quinta-feira, 12 de julho de 2012

Tesouro Carmelitano pouco conhecido do Brasil


      Irmã Francisca de Jesus Maria, infelizmente pouco conhecida mesmo nos ambientes católicos do Brasil, é irmã da Madre Jacinta de São José, fundadora do Carmelo Descalço no Brasil.
      Nasceu Francisca no Rio de Janeiro, em 1719, sendo a última dos quatro filhos de José Rodrigues Ayres e Da. Maria Lemos Pereira, ambos pertencentes a famílias católicas e abastadas. O virtuoso casal proporcionou a seus filhos, dos quais três abraçaram o estado religioso, sólida formação.
      Francisca, reconhecendo desde logo o modo extraordinário pelo qual a Providência divina dirigia sua irmã Jacinta, deixou-se docilmente guiar por ela, apesar da diferença de apenas quatro anos na idade. Obedecia-a como sua superiora e, desde a infância, empregavam ambas o tempo que lhes sobrava, após as ocupações domésticas, em leitura espiritual, meditação, silêncio, mortificação e penitências rigorosíssimas.
Cilícios como presentes
      Um fato surpreendente para nossa época ocorreu nessa família: José Ayres, compreendendo que um desígnio especial pairava sobre suas filhas, não só não proibia, mas incentivava as santas inclinações de ambas, chegando a dar-lhes cilícios como presente de Natal, certo de agradá-las com este gesto, como também a Deus.
     Francisca ainda não atingira os 12 anos de idade quando Jacinta expôs-lhe as vantagens do estado religioso, resolvendo ambas, então, abandonar o mundo para se encerrar no claustro.
     Embora recebessem do pai todo apoio, encontraram por parte da mãe uma oposição peremptória. A morte repentina do pai submeteu-as por completo à vontade materna, sem contudo deixarem as duas irmãs de viver em casa como se estivessem num convento, ao mesmo tempo que cumpriam fielmente seus deveres filiais. As duas irmãs compraram uma chácara, em local deserto do Morro do Desterro, adaptando as toscas habitações nela existentes, onde as duas irmãs iniciaram a vida em comum.
O prêmio da obediência
     Um dia, Jacinta, na qualidade de superiora, dirigiu-se a Francisca e mandou-lhe plantar alguns pedregulhos, por estarem precisando de coentro, planta medicinal da família das umbelíferas.
     Francisca obedeceu incontinenti, regando todos os dias o que plantara, como se se tratasse de preciosas sementes. Deus Nosso Senhor abençoou aquele ato de obediência operando o milagre: daqueles pedregulhos nasceram magníficos coentros.
Obediência após a morte
     Em consequência do excessivo trabalho e das austeridades, Francisca foi atacada de congestão pulmonar. Durante os grandes sofrimentos da última doença, guardou sempre o mesmo semblante sereno e alegre. No dia 13 de julho de 1748, entregou a alma a Deus, aos 30 anos de idade.
Madre Jacinta de S.José
     Quando Madre Jacinta a foi amortalhar com algumas outras jovens, que a elas se tinham associado na mesma vida de austeridade, era tal a flexibilidade do corpo de Francisca, que sua irmã não conseguia colocar nele as meias. Disse-lhe, então, Madre Jacinta: "Francisca, não estareis quieta com essas pernas?" Imediatamente o cadáver suspendeu-as, de maneira a facilitar o trabalho da irmã.
     Entretanto, a notícia da morte da serva de Deus e do estado de seu corpo percorreu a cidade. Inúmeras autoridades vieram presenciar o milagre. O corpo foi depositado provisoriamente num sepulcro, mas o povo, acorrendo em massa para ver a "bem-aventurada" - como a chamavam - abriu a sepultura e o caixão. Uns moviam-lhe os braços, outros lhe abriam os olhos, admirados e louvando a Deus.
     Dias depois, os Irmãos Terceiros Franciscanos, querendo para si aquele tesouro, apesar do desejo contrário da Madre Jacinta, que desejava ter o corpo junto a si - com insistência e quase com violência - começaram a transportar os santos despojos para sepultá-los em sua igreja. Jacinta, no entanto, ordenou ao cadáver: "Francisca, veste-te de corrupção!". Imediatamente desapareceram todos os vestígios gloriosos e o corpo se corrompeu. Os Irmãos Terceiros, admirados, retiraram-se. Apenas tinham eles se afastado, o corpo recuperou sua incorruptibilidade anterior, sendo em seguida revestido com o hábito do Carmo e sepultado na capela do convento, onde se encontra até hoje.

Fontes: Notícias históricas pelas religiosas do Convento de Sta. Teresa, Rio de Janeiro; Frei Nicolau de São José OCD, "Vida da Serva de Deus Madre Jacinta de São José", Est de Artes Graf C Mendes Jr., Rio de Janeiro, 1933.

Origens do Convento de Santa Teresa, Rio de Janeiro
     No começo do século XVII foi construída por Antônio Gomes do Desterro, no Morro de Santa Teresa, uma ermida consagrada à Sagrada Família. Esta, sob invocação a Nossa Senhora do Desterro, era muito frequentada por romeiros e devotos e nela eram celebradas cerimônias do culto com regularidade. Assim formou-se o Caminho do Desterro, depois chamado Rua dos Barbonos e, a partir de 1870, Rua Evaristo da Veiga, na Lapa, centro do Rio de Janeiro.
     No tempo em que ainda permaneciam os capuchinhos na ermida do Morro do Desterro, havia no Rio de Janeiro uma moça de destacada família, Jacinta Rodrigues Aires, de acentuado espírito religioso e filha de João Batista Aires e D. Maria de Lemos Pereira. Em sua devoção, que incluíam visões e chamados de vozes que lhe determinavam uma missão a cumprir, subia ao Morro do Desterro para assistir aos atos religiosos celebrados pelos capuchos.
     No trajeto que percorria, chamou-lhe a atenção, o terreno semiabandonado da Chácara da Bica, no Caminho de Mata-Cavalos (atual Rua Riachuelo). A tranquilidade do local inspirou-lhe o desejo de ali construir um recolhimento consagrado à vida religiosa. Com a ajuda de seu tio, Capitão-Mor Manuel Pereira Ramos, tornou-se Jacinta Aires proprietária da velha chácara. Jacinta e sua irmã Francisca mudaram-se para lá, decididas a seguir a vida religiosa e adotaram nomes claustrais: Jacinta de São José e Francisca de Jesus Maria.
     Entusiasmado com a sua devoção, Gomes Freire de Andrade, o Conde de Bobadela, confiou a Jacinta a aspiração que ela tanto nutria: a construção de um convento de carmelitas sob a regra de Santa Teresa de Jesus, a Ordem das Carmelitas Descalças, da qual estava sendo a fundadora no Brasil. O local escolhido foi justamente a Ermida do Desterro e o autor do projeto foi o Brig. José Fernandes Alpoim (1700-1765), um dos principais nomes da arquitetura do século XVIII no Brasil colonial, como o Aqueduto da Carioca e o claustro do Mosteiro de São Bento, todos no Rio de Janeiro.
     Em 24 de junho de 1750, em grande solenidade, foi lançada a pedra fundamental da igreja e convento "debaixo da invocação e Título de Nossa Senhora do Desterro, para religiosas que hão de professar a regra de Santa Teresa", por Provisão do Bispo, de 15 de junho do mesmo ano.
     O Bispo D. Frei Antônio do Desterro, embora vendo com bons olhos a devoção das religiosas e o estabelecimento de mais um convento em sua diocese, não aprovava o exagero místico de Jacinta de São José e as regras demasiado severas de Santa Teresa, sendo estas ordenadas a professar, no novo convento, as regras de Santa Clara. Somente após a morte de D. Antônio do Desterro (1774) e sob ordem de D. Maria I, em 1777, realizou-se a profissão das monjas (em 1781), que se recolheram ao claustro do Convento que colocou sob a proteção de Santa Teresa o morro e o bairro.
     Sobre o Convento, Mons. Pizarro, em sua obra Memórias Históricas do Rio de Janeiro (ed.1825), assim o descreve: "O local do convento é mui agradável por se desfrutarem dali as vistas do mar, desde a barra até o interior da enseada e da terra, pelo centro da cidade e suas circunvizinhanças. O edifício, fabricado com prospecto regular, e majestoso, contem acomodações mui suficientes, e dentro dos seus muros um terreno sofrível, que as próprias habitantes fazem cultivar para seu recreio".
     No Brasil Pitoresco ( ed. 1859), Charles Ribeyrolles, achando encantador o sítio onde o construíram, escreve: " Castelo senhorial, que vale bem o castelo da Alma, ao qual se chega pelo caminho da perfeição ".

terça-feira, 10 de julho de 2012

Santa Amalberga de Temse, Virgem - Festejada 10 de julho

     Santa Amalberga, patrona de Temse, Bélgica, era, como sua homônima, da alta nobreza e destinada a possuir bens consideráveis, não somente na região das Ardennes, onde ela nasceu, mas também nas mais distantes regiões do país.
     Seu nome vinha de uma tradição antiquíssima entre os Ostrogodos, tanto que a sua dinastia era apontada como a dos “Amali”. O nome atualmente desapareceu e em seu lugar é conhecido na forma abreviada de Amália.
     Há três Santas com o nome Amalberga, dentre as quais duas foram contemporâneas e são festejadas no mesmo dia, 10 de julho, a virgem Amalberga de Temse e Santa Amalberga de Maubeuge.
     Segundo uma Vita escrita pelo monge Goscelin de Canterbury, do Mosteiro de São Pedro de Gand, Santa Amalberga nasceu nas Ardennes, na cidade de Rodingi (Bélgica), e foi educada no Convento de Munsterbilzen por Santa Landrada, onde recebeu uma formação profundamente religiosa que a fez afastar-se do mundo e receber o véu monacal pelas mãos de São Vilibrordo.
     Entretanto, um grande senhor, que se acredita ter sido Carlos Martel, pediu sua mão em casamento, mas ela recusou. E apesar de suas insistentes solicitações, ela se manteve fiel à sua consagração a Deus e se refugiou na igreja, prostrando-se diante do altar. A tentativa de Carlos de levantá-la foi inútil e resultou que o braço dela quebrou-se sem que ele atingisse seu objetivo.
     A tentativa deste rei custou-lhe uma doença que foi curada graças ao perdão e as orações de Amalberga. Ela havia se doado ao Rei dos reis, e queria ser fiel a Ele apesar das magnificências reais que Carlos poderia lhe oferecer. Nem o prestígio desta terra, nem todo o ouro pode superar a lealdade dela. A perseguição do rei obrigou-a a se refugiar em domínios longínquos, inicialmente em Materen, próximo de Audenarde (Flandre Oriental) e em seguida em Temse (*).
     Santa Amalberga faleceu rica em virtudes em Temse, cidade que a honra como sua patrona. Um século depois de sua morte, as suas relíquias foram transladadas de São Pedro do Monte Blandino para Gand, e foram ali expostas solenemente em 1073. Um documento escrito por Carlos o Calvo (823-877), datado de 1º de abril de 870, atesta que de fato as relíquias de Santa Amalberga, virgem, eram conservadas naquele Mosteiro.
     Foram atribuídos a ela numerosos milagres, entre os quais o de ter atravessado um rio sobre um enorme peixe (fato que é representado nas suas imagens). Segundo outra antiga legenda, o barco que transportava suas relíquias do Mosteiro de São Pedro do Monte Blandino para Gand, sob Baldwin Braço de Ferro, foi escoltado por uma multidão de esturjões, de onde viria o uso de um peixe nas suas representações.
     Santa Amalberga é particularmente venerada em Temse, Gand, Munsterbilzen e em outras localidades do Flandres. Ela é comemorada no dia 10 de julho.

(*) Temse, cidade belga de cerca de 27 mil habitantes, é conhecida por ter sido cristianizada por Santa Amalberga. A igreja gótica de Nossa Senhora foi construída em 1645, sobre as fundações da capela de Santa Amalberga do ano de 770. Desde o século XIII havia uma peregrinação dedicada aquela Santa que atraia peregrinos a Temse. Dentro da igreja foi erguido um túmulo para esta Santa em 1841. 

domingo, 8 de julho de 2012

Santa Verônica Giuliani, Abadessa - Festa 9 de julho

     Úrsula Giuliani nasceu em Mercatello, Urbino, perto de Milão, na Itália, em 1660, e entrou no convento dos Capuchinhos na Città di Castello, Úmbria, em 1677.
     Filha de uma família abastada, já em sua infância os sinais de futura santidade foram observados nela. Ainda menina  trazia  no coração um grande  amor  à Nossa  Senhora; praticava a penitência, a mortificação e se empenhava sinceramente na caridade para com os mais  necessitados. Aos 11 anos era fervorosa devota na Paixão do Senhor.
     Úrsula decidiu-se a tornar-se religiosa quando teve visões da Virgem Maria, mas seu pai se opunha. Ela insistiu e finalmente, em 1677, seu pai permitiu que ela se tornasse uma noviça do Convento dos Capuchinhos em Città di Castello, onde tomou o nome de Irmã Verônica.
     Sua personalidade, inicialmente,  pendia  para  o mal da teimosia, que  acabava  culminando  em desabafos e  violentas explosões de ira. Com a graça divina e sua energia  individual  conseguiu  vencer  estes defeitos e veio a ser a religiosa mística que representa uma verdadeira glória  para os membros de sua  Ordem, consequentemente para toda a Santa Igreja.
     Seu noviciado foi  difícil. Ela aumentou sua devoção à Paixão de Cristo e foi agraciada com visões de Jesus Cristo carregando a cruz e algum tempo depois começou a sentir dores no coração.
     Em 1693, teve outra visão na qual o Senhor lhe deu a tomar o cálice;  Verônica o aceitou e desde aquele momento os estigmas da Paixão começaram a se gravar em seu corpo e em sua alma. No ano seguinte apareceram sobre sua fronte as marcas da coroa de espinhos.
     Três anos mais tarde ela ouviu a Virgem Maria dizer a Jesus “Deixe tua noiva ser crucificada com Vós” e então, com a idade de 37 anos, ela recebeu os estigmas nas mãos, nos pés e no lado, num longo período de êxtase no dia 5 de abril de 1697, uma Sexta-feira Santa. Medicamentos foram dados a ela, mas os ferimentos não cicatrizavam. Ela escreveu com detalhes a sua experiência e disse como os raios de luz vieram dos ferimentos de Jesus e tornaram-se pequenas chamas de fogo em forma de prego e o quinto em forma de uma lança de ouro.
     Ao acordar do êxtase, ela encontrou os ferimentos ainda doloridos, o sangue e a água saindo do seu lado. Ela não queria que os ferimentos fossem vistos e os escondeu até 1700, quando Jesus prometeu que as marcas só ficariam mais três anos. Daí em diante só o seu lado sangrava.
     Logo após o seu primeiro aparecimento, os ferimentos foram examinados pelo bispo de Città di Castello que imaginou uma forma de excluir qualquer fraude. Os ferimentos foram envolvidos em bandagem, atados e lacrados com o selo do bispado, e ela foi cuidadosamente separada das outras Irmãs, sempre sob observação e guarda. Os ferimentos permaneceram. Durante seus êxtases ela exalava um odor suave e às vezes levitava.
     O bispo ficou impressionado por sua obediência e humildade, e convencido de que o fenômeno era genuíno. Um relatório favorável foi enviando ao Santo Oficio em Roma e foi permitido a ela continuar sua vida normal.
     Durante 34 anos Irmã Verônica desempenhou o cargo de mestra de noviças. Em 1716, onze anos antes de sua morte, foi eleita abadessa, cargo que exerceu por 11 anos.  Formava a suas noviças no exercício da perfeição e das virtudes cristãs, proibindo-as de ler livros sobre misticismo.
     Ela não só se empenhava na formação espiritual do seu mosteiro, como era também uma mulher prática. Como abadessa, o mosteiro sob sua direção teve um período de grande prosperidade até material: ela expandiu os prédios do mosteiro e nele instalou água encanada.
     Ao final de sua vida, Santa Verônica, que durante quase 50 anos havia sofrido com admirável paciência, resignação e alegria, se viu acometida de uma apoplexia que causou seu falecimento em 9 de julho de 1727.  Deixou escrito um relato de sua vida, uma autobiografia de 10 volumes escrita para seu confessor, que foi de grande utilidade no processo para sua beatificação. Suas experiências místicas foram autenticadas por várias testemunhas e publicadas após sua canonização.
     Antes de sua morte Santa Verônica havia dito ao seu confessor que os instrumentos da Paixão do Senhor estavam impressos em  seu coração, tendo ela desenhando seu próprio coração, representando estes instrumentos, pois dizia que os sentia porque mudavam de posição.
     Ao fazerem-lhe a autópsia, na qual esteve presente o bispo, o alcaide e vários cirurgiães,  descobriu-se em seu coração uma série de objetos minúsculos, que correspondiam aos que a Santa havia desenhado. Os exames também revelaram que a curvatura do seu ombro direito era como se ela tivesse carregado uma pesada cruz por muitos anos.
     Seu corpo se conserva incorrupto no Mosteiro de Santa Verônica, na localidade de Città di Castello, Úmbria, Itália. Foi beatificada em 1804 e canonizada em 1839.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Santa Darerca (Moninna) de Killeavy, Abadessa - 6 de julho

Killeavy
     Um dos mais importantes e antigos conventos da Irlanda foi fundado por Santa Darerca (ou Moninna) no século V. Ela construiu o Convento em Killeavy ao pé do Gullion Slieve e foi enterrada ali sob uma laje de granito no adro da igreja. Ainda hoje existe um poço dedicado a ela nas encostas do Gullion Slieve. Apesar de saqueado pelos vikings em 923, a vida monástica continuou no local e foi ocupado por freiras Agostinianas até 1542. A grande pedra de granito no cemitério arborizado marca o túmulo desta Santa para que os seus devotos o visitem em peregrinação para rezar pelos enfermos.
A Santa
     Santa Darerca (ou Moninna) de Killeavy foi uma das primeiras santas da Irlanda. Uma tradição diz que ela ganhou o nome "Moninna" quando curou um homem mudo e a primeira palavra que ele pronunciou foi "Ninna, Ninna"; diz-se também que quando ela era um bebê a primeira palavra que ela disse foi Ninna. Há versões do nome desta Santa, por exemplo, Darerca, Blinne ou Moninna, que significa em irlandês "minha filha".
     Após instrução na vida religiosa, Darerca fundou uma comunidade inicialmente composta por oito virgens e uma viúva com um bebê, em Sliabh Gullion, Armagh. Elas levavam uma vida eremítica baseada na de Santo Elias e de São João Batista.
     Moninna nasceu por volta de 432. Seu pai era Machta, rei do território de Louth de Armagh, e sua mãe era Comwi ou Coman, filha de um dos reis do norte. Diz-se que ela foi batizada e confirmada por São Patricio. Quando este Santo estava passando pelas terras de Machta, ele parou na casa de seus pais e previu que o nome Moninna iria ser lembrado ao longo dos tempos. É tradição também que ela teria sido consagrada a Deus por São Patricio. Ela trabalhou com Santa Brígida de Kildare por um tempo e elas se tornaram amigas íntimas
     Moninna tinha um irmão mais novo, Ronan, também um missionário. Ele tornou-se bispo e foi abade de Luncarty, perto de Dundeein, Escócia. Após Moninna ter trabalhado por sete anos em Staffordshire, São Patricio a enviou para a Escócia. Ali ela fez uma visita ao seu irmão, e então continuou seu trabalho de difusão do Evangelho fundando comunidades de freiras, que atendiam os doentes e os pobres.
     Na Escócia ela construiu igrejas em nome de Cristo. Um escritor do século 12 nos dá uma lista, ele escreve: "Ela também foi para a Escócia, onde ela construiu igrejas em nome de Cristo Estes são os seus nomes: Chilnecase (agora Whithorn) em Galloyway; outra sobre o cume da colina, que é chamado Dundeneval (agora Dundonald); uma terceira em outro morro, Dumbarton; uma quarta em uma fortaleza chamada Stirling; ainda uma quinta em Dunedin, que em Inglês é chamado Edeneburg; uma sexta na colina de Dunpeleder, e de lá ela cruzou o mar, em Albainn, a Santo André. Depois disto ela foi Alyth, onde há ainda uma bela igreja que ela construiu".
     No fim da vida ela se retirou para Killeavy, onde fundara um convento. Ela morreu por volta do ano 518. Santa Moninna foi sepultada em Killeavy e uma placa de granito foi colocada sobre seu túmulo.
     Nas encostas do Slieve Gullion há um poço sagrado chamado de Poço de Santa Moninna. É marcado por uma grande cruz branca. Em 1928, um santuário foi colocado sobre o poço com uma imagem da Virgem Maria. Na inscrição do poço se lê "Tobhar Naoimh Blathnaidh".
     Na região de Killeavy há ainda hoje uma grande devoção a Santa Moninna e as pessoas visitam o seu poço sagrado e sua sepultura, e a água desse poço cura problemas dos olhos e outras doenças. Santa Moninna é uma santa cujo carinho feminino cuida de todos e, como disse São Patricio, seu nome ainda é lembrado até os dias atuais.
     Moninna é celebrada em 6 de julho que é marcado por peregrinos que visitam o seu santuário em Killeavy.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Santa Isabel, Rainha de Portugal - Festejada 4 de julho

     Isabel de Aragão nasceu no palácio de Aljaferia, na cidade de Zaragoza, onde reinava o seu avô paterno, D. Jaime I. Era a filha mais velha de D. Pedro III e de D. Constança de Hohenstaufen. Por via materna era descendente de Frederico II, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, pois seu avô era Manfredo de Hohenstaufen, rei da Sicília, filho de Frederico II.
     A princesa recebeu o nome de Isabel por desejo de sua mãe, em recordação de sua tia Santa Isabel da Hungria, Duquesa da Turíngia. O seu nascimento veio acabar com as discórdias na corte de Aragão, pelo que o seu avô a chamava “rosa da casa de Aragão”.
     As virtudes da sua tia-avó viriam a servir-lhe de modelo e desde muito nova começou a mostrar gosto pela meditação, oração e jejum, não a atraindo os divertimentos comuns das jovens de sua idade. Isabel não gostava de música, passeios, nem joias e enfeites, vestia-se sempre com simplicidade.
     A infanta D. Isabel tornara-se conhecida pela beleza, discrição e santidade. As suas virtudes levaram muitos príncipes a se apresentarem a D. Pedro como pretendentes à mão da sua admirável filha.
     D. Dinis I de Portugal tinha 19 anos quando subiu ao trono e, pensando em casamento, convinha-lhe Isabel de Aragão; assim, D. Dinis enviou uma embaixada a Pedro de Aragão em 1280. Quando os embaixadores lá chegaram, estavam ainda à espera de resposta enviados dos reis de França e de Inglaterra, cada um desejoso de casar com Isabel um dos seus filhos. Aragão preferiu entre os pretendentes aquele que já era rei.
     Isabel estava mais inclinada a encerrar-se num convento, no entanto, como era submissa, viu na resolução dos pais a vontade do céu.
     A 11 de fevereiro de 1282, com 12 anos, Isabel casou-se por procuração com D. Dinis, tendo celebrado a boda ao passar a fronteira da Beira, na Vila de Trancoso, em 26 de junho do mesmo ano. Por esse motivo, o rei acrescentou esta vila ao dote que habitualmente era entregue às rainhas (a chamada Casa das Rainhas, conjunto de senhorios a partir dos quais as consortes dos reis portugueses colhiam as prendas destinadas à manutenção da sua pessoa).
     Nos primeiros tempos de casada Da. Isabel acompanhava o marido nas suas deslocações pelo país e com a sua bondade conquistou a simpatia do povo. Dava dotes a jovens pobres e educava os filhos de cavaleiros sem fortuna.
     Da. Isabel deu ao rei dois filhos: Constança (3/1/1290 – 18/11/1313), que casou em 1302 com o rei Fernando IV de Castela; e D. Afonso IV (8/2/1291 – 28/5/1357), sucessor do pai no trono de Portugal.
     As numerosas aventuras extraconjugais do marido humilhavam-na profundamente. Mas Da. Isabel mostrava-se magnânima no perdão, criando com os seus também os filhos ilegítimos de Dinis, aos quais reservava igual afeto.
     Entre seus familiares, constantemente em luta, desempenhou obra de pacificadora, merecendo justamente o apelido de "Anjo da paz". Desempenhou sempre o papel de medianeira entre o rei e o seu irmão D. Afonso, bem como entre o rei e o príncipe herdeiro. Por sua intervenção foi assinada a paz em 1322.
     A sua vida será marcada por quatro virtudes fundamentais: a piedade, a caridade, a humildade e a inquietude pela paz. Tornou-se uma mulher de grande piedade conservando em sua vida a prática da oração e a meditação da palavra de Deus. Buscou sempre a reconciliação e a paz entre as pessoas, as famílias e até entre Nações.
     Da. Isabel costumava dizer “Deus tornou-me rainha para me dar meios de fazer esmolas”. Sempre que saía do paço era seguida por pobres e andrajosos a quem sempre ajudava.
     D. Dinis morreu em 1325. Pouco depois da sua morte Da. Isabel peregrinou ao Santuário de Santiago de Compostela, fazendo-o montada num burro e a última etapa a pé, onde ofertou muitos dos seus bens pessoais. Há historiadores que defendem a ideia que ela terá se deslocado local duas vezes.
     Após a morte de seu marido, entregou-se inteiramente às obras assistenciais que havia fundado. Recolheu-se por fim no então Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, vestindo o hábito da Ordem das Clarissas, mas não fazendo votos, o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade. Só voltaria a sair dele uma vez, pouco antes da morte, em 1336.
     Nessa altura, Afonso declarara guerra ao seu sobrinho, o rei D. Afonso XI de Castela, filho da infanta Constança de Portugal, e portanto neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua mulher Da. Maria, filha do rei português. Não obstante a sua idade avançada e a sua doença, a rainha Santa Isabel dirigiu-se a Estremoz, cavalgando na sua mula por dias e dias, onde mais uma vez se colocou entre dois exércitos desavindos e evitou a guerra. No entanto, a paz chegaria somente com a intervenção da própria Maria de Portugal, por um tratado assinado em Sevilha em 1339.

     Da. Isabel faleceu, tocada pela peste, em Estremoz, a 4 de julho de 1336, tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Constavam também de seu testamento grandes legados a hospitais e conventos.
     Segundo uma história hagiográfica, sendo a viagem demorada, havia o receio de o cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que fazia, e conta-se que a meio da viagem, debaixo de um calor abrasador, o ataúde começou a abrir fendas, pelas quais escorria um líquido, que todos supuseram provir da decomposição cadavérica. Qual não foi, porém a surpresa quando notaram que em vez do mau cheiro esperado, saía um aroma suavíssimo do ataúde.
     Da. Isabel mandou edificar o hospital de Coimbra, o de Santarém e o de Leiria para receber enjeitados. Viveu uma profunda caridade sendo sempre sensível às necessidades dos mais pobres; o resto da vida praticou a pobreza voluntária, dedicando-se aos exercícios de piedade e de mortificações.
     O povo criou à sua volta uma áurea de santidade, atribuindo-lhe diversos milagres, como a cura da sua dama de companhia e de diversos leprosos. Diz-se também que fez com que uma pobre criança cega começasse a ver e que curou numa só noite os graves ferimentos de um criado. No entanto o mais conhecido é o milagre das rosas.
     Reza a tradição que durante o cerco de Lisboa D. Isabel estava a distribuir moedas de prata para socorrer os necessitados da zona de Alvalade, quando o marido apareceu. O rei perguntou-lhe: “O que levais aí, Senhora?” Ao que ela, com receio de desgostar a D. Dinis, e, como que inspirada pelo céu respondeu: "Levo rosas senhor”, e, abrindo o manto, perante o olhar atônito do rei, não se viram moedas, mas sim rosas encarnadas e frescas.
     Por ordem do bispo D. Afonso de Castelo Branco abriu-se o túmulo real, verificando-se que o corpo da saudosa Rainha estava incorrupto. Beatificada pelo Papa Leão X (breve de 15/4/1516), a canonização solene teve lugar em 1625, pelo Papa Urbano VIII. Quando esta notícia chegou à cidade realizaram-se grandes festejos que se prolongam até aos nossos dias. É reverenciada a 4 de julho, data do seu falecimento.
     O seu marido, D. Dinis, repousa no Mosteiro de São Dinis, em Odivelas.
Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra, onde se encontra o sarcófago de Sta. Isabel

terça-feira, 3 de julho de 2012

Beata Maria Ana Mogas Fontcuberta, Fundadora - 3 de julho

    Seus pais, Lourenço Mogas e Madalena Fontcuberta, eram abastados proprietários de terras. Maria Ana Peregrina Mogas nasceu em Carró de Vall (Granollers, Barcelona, Espanha) no dia 13 de janeiro de 1827 e foi batizada no dia seguinte. Educada pela família numa vida cristã coerente, frequentou com proveito a escola elementar.
     A serenidade da família foi abalada em 1834 com o falecimento do pai, seguida pela da mãe em 1840. Sua tia e madrinha, Maria Mogas, levou-a para Barcelona, onde continuou seus estudos.
     Por volta de 1848, Maria Ana, que era orientada a uma vida piedosa e ao apostolado paroquial, se uniu a um grupo de noviças capuchinhas exclaustradas pela perseguição antirreligiosa daquele tempo, as quais tinham a intenção de constituir um centro para a educação da juventude.
     Aconselhada e dirigida espiritualmente pelo Pe. José Tous, que também vivia fora do convento, as três amigas fundaram o Instituto das Terciárias Capuchinhas do Divino Pastor em Ripoli (Gerona). A Casa de Ripoli foi aberta em 25 de maio de 1850 e no dia 13 de junho seguinte Maria Ana Mogas, com o consentimento do seu pároco e da tia, reuniu as companheiras tornando-se a primeira superiora, embora fosse ainda uma noviça.
     As religiosas passaram a ser conhecidas na cidade como as “senhoras do ensino”. Em 25 de janeiro de 1851, Maria Ana fez a profissão e tornou-se efetivamente a Superiora; em março de 1853 conseguiu o diploma de professora que a habilitava a dirigir a escola.
     Com a retirada de uma de suas companheiras, que preferiu entrar num convento de clausura, e com o Pe. José Tous, nomeado diretor geral, mas que residia em Barcelona, todos os trabalhos ficaram a cargo de Maria Ana, que com uma direção sábia alcançou um desenvolvimento extraordinário do Instituto. O número de religiosas aumentou nos primeiros anos e ela procurou aperfeiçoá-las na conduta, na observância e no método de ensino, em proveito das alunas.
     Aproveitando-se dos sábios conselhos de Santo Antônio Maria Claret (1807-1870), não fundiu o seu Instituto com outras comunidades, e entre 1858 e 1862 abriu outras casas em San Quirico de Besora, Capellades e Barcelona.
     Em 1865, a convite do bispo demissionário, D. Benito Serra, abriu e dirigiu, com três religiosas, em Castiglia a Ciempozuelos, um centro destinado a acolher e reeducar as jovens caídas na prostituição, mas este tipo de apostolado não coincidia com a missão para a qual as religiosas aderiram e estavam preparadas, e foram substituídas pelas Oblatas do SSmo. Redentor.
     Após nova decepção em Madri, Madre Maria Ana decidiu fundar um grupo por conta própria e não a serviço de outros. Pedindo conselho a Santo Antônio Claret, que a ajudou a encontrar uma casa e benfeitores, iniciou um trabalho de ensino nos quarteirões pobres de Madrid, e em 1868 abriu um colégio naquela cidade.
     Em 1871, o Pe. José Tous faleceu repentinamente, quando se dedicava a obter a aprovação oficial da Congregação das Capuchinhas da Mãe do Divino Pastor.
     Madre Maria Ana enfrentou mais uma dificuldade: a direção do Instituto ficava difícil devido à distância entre as comunidades de Barcelona e Madrid. Ela se dirigiu ao Cardeal Cirilo Alameda, primaz de Toledo, para lhe entregar a direção exercida pelo Pe. Tous, mas as Irmãs de Barcelona se opuseram e não a reconheceram mais como superiora.
     Seguiu-se uma ruptura em duas comunidades: as Franciscanas Missionárias da Mãe do Divino Pastor, com as Irmãs que seguiram Madre Mogas; e as Capuchinhas da Mãe do Divino Pastor, com as religiosas de Barcelona. Os dois Institutos foram constituídos legalmente em 26 de novembro de 1872. As Constituições dos dois Institutos foram aprovadas naquele dia pelas respectivas dioceses.
     Todas as tentativas de reunificação foram inúteis e causaram muitos sofrimentos morais e físicos à Fundadora.
     Nos anos seguintes, Madre Mogas abriu sete casas em várias cidades espanholas, iniciando também uma tentativa missionária em Tanger, África. Em 1883, Madre Maria Ana fundou um colégio em Fuencarral. Os marqueses de Fuente Chica cederam de início o piso inferior de seu palácio para a fundação; logo depois os campos no entorno, e finalmente a fizeram sua herdeira.
     Madre Maria Ana Mogas Fontcuberta teve um primeiro ataque de apoplexia em 1878, e seu físico foi deteriorando progressivamente. Mas, quando a peste se difundiu, Madre Maria Ana fez tudo o que pode para ajudar os doentes.
     Após ter dedicado sua vida ao serviço das suas religiosas e da juventude, morreu em 3 de julho de 1886 na Casa de Fuencarral (Madrid), com fama de santidade: “Morreu uma santa”, se ouvia por toda a cidade.
     A causa de sua beatificação foi introduzida em Roma a 11 de junho de 1977; foi proclamada beata na Praça de São Pedro em 6 de outubro de 1996.

Madre Mogas e Maria Divina Pastora
     A figura de Maria, sob o título de Divina Pastora ou Mãe do Divino Pastor, aparece na vida de Maria Ana, com os primeiros contatos com a Ordem dos Capuchinhos. Esta devoção em Maria Ana é profundamente enraizada e ela a prova de várias maneiras.
     As regras de 1850, compilados em 1862, depois de dizer que a imagem da Divina Pastora presidiria todos os atos da Comunidade como uma abadessa Suprema, acrescenta:
     "Depois da comunhão neste dia (festa da Divina Pastora), reunida toda a Comunidade na capela, colocada diante da imagem da Divina Pastora, estando iluminado o altar, farão a seguinte a proclamação a AUGUSTA MÃE, NOSSA DIVINA PASTOR, SUPREMA ABADESSA DESTE INSTITUTO".
     A "proclamação" é uma longa oração à Santíssima Virgem "doce e terna Mãe, Padroeira e Abadessa do Instituto ... para renovar nossas homenagens e a promessa de obedecer tudo quanto nos prescrever aquela que de sua parte, em seu lugar e em vosso nome nos dirige... ". A Superiora governará em nome de Divina Pastora e as Irmãs renovarão em sua festa o voto de obediência.

domingo, 1 de julho de 2012

Santa Ester, Rainha da Pérsia - 1 de julho

     Esta heroína, como também Judite, deu o nome a um dos livros das Sagradas Escrituras. Por ocasião da morte de seus pais, foi adotada por seu tio Mardoqueu. Ambos pertenciam à tribo de Benjamim. A família havia sido deportada no ano 597 a.C., no tempo do rei Nabucodonosor, e Mardoqueu nascera no exílio.
     Mardoqueu cuidou de Ester como se fosse a pupila de seus olhos.
     Xerxes I, conhecido com o nome de Assuero (485-465 a.C), foi o terceiro sucessor de Ciro, rei dos persas. Ele havia repudiado sua mulher, Vasti, porque ela recusara obedecê-lo, e procurava uma nova esposa. Por conselho de Mardoqueu, Ester se candidatou, mantendo em segredo que era judia. E o rei a elegeu sua esposa favorita. Para manter viva a lembrança de seu matrimônio com Ester, concedeu indultos, distribuiu benesses e concedeu paz a todas as províncias de seu reino.
     Mardoqueu tornou-se agradável ao rei por ter descoberto um atentado contra a sua vida e comunicado o fato à Rainha Ester.
     Mas Aman, primeiro-ministro de Assuero, homem soberbo e cruel, impôs a seus subordinados a obrigação de ajoelharem-se diante dele. Ora, o hebreu Mardoqueu (os hebreus tinham sido feitos cativos pelos persas) não quis proceder dessa forma com Aman porque julgava que esta homenagem era devida somente a Deus. Por esta razão, Aman fez promulgar um decreto condenando à morte todos os hebreus.
     Mardoqueu pediu que Ester intercedesse junto ao rei para que a matança não acontecesse. Ester sabia que ninguém podia ver o rei sem antes ter sido convocado pelo monarca; apresentar-se diante dele sem ter sido chamado tinha como pena a morte.
     Depois de ter se preparado com jejuns e orações a Deus, Ester se apresentou diante do rei e o convidou para um banquete em seus aposentos reais. Xerxes aceitou com muito gosto o convite. Durante a recepção, na qual estava presente Aman, ele ouviu o pedido que ela lhe fazia. E como havia prometido que atenderia qualquer pedido que ela fizesse, não pode negar diante dos rogos de Ester: o ministro Aman foi condenado e o povo judeu se salvou graças à intercessão da Rainha Ester.
*
     O primeiro ministro Aman, que desejou a condenação dos hebreus, representa o príncipe das trevas, o demônio.
     Ester é uma pré-figura de Maria, pois pela intercessão da Santíssima Virgem junto a seu Divino Filho o gênero humano obteve seu resgate e todos os filhos espirituais dEla são salvos da morte eterna.
     São Boaventura proclama: “Virgem santa, verdadeira Ester, vós sois o apoio e a consolação de todo bem”.