quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Santa Notburga de Eben, Doméstica - 14 de setembro

     Nasceu em 1265 em Rattenberg (Tirol Norte). Foi doméstica e cozinheira no vizinho Castelo de Rottenburg.
     Filha de uma família de lavradores sem fortuna do Tirol, foi educada nos princípios católicos. Aos dezessete anos foi admitida como cozinheira no palácio do Conde Henrique de Rottenburg. Henrique e Jutta, sua esposa, grandes esmoleres, designaram Notburga como sua despenseira para com os pobres que chegavam a toda hora em seu palácio. Ela distribuía generosamente aos pobres tudo aquilo que sobejava da mesa dos patrões. Ela também doava aos pobres o seu próprio alimento, especialmente às sextas-feiras.
     Seis anos viveu com os condes; com a morte deles tudo mudou para Notburga. Otília, a nova condessa, a maltratou de mil modos, e por fim a expulsou de sua casa. Mas, Otília ficou mortalmente enferma e Notburga cuidou dela e a preparou para a morte.
     Notburga depois passou a trabalhar para os agricultores do vale do Eben. Ali realizou um milagre para que os trabalhos nos campos terminassem após o toque dos sinos das Vésperas do sábado – que segundo o costume medieval indicava o início da festa dominical –, para que os camponeses pudessem se dedicar à oração e aos trabalhos da casa.
     Depois do falecimento de Otília, seus filhos, que herdaram seus bens e eram católicos piedosíssimos, acolheram a jovem, que voltou a trabalhar como cozinheira no castelo. Novamente despenseira dos pobres, continuou suas atividades caritativas até sua morte.
     Notburga faleceu em 14 de setembro de 1313 no Castelo de Rottenburg. Um pouco antes de sua morte ela dissera ao seu senhor para colocar seu corpo em uma carroça puxada por dois bois, e para enterrá-lo onde os bois parassem. Os bois dirigiram a carroça para a Capela de São Roberto, em Eben am Achensee, onde ela foi sepultada.
     A Santa é invocada como modelo e patrona da juventude rural, e venerada como patrona dos camponeses e das domésticas. O seu culto se difundiu no Tirol, Áustria, Ístria, Baviera e foi confirmado pelo Papa Pio IX com decreto de 27 de março de 1862.
     Não existem documentos contemporâneos que mencionem sua vida, somente um texto muito antigo, em alemão, pintado a óleo sobre madeira, que adornava o túmulo de Notburga em Eben am Achensee, e se perdeu.
     Este texto, que foi transcrito para o latim e é conservado no Museu Ferdinandeum de Innsbruck, narra numerosos milagres e prodígios que aconteceram depois de sua morte. A iconografia que a representa é numerosa e a mostra como um dos seus símbolos: a foice. Segundo a legenda, diante da insistência de um camponês em continuar a trabalhar após o toque do sino, Notburga lançou a foice para o alto, e ela ficou suspensa no ar.
     Notburga foi alvo de um culto notável nos séculos seguintes, eram numerosos os peregrinos que iam venerar seu túmulo e levavam um pouco de terra do cemitério consigo para usá-la contra as doenças que afligiam homens e animais.
     A igrejinha de Eben onde ela estava sepultada foi ampliada em 1434 e em 1516, e embelezada com o apoio do imperador Maximiliano I de Habsburg. Em 1718 as suas relíquias foram recompostas, segundo o uso da época, revestidas com seda, ouro e prata, e colocadas no altar mor em posição vertical e ali estão ainda hoje.
Eben am Achensee

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Beata Maria Luísa Angélica Prosperi, Beneditina - 12 de setembro

     No dia 19 de agosto de 1799, em Fogliano, pouco distante de Cascia, Itália, nasceu Gertrudes. Sua família era abastada e deu a ela uma educação profundamente católica.
     Quando tinha vinte anos, no dia 4 de maio de 1820, ingressou no mosteiro beneditino de Santa Lucia de Trevi, que fora reaberto após a supressão napoleônica.
      Irmã Maria Luísa, nome de religiosa que adotou, teve uma existência caracterizada por fatos e dons extraordinários. Praticava penitências muito rígidas, provou em sua própria carne a Agonia de Nosso Senhor, a Flagelação, a Coroação de espinhos, os golpes, os estigmas nas costas e nas mãos. O Senhor desejava que ela participasse de seus sofrimentos, enquanto o demônio a molestava até durante a noite e com pancadas.
     Seu diretor espiritual, o Padre Cadolini, Bispo de Spoleto, depois Arcebispo de Ferrara e Cardeal, por cinco anos a induziu a reconhecer a soberba e a obra do demônio nas suas visões.
     Em 1837 Madre Maria Luísa foi eleita Abadessa. Ela fez reflorescer no mosteiro a observância da Regra, privilegiando a adoração ao Santíssimo Sacramento. Contemplava longamente o Crucifixo; a todos que pediam seus conselhos convidava a recorrerem com confiança amorosa na infinita Misericórdia de Jesus.
     Certo dia, Jesus Cristo lhe apareceu no parlatório principal com o semblante de um peregrino.
     Madre Maria Luísa faleceu no dia 12 de setembro de 1847, aos quarenta e sete anos de idade apenas. Conservam-se muitas cartas suas originais, ou cópias feitas pelo seu confessor, o jesuíta Padre Paterniani, que em 1870 escreveu a primeira biografia da Beata.
     Em 1914 a causa de sua beatificação foi introduzida, ficando suspensa devido à deflagração da 1ª. Guerra Mundial. Foi considerada Venerável em 1º de julho de 2010; será proclamada oficialmente Beata na Catedral de Spoleto em 12 de novembro de 2012.
     Seus despojos repousam na igreja de Santa Lúcia de Trevi.
 
Mosteiro de Sta Lucia
 

domingo, 9 de setembro de 2012

Santa Pulquéria, Imperatriz - Festejada 10 de setembro

Serviu de para-raios, afastando os inimigos da Civilização Cristã nascente.
     O Papa São Leão homenageou a Imperatriz Pulquéria, digna neta de Teodósio, o Grande, com as seguintes palavras:
     É a vós que se deve a supressão dos escândalos suscitados pelo espírito do mal; graças ao vosso esforço, toda a terra está presentemente unida na mesma confissão de Fé. A parte principal em tudo que neste tempo se fez contra os adversários da Verdade Divina, duas palmas estão em suas mãos, duas coroas sobre sua cabeça, porque a Igreja lhe deve a dupla vitória sobre a impiedade de Nestório e Eutíquio, que embora divididos no ataque, visavam o mesmo fim: a negação da Encarnação e do papel da Virgem Mãe na salvação do gênero humano”.
     Pulquéria nasceu em 19 de janeiro de 399, foi batizada por São João Crisóstomo em Constantinopla e muito nova ainda fez voto de virgindade, juntamente com as duas irmãs mais novas.
     Conta-se que ela e suas irmãs, virgens como ela, entoavam os Salmos e com isto continham os bárbaros. Grande devota de Nossa Senhora, ela construiu várias igrejas em sua honra em Bizâncio.
     Quando seu pai, Arcádio, morreu, em 414, foi proclamada "augusta" tendo apenas quinze anos, e passou a governar tutelando seu irmão, Teodósio II, dois anos mais novo do que ela. Assumiu todas as responsabilidades do governo e raras vezes viu-se tanta prudência aliada à tamanha precocidade.
     O palácio imperial quase havia se tornado um convento, porque dia e noite ali as saudações divinas eram cantadas, lia-se a Sagrada Escritura, jejuava-se e faziam-se trabalhos manuais. Pulquéria, tendo como conselheiro o Patriarca Atiço, tornou-se defensora da ortodoxia católica, emanando leis contra os hereges de vários movimentos, impedindo o acesso de pagãos aos cargos públicos, moderando a influência dos judeus na vida do império. Em 417, ela restabeleceu a comunhão entre a Sé Apostólica e o patriarcado de Constantinopla.
     Quando Teodósio chegou aos vinte anos, Pulquéria concorreu para que ele desposasse Atenaide, filha de um filósofo pagão de Atenas. O casamento aconteceu em 7 de junho de 421. Batizada com o nome de Eudóxia, esta princesa acabou por perseguir a cunhada, por esta exercer influência sobre Teodósio. Pulquéria teve que se retirar da corte.
     Na realidade, a heresia de Eutíquio (378-454), superior de um mosteiro de Constantinopla, havia agravado a tensão entre as duas damas, que estavam em posições opostas.
     Pulquéria se retirou no seu palácio de Ebdomon, e ali residia quando a 13 de junho de 449 o Papa São Leão Magno, em luta contra o herege Eutíquio, enviou-lhe várias cartas pedindo insistentemente que viesse em auxílio da ortodoxia ameaçada. Com uma carta datada de 17 de março de 450, a Augusta Pulquéria respondeu afirmativamente ao pedido do Papa.
     Eutíquio tinha, com efeito, caído nas boas graças do Imperador Teodósio II, e a heresia triunfava então na sé de Constantinopla. Bastou que Pulquéria aparecesse na corte para acabar com tais abusos. Estimulou a convocação do Concílio de Calcedônia que condenou o eutiquianismo e seus adeptos. Ela também foi envolvida na controvérsia que teve como protagonista São Flaviano, patriarca de Constantinopla, episódio que expôs o erro de Teodósio II, e também contribuiu para a volta de Pulquéria à corte.
     Em 28 de junho de 450, com o falecimento de Teodósio, Eudóxia foi afastada e Pulquéria tornou-se senhora absoluta do Império, então ameaçado por Átila, rei dos hunos.
     A fim de estabilizar a sua autoridade, Pulquéria decidiu casar-se com o General Marciano, que respeitou seu voto de virgindade. O General Marciano perseguiu os partidários dos heresiarcas Nestório e Eutíquio, e obrigou Átila a afastar-se das fronteiras.
     Durante o Concílio de Calcedônia (451), do qual participaram também os soberanos bizantinos, na presença de seu marido, o Imperador Marciano, Pulquéria foi aclamada como a nova Santa Helena, defensora e salvadora da Cruz de Cristo.
     Entre o Papa São Leão Magno e os soberanos se estabeleceu uma correspondência intensa para consolidar as normas do Concílio, e quando surgiram sucessivas agitações heréticas, especialmente na Palestina (453), Pulquéria interveio com duas cartas dirigidas aos monges palestinos e a São Bassa e suas monjas.
     A Imperatriz Pulquéria faleceu no terceiro ano de reinado de Marciano, no mês de julho de 453. No seu testamento, ela deixou todos os seus bens para os pobres.
     Os historiadores bizantinos mencionam, entre suas obras, a construção de suntuosos templos em honra dos mártires, de numerosos mosteiros, hospitais, aos quais destinava dotes para seu sustento.
     Algumas de suas obras: a Igreja dos 40 Mártires de Sebaste, o Santuário dedicado a Santo Estevão, que abriga a relíquia da mão direita do protomártir, uma igreja em honra ao Profeta Isaias, a Igreja de São Mena. Santa Pulquéria é recordada também por ter dado início, em 449, e depois com o apoio de Marciano, à construção de santuários marianos.
     O corpo de Santa Pulquéria foi sepultado na Igreja dos Santos Apóstolos de Constantinopla, aonde já repousavam São Gregório de Nazianzeno, São João Crisóstomo e São Flaviano. O sucessor do Imperador Marciano, Imperador Leão (457-474), cheio de admiração pela Imperatriz falecida, fez colocar uma imagem dela sobre seu túmulo.
     No Ocidente, o culto de Santa Pulquéria teve novo impulso com o Papa Bento XIV. Seu decreto de 2 de fevereiro de 1752 estendia o culto de Santa Pulquéria e de São Marciano, com Missa própria, a uma boa parte da Europa, e elogiava os valores altamente expressivos do casto casamento dos soberanos.
     Santa Pulquéria é recordada no dia 10 de setembro e, junto com São Marciano, São Flaviano e São Leão, no dia 17 de fevereiro. Ela recebeu o título de "custódia da Fé" devido a sua grande participação na defesa da ortodoxia católica.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Beata Lucia de Omura, Mártir japonesa - 8 de setembro

     O xogunado e governo imperial tolerou inicialmente o estabelecimento de missões católicas e dos missionários, pensando aproveitar o fato de a presença dos cristãos vir a enfraquecer o poder dos monges budistas e ajudar no comércio com Espanha e Portugal. Porém, vendo que as Filipinas tinham sido tomadas pelos espanhóis após a conversão da população, o governo xogum viu o cristianismo como uma ameaça e começou a perseguir os cristãos. A religião foi banida e os que recusassem renegá-la eram executados.
     Japonesa de nascimento, Lúcia era viúva e terceira dominicana. Durane a perseguição anticristã hospedou generosamente o padre dominicano, o Beato Domingos Castellet. Em 15 de junho de 1628 foram descobertos e conduzidos, com alguns catequistas, ao cárcere de Omura.
     Depois de alguns meses de prisão, no dia 8 de setembro de 1628, foi conduzida a Nagasaki e queimada viva na idade de oitenta anos. Naquele dia vinte e dois cristãos, japoneses e europeus, receberam a glória de morrer dando testemunho da sua fé e de seu amor a Jesus Cristo.
     Lúcia de Omura foi beatificada junto com os Beatos Mártires do Japão, grupo que engloba 205 mártires que deram a vida pela fé entre 1617 e 1632, na terrível perseguição movida por Hidetada e Iemitsu, em Nagasaki e Tóquio. Esta perseguição durou 15 anos. Foram beatificados por Pio IX a 7 de julho de 1867. Ao todo são 166 cristãos leigos (quase todos japoneses) e 39 sacerdotes. Dentre os sacerdotes, treze são jesuítas, doze são dominicanos, oito franciscanos, cinco agostinianos e um sacerdote diocesano japonês.
     Não se deve confundir estes beatos mártires com os Santos Mártires do Japão, que foram já canonizados e são 26, que sofreram o martírio todos no mesmo dia: 6 de fevereiro de 1597.
     Há ainda os 188 mártires beatificados no dia 24 de novembro de 2008, que foram martirizado em 1603, quando o governo de Tokugawa começou uma forte perseguição contra os cristãos custando a vida de milhares deles, entre eles 4 sacerdotes e 184 leigos, mulheres, crianças, samurais, servos e inclusive pessoas deficientes. 
Pintura representando os Santos Mártires do Japão

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Beata Maria Madalena Starace, Fundadora - 5 de setembro

     Maria Madalena da Paixão nasceu em Castellammare di Stabia, província de Nápoles, Itália, a 5 de setembro de 1845. Foi batizada com o nome de Constança. Sua mãe, muito piedosa, a consagrou à Virgem das Dores. Na idade de 4 anos começou a frequentar a escola, onde se relacionou com meninas pobres, experiência que deixou uma marca profunda em seu coração.
     Em 1850 as Filhas da Caridade se estabeleceram em Castellammare para dar assistência aos doentes do Hospital São Leonardo; em seguida abriram um orfanato e um internato para meninas de boa conduta. Constança foi admitida nesse internato e começou a respirar um clima de oração e de dedicação que acendeu nela o desejo de se consagrar ao Senhor. Fez a Primeira Comunhão e, na idade de 10 anos, recebeu o Sacramento da Confirmação.
     Por motivos de saúde, teve que voltar para sua família e prosseguiu os estudos em casa, começando a cultivar com assiduidade a oração. Entrou no Conservatório das Teresianas de Vico Equense, contudo, sempre devido à saúde delicada, teve que regressar a casa. Depois que se restabeleceu, desejava entrar num convento de clausura, mas os pais se opuseram. Para a consolar, o confessor concedeu-lhe a comunhão quotidiana e, aos 15 anos, permitiu que se consagrasse ao Senhor com os três votos perpétuos, aconselhando-a a se tornar "monja em casa".
     A 8 de junho de 1867, emitiu a sua profissão entre as Terciárias dos Servos de Maria, assumindo o nome de Irmã Maria Madalena da Paixão. O Bispo de Castellammare, Mons. Francisco Xavier Petagna, lhe outorgou a direção da Pia União das Filhas de Maria e a catequese das meninas da cidade.
     As várias epidemias de cólera que se abateram sobre Castellammare impeliram a jovem a fundar o Instituto das Irmãs Compassionistas (1869), que, segundo as suas próprias palavras, deve "compadecer-se de Jesus apaixonado e de Nossa Senhora das Dores, e, a partir deles, do próximo em todas as suas necessidades, tanto do espírito como do corpo".
     As suas companheiras também vestiram o hábito das Terciárias Servitas, e, em 27 de maio de 1871, D. Petagna concedeu ao Instituto a ereção canônica. Em 10 de novembro de 1893 o Geral dos Servitas assinou o decreto que agregava o Instituto à Ordem, e em 10 de julho de 1928 o Papa Pio XI aprovou o Instituto.
     As inúmeras provações físicas e espirituais que a Madre Maria Madalena teve que suportar em seu caminho à santidade contribuiram para fortalecer sua fé. Temores e tremores injustificáveis, vômitos lancinantes e inexplicáveis, abstinências prolongadas de comida e bebida, doenças misteriosas, sofrimentos inauditos, êxtases, estigmas e agressões diabólicas que requereram a intervenção do Bispo local. Nada diminuiu seu empenho na obra por ela iniciada, à qual se dedicou incansavelmente.
     Morreu de pneumonia no dia 13 de dezembro de 1921. Em 19 de agosto de 1929 seu corpo foi transladado para o Santuário do Sagrado Coração, em Scanzano. O processo de beatificação começou em 4 de abril de 1939. No dia 15 de abril de 2007, Bento XVI a beatificou na Catedral de Castellammare de Stabia, fixando sua festa litúrgica em 5 de setembro, dia de seu nascimento terreno.
     A Congregação das Irmãs Compassionistas Servas de Maria, fundada pela Madre Maria Madalena da Paixão, desempenha a própria obra a favor da infância através das escolas, dos semi-internatos e das casas-família.
     A semente lançada pela Madre Maria Madalena da Paixão se converteu hoje uma grande árvore, cujos ramos se estenderam às terras que acolheram as suas raízes. Atualmente são 24 comunidades na Itália e 14 no Canadá, Chile, Índia, Filipinas, Indonésia e México, com 350 religiosas, 34 noviças e 35 postulantes. 
www.vatican.va/; www.santiebeati/it
Castellamare di Stabia com o Golfo de Nápoles e o Vesúvio

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Santa Rosália, Virgem e eremita de Palermo - 4 de agosto

     Rosália Sinibaldi viveu no período feliz de renovamento católico que se restabelecera na Sicília após a expulsão dos árabes, que haviam permanecido na região de 827 a 1072. Foi possível então a difusão dos mosteiros Basilianos e Beneditinos. Naquela atmosfera de fervor e renovação religiosa se inseriu a vocação eremítica desta Santa.
     Rosália nasceu no ano 1125 em Palermo, na Sicília, Itália. O nome Rosália resulta da contração dos nomes "Rosa" e "Lilia" (Lilium). Era filha de Sinibaldo, rico senhor de Quisquinia e das Rosas, na província de Agrigento, então chamada Girgenti, e de Maria Guiscarda, sobrinha do rei normando Rogério II. Segundo a tradição, ela pertencia a uma nobre família normanda descendente de Carlos Magno.
     Durante a adolescência foi dama da corte da Rainha Margarida, esposa do Rei Guilherme I da Sicília, que apreciava sua companhia amável e generosa. Porém, ela não se sentia atraída por nada disso, pois sabia que sua vocação era servir a Deus e ansiava pela vida monástica.
     Aos catorze anos, levando consigo apenas um crucifixo, Rosália abandonou de vez a corte e se refugiou numa gruta que pertencia ao feudo paterno e era um local ideal para a reclusão monástica, pois ficava próximo do convento dos beneditinos que possuía uma pequena igreja anexa. Mesmo vivendo isolada, Rosália podia receber orientação espiritual e seguir as funções litúrgicas.
     Mais tarde a ermitã se transferiu para uma gruta no alto do Monte Pelegrino, que lhe fora doada pela amiga a Rainha Margarida. Ali já existia uma pequena capela bizantina e nos arredores outro convento de beneditinos. Eles acompanharam, testemunharam e documentaram a vida eremítica de Rosália, que viveu em oração, solidão e penitência. Atraídos pela fama de santidade da ermitã, os habitantes do povoado subiam o monte para vê-la.
     Rosália faleceu no dia 4 de setembro de 1160 na sua gruta no Monte Pellegrino, em Palermo.
     No início de 1600, o seu culto havia caído quase no esquecimento, sendo ela entretanto ainda venerada; no Monte Pelegrino, em grutas vizinhas a que ela, segundo a tradição, habitara, alguns ermitões viviam e eram conhecidos como os “solitários de Santa Rosália”.
     Em 26 de maio de 1624, Jeronima Gatto, uma doente terminal, viu em sonho uma jovem vestida de branco que lhe prometia a cura se fosse ao Monte Pelegrino para agradecê-la. A mulher, ardendo de febre, foi ao monte acompanhada de duas amigas. Após beber a água que escorria da gruta se sentiu curada e caiu em um torpor repousante. A jovem de branco apareceu-lhe de novo dizendo-se ser Santa Rosália e lhe indicou o local onde estavam sepultadas as suas relíquias.
     O fato foi referido aos frades franciscanos do convento vizinho, cujo superior deles, São Benedito (1526-1589), já havia tentado encontrar as relíquias, sem sucesso. Eles então retomaram as buscas, e em 15 de julho de 1624 encontraram, a quatro metros de profundidade, uma urna de cristal de rocha de seis palmos de comprimento por três de largura, na qual estavam aderidos ossos.
     Levada para a cidade, a urna foi examinada por teólogos e médicos que chegaram a conclusão de que os ossos podiam pertencer a mais de uma pessoa. Não convencido, uma segunda comissão foi nomeada pelo Cardeal Arcebispo de Palermo, Giannettino Doria.
     Entrementes uma terrível epidemia grassou na cidade de Palermo fazendo milhares de vítimas. O Cardeal reuniu na catedral povo e autoridades, e todos juntos pediram a ajuda de Nossa Senhora, fazendo voto de defender o privilégio da Imaculada Conceição, tema de debates na Igreja de então, e de declarar Santa Rosália padroeira principal de Palermo, venerando suas relíquias quando elas fossem reconhecidas. Após a promessa, a epidemia cessou.
     Em 25 de agosto de 1624, quarenta dias após a descoberta dos ossos, dois pedreiros, que executavam trabalhos no convento dos dominicanos de Santo Estêvão de Quisquinia, acharam numa gruta uma inscrição latina muito antiga que dizia: Eu, Rosália Sinibaldi, filha das rosas do Senhor, pelo amor de meu Senhor Jesus Cristo, decidi morar nesta gruta de Quisquinia. Confirmando, assim, as tradições orais da época. Um santuário foi edificado na gruta onde seus restos mortais foram encontrados.
     Em 11 de fevereiro de 1625 uma comissão científica comprovou a autenticidade das relíquias e da inscrição, e em 1630 o Papa Urbano VIII incluiu as duas datas no Martirológio Romano. Estes fatos reacenderam o culto à Santa Rosália.
     Santa Rosália é festejada em 15 de julho, data que suas relíquias foram encontradas, e em 4 de setembro, data de seu falecimento. Anualmente acontece em Palermo, na noite de 14 para 15 de julho, uma grande festa religiosa denominada Festino di Santa Rusulia. A procissão das relíquias da Santa, de pompa extraordinária, percorre as ruas da cidade entre orações, cânticos e aclamações. E a cada ano, no dia 4 de setembro, renova-se a tradição de caminhar, com os pés descalços, de Palermo até o Monte Pelegrino.
     A urna contendo os restos mortais de Santa Rosália pode ser venerada no Duomo de Palermo. Os palermitanos a chamam de "a Santuzza" (a santinha). Santa Rosália é venerada como padroeira de Palermo desde 1666 e é tida como protetora contra doenças infecciosas.
Gruta de Sta. Rosália, numa aquarela do séc.XIX
 

sábado, 1 de setembro de 2012

Beata Ingrid Elofsdotter de Skänninge - Festa 2 de setembro

     Ingrid, da nobre família Elofsdotter, nasceu em meados do século XIII. Por parte de sua mãe, era neta do Rei Canuto da Suécia. Ela recebeu uma educação condizente com sua condição social, sobretudo profundamente cristã. Alma de cândidos ideais, viveu desde os primeiros anos de vida em fervorosa piedade. As virtudes mais heroicas pareciam conaturais nela. Quando muito jovem foi obrigada por seus pais a contrair um riquíssimo casamento, mas todo aquele esplendor do mundo não a deslumbrou, continuando a viver no mundo sem ser do mundo.
     Ficou viúva em pouco tempo. Com uma irmã e um devoto séquito de damas de honra, empreendeu uma longa peregrinação à Terra Santa, onde seu coração se acendeu ainda mais de terno amor pelo Salvador. Da Palestina ela foi para Roma e depois para Santiago de Compostela. Em Roma, pediu ao Papa autorização para fundar um mosteiro de religiosas contemplativas em seu país.
     Retornando ao seu país, um único desejo a dominava: se dedicar para sempre a uma vida de oração e penitência. Mas o demônio, furioso, engendrou uma trama terrível, tentando ofuscar sua reputação entre os seus concidadãos. Tudo entretanto foi esclarecido e a santa peregrina, recebida com alegre veneração, pode logo realizar seus votos e, auxiliada por generosos benfeitores – entre eles seu irmão, João Elovson, cavaleiro teutônico – construiu um mosteiro sob a Regra de São Domingos, onde, juntamente com um bom número de virgens, se dedicou inteiramente a contemplação e as santas austeridades.
     O mosteiro foi inaugurado em 15 de agosto de 1281, em Skänninge, na presença do Rei Magnus Ladulas, com a ajuda e o apoio do dominicano Padre Pedro de Dacia (1230-1289), que dava assistência espiritual às religiosas, com a autorização do Bispo de Linkoping e do Provincial da Ordem.
     A Beata faleceu no dia 2 de setembro de 1282, quando era Priora daquele mosteiro, com tanta fama de santidade e obtendo milagres prodigiosos, que logo o seu culto se espalhou para os povos vizinhos.
     Suas relíquias foram solenemente transladadas em 29 de julho de 1507, pela autoridade do Papa Alexandre VI, estando o rei presente, uma grande multidão, todos os bispos da Suécia e os Irmãos Pregadores daquela região.
     Em 1414, o Bispo de Linkoping, Canuto Bosson, antes do Concílio de Constança, pedira à Santa Sé autorização para abrir o processo de sua canonização. Devido a Pseudo Reforma protestante, o processo não teve continuidade. Durante os eventos da reforma, o Mosteiro de São Martinho foi destruído, bem como as relíquias da Beata, e sua causa de canonização nunca chegou a uma formalização. Mas, ela foi inserida no Martirológio Romano e sua memória é celebrada no dia de seu falecimento.
 

Fontes:  http://www.es.catholic.net/santoral; www.santiebeati/it

Igreja de Nossa Senhora em Skänninge, Suécia