segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Beata Vitória Rasoamanarive, Viúva e princesa de Madagáscar - 21 de agosto

     A Beata Vitória Rasoamanarive, nasceu em 1848 na cidade de Tananarive na grande Ilha de Madagáscar (*), e pertencia a uma das mais poderosas famílias dos Hovas: seu avô materno foi primeiro ministro por vinte anos quando era rainha Ranavalona (1832-1852) e era irmã de Rainilaiarivony, que exerceu a mesma função por mais de 30 anos, de 1864 a 1895.
     Segundo o uso do país, foi adotada pelo irmão mais velho do pai, de quem se sabe pouco; o tio Rainimaharavo era comandante geral do exército malgaxe.
     Rasoamanarive (este era seu nome original) cresceu recebendo, principalmente da mãe, uma ótima educação moral e seguia a religião idolátrica dos seus ancestrais. Mas quando alguns missionários franceses chegaram a Madagáscar, e se estabeleceram em Tananarive, ela ingressou na escola das Irmãs de São José de Cluny, abraçou a fé católica e no dia de Todos os Santos de 1863 foi batizada, recebendo o nome de Vitória.
     Madagáscar sofria então influência colonial da França, o que resultava em descontentamentos e tumultos; quando o Rei Radana II, considerado demasiado amigo da França foi afastado, se desencadeou uma perseguição mais ou menos aberta contra a missão católica, pois a nacionalidade francesa dos missionários supunha um apoio aos interesses coloniais da França.
     Vitória teve que suportar a insistência de seu pai adotivo que procurava convencê-la a deixar a fé católica e retornar ao paganismo, ou abraçar a fé anglicana, que naquele tempo estava bem radicada em Madagáscar. Vitória resistiu com firmeza a todos os pedidos, ameaças e até castigos corporais. Pensou mesmo em ingressar num convento. Todavia os missionários foram de parecer que isso era uma imprudência e aconselharam-na a permanecer na família e a ser apóstola no mundo.
     Finalmente ela contraiu matrimônio em 13 de maio de 1864, perante um sacerdote católico, com o jovem Radriaka, filho do primeiro ministro e comandante do exército. O marido era um homem dissoluto, o que provocou tais sofrimentos à jovem esposa, que chegou a ser aconselhada pelos parentes a se divorciar. Ela, porém, cônscia da indissolubilidade do matrimônio e certa de que provocaria escândalo perante a opinião pública uma princesa católica se divorciar, preferiu aguentar a dolorosa situação até à morte de Radriaka, que ocorreu em 1887.
     Pelos seus magníficos exemplos de vida autenticamente cristã, conquistou a simpatia e o respeito de todos: povo e autoridades. Serviu-se desse prestígio para se tornar o sustentáculo da fé católica defendendo-a continuamente junto a rainha e ao poderoso primeiro ministro nos anos em que os missionários foram expulsos (1883-1886). Intervinha para que as igrejas e as escolas católicas permanecessem abertas, encorajava os católicos enviando mensageiros ou indo pessoalmente aos vilarejos vizinhos. Visitava os pobres, os presos e os leprosos, procurando socorrê-los na medida do possível.
     Segundo uma expressão malgaxe, tornou-se “Pai e Mãe” dos fieis e a coluna da Igreja, que ficou privada de seus pastores. Quando em 1886 os missionários puderam retornar, encontraram uma comunidade católica florescente e vigorosa, resultado de seu mérito.
     Sofreu várias enfermidades com grande paciência e faleceu no dia 21 de agosto de 1894, aos 46 anos. Foi grande o pesar do povo. Embora não desejasse, foi sepultada triunfalmente no mausoléu de seus antepassados em Tananarive.
     A causa de sua beatificação foi iniciada somente em 14 de janeiro de 1932. Depois do processo canônico e da comprovação de um milagre atribuído à sua valiosa intercessão, foi beatificada pelo papa João Paulo II em 29 de abril de 1989, em Antananarivo, Madagáscar.  

AAS 84 (1992) 493-6; L'OSS. ROM. 7.5.1989. 

(*) Madagascar é a quarta maior ilha do mundo, depois da Groenlândia, Nova Guiné e Bornéu. Situa-se a 200 milhas da costa da África, no Canal de Moçambique no sul do Oceano ìndico. A capital, Antananarivo, fica mais ou menos no meio da ilha. Madagascar é também chamada de “a grande ilha vermelha” por causa dos seus solos avermelhados, ruins para a agricultura.
     Os primeiros grupos humanos a chegarem à ilha foram os malaio-polinésios há dois mil anos. A partir do século X começam a migrar povos africanos e comerciantes árabes. Os árabes batizaram a ilha de "Jaziral al Gamar", que em português significa "Ilha da Lua". Nesse período algumas cidades malgaxes como Ilharana e Nosy-Manja já realizavam comércio com mercadores árabes e indianos.
     Os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem à ilha, no século XV. Em 1500 o navegador Diogo Dias batizou a ilha de São Lourenço. Os franceses fundaram em 1643 Fort Dauphin, atual Toliara no extremo sul da ilha, que serve como base de proteção às possessões francesas nas Ilhas Reunião.
     A França estabeleceu o protetorado na ilha em 1885, com a derrota da rainha Ranavalona III, que dois anos mais tarde também foi exilada na Argélia, e Madagáscar passou a ser uma colônia. Em 1905 foi estabelecida a União Malgaxe, em que os merinos com ajuda francesa conquistaram definitivamente a ilha.
Tananarive, Madagáscar

domingo, 19 de agosto de 2012

Beata Maria Climent Mateu Virgem e mártir - Festa 20 de agosto

     Nasceu em Játiva no dia 13 de março de 1887 no seio de uma piedosa família. Seu tio Joaquim Clement era vigário da paroquia de Santa Tecla, e desde pequena a iniciou na vida espiritual intensa: uma hora de oração, missa e comunhão diária. Desde jovem apresentou uma espiritualidade robusta. Decidiu ser uma apóstola secular, vivendo com intensidade sua condição de membro da Ação Católica e fazendo quanto bem podia ao seu redor.
     Terciaria franciscana, Maria dos Sacrários, membro do Apostolado da Oração e da Adoração Noturna, tinha a Eucaristia como centro de sua vida espiritual, amando também singularmente a Liturgia e o decoro da casa de Deus. Era intensamente devota da Virgem Maria, fomentando a obra do Rosário Perpétuo.
     Sua vida interior se direcionava nas obras sociais, como o Apostolado Social da mulher, o Sindicato Católico Feminino, dirigindo a Caixa Dotal e a Mutualidade de Enfermas do mesmo. Ela era de economia modesta, porém tinha habilidade para tirar fundos das pessoas a fim de sustentar as obras sociais que desenvolvia.
     Quando a revolução de julho de 1936 chegou, Maria foi avisada que corria perigo e que seria melhor ir para um local em que passasse despercebida; ela, porém preferiu ficar em Játiva e abandonar-se a vontade de Deus: “Se for vontade de Deus que me matem, por mais que me esconda me encontrarão, assim sendo, fico aqui”.
     No dia 20 de agosto, às três da manhã, os milicianos chegaram a sua casa para prendê-la. Sua mãe, Júlia Mateu, não quis deixá-la sozinha: “Juntas estivemos sempre. Eu te ensinei a amar a Deus e por isso te querem matar. Aonde tu fores eu irei contigo”. Os milicianos insistiram que contra ela não havia nada, que ficasse, mas foi inútil, foi com Maria.
     Na obscuridade da noite levaram mãe e filha para um cemitério onde iriam fuzilá-las. Elas iam rezando em voz alta. Exigiram que se calassem, mas elas continuaram suas orações, o que exasperou ainda mais os verdugos. Começaram a golpeá-las com crueldade. Exigiram que elas gritassem Viva o comunismo! Retorceram o braço de Maria até que quebrasse e deram bofetadas em Júlia. Elas gritavam: Viva Cristo Rei! Diante de sua fortaleza, os milicianos, derrotados, não esperaram chegar ao cemitério e decidiram acabar com elas no caminho. Maria tinha 55 anos e sua mãe Júlia era setuagenária.
     Na manhã do dia 21 de agosto, seus familiares foram buscar seus cadáveres, e escreveram: “Achamos o de Maria a beira do caminho com suas roupas, porém ao descobri-lo, suas carnes apareceram amarrotadas pelos golpes, e a cabeça totalmente desfigurada. Apresentamo-nos ao Comité pedindo permissão para enterrá-las. A impressão que o fato produziu em Játiva foi de horror e indignação. Todos atribuíam sua morte o ser ela uma cristã de tanto destaque e tão boa propagandista de sua Religião Católica”.
     Foi beatificada em 11 de março de 2001 pelo Papa João Paulo II na cerimônia conjunta dos 233 mártires da perseguição religiosa em Valencia nos anos 1936-1939. 
Fontes: «Año Cristiano» - AAVV, BAC, 2003; http://hispaniamartyr.org/Martires/20_8_Climent.pdf

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Santa Joana Delanouë, Fundadora - Festejada 17 de agosto

     Joana Delanouë nasceu em Saumur, cidade às margens do Rio Loire, no dia 18 de junho de 1668, a última de uma família de doze filhos. Seus pais possuiam uma loja de armarinho perto do santuário de Nossa Senhora de Ardilliers. Ela perdeu o pai aos seis anos e apesar de sua pouca idade ajudava a mãe a tocar a loja para sustentar toda a família.
     Aos 26 anos, Joana herdou o estabelecimento familiar e veio a mostrar-se nele comerciante habilidosa e ávida de ganhos. As suas qualidades são notáveis: inteligente, ativa, infatigável.
     Num dia de inverno de 1693, notavelmente áspero, vem ter com ela uma boa mulher que por devoção a Nossa Senhora passara a vida em peregrinações, e diz: “Joana, dá-te à caridade; em São Florêncio esperam-nos seis crianças pobres num curral”. Joana recolheu-as em sua casa. Era o ponto de partida da sua vocação.
     Apesar de suas responsabilidades acrescidas, ela passou a cuidar de alguns pobres; ela cuidava deles todos os dias, além de seus clientes.
      Durante cinco anos levou a sério os seus negócios, e se dedicou às obras de caridade cada vez mais numerosas. Passaram a chamá-la “mãe dos pobres”.
     Aos trinta anos deu o passo decisivo: passou a loja a uma sobrinha e transformou a casa em asilo a que chama “a Providência”. Este asilo desaba, mas ela em breve cria três novos. Recolheu assim mais de cem crianças: órfãos, meninas abandonadas, velhos, indigentes.
     Em 1703 uma companheira passou a ajudá-la e em seguida outras duas, uma das quais é a sua sobrinha. São os princípios da Congregação de Santa Ana da Providência, cujas Constituições receberam a aprovação da Igreja em 1709.
     A Irmã Joana da Cruz, assim passou a chamar-se, quer que as suas irmãs vivam numa casa semelhante à dos pobres, que se alimentem como eles e como eles sejam tratadas em caso de doença.
     A tenacidade de Irmã Joana, assistida por belos devotamentos, resultou na fundação do primeiro hospital de Saumur em 1715; ele tinha sido pedido pelo Rei Luís XIV em 1672!...
     Seu amor transbordou rapidamente além dos limites da sua cidade de Saumur e de sua diocese. Ela já tem quarenta auxiliares, todas às suas ordens, e que haviam decidido seguir o seu exemplo de oração, dedicação e mortificação.
     Provações não lhe faltaram: conforme mencionado, o desabamento da casa transformada em asilo; a falta de dinheiro, as críticas de pessoas qualificadas que acham exagerada sua austeridade e classificam de desordenada sua caridade. Quanto aos pobres, ela mostra-se para com eles cheia de atenções. Pobre com os pobres, não hesita em pôr-se a mendigar.
     Quando de seu falecimento, em 17 de agosto de 1736, aos 68 anos, Joana Delanouë deixou uma dúzia de comunidades, asilos e escolas. "A Santa morreu!", dizem em Saumur.
     Todos admiravam o seu zelo, a sua ação nas muitas visitas feitas ou recebidas, mas apenas seus amigos mais próximos conheciam sua mortificação, sua vida de oração e união com Deus. Uma palavra sua resume-lhe a vida: “Quero viver e morrer com os meus queridos irmãos, os pobres”.
     As Irmãs de Joana Delanouë, como são chamadas agora, atualmente são cerca de 400 religiosas na França, Madagáscar e Sumatra, onde elas foram fundadas em 1979.
     Em 5 de novembro de 1947 Pio XII colocou Joana Delanoue entre os Bem-Aventurados. Em 31 de outubro de 1982 o Papa João Paulo II acrescentou Santa Joana Delanouë, a “Mãe dos Pobres” no calendário dos Santos da França.

Fontes: Santos de Cada Dia, www.jesuitas.pt; www.santiebeati/it
Igreja de Na. Sra. des Ardelliers, Saumur

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Beata Isabel Renzi, Fundadora - Festejada 14 de agosto

     Maria Isabel, filha de João Batista Renzi e de Vitória Boni, veio ao mundo em Saludecio (Itália), a 19 de novembro de 1786, no seio de uma rica família. A família se transferiu para Mondaino em 1791. Isabel foi educada pelos pais e pelas Clarissas de Mondaino. Como decorreu a sua vida é-nos relatado por João Paulo II no dia da sua beatificação, a 18 de junho de 1989:
     «Seguindo o desígnio de Deus, misteriosa e humanamente inexplicável, Isabel Renzi cumpriu a sua vocação como quem "lançou a semente na terra... a semente germina e cresce, sem ele saber como" (Mc 4, 26-27).
     Em 1807, com a idade de 21 anos, desejando doar-se completamente a Deus e aos irmãos, decidiu fazer uma experiência no Mosteiro Agostiniano de Pietrarubbia.
     No borrascoso período da invasão francesa, que seguiu à revolução, Isabel foi quase arrancada do escondimento do mosteiro das Monjas Agostinianas, em 1810, pois um decreto napoleônico suprimiu os mosteiros. Mas, reinserida no mundo, pôde conhecer melhor as urgentes necessidades da Igreja do seu tempo e dar-se conta de que um novo chamamento do Senhor lhe dizia respeito.
     Deus mesmo a tinha, por assim dizer, transplantado junto dos problemas da juventude feminina da sua terra. Compreendeu assim que era preciso preparar as jovens do povo para enfrentarem as novas condições de vida que as esperavam numa sociedade secularizada, em contato com as novas estruturas políticas e administrativas, não raro adversas à fé. Isabel deu-se conta, com intuito profético, de que estava a surgir uma época em que a mulher haveria de assumir novas responsabilidades sociais.
     Aconselhada por seu diretor espiritual, Pe. Vitale Corbucci, que assegurara que sua missão era a de educadora, mudou-se para Coriano em 29 de abril de 1824, para atuar na escola para moças e senhoras pobres conhecida como “Conservatório”. Santa Madalena de Canossa visitando a pequena comunidade de Coriano conheceu pessoalmente Isabel Renzi e aconselhou-a a tomar a direção do Conservatório. Isabel aceitou a decisão do Bispo de Rimini, Mons. Otávio Zollio, que a nomeou Superiora da comunidade.
     Em 29 de agosto de 1839, na igreja paroquial de Coriano, Isabel Renzi e dez companheiras ofereceram a vida a Deus e aos irmãos com a profissão dos Conselhos Evangélicos, e receberam o hábito das Mestras Pias da Dolorosa. Depois de Coriano Madre Isabel fundou a comunidade de Sogliano, Roncofreddo, Faenza, Cotignola, Savignano de Romanha, Mondaino.
     Poder-se-ia dizer que Isabel Renzi se tomou fundadora não tanto por uma opção quanto porque uma série de circunstâncias a levaram e quase a constrangeram a realizar uma obra orgânica e estável em beneficio das jovens na sua terra Romanha. Mas teve que enfrentar para isto enormes dificuldades e lutou com discernimento iluminado para vencer obstáculos que a tentação, com frequência, lhe apresentava como insuperáveis. A sua regra de vida foi precisamente a de abandonar-se a Deus, a fim de que Ele dispusesse os passos e os tempos para o desenvolvimento da obra como lhe agradava. (...)
     Como uma semente lançada à terra, Isabel suportou as suas provações com ativa esperança. Escreveu: "Quando tudo se complicava, quando o presente me era tão doloroso e o futuro me parecia ainda mais escuro, fechava os olhos e abandonava-me como uma criancinha nos braços do Pai que está nos céus".
     Faleceu santamente em Coriano a 14 de agosto de 1859, aos 72 anos de idade. Seus restos mortais são venerados na Capela da Casa-mãe em Coriano, na Província e Diocese de Rimini. 
L'OSS. ROM. 25.6.1989; DIP 7,1687-9; 5, 824-6.
Fonte: Pe José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Ed. A.O. – Braga; www.santiebeati/it
Coriano, Província de Rimini, Itália

sábado, 11 de agosto de 2012

Beata Gertrudes de Altenberg, Abadessa premostratense - 13 de agosto

     Gertrudes veio ao mundo no dia 29 de setembro de 1227, algumas semanas após a morte de seu pai, Luís IV, Landgrave da Turíngia, na cruzada. Recebeu o nome de sua avó materna, Gertrudes da Merania, esposa do Rei André II da Hungria. Sua mãe, Santa Isabel de Hungria, ensinou-a a rezar e a ler desde pequena, recebendo assim uma profunda educação religiosa.
     Devido a conflitos familiares e sucessórios, após a morte de Luís IV os dois irmãos do falecido monarca afastaram a viúva Santa Isabel e tomaram à força a custódia de seu filho. Santa Isabel abandonou o palácio abraçando uma vida de pobreza e humildade, enviando Gertrudes, ainda menina, para o convento das monjas premostratenses junto a Wetzlar, em Altenberg.
     Isabel morreu poucos anos após o nascimento de Gertrudes; a comunidade de Altenberg lembrava-se sempre das suas visitas, ao longo das quais ela tinha costume de tricotar em companhia das irmãs.
     Com a idade de 8 anos Gertrudes foi conduzida a Marburg para assistir à canonização de sua própria mãe, em maio de 1235.
     Gertrudes nunca mais deixou o claustro e a partir de 1248 tornou-se abadessa com a idade de 21 anos, tendo ficado na direção da comunidade por 49 anos no total.
     Ela foi sempre uma religiosa obediente e comprometida com sua comunidade. Usando a herança deixada pelos pais, ela construiu a igreja abacial do mosteiro no mesmo estilo gótico de Marburg, dedicada a Virgem Maria e a São Miguel.
     Gertrudes edificou também um hospital e um asilo para os pobres junto ao mosteiro, seguindo o exemplo de sua mãe, que havia provado seu amor por Cristo colocando-se à disposição total dos pobres e doentes. Nos relatos da vida de Gertrudes conta-se que um dia cuidando dos doentes, ela teria declarado: "Como é bom poder servir ao Senhor!"
     Depois que o Papa Urbano IV renovou o chamado à cruzada, Gertrudes foi uma fervorosa advogada dessa causa. Com a ajuda de suas irmãs e de nobres damas, ela arrecadou uma soma necessária para pagar o equipamento das cruzadas.
     Outro fato importante da sua vida: a festa do Corpo e Sangue de Cristo foi expandida para toda a Igreja por uma bula do Papa Urbano IV, em 1264. Essa nova festa encontrou uma viva resistência por parte de alguns, não sendo comemorada durante 50 anos em muitos lugares, mesmo nos arredores de Roma. Entretanto, Gertrudes já havia introduzido a festividade em Altenberg por volta de 1270, sendo comemorada com grande solenidade. Gertrudes aparece como uma das primeiras superioras a introduzir essa festa eucarística.
     Ela dedicou-se durante toda a sua vida ao serviço dos pobres, e em particular dentro do hospital que havia construído no mosteiro. Ela tinha o dom de reconciliar as pessoas, para as quais ela suplicava a graça divina numa vida de penitência e mortificação.
     Após um longo período de enfermidade, no dia 13 de agosto de 1297 Gertrudes nasceu para o Céu. Foi sepultada na igreja conventual de Altenberg.
     A Beata se distinguiu pelo espírito de penitência e pelo dom de prever eventos futuros. Não muito depois de sua morte Clemente VI autorizou o seu culto público no cenóbio de Altenberg (1311). O seu culto foi definitivamente aprovado por Bento XIII em 1728, e enriquecido de indulgências. É celebrada no dia 13 de agosto.

Martirológio Romano: No Mosteiro de Altenberg próximo de Wetzlar, na Alemanha, Beata Gertrudes, Abadessa da Ordem Premostratense, que ainda menina foi oferecida a Deus naquele local pela mãe, Santa Isabel, Rainha da Hungria.

Mosteiro de Altenberg

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Santa Pletrudes, Fundadora - Festejada 10 de agosto

     Ela nasceu de uma família nobre perto de Trier. Ugoberto, seu pai, parente do santo bispo Teodardo, tornou-se, em 705, Bispo de Maastricht e sua mãe era, como agora é geralmente reconhecida, a Beata Irmina, que morreu como abadessa de Oren e está provavelmente enterrada em Weissenburg.
     Pletrudes se casou com o francês Pepino e exerceu uma influência benéfica sobre ele; tiveram dois filhos, Drogo e Grimaldo que morreram prematuramente. Seu relacionamento com o marido, no entanto, foi muitas vezes ofuscado pela presença de uma concubina, Alpaida (Chalpaida), que deu à luz Carlos Martel.
     Em 697-98, ela teve uma participação decisiva na fundação do mosteiro de Echternach, que fica no território de Luxemburgo atualmente, que foi dado a São Vilibardo para dirigi-lo, e do mosteiro de Kaiserswerth, com a ajuda de São Suitberto. A partir destes dois centros partiram missionários anglo-saxões em particular para a conversão dos frísios.
     Após a morte de Pepino, em 714, Pletrudes confiou a regência a Carlos Martel e retirou-se para Colônia, onde fundou uma igreja em honra da Mãe de Deus, que mais tarde ficou conhecida como "Santa Maria no Capitólio", e uma comunidade monástica.
     Segundo a tradição, ela faleceu em Colônia, em 10 de agosto de 725. O culto de Santa Pletrudes limitou-se à igreja fundada por ela e ao convento de Santa Maria no Capitólio, onde seu túmulo ficava no meio do coro antes do altar-mor; na cobertura do túmulo o retrato da Santa foi esculpido no século XI.
     As informações sobre Pletrudes resultam sobretudo da Chronica Regia do século XII, que embora seja tardia, o fato é que a tradição que a considera santa e fundadora se manteve ininterruptamente. O dia de sua morte foi sempre celebrado como uma "memoria Plektrudis reginae fundatricis huius ecclesiae", e, apesar da opinião do Bollandistas, seu culto é provado sem qualquer dúvida.
     O Calendário de Essen, séculos XIII e XIV, registra o seu nome, bem como a Ladainha do Liber Capitularis de Santa Maria no século XIV. Sua festa era celebrada inicialmente em 10 de agosto; mais tarde em 11 de agosto e também em 18 de setembro. 
Echternach, Luxemburgo, vendo-se ao fundo a Abadia

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Beata Maria Margarida do Sagrado Coração, Fundadora - Festa 8 de agosto

     Natural de Poggio a Caiano (Itália), veio à luz do dia a 2 de novembro de 1863. Na devida altura, seus pais matricularam-na numa escola particular, que ela frequentou com grande proveito durante três anos. A menina ia assim crescendo em idade, ciência e piedade, que se alimentava diariamente com a Santa Missa e a Comunhão, apesar da igreja ficar longe de casa.
     Esta vida de genuína piedade cristã levou-a ao amor do próximo. Visitava os doentes e preparava os agonizantes para o desenlace final. A morte e a doença também bateram à porta da sua casa. Em 1884 perdeu repentinamente o pai. Sete anos depois, morreu-lhe a mãe. Seu irmão Gustavo foi vítima de prolongada doença que ela acompa­nhou com fraternal desvelo e caridade sobrenatural.
     Enriquecida com tão sólidas virtudes, era natural que sentisse vocação para a vida consagrada. E assim, em 1893, aos trinta anos, bateu às portas dum mosteiro de beneditinas, mas decorrido um mês regressou a casa, convencida de que não tinha vocação para a vida de clausura. O seu coração inclinava-a para o apostolado direto com as almas. Por esta razão entregou-se ao trabalho de ensinar e educar as crianças da sua terra.
     Com uma companheira, a 19 de setembro de 1894, abriu uma escola onde se ensinava o catecismo e as letras. Dois anos depois, juntaram-se-lhe mais duas jovens dispostas a levar o mesmo teor de vida. Desta forma, a obra, que nascera na pobreza e simplicidade, começou a crescer.
     Em 1901 a Serva de Deus redigiu umas Regras ou Constituições, que foram aprovadas pelo Bispo de Pistoia, e inscreveu a nascente família das Irmãs Mínimas do Sagrado Coração na Terceira Ordem Franciscana.
     A 15 de dezembro de 1902 vestiu o hábito com cinco companheiras tomando o nome de Irmã Maria Margarida do Sagrado Coração, em homenagem a Santa Margarida Maria Alacoque, mensageira do Coração de Jesus. A 17 de outubro de 1905 fez a profissão perpétua.
     Estavam, portanto, lançados os alicerces de uma nova família religiosa que iria desenvolver-se prontamente. Em 19 anos a Beata fundou pessoalmente 12 casas dispersas por toda a Itália. Em 1910 já se estendia por várias dioceses. Em outubro de 1915 realizou-se o primeiro Capítulo Geral e a Irmã Maria Margarida foi eleita Superiora Geral vitalícia.
     Dotada de bondade, humildade, caridade e amor materno, governou o Instituto com sabedoria e prudência. Dizia às suas Filhas: «A glória é para Deus, a utilidade para o próximo e o trabalho para nós». Recomendava-lhes com frequência que rezassem muito pela santificação do clero.
     Preocupou-se mais com a solidez do Instituto do que com o seu crescimento, cuja finalidade é a educação da juventude, a assistência aos doentes nos hospitais e em casa, o cuidado dos anciãos em pensionatos e casas de repouso. As suas religiosas cooperam ainda nos trabalhos apostólicos das paróquias e nas obras sociais das missões. A Congregação foi aprovada pela Santa Sé em 1926. Em 1977, o Instituto contava 60 casas e 606 professas em Itália, Egito e Israel.
     A Serva de Deus teve de passar pelo cadinho das provações, mas nunca perdeu a paz interior. Faleceu a 8 de agosto de 1921, com 58 anos incompletos. Desde 20 de abril de 1960 repousa na capela do Instituto.
     Na homilia da beatificação, a 23 de abril de 1989, o Santo Padre elogiou a Bem-aventurada com estas palavras:
     «O poder da mensagem da caridade foi compreendido por Maria Margarida Caiani mediante a contemplação de Cristo e do seu Coração trespassado. À luz do amor divino, que se revelou no Divino Salvador, Margarida aprendeu a servir os irmãos entre a gente humilde da sua terra da Toscana, e quis ocupar-se dos mais necessitados, dos últimos: as crianças marginalizadas, os meninos do campo, os anciãos e os soldados vítimas da guerra, internados nos hospitais militares...». 

Fonte: Pe. José Leite, Santos de cada dia, Editorial A. O. - Braga.
Vista de Poggio a Caiano, Toscana, Itália