terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Santa Ita (Ida), Abadessa irlandesa - 15 de janeiro

     Santa Ida (Ite, Ytha), chamada “Brígida de Munster”, nasceu em 480, no local atualmente chamado de Condado de Waterford. Seu pai Cennfoelad era descendente de Felim, o legislador, e sua mãe chamava-se Necta. Sua família era relacionada com o nobre e influente clã Déisi. O nome de batismo de Ita era Doroteia ou Deirdre; o nome Ita, que ela tomou posteriormente, significava sua sede do Amor Divino.
     Desde muito pequena Ita demonstrava uma inclinação incomum para a oração e a santidade. Todos que com ela conviviam notavam sua pureza e graça. Ela encarnava as seis virtudes da mulher irlandesa: sabedoria, pureza, beleza, habilidade musical, gentil no falar e perícia com agulhas. Ela foi descrita também como doce e cativante, prudente em palavras e obras, constante e firme nos propósitos. Mas sua feminilidade não a impedia ter um caráter forte.
     Em sua juventude Ita sonhou que um anjo lhe dera três pedras preciosas. Ela ficou perplexa e pensava o que significaria tal simbolismo. Outro visitante celestial explicou a ela que sonhos e visitas celestes iriam acontecer durante toda sua vida. As pedras no sonho simbolizavam os dons do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
     Já muito jovem Ita acreditava ter um chamado de Deus e desejava tornar-se religiosa. Mas seu pai relutava em permitir que ela dedicasse totalmente a Deus sua vida. E planejou dá-la em casamento a um jovem nobre. Depois de três dias de jejuns e orações de Ita, o pai sonhou que sua filha iria servir a Deus em outra região do condado e muitas pessoas encontrariam a salvação por meio dela. Na manhã seguinte, Cennfoelad permitiu que Ita realizasse seu desejo.
     O Bispo Declan de Ardmore conferiu a ela o véu, tornando-a monja. Ela ingressou no mosteiro de Cluain Credhail, posteriormente conhecido como Killeedy (Igreja de Santa Ida) em County Limerick. Foi eleita abadessa do mosteiro. Esta comunidade se caracterizou por ensinar as crianças da comarca.
     Era legendária sua ênfase na austeridade, bem como seus milagres e dons proféticos. Suas obras e milagres foram descritos por São Cuimin de County Down.
     Santa Ita faleceu cerca de 570, provavelmente em decorrência de um câncer, pois os cronistas contemporâneos descrevem sua enfermidade como um escaravelho que cresceu como um leitão, maneira de descrever uma doença desconhecida.
     Sua morte é mencionada nos Anais de Inisfallen (ca. 1092) com a seguinte frase: "Morte de Ita de Cluain, mãe adotiva de Jesus Cristo e de Brendan". Os Anais também mencionam que em 553 uma batalha foi vitoriosa graças às suas orações.
     Santa Ita foi venerada por numerosos Santos, incluindo São Brendan, São Pulcerio (Mochoemog) e São Cummian. São Brendan de Clonfert foi aluno de Ita, e quando mais tarde ele perguntou a ela quais as três coisas mais importantes para agradar a Deus, ela citou: fé verdadeira, simplicidade e generosidade. As mais detestáveis eram mau humor, amor ao pecado e avareza.
     Diz-se que Santa Ita é a autora de uma canção de ninar irlandesa que ela cantava quando o Menino Jesus aparecia para ela. É festejada no dia 15 de janeiro.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Beata Lúcia de Valcaldara ou Núrcia, Clarissa - 12 de janeiro

     Na região de Valcaldara, distrito de Núrcia, ainda hoje é celebrada a festa da sua Patrona, a Beata Lúcia.
     Lúcia nasceu em 1370 e se consagrou totalmente a Nosso Senhor na idade de apenas 15 anos. Fundou em Núrcia, com sete companheiras, próximo a casa paterna, um primeiro núcleo de virgens consagradas que, em 1386, com a aprovação do Patriarca de Jerusalém, D. Ferdinando, administrador da diocese de Espoleto-Núrcia (1370-1390), se tornou o Mosteiro de São Jerônimo.
     A sua escolha de vida foi um grande exemplo para toda a cidade e em 28 de janeiro de 1386 o Conselho deliberou ajudá-la.
     Em 1390, Lúcia fundou um segundo mosteiro próximo da igreja de Santa Maria, em Valcaldara. Com as companheiras, Lúcia se submetia a direção do bispo, “usando o hábito eremítico, vivendo em comunidade e observando a norma evangélica, por muitos anos não professando nenhuma Regra aprovada pela Igreja”.
     Reunidos em um só, com a aprovação do Bispo Agostinho, os dois mosteiros adotaram a Regra das Clarissas, em 1407, se definindo como Irmãs Pobres de Santa Clara, e constituíram o Mosteiro de Santa Clara, que depois do terremoto de 1703 tomou o nome de Santa Maria da Paz.
     A Beata faleceu em 12 de janeiro de 1430 e logo foi venerada e invocada como Santa. Ela é particularmente venerada em Valcaldara, onde todos os anos uma festa é organizada em agosto, com Missa, procissão, terminando com um espetáculo pirotécnico.
     O seu corpo, ainda hoje incorrupto, guardado em seu “depósito” de 1637, é exposto na igreja das Clarissas de Santa Maria da Paz.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Beata Ana dos Anjos Monteagudo, Dominicana - 10 de janeiro

     Ana Monteagudo Ponce de León nasceu em Arequipa no dia 26 de julho de 1602, filha do espanhol Sebastián Monteagudo de la Jara e da arequipenha Francisca Ponce de León.
     Conforme os costumes da época, com três anos seus pais a enviaram ao Mosteiro de Santa Catarina para ali ser educada. Voltou ao lar por decisão de seus pais quando tinha 14 anos. Nem os atrativos do mundo nem as perspectivas de um vantajoso casamento a atraiam, assim sendo, um ano depois enfrentou a indignada reação de seus pais e retornou ao mosteiro.
     Em 1618 iniciou o noviciado e acrescentou o apelativo "dos Anjos" ao seu nome. A aspereza da vida conventual não a intimidava. Vivia com entusiasmo o ideal de São Domingo de Guzmán e de Santa Catarina de Siena.
     No mosteiro, até 1632, exerceu os cargos de Sacristã; depois, até 1645, o de Mestra de Noviças; finalmente, o de Priora até 1647.
     Com fortaleza iniciou a reforma do mosteiro. Na época o mosteiro era habitado por cerca de 300 religiosas, nem todas desejosas de perfeição. Sua obra reformadora sofreu oposições, mas ela permaneceu sempre fiel à observância conventual, mantendo maturidade e equilíbrio. Exemplar na oração e na caridade, atendeu com abnegação e heroicidade as vitimas de uma peste que assolou Arequipa.
     Dentro e fora do mosteiro praticava as virtudes, mantinha a serenidade e a paciência nos sofrimentos, prodigalizando nos conselhos e no espírito apostólico, com grande misericórdia inclusive com relação às almas do Purgatório.
     Depois de dez anos de enfermidade, que a tornaram paralítica e cega, faleceu no dia 10 de janeiro de 1686, aos 84 anos de idade. Já em vida gozava de fama de santidade.
     Em 2 de fevereiro de 1985 foi beatificada em Arequipa por João Paulo II, durante sua viagem ao Peru.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Beata Alix (Alice) Le Clercq, Cofundadora - 9 de janeiro

     Uma das grandes obras da Contrarreforma foi ter começado a preocupar-se com a educação das meninas. Em 1535, Santa Ângela de Merici fundou a Congregação das Ursulinas com este fim. Santa Joana de Lestonnac fundou, em 1606, a Congregação das Religiosas de Nossa Senhora. Por sua vez, São Pedro Fourier fundou as Canonisas Regulares de Santo Agostinho da Congregação de Nossa Senhora, empresa na qual Alix Le Clercq cooperou como cofundadora.
     Alix nasceu em Remiremont, ducado de Lorena, em 1576. Sua família ocupava uma posição de destaque, mas pouco se sabe da vida de Alix até os dezessete anos. Era então uma jovem alta e bela, loura, de constituição delicada, atraente e inteligente. Outro relato, escrito por ela mesma, nos informa que se distinguia na música e na dança, que era muito popular e que tinha muitos admiradores. Alix deixa entender que se envaidecia com isto, o que é provável. Entretanto, lembremo-nos que os santos tendem a exagerar seus defeitos.  Por outro lado, Alix mostra que não deixava de ter seriedade: “Em meio a tudo isto, meu coração estava triste”. Pouco a pouco a frivolidade de sua vida se lhe tornou insuportável.
     Aos dezenove anos um primeiro sonho veio mudar sua vida. Ele se viu em uma igreja, próximo do altar, a seu lado se encontrava Nossa Senhora vestida com um hábito religioso desconhecido, que lhe fala: "Vem, minha filha, que eu mesma vou te as boas-vindas".
     Pouco tempo depois, a família Le Clercq foi morar em Hymont. Ali a jovem encontrou São Pedro Fourier, que era vigário de uma paroquia de Mattaincourt, nas redondezas. Um dia em que assistia à Missa nessa paroquia, Alix ouviu um ruído de tambor e viu o demônio que fazia os jovens dançar “ébrios de alegria". Nesse instante se deu a conversão de Alix, que nos disse: "Ali mesmo resolvi não me misturar com semelhante companhia".
     Alix trocou seus vestidos finos pelas roupas das camponesas, e pouco saia de sua casa. Sob a prudente direção de São Pedro Fourier, procurou descobrir qual a vontade de Deus a seu respeito, o que lhe causou grandes sofrimentos espirituais. Tanto seu pai como São Pedro Fourier, lhe aconselharam que entrasse em um convento. Ao que ela não concordou, pois em um sonho lhe fora revelado que não existia nenhuma forma de vida religiosa adaptável à sua vocação.
     Alix confiou a São Pedro Fourier que estava obcecada pela ideia de fundar uma congregação ativa. Este se mostrou cético, mas a aconselhou procurar outras jovens que compartilhassem de suas ideias, coisa muito difícil em um povoado afastado. Alix porém conseguiu encontrar companheiras.
     Na Missa de Natal de 1597, Alix Le Clercq, Ganthe André, Isabel e Joana de Louvroir se consagraram publicamente a Deus. Quatro semanas depois, São Pedro Fourier convenceu-se de que elas eram chamadas a fundas uma comunidade sob sua direção.
     Uma solução inesperada: a quatro quilômetros de Mattaincourt havia uma abadia de canonisas seculares. Era uma comunidade de ricas e aristocráticas damas que levavam uma vida conventual. Uma dessas senhoras, Judith d'Apremont, decidiu proteger Alix e suas três companheiras dando-lhes para morar uma casinha em suas propriedades. As jovens se instalaram ali na véspera de Corpus Christi de 1598. Ao terminar um retiro, declararam unanimemente a São Pedro Fourier que se sentiam chamadas a fundar uma nova congregação, já que esta era a vontade de Deus para elas. A finalidade do novo instituto era "ensinar as meninas a ler, a escrever e a costurar, mas sobretudo a amar e servir a Deus". A esta santa ocupação deviam se dedicar, sem distinguir entre pobres e ricos, e sem cobrar nem um centavo, "porque isto agrada mais a Deus".
     Em 1601, São Pedro Fourier e a Beata Alix fundaram uma segunda casa em Mihiel, seguida pelas de Nancy, Pont-à-Mousson, Saint-Nicolas du Port, Verdún e Chalons. Esta última, estabelecida em 1613, foi a primeira fundação fora da Lorena.
     Alix e uma das companheiras foram enviadas por São Pedro a um convento das Ursulinas de Paris para que se documentassem sobre a vida monástica e os métodos de ensino.
     Em 1616, duas bulas da Santa Sé concederam afinal a desejada aprovação da congregação. Com base nisto, o Bispo de Toul aprovou as Constituições. Pela primeira vez treze religiosas vestiram o hábito que a Virgem revelara na visão a Alix, e iniciaram o ano de noviciado.
     Como as bulas papais somente mencionassem o convento de Nancy, a Beata Alix teve que renunciar ao cargo de superiora da Congregação a favor da Madre Ganthe André, “sem a qual, explica São Pedro Fourier, nossa congregação não teria podido ser fundada”, apesar de Madre André e de Alix não estarem de acordo sobre a organização.
     Além desta provação, a beata atravessava um período de crise espiritual conhecido por “noite escura da alma”. Atualmente é reconhecido o título de cofundadora das Canonisas de Nossa Senhora, mas isto não acontecia durante sua vida e São Pedro Fourier era o primeiro a negar a ela este título, “para mantê-la em seu lugar”.
     Em 1621, a Beata obteve permissão para renunciar ao cargo de superiora local de Nancy, pois estava doente já algum tempo. Os médicos a declaram incurável, diagnóstico que desconsolou toda Nancy, desde o duque e a duquesa da Lorena até as alunas e os mendigos.
     São Pedro Fourier foi para Nancy e a ouviu em confissão e a preparou para a morte. Alix se despediu solenemente da comunidade no dia da Epifania, exortando suas religiosas ao amor e a união. O desfecho chegou no dia 9 de janeiro de 1622, depois de uma longa agonia. A Beata não havia feito 46 anos de idade.
     Logo todos a aclamaram como santa e imediatamente se começou a recolher testemunhos para introdução de sua causa, mas a guerra impediu que o processo fosse adiante e ela somente foi beatificada em 1947.
     Em 1666, o convento de Nancy publicou uma vida da Beata Alix Le Clercq, que é na realidade uma coleção de documentos valiosos sobre a beata. O bispo de Saint-Dié introduziu, em 1885, a causa de beatificação, baseando-se em um exemplar dessa biografia, que havia caído em mãos do Conde Gandélet. A primeira biografia propriamente dita foi publicada em Nancy, em 1773; existe o manuscrito de outra, escrita em 1766; em 1858 veio à luz outra biografia, e a partir de então se multiplicaram os livros sobre a Beata.
     Há ainda a mencionar as vidas de São Pedro Fourier, escritas por Bedel (1645), Dom Vuillemin (1897), e o Pe. Rogie. O autor do prefácio da biografia inglesa da Beata Alix, fala dos excelentes métodos de educação empregados pelas canonisas. São Pedro Fourier ensinava pedagogia a suas religiosas.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Santa Rafaela Maria do Sagrado Coração, Fundadora - 6 de janeiro

     Ildefonso Porras e Rafaela Ayllón, abastado casal, não suspeitaram quais eram os misteriosos desígnios de Deus quando lhes nasceu a décima de seus treze filhos, Rafaela, no dia 1º de março de 1850. Rafaela Maria Porras y Ayllón nasceu em Pedro Abad, província de Córdoba (Espanha). Dos seus pais recebeu uma educação cristã, especialmente eficaz porque baseada no exemplo.
     Santa Rafaela Maria tinha quatro anos quando seu pai, Presidente da Câmara de Pedro Abad, tombou vítima de sua religiosidade e de seu heroísmo: ao cuidar dos doentes de cólera, ele próprio contraiu a doença. Sua viúva, mulher forte, passou a dirigir a família. Dedicou especial atenção na educação das "duas perolazinhas", como eram chamadas as duas únicas meninas, Rafaela e Dolores, esta última quatro anos mais velha que a irmã.
     A educação recebida de sua mãe, uma mistura de solícita ternura e de suave exigência, fez amadurecer nela os melhores traços do seu temperamento. Ao chegar à adolescência, era uma criança precocemente reflexiva, doce e tenaz ao mesmo tempo, senhora de si, sempre disposta a ceder nos seus gostos perante os gostos dos outros.
     Rafaela e a irmã, jovens finas, cultas, bem dotadas, podiam frequentar a melhor sociedade de Córdoba e Madri. Mas Rafaela, de joelhos diante do altar de São João dos Cavaleiros, em Córdoba, consagrou-se a Nosso Senhor com um voto de castidade perpétua aos quinze anos de idade. Isto aconteceu no dia da Anunciação de Nossa Senhora, a Escrava do Senhor. Mais tarde ela diria: "É tão formosa a flor da pureza!" Por uma coincidência providencial, a propriedade daquela igreja seria mais tarde entregue às Escravas do Sagrado Coração de Jesus, obra que Rafaela fundaria.
     A morte da sua mãe, quando ela tinha dezenove anos, foi outro momento forte na reta trajetória da sua entrega a Deus. A partir de então se dedicou completamente aos mais carentes e não havia na povoação uma necessidade ou dor que ela não consolasse. Em tudo isto era acompanhada por sua irmã Dolores, que iria ser também sua companheira inseparável na fundação do Instituto das Escravas do Sagrado Coração de Jesus.
     Por caminhos inesperados, as duas irmãs viram-se convertidas em fundadoras. A 14 de abril de 1877 estabelecia-se em Madri a primeira comunidade das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, dedicadas a adorar o Santíssimo Sacramento e a educar crianças e jovens, principalmente as pobres. Aprovadas pelo Cardeal Moreno, das dezoito noviças que haviam começado aquela aventura "nenhuma se perdera".
     Testemunhas de Deus num mundo desgarrado pela dor de frequentes guerras, as primeiras Escravas trataram de dar a conhecer o amor de Cristo, amor até à morte, expressivamente simbolizado no seu Coração aberto. Rafaela Maria e a sua irmã Dolores fizeram disto a missão do Instituto, que impulsionaram com a sua atividade e deram vida com o seu espírito. Santa Rafaela Maria foi a encarnação do ideal de uma Escrava. O nome que adotou na vida religiosa – Maria do Sagrado Coração de Jesus – exprime a sua atitude constante de resposta ao Amor.
     Em 29 de janeiro de 1887, o papa Leão XIII aprovava definitivamente o Instituto e, temporariamente, as Constituições pelas quais elas tinham lutado com denodo.
     As Escravas espalharam-se rapidamente, e Rafaela dirigiu-as, com Maria del Pilar, nome que sua irmã adotara, como ecônoma geral, até 1893.
     Neste ano, Irmã Maria del Pilar convenceu-se que a irmã errava muito na administração econômica, fez campanha e as Religiosas Conselheiras declararam a Madre Rafaela incapaz de governar a Congregação. Irmã Maria del Pilar substituiu-a no cargo; teve, deste modo, o gosto de ser Superiora geral durante dez anos (1893-1903).
     Estes dez anos e os 22 seguintes passou-os Rafaela a um canto, esquecida e desprezada, mas feliz por não ter senão que dar bom exemplo e entregar-se continuamente à oração e à humildade. Sem amargura de coração, sem críticas, sem o menor ressentimento, vendo a mão invisível de Deus que com infinito amor modelava o seu barro, aceitou para o resto da sua vida – tinha quarenta e três anos – o martírio do “não fazer”.
     Entregue à oração e às simples tarefas domésticas, nas quais soube traduzir o seu imenso desejo de ajudar o Instituto e a Igreja, Santa Rafaela Maria pode ver o crescimento daquela obra nascida do seu amor e fecundada pela sua dor. Sempre serena, acreditou contra toda a esperança no Deus fiel que levaria a feliz término a empresa que por meio dela e de sua irmã tinha começado.
     Naqueles anos de isolamento, só teve o consolo de uma viagem a Loreto e Assis, e outra a Espanha. Por todas as casas que visitou deixou uma esteira de edificação. As religiosas mais jovens podiam comprovar o que tinham ouvido as mais velhas comentarem sobre a fundadora. Ela nunca mais exerceu a autoridade no Instituto, mas edificava a todas o verem-na, já idosa, ajudando a uma postulante recém-chegada a pôr as mesas.
     O prolongado e doloroso holocausto estava para se consumar. Devido às longas horas que passava ajoelhada diante do Santíssimo Sacramento, centro de sua vida, contraiu uma doença no joelho direito que pouco a pouco a foi consumindo em meio a dores intensas. Os últimos oito meses que passou retida em seu leito foram de acerbo sofrimento. "Aceitai todas as coisas como se viessem das mãos de Deus", repetia ela.
     No dia 6 de janeiro de 1925, Santa Rafaela morre santamente na casa de Roma, onde permanecera os últimos anos de sua vida. Depois de seu falecimento as autoridades eclesiásticas compreenderam o que se tinha passado; foi aberto o processo de sua beatificação.
     Quase ao final da 2a. Guerra Mundial, um bombardeio americano atingiu o cemitério onde Madre Rafaela estava sepultada. Seu túmulo milagrosamente foi preservado e, ao fazerem a exumação de seus despojos, encontraram seu corpo incorrupto e flexível como se ela dormisse.
     Pio XII beatificou-a em 1952 e Paulo VI canonizou-a no dia 23 de janeiro de 1977.
 
Fontes:  www.aciportugal.org/content/view/44/33/ ; Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Beata Ângela de Foligno, Mística - 4 de janeiro

     Ângela nasceu no ano de 1248, na cidade de Foligno, na região da Úmbria, próxima de Assis, onde nasceu e viveu São Francisco. Filha de pais ricos e não cristãos, casou-se cedo e teve vários filhos. Até os trinta e sete anos levou uma vida mundana, cheia de prazeres, sem medida e às vezes sacrí­lega.
     O ano de 1285 marca uma reviravol­ta em sua vida. Num curto espaço de tempo ela perdeu os pais, o marido e todos os numerosos filhos. Esta tragédia teve um forte impacto em sua vida.
     O comportamento do Beato Pedro Crisci, nobre de Foligno, que vendeu suas propriedades e se dedicou à penitência na Ordem Terceira de São Francisco, também a impressionou e fez com que se decidisse a pedir a São Francisco de Assis para encontrar um bom confessor e iniciar uma vida nova. Em sonho teve uma visão do Santo que lhe comunicava que atendia seu pedido. No dia seguinte, tendo ido a catedral de Foligno para se confessar, encontrou Frei Arnaldo, franciscano, seu parente e capelão do bispo. Confessou-se com ele e iniciou sob sua direção uma mudança de vida.
     Seis anos depois, em 1291, Ângela fez os votos religio­sos e como lhe ensinara o Pai Francisco, doou todos os seus bens aos pobres, en­trando para a Ordem Terceira de São Francisco, hoje Ordem Franciscana Secular. Trocou a vida de prazeres e mundana por uma vida austera de peni­tências e orações. Teve visões e êxtases místicos e dons que começaram a se manifestar quando ela recebeu em sonho a orientação de São Francisco para que fizesse uma peregrina­ção a Assis.
     Todas as experiências místicas de Ângela de Foligno foram relatadas pelo seu biógrafo e diretor espiritual, Padre Arnaldo de Foligno. Ela deixou inúmeros escritos de natureza mística, inclusive uma autobiografia. A devoção à sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor tomou posse de sua alma e de todas as suas aspirações. Jesus distin­guiu-a com aparições e fê-la participar da cruz. Grandes eram os seus sofrimentos corporais e espirituais; o maior de todos era uma contínua perseguição diabólica.
     O demônio, apresentando-lhe continua­mente ao espírito a vida pecaminosa de outrora, queria arrancar-lhe a fé na miseri­córdia divina, no valor de suas obras de penitência e importunava-a com tenta­ções as mais terríveis contra a santa pureza, tanto que Ângela mesma confes­sa: "Seria mais tolerável para mim sofrer todas as dores, suportar as torturas mais horrorosas dos mártires, que me ver exposta às tentações diabólicas contra a pureza".
      A oração e as obras de caridade foram as armas com que Ângela de Foligno ven­ceu nesta luta tremenda. Visitava todos os dias os pobres doen­tes no hospital, aos quais, além da esmola espiritual, levava também o socorro material. Muitas passa­gens de sua vida mística foram editadas com o título "Experiên­cias espirituais, revelações e con­solações da Bem-Aventurada Ângela de Foligno", livro que pas­sou a ser básico para a formação de religiosos e rendeu-lhe o título de "Mestra dos Teólogos". Alguns teólogos a comparam às Santas Teresa de Ávila e Catarina de Sena.
     Ângela de Foligno chegou a dizer de si mes­ma que ela teve que atravessar muitas etapas no caminho da penitência e conversão. A primeira foi se convencer de como o pecado é grave e danoso. A segunda foi sentir arrependi­mento e vergonha por ter ofendido a bondade de Deus. A terceira se confessar de todos os seus pecados. A quarta se convencer da grande misericórdia que Deus tem para com os pecadores que desejam ser perdoados. A quinta adquirir um grande amor e reconhecimento por tudo o que Cristo sofreu por todos nós. A sexta sentir um profundo amor por Jesus Eucarístico. A sétima aprender a orar, especialmente rezar com amor e atenção o Pai Nosso. A oitava tratar de viver em contínua e afetuosa comunhão com Deus.
     Em outro lugar costumava dizer: "Se você estiver no caminho da perfeição e quiser que esta luz aumente em você, reze; se você já alcançou a perfeição e quer mais luz para poder nela perseverar, reze; se você quiser a fé, reze; se quiser a esperança, reze; se quiser a caridade, reze; se quiser a po­breza, reze; se quiser a obediência, a cas­tidade, a humildade, a mansidão, a for­taleza, reze. Qualquer virtude que você queira, reze".
     Em torno de sua pessoa se constituiu um grupo espiritual que se denominou Cenáculo. Exerceu também um papel pacificador entre os franciscanos espirituais e os franciscanos conventuais, as duas correntes em que se dividiu a Ordem franciscana, devido diferentes interpretações dos ideais franciscanos. Um papel mais duro tomou a respeito da seita dos Irmãos do Livre Espírito, aos quais se opôs diretamente.
     No dia 4 de janeiro de 1309, Ângela de Foligno morreu na mesma cidade em que nasceu e foi enterrada na Igreja de São Francisco de Assis, em Foligno. Na arte litúrgica da Igreja ela é mostrada com Jesus convidando-a para a Sagrada Comunhão. Sua festa é celebrada no dia 4 de janeiro.
     O Papa Inocêncio XII inseriu seu nome no catálogo dos Santos da Igreja. Há quem a trate por "Santa".
Urna contendo o corpo incorrupto da Beata
 
Fontes: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.; www.capuchinhosprsc.org.br

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Santas do mês de janeiro


jan 01  Santa Zdislava, Mãe de família
jan 01  Beata Catarina Solaguti, Virgem mercedária
jan 02  Beata Estefânia Quinzani, Dominicana
jan 02  Beata Maria Ana Sureau Blondin, Fundadora
jan 03  Santa Genoveva, Virgem Patrona de Paris
jan 03  Santa Imbenia, Mártir
jan 04  Santa Dafrosa de Roma, Esposa e mártir  
jan 04  Santa Isabel Ana Bayley Seton, Viúva e Fundadora
jan 04  Santa Farailde de Gand, Viúva
jan 04  Beata Ângela de Foligno, Terciária franciscana MR
jan 04  Beata Clara de Ugarte, Virgem mercedária
jan 04  Beata Cristiana da Santa Cruz
jan 05  Santa Amada (Amma Talida) da Tebaida, Virgem
jan 05  Santa Amélia, Virgem e mártir
jan 05  Santa Emiliana, Virgem
jan 05  Santa Genoveva Torres Morales, Fundadora
jan 05  Santa Sincletica, Monja no Egito
jan 05  Beata Maria Marcelina da Imaculada Conceição (Darowska), Fundadora
jan 05  Beata Maria Repetto
jan 06  Santa Rafaela Maria do Sagrado Coração, Fundadora
jan 06  Beata Rita Amada de Jesus (Rita López de Almeida) Fundadora
jan 07  Santa Virgínia
jan 07  Beata Lindalva Justo de Oliveira, Virgem e mártir 
jan 07  Beata Maria Teresa do Sagrado Coração (Haze), Fundadora
jan 08  Beata Eurósia Fabris Barban, Terc. franciscana
jan 08  Santa Gúdula, Virgem
jan 08  Beata Jacobela Maria da Cruz, Virgem mercedária
jan 09  Santas Ágata Yi e Teresa Kim, Mártires
jan 09  Beata Aleixa Le Clerc (Maria Teresa de Jesus) Co-fundadora
jan 09  Beata Júlia Della Rena de Certaldo
jan 10  Santa Leônia Francisca Salesia Aviat, Fundadora
jan 10  Beata Ana dos Anjos Monteagudo, Dominicana
jan 10  Beata Maria Dolores Rodriguez Sopena
jan 10  Beata Marquesina Luzi, Virgem e mártir
jan 11  Santa Especiosa de Pavia, Virgem
jan 11  Santa Honorata de Pavia, Virgem
jan 11  Santa Liberata, Virgem e mártir
jan 11  Santa Luminosa de Pavia, Virgem   
jan 11  Beata Ana Maria Janer Anglarill, Fundadora
jan 12  Santa Margarida Bourgeoys, Fundadora
jan 12  Santa Tatiana de Roma, Mártir
jan 12  Santa Cesira de Arles, Irmã de S. Cesário
jan 12  Beata Lúcia de Valcaldara, Clarissa
jan 13  Santa Ivete (Iutta) de Huy
jan 13  Beata Verônica de Binasco, Virgem
jan 13  Beata Francisca da Encarnação (Espero y Martos), V e m
jan 13  Beata Vitória Valverde González, V e mártir
jan 14  Santa Macrina a Anciã
jan 14  Santa Nina (Nouné, Cristiana) Apóstola da Geórgia
jan 14  Beata Afonsa Clerici, Virgem
jan 15  Santa Ida (Ita), Virgem
jan 15  Santa Secundina de Anagni, Mártir
jan 16  Santa Priscila de Roma, Matrona
jan 16  Santa Joana de Bagno di Romagna, Monja camaldulense
jan 16  Beata Joana Maria Condesa Lluch
jan 17  Beata Eufêmia Domitila
jan 17  Santa Leonia e netos Espeusipo, Elasipo, Melesipo Mártires
jan 17  Santa Neosnadia, Virgem
jan 17  Santa Roselina de Villeneuve, Virgem e monja cisterciense
jan 18  Beata Maria Teresa Fasce, Agostiniana
jan 18  Beata Beatriz II d'Este, Monja
jan 18  Beata Cristina Ciccarelli de L'Aquila
jan 18  Beata Regina Protmann, Fundadora
jan 18  Beatas Felicidade Pricet, Carla Lucas, Vitória Gusteau, Mártires
jan 18  Santa Margarida da Hungria, Princesa e religiosa
jan 18  Santa Prisca, Mártir
jan 19  Beata Elisabete Berti, Viúva 
jan 19  Santa Faustina de Como, Beneditina
jan 19  Santa Liberata de Como, Virgem beneditina
jan 19  Santas Arquelaide, Tecla e Susana, Mártires de Salerno
jan 20  Beata Maria Cristina da Imaculada Conceição, Religiosa e fundadora
jan 20  Santa Eustáquia (Esmeralda) Calafato de Messina
jan 21  Beata Cristiana de Assis
jan 21  Beata Josefa Maria de Santa Inês, Virgem
jan 21  Beatas Cristina, Ma Madalena e Ma de Jesus, Mercedárias
jan 21  Santa Inês, Virgem e mártir
jan 22  Beata Laura Vicuña, Virgem
jan 22  Beata Maria Mancini, Mãe e monja
jan 22  Santa Teodolinda, Rainha dos Longobardos
jan 23  Beata Margarida Molli, Mistica 
jan 23  Santa Emerenciana, Virgem e mártir
jan 23  Santa Messalina de Foligno, Mártir
jan 24  Beata Maria Poussepin, Dominicana
jan 24  Beata Paula Gambara Costa, Terciária franciscana
jan 24  Santa Xênia (Eusébia de Milasa), Virgem
jan 24  Santas Vera e Suporina, Virgens
jan 25  Beata Arcângela Girlani, Virgem
jan 25  Beata Eleonora da Aragão, Rainha, mercedária
jan 25  Beata Teresa Grillo Michel, Fundadora
jan 25  Santa Dwyn (Dwynwen) Princesa
jan 26  Beata Maria de la Dive, Viúva, mártir
jan 26  Santa Paula Romana, Viúva
jan 27  Beata Rosália du Verdier de la Soriniere, Virgem e mártir
jan 27  Santa Devota, Mártir na Córsega
jan 27 Santa Ângela Merici, Virgem, fundadora
jan 28  Beata Gentile Giusti, Mãe
jan 28  Beata Maria Luisa Montesinos Orduna, Virgem e mártir
jan 28  Beata Olímpia (Olha) Bidà, Religiosa e mártir ucraniana
jan 28  Santas Ágata Lin Zhao, Mártir
jan 28  Stas Lúcia Wang Cheng/Ma.Fan Kun/Ma.Qi Yu e Ma.Zheng Xu mártires
jan 29  Beata Boleslava Maria Lament, Fundadora
jan 29  Beata Vilhana Delle Botti, Mãe de família e terciária
jan 29  Santa Bebaia e seu irmão S Charbel,  Mártires
jan 29  Santa Inês de Bagno di Romagna, Camaldulense
jan 29  Santa Sabrina (Savina, Sabina), Virgem de Troyes
jan 30  Beata Aberila, Virgem
jan 30  Beata Carmela Garcia Moyon, Mártir
jan 30  Santa Alda (Aldegunda), Virgem e mártir
jan 30  Santa Batilde, Rainha dos Francos
jan 30  Santa Jacinta Marescotti, Religiosa
jan 30  Santa Martina, Mártir
jan 30  Santa Savina, Matrona
jan 31  Beata Candelária de S. José, Fundadora
jan 31  Beata Ludovica Albertoni, Terciária franciscana
jan 31  Santa Marcela de Roma, Viúva