sábado, 10 de novembro de 2012

Santa Marina de Omura, Virgem e Mártir - 11 de novembro

     Marina era originária de Omura, nas proximidades de Nagasaki, Japão. Em 1626 Marina, ainda muito jovem, ingressou na Ordem Terceira Dominicana, emitindo os votos religiosos de forma privada, sendo de grande ajuda para os missionários.
     Os dados sobre o nascimento, batismo e família desta insigne mártir do Japão são muito escassos. Seus biógrafos nos dizem dela que «era exemplo para todos os cristãos de Omura». Dizem também que sua caridade era tal, que sua casa era o refúgio tanto dos missionários como dos cristãos persegui­dos. Ali acudiam quantos se encontrassem nos transes da prova para recobrar o ânimo e as forças perdidas.
     A sua amada pátria sofreu repetidas perseguições ferozes contra os cristãos e ela também foi acusada de colaborar com os missionários ocidentais dominicanos que hospedava.
     Em 1634 foi aprisionada e encarcerada; foi depois ultrajada publicamente e violado o seu pudor e finalmente queimada viva em fogo lento na colina santa de Nagasaki no dia 11 de novembro do mesmo ano.
     Para proceder à sua elevação às honras do altar, Marina foi agregada a um grupo de dezesseis mártires dominicanos de várias nacionalidades, todos mortos em terras japonesas, dirigidos por Lorenzo Ruiz, primeiro Santo de origem filipina. O grupo foi beatificado pelo papa João Paulo II em 18 de fevereiro de 1981 em Manila, Filipinas, e canonizado em Roma pelo mesmo pontífice em 18 de outubro de 1987.
     A comemoração isolada de Santa Marina de Omura consta do Martirologio Romano no dia de seu martírio; a festa coletiva do grupo de mártires foi fixada no calendário litúrgico no dia 28 de setembro.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Beata Isabel da Trindade, Carmelita - 9 de novembro

     Maria Isabel Catez nasceu em um acampamento militar, no Campo de Avor, perto de Bourges, França, pois seu pai era capitão do exército francês, no dia 18 de julho de 1880.
     Sua mãe contava: “Quando tinha apenas 1 ano, já se manifestava sua natureza ardente e colérica”. No entanto, sua mãe, atenta, soube modelar a fúria de Isabel e fazer sobressair nela a ternura. Ela tomou a iniciativa de escrever em seu diário pessoal, aos 18 anos: “Eu tive hoje a alegria de oferecer a meu Jesus muitos sacrifícios sobre o meu defeito dominante, mas como eles me custaram! Eu reconheço minha fraqueza… Parece-me que quando recebo uma observação injusta, eu sinto esquentar todo o meu sangue nas veias, tanto que meu ser se revolta… Mas Jesus estava no meu coração e então eu estava pronta a tudo suportar por amor a Ele”.
     Ainda criança a família se mudou para a cidade de Dijon. Com apenas 7 anos e 2 meses, perdeu o pai tão querido, que a morte lhe roubou.
     O dia da primeira comunhão, a 19 de abril de 1891, foi “o grande dia” da vida de Isabel, então com 10 anos. Chorou de alegria. Ao sair da igreja, descendo as escadas diz à sua amiguinha Marie-Louise Hallo: “Não tenho fome, Jesus saciou-me”...
     Estudou piano desde os 8 anos de idade no Conservatório vindo a tornar-se uma “excelente pianista”, segundo a expressão do seu professor de música.
     Não atingira ainda os 14 anos e já escolhera Cristo para seu único esposo. Confirmou-se na sua vocação com a leitura da História de uma Alma, autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus. Deste livro copiou por seu punho e letra o Oferecimento ao Amor Misericordioso e três poesias.
     Aos 18 anos sua mãe pretendeu casá-la, mas Isabel respondeu: “O meu coração já não está livre, dei-o ao Rei dos reis, já dele não posso dispor”. O desgosto da mãe foi grande. Mas foi mais amargo quando soube que Isabel queria entrar para o Carmelo, onde tantas vezes tinham ido e que ficava apenas a 200 metros de sua casa. Entre lágrimas a mãe apenas consentiria na entrada da filha no Carmelo quando essa alcançasse a maioridade, aos 21 anos de idade.
     Isabel entrou no Carmelo de Dijon do dia 2 de agosto de 1901, quando recebeu o nome de Irmã Isabel da Santíssima Trindade. Este início foi marcado por muitas graças sensíveis e se tornou um período onde ela descobriria um profundo amor pelo silêncio, próprio da espiritualidade carmelitana.
     Irmã Isabel tomou o hábito a 8 de dezembro de 1901. No decurso do ano de 1902, o sofrimento interior visita Isabel. A sua noite ilumina-se com as claridades da fé e da confiança, como ela explica nesse mesmo ano à Senhora de Sourdon: “O abandono, eis o que nos entrega a Deus. Sou muito nova, mas parece-me que algumas vezes sofri bastante. Oh! Então quando tudo se obscurecia, quando o presente era tão doloroso e o futuro me aparecia ainda mais sombrio, fechava os olhos e abandonava-me como uma criança nos braços desse Pai que está nos céus...
     Irmã Isabel fez sua profissão simples no dia 8 de dezembro de 1901 e sua profissão perpétua dia 21 de janeiro de 1903, tendo recobrado a paz e a serenidade interior. Na véspera de sua profissão perpétua, ela passou a noite toda em oração, como era o costume no Carmelo. Ela afirma ter recebido nesse momento sua vocação: “Na noite que precedia o grande dia, enquanto eu estava no coro à espera do Esposo, eu compreendi que meu céu começaria na terra, o céu na fé, com o sofrimento e a imolação por Aquele que eu amo”.
     Ela descobriu a passagem de São Paulo sobre o Louvor de Glória, nas Cartas aos Efésios: “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros, predestinados a ser, para louvor da sua glória, os primeiros a pôr em Cristo nossa esperança” (Ef 1, 11-12). Escreve um seu biógrafo: “A Irmã Isabel da Trindade foi verdadeiramente a alma de uma ideia: ser, para a Santíssima Trindade, um louvor de Glória”.
     Numa carta à sua mãe, que à maneira francesa tratava por “tu”, assim se expressa: “Ele escolheu a tua filha para associá-la à sua grande obra de Redenção. Ele marcou-a com o selo da sua Cruz e sofre nela como que uma extensão da sua Paixão... Não ambiciono chegar ao Céu somente pura como um Anjo, mas transformada em Jesus Crucificado”.
     Esta crucifixão atingiu-a, sobretudo nos últimos nove meses de vida, por meio de uma doença que a transformou numa hóstia de imolação. No Céu, para onde voou, consumou-se a união desta grande Mestra da vida espiritual. Nos fins de março de 1906, a Irmã Isabel foi colocada na enfermaria. As Irmãs rezavam pela sua cura e Isabel juntou o seu pedido às orações da comunidade, mas sentiu que Jesus lhe dizia que os ofícios da terra já não eram para ela.
     No dia 1 de novembro comungou pela última vez e dois dias antes da sua morte disse ao seu médico: “É provável que dentro de dois dias eu esteja no seio da Santíssima Trindade. É a Virgem Maria, aquele ser tão luminoso, tão puro, com a pureza do mesmo Deus, quem me levará pela mão e me introduzirá no céu tão deslumbrante”.
     Alguns dias antes de sua morte, Isabel dissera às suas Irmãs esta frase tão bela e que ficou célebre: “Tudo passa! No declinar da vida só o amor nos resta...” A sua última noite foi terrivelmente penosa, pois às suas horríveis dores juntou-se-lhe também a falta de ar, mas ao amanhecer Isabel sossegou, e inclinando a cabeça abriu os olhos e exclamou: “Vou para a Luz, para o Amor, para a Vida”, e adormeceu para sempre. Era a madrugada do dia 9 de novembro de 1906.
     Isabel da Trindade foi beatificada por João Paulo II no dia 25 de novembro, festa de Cristo Rei, de 1984. 
Fontes: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.; www.santiebeati/it;

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Beata Cristina de Stommeln, Mística - 6 de novembro

     Cristina nasceu em Stommeln próximo de Colônia, em 1242; morreu em 6 de novembro de 1312. Stommeln, chamada Stumbeln no século XIV, está situada a uns catorze quilômetros a noroeste de Colônia e a uns dez quilômetros a leste do Rin.
     O pai de Cristina era um camponês chamado Heinrich Bruso; sua mãe chamava-se Hilla. Quando tinha 5 anos Cristina teve visões do Menino Jesus com quem se casou misticamente aos dez anos. Aos onze anos aprendeu a ler o Saltério, porém não sabia escrever.
     Aos treze anos seus pais quiseram dá-la em casamento, mas ela entrou no convento dos Beguinos de Colônia, onde levava uma vida de severa penitência, passava muito tempo em oração.
     O beguinato era uma comunidade que teve origem por volta de 1170 na Bélgica. Os aderentes faziam voto temporários de pobreza, castidade e obediência; algumas beguinas deixavam a comunidade para se casar. Elas passavam o tempo em oração, visitando os doentes e fazendo trabalhos de costura e bordado. Numerosos no século XIII nos Países Baixos e na Alemanha, existem ainda hoje na Bélgica e na Holanda.
     Aos quinze anos Cristina recebeu os estigmas em suas mãos e pés e a marca da Coroa de Espinhos em sua cabeça. Sofreu muitos assaltos do demônio, foi muito provada em sua fé e foi tentada ao suicídio. Os Beguinos consideraram-na louca e a tratavam com desprezo, por isso precisou regressar à sua casa.
     Em 1267 o padre paroquial, Johannes, recebeu Cristina em sua casa, onde esta conheceu Pedro de Dacia, um Dominicano de Gotland que esteve em Colônia como aluno de Santo Alberto o Grande. Um laço místico de devoção, cujo objeto era Deus, se formou entre os dois. Pedro visitou Cristina em 1270 quando estava a caminho de Paris, e novamente em 1279; em seu relato menciona até quinze visitas. Este dominicano escreveu a “Vita” da Beata em 1286.
     O irmão de Cristina seguiu Pedro a Gotland e entrou na Ordem Dominicana. Pedro chegou a ser leitor e em 1283 foi prior em Gotland, onde morreu em 1288. Nesse mesmo ano os tormentos que Cristina sofria por causa do demônio cessaram, e ela passou a viver pacificamente, e usou a vestimenta dos Beguinos até sua morte.
     Cristina foi sepultada inicialmente no pátio da igreja em Stommeln e depois na igreja mesmo; em 1342 seus restos mortais foram levados para Niedeggen em Eifel; dois séculos depois, em 22 de junho de 1569, foram trasladados a Jülich, onde ainda existe um monumento dedicado a ela. Em Jülich também podem ser vistos os relatos feitos por Pedro de Dacia sobre a Beata e a coleção de suas cartas que os Bollandistas publicaram sob a data de 22 de junho (IV, 271-430).
     O seu culto foi aprovado pelo Papa São Pio X, em 22 de agosto de 1908; a sua festa se celebra em 6 de novembro.  
 

domingo, 4 de novembro de 2012

Beata Francisca d’Amboise, Viúva, Fundadora - 5 de novembro

     A figura mais interessante do reinado de Pedro II, segundo La Borderie, infelizmente é conhecida só por documentos tardios. Francisca nasceu em Thouars (França) no dia 9 de maio de 1427, filha do Visconde Luis d’Amboise e da Baronesa Maria de Rieux.
     Rica herdeira, viu-se quase desde o princípio desejada pelo favorito de Carlos VII, Jorge de La Trémoille, para seu filho Luís; a infeliz criança teve de fugir com a mãe e colocar-se sob a guarda do condestável de Richemont, em Parthenay.
     Este influente protetor negociou o casamento de Francisca, aos quatro anos, com o seu sobrinho Pedro, segundo filho do Duque da Bretanha. Por isso foi ela transportada para Nantes e educada na corte da Bretanha. Sua futura sogra, Joana, irmã de Carlos VII da França, imprimiu em sua alma um espírito profundamente cristão.
     Contratado em 1431, o casamento só veio a celebrar-se dez anos mais tarde. Os jovens esposos estabeleceram-se então em Guingamp. Em 1450, na Catedral de Reims, era coroada como Duquesa da Bretanha juntamente com seu esposo.
     De comum acordo, decidiram conservarem-se castos e oferecer à alta sociedade um modelo de lar cristão com a prática assídua de excelsas virtudes. Juntos se consagraram à Virgem Maria em seu Santuário de Folgoët, onde deixaram marcada uma Missa a ser celebrada todos os sábados.
     Francisca soube frear os excessos da moda feminina na corte e se dedicou particularmente às obras de piedade e caridade. Todas as quartas-feiras onze donzelas pobres se sentavam à sua mesa; no dia Natal escolhia um menino pobre, o vestia com roupas novas e o hospedava como representante do Menino Jesus, às Quintas-feiras Santas lavava os pés de doze pobres e lhes oferecia roupas novas.
     Desejando prolongar a boa influência de São Vicente Ferrer, que foi canonizado durante o reinado de seu esposo Pedro II, Francisca interessou-se especialmente pelas casas religiosas e fundou um convento de Clarissas em Nantes e um Carmelo em Vannes, o primeiro convento feminino desta Ordem em território francês.
     Trabalhou tanto a favor da religião católica que, segundo disse um historiador, "Deus se serviu desta jovem para realizar uma reforma geral na Bretanha e para fazer reflorescer, depois de tantas desgraças, um século de ouro".
     Após a morte de seu esposo e conhecendo a fundo as misérias da corte, resolveu tornar-se monja de clausura. Teve que enfrentar mil dificuldades: Luís XI, Rei da França, fez todo o possível para que desistisse de seu plano; tudo foi em vão, e o monarca acabou se desenganando quando ela, ao receber a Comunhão, fez em voz alta o voto de castidade.
     Depois de um encontro providencial com o Beato João Soreth († 1471), na ocasião Prior Geral dos Carmelitas, se decidiu pela Ordem Carmelita de clausura, que havia sido instituída pouco antes canonicamente pela Bula "Cum nula" de Nicolau V, datada de 7 de outubro de 1452.
     Resolvidos todos os seus compromissos ducais, o Beato mesmo lhe impôs, com toda solenidade, o hábito. Junto com um grupo de carmelitas vindas da Bélgica, Francisca iniciou sua vida religiosa no convento de Vannes, fundado por ela.
     Renunciou a seus títulos e não quis ser tratada com especial distinção, mas ser considerada “uma humilde serva de Cristo”. Desde então seu grande empenho foi tornar efetiva sua total entrega a Deus.
     Em 1475 foi nomeada priora pela comunidade. Mas a afeição de Francisco II e da esposa Margarida de Frois que desejava aproximá-la deles, obteve de Roma a transferência do mosteiro para Nantes. Ali ela também exerceu o cargo de priora.
     No exercício deste cargo alimentava o espírito de suas religiosas com sábias "Exortações", que foram publicadas mais tarde. Ela era exemplar em todas as virtudes, especialmente por seu espírito de oração e penitência. Insistiu sempre na prática do silêncio, da obediência e da pobreza. Introduziu a comunhão frequente e uma estrita clausura.
     Suas últimas palavras foram: "Adeus, minhas filhas! Vou provar o que é amar a Deus sobre todas as coisas". Ela expirou no dia 4 de novembro de 1485.
     A Beata é considerada fundadora das Monjas Carmelitas na França e foi a primeira santa desde que o Carmelo feminino teve existência canônica. O seu culto litúrgico foi reconhecido pelo Papa Pio IX em 16 de julho de 1867. 
Altar da Beata na Catedral de Nantes, França
 
Fontes: Santos de cada dia, Pe José Leite, S.J.; www.es.catholic.net/santoral/articulo.php?id

sábado, 3 de novembro de 2012

Santa Modesta de Trier, Abadessa - 4 de novembro

Catedral de Triers
    As poucas notícias que chegaram até nós sobre Santa Modesta são aquelas contidas num opúsculo “De virtutibus S. Geretrudis”, que narra os milagres de Santa Gertrudes de Nivelles († 659); este opúsculo foi escrito por um autor contemporâneo das Santas Gertrudes e Modesta e, portanto, confiável.
     Na segunda metade do século VII, no Mosteiro de Trier, na Alemanha, chamado “Santa Maria ad Horreum”, Santa Modesta viveu como abadessa, ela que desde a infância foi consagrada a Deus e tinha uma grande e espiritual amizade com Santa Gertrudes, embora nunca elas tivessem se visto.
     Depois de vários anos, enquanto Modesta rezava na igreja de seu mosteiro, diante do altar de Nossa Senhora, de repente ela viu diante do altar Santa Gertrudes, que lhe revelou ter falecido naquele mesmo dia e naquela hora.
     Após a visão Modesta ficou proibida de falar com alguém, e ficou em silêncio durante todo o dia. Na manhã seguinte, o Bispo de Metz Clodolfo († 667) veio ao mosteiro, e ela perguntou por notícias de Gertrudes, Abadessa de Nivelles, distante de Ohren de Trier, e como era a face dela; a descrição do bispo correspondeu ao da mulher da visão de Modesta e depois ela relatou ao bispo o que tinha acontecido. Clodolfo confirmou que a hora e o dia que Gertrudes faleceu, 17 de março de 659, coincidiam com a visão de Santa Modesta.
     Parece que Modesta foi a primeira abadessa do Mosteiro de Ohren de Trier, fundado por São Modoaldo († 640), na primeira metade do século VII.
     Santa Modesta faleceu no dia 4 de novembro de um ano em fins do século VII, e seu corpo era venerado, em 1769, na igreja da Abadia de Santa Irminia de Ohren; em 1770, a igreja foi destruída e reconstruída, mas nenhum altar foi dedicado a Santa. De acordo com os fiéis da região, as suas relíquias foram transferidas para a Igreja de São Matias, onde descansam misturadas com muitos ossos de santos.
     O seu culto está documentada pelo menos desde o século IX, e seu nome aparece entre as virgens na Ladainha dos Santos, nos calendários e livros litúrgicos de Trier e Utrecht.
     O Martirológio Romano a celebra em 4 de novembro.
Feira de Natal em Trier, Alemanha
 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nossa Senhora e o Furacão Sandy

Imagens de Nossa Senhora milagrosamente poupadas pela tempestade nos EUA 

     A super-tempestade Sandy, que atingiu a cidade de Nova Iorque e a costa leste dos EUA, causou mais de 80 mortes e danos materiais estimados em mais de 40 bilhões de dólares.
     Porém, a imensidão da capacidade destrutiva desse fenômeno natural nada foi diante do poder de Nossa Senhora.
     É o que pensam, por exemplo, os habitantes da cidade de Dover, no Estado de New Jersey.
     Eles puderam contemplar atônitos uma colossal árvore que rachou e caiu sob a violência de ventos de mais de 130 km/h, sem causar um arranhão sequer a uma imagem de Nossa Senhora que se encontrava debaixo dela.
     Um vídeo produzido pela NBC exibe de diversos ângulos a imagem de Nossa Senhora e o grau de periculosidade da grande árvore caída.
     A tempestade alagou as ruas, destruiu casas e carros no bairro, mas a família dona da imagem está certa de que Nossa Senhora salvou suas vidas, pois se a árvore tivesse caído sobre a casa, esta teria sido esmagada.
     Seu dono, James Janone, não podia acreditar vendo a árvore derrubada em seu jardim. Tudo foi embora na queda, mas a imagem ficou incólume.
      “É curioso – dizia o técnico eletricista Mike, enquanto consertava os fios da rua –, esta árvore deveria ter caído de qualquer jeito, mas o fez do lado certo para não danificar Nossa Senhora”.
     Os vizinhos se reuniram no local e diziam que foi um milagre.
     “Foi um milagre”, insistia o vizinho Ed Soto. Soto contou que ajudou a colocar a estátua naquele local há cinco anos, para ajudar um amigo a abandonar o vício da droga.
     “Tivesse tombado de outro jeito, teria destruído a casa”, disse.
     Jeff e Patti Taylor não acreditam em milagres, talvez nem sejam católicos, mas, impressionados, diziam: “Há alguém que está nos protegendo lá em cima”. 

O infernal incêndio que nada pôde contra Nossa Senhora das Graças 
     Mais trágico ainda foi o caso verificado no bairro de Breezy Point, na populosa região de Queens, periferia de Nova Iorque. Após um dilúvio de água e vento, um voraz incêndio, provocado provavelmente por um vazamento de gás, transformou o bairro numa imagem do inferno. Sobrecarregados de tarefas, os bombeiros mal conseguiam atingir os quarteirões afetados pelas chamas.
     Pois, paradoxalmente, as ruas estavam inteiramente alagadas. O incêndio rugiu a noite toda e reduziu a cinzas mais de cento e dez casas. Tudo ruiu. Ao amanhecer, o espetáculo era o de uma cidade bombardeada, quiçá por uma bomba atômica.
     Mas ali, sozinha, íntegra, apenas escurecida pelas labaredas, diante do que foi uma casa da qual se pode discernir a sapata, ficou uma imagem de Nossa Senhora das Graças. As notícias não falam sobre o sucedido com os habitantes. 

Uma lição
     Podem ainda acontecer muitas coisas extremamente graves nas nossas vidas. Aliás, Nossa Senhora falou abundantemente disso em La Salette e em Fátima. Mas Ela é a Rainha junto da qual nada devemos temer. Junto de Nossa Senhora não só fisicamente, colocando sua imagem no lar ou no jardim, mas com o coração bem colado no Imaculado Coração de Maria. O que equivale dizer, praticando seriamente nossas obrigações de piedade e ajustando nossa vida, nossos costumes e nossa conduta a cada dia.
     Fazer isso, primeiro para amar mais e melhor a Nossa Senhora. Segundo, para que as labaredas e os cataclismos há tanto tempo anunciados pela Mãe de Deus não nos engulam na hora menos esperada.  

P.S.: Tínhamos concluído a redação deste post quando recebemos a foto ao lado, também reveladora de uma extraordinária proteção. A foto foi tirada também em Breezy Point, Queens, área de Nova Iorque. Trata-se de uma imagem de Santo Antônio, como bem pode se perceber. 
 
 
 

Fonte: Blog Luzes da Esperança 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Santa Alpaide de Cudot, Virgem - 3 de novembro

     Desde o início do século XIII, os peregrinos e os curiosos são atraídos pela figura de Alpaide, a força de sua personalidade e de suas revelações. A sua reputação e o seu culto repercutiram por toda a Europa. Os peregrinos vêm dos vilarejos vizinhos rezar para a Santa de Cudot e buscar na fonte milagrosa de Santa Alpaide uma água que dizem possuir a virtude de curar as doenças de pele. O Abade Patriat menciona este entusiasmo pela fonte e descreve as multidões de necessitados, de inválidos, de doentes que acorrem de locais longínquos.
     O culto desta santa tem permanecido popular e a cada ano, salvo em períodos convulsionados da História, os peregrinos vêm até o seu túmulo. A peregrinação jamais cessou ainda que no decorrer dos séculos pudesse se manifestar com maior ou menor amplitude. Com o reconhecimento oficial da santidade de Alpaide em 1874, o movimento de devoção ganhou um desenvolvimento maior. Ainda hoje ela é venerada e, durante as comemorações dos 800 anos de sua morte, muitos vieram de toda a França, e mesmo do exterior, prestar sua homenagem.
*
     Alpaide (Alpaïs em francês; Alpaida, Alpaidis) nasceu em 1155 (ou 1157) em Cudot, povoado da diocese de Sens, na França, e ali morreu, no dia 3 de novembro de 1211.
     Sua família era campesina, pobre, e cuidava de uma pequena granja arrendada. Alpaide era a filha mais velha, e, enquanto pode, realizou as tarefas familiares aos camponeses: arar, levar o rebanho para o pasto, etc. Porém, na adolescência não pode continuar a fazê-lo: foi tomada por uma grave enfermidade que a manteve desde então acamada. Lamentavelmente não é possível estabelecer de que enfermidade se tratava, pois as descrições oscilam entre a interpretação médica e a religiosa. Talvez se tratasse de algum tipo de lepra, já que todos os documentos falam de manchas e chagas horríveis na pele, que a faziam parecer - tal como se lê nas descrições – estar apodrecendo em vida.
     A mãe e os irmãos - o pai já tinha falecido - a mantiveram completamente isolada, porque não podiam assimilar o problema: nas orações a mãe se dirigia a Deus pedindo-Lhe que cessasse a vida de sua filha; não lhe davam alimento para ver se morria de fome, e, quando lhe davam, ninguém se aproximava, por causa do mau cheiro que dela exalava; assim, eles lançava a comida como aos animais.
     Havia já um ano que ela estava de cama (que dizer, no estábulo, num leito de palha), quando, na véspera da Páscoa, enquanto todos iam para a igreja - naturalmente ela não - viu uma grande luz, um suave aroma inundou o local, e a Ssma. Virgem lhe apareceu. E a Virgem Maria lhe disse: "Querida filha, porque você suportou uma longa inanição na humildade e na paciência, sem qualquer murmuração na fome e na sede, Eu concedo a você que seja alimentada com um alimento angélico e espiritual. E, enquanto você estiver neste corpo, nenhum alimento, ou bebida, será necessário para sustentá-lo, nem você desejará pão ou qualquer outro alimento... Porque, depois de você ter experimentado o pão celestial e bebido da fonte viva, você ficará alimentada para a eternidade".
     Nossa Senhora a livrou das feridas purulentas e do mau odor que exalavam, mas a manteve paralitica, de modo que continuou de cama, imóvel, a ponto inclusive de não poder se virar no leito sem ajuda. Só tinha livre a cabeça, o peito, e a mão e o braço direito. A Virgem lhe havia dito que se manteria com vida sem necessidade de alimentos, e assim esteve por muito tempo, sem provar alimentos, exceto a Comunhão aos domingos.
     A fama desse milagroso jejum logo chegou aos ouvidos do Arcebispo de Sens, Guilherme, tio do rei Felipe, que após uma investigação dos fatos mandou construir uma igreja ao lado do local onde se encontrava prostrada Alpaide, com uma janela por onde ela podia assistir aos ofícios divinos. Um grupo de cônegos regulares ficou encarregado do cuidado da igreja e das celebrações.
     Naturalmente, não só os jejuns de Alpaide eram famosos: desde a aparição da Virgem, Alpaide recebeu o dom de fazer milagres; via em espírito acontecimentos longínquos; predizia o futuro; tinha visões celestiais, especialmente nas festas de Nosso Senhor ou da Virgem; possuía o dom do conselho e a prudência nas palavras. Sua cela era meta de peregrinações multitudinárias; procuravam-na gente de todas as classes, nobres e plebeus, para pedir suas orações e escutar seus conselhos.
     A Rainha Adélia (Alix de Champagne), esposa de Luis VII da França, foi consultá-la em 1180, e lhe fez uma doação que foi confirmada por seu filho, Felipe Augusto, em 1184. A rainha dotou a igreja de Cudot com uma pensão anual para a manutenção de Alpaide; e como esta, outras doação também chegaram.
     Durante 30 anos, Alpaide se alimentou exclusivamente da Hóstia Consagrada. Após sua morte, em 1211, construíram um priorado sobre seu túmulo, do qual somente restou a igreja que guarda suas relíquias.
     Seu corpo foi sepultado no coro da igreja, e ainda em 1894 ali se mantinha, diante do altar mor. Foi venerada imediatamente como santa pelo povo, e, em 1874, a Sagrada Congregação de Ritos, baseada no processo informativo, confirmou o seu culto imemorial. O decreto de confirmação do culto «ab inmemoriale» se encontra na Acta Sanctae Sedis nº 7, porém não inclui um resumo biográfico, o que se tornou costume em decretos posteriores.
     Alpaide foi canonizada pelo Beato Pio IX em 1874. A sua festa é comemorada no dia 3 de novembro. Todos os anos, na segunda-feira de Pentecostes, há uma Missa dedicada à Santa Alpaide, seguida de uma procissão tradicional.
     No dia 2 de junho de 2011, Festa da Ascensão, foi organizada em Cudot uma celebração que marcou o 800º aniversário da morte da Santa.
     Santa Alpaide é a padroeira dos astronautas porque nas suas visões ela via a terra como uma bola "suspensa no meio de um mar de azul".
Peregrinos na fonte de Sta. Alpaide