quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Beata Maria Teresa de São José, Fundadora - 20 de setembro

     Ana Maria Tauscher Van Den Bosscher, nasceu a 19 de junho de 1855 em Sandow, uma pequena cidade cerca de 100 km sudeste de Berlim (atualmente Polônia). O pai de Ana Maria, Herman Traugott Tauscher, um pastor protestante de alto cargo, exercia a profissão que era a mesma de seus antepassados desde a época de Martinho Lutero. Sua mãe chamava-se Maria Pauline Tauscher.
     No entanto, desde a idade de 15 anos, Ana Maria aspirava a uma verdade ainda mais profunda que aquela que lhe tinha sido transmitida através da sua educação luterana. Aos 22 anos, ela começou a ler quotidianamente a Sagrada Escritura e a Imitação de Cristo. Um dia, frente a alguns colegas de seu pai, ela defendeu mesmo a doutrina da infalibilidade pontifícia. Ela também acreditava na virgindade de Maria, sem nunca ter estado em contato com católicos, nem ter lido obras católicas.
     Em fevereiro de 1886, estando em Berlim na casa de amigos, Ana Maria leu num jornal de Colônia um anúncio propondo um trabalho de enfermeira chefe num hospital psiquiátrico. Seria este o sacrifício, o tal serviço que ela esteve esperando durante oito anos? No dia 6 de março de 1886, Ana Maria deixou Berlim para começar a trabalhar na clínica de Lindenburg.
     Com exceção do diretor, todas as pessoas da clínica de Lindenburg eram católicas. Um dos sacerdotes que vinha visitar os doentes ofereceu-lhe um catecismo da Igreja Católica. Nele ela encontrou o que até então ela chamava de “sua religião pessoal”. E assim começou rapidamente a preparar, em segredo, a sua conversão.
     Quando decidiu assumir a fé católica sofreu muitas rejeições, primeiro do diretor do hospital que era luterano e depois de seu próprio pai que a deserdou. Em 30 de outubro de 1888 foi acolhida na Igreja Católica, professando a fé católica na Igreja dos Santos Apóstolos.
     Ana Maria se viu sem trabalho e sem casa. Graças à ajuda de amigos católicos, ela foi recebida num convento, onde também se cuidava de pessoas de idade. Todas as tardes e todas as noites, Ana Maria vinha junto ao Senhor, frente ao altar do Santíssimo Sacramento, fortalecendo assim os laços que a uniam ao seu Divino Esposo. Cultivava um amor muito grande a Jesus Eucarístico e não media esforços e sacrifícios para recebê-Lo todos os dias. Nutria um amor muito filial a Maria SSma., sentia-se honrada por carregar o nome dEla, que fora dado pela sua avó e sua mãe.
     Continuava, no entanto, a sua séria procura de trabalho. Passados 10 meses, ela recebeu então uma carta da Condessa de Savigny, uma católica fervorosa que vivia em Berlim, e que lhe propunha trabalho de dama de companhia. Apesar da sua tristeza à idéia de deixar Colônia, Ana Maria aceitou.
     Numa viagem dessa senhora ao convento da Visitação para visitar sua filha, ofereceram a Ana Maria, enquanto ela aguardava, o livro de Santa Teresa de Jesus e também do Coração de Jesus. Após ler o livro da vida de Santa Teresa Ana Maria exclamou: “Encontrei minha alma gêmea”.
     Ela não pensava em ser monja Carmelita, mas queria ser uma carmelita como vira em sonho; pede conselho ao seu confessor e este a orienta dizendo que sua vocação e missão não estaria em uma ordem religiosa já existente, mas sendo Fundadora de uma nova Congregação que uniria a vida de oração ao apostolado com as crianças, jovens, idosos e todos os necessitados.
     Com 500 marcos, que a Condessa lhe tinha dado em sinal de agradecimento, Ana Maria abriu o primeiro Lar São José, a 2 de agosto de 1891. Começou por instalar três crianças, uma educadora e uma empregada doméstica, em alguns quartos de um prédio antigo, situado em “Pappelallee.” As crianças a chamavam “Mãe” e muito rapidamente passou a ser conhecida como “Mãe da Pappelallee”.
     Em 1897, mais de quarenta jovens já se tinham associado à obra de Madre Teresa servindo nos Lares São José. Para além dos dois Lares de crianças em Berlim, havia ainda mais dois em Boêmia e um outro em Oldenburg. Em Berlim, ela abriu também um centro para os padres que trabalhavam ou estudavam nesta cidade.
     No entanto, Madre Maria Teresa não fundava os Lares São José para serem somente instituições sociais. Em 1891, contemplando a beleza de um pôr-do-sol, ela compreendeu a razão de ser das suas fundações: “A consagração das Servas do Divino Coração de Jesus a: I – expiação dos pecados, II – Santificação pessoal, III – Salvação das almas” (A.p.99). Ela tinha conhecido o Carmelo através de Santa Teresa de Jesus, e tinha encontrado no zelo e nas orações dos santos do Carmelo, que tinham oferecido suas vidas como vítimas de Amor pela salvação das almas e glória da Igreja, uma fonte de inspiração para a sua própria vocação. A sua Congregação deveria seguir a espiritualidade carmelita. Santa Teresa tinha aberto o caminho.
     Para que a Congregação fosse aprovada pela Santa Igreja ela sofreu muitas perseguições e incompreensões de alguns padres, que aconselhavam as vocacionadas a deixá-la dizendo que a Congregação não perseveraria.
     Essas incompreensões também se manifestaram através de alguns Bispos que não a queriam em suas Diocese. Mas ela não desanimava diante dos sofrimentos, a cada dia se oferecia ao Senhor e fazia do sofrimento uma ponte para chegar mais perto de Deus. Sempre confiou sua vida aos cuidados maternos de Nossa Senhora e essa união com Maria a fortalecia diante dos sofrimentos e muitas vezes a imitava no silêncio da oração na solidão.
     Madre Maria Teresa procurou um bispo que aceitasse receber as suas noviças e criar uma Casa Mãe em sua diocese. Durante seis anos, viajou desde a Baviera até à Holanda, passando pela Inglaterra e pela Itália. Finalmente, em 1904, em Rocca di Papa, Itália, surge a Casa Mãe. Aí se manteve durante 18 anos, tendo sido transferida para Sittard depois da primeira Guerra Mundial.
     Madre Maria Teresa percorreu a Europa e os Estados Unidos para fundar os Lares para as crianças, e mais tarde os Lares para os idosos. Os últimos anos de sua vida, passou-os em Sittard (Países Baixos), dirigindo a Congregação a partir da Casa Mãe, aí estabelecida desde 1922.
     Apesar de muito enfraquecida fisicamente e quase cega, passava largas horas em oração, de joelhos, frente ao Santíssimo Sacramente, e continuou sempre meiga e atenciosa para com as suas Irmãs.
     Antes de morrer, a 20 de setembro de 1938, deixou às suas Irmãs, como sendo sua última vontade e testamento, uma linda declaração:
“Tudo o que Deus faz é bem feito. Seja sempre louvado e exaltado o Senhor” (A.P.445).
     Seus restos mortais se encontram na Casa Mãe da Congregação em Sittard, Holanda. Sua Congregação está presente em vários países: Holanda (Casa Mãe), Alemanha, Hungria, Áustria, Rússia, Islândia, Croácia, Camarões, Estados Unidos com 3 províncias, Canadá, Nicarágua, Nigéria, Venezuela e Brasil.
     Em maio de 2006 Madre Maria Teresa de São José foi beatificada na Diocese de Roermond, Holanda. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Santa Maria de Cervelló, Mercedária - 19 de setembro

    O século XIII foi uma época de prosperidade para a Catalunha, Espanha, protagonista do comércio mediterrâneo. Em Barcelona a família Cervelló também era próspera. Maria nasceu nesta nobre família no dia 1º de dezembro de 1230, na Rua de Montcada, e foi batizada em 8 do mesmo mês, no sarcófago antigo da mártir Santa Eulália que servia de pia batismal na paroquia de Santa Maria do Mar.
     Atraída pela caridade que os Irmãos Mercedários inspiravam a favor dos cativos, isto é, os cristãos que eram feitos prisioneiros em terra e no mar, e eram vendidos como escravos na África, aos 18 anos tornou-se a consoladora dos pobres, dos doentes e dos escravos no Hospital de Santa Eulália.
     A Ordem de Nossa Senhora das Mercês foi fundada por São Pedro Nolasco; os Mercedários constituíam uma Ordem masculina que resgatava os cristãos cativos, mas havia grupos de senhoras que os sustentavam com orações e ofertas para as custosas expedições à África. Maria e sua mãe se uniram ao grupo de Barcelona. Quando a mãe faleceu, Maria doou o seu patrimônio aos Mercedários.
     Em 25 de maio de 1265 os grupos femininos se transformaram canonicamente em Ordem Terceira Mercedária, com estatuto, hábito religioso e uma priora. Maria fez profissão religiosa, recebendo o hábito das mãos de São Bernardo de Corby. Logo outras jovens a seguiram, como as Beatas Eulália Pinos, Elisabete Berti, Maria de Requesens e, mais tarde, Santa Colagia.
     Maria de Cervelló foi designada priora e é considerada a fundadora das monjas Mercedárias. Ela desenvolveu uma obra contínua e completa de resgate: encarregar-se dos escravos repatriados (alguns eram sozinhos no mundo, muitos estavam privados de tudo), ajudando-os a se tornarem independentes. Depois do resgate, a segurança.
     Ela também é chamada de Santa Maria do Socorro, porque tanto em vida como após a morte foi vista mais de uma vez nas asas do vento, apressando-se para ajudar no resgate de navios que iam remir os cativos cristãos e se viam ameaçados pelas ondas do mar tempestuoso.
     Depois de uma vida cheia de humildade, vigílias, jejuns, entremeada de milagres estupendos, Santa Maria voou para o Senhor no dia 19 de setembro de 1290; seu corpo incorrupto é preservado na Basílica das Mercês, em Barcelona.
     A Basílica foi devastada em 1936, durante a guerra civil espanhola, quando muitos padres e irmãs foram mortos por serem religiosos. Muitos sepulcros de religiosos mortos há tempos foram profanados. Segundo H. Thomas, em sua História da guerra civil espanhola, em 1936 “uma multidão acorreu para ver expostos os cadáveres insepultos de 19 irmãs salesianas”. Mas ninguém jamais tocou em Santa Maria do Socorro: mesmo em meio aquela ação burlesca, seu túmulo permaneceu intacto.
     Em 1692, Inocêncio XII, como decisão pessoal, aprovou o culto que era atribuído a ela há muito tempo. Mais tarde seu nome foi incluído no Martirológio Romano.
     Sua festa litúrgica é comemorada no dia 19 de setembro.
Basilica de Na. Sra, das Mercês, Barcelona
 

sábado, 15 de setembro de 2012

Santa Edith de Wilton, Abadessa - 16 de setembro

     Edith de Wilton (também conhecida como Eadgyth, seu nome em inglês antigo, ou como Editha ou Ediva, a forma latina de seu nome) era filha ilegítima do Rei Edgar da Inglaterra, o Pacífico, com Wulfrida, uma dama de nobre nascimento que o rei forçara a sair da Abadia de Wilton. Ele levou-a para Kemsing, próximo de Sevenoaks, onde Edith nasceu em 961. Sob a direção de São Dunstan, Edgar fez penitência por este crime não usando sua coroa por sete anos.
     Assim que Wulfrida pode escapar de Edgar, ela retornou para a Abadia de Wilton, levando consigo a pequena Edith, que foi educada pelas monjas da abadia; sua mãe se tornou posteriormente abadessa. Na época, como parte da abadia, funcionava, em dependências anexas, uma escola para jovens.
     Edith se tornou monja aos quinze anos, com o consentimento de seu pai. Ele ofereceu a ela o tornar-se abadessa de três importantes comunidades, mas ela preferiu permanecer com sua mãe em Wilton. Seu pai faleceu em 975.
     Em 979, Edith sonhou que havia perdido seu olho direito e acreditou que era um aviso sobre a morte de seu meio irmão o Rei Eduardo, o Mártir, que de fato foi assassinado naquela ocasião, quando visitava sua madrasta, a Rainha Elfrida, no Castelo de Corfe, em Dorset.
     Alguns dados indicam que foi oferecida a ela a coroa da Inglaterra pelos nobres que haviam apoiado seu irmão assassinado contra seu jovem meio irmão Etelred, mas ela recusou. Apesar de sua recusa a honras e poder, ela sempre se vestiu com magnificência. Quando censurada por Etelwold de Winchester, ela respondeu que somente o julgamento de Deus era verdadeiro e infalível, Ele que vê através das aparências externas, acrescentando: “Porque o orgulho pode existir sob o manto da miséria, e uma mente pode ser tão pura sob estas vestimentas como sob suas peles esfarrapadas”.
     Ela construiu uma igreja em Wilton dedicada a São Dionísio. São Dunstan foi convidado para a sua dedicação e chorou muito durante a Missa. Quando lhe foi perguntado qual a razão, ele disse que era porque Edith iria morrer dentro de três semanas. Isto ficou provado quando ela faleceu em 15 de setembro de 984, e sugere que Edith sofria de uma doença fatal. Ela foi sepultada em Wilton, na nova igreja de São Dionísio.
     Edith era muito célebre por sua erudição, beleza e santidade, e alguns milagres foram constatados logo após a sua morte. Uma semana depois de sua morte, Edith apareceu gloriosa para sua mãe e disse-lhe que o demônio tentara acusá-la, mas que ela quebrara sua cabeça.
     Goscelin, monge beneditino que nos transmitiu a biografia de Santa Edith, relata que treze anos depois ela apareceu em visões a São Dunstan e outros, para contar-lhes que o seu corpo estava incorrupto no sepulcro. Ele conta que quando São Dunstan abriu o túmulo, na presença de sua mãe, seu corpo “exalava perfumes do Paraiso”. Entretanto, a data do evento é duvidosa, pois São Dunstan morreu somente quatro anos após Edith. Foi sugerido que Goscelin escolheu escrever a história de Edith associando São Dunstan à transladação de seus despojos.
     Após a exumação e o novo sepultamento, o túmulo de Edith tornou-se um importante relicário. Ela foi canonizada por iniciativa de seu irmão Etelred, e sua causa foi também apoiada por seu sobrinho Edmundo. Canuto, o Grande, era conhecido por sua devoção a ela. Goscelin relata que em uma ocasião, ao atravessar o Mar do Norte da Inglaterra para a Dinamarca com sua frota, Canuto foi surpreendido por uma terrível tempestade, e, temendo por sua vida, apelou para Edith. A tempestade acalmou e ao retornar para a Inglaterra Canuto visitou Wilton para agradecer seu salvamento “com presentes, e publicando este grande milagre com várias testemunhas”, encomendando um relicário de ouro para a Santa.
     Santa Edith tornou-se centro de culto em Wilton e também um importante santuário nacional. Goscelin escreveu sua vida sob o título de Vita Edithe em 1080. A comunidade de Wilton tomou-a como sua patrona, lembrando-se dela como uma nobre dama que se dedicou à sua proteção. Em seu livro Liber Confortatorius, Goscelin escreveu que frequentemente ele pensava em Edith e sentia sua presença.
     Tem-se a certeza da existência de três igrejas dedicadas a Santa Edith: uma em Baverstock, próximo de Wilton, outra em Bishop Wilton, Yorkshire, e a terceira em Limpley Stoke, Wiltshite.
     O selo de Edith sobrevive. Datado do período 975-984, ele contém um retrato dela de pé, com uma das mãos elevada e a outra segurando um livro. A inscrição a identifica como regalis adelpha, ou “irmã real”, uma referência ao seu status de monja e de irmã dos reis Eduardo e Etelred.
     Sua festa é celebrada no dia 16 de setembro.
 
Fontes: Goscelin, Life of St Edith (of Wilton), ed. Stephanie Hollis, Writing the Wilton Women: Goscelin’s Legend of Edith and Liber Confortatorius (Medieval Women Texts and Contexts 9; Turnhout: Brepols, 2004) O. S. B., St Editha of Wilton (Catholic Truth Society, 1903, 6th edition, 24 pp.)
 
Abadia de Wilton
     Foi fundada pelo Rei Egberto cerca de 870. Em 1003 o Rei da Dinamarca destruiu a cidade de Wilton, mas não se sabe se a abadia teve o mesmo fim. Edith de Wessex, esposa de Eduardo o Confessor, que fora educada em Wilton, reconstruiu a abadia em pedra, pois ela era anteriormente de madeira. A Abadia de Wilton possuía a baronia dada pelo rei, um privilégio somente concedido a outros três conventos de monjas: Shaftesbury, Barking e Santa Maria de Winchester. A última abadessa, Cecília Bodenham, teve que entregar o convento para os emissários do rei Henrique VIII, em 25 de março de 1539, durante a Dissolução dos Mosteiros. O local foi concedido a William Herbert, depois conde de Pembroke, que iniciou a construção de Wilton House, que ainda hoje pertence aos seus descendentes. Não há ruinas das edificações antigas.
Wilton House, Inglaterra
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Santa Notburga de Eben, Doméstica - 14 de setembro

     Nasceu em 1265 em Rattenberg (Tirol Norte). Foi doméstica e cozinheira no vizinho Castelo de Rottenburg.
     Filha de uma família de lavradores sem fortuna do Tirol, foi educada nos princípios católicos. Aos dezessete anos foi admitida como cozinheira no palácio do Conde Henrique de Rottenburg. Henrique e Jutta, sua esposa, grandes esmoleres, designaram Notburga como sua despenseira para com os pobres que chegavam a toda hora em seu palácio. Ela distribuía generosamente aos pobres tudo aquilo que sobejava da mesa dos patrões. Ela também doava aos pobres o seu próprio alimento, especialmente às sextas-feiras.
     Seis anos viveu com os condes; com a morte deles tudo mudou para Notburga. Otília, a nova condessa, a maltratou de mil modos, e por fim a expulsou de sua casa. Mas, Otília ficou mortalmente enferma e Notburga cuidou dela e a preparou para a morte.
     Notburga depois passou a trabalhar para os agricultores do vale do Eben. Ali realizou um milagre para que os trabalhos nos campos terminassem após o toque dos sinos das Vésperas do sábado – que segundo o costume medieval indicava o início da festa dominical –, para que os camponeses pudessem se dedicar à oração e aos trabalhos da casa.
     Depois do falecimento de Otília, seus filhos, que herdaram seus bens e eram católicos piedosíssimos, acolheram a jovem, que voltou a trabalhar como cozinheira no castelo. Novamente despenseira dos pobres, continuou suas atividades caritativas até sua morte.
     Notburga faleceu em 14 de setembro de 1313 no Castelo de Rottenburg. Um pouco antes de sua morte ela dissera ao seu senhor para colocar seu corpo em uma carroça puxada por dois bois, e para enterrá-lo onde os bois parassem. Os bois dirigiram a carroça para a Capela de São Roberto, em Eben am Achensee, onde ela foi sepultada.
     A Santa é invocada como modelo e patrona da juventude rural, e venerada como patrona dos camponeses e das domésticas. O seu culto se difundiu no Tirol, Áustria, Ístria, Baviera e foi confirmado pelo Papa Pio IX com decreto de 27 de março de 1862.
     Não existem documentos contemporâneos que mencionem sua vida, somente um texto muito antigo, em alemão, pintado a óleo sobre madeira, que adornava o túmulo de Notburga em Eben am Achensee, e se perdeu.
     Este texto, que foi transcrito para o latim e é conservado no Museu Ferdinandeum de Innsbruck, narra numerosos milagres e prodígios que aconteceram depois de sua morte. A iconografia que a representa é numerosa e a mostra como um dos seus símbolos: a foice. Segundo a legenda, diante da insistência de um camponês em continuar a trabalhar após o toque do sino, Notburga lançou a foice para o alto, e ela ficou suspensa no ar.
     Notburga foi alvo de um culto notável nos séculos seguintes, eram numerosos os peregrinos que iam venerar seu túmulo e levavam um pouco de terra do cemitério consigo para usá-la contra as doenças que afligiam homens e animais.
     A igrejinha de Eben onde ela estava sepultada foi ampliada em 1434 e em 1516, e embelezada com o apoio do imperador Maximiliano I de Habsburg. Em 1718 as suas relíquias foram recompostas, segundo o uso da época, revestidas com seda, ouro e prata, e colocadas no altar mor em posição vertical e ali estão ainda hoje.
Eben am Achensee

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Beata Maria Luísa Angélica Prosperi, Beneditina - 12 de setembro

     No dia 19 de agosto de 1799, em Fogliano, pouco distante de Cascia, Itália, nasceu Gertrudes. Sua família era abastada e deu a ela uma educação profundamente católica.
     Quando tinha vinte anos, no dia 4 de maio de 1820, ingressou no mosteiro beneditino de Santa Lucia de Trevi, que fora reaberto após a supressão napoleônica.
      Irmã Maria Luísa, nome de religiosa que adotou, teve uma existência caracterizada por fatos e dons extraordinários. Praticava penitências muito rígidas, provou em sua própria carne a Agonia de Nosso Senhor, a Flagelação, a Coroação de espinhos, os golpes, os estigmas nas costas e nas mãos. O Senhor desejava que ela participasse de seus sofrimentos, enquanto o demônio a molestava até durante a noite e com pancadas.
     Seu diretor espiritual, o Padre Cadolini, Bispo de Spoleto, depois Arcebispo de Ferrara e Cardeal, por cinco anos a induziu a reconhecer a soberba e a obra do demônio nas suas visões.
     Em 1837 Madre Maria Luísa foi eleita Abadessa. Ela fez reflorescer no mosteiro a observância da Regra, privilegiando a adoração ao Santíssimo Sacramento. Contemplava longamente o Crucifixo; a todos que pediam seus conselhos convidava a recorrerem com confiança amorosa na infinita Misericórdia de Jesus.
     Certo dia, Jesus Cristo lhe apareceu no parlatório principal com o semblante de um peregrino.
     Madre Maria Luísa faleceu no dia 12 de setembro de 1847, aos quarenta e sete anos de idade apenas. Conservam-se muitas cartas suas originais, ou cópias feitas pelo seu confessor, o jesuíta Padre Paterniani, que em 1870 escreveu a primeira biografia da Beata.
     Em 1914 a causa de sua beatificação foi introduzida, ficando suspensa devido à deflagração da 1ª. Guerra Mundial. Foi considerada Venerável em 1º de julho de 2010; será proclamada oficialmente Beata na Catedral de Spoleto em 12 de novembro de 2012.
     Seus despojos repousam na igreja de Santa Lúcia de Trevi.
 
Mosteiro de Sta Lucia
 

domingo, 9 de setembro de 2012

Santa Pulquéria, Imperatriz - Festejada 10 de setembro

Serviu de para-raios, afastando os inimigos da Civilização Cristã nascente.
     O Papa São Leão homenageou a Imperatriz Pulquéria, digna neta de Teodósio, o Grande, com as seguintes palavras:
     É a vós que se deve a supressão dos escândalos suscitados pelo espírito do mal; graças ao vosso esforço, toda a terra está presentemente unida na mesma confissão de Fé. A parte principal em tudo que neste tempo se fez contra os adversários da Verdade Divina, duas palmas estão em suas mãos, duas coroas sobre sua cabeça, porque a Igreja lhe deve a dupla vitória sobre a impiedade de Nestório e Eutíquio, que embora divididos no ataque, visavam o mesmo fim: a negação da Encarnação e do papel da Virgem Mãe na salvação do gênero humano”.
     Pulquéria nasceu em 19 de janeiro de 399, foi batizada por São João Crisóstomo em Constantinopla e muito nova ainda fez voto de virgindade, juntamente com as duas irmãs mais novas.
     Conta-se que ela e suas irmãs, virgens como ela, entoavam os Salmos e com isto continham os bárbaros. Grande devota de Nossa Senhora, ela construiu várias igrejas em sua honra em Bizâncio.
     Quando seu pai, Arcádio, morreu, em 414, foi proclamada "augusta" tendo apenas quinze anos, e passou a governar tutelando seu irmão, Teodósio II, dois anos mais novo do que ela. Assumiu todas as responsabilidades do governo e raras vezes viu-se tanta prudência aliada à tamanha precocidade.
     O palácio imperial quase havia se tornado um convento, porque dia e noite ali as saudações divinas eram cantadas, lia-se a Sagrada Escritura, jejuava-se e faziam-se trabalhos manuais. Pulquéria, tendo como conselheiro o Patriarca Atiço, tornou-se defensora da ortodoxia católica, emanando leis contra os hereges de vários movimentos, impedindo o acesso de pagãos aos cargos públicos, moderando a influência dos judeus na vida do império. Em 417, ela restabeleceu a comunhão entre a Sé Apostólica e o patriarcado de Constantinopla.
     Quando Teodósio chegou aos vinte anos, Pulquéria concorreu para que ele desposasse Atenaide, filha de um filósofo pagão de Atenas. O casamento aconteceu em 7 de junho de 421. Batizada com o nome de Eudóxia, esta princesa acabou por perseguir a cunhada, por esta exercer influência sobre Teodósio. Pulquéria teve que se retirar da corte.
     Na realidade, a heresia de Eutíquio (378-454), superior de um mosteiro de Constantinopla, havia agravado a tensão entre as duas damas, que estavam em posições opostas.
     Pulquéria se retirou no seu palácio de Ebdomon, e ali residia quando a 13 de junho de 449 o Papa São Leão Magno, em luta contra o herege Eutíquio, enviou-lhe várias cartas pedindo insistentemente que viesse em auxílio da ortodoxia ameaçada. Com uma carta datada de 17 de março de 450, a Augusta Pulquéria respondeu afirmativamente ao pedido do Papa.
     Eutíquio tinha, com efeito, caído nas boas graças do Imperador Teodósio II, e a heresia triunfava então na sé de Constantinopla. Bastou que Pulquéria aparecesse na corte para acabar com tais abusos. Estimulou a convocação do Concílio de Calcedônia que condenou o eutiquianismo e seus adeptos. Ela também foi envolvida na controvérsia que teve como protagonista São Flaviano, patriarca de Constantinopla, episódio que expôs o erro de Teodósio II, e também contribuiu para a volta de Pulquéria à corte.
     Em 28 de junho de 450, com o falecimento de Teodósio, Eudóxia foi afastada e Pulquéria tornou-se senhora absoluta do Império, então ameaçado por Átila, rei dos hunos.
     A fim de estabilizar a sua autoridade, Pulquéria decidiu casar-se com o General Marciano, que respeitou seu voto de virgindade. O General Marciano perseguiu os partidários dos heresiarcas Nestório e Eutíquio, e obrigou Átila a afastar-se das fronteiras.
     Durante o Concílio de Calcedônia (451), do qual participaram também os soberanos bizantinos, na presença de seu marido, o Imperador Marciano, Pulquéria foi aclamada como a nova Santa Helena, defensora e salvadora da Cruz de Cristo.
     Entre o Papa São Leão Magno e os soberanos se estabeleceu uma correspondência intensa para consolidar as normas do Concílio, e quando surgiram sucessivas agitações heréticas, especialmente na Palestina (453), Pulquéria interveio com duas cartas dirigidas aos monges palestinos e a São Bassa e suas monjas.
     A Imperatriz Pulquéria faleceu no terceiro ano de reinado de Marciano, no mês de julho de 453. No seu testamento, ela deixou todos os seus bens para os pobres.
     Os historiadores bizantinos mencionam, entre suas obras, a construção de suntuosos templos em honra dos mártires, de numerosos mosteiros, hospitais, aos quais destinava dotes para seu sustento.
     Algumas de suas obras: a Igreja dos 40 Mártires de Sebaste, o Santuário dedicado a Santo Estevão, que abriga a relíquia da mão direita do protomártir, uma igreja em honra ao Profeta Isaias, a Igreja de São Mena. Santa Pulquéria é recordada também por ter dado início, em 449, e depois com o apoio de Marciano, à construção de santuários marianos.
     O corpo de Santa Pulquéria foi sepultado na Igreja dos Santos Apóstolos de Constantinopla, aonde já repousavam São Gregório de Nazianzeno, São João Crisóstomo e São Flaviano. O sucessor do Imperador Marciano, Imperador Leão (457-474), cheio de admiração pela Imperatriz falecida, fez colocar uma imagem dela sobre seu túmulo.
     No Ocidente, o culto de Santa Pulquéria teve novo impulso com o Papa Bento XIV. Seu decreto de 2 de fevereiro de 1752 estendia o culto de Santa Pulquéria e de São Marciano, com Missa própria, a uma boa parte da Europa, e elogiava os valores altamente expressivos do casto casamento dos soberanos.
     Santa Pulquéria é recordada no dia 10 de setembro e, junto com São Marciano, São Flaviano e São Leão, no dia 17 de fevereiro. Ela recebeu o título de "custódia da Fé" devido a sua grande participação na defesa da ortodoxia católica.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Beata Lucia de Omura, Mártir japonesa - 8 de setembro

     O xogunado e governo imperial tolerou inicialmente o estabelecimento de missões católicas e dos missionários, pensando aproveitar o fato de a presença dos cristãos vir a enfraquecer o poder dos monges budistas e ajudar no comércio com Espanha e Portugal. Porém, vendo que as Filipinas tinham sido tomadas pelos espanhóis após a conversão da população, o governo xogum viu o cristianismo como uma ameaça e começou a perseguir os cristãos. A religião foi banida e os que recusassem renegá-la eram executados.
     Japonesa de nascimento, Lúcia era viúva e terceira dominicana. Durane a perseguição anticristã hospedou generosamente o padre dominicano, o Beato Domingos Castellet. Em 15 de junho de 1628 foram descobertos e conduzidos, com alguns catequistas, ao cárcere de Omura.
     Depois de alguns meses de prisão, no dia 8 de setembro de 1628, foi conduzida a Nagasaki e queimada viva na idade de oitenta anos. Naquele dia vinte e dois cristãos, japoneses e europeus, receberam a glória de morrer dando testemunho da sua fé e de seu amor a Jesus Cristo.
     Lúcia de Omura foi beatificada junto com os Beatos Mártires do Japão, grupo que engloba 205 mártires que deram a vida pela fé entre 1617 e 1632, na terrível perseguição movida por Hidetada e Iemitsu, em Nagasaki e Tóquio. Esta perseguição durou 15 anos. Foram beatificados por Pio IX a 7 de julho de 1867. Ao todo são 166 cristãos leigos (quase todos japoneses) e 39 sacerdotes. Dentre os sacerdotes, treze são jesuítas, doze são dominicanos, oito franciscanos, cinco agostinianos e um sacerdote diocesano japonês.
     Não se deve confundir estes beatos mártires com os Santos Mártires do Japão, que foram já canonizados e são 26, que sofreram o martírio todos no mesmo dia: 6 de fevereiro de 1597.
     Há ainda os 188 mártires beatificados no dia 24 de novembro de 2008, que foram martirizado em 1603, quando o governo de Tokugawa começou uma forte perseguição contra os cristãos custando a vida de milhares deles, entre eles 4 sacerdotes e 184 leigos, mulheres, crianças, samurais, servos e inclusive pessoas deficientes. 
Pintura representando os Santos Mártires do Japão