terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Beata Elisabete de Mântua, Virgem Servita - 19 de fevereiro

    A Beata Elisabete Picenardi nasceu em Mântua entre 1428 e 1430, filha do nobre Leonardo e de Paula Nuvoloni. O pai estava a serviço dos Gonzaga e aspirava para ela o casamento com algum nobre da cidade, porém ela havia decidido permanecer virgem como Maria Santíssima, por quem tinha uma intensa devoção.
     A decisão certamente era resultado da influência dos frades Servos de Maria, do vizinho convento de São Barnabé, que ela frequentava.
     Aos 20 anos vestiu o hábito das “Mantellate”, que agiam a partir das suas habitações, mas ligadas aos frades como religiosas. A sua vida religiosa foi curta e intensa, não apresentando externamente nada de especial.
     Logo ficou órfã de mãe e após a morte do pai, que aconteceu em 1465, deixou a casa paterna retirando-se na casa da irmã, Orsina, casada com Bartolomeu Gorni, ocupando uma cela reservada para ela. Morava um pouco distante da igreja de São Barnabé dos Servos de Maria, para onde se dirigia todos os dias, recebendo com frequência a Eucaristia, coisa raríssima nos costumes da época; se confessava com o seu diretor espiritual, Frei Barnabé de Mântua, e recitava o Ofício Divino como os religiosos. Como resultado de sua grande devoção a Nossa Senhora, muitos se aproximavam dela para obter sua intercessão.
     Um ano antes de sua morte, que pressagiara, escreveu um testamento deixando o seu breviário e trezentos ducados aos Servos.
     Faleceu no dia 19 de fevereiro de 1468. Ao prepararem seu corpo para o sepultamento, verificaram que ela usava o cilício e uma faixa penitencial. Foi sepultada no túmulo da família em São Barnabé, e logo a fama de sua santidade espalhou-se e milagres ocorreram, entre os quais o da salvação de uma menina que havia caído no lago e permanecera por meia hora sob as águas.
     Quando da invasão francesa de 1799, o seu corpo foi transferido para a igreja do oratório do castelo de Tor de Picenardi, na região de Cremona, e depois foi levado para a igreja paroquial local.
     O Papa Pio VII aprovou o seu culto, em 20 de novembro de 1804, extensivo, além da Ordem dos Servitas, às dioceses de Mântua e Cremona. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Santas Constança e Exupéria de Vercelli, Virgens - 18 de fevereiro

Basílica de Sto. André em Vercelli, Itália
Etimologia: Constança = que tem firmeza, tenacidade, do latim; Esuperia = excessiva, do latim.
 
     No século XVI, durante os trabalhos de reconstrução da basílica eusebiana, foi encontrada uma lápide sob as fundações, na qual estava esculpido o elogio métrico de duas monjas ali sepultadas de nomes Constança e Exupéria.
     O elogio as honrava como santas religiosas e recordava que ambas receberam o véu de religiosas pelas mãos do irmão, São Constâncio, Bispo de Vercelli. As santas irmãs pertenceram ao mosteiro feminino instituído por Santo Eusébio e confiado a direção de sua irmã Santa Eusébia.
     O calendário eusebiano comemora uma santa virgem de nome Constança no dia 18 de fevereiro: se pode deduzir que se trata da irmã do bispo, mas não se sabe por que não se celebra também a memória de Exupéria.
     Alguns pesquisadores pensam superar a dificuldade supondo que Constança sobrepujasse a irmã em virtude e santidade. Aceitando a identificação, se pode dizer que Constança viveu na primeira metade do século VI.
     O louvor métrico que ornava o sepulcro das duas irmãs afirma que elas gozavam de uma grande tranquilidade na paz da morte. Semelhantes nos costumes e na profissão monástica, modestas nos atos; assim como um sagrado recinto fora a sua morada em vida, assim um só sepulcro acolhia os sagrados despojos das irmãs. Tinham conservado casta a mente num corpo intato, e, por tais méritos, como qualquer pessoa que professa a fé, vive com doutrina verdadeira, é certo que elas estão na luz da vida eterna. Esta afirmação enérgica, que é atribuída ao bispo poeta São Flaviano, sucessor de São Constâncio na cátedra de Vercelli, pode ser considerada como testemunha de grande peso em favor da santidade de Constança e da irmã, ainda que esta não apareça comemorada no calendário antigo.
 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Nossa Senhora de La Vang

     Durante a maior parte do século XVII, o Vietnã esteve em guerra por várias lutas de poder e domínio. No século XVIII, a mais forte de entre elas foi conduzida pelos três irmãos Tay Son. Com pequeno intervalo, derrubaram sucessivamente os senhores de Nguyen e derrotaram os senhores de Trinh, restaurando a unidade nacional pela primeira vez desde o declínio da dinastia Le. Um dos irmãos Tay Son foi aclamado rei com o nome de Quang Trung. Em 1792 morreu e deixou o reino ao filho que se tornou o Rei Canh Thinh.
     Entretanto, Nguyen Anh continuou a revolta tentando reclamar o trono. Ao tentar fugir dos rebeldes Tay Son, em 1777, refugiou-se na ilha de Phu Quoc, onde D. Pedro Pigneau de Behaine, da Sociedade das Missões Estrangeiras, dirigia um seminário para jovens das terras vizinhas. O bispo convenceu-o a pedir auxílio a Luís XVI de França.
     O Rei Canh Thinh soube que Nguyen Anh recebia apoio do missionário francês e teve receio que os católicos vietnamitas apoiassem o seu reinado. Começou a pôr restrições à prática do catolicismo na região. Em 17 de agosto de 1798, o Rei Canh Thinh promulgou um édito anticatólico e uma ordem para destruir todas as igrejas católicas e seminários.
     Começou uma perseguição aos católicos vietnamitas e aos missionários que durou até 1886. Mesmo depois de Nguyen Anh ter conseguido recuperar o trono como Rei Gia Long (1802-1821), os seus sucessores, Rei Minh Mang (1821-1840), Rei Thieu Tri (1841-1847) e Rei Tu Duc (1847-1884), o último imperador Nguyen, a intensa campanha contra os católicos continuou, ordenando castigos que iam desde queimarem as suas caras, até a morte por diversos métodos cruéis para os católicos vietnamitas e os padres missionários.
     Foi no meio destes grandes sofrimentos que a Senhora de La Vang veio até ao povo vietnamita. O nome La Vang pensa-se que tem origem no nome da grande floresta da região central do Vietnã (conhecida agora como a Cidade de Quang Tri) onde havia abundância de um tipo de árvore chamada La Vang. Também se disse que o nome vinha do significado em vietnamita da palavra "gritar por socorro", para assinalar os gritos de ajuda das pessoas perseguidas.
     A primeira aparição de Nossa Senhora de La Vang foi assinalada em 1798, quando a perseguição aos católicos vietnamitas começou. Muitos católicos da cidade próxima de Quang Tri procuraram refúgio na floresta de La Vang. Muitas dessas pessoas sofreram frio, ataques de animais selvagens, doenças da floresta e fome. À noite, juntavam-se muitas vezes em pequenos grupos para rezar o terço.
     Inesperadamente, numa noite foram visitados pela aparição de uma linda Senhora com uma longa capa, com um menino nos braços, com dois anjos de cada lado. As pessoas reconheceram a Senhora como a bendita Mãe de Deus e nossa.
     A nossa bendita Mãe consolou-os e disse-lhes para ferverem as folhas das árvores circundantes e usá-las como remédio. Também lhes disse que, a partir daquele dia, todos os que viessem àquele lugar para rezar as suas orações seriam ouvidas e atendidas.
     Isto aconteceu numa área de ervas perto da grande figueira indiana onde rezavam os refugiados. Todos os presentes testemunharam o milagre. Depois da primeira aparição, Ela continuou a aparecer ao povo neste mesmo lugar, várias vezes ao longo de um período de quase cem anos de perseguição religiosa. Entre muitos grupos de católicos vietnamitas que foram queimados vivos por causa da sua fé, estava um grupo de 30 pessoas que foram apanhadas quando saíam do seu esconderijo na floresta de La Vang. A seu pedido foram levadas para a pequena capela de La Vang e foram imolados ali.
     Desde a altura em que a Senhora de La Vang apareceu pela primeira vez, o povo que se refugiava ali erigiu uma pequena e simples capela em sua honra. Durante os anos seguintes, o Seu nome espalhou-se a outros lugares. Apesar da sua localização isolada nas altas montanhas, grupos de pessoas continuaram a penetrar na floresta profunda e perigosa para prestar culto à Senhora de La Vang. Gradualmente, os peregrinos que vinham com machados, lanças, paus, tambores para assustar os animais selvagens, foram substituídos por aqueles que traziam bandeiras, flores e rosários. As peregrinações continuaram todos os anos apesar das contínuas campanhas de perseguição.
Reconhecimento pela Igreja
     Em 1886, depois de oficialmente terminada a perseguição, o Bispo D. Gaspar mandou construir uma igreja em honra de Nossa Senhora de La Vang. Por causa da sua difícil localização e pela falta de fundos, a sua construção levou 15 anos para se completar. Foi inaugurada por D. Gaspar numa cerimônia solene em que participaram mais de 12.000 pessoas e durou de 6 a 8 de agosto de 1901. O bispo proclamou Nossa Senhora de La Vang protetora dos católicos.
     Em 1928 foi construída uma igreja maior para albergar o número crescente de peregrinos. Esta igreja foi destruída em 1972, durante a guerra do Vietnã.
     A história da Senhora de La Vang continua a ganhar importância à medida que são validados os pedidos das pessoas cujas orações foram atendidas.
     Em abril de 1961, a Conferência dos Bispos Vietnamitas selecionou a igreja de La Vang como o Centro Sagrado Mariano Nacional. Em agosto de 1962, o papa João XIII elevou a igreja de La Vang a Basílica.
     Em 19 de junho de 1988, o papa João Paulo II, na cerimônia de canonização dos 117 mártires vietnamitas, pública e repetidamente reconheceu a importância e significado da Senhora de La Vang, e expressou o desejo da reconstrução da Basílica para comemorar os 200 anos de aniversário da primeira aparição da Senhora de La Vang, em agosto de 1998.
 
 
Vietnã: 14 ativistas católicos podem ser sentenciados à morte
Por Joseph Dang
 
     Hanoi (AsiaNews, 31-12-2012) – Um grupo de católicos ativistas de direitos humanos poderia ser sentenciado à pena de morte. Em 6 de janeiro, seus membros irão a julgamento por subversão, acusados de violar o artigo 79 do Código Penal do Vietnã: “Realização de atividades destinadas a derrubar o governo do povo”, o que pode acarretar a pena de morte. ...
     Para os católicos locais, o julgamento não só é vergonhoso e falho em defender os direitos humanos, mas vem na época do Natal, quando a atenção da mídia internacional é a mais baixa. O momento não é por acaso e destina-se a limitar as críticas da comunidade internacional.
     Os processos judiciais são parte da repressão do primeiro-ministro Nguyen Tan Dung contra blogueiros e críticos que têm exposto a corrupção no Partido Comunista e do governo, bem como aqueles que ficaram ricos com a crise financeira.
     Como parte desta campanha, as forças de segurança têm como alvo muitos usuários de Internet. Além disso, durante uma conferência nacional de segurança pública em 17 de dezembro, em Hanói, Dung ordenou à polícia “que evitasse a formação de organizações políticas de oposição”.
     A lista de violações inclui a prisão de Le Quoc Quan, conhecido advogado católico e defensor dos direitos humanos, que foi detido na última quinta-feira sob acusação de evasão fiscal. [...]
     Na sexta-feira, um tribunal em Saigon condenou Nguyen Van Hai (blogueiro conhecido como Dieu Cay), Maria Ta Phong Phan Thanh e Tan Hai a longas penas de prisão.
     Maria Ta Phong Tan, católica, postou “Justiça e Verdade” em seu blog. Mas pagou caro por suas ações, pois sua mãe pôs fim à própria vida ateando-se fogo diante da sede do Comitê Popular, no Bac Lieu.
     Em seu site, os redentoristas vietnamitas acusaram a polícia de maltratar Maria Ta Phong Tan durante a sua detenção. Eles alertaram que sua saúde está se deteriorando a uma velocidade alarmante, especialmente sua saúde mental; algo que eles suspeitam estar sendo feito para levá-la, como sua mãe, ao suicídio.
     Uma missa realizada na Igreja do Santíssimo Redentor, em Saigon, com orações especiais de leitura para os blogueiros detidos, reuniu milhares de cristãos e não cristãos. Ela visava oferecer apoio moral e orações a todos aqueles que se encontram presos por exercerem sua liberdade de expressão.
     De acordo com a Human Rights Watch, 40 blogueiros, dissidentes e ativistas foram condenados no Vietnã em 2012. Entre eles, ao menos 18 foram acusados de “realizar propaganda contra o Estado”, nos termos do artigo 88.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Beata Eustoquia Bellini, Virgem beneditina - 13 de fevereiro

     Seu nascimento não foi legítimo: Lucrecia Bellini nasceu em Pádua, em 1444, de uma freira do mosteiro beneditino de São Prosdócimo e de Bartolomeu Bellini. Com quatro anos o demônio tomou posse de seu corpo, sem tolher-lhe o uso da razão, atormentando-a praticamente por toda a sua vida.
     Aos sete anos foi confiada aos monges de São Prosdócimo, que administravam no mosteiro uma espécie de internato. A conduta da comunidade não era exatamente exemplar, mas Lucrecia às diversões mundanas preferia o retiro, o trabalho e a oração; era muito devota de Nossa Senhora, de São Jerônimo e de São Lucas.
     Em 1460 o Bispo Jacopo Zeno, após a morte da abadessa, tentou impor uma maior disciplina no mosteiro, mas tanto as monjas como as pensionistas voltaram para suas casas, só permanecendo Lucrecia Bellini. Em substituição, vieram as monjas beneditinas do convento de Santa Maria da Misericórdia, sob a orientação da abadessa Justina de Lazzara.
     Lucrécia, então com 18 anos, pediu para entrar naquela Ordem e, em 15 de janeiro de 1461, recebeu o negro hábito beneditino tomando o nome de Eustoquia.
     O demônio, que por algum tempo a havia deixado em paz, voltou de novo ao seu corpo, obrigando-a a fazer atos contrários à Regra, fazendo-a agir em atos tão barulhentos e violentos, que as Irmãs ficavam aterrorizadas e tiveram que amarrá-la por vários dias a uma coluna.
     Mas a paz durou pouco, depois que Eustoquia foi libertada a abadessa adoeceu de uma doença estranha e ela foi culpada, quase a consideravam uma hipócrita bruxa; foi trancada em uma prisão durante três meses a pão e água.
     Mas todas essas provas não acovardaram a noviça e aos que lhe diziam para voltar ao mundo ou mudar de mosteiro, respondia que todas as tribulações eram bem aceitas e destinadas a expiar a culpa da qual ela nascera, ali mesmo onde foi cometida; em sua solidão se consolava na recitação do Rosário ou da coroa de Salmos e de orações por ela compostas.
     Uma vez libertada, ela voltou a ser atormentado pelo diabo com flagelações, vômitos incontroláveis ​​e outros sofrimentos estranhos que ela suportava com grande paciência, o que convenceu as Irmãs de suas virtudes. Finalmente, em 25 de março de 1465, foi admitida à profissão solene e, como era o costume da época, dois anos depois lhe foi dado o véu negro da Ordem Beneditina.
     Sua vida não foi muito longa. Ela tinha sido muito bonita, mas as possessões diabólicas, as doenças e as penitências a tinham reduzido a um esqueleto vivo; os últimos anos da sua vida foram passados ​​principalmente na cama, doente, absorta em oração e meditação sobre a Paixão de Jesus.
      Morreu no dia 13 de fevereiro de 1469 com a idade de 25 anos; o seu fim foi tão sereno, que seu rosto pode recuperar a sua beleza antiga; algumas horas antes o demônio finalmente a tinha deixado em paz.
     Eustóquia é o único exemplo conhecido de uma fiel que chegou à santidade embora ao longo de sua vida estivesse possuída pelo demônio. Quatro anos após sua morte, seu corpo foi exumado do túmulo original, o qual começou a encher-se de água puríssima e milagrosa, que deixou de surgir apenas quando o mosteiro foi suprimido.
     Em 1475 o corpo foi levado para a igreja, e desde 1720 foi colocado em uma arca de cristal. O mosteiro de São Prosdócimo foi supreso em 1806 e o corpo da Beata beneditina foi transferido para a Igreja de São Pedro, sempre em Pádua. Sobre o altar de mármore que contém o seu corpo, se encontra o retábulo de Guglielmi representando a Beata enquanto pisa o demônio.
     Em 1760, o Papa Clemente XIII, que já fora Bispo de Pádua, confirmou o seu culto na cidade de Pádua e, em seguida, em 1767, estendeu-o a todos os Estados da República Vêneta.
     Sua festa religiosa, ainda hoje comemorada em toda a diocese de Pádua, é no dia 13 de fevereiro.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Santa Heloisa (Elisa, Helvisa), viúva e reclusa - 11 de fevereiro


Ruínas da Abadia de Coulombs
     Heloisa etimologicamente significa "guerreira ilustre", proveniente de Ludwig (masculino) na língua alemã, como Luís, do qual é o feminino, derivado do franco Chlodowech (Clodoveo); no inglês é Lewis, no italiano Luigi, no latim Helvisa.
     Pertencente a uma família nobre francesa, Heloisa foi esposa do Conde Ugo de Meulan, chamado o "Cabeça de ursa", do qual entretanto bem cedo ficou viúva.
     Religiosíssima e de grande piedade, doou uma considerável parte dos bens herdados do esposo à abadia beneditina de Notre-Dame de Coulombs (perto de Nogent-le-Roi, na diocese de Chartres). O abade Berengário recebeu dela em 1033 as duas igrejas paroquiais de Lainville e de Montreuil-sur-Epte, com as rendas respectivas e metade das terras anexas, como resultado do ato de cessão confirmado naquele mesmo ano pelo Conde Galerano de Meulan, o qual tinha aquelas igrejas como feudo.
     Tendo também perdido o segundo marido, Heloisa decidiu renunciar ao mundo para sempre, resolvendo levar uma vida religiosa na mesma Abadia de Coulombs, para a qual doou, sem levar em conta a herança para seus próprios familiares, filhos de seu irmão Erluino, as terras e a igreja de Anthieux, na diocese de Evreux. O Duque da Normancia, Guilherme, confirmou a possessão daquelas terras aos monges somente em 1066, quando os bens foram restituídos à abadia de Ricardo, sobrinho de Heloisa, que as havia reivindicado depois da morte da tia, ocupando-as a força.
     Heloisa mandou construir uma pequena habitação junto à igreja da Abadia de Coulombs, onde se recolheu para sempre, vivendo santamente e permanecendo ali até o dia da sua morte, ocorrida antes de 1060, com a fama de santidade.
     Mabillon indica o 10 de fevereiro, festa de Santa Escolástica, como o dia do seu feliz trânsito, que foi na realidade em 8 de janeiro, como claramente se pode verificar no obituário da Catedral de Chartres, onde se pode ler: "VI idus Januarii. Obiit Helvisa santissime memorie reclusa".
     Já no século XVII se perdera qualquer traço do túmulo de Santa Heloisa, da qual, todavia, se conservava ainda o crâneo entre as outras relíquias protegidas no tesouro da abadia. A sua festa é celebrada em 11 de fevereiro. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Santa Cointa, Virgem e Mártir - 8 de fevereiro

     Cointa (Coynta ou Quinta), pertence ao grupo que o Martirológio de Floro menciona em 20 de fevereiro com o título geral de "os Mártires de Alexandria".
     A fonte de informação de Floro é o historiador Eusébio, mas segundo ele, o escritor de "Vetus romanum" (ou seja, Adón) distribuiu por sua conta os mártires do grupo em muitos dias do ano. Assim, encontramos Metras ou Metrano em 31 de janeiro, encontramos Cointa e depois encontraremos Apolônia ou Apolila.
     Segundo Adón, o Martirológio Romano menciona o nome de Cointa no dia 8 de fevereiro, com uma nota manifestamente inspirada em Eusébio ("Hist. Eccl.", L.6, c. 41). O mesmo nome aparecia um pouco mudado em outras datas, por exemplo, Greven também nomeia Tonita ou Cointa, virgem e mártir da Alexandria, no dia 15 de janeiro. Em outro lugar, Cointa figura no dia 21 de agosto, como “nobre de Alexandria”.
     O célebre historiador eclesiástico Eusébio de Cesaréia cita uma carta do Bispo de Alexandria, São Dionísio, a Fabiano, Bispo de Antioquia, sobre o derramamento de sangue de muitos mártires em Alexandria do Egito, sob o Imperador Décio. A passagem de Eusébio é um extrato daquela carta que narra os combates heroicos dos mártires naquela cidade durante a perseguição de Décio.
     "Os perseguidores - diz a carta - conduziram uma mulher cristã, que se chamava Quinta, ao templo pagão e queriam forçá-la a adorar os ídolos. Ela, porém, teve horror a isto e resistiu, dando-lhes as costas. Então ataram seus pés a um cavalo arrastando-a pelos pavimentos ásperos de toda a cidade, fazendo-a bater contra grandes pedras. Não satisfeitos que as pedras agudas dos caminhos tivessem maltratado o seu corpo, golpearam-na com umtego. Finalmente, voltando ao templo, mataram-na sob uma chuva de pedras no mesmo local em que mataram Metrano”.
     Seu martírio ocorreu no ano 249 d.C. Venerada como uma santa mártir, sua comemoração no dia 8 de fevereiro é relatada ainda hoje pelo Martirológio Romano

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Santa Alice (Adelaide) de Vilich, Abadessa - 5 de fevereiro

     Alice (ou Adelaide) nasceu por volta de 960, provavelmente no castelo de Geldern, na Alemanha. Era filha de Megengose, Conde de Guelder. Foi entregue às canonesas de São Jerônimo, do Mosteiro de Santa Úrsula, em Colônia, para ser por elas educada, onde se destacou no estudo e na piedade inata.
     Seu irmão Godofredo morreu durante a guerra contra os Boemianos, em 977, e os pais destinaram a quota da herança que lhe pertencia à construção de um mosteiro de canonesas em Vilich, perto de Bonn, designando como primeira abadessa Alice. Apesar de sua pouca idade, ela se mostrou à altura da tarefa, promovendo no convento o estudo e as obras de piedade.
     Após a morte de sua mãe (994), Alice decidiu introduzir a Regra de São Bento na comunidade, e depois de tê-la experimentado pessoalmente por um ano inteiro, se colocou sob a direção do mosteiro beneditino de Santa Maria in Capitólio, de Colônia, onde sua irmã Bertranda era abadessa.
     Por volta de 1000 sua irmã morreu e Alice foi colocada pelo Bispo de Colônia, Santo Eriberto, com o consentimento do imperador Oto III, à direção do mosteiro de Colônia.
     Na direção dos dois mosteiros ela se destacou pela grande prudência, energia na tomada de decisões e caridade para com os pobres; a eles destinou certos rendimentos permanentes do mosteiro de Vilich. Fazia questão que suas monjas soubessem latim para seguirem os Ofícios do coro apropriadamente.
     A Santa tinha dons místicos e graças à sua intercessão ocorreram milagres. Santo Eriberto a respeitava muito e a consultava em todas as dificuldades.
     Ela morreu em Colônia, em 5 de fevereiro de 1015, e seu corpo, a seu pedido, foi sepultado no claustro do mosteiro de Vilich; foi posteriormente transferido para a igreja do mosteiro devido o grande número de peregrinos que vinham rezar em seu túmulo, perturbando a tranqüilidade do claustro.
     O culto de Santa Alice (Adelaide) de Vilich começou imediatamente após a sua morte e teve grande difusão, também chegando à França onde ela era conhecida apenas pelo nome de Alice. Sua festa é celebrada em 5 de fevereiro.
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      O nome Alice curiosamente vem da mesma base que deu origem ao nome Adelaide. Athalaid é o nome alemão, mas tornou-se Alis em francês antigo, latinizado depois para Alicia, nome que mais tarde foi tomado pelos ingleses e se transformou em Alice, sendo em seguida re-exportado para a França e a Itália.
     O nome remonta mesmo ao grego "alyké", que significa "mar". Foi generalizado após o sucesso de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, pseudônimo do escritor inglês Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898).
     No campo cristão, Santa Alice (Adelaide), abadessa de Vilich, é lembrada a 5 de fevereiro, enquanto uma pequena citação é encontrada em 13 de junho em memória de Santa Alice de La Chambre, que morreu em 1250, de quem infelizmente não temos informações: deve tratar-se da devoção a uma figura local, que nem sequer é mencionada no Martirológio Romano, o texto oficial dos santos e beatos da Igreja Católica.
 
Fonte: Acta Sanctorum, fevereiro, vol. 1, pp. 721.727, onde se encontra sua vida, escrita por Bertranda, uma monja sua contemporânea - cf. DHG., vol. 1, c. 517.