terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Beata Laura Vicuña, exemplo de amor filial - 22 de janeiro

Laura numa foto escolar
     Laura del Carmen Vicuña nasceu no dia 5 de abril de 1891 em Santiago, Chile. Ela foi a primeira filha da família Pino Vicuña. Seus pais eram José Domingo Vicuña, um soldado com raízes aristocráticas, e Mercedes Pino. Seu pai estava no serviço militar e sua mãe trabalhava em casa.
     No final do século XIX a guerra civil eclodiu no Chile. Uma figura chave em uma das facções em guerra era Claudio Vicuña, parente de José Domingo. Claudio Vicuña não conseguiu se tornar presidente; seus inimigos começaram a perseguir a família Vicuña, o que os obrigou a fugir de sua terra natal.
     Em 1894, após o nascimento de sua segunda filha, Júlia Amanda, José Domingo faleceu, deixando sua esposa e filhas sem dinheiro e em grande perigo. Mercedes decidiu viajar para a Argentina para se esconder daqueles que queriam a sua família morta.
     Mercedes e suas filhas se mudaram para a província argentina de Neuquén. Em busca de uma forma de financiar a educação de suas filhas, ela conseguiu um emprego no albergue Quilquihué. Pressionada pelos assédios do patrão, Manuel Mora, Mercedes acaba aceitando uma união pecaminosa. Isto influenciava negativamente na educação das duas meninas. Embora Laura fosse ainda pequena, percebia a precariedade religiosa da mãe, já que esta não era admitida aos Sacramentos devido a sua vida irregular.
     Laura logo entrou na Escola das Filhas de Maria Auxiliadora, onde lhe foi ensinado o amor à religião. Seguindo o exemplo de seu pai, e com o cuidado das freiras, ela começou a tomar um profundo interesse pela fé católica.
     Laura fez sua Primeira Comunhão em 2 de junho de 1901. Naquele dia ela escreveu alguns propósitos muito similares aqueles do Santo aluno de Dom Bosco, Domingos Sávio:
     Meu Deus, quero amar-Vos e servir-Vos por toda a vida; por isso Vos dou a minha alma, o meu coração, todo o meu ser. Antes quero morrer que ofender-Vos com o pecado; por isso desejo mortificar-me em tudo aquilo que me afastaria de Vós. Proponho fazer tudo o que sei e posso para que Vós sejais conhecido e amado, e para reparar as ofensas que todos os dias recebeis dos homens, especialmente das pessoas da minha família. Meu Deus, dai-me uma vida de amor, de mortificação, de sacrifício”.
     Ela tinha uma boa amiga, Mercedes Vera, a quem ela expressava seus sentimentos mais profundos, como o seu desejo de se tornar freira. Mesmo muito jovem, Laura era madura o suficiente para entender os problemas de sua mãe, que incluía o distanciamnnto de Deus. Isso levou-a a rezar todos os dias para a salvação de sua mãe, e para ajudá-la a deixar Manuel.
     Durante uma de suas férias escolares, Manuel Mora bateu duas vezes em Laura, porque não queria que ela se tornasse freira. Ele tratava Laura com excessivo interesse. Durante uma festa a convida para dançar e ao ser rechaçado a arrasta para fora de casa e ela tem que dormir ao relento. Mora reage cruelmente e decide não pagar a anuidade do colégio. Mas ela permaneceu firme no seu desejo de se tornar freira. Quando as freiras de sua escola souberam do conflito, deram-lhe uma bolsa de estudos. Embora ela fosse grata a suas professoras, ela ainda ficava preocupada com a situação de sua mãe.
     Um dia, lembrando-se da frase de Jesus: "Não há ninguém maior do que aquele que dá a vida por seus irmãos", Laura decidiu dar sua vida em troca da salvação de sua mãe. Algum tempo depois ela ficou gravemente doente com tuberculose pulmonar.
     Em setembro de 1903 ela não consegue sequer tomar parte nos exercícios espirituais, tão fraca tinha se tornado a sua saúde. Tentou-se uma mudança de clima, indo para a casa da mãe, mas isto também não se mostrou salutar. Retornou a Junin com a mãe, que se hospedou na cidade.
     Em janeiro de 1904, Mora chegou de visita, com o propósito de permanecer na mesma habitação naquela noite. “Se ele ficar aqui, eu vou para o colégio das irmãs”, ameaçou Laura escandalizada. E assim faz, embora perturbada pela doença. Mora a perseguiu e alcançou, a espancou violentamente, deixando-a traumatizada. Chegando ao colégio ela se confessa com seu diretor espiritual, renovando o oferecimento da própria vida pela conversão da mãe.
     No dia 22 de janeiro Laura recebeu o Viático e naquela tarde mandou chamar a mãe para transmitir a ela seu grande sonho: “Mamãe, vou morrer! Fui eu mesma que o pedi a Jesus. Há dois anos que Lhe ofereci a vida para obter a graça de que voltes para Ele. Mamãe, se eu antes de morrer pudesse ter a alegria de saber que estás em paz com Deus!”
     Mercedes, chorando, respondeu: "Eu juro, eu farei o que você me pede! Deus é testemunha de minha promessa". Finalmente Laura sorriu e disse para sua mãe: "Obrigada, Jesus! Obrigada, Maria! Adeus, mãe! Agora eu morro feliz!"
     Laura morreu de sua doença, enfraquecida pelo abuso físico que ela sofreu por parte de Mora, tendo oferecido a sua vida para a salvação de sua mãe. Por ocasião dos funerais, Mercedes se confessou e comungou junto com Júlia Amanda.
     De 1937 a 1958, os despojos de Laura estavam no cemitério Nequén, após o que foram transferidos para Bahía Blanca.
     As Irmãs Salesianas de Dom Bosco começaram o processo de canonização de Laura em 1950. A Congregação elegeu para o trabalho a Irmã Cecilia Genghini, que passou muitos anos na coleta de informações sobre a vida de Laura. Mas ela não viu a conclusão de seu trabalho: ela morreu no mesmo ano em que o processo começou.
     Um incentivo para a Congregação foi a beatificação de São Domingos Sávio (5 de março de 1950) e a canonização de Santa Maria Goretti (24 de junho de 1950). Mas Laura não pode ser considerada uma mártir, e por causa de sua tenra idade não havia muita esperança para a sua beatificação. No entanto, em 1981, o processo foi concluída pela Congregação, e em 5 de junho de 1986 ela foi declarada Venerável.
     Em 3 de setembro de 1988 Laura foi beatificada pelo Papa João Paulo II. Sua festa é celebrada em 22 de janeiro. Ela é padroeira das vítimas de abuso.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Beata Maria Cristina da Imaculada Conceição, Fundadora - 20 de janeiro

     Adelaide Brando nasceu no dia 1º de maio de 1856, numa família com boa situação financeira. O pai, homem muito respeitado, ocupava um importante cargo num Banco da cidade. Aos doze anos, na noite de Natal, ajoelhada diante do Menino Jesus, ela se consagrou a Deus com um voto de perpétua virgindade. Quando desejou ser uma Sacramentina encontrou oposição do seu pai, que depois a abençoou e permitiu que se juntasse à sua irmã Maria Pia, uma Clarissa do mosteiro das Fiorentinas, em Nápoles.
     Mas uma grave doença a fez regressar para casa duas vezes. Uma vez curada, em 1875, ingressou na Congregação das Sacramentinas. Um ano depois tomou o hábito e tomou o nome de Maria Cristina da Imaculada Conceição. Porém tornou a adoecer e foi forçada a deixar o caminho que havia iniciado com tanto fervor.
     A esta altura pôde perceber que tinha chegado o momento de criar uma família religiosa. Assim, no ano de 1878, enquanto morava no pensionato junto às Teresianas de Torre del Greco, lançou os fundamentos da Congregação das Irmãs Vítimas Expiadoras de Jesus Sacramentado, que cresceu rapidamente apesar das escassas economias e das oposições, sem falar da precária saúde da Fundadora.
     Depois de ter passado por várias sedes, seguindo os conselhos dos seus diretores espirituais, Pe. Michelangelo de Marigliano e Beato Ludovico de Casoria, a comunidade se transferiu para Casoria, não muito distante de Nápoles.
     A nova Congregação encontrou muitas dificuldades, mas conseguiu se manter com a ajuda da Divina Providência e de muitos benfeitores e sacerdotes, dentre os quais se sobressai o Pe. Domenico Maglione. A Congregação se enriqueceu com novos membros e casas, sempre testemunhou uma grande devoção para com a Eucaristia e primou pelo constante empenho e cuidado na educação de meninos e meninas.
     No ano de 1897, Maria Cristina emitiu os votos temporários; no dia 20 de julho de 1903 a Congregação obteve a aprovação canônica da Santa Sé; e no dia 2 de novembro do mesmo ano a Fundadora, junto com muitas irmãs, emitiu a profissão perpétua.
     Ela viveu com generosidade, com perseverança e alegria espiritual a sua consagração e assumiu o encargo de superiora geral com humildade, prudência e amabilidade, dando exemplos contínuos de fidelidade a Deus e à vocação, trilhando o caminho da santidade.
     Madre Maria Cristina adoeceu gravemente em 14 de janeiro de 1906, entregando sua bela alma a Deus no dia 20 de janeiro, aos 50 anos de idade. Assim como viveu, morreu, sem prodígios, mas com um semblante sereno que significava a vontade de Jesus Cristo totalmente cumprida.
     A Congregação por ela fundada em Nápoles se espalhou pela Itália e muitos outros países, com suas filhas empenhadas hoje como ontem no árduo caminho da virtude, sendo guiadas pela luminosidade do seu exemplo.
     O papa João Paulo II a beatificou em 27 de abril de 2003, em Roma, indicando sua festa para o dia de sua morte.
     Entre os fragmentos que nos restam de sua autobiografia, escrita por obediência ao diretor espiritual, podemos ler: “A finalidade principal desta obra é a reparação dos ultrajes que recebe o S. Coração de Jesus no Santíssimo Sacramento, especialmente as irreverências e desprezo, as comunhões sacrílegas, os sacramentos recebidos sem preparação, as santas missas pessimamente escutadas e o que mais amargamente traspassa este coração santíssimo é que muitos dos seus ministros e muitas pessoas a Ele consagradas se reúnem a esses desconhecidos e mais ainda ferem o seu coração (...) às Perpétuas Adoradoras, o divino Coração de Jesus quis confiar o caro e sublime encargo de Vítimas de perpétua adoração e reparação ao Seu Divino Coração horrivelmente ofendido e ultrajado no Santíssimo Sacramento do amor (...) Às Perpétuas Adoradoras de vida mista (...) o Sagrado Coração de Jesus confia o caro encargo de Vítimas da Caridade e da reparação; da caridade porque nos vem confiado o cuidado das meninas”.
 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Santa Margarida da Hungria, Princesa e Dominicana - 18 de janeiro

     O ano de 1241 foi um ano dificílimo para a Polônia e a Hungria. O tártaro Ogotai tinha a intenção de conquistar o mundo inteiro. Venceu os polacos em Liegnitz e a seguir invadiu a Hungria. O Rei Bela IV e seus homens lutaram heroicamente, o que não impediu que o rei tivesse que se refugiar junto ao Mar Adriático, na costa oriental.
     Foi então, no Castelo de Ulissa, que nasceu, na primavera de 1242, Santa Margarida da Hungria, décima filha dos soberanos. Margarida foi batizada ao ar livre, na Ilha de Trau, por um dos poucos bispos húngaros sobreviventes - um terço da população tinha perecido. Quando Margarida nasceu, seus pais prometeram consagrá-la a Deus se Ele lhes concedesse a vitória. Suas orações foram ouvidas e Margarida, aos três anos de idade, foi confiada ao convento das religiosas de São Domingos, de Veszprem.
     O Rei e sua esposa, a Rainha Maria Lascaris, construíram um convento em uma ilha do Danúbio, próximo de Budapeste, onde Margarida, com apenas doze anos de idade, fez sua profissão diante do Beato Humberto de Romans.
     Bela IV recebeu o título de "campeão da cristandade" e foi descrito como "o último gênio dos Arpádios". As qualidades de Margarida provam que ela havia herdado as qualidades extraordinárias de seu pai; sua nobre linhagem realça mais os detalhes de sua extraordinária vida de abnegação. A Ordem de São Domingos tomou o cuidado de guardar a memória de uma de suas primeiras e mais ilustres filhas.
     Parece que Margarida era excepcionalmente bela. Aos 16 anos, o Arcebispo de Esztergom comunicou-lhe que o Papa Alexandre III a dispensava do voto dos pais, caso fosse de interesse da nação que ela se casasse. Com efeito, o Rei Otokar, da Boêmia, desejou sua mão após tê-la visto com hábito de religiosa.
     Margarida, porém, estando acompanhada da prioresa declarou: "Honras-me sobremaneira, rei valente e poderoso, ao desejares que seja tua mulher, e está muito longe de mim desprezar a vocação de esposa. Mas como poderia fazê-lo, tendo presente o exemplo da bem-aventurada Virgem Maria, como também a dedicação da minha própria mãe querida, de quem sou a décima filha? Mas eu não nasci para ser esposa e mãe. A minha tarefa é completamente diversa. Por isso peço que te vás embora sem te zangares, e busca para ti uma esposa que possa fazer-te ditoso. Eu, ó rei, não poderia fazer-te feliz".
     Por sua vez, Carlos de Anjou também planejou obter sua mão e recebeu igual negativa.
     Como a maioria das religiosas do convento pertencia à nobreza, a princesa Margarida era tratada com especial consideração. Ao perceber isso, ela procurou escolher sempre os trabalhos mais humildes, repugnantes e tediosos. Cuidava dos doentes que padeciam os males mais repulsivos.
     Por uma graça excepcional, uma cópia completa dos testemunhos do processo de beatificação de Santa Margarida, iniciado menos de sete anos depois de sua morte, chegou até nossos dias. Cerca de cinquenta de suas companheiras falaram sobre a mortificação e a caridade de Margarida nesse processo. Ao lermos esses depoimentos, ficamos plenamente convencidos que o seu valor na luta contra o mundo e a carne exerceu uma profunda influência nos que a rodeavam.
     Os relatos que as Irmãs fizeram sobre ela apresentam também pormenores humanos e agradáveis. A sacristã conta que Margarida acariciava sua mão e lhe prodigalizava todos os agrados possíveis para que ela deixasse a porta da capela aberta durante a noite, a fim de passar diante do Santíssimo Sacramento as horas que devia consagrar ao descanso.
     Margarida tinha uma confiança ilimitada na oração e seus pedidos a Deus tinham algo de imperioso. Várias religiosas contam algo acontecido quando a Santa tinha apenas dez anos.
     Dois frades dominicanos tinham ido visitar o convento e Margarida pediu que eles permanecessem mais tempo. Eles responderam que tinham que partir imediatamente. A menina lhes disse: - "Vou obter que Deus faça chover de tal forma, que não podereis ir embora". Embora os frades dissessem que não haveria chuva que os detivesse, Margarida foi para a capela para rezar. A tormenta que desabou em seguida foi tão violenta, que impediu os frades de partirem.
     Este episódio lembra o famoso caso ocorrido com Santa Escolástica e São Bento. As companheiras de Santa Margarida atestam sob juramento tantos casos do mesmo tipo, que se torna difícil atribuí-los a simples coincidência.
     Uma Quinta-feira Santa, Margarida não só lavou os pés das setenta religiosas do coro do convento, como também de todas as serviçais. A Santa havia passado a Quaresma em duras penitências, o que tornava tal ação bem exaustiva. Entretanto, ela apenas comentou que aquele tinha sido o dia mais curto do ano, pois não tinha tido tempo nem de rezar nem de praticar todas as penitências que desejaria.
     O dia 18 de janeiro de 1270 parece ter sido a data de seu falecimento, quando tinha apenas vinte e oito anos. O processo de sua beatificação nunca foi concluído, mas o culto de Santa Margarida foi aprovado em 1789. A canonização ocorreu em 1943.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Santa Ita (Ida), Abadessa irlandesa - 15 de janeiro

     Santa Ida (Ite, Ytha), chamada “Brígida de Munster”, nasceu em 480, no local atualmente chamado de Condado de Waterford. Seu pai Cennfoelad era descendente de Felim, o legislador, e sua mãe chamava-se Necta. Sua família era relacionada com o nobre e influente clã Déisi. O nome de batismo de Ita era Doroteia ou Deirdre; o nome Ita, que ela tomou posteriormente, significava sua sede do Amor Divino.
     Desde muito pequena Ita demonstrava uma inclinação incomum para a oração e a santidade. Todos que com ela conviviam notavam sua pureza e graça. Ela encarnava as seis virtudes da mulher irlandesa: sabedoria, pureza, beleza, habilidade musical, gentil no falar e perícia com agulhas. Ela foi descrita também como doce e cativante, prudente em palavras e obras, constante e firme nos propósitos. Mas sua feminilidade não a impedia ter um caráter forte.
     Em sua juventude Ita sonhou que um anjo lhe dera três pedras preciosas. Ela ficou perplexa e pensava o que significaria tal simbolismo. Outro visitante celestial explicou a ela que sonhos e visitas celestes iriam acontecer durante toda sua vida. As pedras no sonho simbolizavam os dons do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
     Já muito jovem Ita acreditava ter um chamado de Deus e desejava tornar-se religiosa. Mas seu pai relutava em permitir que ela dedicasse totalmente a Deus sua vida. E planejou dá-la em casamento a um jovem nobre. Depois de três dias de jejuns e orações de Ita, o pai sonhou que sua filha iria servir a Deus em outra região do condado e muitas pessoas encontrariam a salvação por meio dela. Na manhã seguinte, Cennfoelad permitiu que Ita realizasse seu desejo.
     O Bispo Declan de Ardmore conferiu a ela o véu, tornando-a monja. Ela ingressou no mosteiro de Cluain Credhail, posteriormente conhecido como Killeedy (Igreja de Santa Ida) em County Limerick. Foi eleita abadessa do mosteiro. Esta comunidade se caracterizou por ensinar as crianças da comarca.
     Era legendária sua ênfase na austeridade, bem como seus milagres e dons proféticos. Suas obras e milagres foram descritos por São Cuimin de County Down.
     Santa Ita faleceu cerca de 570, provavelmente em decorrência de um câncer, pois os cronistas contemporâneos descrevem sua enfermidade como um escaravelho que cresceu como um leitão, maneira de descrever uma doença desconhecida.
     Sua morte é mencionada nos Anais de Inisfallen (ca. 1092) com a seguinte frase: "Morte de Ita de Cluain, mãe adotiva de Jesus Cristo e de Brendan". Os Anais também mencionam que em 553 uma batalha foi vitoriosa graças às suas orações.
     Santa Ita foi venerada por numerosos Santos, incluindo São Brendan, São Pulcerio (Mochoemog) e São Cummian. São Brendan de Clonfert foi aluno de Ita, e quando mais tarde ele perguntou a ela quais as três coisas mais importantes para agradar a Deus, ela citou: fé verdadeira, simplicidade e generosidade. As mais detestáveis eram mau humor, amor ao pecado e avareza.
     Diz-se que Santa Ita é a autora de uma canção de ninar irlandesa que ela cantava quando o Menino Jesus aparecia para ela. É festejada no dia 15 de janeiro.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Beata Lúcia de Valcaldara ou Núrcia, Clarissa - 12 de janeiro

     Na região de Valcaldara, distrito de Núrcia, ainda hoje é celebrada a festa da sua Patrona, a Beata Lúcia.
     Lúcia nasceu em 1370 e se consagrou totalmente a Nosso Senhor na idade de apenas 15 anos. Fundou em Núrcia, com sete companheiras, próximo a casa paterna, um primeiro núcleo de virgens consagradas que, em 1386, com a aprovação do Patriarca de Jerusalém, D. Ferdinando, administrador da diocese de Espoleto-Núrcia (1370-1390), se tornou o Mosteiro de São Jerônimo.
     A sua escolha de vida foi um grande exemplo para toda a cidade e em 28 de janeiro de 1386 o Conselho deliberou ajudá-la.
     Em 1390, Lúcia fundou um segundo mosteiro próximo da igreja de Santa Maria, em Valcaldara. Com as companheiras, Lúcia se submetia a direção do bispo, “usando o hábito eremítico, vivendo em comunidade e observando a norma evangélica, por muitos anos não professando nenhuma Regra aprovada pela Igreja”.
     Reunidos em um só, com a aprovação do Bispo Agostinho, os dois mosteiros adotaram a Regra das Clarissas, em 1407, se definindo como Irmãs Pobres de Santa Clara, e constituíram o Mosteiro de Santa Clara, que depois do terremoto de 1703 tomou o nome de Santa Maria da Paz.
     A Beata faleceu em 12 de janeiro de 1430 e logo foi venerada e invocada como Santa. Ela é particularmente venerada em Valcaldara, onde todos os anos uma festa é organizada em agosto, com Missa, procissão, terminando com um espetáculo pirotécnico.
     O seu corpo, ainda hoje incorrupto, guardado em seu “depósito” de 1637, é exposto na igreja das Clarissas de Santa Maria da Paz.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Beata Ana dos Anjos Monteagudo, Dominicana - 10 de janeiro

     Ana Monteagudo Ponce de León nasceu em Arequipa no dia 26 de julho de 1602, filha do espanhol Sebastián Monteagudo de la Jara e da arequipenha Francisca Ponce de León.
     Conforme os costumes da época, com três anos seus pais a enviaram ao Mosteiro de Santa Catarina para ali ser educada. Voltou ao lar por decisão de seus pais quando tinha 14 anos. Nem os atrativos do mundo nem as perspectivas de um vantajoso casamento a atraiam, assim sendo, um ano depois enfrentou a indignada reação de seus pais e retornou ao mosteiro.
     Em 1618 iniciou o noviciado e acrescentou o apelativo "dos Anjos" ao seu nome. A aspereza da vida conventual não a intimidava. Vivia com entusiasmo o ideal de São Domingo de Guzmán e de Santa Catarina de Siena.
     No mosteiro, até 1632, exerceu os cargos de Sacristã; depois, até 1645, o de Mestra de Noviças; finalmente, o de Priora até 1647.
     Com fortaleza iniciou a reforma do mosteiro. Na época o mosteiro era habitado por cerca de 300 religiosas, nem todas desejosas de perfeição. Sua obra reformadora sofreu oposições, mas ela permaneceu sempre fiel à observância conventual, mantendo maturidade e equilíbrio. Exemplar na oração e na caridade, atendeu com abnegação e heroicidade as vitimas de uma peste que assolou Arequipa.
     Dentro e fora do mosteiro praticava as virtudes, mantinha a serenidade e a paciência nos sofrimentos, prodigalizando nos conselhos e no espírito apostólico, com grande misericórdia inclusive com relação às almas do Purgatório.
     Depois de dez anos de enfermidade, que a tornaram paralítica e cega, faleceu no dia 10 de janeiro de 1686, aos 84 anos de idade. Já em vida gozava de fama de santidade.
     Em 2 de fevereiro de 1985 foi beatificada em Arequipa por João Paulo II, durante sua viagem ao Peru.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Beata Alix (Alice) Le Clercq, Cofundadora - 9 de janeiro

     Uma das grandes obras da Contrarreforma foi ter começado a preocupar-se com a educação das meninas. Em 1535, Santa Ângela de Merici fundou a Congregação das Ursulinas com este fim. Santa Joana de Lestonnac fundou, em 1606, a Congregação das Religiosas de Nossa Senhora. Por sua vez, São Pedro Fourier fundou as Canonisas Regulares de Santo Agostinho da Congregação de Nossa Senhora, empresa na qual Alix Le Clercq cooperou como cofundadora.
     Alix nasceu em Remiremont, ducado de Lorena, em 1576. Sua família ocupava uma posição de destaque, mas pouco se sabe da vida de Alix até os dezessete anos. Era então uma jovem alta e bela, loura, de constituição delicada, atraente e inteligente. Outro relato, escrito por ela mesma, nos informa que se distinguia na música e na dança, que era muito popular e que tinha muitos admiradores. Alix deixa entender que se envaidecia com isto, o que é provável. Entretanto, lembremo-nos que os santos tendem a exagerar seus defeitos.  Por outro lado, Alix mostra que não deixava de ter seriedade: “Em meio a tudo isto, meu coração estava triste”. Pouco a pouco a frivolidade de sua vida se lhe tornou insuportável.
     Aos dezenove anos um primeiro sonho veio mudar sua vida. Ele se viu em uma igreja, próximo do altar, a seu lado se encontrava Nossa Senhora vestida com um hábito religioso desconhecido, que lhe fala: "Vem, minha filha, que eu mesma vou te as boas-vindas".
     Pouco tempo depois, a família Le Clercq foi morar em Hymont. Ali a jovem encontrou São Pedro Fourier, que era vigário de uma paroquia de Mattaincourt, nas redondezas. Um dia em que assistia à Missa nessa paroquia, Alix ouviu um ruído de tambor e viu o demônio que fazia os jovens dançar “ébrios de alegria". Nesse instante se deu a conversão de Alix, que nos disse: "Ali mesmo resolvi não me misturar com semelhante companhia".
     Alix trocou seus vestidos finos pelas roupas das camponesas, e pouco saia de sua casa. Sob a prudente direção de São Pedro Fourier, procurou descobrir qual a vontade de Deus a seu respeito, o que lhe causou grandes sofrimentos espirituais. Tanto seu pai como São Pedro Fourier, lhe aconselharam que entrasse em um convento. Ao que ela não concordou, pois em um sonho lhe fora revelado que não existia nenhuma forma de vida religiosa adaptável à sua vocação.
     Alix confiou a São Pedro Fourier que estava obcecada pela ideia de fundar uma congregação ativa. Este se mostrou cético, mas a aconselhou procurar outras jovens que compartilhassem de suas ideias, coisa muito difícil em um povoado afastado. Alix porém conseguiu encontrar companheiras.
     Na Missa de Natal de 1597, Alix Le Clercq, Ganthe André, Isabel e Joana de Louvroir se consagraram publicamente a Deus. Quatro semanas depois, São Pedro Fourier convenceu-se de que elas eram chamadas a fundas uma comunidade sob sua direção.
     Uma solução inesperada: a quatro quilômetros de Mattaincourt havia uma abadia de canonisas seculares. Era uma comunidade de ricas e aristocráticas damas que levavam uma vida conventual. Uma dessas senhoras, Judith d'Apremont, decidiu proteger Alix e suas três companheiras dando-lhes para morar uma casinha em suas propriedades. As jovens se instalaram ali na véspera de Corpus Christi de 1598. Ao terminar um retiro, declararam unanimemente a São Pedro Fourier que se sentiam chamadas a fundar uma nova congregação, já que esta era a vontade de Deus para elas. A finalidade do novo instituto era "ensinar as meninas a ler, a escrever e a costurar, mas sobretudo a amar e servir a Deus". A esta santa ocupação deviam se dedicar, sem distinguir entre pobres e ricos, e sem cobrar nem um centavo, "porque isto agrada mais a Deus".
     Em 1601, São Pedro Fourier e a Beata Alix fundaram uma segunda casa em Mihiel, seguida pelas de Nancy, Pont-à-Mousson, Saint-Nicolas du Port, Verdún e Chalons. Esta última, estabelecida em 1613, foi a primeira fundação fora da Lorena.
     Alix e uma das companheiras foram enviadas por São Pedro a um convento das Ursulinas de Paris para que se documentassem sobre a vida monástica e os métodos de ensino.
     Em 1616, duas bulas da Santa Sé concederam afinal a desejada aprovação da congregação. Com base nisto, o Bispo de Toul aprovou as Constituições. Pela primeira vez treze religiosas vestiram o hábito que a Virgem revelara na visão a Alix, e iniciaram o ano de noviciado.
     Como as bulas papais somente mencionassem o convento de Nancy, a Beata Alix teve que renunciar ao cargo de superiora da Congregação a favor da Madre Ganthe André, “sem a qual, explica São Pedro Fourier, nossa congregação não teria podido ser fundada”, apesar de Madre André e de Alix não estarem de acordo sobre a organização.
     Além desta provação, a beata atravessava um período de crise espiritual conhecido por “noite escura da alma”. Atualmente é reconhecido o título de cofundadora das Canonisas de Nossa Senhora, mas isto não acontecia durante sua vida e São Pedro Fourier era o primeiro a negar a ela este título, “para mantê-la em seu lugar”.
     Em 1621, a Beata obteve permissão para renunciar ao cargo de superiora local de Nancy, pois estava doente já algum tempo. Os médicos a declaram incurável, diagnóstico que desconsolou toda Nancy, desde o duque e a duquesa da Lorena até as alunas e os mendigos.
     São Pedro Fourier foi para Nancy e a ouviu em confissão e a preparou para a morte. Alix se despediu solenemente da comunidade no dia da Epifania, exortando suas religiosas ao amor e a união. O desfecho chegou no dia 9 de janeiro de 1622, depois de uma longa agonia. A Beata não havia feito 46 anos de idade.
     Logo todos a aclamaram como santa e imediatamente se começou a recolher testemunhos para introdução de sua causa, mas a guerra impediu que o processo fosse adiante e ela somente foi beatificada em 1947.
     Em 1666, o convento de Nancy publicou uma vida da Beata Alix Le Clercq, que é na realidade uma coleção de documentos valiosos sobre a beata. O bispo de Saint-Dié introduziu, em 1885, a causa de beatificação, baseando-se em um exemplar dessa biografia, que havia caído em mãos do Conde Gandélet. A primeira biografia propriamente dita foi publicada em Nancy, em 1773; existe o manuscrito de outra, escrita em 1766; em 1858 veio à luz outra biografia, e a partir de então se multiplicaram os livros sobre a Beata.
     Há ainda a mencionar as vidas de São Pedro Fourier, escritas por Bedel (1645), Dom Vuillemin (1897), e o Pe. Rogie. O autor do prefácio da biografia inglesa da Beata Alix, fala dos excelentes métodos de educação empregados pelas canonisas. São Pedro Fourier ensinava pedagogia a suas religiosas.