Anos depois, Berta e Ruperto fizeram uma peregrinação ao túmulo dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em Roma. Como sua fé se aprofundava, Berta decidiu transferir-se, com Ruperto, para Bingen a fim de levarem uma vida de solidão e contemplação. Esta frutífera colaboração entre mãe e filho somente foi truncada com a morte de São Ruperto, aos 21 anos, após uma grave enfermidade.
     A grande dor que Berta provou foi mitigada pela consolação ao ver a veneração por seu filho que logo a população expressou. Berta adotou uma vida de oração e penitência e doou seus bens para o sustento dos monges do mosteiro em que São Ruperto fora sepultado.
     Berta sobreviveu a seu filho uns 25 anos, falecendo em meados do século IX, e foi enterrada próximo de seu filho, cujo túmulo já era destino de numerosas peregrinações, a ponto de toda aquela região ser chamada Rupertsberg (a Montanha de Ruperto). Durante as invasões normandas do século X os dois túmulos foram profanados. Na Guerra dos 30 Anos, seus restos foram transladados para Eibingen.
     Seu culto se conserva ainda hoje. Berta foi considerada beata desde os primeiros tempos e sua festa, junto com a de seu filho, é celebrada em 15 de maio.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sta Rictrude de Marchiennes. Esposa, Abadessa - Festa 12 de maio

     Santa Rictrude nasceu na Gasconha em 612, em uma família basca tão rica quanto devota. Bem jovem teve como diretor espiritual Santo Amando de Maastricht, que estava exilado naquela região pelo Rei Dagoberto, a quem tinha condenado a conduta licenciosa. Amando vivia naquele período como hóspede da família de Rictrude e a partir daquela casa o santo franco iniciou sua obra de evangelização da Gasconha.
     Um outro nobre franco, Adalbaldo, Duque de Douai, chegou também àquela região, ganhando logo o favor do Rei Clóvis II, e, apesar da oposição dos nobres bascos, obteve a mão de Rictrude em casamento.
     O casal foi viver em Ostrevant, nas Flandres, e tiveram quatro filhos, todos eles venerados como santos: Adalsinda, Closinda, Mauroncio e Eusébia.
     Amando os visitava com frequência; o casal levava uma vida “devota e feliz”, como descreve o seu biógrafo, Hucbaldo, em Vita Rictrudis, escrita em 907, a pedido da Abadia de Marchiennes.
     Infelizmente a felicidade de dezesseis anos teve um fim trágico quando Adalbaldo foi assassinado presumivelmente como resultado ainda das hostilidades contra o matrimônio com Rictrude. Ele é honrado como mártir, embora a sua comemoração tradicional em 2 de fevereiro não seja relatada no Martirológio Romano.
     Devido à trágica perda do esposo, Rictrude expressou o desejo de se tornar monja, mas Amando aconselhou-a a aguardar que seu filho Mauroncio fosse grande o bastante para ser introduzido na vida da corte.
     Clóvis II tinha entretanto outros projetos para ela, desejando que desposasse um de seus protegidos. Santo Amando conseguiu persuadi-lo a deixá-la livre e ela pode assim recolher-se em Marchiennes, onde havia fundado um mosteiro masculino e feminino.
     Em 648 tornou-se abadessa daquele mosteiro, cargo que ocupou até sua morte, e as suas duas filhas mais velhas, Adalsinda e Closinda, se juntaram a ela. Mais tarde também o filho, Mauroncio, que estivera a ponto de casar-se, deixou a corte e ingressou na abadia. Posteriormente, São Mauroncio foi abade de Bruel.
     A primeira filha morreu jovem, mas a segunda sucedeu a mãe como abadessa de Marchiennes quando Rictrude faleceu, em 678. A última filha, Santa Eusébia, que fora enviada para a Abadia de Hamage após o assassinato do pai, onde sua avó era abadessa, mais tarde também foi eleita abadessa de Hamage.
     Venerada como santa pouco depois de sua morte, muitos milagres são atribuídos à intercessão de Santa Rictrude.
     Foi sepultada na Abadia de Marchiennes, e em sua lápide foi inscrito "Virtutis ager, pietatis imago" - campo da virtude, imagem da piedade. O túmulo foi refeito por diversas vezes. As relíquias foram transladadas para Paris, onde foram perdidas durante a terrível Revolução Francesa, em 1793. Algumas fontes referem que parte das relíquias foi levada para Douai.
     Esta família, quase toda ela elevada à honra dos altares, não é senão um dos muitos casos semelhantes que aconteceram nos dois mil anos de Cristianismo.
     O Martirológio Romano comemora Santa Rictrude no dia 12 de maio.
Abadia de Marchiennes
     Esta Abadia foi fundada cerca de 630 por Santo Adalbaldo, Duque de Douai, e monges irlandeses, discípulos de São Columbano, sob a direção de Santo Amando. Santa Rictrude tornou-a mosteiro duplo em 643, sendo ela mesma abadessa durante anos.
     Por volta de 1024, tornou-se mosteiro masculino novamente e a Regra beneditina foi adotada. No nascimento da cidade de Marchiennes, a Abadia tornou-se seu motor econômico até sua supressão em 1791, durante a nefasta Revolução Francesa. Em 1814 foi demolida. Suas ruínas foram inscritas no inventário de monumentos históricos em 17 de maio de 1974.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Beata Maria Teresa de Jesus Gerhardinger, Fundadora - Festa 9 de maio


     O seu nome de família é Carolina Gerhardinger. Veio ao mundo em Stadtamhof - Regensburg, na Baviera (Alemanha), a 20 de junho de 1797. Sua vida, e parte de sua obra, se desenvolveu em meio às vicissitudes sociais, políticas e religiosas originadas pela nefanda Revolução Francesa iniciada em 1789.
     Fez os estudos com as Cônegas Agostinianas de Nossa Senhora, fundadas por São Pedro Fourier. Supressa a Congregação e a escola em 1809 pelo governo de Napoleão, o pároco, Miguel Wittmann, futuro Bispo de Ratisbona (Regensburg), com o fim de dar continuação à formação das meninas, escolheu três das melhores alunas para fazerem o curso de magistério. Entre elas estava Carolina. Obtido o diploma de professora primária, ensinou na terra natal de 1816 a 1833.
     Em 1828, ao restablecer-se as liberdades religiosas e com a possibilidade de as religiosas voltarem ao ensino, Dom Miguel Wittmann pensou em fundar uma nova Congregação com as três professoras, mas somente Carolina logrou perseverar e superar as grandes dificuldades que se levantaram, sobretudo depois da morte do Bispo Wittmann, em 1834. Ela não desanimou e fez a profissão religiosa em 1835. Por sua admiração pela vida e obra de Santa Teresa d' Ávila adotou este nome.
     As Pobres Irmãs Escolares de Nossa Senhora, fundadas por ela, que se estenderam a diversos continentes, foram além disso o ponto de partida para alguns Institutos autônomos em vários países da Europa. Recebeu a aprovação pontifícia de sua Regra e Constituições em 1854.
     Com a ajuda de Luis I da Baviera transferiu a Casa mãe para Munich. Ela administrou e desenvolveu a Congregação com grande entusiasmo, apesar das inúmeras dificuldades, durante quarenta anos.
     Em 1847, Maria Teresa de Jesus, aceitando o pedido de missionários americanos, partiu junto com mais cinco religiosas para os Estados Unidos. Ali, com a ajuda do Beato João Neumann, fundou um orfanato em Baltimore, abriu escolas em Pittsburg e Philadelphia, destinadas a atender os filhos dos emigrantes alemães.
     A Beata María Teresa manifestou vocação inata como guía de religiosas e educandas. Seu carisma e profunda fé permitiu a rápida expansão de sua Congregação por toda Europa e Amérida do Norte. Fundou escolas - diurnas e noturnas para trabalhadoras -, primárias e para pré-escolares, orfanatos e as chamadas "Casas de Día", onde as mães trabalhadoras deixavam seus filhos enquanto trabalhavam; fundou também escolas femininas de capacitação para o trabalho em fábricas ou oficinas.
Vista de Stadtamhof
     Com fama de santidade, querida, respeitada e admirada por alunas e religiosas, entregou sua alma a Deus em Munich, Alemanha, na Casa mãe de sua Congregação, no dia 9 de maio de 1879. Em 15 de novembro de 1985, João Paulo II proclamou-a Beata, instituindo sua festa litúrgica para o dia de sua morte.
     Atualmente a Congregação conta com cerca de cinco mil religiosas que trabalham em trinta e três países.


Cf. Pe. José Leite, S.J. e fontes diversas

domingo, 6 de maio de 2012

Santa Rosa Venerini, Fundadora - Festejada 7 de maio

     Rosa Venerini nasceu em Viterbo, na Itália, no dia 9 de fevereiro de 1656, de uma família muito religiosa e recebeu dos seus pais uma boa formação cristã e uma boa educação.
     Rosa viveu um conflito: um jovem queria desposá-la, mas o seu desejo era consagrar-se a Deus. Sua vida mudou radicalmente quando uma série de acontecimentos culminou com a morte do pretendente e mais tarde a de seus pais. Ela assumiu então a educação dos dois irmãos. Mesmo com essa responsabilidade ela não abandonou seu desejo de consagrar-se a Deus.
     Desde criança fizera o voto de se tornar monja, mas durante a sua juventude ficou profundamente impressionada com a pobreza e a ignorância das jovens do povo e assim começou a pensar que talvez fosse melhor realizar algo em prol delas do que viver em um convento. Passou então a convidar as jovens da vizinhança para rezar o Rosário em sua casa.
     Foi convivendo com essas pessoas que Rosa descobriu o grave estado de ignorância religiosa e intelectual que atingia a juventude da época. Decidiu que seria seu dever combatê-la. Um padre jesuíta, Ventura Bandinelli, percebendo a sua vocação natural para a religiosidade e para o ensino abriu-lhe as portas da vida religiosa. Rosa não perdeu a oportunidade e deu o primeiro passo indo viver em comunidade. Com mais duas amigas criou a primeira escola primária para crianças, em 1685. Estava iniciada a sua grande obra.
     Porém as oposições não tardaram a aparecer. Alguns padres acharam que a obra de Rosa agredia a sua autoridade no ensino religioso. Os nobres se posicionavam contra o ensino gratuito para os pobres. Rosa enfrentava uma batalha em nome de Deus e de um ideal. Felizmente, o Bispo de Montefiascone interveio e a convidou para fundar em sua diocese uma nova escola. Para lá Rosa Venerini se dirigiu com uma colaboradora muito especial: a futura Santa Lúcia Filippini.
     As escolas se expandiram e chegaram a muitas cidades, inclusive Roma. Mas os problemas apareceriam novamente. Rosa teve de enfrentar discussões dolorosas, ambições e divisões dentro de sua instituição, problemas provocados pela inveja e ganância das pessoas.
     No ano de 1713, Rosa abriu uma escola em Roma e o Papa Clemente XI fez-lhe a honra de uma visita. O Papa ficou uma manhã inteira na escola, juntamente com oito cardeais, ouvindo a lição de catecismo e interrogando as alunas. No final, chamou Rosa e as suas companheiras, agradeceu-lhes o precioso trabalho, conferiu-lhes uma medalha de prata e disse-lhes: «Desejo que estas escolas se propaguem em todas as nossas cidades».
     Foi o reconhecimento do valor de sua obra. O apoio do papa foi um fator importante para o desenvolvimento de sua instituição, agora chamada "Mestras Pias Venerini". Em pouco tempo escolas foram abertas em todas as regiões.
     O fim de sua vida foi marcado por uma doença que a consumiu por quatro anos. Rosa veio a falecer no dia 7 de maio de 1728. Em 1909, foi fundada a primeira Casa nos Estados Unidos. O reconhecimento canônico para essas professoras chegou apenas em 1941, quando, finalmente, se tornam uma Congregação.
     O papa Pio XII proclamou-a bem-aventurada em 1952, quando a Congregação já operava em muitos países do mundo todo. Suas relíquias estão guardadas na capela da Casa mãe da Congregação em Roma.
     Em 15 de outubro de 2006, Rosa Venerini foi proclamada Santa na Praça de São Pedro. O milagre que a levou aos altares teve lugar em Ebolowa, nos Camarões: Serge, uma criança do leprosário de ‘Ngalan, foi curada milagrosamente por intercessão de Santa Rosa, a Santa que sempre amou os pequeninos, dedicando-lhes a sua vida e continuando a protegê-los. 

sábado, 5 de maio de 2012

Beata Ana Rosa Gattorno, Fundadora - Festejada 6 de maio

     A fundadora do Instituto das Filhas de Santa Ana nasceu em Gênova (Itália), no dia 14 de outubro de 1831. Foi batizada no mesmo dia na paroquia de São Donato, com os nomes de Rosa Maria Benedita.
     Pertencia a uma família de boas condições financeiras, de bom nome na sociedade e de profunda formação cristã. No pai Francisco e na mãe Adelaide, como nos outros cinco irmãos, encontrou os primeiros essenciais formadores de sua vida moral e cristã.
     Em 1852, com a idade de 21 anos, contraiu matrimônio com Jerônimo Custo e transferiu-se para Marselha (França). Uma imprevista crise financeira perturbou a felicidade da nova família, obrigada a retornar a Gênova. A sua primeira filha, Carlota, afetada de repentina enfermidade, ficou surda-muda para sempre; e apesar da alegria de outros dois filhos, ela foi novamente abalada com o falecimento do esposo, após seis anos de matrimônio, e com a morte do seu último filho.
     Estes acontecimentos marcaram a sua vida e levaram-na a uma mudança radical a que ela chamara "a sua conversão", isto é, à entrega total ao Senhor. Orientada pelo seu confessor, emitiu de forma privada os votos perpétuos de castidade e obediência, precisamente na festa da Imaculada: 8 de dezembro de 1858, e depois, como terciária franciscana, professou também o voto de pobreza. Viveu intimamente unida a Cristo, recebendo a Comunhão todos os dias, privilégio que naquele tempo era pouco comum. Em 1862 recebeu o dom dos estigmas ocultos, percebidos mais intensamente nas sextas-feiras.
     Num clima de intensa oração, diante do Crucifixo, recebeu a inspiração de fundar uma Congregação religiosa: "Filhas de Santa Ana, Mãe de Maria Imaculada". Depois de a ter escutado durante longo tempo, Pio IX confirmou-a na sua missão de Fundadora. Vestiu o hábito religioso no dia 26 de julho de 1867 e a 8 de abril de 1870 emitiu a profissão, com outras doze religiosas.
     Com esta fundação, realizou muitas obras de atendimento aos pobres e doentes, às pessoas sozinhas, anciãs e abandonadas; cuidou da assistência às crianças e às jovens, proporcionando-lhes uma instrução religiosa e adequada, a fim de as inserir no mundo do trabalho. Assim, foram abertas muitas escolas para a juventude pobre, segundo as necessidades mais urgentes da época.
    Com menos de dez anos da fundação a Congregação recebeu a aprovação definitiva, em 1879. Porém, o Regulamento só o foi em 1892. Muito estimada e considerada por todos, colaborou em Piacenza também com o bispo, Monsenhor Scalabrini, hoje beato, sobretudo na Obra fundada por ele, a favor dos surdos-mudos.
     Sofreu provas, humilhações, dificuldades e tribulações de todo o gênero, mas sempre confiou em Deus e cada vez mais atraía outras jovens para o seu apostolado. Assim, a Congregação difundiu-se rapidamente na Itália, Bolívia, Brasil, Chile, Peru, Eritreia, França e Espanha. 
     Ana Rosa Gattorno faleceu no dia 6 de maio de 1900, muito debilitada dois dias depois de contrair uma forte influenza, na Casa Mãe de Piacenza. A Congregação já contava com trezentas e sessenta e oito Casas nas quais desenvolviam as suas missões três mil e quinhentas religiosas. Ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II no ano 2000.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Beata Maria Leônia Paradis, Fundadora - Festejada 3 de maio

     Beatificada no dia 11 de setembro de 1984, durante a visita de João Paulo II ao Canadá, veio ao mundo a 12 de maio de 1840, na povoação de Santa Margarida de Blairfindie, no Estado de Quebec (Canadá). Batizada no mesmo dia, deram-lhe os nomes de Alódia Virgínia. Contava entre seus antepassados vários bispos, um dos quais foi arcebispo de Quebec.
     Recebeu da mãe a primeira educação cristã, que aperfeiçoou no colégio das religiosas da Congregação de Nossa Senhora de Laprairie. Recebeu a Crisma e a Primeira Comunhão nos anos de 1849 e 1850, e àqueles anos se reportam a sua devoção aos sacerdotes e o amor pelas pessoas humildes e pobres, sentimentos que se tornaram os temas fundamentais de toda sua vida.
     Em 1854 ingressou no noviciado das Marianitas de Santa Cruz, com o nome de Irmã Maria de Santa Leônia. Esta Congregação, constituída há pouco tempo então, destinava-se ao serviço doméstico das casas dos Sacerdotes da Santa Cruz e à educação da juventude.
     Aos 22 de agosto de 1857 fez os votos perante o P. Basílio Moreau, fundador da Congregação. Apesar de não ter uma saúde boa, encarregaram-na de cuidar das residências paroquiais em diversas freguesias. Foi, depois, para os Estados Unidos da América tomar conta de órfãos e servir de secretária da superiora do asilo. Permaneceu nesse posto oito anos.
     Quando a Congregação a que pertencia deixou, em França, de cuidar das residências paroquiais para se dedicar ao ensino, as religiosas dos Estados Unidos separaram-se da Casa Mãe e formaram um Instituto autônomo denominado Irmãs da Santa Cruz. A Irmã Leônia aderiu ao novo Instituto por ele conservar o trabalho inicial de auxílio aos párocos.
     Quando o P. Camilo Lefebvre, fundador do Colégio de S. José de Memramcook, lhe pediu para formar na vida religiosa as jovens que ele havia chamado para cuidar dos diversos serviços da casa, ela para lá partiu com outra Irmã, no dia 22 de setembro de 1874. Sob a sua direção, o Instituto consolidou-se. Não lhe faltaram oposições, mas em 1880 os membros do capítulo da congregação da Santa Cruz deram-lhe a sua aprovação.
     Depois de 20 anos na cidade de Memramcook, a Casa Mãe e o noviciado mudaram para Sherbrooke, em 1885. No dia 26 de janeiro do ano seguinte, o Bispo dessa cidade publicou o decreto da ereção canônica. A 2 de outubro de 1904, a Serva de Deus, por instâncias do Prelado, abandonou o hábito das Irmãs de Santa Cruz, às quais estava juridicamente ligada, e vestiu o hábito da Congregação que ela mesma havia fundado com o nome de Irmãzinhas da Sagrada Família.
     No dia 5 de maio de 1905, por indulto Apostólico de São Pio X, ficou livre de todas as obrigações para com a Congregação das Irmãs da Santa Cruz e pôde assim mais expeditamente aderir às Regras do seu Instituto.
     A Serva de Deus, que sempre procurou servir o Senhor com todo o seu coração, custasse o que custasse — e não foram pequenos nem poucos os sofrimentos que teve de suportar —, viu coroados de êxito os próprios trabalhos. A Congregação contava 635 Ir­mãs em 40 casas, dedicadas a auxiliar os Sacerdotes, material e espiritualmente.
     Um câncer há tempo era suportado por Madre Leônia, até que suas condições de saúde se agravaram e, após ter recebido os últimos Sacramentos, ela entregou sua alma a Deus no dia 3 de maio de 1912, em Sherbrooke, na idade de 72 anos.
     Seus funerais foram triunfais; foi sepultada no cemitério paroquial de São Miguel de Sherbrooke e exumada em 4 de outubro de 1935, para ser trasladada para a Casa Mãe das Pequenas Irmãs da Sagrada Família, da mesma cidade, em Québec.
     Deixou vários volumes de escritos que revelam quanto ela procurou viver na presença de Deus e fazer tudo apoiada n'Ele. Mas o presente mais valioso que legou às suas Filhas e à Igreja foi o exemplo de uma vida santa, que Deus confirmou com milagres que a levaram às honras dos altares.

AAS 59 (1967) 451-3; 73 (1981) 211-14; 77 (1985) 397-403.
Cf. Pe. José Leite, SJ.