quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Santa Cecilia Yu So-sa, Viúva e mártir - 23 de novembro

     Cecilia foi elevada às honras dos altares acompanhada de seus dois filhos mártires: São Paulo Chong Ha-sang e Santa Isabel Chong Chong-hye.
     Nasceu em Seul, capital moderna da Coreia do Sul, em 1761, e se casou com o viúvo Agostinho Yak-jong, um dos primeiros cristãos da Coreia. Com ele foi para a capital e ali recebeu o sacramento do batismo das mãos do Pe. Chu Mun-mo, missionário chinês na Coreia. Seu esposo foi martirizado em 1801, e também Carlos Chong Chol-sang, filho do primeiro casamento de seu marido. Ela foi aprisionada e logo deixada livre, porém seus bens foram confiscados.
     Cecília, além de viúva se viu empobrecida e voltou para a região da família de seu marido, Majae, com seus filhos. Ali seu cunhado, inimigo do cristianismo, a recebeu friamente, e foi um amigo de seu falecido esposo que teve compaixão dela e lhe ofereceu uma casa para morar. A frieza dos antigos amigos e parentes a rodeou.
     Ela enfrentou a morte da viúva de Carlos, o filho de seu marido, martirizado; do filho daquele casal e de sua própria filha mais velha. Em meio a sua desgraça Cecilia conservou a fé e a paciência, e em vista da hostilidade de que era objeto, manteve uma conduta prudente, não fazendo alarde do cristianismo, porém transmitindo a doutrina cristã a seus filhos no âmbito de seu lar.
     Quando seu filho Paulo atingiu a idade de 20 anos, ela sugeriu que ele se casasse; ele lhe disse que queria dedicar-se a continuar a obra evangelizadora de seu pai mártir, e para tanto foi para a capital, deixando a mãe e a irmã em Majae.
     Ela temia os perigos pelos quais seu filho passaria para organizar um ressurgimento do cristianismo e aceitava com mansidão que seu filho não pudesse proporcionar a ela alguma ajuda. Em 1827, entretanto, o Bispo de Pequim recriminou Paulo por não prestar ajuda a sua mãe e ele então a levou consigo para a capital, junto com sua irmã Isabel.
     A vida ali se tornou muito difícil e por isso Cecilia resolveu voltar para Majae, porém logo lhe foi oferecido o encargo de auxiliar os missionários que chegavam. Assistia a Missa diariamente e ajudava os católicos mais pobres. 
     Em 1839 a perseguição aos cristãos recomeçou e foi aconselhada que fosse para Majae, mas ela preferiu ficar. Ela e a filha se dedicaram a se preparar para o martírio.
     No dia 1º de junho, estando seu filho ausente, foi aprisionada. Quando lhe perguntaram se era verdade que era católica, respondeu que sim, e quando foi intimada a abandonar sua religião e a delatar os demais católicos, disse que não sabia onde os outros cristãos moravam, e que estaba disposta a morrer para conservar sua fé
     Foi interrogada cinco vezes e cada interrogatório era acompanhado de golpes de cana de bambu, que a deixaram muito machucada. Levada para a prisão, morreu no cárcere de Bo-jeong no dia 23 de novembro de 1839, quase octogenária.
     Foi canonizada em 6 de maio de 1984 em Seul pelo papa João Paulo II, juntamente com 102 mártires coreanos. O grupo conhecido com o nome “Santos André Kim Taegon, Paulo Chong Ha-sang e companheiros” é festejado no calendário litúrgico latino no dia 20 de setembro.
 
 
Fonte: «Año Cristiano» - AAVV, BAC, 2003; santiebeati.it

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Beatas Ângela de São José e 14 companheiras, Virgens e mártires - 20 de novembro

     Francisca Honorata Lloret Martì nasceu em 16 de janeiro de 1875 em Villajoyosa (Valência), filha de Francisco e Carmem. Tendo conseguido o diploma de professora, começou a lecionar. Em 1903 entrou na Congregação da Doutrina Cristã, adotando o nome de Ângela de São José, e exerceu as funções de superiora local, secretária geral e superiora geral. Exercia esse último cargo quando sofreu o martírio com as coirmãs, na noite de 20 de novembro de 1936, na administração de Paterna.
     Eis as outras vítimas: 
     (Orts Baldo) Maria do Sufrágio: nasceu em 9 de fevereiro de 1888 em Altea (Alicante), filha de Gaspar e Rosária. Estudou privadamente, entrando na congregação em 1922. Foi superiora local, mestra de noviças e vigária geral;
   (Llimona Planas) Maria de Montserrat: nasceu em 2 de novembro de 1860 em Molina de Rey (Barcelona), filha de João e Maria. Entrou na congregação em 1882, pouco depois da fundação desta. Exerceu o cargo de superiora geral por 33 anos;
   (Duart Roig) Teresa de São José: nasceu em 20 de maio de 1876 em Benifayo de Espioca (Valência), filha de José e Rosa. Entrou na congregação em 1889. Exerceu os cargos de mestra de noviças e superiora local;
   (Ferrer Sabria) Isabel: nasceu em 15 de novembro de 1852 em Villanueva y Geltrù (Barcelona), filha de José e Mariana. Foi cofundadora da congregação em 1880. Exerceu o cargo de superiora local;
   (Mongoche Homs) Maria da Assunção: nasceu em 12 de julho de 1859 em Ulldecona (Tarragona), filha de Pedro e Isabel. Entrou na congregação em 1885. Exerceu o cargo de superiora local;
   (Martì Lacal) Maria Conceição: nasceu em 8 de novembro de 1861 em Carlet (Valência), filha de Vicente e Maria. Entrou na congregação em 1885;
   (Carot) Maria Graça Paula de Santo Antônio: nasceu em 1° de junho de 1869 em Valência, filha de Vicente e Leonarda. Entrou na congregação em 1900. Dedicou-se ao ensino;
   (Gómez Vives) Coração de Jesus: nasceu em 6 de fevereiro de 1881 em Valência, filha de João e Vicenza. Conseguiu o diploma de mestra entrando na congregação em 1906. Exerceu sempre a função de professora e foi diretora local do colégio;
   (Jiménez Baldovi) Maria do Socorro: nasceu em 13 de março de 1885 em San Martin de Provenzals (Barcelona), filha de Jesus e Salvadora. Órfã de mãe desde a primeira infância, foi educada na casa de misericórdia. Entrou na congregação em 1907;
   (Suris Brusola) Maria Dolores: nasceu em 17 de fevereiro de 1899 em Barcelona, filha de Gerardo e Caridade. Órfã de mãe desde a primeira infância, entrou na congregação em 1918. Se dedicou ao ensino;
   (Pasqual Pallardo) Inácia: nasceu em 1862 (se ignora o dia, porque os arquivos paroquiais foram perdidos). Entrou na congregação em 1889;
   (Calpe Ibenez) Maria do Rosário: nasceu em 25 de novembro de 1855 em Sueca (Valência), filha de Mariano e Leandra. Entrou na congregação em 1893, era irmã cozinheira;
   (Lòpez Garcìa) Maria da Paz: nasceu em 12 de agosto de 1885 em Turis (Valência), filha de Pedro e Maria. Entrou na congregação em 1911. Era irmã cozinheira e enfermeira;
   (Aurea Navarro) Marcela: nasceu na província de Albarete, entrando na congregação em 1934. Era dedicada ao ensino;
   (Amparo Rosat Balasch) Maria do Sagrado Coração: nasceu em 15 de outubro de 1873 em Mislata (Valência), filha de Emanuel e Teresa. Entrou na congregação em 1896, onde exerceu o cargo de superiora local. Exercia esta última função em Carlet, quando sofreu o martírio com Irmã Calvário, na manhã de 27 de setembro de 1936;
   (Romero Clariana) Maria do Calvário: nasceu em 11 de abril de 1871 em Carlet, (Valência), filha de Agostinho e Josefa. Entrou na congregação em 1892. Era irmã cozinheira e sofreu o martírio com Irmã Maria do Sagrado Coração no mesmo local e no mesmo dia.     
     Os despojos mortais das mártires (com exceção das Irmãs Maria do Sagrado Coração e Maria do Calvário) foram sepultados primeiramente no cemitério de Valência. Em 10 de maio de 1940 foram exumados, identificados e trasladados para Mislata (Valência) no cemitério local. Hoje repousam no Pantheon costruído para os mártires. O processo super fama martyrii foi levado a cabo em Valência e transferido para a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos.
     O processo ordinário foi aberto em 20 de janeiro de 1970.

sábado, 17 de novembro de 2012

Santa Rosa Filipina Duchesne, Fundadora - 18 de novembro

     Rosa Filipina Duchesne é o primeiro nome que aparece na lista dos pioneiros do Memorial Jefferson de São Luís, Missouri. Ela chegou aos Estados Unidos na idade de 49 anos e durante 34 anos se dedicou à educação dos colonos e dos índios, falecendo na idade de 83 anos.
     Filha de Pierre-François Duchesne, um eminente jurista, sua mãe, Rosa Eufrásia Perier, foi ancestral de Jean Casimir Perier, Presidente da França em 1894. Nasceu em Grenoble, França, em 29 de agosto de 1769. Foi batizada na igreja de São Luís, e lhe deram o nome de São Felipe Apóstolo e o de Santa Rosa de Lima, primeira santa do novo continente.
     Ainda criança, sua mãe a levava nas visitas aos pobres e doentes, e dava para as crianças alguns de seus brinquedos. Também ajudava os pobres com o dinheiro que seus pais lhe davam para gastar.
     Estudou com as Visitandinas, no colégio de Santa Maria d’en Haut. Como aos 12 anos manifestou a seus pais o desejo de fazer-se religiosa, retiraram-na do colégio e colocaram um tutor que lhe ensinava matemática, latim, idiomas, música e dança.
     Aos 18 anos pediu ao pai permissão para ingressar no convento, mas ele se opôs. Entretanto, em companhia de uma tia foi visitar o convento e ficou com as religiosas; finalmente obteve com sua constância o consentimento do pai.
     Quando a Revolução Francesa confiscou o convento e expulsou as religiosas, Rosa Filipina teve que retornar para a casa dos pais, onde viveu como religiosa. Nos onze anos seguintes desenvolveu uma intensa obra apostólica assistindo prisioneiros, pobres e doentes.
     Finda a revolução em 1801, com a ajuda financeira de seus primos, Rosa Filipina alugou o antigo convento de Santa Maria d’en-Haut, em Grenoble, e se instalou ali com algumas crianças que estavam sob seus cuidados e convidou as religiosas visitandinas para regressarem. Este projeto fracassou.
     Foi quando ouviu falar de Madre Madalena Sofia Barat (canonizada), que havia fundado a Sociedade das Religiosas do Sagrado Coração, em Amiens, e a procurou. A Madre Barat aceitou sua proposição e, em 13 de dezembro de 1804, ela chegou com 3 religiosas. Em 1805, aos 26 anos de idade, depois de um breve período de noviciado, Rosa Filipina Duchesne pronunciou seus votos religiosos.
     Como a Congregação se dedicava ao ensino, a casa de Santa Maria se transformou em um pensionato. O início foi difícil. Mas, as alunas chegaram, até mesmo a sobrinha da Madre Duchesne (em 1814).
     Entretanto, ser missionária era um sonho seu desde a infância. A Madre Barat desejando verificar a solidez de sua vocação, inicialmente a enviou para fundar uma comunidade em Paris.
     Em 1817, Mons. Guilherme Valentim Dubourg, Bispo de Luisiana, Estados Unidos, em visita a França, pediu religiosas para educar as meninas e os índios de sua diocese, e a Madre Rosa Filipa foi eleita, com quatro companheiras, para realizar esta missão.
     Luisiana era um território amplo, explorado pelos franceses durante um século, e que fora vendido pelo governo de Napoleão Bonaparte aos Estados Unidos por oitenta milhões de francos.
Quarto sob a escada usado pela Santa

     Em São Carlos, próximo de São Luís, Madre Duchesne fundou a primeira casa da Sociedade fora da França, em uma cabana de troncos. Ali viveu todas as austeridades da vida de fronteira: frio extremo, trabalho duro, falta de dinheiro. Já no ano seguinte várias escolas haviam sido fundadas por ela em todo o vale do Rio Mississipi, e em 1820 abriu um noviciado, tendo ingressado na Congregação a primeira religiosa norte-americana.
     Madre Rosa Filipina nunca chegou a aprender bem o inglês. As comunicações eram muito lentas; às vezes não lhe chegavam noticias de sua querida França… Lutou para manter-se estreitamente unida à Sociedade do Sagrado Coração da França.
     Em meio a numerosas dores físicas, e a critica e incompreensão de muitas pessoas, Madre Rosa Filipina realizou durante quase 30 anos um apostolado infatigável a favor da educação da juventude e do serviço aos indígenas.
     Ao ser eleita para o cargo de superiora, quando tinha 72 anos, levou a cabo um desejo de muitos anos: chegar a um acampamento de índios Potawatomi em Sugar Creek, Kansas, e entregar-se de cheio a sua evangelização.
     Como fosse muito difícil para ela aprender o idioma dos índios, dedicou grande parte de seu tempo à oração, o que fez com que os indígenas a chamassem “a mulher que reza sempre”. Sua saúde, entretanto, não pode resistir ao regime de vida do povoado.
     Depois de um ano, em julho de 1842, voltou à cidade de São Carlos, onde permaneceu até sua morte ocorrida em 18 de novembro de 1852. Porém seu coração valente nunca perdeu o desejo das missões: “Sinto o mesmo desejo pelas Montanhas Rochosas que sentia na França quando pedi para vir para a América...”.
     Foi beatificada pelo papa Pio XII em 1940 e canonizada pelo papa João Paulo II em 1988.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Santa Margarida da Escócia, Rainha - 16 de novembro

    Em 1093 o Rei Malcolm III construiu o seu castelo em Edimburgo e o filho mais novo, o Rei David I mandou construir uma capela dedicada a sua mãe, a Rainha Margarida, que é hoje o edifício mais antigo da cidade, visto que nada mais restou do castelo da época.
     Margarida era sobrinha do Rei Santo Estevão da Hungria, filha de Eduardo de Wessex (1016-1057) chamado o Exilado, Rei da Inglaterra. Era neta do Rei Edmundo Costela de Ferro. Sua mãe, Ágata, era aparentada com a Beata Gisela, esposa de Santo Estevão.
     Margarida fugiu dos normandos com a mãe e o irmão Edgar Atheling, o verdadeiro rei da Inglaterra, mais tarde cruzado. Uma irmã sua, Cristina, era freira em Romsey.
     Morto o pai após a conquista da Inglaterra pelos normandos, sua mãe Ágata resolveu voltar ao continente, mas uma tempestade jogou seu navio na Escócia, onde foram acolhidos por Malcolm III. Este já fora casado com Ingeburge de Orkney (morta em 1069), com quem tivera três filhos. Desejou então tomar Margarida por esposa. Ela desejaria ser religiosa, mas acedeu ao pedido e o casamento aconteceu em Dunfermline em 1070.
     Margarida empregou todos os esforços para criar um ambiente mais civilizado na corte. Inteligente e muito religiosa, conseguiu modernizar o país introduzindo idéias da Inglaterra e da Europa. Trouxe algumas finuras ao reino do norte, copiando algumas modas normandas, como: carnes temperadas e vinhos franceses, tapeçarias, roupas bonitas, dança e canto.
     Era muito amada pelo povo, pois mudou os modos da corte e seus padrões de comportamento; os nobres foram proibidos de embebedar-se. Ela ajudava os pobres, alimentava-os, dava-lhes abrigo. Sua vida dedicada à caridade impressionou o marido - rude e ambicioso - que permitiu que ela gastasse o dinheiro do Tesouro com suas obras e ele mesmo alimentou trezentos pobres no castelo real.
     Foi dela a idéia dos barcos chamados Queen's Ferry sobre a passagem do Firth of Forth para Santo André. Encorajou o comércio exterior. Margarida convidou três monges beneditinos ingleses da Abadia de Canterbury a construir um mosteiro em Dunfermline para abrigar seu maior tesouro: uma relíquia da verdadeira Cruz. Restaurou o mosteiro na Ilha de Iona, que fora fundado por São Columbano. Os monges trouxeram novas habilidades agrícolas e novidades na arquitetura.
     Margarida também mandou construir uma capela nova no castelo de Edimburgo, no estilo normando, que é atualmente uma das mais antigas igrejas na Escócia, e onde a Rainha passava horas em prece. Seu Evangelho, livro ricamente adornado com jóias, caiu um dia num rio e foi miraculosamente recuperado, estando hoje na Biblioteca Bodleian em Oxford.
     Malcolm ouvia os conselhos da esposa para estabelecer as leis do reino, e deixou-a reunir vários concílios. Desta forma ela procurou reconduzir os escoceses aos costumes da Igreja de Roma. A comunhão pascal e o descanso do domingo tinham sido descuidados; a celebração da Missa era acompanhada com ritos pagãos ou profanos; os casamentos entre parentes próximos não eram raros. A rainha fez com que esses abusos cessassem, e obteve também que a Quaresma iniciasse na quarta-feira de cinzas.
     O seu quarto era, por assim dizer, uma oficina cheia de paramentos em vários graus de execução. Os seus cuidados não tinham por objeto apenas as igrejas: do exterior ela mandou vir ornamentos para o palácio e quis que o rei andasse sempre acompanhado por uma guarda de honra.
     Mas, à noite, depois de tomar algum repouso, levantava-se para rezar as matinas da Santíssima Trindade, da Cruz, de Nossa Senhora, o Ofício dos Defuntos, o Saltério inteiro e Laudes. Entrando nos seus aposentos de manhã, lavava os pés de seis pobres e servia nove órfãos. Em seguida, assistia cinco ou seis Missas particulares antes da Missa solene. Este era o programa do Advento e da Quaresma. No resto do ano estes exercícios reduziam-se, mas os pobres continuavam a ser atendidos.
     Margarida anglicizou e refinou a corte e o marido com suas virtudes, modéstia, beleza rara. Sua paciência e doçura suavizaram os modos do marido... e converter o Rei é converter o Reino. O marido iletrado, embora falasse três línguas, foi se tornando mais cristão e a seus três filhos, que reinaram depois dele, Margarida inspirou amor a Deus, desprezo das vaidades terrenas e o horror ao pecado.
     O casal desperta até hoje curiosidade, pois a esposa era de tal maneira gentil e religiosa, que foi logo a seguir chamada santa; enquanto ela vivia para a igreja e a caridade, ele tentava obter controle e poder sobre os ingleses do norte.
     Em 1093, o marido partiu em expedição contra Guilherme o Ruivo. Margarida, prevendo sua própria morte, fez confissão geral. A 13 de novembro disse que algo de ruim para a Escócia havia acontecido. Dias depois chegou a notícia: o rei tinha sido morto naquele dia, junto com seu primogênito. Dizendo que considerava a tragédia como castigo por seus pecados, Margarida começou a rezar e faleceu. Era o dia 16 de novembro de 1093.
     Seu corpo foi sepultado diante do altar principal da Abadia de Dunfermline, Fife, ao lado do marido. Em 19 de julho de 1259 suas relíquias foram transferidas para um santuário novo. Em 1250 o papa Inocêncio IV a canonizou e é festejada no dia 16 de novembro.
 
Abadia de Dunfermline, Fife, Escócia
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Beata Maria Teresa de Jesus Scrilli, Fundadora - 13 de novembro

     Maria Scrilli nasceu no dia 15 de maio de 1825 em Montevarchi, cidade do Grão Ducado de Toscana. Era a segunda menina que nascia no lar dos Scrilli-Checcucci; esperava-se que fosse um varão e a desilusão foi grande.
     Naquela mesma manhã de domingo e muito cedo… a poucas horas de nascida, fui levada à pia batismal de forma privada, com grande desgosto de meus pais por terem tido uma segunda filha”, conta ela mesma. Era menosprezada até pela própria mãe...
     O que poderia ter sido um verdadeiro trauma para a criança serviu para ir modelando seu caráter sem nenhuma animosidade; ela soube compreender a tempo que a inveja corrói o coração e não o vazio pela ausência de amor. Maria Teresa vai dedicar toda a sua vida sem amargura, sem um mínimo de ressentimento para com sua própria mãe. Ela encontrará a solução para seu problema de afetividade junto da Virgem Maria, que será sua Mãe verdadeira; uma terníssima devoção mariana modelará seu coração feito para entregar-se aos que são vitimas do desamor.
     Aos 21 anos ingressou no mosteiro de Santa Maria dos Anjos, em Florença, mas não prospera em seu propósito. Da experiência carmelitana adquire base para toda sua espiritualidade futura. Do Carmelo de Florença sai com uma decisão: será contemplativa, porém “contemplativa em ação”.
     Seu amor ao sofrimento e o desejo de reparar as ofensas que se faziam ao Senhor, eram sustentados pela contínua meditação sobre a Paixão de Cristo, e em alguns apontamentos pessoais tomados durante um curso de exercícios espirituais, anotou entre os seus propósitos: "1. considerar-se sobre a terra como peregrino; 2. não basta, é preciso ser crucificado; 3. nem isto é suficiente. É necessário morrer; 4. mais ainda torna-se necessário ser sepultado" (Apontamentos pessoais, p. 173).
     Desde 1849 aquela região toscana vivia um virulento anticlericalismo originado pelo liberalismo mais radical, então em moda. A sociedade jazia sob um grande nível de analfabetismo e de miséria. Maria Scrilli consciente que a falta de cultura e a ignorância degrada especialmente a mulher, começou em sua própria casa de Montevarchi a ensinar um grupo de meninas que encontra pela rua. “O número de minhas pequenas alunas chegou a doze; as mantinha gratuitamente, porém elas correspondiam com tantas demonstrações de agradecimento, que não tinha outro remédio senão mantê-las”, escreve Maria.
     Logo se juntaram a ela outras companheiras. Éramos Edvige Sacconi, Ersilia Betti, Teresa del Bigio e eu… Escrevi algumas normas que nos regulavam, porém normalmente o fazia verbalmente”.
     Para responder às ansiedades do seu tempo, Madre Maria Teresa Scrilli quis dar às jovens, em especial às mais carentes, uma preparação humana completa do ponto de vista cultural, escolar e religioso, que correspondesse às necessidades da sua vida específica de mulher, preparando-as para um trabalho digno. À suas filhas pediu para fazerem, além dos três votos habituais de castidade, obediência e pobreza, um quarto voto, ou seja o de "apresentar-se para a utilidade do próximo por meio da instrução moral cristã e civil a dar ao sexo feminino" (Regras e Constituições, 1854-55, 1).
     Em 1854 nasceu o Pio Instituto das Irmãzinhas Pobres do Coração de Maria, aprovado pelo Bispo de Fiésole. Em agosto de 1857, Pio IX esteve no mosteiro de Santa Maria Madalena de Pazzi e as abençoou: “… e pôs sua mão sobre minha cabeça, enquanto eu me inclinava e lhe beijava os pés”, escreve, interpretando aquele gesto como um sinal de aprovação.
     Em junho de 1859 as tropas piemontesas entraram em Montevarchi e ocuparam o convento das religiosas; por um decreto de 30 de novembro o Instituto foi suprimido: toda a obra da Beata veio abaixo e as monjas secularizadas voltaram para casa.
     Madre Maria Teresa se refugiou em Florença de onde trata de reconstruir seu instituto, até que em 1878 o Arcebispo Eugenio Cecconi lhes concede recompor a comunidade, ficando restabelecido em 1892.
     “O Instituto, sem dúvida, segundo os desígnios de Deus, devia fundar-se com lagrimas, com dor e com os combates da fundadora”. Algumas Irmãs abandonaram a casa, outras faleceram e nenhuma outra ingressava. A melhor colaboradora, Clementina Mosca, se transfere para as dominicanas de clausura. Todo o projeto de Madre Maria Scrilli desmorona. Porém seu ânimo não decai. Sabe muito bem que se aquilo é obra de Deus e Maria sua Mãe o quer, a obra seguirá adiante; ela tem consciência de que ela - como o grão de trigo - deve morrer e desaparecer para que uma nova vida surja.
     E assim aconteceu. Madre Maria Teresa se ofereceu como vítima por aquela obra da Igreja. Caiu gravemente enferma e morreu no maior dos desamparos. Era o dia 14 de novembro de 1889. Após a morte de Madre Maria Teresa se pressagia a total extinção do Instituto, pois o panorama era desolador: uma Irmã anciã, outra doente, praticamente paralítica, e uma noviça.
     Eis que acontece o milagre: inesperadamente Clementina Mosca (1862-1934) retorna: «o anjo enviado por Deus» adota o nome de Maria de Jesus e recolhe o precioso legado de Madre Maria Teresa.
     Sob a liderança desta segunda fundadora o Instituto cresceu em membros e multiplicou as fundações, ampliando sua ação apostólica: ensino, cuidado dos doentes e outros trabalhos de caridade. Elaborou as Constituições e conseguiu que sua congregação fosse reconhecida de direito diocesano pelo Cardeal Mistrangelo, em 1929. No mesmo ano o Prior Geral Elias Magennis as afiliou a Ordem já com o nome definitivo de Instituto de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
     Nas primeiras Regras e Constituições do seu Instituto Madre Maria Teresa recomendava às suas companheiras: "Estamos nesta terra para cumprir a vontade de Deus e conduzir almas a Ele" (Regras e Constituições, 1854-1855, 7). Em vários trechos da sua Autobiografia este desejo é ainda mais claro: "Comparava-me a mim mesma, a Deus doada, ao ouro na mão do ourives, e à cera na mão do seu operário, disposta a tomar qualquer forma que ele quisesse" (Autobiografia, 45).
     A Beata Maria Teresa Scrilli perseverou até à morte na fidelidade ao seu Senhor. "Amo-te, meu Deus, nos teus dons. Amo-te na minha nulidade, porque também nela compreendo a tua infinita sabedoria: amo-te nas vicissitudes múltiplas, diversas e extraordinárias, com as quais Tu acompanhaste a minha vida. Amo-te em tudo, na dificuldade e na paz, pois não procuro, nem jamais procurei as tuas consolações, mas Tu, Deus das consolações" (Autobiografia, 62).
     Maria Teresa Scrilli foi beatificada em 8 de outubro de 2006. 
Fontes: www.santiebeati/it; www.es.catholic.net/santoral/articulo.php?id=42556

Montevarchi no início do séc. XX
 

sábado, 10 de novembro de 2012

Santa Marina de Omura, Virgem e Mártir - 11 de novembro

     Marina era originária de Omura, nas proximidades de Nagasaki, Japão. Em 1626 Marina, ainda muito jovem, ingressou na Ordem Terceira Dominicana, emitindo os votos religiosos de forma privada, sendo de grande ajuda para os missionários.
     Os dados sobre o nascimento, batismo e família desta insigne mártir do Japão são muito escassos. Seus biógrafos nos dizem dela que «era exemplo para todos os cristãos de Omura». Dizem também que sua caridade era tal, que sua casa era o refúgio tanto dos missionários como dos cristãos persegui­dos. Ali acudiam quantos se encontrassem nos transes da prova para recobrar o ânimo e as forças perdidas.
     A sua amada pátria sofreu repetidas perseguições ferozes contra os cristãos e ela também foi acusada de colaborar com os missionários ocidentais dominicanos que hospedava.
     Em 1634 foi aprisionada e encarcerada; foi depois ultrajada publicamente e violado o seu pudor e finalmente queimada viva em fogo lento na colina santa de Nagasaki no dia 11 de novembro do mesmo ano.
     Para proceder à sua elevação às honras do altar, Marina foi agregada a um grupo de dezesseis mártires dominicanos de várias nacionalidades, todos mortos em terras japonesas, dirigidos por Lorenzo Ruiz, primeiro Santo de origem filipina. O grupo foi beatificado pelo papa João Paulo II em 18 de fevereiro de 1981 em Manila, Filipinas, e canonizado em Roma pelo mesmo pontífice em 18 de outubro de 1987.
     A comemoração isolada de Santa Marina de Omura consta do Martirologio Romano no dia de seu martírio; a festa coletiva do grupo de mártires foi fixada no calendário litúrgico no dia 28 de setembro.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Beata Isabel da Trindade, Carmelita - 9 de novembro

     Maria Isabel Catez nasceu em um acampamento militar, no Campo de Avor, perto de Bourges, França, pois seu pai era capitão do exército francês, no dia 18 de julho de 1880.
     Sua mãe contava: “Quando tinha apenas 1 ano, já se manifestava sua natureza ardente e colérica”. No entanto, sua mãe, atenta, soube modelar a fúria de Isabel e fazer sobressair nela a ternura. Ela tomou a iniciativa de escrever em seu diário pessoal, aos 18 anos: “Eu tive hoje a alegria de oferecer a meu Jesus muitos sacrifícios sobre o meu defeito dominante, mas como eles me custaram! Eu reconheço minha fraqueza… Parece-me que quando recebo uma observação injusta, eu sinto esquentar todo o meu sangue nas veias, tanto que meu ser se revolta… Mas Jesus estava no meu coração e então eu estava pronta a tudo suportar por amor a Ele”.
     Ainda criança a família se mudou para a cidade de Dijon. Com apenas 7 anos e 2 meses, perdeu o pai tão querido, que a morte lhe roubou.
     O dia da primeira comunhão, a 19 de abril de 1891, foi “o grande dia” da vida de Isabel, então com 10 anos. Chorou de alegria. Ao sair da igreja, descendo as escadas diz à sua amiguinha Marie-Louise Hallo: “Não tenho fome, Jesus saciou-me”...
     Estudou piano desde os 8 anos de idade no Conservatório vindo a tornar-se uma “excelente pianista”, segundo a expressão do seu professor de música.
     Não atingira ainda os 14 anos e já escolhera Cristo para seu único esposo. Confirmou-se na sua vocação com a leitura da História de uma Alma, autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus. Deste livro copiou por seu punho e letra o Oferecimento ao Amor Misericordioso e três poesias.
     Aos 18 anos sua mãe pretendeu casá-la, mas Isabel respondeu: “O meu coração já não está livre, dei-o ao Rei dos reis, já dele não posso dispor”. O desgosto da mãe foi grande. Mas foi mais amargo quando soube que Isabel queria entrar para o Carmelo, onde tantas vezes tinham ido e que ficava apenas a 200 metros de sua casa. Entre lágrimas a mãe apenas consentiria na entrada da filha no Carmelo quando essa alcançasse a maioridade, aos 21 anos de idade.
     Isabel entrou no Carmelo de Dijon do dia 2 de agosto de 1901, quando recebeu o nome de Irmã Isabel da Santíssima Trindade. Este início foi marcado por muitas graças sensíveis e se tornou um período onde ela descobriria um profundo amor pelo silêncio, próprio da espiritualidade carmelitana.
     Irmã Isabel tomou o hábito a 8 de dezembro de 1901. No decurso do ano de 1902, o sofrimento interior visita Isabel. A sua noite ilumina-se com as claridades da fé e da confiança, como ela explica nesse mesmo ano à Senhora de Sourdon: “O abandono, eis o que nos entrega a Deus. Sou muito nova, mas parece-me que algumas vezes sofri bastante. Oh! Então quando tudo se obscurecia, quando o presente era tão doloroso e o futuro me aparecia ainda mais sombrio, fechava os olhos e abandonava-me como uma criança nos braços desse Pai que está nos céus...
     Irmã Isabel fez sua profissão simples no dia 8 de dezembro de 1901 e sua profissão perpétua dia 21 de janeiro de 1903, tendo recobrado a paz e a serenidade interior. Na véspera de sua profissão perpétua, ela passou a noite toda em oração, como era o costume no Carmelo. Ela afirma ter recebido nesse momento sua vocação: “Na noite que precedia o grande dia, enquanto eu estava no coro à espera do Esposo, eu compreendi que meu céu começaria na terra, o céu na fé, com o sofrimento e a imolação por Aquele que eu amo”.
     Ela descobriu a passagem de São Paulo sobre o Louvor de Glória, nas Cartas aos Efésios: “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros, predestinados a ser, para louvor da sua glória, os primeiros a pôr em Cristo nossa esperança” (Ef 1, 11-12). Escreve um seu biógrafo: “A Irmã Isabel da Trindade foi verdadeiramente a alma de uma ideia: ser, para a Santíssima Trindade, um louvor de Glória”.
     Numa carta à sua mãe, que à maneira francesa tratava por “tu”, assim se expressa: “Ele escolheu a tua filha para associá-la à sua grande obra de Redenção. Ele marcou-a com o selo da sua Cruz e sofre nela como que uma extensão da sua Paixão... Não ambiciono chegar ao Céu somente pura como um Anjo, mas transformada em Jesus Crucificado”.
     Esta crucifixão atingiu-a, sobretudo nos últimos nove meses de vida, por meio de uma doença que a transformou numa hóstia de imolação. No Céu, para onde voou, consumou-se a união desta grande Mestra da vida espiritual. Nos fins de março de 1906, a Irmã Isabel foi colocada na enfermaria. As Irmãs rezavam pela sua cura e Isabel juntou o seu pedido às orações da comunidade, mas sentiu que Jesus lhe dizia que os ofícios da terra já não eram para ela.
     No dia 1 de novembro comungou pela última vez e dois dias antes da sua morte disse ao seu médico: “É provável que dentro de dois dias eu esteja no seio da Santíssima Trindade. É a Virgem Maria, aquele ser tão luminoso, tão puro, com a pureza do mesmo Deus, quem me levará pela mão e me introduzirá no céu tão deslumbrante”.
     Alguns dias antes de sua morte, Isabel dissera às suas Irmãs esta frase tão bela e que ficou célebre: “Tudo passa! No declinar da vida só o amor nos resta...” A sua última noite foi terrivelmente penosa, pois às suas horríveis dores juntou-se-lhe também a falta de ar, mas ao amanhecer Isabel sossegou, e inclinando a cabeça abriu os olhos e exclamou: “Vou para a Luz, para o Amor, para a Vida”, e adormeceu para sempre. Era a madrugada do dia 9 de novembro de 1906.
     Isabel da Trindade foi beatificada por João Paulo II no dia 25 de novembro, festa de Cristo Rei, de 1984. 
Fontes: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.; www.santiebeati/it;