domingo, 14 de outubro de 2012

Beata Elisabete de Hoven, Monja cisterciense - 15 de outubro

Santos norbertinos
     A Abadia de Steinfeld, situada a 15 quilômetros de Hoven, Alemanha, era dirigida pelos religiosos premostratenses.
     Santo Hermano José (*), religioso daquele mosteiro, conheceu assim Elisabete, monja cisterciense, de quem escreveu a vida, infelizmente perdida. Tudo que se sabe dela se encontra na Vita daquele santo, escrita por um de seus confrades de Steinfeld, que inclusive conheceu também Elisabete. Ele a chamou de “luz e flor de nosso tempo” e referiu-se às visões com as quais ela foi favorecida. Com as suas orações obteve a graça de ver um religioso de Steinfeld que havia falecido há pouco, para interrogá-lo sobre os méritos de Santo Hermano José. A resposta obtida foi que ele era um homem de grande virtude.
     Outra visão foi contada ao autor pela própria Elisabete. Quando Santo Hermano José estava próximo da morte, enquanto ela rezava por ele em prantos, um anjo lhe apareceu e lhe disse: “Prepara-te, porque tu deves partir em breve”. E tendo Elisabete perguntado se deveria morrer antes de Santo Hermano José, o anjo respondeu: “Tu partirás primeiro, mas ele te seguirá logo”. E confirmou que o Santo era um grande homem e que não havia igual na Abadia de Steinfeld.
     Numa época que a abadia atravessava grandes provas, ela não cessava de rezar dia e noite. O Senhor lhe apareceu e a consolou: “Por que rezas pela Abadia de Steinfeld? Saiba que um lírio está para germinar e até que ele esteja lá a abadia não poderá desaparecer”.
     Cesário de Heisterbach refere que o demônio apareceu para a Beata várias vezes. Ela faleceu como o anjo havia predito, pouco antes de Santo Hermano José, que cessou de viver em Hoven em 1241.
     Ela figura no Menologio Cisterciense no dia 15 de outubro.
 
Fontes: http://www.churchforum.org/santa-elisabeth-hoven-1.htm; www.santiebeati.it
 
(*) Santo Hermano José nasceu em Colônia, Alemanha entra 1150 e 1160. Entrou muito jovem no mosteiro premostratense de Steinfeld, que então pertencia à diocese de Colônia (hoje depende de Aachen); foi ordenado sacerdote e como premostratense foi encarregado de exercer seu ministério nos mosteiros das religiosas cistercienses e premostratenses de sua região. Morreu em 1241 ou 1242, em Hoven, na quinta-feira depois da Páscoa. Depois de Pentecostes seus despojos foram levados para Steinfeld, onde se encontram ainda hoje. Ele escreveu muitas obras, mas somente foram conservadas «Duodecim gratiarum actiones» e «Precula de quinque gaudiis Beatae Mariae Virginis».  Já em 1339 uma igreja em Ubbergen lhe foi dedicada. A iconografia o retrata com um cálice ornado de três rosas e com as vestimentas corais. Festejado 7 de abril. (Avvenire)
 
Abadia de Steinfeld
 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Beata Alexandrina Maria da Costa - 13 de outubro

     Nascida no meio católico e rural de Balasar, para frequentar a escola primária Alexandrina mudou-se em 1911 para o meio urbano de Póvoa de Varzim, onde viveu na pensão de um marceneiro, na Rua da Junqueira. Ao fim de dezoito meses, regressou à freguesia natal, para o lugar do Calvário, freguesia esta de Santa Eulália de Balasar onde, desde o tempo da sua quarta avó materna Tereza Maria da Costa Carneira - bisneta do Morgado Pedro Carneiro da Gram - é a terra onde viveu toda a sua família.
     Começou a trabalhar cedo na lavoura, como era usual na altura. Era uma menina vigorosa, a ponto de afirmar na Autobiografia que a equiparavam aos homens no que diz respeito ao rendimento do trabalho. Aos 12 anos adoeceu, provavelmente de febre tifoide, ficando a sua saúde, a partir desse momento, algo comprometida.
     Com 14 anos, no dia de Sábado Santo (antes da Páscoa) de 1918, estando a trabalhar em costura com a sua irmã Deolinda e outra menina, deu um salto do quarto onde estava para se defender de agressores que invadiram a casa, numa atitude semelhante à de Santa Maria Goretti que morreu em defesa da sua virgindade.[1]
     Até aos seus 19 anos ainda se conseguia movimentar sofrivelmente, tendo gosto em ir à igreja. Contudo, a paralisia foi-se agravando até 14 de abril de 1925, data em que ficou, definitivamente de cama durante trinta anos.
     A sua intenção inicial era tornar-se missionária e por isso orava à Santíssima Virgem Maria para que ficasse curada. Em 1928, chegou à conclusão de que a sua vocação era compartilhar misticamente o sofrimento de Cristo, oferecendo-se então como vítima pelos pecadores.
     De 3 de outubro de 1938 a 24 de março de 1942, todas as sextas-feiras, alegou viver os sofrimentos da Paixão de Cristo: superando a paralisia, descia da cama e, dando mostras de sofrimento físico, repetia, por três horas e meia, as etapas da Via Sacra. Existe um registo filmado de um destes êxtases e um circunstanciado relato de um outro, publicado pelo Padre José Alves Terças nas páginas de "A Paixão Dolorosa" (este escrito, ilustrado com alguns desenhos, pôs pela primeira vez a Alexandrina nas bocas do mundo, para grande mágoa sua).
     O padre jesuíta Mariano Pinho, seu diretor de 1933 a 1942, exortou-a a ditar as suas vivências místicas. A sua obra escrita (autobiografia, cartas, diário) enche cerca de 5.000 páginas.
     Em 1936, por intermédio do mesmo diretor, fez vários pedidos à Santa Sé no sentido de que o mundo fosse consagrado ao Imaculado Coração de Maria, o que fez despertar o interesse do Vaticano pelo seu caso (houve, mesmo, contatos com o Arcebispo de Braga). A 31 de outubro de 1942, o Papa Pio XII satisfez esse desejo, numa mensagem transmitida a partir de Fátima (celebravam-se os 25 anos das Aparições), repetindo-se este ato na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no dia 8 de dezembro do mesmo ano.
     A partir 27 de março de 1942 deixou de se alimentar nos seguintes 13 anos de vida, vivendo exclusivamente da comunhão diária. Para verificar a inédia, em 1943, foi internada no Refúgio de Paralisia Infantil, na Foz do Douro. Foi aí submetida à vigilância de um grupo de médicos, dirigidos pelo Dr. Henrique Gomes de Araújo, membro da Sociedade Portuguesa de Química e da Real Academia de Medicina de Madrid, por um período de 40 dias. No final, asseguraram que era "absolutamente certo" que durante aquele tempo não tinha comido, bebido, defecado ou urinado.
     O mesmo Dr. Henrique Gomes de Araújo, a quem o Dr. Azevedo pedira "o estudo das faculdades mentais da doente", descreveu-a nestes termos: “A expressão de Alexandrina é viva, perfeita, afetuosa, boa e acariciadora; atitude sincera, sem pretensões, natural. Não há nela ascetismo, nada untuoso, nem voz tímida, melíflua, rítmica; não é exaltada nem fácil a dar conselhos. Fala de modo natural, inteligente, mesmo subtil; responde sem hesitações, até com convicção, sempre em harmonia com a sua estrutura psíquica e a construção sólida de juízos bem delineados em si e pelo ambiente, mas sempre, repetimo-lo, com ar de espontânea bondade que o clima místico que desde há tempos a circunda e que, parece, não foi por ela provocado, não modificaram”.
     Sobretudo nos anos finais da sua vida, começou a desenvolver-se em torno da Alexandrina um fenômeno de popularidade, que levou muita gente em peregrinação até ao seu leito em busca de aconselhamento espiritual.
Promessas de Jesus
     Nas Suas aparições e revelações à Beata Alexandrina de Balasar, Jesus apresentou-lhe duas grandes e prodigiosas promessas:
Devoção das 6 Primeiras Quintas-feiras
     «Minha filha, minha esposa querida, faz com que Eu seja amado, consolado e reparado na Minha Eucaristia. Diz, em Meu nome, que todos aqueles que comungarem bem, com sinceridade e humildade, fervor e amor em seis primeiras quintas-feiras seguidas e junto do Meu sacrário passarem uma hora de adoração e íntima união coMigo, lhes prometo o Céu. É para honrarem pela Eucaristia as Minhas Santas Chagas, honrando primeiro a do Meu sagrado ombro tão pouco lembrada. Quem isto fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da Minha Bendita Mãe e em nome delas nos pedir graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhas prometo, a não ser que sejam de prejuízo à sua alma. No momento da morte trarei coMigo Minha Mãe Santíssima para defendê-lo».[2]
Divulgação e defesa da beatificação
     Entre os estudiosos da sua vida e escritos, que tornaram viável a abertura, desenvolvimento e conclusão do Processo Diocesano para a beatificação e canonização, destacam-se, além do já citado Padre Mariano Pinho, o italiano Padre Humberto Pasquale e o Casal Signorile. Os livros escritos por este casal (os professores Chiaffredo e Eugênia) são referência importante para o conhecimento da obra de Alexandrina (alguns deles, como a recorrentemente citada “Figlia del Dolore Madre di Amore” estão disponíveis on-line).
     A beatificação de Alexandrina Maria da Costa assentou numa cura ocorrida em Estrasburgo com uma emigrante oriunda da freguesia de Esmeriz, Vila Nova de Famalicão; esta cura foi declarada inexplicável à luz dos atuais conhecimentos da medicina.
  1. Alexandrina de Balazar - O Salto. Preghiere a Gesu e Maria. Página visitada em 2 de Julho de 2009.
Alexandrina dois meses antes de seu falecimento, última foto datada de 15/8/1955
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Santa Maria Soledade Torres Acosta, Fundadora - 11 de outubro

     A 5 de Fevereiro de 1950 foi beatificada a venerável Madre Soledade Torres Acosta, fundadora das Servas de Maria, religiosas dedicadas aos cuidados dos doentes. O nome Soledade se refere à Maria Santíssima na Paixão do seu Divino Filho.
     Nasceu em Madri, a 2 de dezembro de 1826. Viveu numa Espanha perturbada pelos conflitos entre absolutistas e liberais, que produziram às vezes para a Igreja anos custosos. Os pais, Francisco Torres e Antônia Acosta, eram pequenos comerciantes. A criança foi batizada como Bibiana Antônia Manuela.
     Estudou com as Irmãs Vicentinas e ao ver a dedicação total destas religiosas aos mais pobres, se entusiasmou pela vida religiosa. Porém tinha uma saúde muito débil e não foi admitida na comunidade.
     Quando, chegando aos 25 anos, pensava na vida dominicana, o Pe. Miguel Martínez, sacerdote do bairro populoso de Chamberi, conquistou-a para a sociedade de religiosas, guardas de doentes, que projetava organizar. Desde pequena ela havia assistido a vários moribundos e sentia um gosto especial em assistir a doentes e moribundos. Era uma graça que o Espírito Santo lhe havia concedido.
     A 15 de agosto de 1851, a jovem entrou no grupo das sete primeiras Servas de Maria, adotando o nome de Irmã Soledade. Embora chegando tarde, depressa foi promovida a superiora.
     Mas Pe. Miguel partiu para as missões no estrangeiro. O novo diretor espiritual julgou acertado mudar a superiora: Madre Soledade foi despachada para Getafe, no Sudoeste de Madrid, para um hospitalzinho. Ir-se-ia dissolver a Congregação em estado deplorável? O Pe. Gabino Sánchez Cortez repôs Madre Soledade à frente das irmãs, e deu ao Instituto uma regra bem adaptada.
     Em 1861, as Servas de Maria receberam a aprovação diocesana, e o agostiniano, Pe. Angel Barra, foi nomeado diretor. A instituição ampliou seu campo de ação para atender também as jovens delinquentes e as fundações se multiplicaram.
     Fundaram-se 46 casas durante a vida da Santa. A rainha Isabel II exigiu suas religiosas para o hospital de São João de Deus, em Madrid. Em 1867, esta caridade que vence o mal com o bem levou Madre Soledade a Valência, onde a guerra civil multiplicava os feridos.
     Em 1885, uma epidemia de cólera invadiu metade do país: bela ocasião de socorrer o próximo com perigo de vida, para ela e suas colaboradoras! Atualmente, a Congregação conta com mais de 2000 religiosas, também nas duas Américas, na Inglaterra, na Itália, na França e em Portugal.
     Santa Soledade faleceu no dia 11 de outubro de 1887 com 61 anos de idade; foi beatificada por Pio XII em 5 de fevereiro de 1950 e canonizada por Paulo VI em 1970.
     Santa Maria Soledade Torres Acosta, junto com Maria Micaela Desmaisieres, Joaquina Vedrun de Mas e Vicenta López, faz parte do grupo insigne de virtuosas mulheres espanholas que alcançaram um grau de santidade heroica a serviço dos doentes no século XIX.
 
Fontes: www.santiebeati.it; Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Santa Thais, Penitente - 8 de outubro

     Santa Thaís foi uma cortesã egípcia de grande beleza e riqueza que vivia na prestigiosa cidade de Alexandria romana no século IV e convertida ao cristianismo.
     Existem dela dois esboços biográficos: um em grego, talvez do século V (está traduzido para o latim na Vita Thaisis por Dionísio o Exíguo - Dionísio o pequeno - durante o século VI o VII); o outro esboço chegou aos tempos modernos em latim medieval por Marbodio de Rennes (m. 1123). As vidas dos santos e eremitas do deserto egípcio, incluída a de Santa Tais, foram recopiladas na Vitae Patrum.
    Um monge de nome Pafnúcio (*), que alguns estudiosos acham ser o mesmo São Pafnutius, eremita junto com Santo Onofre, inflamou-se com a idéia de converter Thais ao cristianismo e com isto tirá-la da vida pecaminosa. Thaís realmente converteu-se ao cristianismo, desistindo da vida que levava com grande determinação. Queimou suas roupas e jóias em praça pública. O ato seria o primeiro de uma série de penitências que a santa se submeteria.
     Hroswitha de Gandersheim (935-1002) escreveu em latim a obra Pafnutius na qual aparece Santa Thais. Abaixo um texto de São Pafnúcio dirigindo-se à abadessa do convento do deserto, em relação com o cuidado de Thais:
     "Eu te trago uma pequena cabra meio morta, recentemente arrancada dos dentes dos lobos. Confio que por tua compaixão seja assegurado a ela um refúgio, e que por teu cuidado [ela] seja curada, e que tendo arrancado a áspera pele de uma cabra ela seja vestida com a suave lã do cordeiro".
     No mosteiro Santa Thaís se manteve em penitência e contemplação por três anos, dos quais não saia de sua cela a não ser para ir a capela rezar. Não sorria, não pronunciava uma só palavra, não levantava o olhar para ninguém, vestia roupas grossas feitas com sacos velhos, dormia no chão e fazia jejum a pão e água. Sua fé nas palavras de Jesus fez com que após três anos de extrema penitência ela fosse admitida na vida da comunidade e foi descrita como uma pessoa de grande bondade que cuidava em especial dos pobres e doentes de sua época.
     Sua fama cresceu visto que ela milagrosamente não contraia a doença das pessoas que cuidava. Este teria sido o seu primeiro milagre. Diz a tradição que no final de sua vida curava os doentes apenas com sua oração e bênção, e chegou a prever o dia de sua morte com grande antecedência. Ao morrer repetia sem cessar a seguinte oração: “Ó Vós, que me criastes, tende compaixão de mim”.
     Fez questão de ser enterrada em uma cova comum sem caixão ou qualquer outra proteção, e algum tempo depois seu túmulo exalava um perfume agradável e em breve se tornou local de peregrinação. Vários milagres foram creditados a sua intercessão. No século IX as sua relíquias foram trasladadas e guardadas em um santuário na Igreja de São Praxedes pelo Papa Pascoal I, que era fervoroso devoto de Santa Thais, e teria sido curado de uma terrível doença por sua intercessão.
     Durante a Idade Média europeia, a história de Santa Thais gozou de ampla popularidade. Sua festa, no calendário latino, é celebrada no dia 8 de outubro. É intercessora dos pecadores arrependidos que levaram uma vida desordenada.  

 (*) A identidade da pessoa que instruiu e ofereceu a Thais a oportunidade de transformação espiritual não é clara, três nomes são mencionados: São Pafnúcio (bispo egípcio da Tebaida Superior), São Besário (discípulo de São Antonio Abade no deserto egípcio) y São Serapião de Alexandria (bispo no Delta do Nilo). 
 
Fontes: http://ec.aciprensa.com/s/santatais.htm; http://es.wikipedia.org/wiki/Thais_(santa)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Beata Maria Rosa Durocher, Fundadora - 6 de outubro

     Uma jovem nascida em um pequeno vilarejo, de saúde frágil, jamais pensou que um dia iria fundar uma congregação de irmãs educadoras, difundida hoje em várias partes do mundo. Mas Nosso Senhor se serve de instrumentos pequenos.
     Eulália Melânia Durocher nasceu em Saint-Antoine-sur-Richelieu, pequena aldeia de Quebec (Canadá), no dia 6 de outubro de 1811, de uma família muito religiosa. Era a última de dez filhos, três dos quais se tornaram sacerdotes e duas religiosas. Os pais, agricultores, também na juventude tinham pensado em consagrar-se a Deus.
     Eulália cresceu em um ambiente sadio, tranqüilo e profundamente católico. Aprendeu com a mãe a rezar e a socorrer os pobres e doentes. O avô paterno ministrou-lhe os primeiros rudimentos de letras.
     Na idade de 10 anos foi mandada para o Colégio das Irmãs de Nossa Senhora em S. Denis, onde permaneceu por dois anos e recebeu a Primeira Comunhão. Retornou para casa por problemas de saúde, até que em 1827, amadurecendo a vocação religiosa, entrou na comunidade de Montreal daquela Congregação. Nos três anos seguintes, teve que voltar para casa várias vezes, sempre devido a saúde precária, e, finalmente, renunciou ao seu desejo de tornar-se religiosa.
     Com a idade de 19 anos, quando da morte de sua mãe, teve que assumir a responsabilidade do governo da casa. Pouco depois, o seu irmão Teófilo, pároco de Beloeil, chamou-a para tomar conta da residência paroquial, onde se alojavam padres e seminaristas doentes. Transferiu-se então com o pai para junto do irmão sacerdote.
     Não lhe faltaram sofrimentos da parte das empregadas mais antigas, que suportou com paciência, sem se queixar. Além do trabalho da casa, ocupou-se em dirigir as obras de caridade da paróquia e estimular a piedade mariana das jovens.
     No ano seguinte, algumas jovens começaram a ajudá-la e formaram a associação das Filhas de Maria, a primeira do Canadá. Eulália foi eleita diretora da associação, mas o seu desejo de consagrar-se toda a Deus permanecia forte e, em 1841, pronunciou, nas mãos do confessor, os votos privados de pobreza, castidade e obediência.
     O trabalho na paróquia a fazia compreender quão necessária era a instrução dos pobres, que naquele tempo estavam quase privados dela.
     A situação sócio-política de Quebec era complicada. No século anterior, depois da guerra entre a França e a Inglaterra (1763), o país havia passado para o controle inglês. Desde a sua fundação (1603), a “Nouvelle France” (a Nova França) havia nascido graças à imigração do velho continente, regulada por normas precisas. Os habitantes eram todos católicos franceses e a convivência com os ingleses (protestantes) não era fácil.
     Com a Revolução Americana, os colonos que não queriam separar-se da Coroa Britânica se refugiaram no Canadá. Eles se estabeleceram sobretudo no oeste, em Ontário, deixando aos franceses os territórios do leste. A convivência entre as duas comunidades, que implicava na escolha dos governos, a liberdade de imprensa e o controle do comércio, era difícil. Houve revoltas contidas à força (1838), porque os franceses, sendo a maioria, tinham menos direitos.
     Nesse ambiente complexo se insere a história da beata. Na sua cidadezinha, para instruir o povo, se procurou fazer vir da França a Congregação dos Santos Nomes de Jesus e Maria que, impossibilitada de abrir uma casa no ultramar, mandou suas próprias constituições para que se inspirassem nelas.
     O confessor de Eulália, um Missionário Oblato de Maria Imaculada (fundados por Santo Eugênio de Mazenod), aconselhou então a jovem a dar vida a uma nova família religiosa.
     Eulália, contra toda expectativa, junto com duas amigas formou a primeira comunidade, alojando-se em uma velha escola. Naquele mesmo ano, Santo Eugênio de Mazenod enviou da França os seus missionários a Montreal, o que facilitava o desenvolvimento de sua Congregação. A diocese católica era grande e havia muito trabalho a fazer.
     Nasceu assim, em Longueuil, no dia 28 de outubro de 1843, as Irmãs dos Santos Nomes de Jesus e Maria. Aprovada pelo Bispo Ignace Bourget em 29 de fevereiro do ano seguinte, em 8 de dezembro de 1844, procedeu-se à profissão religiosa e Eulália adotou o nome de Maria Rosa, sendo nomeada superiora e mestra de noviças.
     Em 1845, a Congregação teve sua personalidade jurídica reconhecida por parte do parlamento. A direção dos Oblatos de Santo Eugênio foi fundamental na formação das religiosas, bem como a ajuda dos irmãos de Madre Maria Rosa, em particular de Teófilo. Mantiveram as constituições do Instituto de Marselha, adotando o método de ensino dos Irmãos das Escolas Cristãs.
     A Congregação multiplicou o seu apostolado, algumas iniciativas eram a pagamento e assim se pode financiar a atividade educativa para as famílias pobres.
     Madre Maria Rosa tinha finalmente cumprido sua missão terrena, lançando no seio da Santa Igreja uma semente fecunda. Morreu com somente 38 anos, em 6 de outubro de 1849. Pouco antes de expirar, sorridente, disse às Irmãs reunidas em torno de seu leito: “As vossas orações me detêm aqui, deixem-me ir!”
     A Congregação, que em 1877 se tornou de direito pontifício, se dedica ainda hoje principalmente à instrução e à catequese, seguindo a espiritualidade inaciana. Difundiu-se por várias partes do mundo: além do Canadá e dos Estados Unidos, está presente no Japão, Brasil, Peru, Camarões, Haiti, Nigéria.
     Os despojos mortais de Madre Maria Rosa são venerados na Catedral de Santo Antonio da diocese de St-Jean-Longueuil. Foi beatificada em 23 de maio de 1982.
 
Fontes: www.santiebeati.it; Santos de Cada Dia, Pe. José Leite, S.J.

Convento da Congregação em Longueil, Canadá
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Santa Áurea de Paris, Abadessa - 4 de outubro

     No dia da festa de São Francisco de Assis, patrono da Itália, a Igreja comemora também Santa Áurea de São Marcial, de Paris. Santa Aurea, Abadessa de Paris, é filha espiritual de Santo Eligio (Éloi, em francês) e São Columbano.
     Após ter fundado e estabelecido solidamente seu mosteiro de Solignac, no Limousine, Santo Eligio desejava transformar uma casa que ele possuía em Paris em uma hospedagem para viajantes. Após madura reflexão, ele mudou seu plano e instalou ali um mosteiro de virgens, onde ele acolheu cerca de 300 jovens de diversas nações, escolhidas entre servas ou nobres.
     Ele colocou o mosteiro sob a direção de Aurora ou Áurea, filha de Maurino e de Quiria, dando-lhe “a severa disciplina de uma regra”, que se pode sem nenhuma dúvida identificar como aquela de São Columbano de Luxeuil, mosteiro onde Santo Eligio havia sido formado. Santo Eligio cuidou zelosamente de sua fundação que ele dotou e na qual ele mesmo trabalhou para mobiliá-lo. Isto ocorreu no ano de 633.
     Quando o mosteiro ficou acabado, Santo Eligio edificou uma igreja em honra do Apóstolo São Paulo, para ali serem sepultadas as servas de Deus. Esta igreja de São Paulo, que se tornou paróquia a partir do século XII, foi fechada pela Revolução Francesa e destruída em 1798. Santo Eligio restaurou também outro oratório e o colocou sob a proteção de São Marcial de Limoges; era ali que a comunidade cantava o Ofício.
     Quanto a nossa homenageada deste dia, Santo Ouen fez dela um elogio dizendo que ela era uma digna filha de Deus. Santa Áurea foi efetivamente o modelo para suas Irmãs, que ela formou pelo exemplo das virtudes cristãs e monásticas, e pelos sábios ensinamentos tirados da leitura do Evangelho.
     Deus fez que suas virtudes fossem manifestadas por milagres. A oração perpétua era sua prática habitual; quando ela via alguém sofrendo ou na miséria, ela se apressava, com uma caridade infatigável, em consolá-lo ou socorrê-lo.
     Quando uma terrível peste castigava Paris, Santo Eligio apareceu na Igreja de São Marcial a um jovem que, aterrorizado, desejava se esconder, quando o bispo lhe ordenou ir dizer à abadessa que ele a esperava. Ela se apressou em atender ao chamado do Santo, mas ele já havia desaparecido quando ela chegou; ela compreendeu que ele a convidava a deixar este mundo. Ela realmente faleceu pouco tempo depois, no dia 4 de outubro de 666, com 160 monjas; foi tratando dos doentes e consolando os aflitos que elas contraíram a terrível doença.
     Santa Áurea foi sepultada na Igreja de São Paulo. Cinco anos depois, suas relíquias foram transportadas e depositadas na Igreja de São Marcial, que mudou sua invocação para Santo Eligio e Santa Áurea. Esta transladação de seus santos despojos era uma forma de canonização da Igreja na época
     Tendo caído em decadência, o mosteiro foi unido a Sé Episcopal de Paris e dado pelo bispo aos monges de Saint-Maur-des-Fossés em 1107.
     Em 3 de abril de 1402, foi feita uma transladação solene de seus preciosos despojos; eles foram colocados em um novo relicário e levados para a Igreja de São Paulo, de onde eles foram enviados ao mosteiro de São Marcial. O relicário era exposto à veneração dos fieis na festa de Santa Áurea e de Santo Eligio.
     Em 1636, o primeiro Arcebispo, João Francisco de Gondi, colocou aquela igreja sob os cuidados dos Barnabitas.
     As relíquias de Santa Áurea recebiam igual veneração às de Santa Genoveva em Paris.
     O priorado subsistiu até a Revolução Francesa que destruiu tudo. O relicário foi levado pelos revolucionários em 1792, mas as relíquias de Santa Áurea, que tinham sido conservadas ali, foram salvas, mas dispersas em diversos lugares, notadamente na Normandia.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Beata Emília de Villeneuve, Fundadora - 2 de outubro

     Joana Emília de Villeneuve era neta do Conde de Villeneuve e terceira dos quatro filhos do Marquês Luís de Villeneuve e de Rosália d’Avessens. Os primeiros anos de sua vida transcorreram no Castelo de Hauterive, na proximidade de Castres, onde sua mãe teve que retirar-se por causa de seu delicado estado de saúde.
     Com a idade de 14 anos, Joana Emília perdeu sua mãe e três anos depois sua irmã Otavia. Estes fatos trágicos marcarão sua existência, bem como o contato que mantinha com o padre jesuíta Le Blanc, a quem transmite as preocupações sociais que sentia (entre as quais se destaca a miséria que via a seu redor, no contexto histórico dos primeiros albores da revolução industrial).
     Após a morte de sua mãe, a vida da família de Joana Emília transcorre entre Hauterive e Toulouse, onde a avó assume a educação de seus netos. Aos 19 anos, ela muda definitivamente para Hauterive com sua família, onde administra com êxito a vida familiar, aliviando deste encargo seu pai, prefeito de Castres (1826-1830).
     Pouco depois, declara a seu pai sua vontade de entrar com as Filhas da Caridade. Ele não aceita seu pedido e lhe propõe um prazo de reflexão que durará quatro anos. No final desse prazo, e com a aprovação do Bispo, ela decide fundar, com duas companheiras, a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Castres (8 de dezembro de 1836), denominadas popularmente Irmãs azuis por causa da cor do hábito.
     Entre os princípios diretivos desta Congregação, se destacam dois: "Deus só" e "Servir aos pobres". A austeridade e a preocupação social pelos menos favorecidos da sociedade serão os eixos principais da ação social e religiosa desta Congregação.
     A partir de um humilde local na região de Castres, ajuda as jovens da classe social menos favorecida, operários, presos e doentes. O número de Irmãs da Congregação aumenta, e seu horizonte se amplia da França ao Senegal, Gâmbia e Gabão, para onde vão as primeiras Irmãs Missionárias, ainda durante a vida de Emília de Villeneuve.
     Em 1853, Emília de Villeneuve pede para ser substituída como dirigente da Congregação, conseguindo que esta tarefa seja confiada à Irmã Helena Delmas. Escreve, por isso, às suas Irmãs Missionárias "Após as eleições, tenho o consolo de poder dedicar-me mais ao aspecto espiritual da Congregação".
     Em meados de 1854 uma epidemia de cólera e de febre assola o sul da França e seus efeitos atingem a cidade de Castres. Joana Emília de Villeneuve morre no dia 2 de outubro de 1854 como consequência desta epidemia, rodeada do afeto das Irmãs de sua Congregação.
     Atualmente esta Congregação conta com setecentas religiosas e implantação em 16 países, onde exerce uma atividade social que inclui cinquenta colégios com 35.000 alunos anualmente inscritos e várias casas de acolhida para crianças abandonadas. Também presta serviço em hospitais e a famílias desfavorecidas. Em Roma possui uma Casa de Hospedagem para acolhida de peregrinos.
     Os primeiros trâmites processuais que levaram à beatificação de Joana Emília de Villeneuve se iniciaram em 1945. Após a promulgação oficial do Decreto Papal sobre a heroicidade de suas virtudes (outubro de 1991), ela foi considerada venerável e se deu continuidade ao processo de beatificação.
     Para sua beatificação foi aberto na Congregação para a Causa dos Santos o processo referente à cura de Binta Diaby, de 19 anos, que foi levada a Barcelona, internada e operada com urgência. Entrou em coma e seu caso foi considerado, sob o ponto de vista clínico, em fase terminal. As Irmãs e Noviças da Congregação de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Castres, informadas por membros do hospital sobre a situação em que se encontrava Binta Diaby, fizeram uma novena a Joana Emília de Villeneuve pedindo sua cura, colocando uma relíquia na mão da doente. Ela foi curada inesperada e rapidamente e, atualmente, vive e trabalha em Barcelona.
     Entre 16 de maio e 29 de outubro de 2003 foi realizado o processo diocesano pelo Arcebispado de Barcelona sobre a cura de Binta Diaby, presumidamente milagrosa. No dia 4 de fevereiro de 2005 foi reconhecido pela Congregação para a Causa dos Santos o processo apresentado pelo Tribunal de Barcelona. No dia 16 de fevereiro de 2006, a Consulta Médica do Decastéreo reconheceu que a cura dos males provocados pela ingestão de soda cáustica, com as consequências pós-operatórias, foi rápida, completa e permanente, e inexplicável à luz dos conhecimentos atuais da Medicina.
     O processo culminou no dia 5 de julho de 2009, quando Joana Emília de Villeneuve foi beatificada em Castres (França), numa cerimônia oficiada pelo Arcebispo D. Ângelo Amato, S.D.B.
 
Fontes: www.cic-castres.org; pt.wikipedia.org/wiki/Emilie_de_Villeneuve
Catedral de Castres, França