sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Santa Maria de la Rosa, Fundadora - 15 de dezembro

     Seu nome de batismo era Paula Francisca Maria; nasceu dia 6 de novembro de 1813, em Bréscia, na Itália. Ficou órfã de mãe quando tinha apenas 11 anos. Estudou no colégio das Irmãs da Visitação.
     Quando tinha 17 anos, seu pai lhe apresentou um jovem, dizendo-lhe que havia decidido que ele seria seu esposo. A jovem se assustou e foi procurar o pároco para comunicar que havia planejado permanecer sempre solteira e dedicar-se totalmente a obras de caridade. O sacerdote procurou seu pai e contou os planos da filha. O Sr. de la Rosa aceitou quase imediatamente a decisão dela e a apoiou mais tarde na realização de suas obras de caridade.
     O pai de Maria tinha umas fábricas de tecidos e, com as operárias que ali trabalhavam, a jovem fundou uma associação destinada a se ajudarem mutuamente e a se exercitarem nas obras de piedade e de caridade.
     Na propriedade de seus pais fundou também, com as camponesas dos arredores, uma associação religiosa que as afervorou. Em sua paróquia organizou retiros e missões especiais para as mulheres, e a transformação delas foi tão admirável, que ao pároco parecia que eram outras mulheres.
     Em 1836 a peste da cólera chegou a Brescia, e com a permissão de seu pai (que o fez com grande temor) Maria foi aos hospitais para atender os milhares de contagiados. Logo se associou a uma viúva que tinha muita experiência nesses trabalhos de enfermaria, e as duas deram tais mostras de heroísmo em atender aos empestados, que os moradores da cidade ficaram admirados.
     Depois da peste, como muitas meninas tinham ficado órfãs, o município formou umas oficinas artesanais e as confiou a direção de Maria de la Rosa, que tinha então apenas 24 anos, porém já era estimada em toda a cidade.
     Ela desempenhou esse cargo com grande eficácia durante dois anos, mas vendo que nas obras oficiais se tropeça em muitas coisas que tiram a liberdade de ação, resolveu organizar sua própria obra e abriu por sua conta um internato para as meninas órfãs ou muito pobres Pouco depois abriu também um instituto para meninas surdas-mudas. Tudo isto é admirável em uma jovem que ainda não chegara aos 30 anos, e que era de saúde sumamente débil. Mas a graça de Deus concede imensa fortaleza.
     As pessoas se admiravam ao ver nesta jovem apostólica umas qualidades excepcionais. Por exemplo, um dia em que uns cavalos desgovernados ameaçavam enviar para um precipício os passageiros de uma carruagem, ela se lançou no posto do condutor e conseguiu dominar os cavalos enlouquecidos  e detê-los.
     Em certos casos muito difíceis se ouviam de seus lábios respostas tão cheias de inteligência que solucionavam os problemas que pareciam impossíveis de consertar. Nos momentos livres se dedicava à leitura de livros de religião, e chegou a possuir tantos conhecimentos teológicos, que os sacerdotes se admiravam ao escutá-la. Possuía uma memória prodigiosa, que lhe permitia recordar com impressionante precisão os nomes das pessoas que tinham falado com ela, e os problemas que haviam consultado, o que foi muito útil em seu apostolado.
     Em 1840 Monsenhor Pinzoni fundou em Brescia uma associação piedosa de mulheres para atender os doentes dos hospitais. Maria de la Rosa foi nomeada superiora. As sócias se chamavam Servas da Caridade. No início eram só quatro jovens, três meses depois já eram 32.
     As Servas da Caridade eram admiradas pelo trabalho que faziam nos hospitais, atendendo aos doentes mais abandonados e repugnantes; outros, porém, as criticavam e tentaram tirá-las dali, para que não levassem a religião aos moribundos.
     Comentando isto a Santa escrevia: “Espero que não seja esta a última contradição. Francamente, eu sentiria se não fossemos perseguidas”.
     Foi-lhe confiado o hospital militar de São Lucas, quando Brescia sofria os efeitos de uma guerra contra a Áustria. Maria de la Rosa e suas companheiras trabalharam incansavelmente, dia e noite, cuidando dos feridos. Mas os médicos e alguns militares começaram a pedir que as tirassem dali, porque com estas religiosas não podiam ter os atrevimentos que tinham com as outras enfermeiras.
     Um dia, uns soldados atrevidos quiseram entrar no local onde estavam as religiosas e as enfermeiras para desrespeitá-las; Santa Maria de la Rosa tomou um crucifixo nas mãos e, acompanhada por seis religiosas que levavam círios acesos, enfrentou-os proibindo-lhes em nome de Deus de entrar. Os doze soldados vacilaram um momento, se deteram e se afastaram rapidamente.
     O crucifixo foi guardado depois com grande respeito como uma relíquia e muitos doentes o beijavam com grande devoção.
     Em 1850, Maria foi a Roma e obteve do Beato Papa Pio IX a aprovação de sua Congregação. Tomou o nome de Maria do Crucificado. As pessoas ficaram admiradas com a rapidez com que ela conseguiu algo que outras comunidades levavam muitos anos para obter, mas ela era muito ágil em buscar soluções. Ela dizia: “Não posso acostumar-me, com a consciência tranquila, com os dias em que perdi a oportunidade, por pequena que seja, de impedir algum mal ou de fazer o bem”.
     Em 1852, a fundadora e as companheiras fizeram a sua profissão religiosa. A consolidação da Congregação foi difícil, mas aos poucos, o trabalho das Irmãs foi reconhecido.
     Dia e noite Maria estava pronta para acudir os doentes, assistir a algum pecador moribundo, intervir para por paz entre os que brigavam, consolar quem sofria. Por isso Mons. Pinzoni exclamava: “A vida desta mulher é um milagre que assombra a todos. Com uma saúde tão frágil faz trabalhos como de três pessoas robustas”.
     Com apenas 42 anos, suas forças já estavam totalmente esgotadas de tanto trabalhar pelos pobres e doentes. Na Sexta-feira Santa de 1855 recobrou sua saúde como por milagre e pode trabalhar alguns meses mais. Porém, no final do ano sofreu um ataque e no dia 15 de dezembro de 1855 passou para a eternidade, a fim de receber o prêmio de suas boas obras.
     Santa Maria de la Rosa foi canonizada por Pio XII em 1954. Hoje suas Irmãs se encontram espalhadas por todos os continentes.
 
 
Corpo incorrupto de Santa Maria de la Rosa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Santa Joana Francisca Fremiot de Chantal, Cofundadora

     Hoje recordamos a entrada no Céu desta grande Santa, porém sua festa litúrgica é comemorada no dia 12 de agosto.
     Santa Joana Francisca Fremiot nasceu a 23 de janeiro de 1572, na cidade de Dijon, França, nove anos depois do término do Concílio de Trento. Estava destinada a ser um dos grandes santos que o Senhor suscitou para defender e renovar a Igreja depois do caos causado pela divisão dos protestantes. Santa Joana foi contemporânea de São Carlos Borromeu da Itália, de Santa Teresa d' Ávila e de São João da Cruz da Espanha, de São João Eudes e de seus compatriotas, o Cardeal de Berulle, o Padre Olier e seus dois renomados diretores espirituais, São Francisco de Sales e São Vicente de Paulo. No mundo secular Joana foi contemporânea de Catarina de Medici, do Rei Luís XIII, Richelieu, Maria Stuart, a Rainha Isabel e Shakespeare.
     Ela própria se apresenta: "Sou Joana Francisca Frémyot, natural de Dijon, capital da Borgonha, filha do senhor Frémyot, presidente do Parlamento de Dijon, e da senhora Margarida de Barbisey”.
     Com apenas um ano e meio de idade perdeu a mãe, e seu pai se dedicou inteiramente à educação dos seus três filhos, inculcando-lhes antes de tudo o amor de Deus e a doutrina da fé católica.
     Joana Francisca era a admiração de todos os que com ela conviviam, por sua inteligência viva, seu reto e sólido juízo, seu caráter firme e varonil, sua prudência e discrição, que unidos ao seu coração inclinado ao bem e à virtude foram a base sobre a qual se elevou o edifício de sua perfeição.
Sta. Joana jovem

     Contraiu matrimônio com o jovem Christophe de Rabutin-Chantal, Barão de Chantal. Desde sua chegada ao castelo do esposo demonstrou sua habilidade na administração das propriedades, fazendo-as mais produtivas que antes. Deus abençoou seu lar com seis filhos. Os dois primeiros morreram ao nascer. Enfim, após três ou quatro anos de casamento, ela deu à luz o seu primogênito Celso Benigno, nascendo a seguir Maria Amada, Francisca e Carlota.
     Assumiu em todo o momento o seu papel de mulher “perfeita”, dedicada à educação de seus filhos e às obras de caridade. Depois de algumas semanas do nascimento de Carlota, o barão sofreu um acidente de caça e morreu. Viúva aos 28 anos, apesar da sua profunda tristeza, abraçou a vontade de Deus e perdoou de coração o responsável involuntário pela morte de seu esposo. Experimentou o quão efêmera é a felicidade nesta vida.
     Desabrochou nela um vivo desejo de ser toda de Deus. Anos antes fizera, juntamente com seu esposo, uma promessa: aquele que sobrevivesse ao outro se consagraria a Deus. Repartiu suas jóias e vestidos de gala entre os pobres e a Igreja. A partir de então, se constitui “mãe de todos os pobres”. Acompanhada pelos filhos, visitava os enfermos em suas próprias casas, levava-lhes alimentos, remédios, e ela mesma limpava e curava suas chagas e as beijava, vendo a Nosso Senhor em cada um deles. Fazia estas obras de caridade com tanto esmero e carinho que todos diziam: “Que bom é estar doente, para receber a visita da santa baronesa!”
     No outono de 1602, o sogro de Joana forçou-a a viver em seu castelo de Monthelon, ameaçando-a deserdar seus filhos se se recusasse. Ela passou uns sete anos sob sua errática e dominante custódia, aguentando maus tratos e humilhações.
     Joana Francisca sentia uma sede ardente do infinito e pedia insistentemente ao Céu um guia espiritual que lhe mostrasse a vontade de Deus. Ouvia em seu íntimo a voz que lhe diz: “Eu te darei esse guia”.
     Na quaresma de 1604, Joana estava na casa de seu pai em Dijon. O Bispo Francisco de Sales foi àquela cidade para fazer a pregação da Quaresma. Ambos se reconhecem sem nunca se haverem visto e desde o primeiro momento se compreendem. Ela se colocou sob sua direção espiritual. Começou uma rica correspondência entre os dois: são alguns dos mais belos escritos que existem e refletem a profunda amizade vivida entre os santos.
     No dia 4 de junho de 1607, Francisco de Sales lhe revelou o desígnio que Deus lhe havia inspirado de fundar uma nova Congregação, e ela acolheu o projeto muito feliz e com perfeita obediência.
     Em 1609, sua filha mais velha, Maria Amada, se casava, e no ano seguinte sua filha caçula falecia. Francisca continuou sua educação por algum tempo sob a direção da mãe e Celso Benigno foi entregue aos cuidados do avô materno.
S Fco de Sales entrega as Constituições

     Chegou o momento da partida para iniciar a vida religiosa, em Annecy, Savóia. No dia 6 de junho de 1610, Domingo da Santíssima Trindade, Joana Francisca de Chantal, acompanhada por Joana Carlota de Brechard, Jaquelina Favre e Ana Jaquelina Costa, entrou na pequena Casa da Galeria, onde receberam a bênção do Bispo Francisco de Sales, juntamente com as Constituições religiosas que ele mesmo redigira. Nesta Casa residiriam durante alguns anos até se transferirem definitivamente em 1613 para o primeiro Mosteiro da Visitação nesta mesma cidade.
     Joana Francisca sofreu sucessivamente a perda dos parentes que lhe eram mais queridos. A estas dolorosas partidas se unem enfermidades, críticas e perseguições de todo o tipo. Tudo ela recebia e abraçava com espírito de fé, vendo em tudo a vontade de Deus. É admirável em seu ardente amor a Deus. Amor forte, generoso e provado, que a faz dizer: “Saborear a suavidade de Deus, não é amor sólido; mas humilhar-se, sofrer e morrer a si mesmo, este é verdadeiro amor”.
     Em 1632, profundamente tocada pelo amor divino, partilhou com as Irmãs sua experiência acerca de um martírio que chamou de Martírio de Amor, explicando-lhes textualmente: “... Deus, sustentando a vida de seus servidores e servidoras para fazê-los trabalhar para a sua glória, os torna mártires e confessores ao mesmo tempo (...). É que o Divino amor faz passar sua espada pelas partes mais secretas e íntimas de nossas almas, e nos separa de nós mesmas. Eu conheço uma alma a quem o amor separou das coisas que lhe eram mais caras, de tal modo, como se tiranos houvessem separado seu corpo de sua alma, esquartejando-o com suas espadas”. As Irmãs entenderam que Joana Francisca falava de si mesma.
     Diferentemente de Santa Teresa d’ Ávila e de outros santos, Joana não escreveu suas exortações, conferências e instruções, elas foram anotadas e entregues à posteridade graças a muitas monjas fieis e admiradoras de sua Ordem.
     Tendo vivido em profunda humildade, gozou de paz e serenidade constantes. Ao falecer, em 13 de dezembro de 1641, às vésperas de seus 70 anos de idade, deixou fundados 87 Mosteiros.
     Em 1751 foi beatificada pelo Papa Bento XIV e em 16 de julho de 1767, canonizada por Clemente XIII.
     Seu coração permanece incorrupto no Mosteiro da Visitação, na cidade de Nevers, França.
 
Fontes:

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Beata Vilburga, Reclusa de S. Floriano - 11 de dezembro


     A figura desta Beata, uma vida de reclusa em extrema penitência, é difícil de ser compreendida pela mentalidade moderna voltada para uma liberdade e um prazer desenfreados. Vilburga (também conhecida como Wilburgis, Wilberg), que nasceu no território da Áustria atual, viveu durante quarenta anos em uma cela.
     Vilburga nasceu nas proximidades da Abadia de São Floriano. O pai, Henrique, morreu durante uma peregrinação a Jerusalém; ela foi educada sob os cuidados da mãe e da governanta. Aos 16 anos, com a amiga Matilde, fez uma peregrinação, longa e corajosa para aqueles tempos, sobretudo por uma jovem sozinha, a São Tiago de Compostela, na Espanha, uma das grandes metas de peregrinação na Idade Média.
     De volta a sua terra natal, a amiga Matilde desejava fazer com ela uma outra peregrinação, desta vez a Roma. Mas Vilburga já fizera uma escolha mais definitiva e completa de sua vida. Renunciando ao mundo, no dia da Ascenção de 1248, se fechou solenemente em uma cela junto à igreja dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho de São Floriano. A Abadia de São Floriano era já renomada e ainda hoje sua fama persiste.
     Os eremitas daquele século escolhiam esta forma de isolamento, isolavam-se em pequenas construções erigidas no exterior dos conventos, mas bastante próximas para que eles usufruíssem da direção espiritual dos monges. Às vezes até monges do mesmo convento escolhiam esta forma de penitência para um período de maior mortificação e dedicação à ascese.
     Através de uma janela que defrontava na igreja conventual, Vilburga participava da liturgia dos monges. Sua amiga Matilde também tomou uma cela vizinha, num regime de semi-liberdade, podendo providenciar mantimentos e fornecendo-os também a Vilburga.
     Esta vida de reclusa durou 40 anos, até sua morte. Ela só deixou sua cela uma vez, e por pouco tempo, quando em 1275, para fugir dos soldados de Rodolfo de Asburgo (1218-1291), imperador do Sacro Império Romano desde 1273, acompanhou os monges agostinianos na fuga para dentro dos muros da cidade de Enns, que tem o mesmo nome do rio que a atravessa, afluente do Danúbio.  
     Pelos méritos de sua união com Deus, teve dons sobrenaturais, como a visão dos acontecimentos contemporâneos. Era tal sua fama de espiritualidade e vida interior, que leigos e religiosos, pecadores e pessoas piedosas, gente de todas as classes sociais, postavam-se diante da janela de sua cela para pedir conselhos e orações àquela mulher que era um exemplo de penitência.
     A fama de Vilburga ultrapassou os limites da Áustria, tendo sido convidada pela Beata Inês de Praga († 1282 ca.), depois por Catarina, sobrinha do Beato Gregório X, que a convidou a fundar um convento na Itália, mas em ambos os casos a Beata não quis abandonar sua cela, o silêncio e o recolhimento.
     Manteve uma correspondência epistolar com o célebre monge cisterciense Gustolfo de Viena.
     Com 56 anos morreu em sua cela, no dia 11 de dezembro de 1289. Foi sepultada na igreja do vizinho convento de São Floriano, onde ainda repousa em um sarcófago da cripta.
     O seu culto continuou ininterruptamente nestes séculos; peregrinos da Áustria e da Alemanha continuam a fluir para venerá-la. Já em vida foi considerada uma santa e no aniversário de sua morte uma Missa solene é celebrada, embora não tenha sido oficialmente beatificada pela Igreja.
     Sua vida foi inspiração literária de alguns escritores alemães.
 
Abadia de São Floriano, Áustria
 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Venerável Clara Isabel Fornari, Monja Clarissa - 9 de dezembro

     Hoje, Festa da Imaculada Conceição, apresentamos a Venerável Clara Isabel Fornari, uma fervorosa devota da Santa Mãe de Deus.
 
     Nascida em Roma, a 25 de junho de 1697, Ana Felícia Fornari entrou aos quinze anos para o noviciado das Clarissas, em Todi. Sua vida religiosa era orientada por seu confessor, o jesuíta Crivelli. Tomando o nome de Clara Isabel, fez a profissão no ano seguinte e, desde então, a sua vida foi uma série dos fenômenos mais extraordinários, consignados no processo de beatificação e confirmados sob juramento pelas suas companheiras, pelo confessor e pelo médico.
     Tinha frequentes e prolongados êxtases; recebia numerosas visitas de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, de Santa Clara e de Santa Catarina de Sena. No decorrer duma delas, Jesus meteu-lhe no dedo o anel que simbolizava o seu consórcio espiritual. Comprazia-se em chamar-lhe «a sua esposa de dor».
     Clara Isabel participou, com efeito, dos sofrimentos do Divino Crucificado: tinha as mãos, os pés e o lado marcado com estigmas visíveis, donde por vezes corria sangue. Na cabeça tinha uma coroa cujos espinhos cresciam para o interior, saindo pela fronte, desprendendo-se e caindo ensanguentados. As torturas e perseguições demoníacas que sofreu recordam as que, cem anos depois, veio a padecer o Santo Pároco de Ars. Desde o noviciado, o demônio tentava-a com o desespero e o suicídio; depois, maltratava-a, atirando-a pelas escadas abaixo, e tentava tirar-lhe a fé.
     Nos últimos meses de vida parecia abandonada de Deus, tendo perdido até a lembrança das consolações passadas. Só recuperou a antiga alegria pouco tempo antes de morrer, no ano de 1744. Um processo de beatificação da Madre Clara Isabel está em andamento.  
A devoção a Nossa Senhora da Confiança (Madonna della Fiducia)
     A invocação de Nossa Senhora da Confiança foi introduzida na Igreja no século XVIII pela Venerável Clara Isabel Fornari, que nutria uma devoção muito especial a Santa Mãe de Deus e portava sempre consigo um quadro com a pintura dEla com o Menino Jesus nos braços. Logo várias copias começaram a circular pela Itália; a essa pintura se atribuíam muitas graças e curas, e em 1917 o Papa Bento XV coroou Nossa Senhora da Confiança confirmando canonicamente seu título e o dia de sua festa: 24 de fevereiro.
     O quadro fora pintado pelo grande artista italiano Carlo Maratta (1625-1713). Em 1704 ele tornou-se pintor da corte de Luís XIV. Diz-se que o renomado artista deu o quadro para uma jovem nobre que se tornou abadessa do Convento das Clarissas de São Francisco na cidade de Todi. Era a hoje Venerável Madre Clara Isabel Fornari.
     Segundo palavras da própria Venerável, Nossa Senhora fez promessas especiais a ela com respeito a este quadro: "Minha Senhora Celeste, com o amor de uma verdadeira Mãe, assegurou-me que todas as almas que com confiança se apresentarem diante desta imagem obterão verdadeiro conhecimento, dor e arrependimento de seus pecados, e a Santíssima Virgem lhes concederá uma particular devoção e ternura por Ela”. (Esta promessa se aplica não apenas ao quadro original, mas também a todas as cópias dele.)
     Uma das cópias foi levada para o Seminário Maior de Roma, do qual Ela se tornou padroeira. Todos os anos, no dia 24 de fevereiro, o próprio Pontífice vai venerá-la.
     Entre os fatos prodigiosos que comprovam a proteção dEla ao Seminário contam-se as duas vezes (1837 e 1867) em que uma epidemia de cólera atingiu a Cidade Eterna, mas o Seminário Romano foi milagrosamente poupado pela poderosa intercessão de sua Padroeira.
     Na 1a. Guerra Mundial, cerca de cem seminaristas foram enviados à frente de batalha e se colocaram sob a especial proteção de Nossa Senhora da Confiança . Todos retornaram vivos, graça que atribuíram à proteção da Santíssima Virgem. Em agradecimento, entronizaram o venerável quadro numa nova capela de mármore e prata. 
A devoção a Nossa Senhora Menina
     O fundador da Congregação dos Monges Olivetanos é o iniciador da devoção a Nossa Senhora Menina. A ela o então Beato Bernardo, em 1623, consagrou a igreja edificada e dirigida pelos monges no Monte Oliveto. A primeira imagem só foi confeccionada em 1755 e constava de “uma menina deitada num berço, enfaixada com graça e riqueza”. O abade olivetano Dom Isidoro Gazzali foi quem a encomendou à Venerável Madre Clara Isabel Fornari, religiosa Clarissa e especialista em escultura. Desde então, é essa a imagem venerada nos mosteiros olivetanos. Assim honravam a festa da Natividade de Nossa Senhora, celebrada no dia 8 de setembro.
     A cidade italiana de Milão é outro centro de irradiação dessa piedosa forma de venerar a Mãe de Deus. Na igreja de Santa Maria dos Anjos havia a imagem também esculpida pela Venerável Clara Isabel Fornari, modelada em cera, chamada “Maria Santíssima Bambina”. O seu semblante iluminado pelas graças da infância retinha a simplicidade, a pureza, a alegria da sua alma. Posteriormente, foram aparecendo outras pinturas e imagens, como a da igreja São Nicolau, na cidade do Porto em Portugal, no século XVIII. Também pode se encontrar uma pintura de Sant’ Ana, tendo a Menina Maria de pé ao seu lado, enquanto recebe instruções.
 
Marcas deixadas em uma pequena mesa de madeira e na manga da camisa da Venerável Madre Clara Isabel Fornari, Abadessa das Clarissas de Todi. As quatro marcas foram deixadas pelo padre falecido Panzini, o ex-abade Olivetano de Mântua, a 1º de novembro de 1731 (Museu das Almas do Purgatório).
 
Fontes diversas e Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J. 3ª. Ed. Editorial A.O. Braga.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Santa Fara (Burgundofara) Abadessa - 7 de dezembro

     Nasceu na aldeia de Pipimisicum (atual Poincy, próximo de Meaux), provavelmente no ano de 595. Era filha do conde Cagnerico e de Leodegonda, e teve dois irmãos santos: São Cagnoaldo, monge em Luxeuil, e São Faro, Bispo de Meaux. Seu pai possuía terras em Champigny. Seu nome, Fara ou Bara, significa “baronesa”, e Burgundofara é “baronesa de Borgonha”. Não sabemos se seria um título e se possuía outro nome.
     Quando Fara era menina, São Columbano, o apóstolo da Irlanda, exilado em Luxeuil e hóspede na casa dos pais de Fara, indicou a ela a vida de consagração a Deus. O Santo gostava muito da menina e reconheceu nela grandes virtudes, tendo-lhe ensinado a amar a Cristo, a rezar e a fazer caridade aos pobres. Fara também tinha muito afeto pelo Santo, sobretudo depois do milagre feito por ele: São Columbano fez as espigas de trigo amadurecerem antes do tempo da colheita.
     Fara desejava ser religiosa, mas seu pai tinha outros planos: um casamento com um nobre da corte do Rei Teodeberto II. A jovem então adoeceu e ficou em um tal estado, que Santo Eustácio, sucessor de São Columbano na direção do mosteiro de Luxeuil, e diretor espiritual da jovem, teve que intervir e revelou a Cagnerico que se a deixasse livre para se consagrar a Deus ela ficaria curada. O pai aquiesceu e a jovem recobrou a saúde.
     O pai não manteve sua promessa e percebendo que começavam a preparar um casamento para ela, abandonou a casa paterna e se refugiou, com uma amiga fiel, perto da igreja de São Pedro. Descoberta, rogaram-lhe que voltasse para casa, chegando a ameaçá-la de morte. Ela porém não desistiu da decisão tomada. Informado do que estava acontecendo, Santo Eustácio novamente interveio e, após admoestar severamente Cagnerico, convenceu-o definitivamente a deixar Fara seguir sua vocação.
     O Bispo Gondoaldo de Meaux impôs-lhe o véu no ano 614. Em 620, tendo recebido de herança do pai um terreno entre dois rios, Fara fundou o seu próprio mosteiro, dedicado a Santa Maria, a São Pedro e a São Paulo. O Mosteiro de Evoriacum, famoso por seus “queijos Brie”, tomou o nome de Faremoutiers, ou seja, “mosteiro de Fara”, no século VIII, quando Fara já era venerada como santa.
     Erguido junto a uma igreja consagrada a Virgem e aos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, o mosteiro tornou-se logo o centro de uma fervorosa vida espiritual. Inicialmente foi adotada a regra de São Columbano, posteriormente a da Ordem beneditina.
Gravura medieval:abadessa e monja
     A fama da santidade de Fara rapidamente espalhou-se pela França e chegou à Inglaterra, onde muitas princesas pediram para se colocar sob a direção dela. Entre estas estão Santas Sisetrude, Gibitrude, Hercantrude. A princesa inglesa Sedrido sucedeu-a como abadessa.
     A Abadia de Faremoutiers tornou-se uma escola de santidade onde milagres e maravilhas eram comuns. Frequentemente por ocasião do falecimento de monjas coros angélicos podiam ser ouvidos por todo o convento, enquanto as almas das defuntas eram levadas para o Paraiso. As curas espirituais e físicas eram numerosas.
     Jonatas de Faremoutiers conta alguns casos que se não são reais falam bastante de Fara: umas monjas, enfastiadas da vida religiosa, tentaram fugir de noite; quando estavam escapando, um globo de fogo desceu do céu e incendiou o mosteiro. Surpreendidas, Fara castigou as fugitivas no cárcere monástico. Em outra ocasião, Fara viu um enorme porco junto a uma monja no refeitório e lhe foi revelado que esta pecava de gula, chegando a roubar alimentos da dispensa.
     Fara morreu por volta de 675 e o seu corpo foi sepultado perto do altar, estando presente seu irmão São Faro. Algumas dezenas de anos depois, Maiolo, abade do mosteiro da Santa Cruz de Meaux, removeu as relíquias da terra expondo-as à veneração pública.
     Em Faremoutiers a memória de Santa Fara é celebrada no dia 7 de dezembro. Ela é invocada especialmente contra as doenças dos olhos.
     Em 1617, ocorreu um milagre documentado, com testemunhos e dados médicos. Uma monja, filha do Tesoureiro Financeiro de Paris, perdeu a visão. Médicos importantes a visitaram, porém nada puderam fazer, a não ser matar os nervos óticos para evitar as dores. No dia 7 de dezembro de 1622, festa de Santa Fara, a monja passou três vezes sobre seus olhos a relíquia da santa exposta à veneração dos fieis e imediatamente começou a ver.
     Santa Fara é padroeira das cidades de Aveluy, Cinisi e Providenzza. Suas relíquias estão principalmente em Faremoutiers e em Champeaux.
 
Foto atual da Abadia Faremoutiers
 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Santa Crispina, Mártir de Tebaste - 5 de dezembro

     Etimologicamente seu nome significa “de cabelo crespo”. Santa Crispina e seu martírio são comprovados por dois documentos de grande valor histórico. Um é a Passio, tirada das Atas oficiais do processo. O outro é um sermão de Santo Agostinho, conterrâneo da mártir, pronunciado no aniversário de sua morte.
     Ela possuía muito dinheiro e filhos para alimentar e educar. Vivia em Tebaste, África, no final do século III e começos do IV. A graça de Deus tocou seu coração. Resplandecia diante de todos por sua virtude e todos, já em vida, começaram a chamá-la a “santa".
     Sua saúde não era muito boa, mas ela compensava tudo com a fortaleza de sua alma. Os fieis de Cristo Nosso Senhor a estimavam e respeitavam com carinho profundo. Era una boa conselheira em assuntos cristãos e humanos. As duas coisas vão intimamente unidas. As orientações que dava eram acertadas.
     Santo Agostinho comenta seu sacrifício brilhante: "Os perseguidores eram tão furiosamente contra Crispina, contra esta mulher rica e delicada, mas ela era forte, porque o Senhor era a sua proteção ... Esta mulher, irmãos, há alguém na África que não a conheça? Foi muito notável, de família nobre e muito rica, mas sua alma não cedeu: o corpo é que devia ser afetado".
     Ela foi levada diante do juiz Anulino, que lhe fez muitas perguntas. A Passio, com base no diálogo entre o juiz e Crispina, nos faz ver como esta mulher tenazmente se recusou a "sacrificar aos demônios", resistindo a qualquer ameaça para não "sujar sua própria alma com os ídolos, que são feitos de pedra, fabricado pelo homem".
     Antes dela provavelmente foram condenados outros cristãos. Na verdade, os calendários dão os nomes de Júlio, Potamia, Felix, Grato e outras sete pessoas. Assim, o juiz perguntou: "Você quer viver muito ou morrer entre as torturas como seus cúmplices?". "Se eu quisesse morrer - disse ela - eu não deveria fazer outra coisa que dar o meu consentimento aos demônios, deixando que a minha alma se perdesse no fogo eterno".
     Eles emitiram a sentença "em conformidade com os requisitos da lei de Augusto". Crispina ouviu bendizendo ao Senhor. Em seguida, no dia 5 de dezembro de 305, ela foi atingida no frágil pescoço pelo fio da espada, fora de Tebaste, em um lugar onde foi encontrada a antiquíssima memória sepulcral dedicada à Mártir.
     Em seu sermão, Santo Agostinho não hesita em comparar Crispina a Santa Inês, aproximando a jovem cândida e intacta como um cordeiro a uma mulher idosa, esposa e mãe. Agostinho também menciona a comunhão sublime e misteriosa que une os mortos aos vivos, os santos aos sofredores. "Estes Santos, - diz ele - não sofrem mais; estão aqui entre nós".
     O que era verdade para Santo Agostinho ainda é verdadeiro e reconfortante para nós. Vivamos no meio dos Santos, e o seu sacrifício vai nos ajudar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ema Lesum ou Ema de Stiepel, Viúva - 3 de dezembro

     Ema de Lesum ou Ema de Stiepel (também conhecida como Hemma e Imma) nasceu na nobre família saxã dos Immedinger, descendentes de Widukind, ca. 975-980.
     Ela era filha do Conde Immed (ou Imad) da diocese de Utrecht e também, segundo Adam de Bremen, irmã de Meinwerk, Bispo de Paderborn.
     Foi casada com Ludgero, filho do Duque Hermann Billung e irmão de Bernardo I, Duque da Saxonia. O Imperador Oto III deu de presente ao casal, em 1001, o «Pfalz» ou «palatium» em Stiepel (atualmente Le Bochum, Stiepel), onde, em 1008, Ema mandou construir uma igreja dedicada a Virgem Maria, que mais tarde se tornou um local de peregrinação popular. O único filho do casal foi Imad, sagrado bispo de Paderborn em 1051.
     Após a morte precoce de seu marido em 1011, que numa viagem a Rússia foi acometido de uma doença rara, Ema se mudou para Lesum (atual Bremen – Burglesum) e com sua fortuna mantinha generosamente a Catedral de Bremen, onde um outro parente seu, Unwan, era arcebispo, e concedeu à catedral sua propriedade de Stiepel com sua igreja.
     Ela era descrita como uma grande benfeitora da Igreja e fundou efetivamente um certo número de igrejas na região de Bremen, mas a sua maior preocupação eram os pobres.
     Ema faleceu em 3 de dezembro de 1038 e foi sepultada na Catedral de Bremen, onde seu túmulo ainda era visto no século XVI. Ela aparece em um vitral da igreja católica da Rua John de Schnoor em Bremen.
     Ema foi a primeira habitante feminina de Bremen a ser conhecida pelo nome e mais tarde foi venerada como santa embora não se tenha nenhuma evidência de que ela tenha sido beatificada ou canonizada oficialmente.
     Ela é festejada no dia 3 de dezembro ou no 17 de abril. Quando o seu túmulo foi aberto, seu corpo estava todo desfeito, com exceção de sua mão direita, a mão que dispensara tantos dons. Esta relíquia foi colocada na Abadia de São Ludgero em Werden.

Etimologicamente: Emma = Aquela que é gentil e fraterna, de de origem germânica
 
Fonte: Wikipedia alemã
Bremen, Alemanha - Catedral e Prefeitura