quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Beata Eustoquia Bellini, Virgem beneditina - 13 de fevereiro

     Seu nascimento não foi legítimo: Lucrecia Bellini nasceu em Pádua, em 1444, de uma freira do mosteiro beneditino de São Prosdócimo e de Bartolomeu Bellini. Com quatro anos o demônio tomou posse de seu corpo, sem tolher-lhe o uso da razão, atormentando-a praticamente por toda a sua vida.
     Aos sete anos foi confiada aos monges de São Prosdócimo, que administravam no mosteiro uma espécie de internato. A conduta da comunidade não era exatamente exemplar, mas Lucrecia às diversões mundanas preferia o retiro, o trabalho e a oração; era muito devota de Nossa Senhora, de São Jerônimo e de São Lucas.
     Em 1460 o Bispo Jacopo Zeno, após a morte da abadessa, tentou impor uma maior disciplina no mosteiro, mas tanto as monjas como as pensionistas voltaram para suas casas, só permanecendo Lucrecia Bellini. Em substituição, vieram as monjas beneditinas do convento de Santa Maria da Misericórdia, sob a orientação da abadessa Justina de Lazzara.
     Lucrécia, então com 18 anos, pediu para entrar naquela Ordem e, em 15 de janeiro de 1461, recebeu o negro hábito beneditino tomando o nome de Eustoquia.
     O demônio, que por algum tempo a havia deixado em paz, voltou de novo ao seu corpo, obrigando-a a fazer atos contrários à Regra, fazendo-a agir em atos tão barulhentos e violentos, que as Irmãs ficavam aterrorizadas e tiveram que amarrá-la por vários dias a uma coluna.
     Mas a paz durou pouco, depois que Eustoquia foi libertada a abadessa adoeceu de uma doença estranha e ela foi culpada, quase a consideravam uma hipócrita bruxa; foi trancada em uma prisão durante três meses a pão e água.
     Mas todas essas provas não acovardaram a noviça e aos que lhe diziam para voltar ao mundo ou mudar de mosteiro, respondia que todas as tribulações eram bem aceitas e destinadas a expiar a culpa da qual ela nascera, ali mesmo onde foi cometida; em sua solidão se consolava na recitação do Rosário ou da coroa de Salmos e de orações por ela compostas.
     Uma vez libertada, ela voltou a ser atormentado pelo diabo com flagelações, vômitos incontroláveis ​​e outros sofrimentos estranhos que ela suportava com grande paciência, o que convenceu as Irmãs de suas virtudes. Finalmente, em 25 de março de 1465, foi admitida à profissão solene e, como era o costume da época, dois anos depois lhe foi dado o véu negro da Ordem Beneditina.
     Sua vida não foi muito longa. Ela tinha sido muito bonita, mas as possessões diabólicas, as doenças e as penitências a tinham reduzido a um esqueleto vivo; os últimos anos da sua vida foram passados ​​principalmente na cama, doente, absorta em oração e meditação sobre a Paixão de Jesus.
      Morreu no dia 13 de fevereiro de 1469 com a idade de 25 anos; o seu fim foi tão sereno, que seu rosto pode recuperar a sua beleza antiga; algumas horas antes o demônio finalmente a tinha deixado em paz.
     Eustóquia é o único exemplo conhecido de uma fiel que chegou à santidade embora ao longo de sua vida estivesse possuída pelo demônio. Quatro anos após sua morte, seu corpo foi exumado do túmulo original, o qual começou a encher-se de água puríssima e milagrosa, que deixou de surgir apenas quando o mosteiro foi suprimido.
     Em 1475 o corpo foi levado para a igreja, e desde 1720 foi colocado em uma arca de cristal. O mosteiro de São Prosdócimo foi supreso em 1806 e o corpo da Beata beneditina foi transferido para a Igreja de São Pedro, sempre em Pádua. Sobre o altar de mármore que contém o seu corpo, se encontra o retábulo de Guglielmi representando a Beata enquanto pisa o demônio.
     Em 1760, o Papa Clemente XIII, que já fora Bispo de Pádua, confirmou o seu culto na cidade de Pádua e, em seguida, em 1767, estendeu-o a todos os Estados da República Vêneta.
     Sua festa religiosa, ainda hoje comemorada em toda a diocese de Pádua, é no dia 13 de fevereiro.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Santa Heloisa (Elisa, Helvisa), viúva e reclusa - 11 de fevereiro


Ruínas da Abadia de Coulombs
     Heloisa etimologicamente significa "guerreira ilustre", proveniente de Ludwig (masculino) na língua alemã, como Luís, do qual é o feminino, derivado do franco Chlodowech (Clodoveo); no inglês é Lewis, no italiano Luigi, no latim Helvisa.
     Pertencente a uma família nobre francesa, Heloisa foi esposa do Conde Ugo de Meulan, chamado o "Cabeça de ursa", do qual entretanto bem cedo ficou viúva.
     Religiosíssima e de grande piedade, doou uma considerável parte dos bens herdados do esposo à abadia beneditina de Notre-Dame de Coulombs (perto de Nogent-le-Roi, na diocese de Chartres). O abade Berengário recebeu dela em 1033 as duas igrejas paroquiais de Lainville e de Montreuil-sur-Epte, com as rendas respectivas e metade das terras anexas, como resultado do ato de cessão confirmado naquele mesmo ano pelo Conde Galerano de Meulan, o qual tinha aquelas igrejas como feudo.
     Tendo também perdido o segundo marido, Heloisa decidiu renunciar ao mundo para sempre, resolvendo levar uma vida religiosa na mesma Abadia de Coulombs, para a qual doou, sem levar em conta a herança para seus próprios familiares, filhos de seu irmão Erluino, as terras e a igreja de Anthieux, na diocese de Evreux. O Duque da Normancia, Guilherme, confirmou a possessão daquelas terras aos monges somente em 1066, quando os bens foram restituídos à abadia de Ricardo, sobrinho de Heloisa, que as havia reivindicado depois da morte da tia, ocupando-as a força.
     Heloisa mandou construir uma pequena habitação junto à igreja da Abadia de Coulombs, onde se recolheu para sempre, vivendo santamente e permanecendo ali até o dia da sua morte, ocorrida antes de 1060, com a fama de santidade.
     Mabillon indica o 10 de fevereiro, festa de Santa Escolástica, como o dia do seu feliz trânsito, que foi na realidade em 8 de janeiro, como claramente se pode verificar no obituário da Catedral de Chartres, onde se pode ler: "VI idus Januarii. Obiit Helvisa santissime memorie reclusa".
     Já no século XVII se perdera qualquer traço do túmulo de Santa Heloisa, da qual, todavia, se conservava ainda o crâneo entre as outras relíquias protegidas no tesouro da abadia. A sua festa é celebrada em 11 de fevereiro. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Santa Cointa, Virgem e Mártir - 8 de fevereiro

     Cointa (Coynta ou Quinta), pertence ao grupo que o Martirológio de Floro menciona em 20 de fevereiro com o título geral de "os Mártires de Alexandria".
     A fonte de informação de Floro é o historiador Eusébio, mas segundo ele, o escritor de "Vetus romanum" (ou seja, Adón) distribuiu por sua conta os mártires do grupo em muitos dias do ano. Assim, encontramos Metras ou Metrano em 31 de janeiro, encontramos Cointa e depois encontraremos Apolônia ou Apolila.
     Segundo Adón, o Martirológio Romano menciona o nome de Cointa no dia 8 de fevereiro, com uma nota manifestamente inspirada em Eusébio ("Hist. Eccl.", L.6, c. 41). O mesmo nome aparecia um pouco mudado em outras datas, por exemplo, Greven também nomeia Tonita ou Cointa, virgem e mártir da Alexandria, no dia 15 de janeiro. Em outro lugar, Cointa figura no dia 21 de agosto, como “nobre de Alexandria”.
     O célebre historiador eclesiástico Eusébio de Cesaréia cita uma carta do Bispo de Alexandria, São Dionísio, a Fabiano, Bispo de Antioquia, sobre o derramamento de sangue de muitos mártires em Alexandria do Egito, sob o Imperador Décio. A passagem de Eusébio é um extrato daquela carta que narra os combates heroicos dos mártires naquela cidade durante a perseguição de Décio.
     "Os perseguidores - diz a carta - conduziram uma mulher cristã, que se chamava Quinta, ao templo pagão e queriam forçá-la a adorar os ídolos. Ela, porém, teve horror a isto e resistiu, dando-lhes as costas. Então ataram seus pés a um cavalo arrastando-a pelos pavimentos ásperos de toda a cidade, fazendo-a bater contra grandes pedras. Não satisfeitos que as pedras agudas dos caminhos tivessem maltratado o seu corpo, golpearam-na com umtego. Finalmente, voltando ao templo, mataram-na sob uma chuva de pedras no mesmo local em que mataram Metrano”.
     Seu martírio ocorreu no ano 249 d.C. Venerada como uma santa mártir, sua comemoração no dia 8 de fevereiro é relatada ainda hoje pelo Martirológio Romano

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Santa Alice (Adelaide) de Vilich, Abadessa - 5 de fevereiro

     Alice (ou Adelaide) nasceu por volta de 960, provavelmente no castelo de Geldern, na Alemanha. Era filha de Megengose, Conde de Guelder. Foi entregue às canonesas de São Jerônimo, do Mosteiro de Santa Úrsula, em Colônia, para ser por elas educada, onde se destacou no estudo e na piedade inata.
     Seu irmão Godofredo morreu durante a guerra contra os Boemianos, em 977, e os pais destinaram a quota da herança que lhe pertencia à construção de um mosteiro de canonesas em Vilich, perto de Bonn, designando como primeira abadessa Alice. Apesar de sua pouca idade, ela se mostrou à altura da tarefa, promovendo no convento o estudo e as obras de piedade.
     Após a morte de sua mãe (994), Alice decidiu introduzir a Regra de São Bento na comunidade, e depois de tê-la experimentado pessoalmente por um ano inteiro, se colocou sob a direção do mosteiro beneditino de Santa Maria in Capitólio, de Colônia, onde sua irmã Bertranda era abadessa.
     Por volta de 1000 sua irmã morreu e Alice foi colocada pelo Bispo de Colônia, Santo Eriberto, com o consentimento do imperador Oto III, à direção do mosteiro de Colônia.
     Na direção dos dois mosteiros ela se destacou pela grande prudência, energia na tomada de decisões e caridade para com os pobres; a eles destinou certos rendimentos permanentes do mosteiro de Vilich. Fazia questão que suas monjas soubessem latim para seguirem os Ofícios do coro apropriadamente.
     A Santa tinha dons místicos e graças à sua intercessão ocorreram milagres. Santo Eriberto a respeitava muito e a consultava em todas as dificuldades.
     Ela morreu em Colônia, em 5 de fevereiro de 1015, e seu corpo, a seu pedido, foi sepultado no claustro do mosteiro de Vilich; foi posteriormente transferido para a igreja do mosteiro devido o grande número de peregrinos que vinham rezar em seu túmulo, perturbando a tranqüilidade do claustro.
     O culto de Santa Alice (Adelaide) de Vilich começou imediatamente após a sua morte e teve grande difusão, também chegando à França onde ela era conhecida apenas pelo nome de Alice. Sua festa é celebrada em 5 de fevereiro.
. . .
      O nome Alice curiosamente vem da mesma base que deu origem ao nome Adelaide. Athalaid é o nome alemão, mas tornou-se Alis em francês antigo, latinizado depois para Alicia, nome que mais tarde foi tomado pelos ingleses e se transformou em Alice, sendo em seguida re-exportado para a França e a Itália.
     O nome remonta mesmo ao grego "alyké", que significa "mar". Foi generalizado após o sucesso de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, pseudônimo do escritor inglês Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898).
     No campo cristão, Santa Alice (Adelaide), abadessa de Vilich, é lembrada a 5 de fevereiro, enquanto uma pequena citação é encontrada em 13 de junho em memória de Santa Alice de La Chambre, que morreu em 1250, de quem infelizmente não temos informações: deve tratar-se da devoção a uma figura local, que nem sequer é mencionada no Martirológio Romano, o texto oficial dos santos e beatos da Igreja Católica.
 
Fonte: Acta Sanctorum, fevereiro, vol. 1, pp. 721.727, onde se encontra sua vida, escrita por Bertranda, uma monja sua contemporânea - cf. DHG., vol. 1, c. 517.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Apresentação do Menino Jesus ao Templo e Purificação de Nossa Senhora - 2 de fevereiro

     O Evangelho de São Lucas narra que, depois do nascimento de Nosso Senhor e decorrido o prazo que a Lei mosaica estabelecia para a purificação das mulheres que davam à luz, Nossa Senhora e São José levaram o Menino Jesus ao Templo para O apresentarem a Deus, conforme também prescrito na Lei. Na ocasião, Maria Santíssima ofereceu ao Senhor o sacrifício ritual de dois pombinhos, estabelecido para a purificação de mulheres pobres. Jesus e Maria não estavam sujeitos à Lei, mas quiseram observá-la por amor à humildade e para nos dar o exemplo.
     A festa da Purificação é também chamada das Candeias, comemorando o dia em que Maria Santíssima, em obediência à Antiga Lei, apresentou seu Divino Filho ao Templo 40 dias após seu nascimento. Foi saudada pelo velho Simeão que lhe predisse as Sete Dores que haveria de sofrer e que o Menino seria um sinal de contradição.
     Evangelho de São Lucas capítulo 2. versículos 25 a35

25. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
26. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.
27. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei,
28. tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
29. Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
30. Porque os meus olhos viram a vossa salvação
31. que preparastes diante de todos os povos,
32. como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
33. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,
35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
 
“Cada dia tem seu santo”, Revista Catolicismo, Bíblia Ave Maria
Fonte: Associação Apostolado do Sagrado Coração de Jesus

 


Posted: 01 Feb 2013 05:43 AM PST

Ivanaldo Santos (ivanaldosantos@yahoo.com.br)
Filósofo

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Santa Joana de Lestonnac, Viúva e Fundadora - 2 de fevereiro

     Numa fria manhã de 1556, Ricardo de Lestonnac, nobre magistrado e conselheiro do rei, que preside seu lar em Bordéus (França), recebeu do céu uma bênção: a primogênita, Joana, que encherá a nobre morada com a luz de seus olhos azuis e de seu encanto especial. Joana Eyquen de Montaigne, a nobre castelã, recebeu em seus braços com alegria a pequenina, mas se opõe tenazmente que a filha receba o batismo católico. A vontade firme do pai triunfa e Joaninha começa sua vida no campo do combate familiar, o que colocará em grave perigo a pureza de sua fé.
     O veneno é inoculado por meio de carícias maternas: historietas maliciosas contra os sacerdotes e o Vigário de Cristo, ausência total da Virgem Santíssima. Desta forma a nova apóstata calvinista tentava trazer para si o terno coração da pequena, a quem o tio, o célebre filósofo Miguel de Montaigne, chamou sem titubear "bela princesa, albergada num magnífico palácio".
     Seus tios, os senhores de Beauregard, se unem à mãe herege neste trabalho. Mas Miguel de Montaigne velava pela guarda de sua fé. A menina triunfou na luta com a firme ajuda de seu pai e com a cooperação de seu irmão Guy, que repetia à noite o que aprendera no colégio que freqüentava, dirigido pelos padres jesuítas. Era a nova Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio, que chegara a Bordéus.
     A devoção a Nossa Senhora se enraízou em sua alma, e seu desejo de sacrificar o porvir brilhante que o mundo lhe oferecia pela vida religiosa, cedeu somente diante da insistência paterna que teme os claustros e mosteiros invadidos pela heresia calvinista.
     Tendo Joana dezessete anos, o pai, atendendo aos insistentes pedidos de Gastão de Montferrant, Barão de Landiras e de la Mothe, concedeu-lhe a mão da filha. A vida matrimonial foi muito sólida e Joana foi mãe oito vezes. Os três primeiros morreram muito pequeninos. Os outros cinco - dois varões e três mulheres - foram crescendo sob o olhar atento da mãe.
     A baronesa, como a mulher forte do Evangelho, ensinava aos filhos os deveres da caridade católica: visitas aos pobres, aos colonos, atendimento abnegado aos pobres que lhes batem à porta. Não sem razão o mundo inteiro a chamaria um dia de "honra e glória da França e da Igreja".
     Em 1597, após 24 anos de matrimônio, Gastão de Montferrant faleceu. Seguiram-se grandes dores e tristezas: a morte do esposo, do filho mais velho, do pai e do tio. Joana ficou só e continuou com fortaleza a educação dos quatro filhos que lhe restaram.
     Seis anos mais tarde, tendo seu filho Francisco se casado e suas filhas Marta e Madalena se consagrado a Jesus nas Anunciadas de Bordéus, resolveu deixar a filha mais nova, Joaninha, sob os cuidados de Francisco e da esposa, e ingressar no convento.
     Na manhã de sua partida, saiu muito cedo do palácio para evitar as despedidas, porém, seu coração de mãe ainda enfrentou mais um sacrifício: é surpreendida com a súbita chegada da filha mais nova, que se lança em seus braços desfeita em prantos e pedindo para ela não deixar Bordéus.
     Aos 46 anos de idade, ela ingressou no Mosteiro Cisterciense de Toulouse. Mudou seu nome para Joana de São Bernardo. Este ramo feminino dos Cistercienses reformados nascera na Abadia de Feuillant, na Gasconha, para reagir à decadência da Ordem.
     Seis meses após ter vestido o santo hábito, sua palidez preocupava a comunidade e suas rigorosas penitências esgotaram suas forças por completo. A Madre Superiora a convenceu a voltar para o seu castelo.
     Naquela noite, esforçando-se para aceitar a vontade de Deus e mais esta prova, teve uma visão celestial que a faz ver o abismo do inferno. Nele caem muitas jovens em espantoso torvelinho e estendiam os braços implorando seu auxílio. Sobre este quadro espantoso apareceu magnífica e grandiosa a imagem de Maria. Ela compreendeu a vontade de Deus. A futura Companhia de Maria, em benefício da juventude feminina, começou a delinear-se naquela última vigília no convento cisterciense.
     Após deixar o mosteiro, Joana se retirou em La Mothe. Em 1605, encontrava-se em Bordéus e trabalhava como voluntária com outras senhoras e moças durante uma epidemia de peste, e aí descobriu sua vocação: o trabalho na sociedade, entre as jovens mais necessitadas de ajuda e instrução. Foi visitando e cuidando das pessoas nas regiões mais pobres da cidade, e em contato com as jovens que eram atraídas pelo chamado de Deus e por sua personalidade, que ela desejou realizar o trabalho apostólico que a atraia. Ela percebeu que a espiritualidade inaciana expressava sua própria espiritualidade.
     Ela manteve contatos com dois Jesuítas, Pe. de Bordes e Pe. Raimundo, que compartilhavam suas preocupações. O Papa Paulo V aprovou a fundação da Companhia de Nossa Senhora em 7 de abril de 1607.
     Em 11 de março de 1608, diante da generosa resposta de cinco primeiras companheiras, a cidade de Bordéus, engalanada, participou da tomada de hábito das religiosas que iniciaram o combate da Companhia de Maria.
     O Cardeal François d’Escoubleau de Sourdis, inicialmente protetor da obra, desejou mais tarde ligá-la às Ursulinas, e lhes negou a profissão em maio de 1610. Porém, a 7 de dezembro, em seu castelo de Lormont, recebeu uma graça particular da Santíssima Virgem que advogava em favor de suas filhas, e, na festividade da Imaculada, no mosteiro de Joana assistiu à profissão da fundadora e de suas primeiras companheiras, que já eram nove.
     Como todas as obras de Deus, forte vendaval de perseguição sacodiu a ainda frágil árvore. Por isso mesmo ela se enraizou mais fortemente e em breve as sementes lançadas germinarão: antes que a alma da fundadora voasse para o Céu, são quarenta as novas preciosas e florescentes ramagens. Joana enfrentou desde os desprezos de Lucia de Teula, fundadora frustrada de Toulouse, que não lhe poupou insultos e perseguições, até a traição de uma de suas filhas, única infiel no grupo de suas primeiras religiosas, que cedendo a uma tentação ambiciosa fez chegar ao prelado falsas acusações.
     "A parte que Jesus nos dá de sua Cruz nos faz conhecer quanto Ele nos ama", repetiria mais tarde a Santa fundadora.
     Em 1622, retiraram-lhe o cargo e ela deixou Bordéus. Entretanto, as outras casas continuam a dedicar-lhe a estima, o afeto e a confiança devidos à Fundadora da Ordem. Ela é considerada a Madre Geral, mesmo que o status lhe é recusado pela Igreja, e que ela não possa se comunicar com as outras casas naquele terrível período.
     A Fundadora, relativamente idosa, parte para fundar uma casa em Pau. Ela aí permaneceu até 1634, se ocupando da organização da vida da nova fundação e ensinando as meninas mais pobres. Num silêncio santo e exemplar, deixava admirados todos quantos tinham a dita de tratar com ela.
     No fim de seu mandato, em 1626, a superiora ingrata reconheceu seus erros e pediu publicamente perdão a Santa Joana de Lestonnac.
     A pedido dos superiores e por insistência do Cardeal de Sourdis, ela retornou a Bordéus para consagrar seus últimos anos à redação definitiva das Constituições que foram impressas em 1638. Todas as casas e a Ordem viverão sob estas Constituições em qualquer parte do mundo onde elas estiverem.
     No dia 2 de fevereiro de 1640, a religiosa que possuía uma grande devoção a Eucaristia, a Santíssima Virgem - a quem consagrou sua companhia -, que tributava um culto muito especial a seu anjo da guarda, a mãe caridosa e boa que distribuía aos mais necessitados os remédios adquiridos para a comunidade, após uma enfermidade rápida, rodeada de suas filhas e pronunciando com doçura celestial os nomes de Jesus, Maria e José, entregou sua alma a Deus, em meio a veneração e ao amor de filhas que viviam nas quarenta casas do Instituto.
     A ignominiosa Revolução Francesa profanou seus veneráveis despojos, enterrando-os junto à ossada de um cavalo. Ao fim da Revolução, o zelo e o amor da Madre Duterrail conseguiu, ao restaurar as casas da França após trabalhos imensos, encontrar os restos venerandos da Fundadora.
     Transcorridos trezentos anos de espera, Joana de Lestonnac foi beatificada pelo Papa Leão XIII em 1900, e, no dia 15 de maio de 1949, canonizada por Pio XII.
     O lema da Santa, "ou trabalhar ou morrer pela maior glória de Deus", ainda hoje ressoa como o ideal a ser vivido por suas filhas nas cento e cinqüentas casas da Companhia de Nossa Senhora.
 
Fontes: www.santiebeati.it - Domenico Agasso; Ciclo Santoral, Maria Angeles Viguri, ODN

Santas do mês de fevereiro


fev 01  Beata Ana Michelotti, Fundadora
fev 01  Beatas Maria Ana Vaillot e 46 comp. Mártires
fev 01  Santa Bárbara Ch'oe Yong-i, Mártir de Seul, Coréia 1840
fev 01  Santa Brígida da Irlanda (de Cell Dara) Abadessa
fev 01  Santa Verdiana (ou Veridiana), Virgem e reclusa
fev 02  Beata Maria Domingas Mantovani, Fundadora
fev 02  Santa Adeloga de Kitzingen, Abadessa
fev 02  Santa Catarina de Ricci, Virgem
fev 02  Santa Joana de Lestonnac
fev 02  Beata Maria Catarina Kasper, Fundadora
1º. domingo de fevereiro Santa Amonisia (Artemisa), Virgem e mártir
fev 03  Beata Maria Ana Rivier, Fundadora
fev 03  Beata Maria Helena Stollenwerk, Fundadora
fev 03  Santa Ana, Viúva e profetisa
fev 03  Santa Berlinda de Meerbeke
fev 03  Santa Claudina Thevenet (Maria de S. Inácio), Religiosa
fev 03  Santa Vereburga. Abadessa
fev 04  Santa Joana de Valois, Rainha da França, religiosa
fev 05  Beata Elisabete Canori Mora, Esposa
fev 05  Beata Eulália Pinos, Viúva
fev 05  Beata Francisca Meziere, Virgem e mártir
fev 05  Santa Ágata Virgem e mártir
fev 05  Santa Alice (Adelaide) de Vilich, Abadessa
fev 06  Beata Hildegundes, Monja premostratense
fev 06  Beata Teresa Fernandez, Virgem mercedária
fev 06  Santa Doroteia de Alexandria
fev 06  Santa Doroteia e Teófilo, Mártires de Cesárea de Capadocia
fev 06  Santa Renilda, Abadessa
fev 07  Beata Ana Maria Adorni, Fundadora
fev 07  Beata Maria da Providência Smet, Fundadora
fev 07  Beata Rosália Rendu, Virgem
fev 07  Santa Juliana, Viúva
fev 08  Beata Josefina Gabriella Bonino
fev 08  Santa Cointa de Alexandria Mártir
fev 08  Santa Josefina Bakhita, Virgem
fev 09  Beata Ana Catarina Emmerick, Mística, religiosa
fev 09  Santa Apolônia, Virgem e mártir
fev 10  Beata Clara Agolanti de Rimini, Clarissa
fev 10  Beata Eusébia PalominoYenes, Religiosa
fev 10  Santa Austraberta, Abadessa de Pavilly
fev 10  Santa Escolástica, Virgem
fev 11  Santa Elisa (Eloisa, lat. Helvisa), Reclusa
fev 11  Santa Sotera, Virgem e mártir
fev 12  Beata Umbelina, Abadessa
fev 13  Beata Cristina de Spoleto
fev 13  Beata Eustáquia (Lucrecia) Bellini de Pádua, Virgem
fev 13  Santa Juliana, Leiga venerada em Turim
fev 13  Santa Zoé de Cesareia e S. Fotino, seu esposo, mártires
fev 13  Santas Fosca e Maura, Mártires
fev 14  Santa Fortunata, Mártir
fev 14  Santa Alexandra do Egito, Reclusa Penitente
fev 15  Santa Georgina ou Georgete, Virgem
fev 16  Beata Felipa Mareri, Clarissa
fev 16  Santa Juliana de Nicomedia, Virgem e mártir
fev 18  Santa Constância de Vercelli
fev 18  Santa Exúpera de Vercelli
fev 18  Santa Gertrudes Comensoli, Fundadora
fev 19  Beata Elisabete de Mântua (Bartolomea Picenardi) Virgem
fev 19  Santa Lúcia Yi Zhenmei  Catequista chinesa, mártir
fev 20  Beata Amada (de Corano) de Assis 
fev 20  Beata Jacinta Marto, Vidente de Fátima
fev 20  Beata Júlia Rodzinska, Dominicana, mártir
fev 21  Beata Maria Henriqueta Dominici, Virgem
fev 21  Santa Eleonora, Rainha da Inglaterra
fev 22  Beata Maria Isabel de França, Princesa
fev 22  Beata Maria de Jesus (Emilia d’Oultremont), Fundadora
fev 22  Santa Margarida de Cortona, Religiosa
fev 23  Beata Rafaela Ybarra,  Fundadora
fev 23  Santa Milburga, Abadessa
fev 23  Santa Romana, Venerada em Todi
fev 23  Beata Josefina Viel
fev 24  Beata Ascensão do Coração de Jesus, Co-fundadora
fev 24  Beata Berta de Busano, Abadessa
fev 24  Beata Josefa Naval Girbès, Leiga
fev 25  Beata Cecília, Dominicana
fev 25  Beata Maria Adeodata Pisani, Abadessa
fev 25  Beata Maria Ludovica De Angelis, Missionária 
fev 25  Santa Aldetrude, Abadessa
fev 25  Santa Valburga, Abadessa de Heidenheim
fev 26  Beata Piedade da Cruz Ortiz Real
fev 26  Santa Paula de S. José de Calazans, Fund. das Filhas de Maria
fev 27  Santa Ana Line, Mártir
fev 27  Santa Honorina, Mártir
fev 27  Beata Caridade (Ma Josefa Carolina Brader), Fundadora
fev 27  Beata Francisca Ana da Virgem Dolorosa, Fundadora
fev 27  Beata Felipa de Gueldre, Duquesa
fev 27  Beata Maria de Jesus Deluil-Martiny, Fundadora
fev 28  Santas Marana e Cira, Virgens
fev 28  Beata Antonia de Firenze, Abadessa