sexta-feira, 29 de março de 2013

Santa Osburga de Coventry, Abadessa - 30 de março

    
     O primeiro núcleo do que é hoje a cidade de Coventry, Inglaterra, foi o mosteiro governado pela abadessa Santa Osburga. O mosteiro foi destruído pelos vikings e reconstruído em 1043 como um mosteiro masculino pelo Conde Leofrico e sua esposa Godiva. Desenvolveu-se em um grande mosteiro e na Catedral de Coventry - a única catedral destruída pelo rei Henrique VIII durante a sua separação da Igreja Católica.
     O local à esquerda da Igreja da Santíssima Trindade, em Broadgate, foi cuidadosamente preservado pela cidade. Há alguns restos dos outros mosteiros destruídos na Reforma de Henrique VIII, conhecida como a dissolução: o mosteiro carmelita (fundado em 1342); o Priorado da Cartuxa de Santa Ana, fundado em 1381; e o Mosteiro Franciscano, do qual apenas a torre ainda existe na Rua New Union.
     Não se tem detalhes da vida desta Santa, embora sua existência não é posta em dúvida pelos estudiosos. O tempo exato em que viveu é controverso: de acordo com alguns a data de sua morte seria em torno de 1018, enquanto outros estudiosos dizem que ela teria vivido no século VII.
     Estudos recentes têm argumentado que o rei dinamarquês Canuto teria fundado o convento de Coventry, colocando Osburga como a primeira abadessa. Esta versão, no entanto, é estranha, porque foram os dinamarqueses que em 1016 destruíram o mosteiro. Mas, o certo é que em 1043 um mosteiro masculino foi construído no mesmo local e dedicado a Santa Osburga, o que nos sugere que o culto a esta Santa era já algo bem estabelecido.
     Na igreja abacial o túmulo de Osburga se tornou um foco de grande devoção popular na Idade Média. Ocorreram tantos milagres por sua intercessão que, em 1410, o clero e os fiéis de Coventry pediram ao bispo para oficializar uma celebração em sua homenagem. Desde então, a festa da Santa foi observada ao longo dos anos na Arquidiocese de Coventry.
     Durante o renascimento do Catolicismo Inglês no século XIX, a primeira igreja construída em Coventry, pela vontade do Arcebispo Ullathorne foi dedicada a Santa Osburga. Em 9 de setembro de 1845 o novo edifício sagrado pode ser consagrado ao culto divino pelas mãos do Cardeal Wiseman, e neste dia do ano a Santa ainda é lembrada no calendário diocesano, a fim de evitar conflito com a Quaresma. No Martirológio Romano ela continua a ser comemorada no dia 30 de março.
Ruinas do priorado do séc. XII
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Beata Renata Maria Feillatreau, Mártir da Rev. Francesa - 28 de março

     Renata Maria Feillatreau (nome de casada Dumont), nascida em 8 de fevereiro de 1751, leiga viúva, que no trágico tempo da Revolução Francesa, diante do tribunal manifestou o desejo de antes morrer pelo nome de Jesus do que renunciar à religião católica.
     Ela foi guilhotinada no dia 28 de março de 1794. Faz parte do grupo de 99 mártires da diocese de Angers (Maine-et-Loire), França, beatificados por João Paulo II, em 19 de fevereiro de 1984, por terem escolhido permanecer firmemente ligados à Igreja Católica, colocando a vida em risco, e que foram guilhotinados por permanecerem resolutos em sua fé inquebrantável.

domingo, 24 de março de 2013

Beata Maria Rosa Flesch, Fundadora - 25 de março

     A Beata Maria Rosa Flesch nasceu no dia 24 de fevereiro de 1826 em Shönstatt, localidade situada próximo de Vallander, às margens do Rio Reno, onde seus pais, Jorge Flesch e Inês Breitbach, viviam da modesta produção de um moinho. No batismo recebeu o nome de Margarida.
     O nascimento de suas duas irmãs, Mariana e Cristina, obrigou o pai a procurar um trabalho de moleiro mais rentável, que encontrou em Urbach, nas proximidades de Unkel. Foi a primeira mudança de uma série que levaria a família Flesch a se estabelecer definitivamente no belo vale da torrente Focken, em Niederbraitbach, para administrar um moinho. Em 1832, uma grave perda afetou toda a família: a morte prematura da mãe.
     Jorge Flesch, não podendo educar sozinho suas três filhas pequenas, se casou com Helena Richarz, uma viúva com um filho nascido de seu matrimônio anterior. O caráter duro e difícil de Helena se converteu logo na causa de sofrimento para as três pequenas. Da nova união nasceram outros dois filhos. Margaria, a primogênita, se pôs a disposição da família com um senso de responsabilidade superior a sua idade, encontrando só no pai algum apoio e consolo.
     Enquanto isto, o dom da fé ia se arraigando cada vez mais em sua alma, até o ponto de sustentar com alegria as primeiras provas difíceis da vida. Frequentava de bom grado a paróquia e se recolhia longamente em oração. Um dia, quando tinha apenas sete anos, notou pela primeira vez na igreja um quadro que representava os estigmas de São Francisco. Esse episódio de La Verna ficou vivamente gravado na alma de Margarida, que desde então começou a cultivar uma devoção sincera e confiante ao Poverello de Assis.
     Na idade de 14 anos, Margarida foi admitida à Primeira Comunhão. Foi um dia de graça particular. Passou toda a tarde diante do sacrário, degustando a intimidade com Nosso Senhor. Desde então, passou a assistir a Santa Missa todos os dias e recebia a Sagrada Comunhão.
     Em 2 de abril de 1845, seu pai faleceu, deixando seus seis filhos e sua viúva na miséria. Margarida, que tinha 16 anos, não desanimou, e para ajudar a família trabalhou como costureira, bordadeira e recolhedora de ervas medicinais, enquanto a madrasta levava uma vida pouco decorosa. Teve boas propostas de casamento, porém recusou todas porque compreendeu que Jesus havia aceitado seu propósito, manifestado já em menina, de permanecer virgem.
     Com resultado de seu duro trabalho, conseguiu comprar, em 1851, o moinho em que a sua família vivia há algum tempo, no vale de Niederbraitbach. Seus irmãos já eram maiores e independentes. Finalmente, podia se entregar de cheio aos pobres, aos velhos e aos órfãos. Na solenidade de Todos os Santos daquele ano se mudou para uma ermida anexa à capela da Santa Cruz, um ambiente propício para o recolhimento e a oração.
     Em 1856, o Senhor lhe mandou sua primeira companheira, Margarida Bonner, e, pouco depois, a segunda, Gertrudes Beisel. Era imprescindível encontrar uma casa para os órfãos e um hospital para os doentes. Em 1861, em meio a muitas dificuldades e incompreensões, começou uma nova construção no alto do monte situado atrás da capela da Santa Cruz.
     Em 13 de março de 1863, o bispo de Tréveris aprovou a nova fundação e admitiu à tomada de hábito religioso Margarida e suas companheiras. Margarida tomou o nome de Irmã Maria Rosa. Sob sua direção iluminada, a nova família religiosa recebeu desde o primeiro momento um grande impulso, com a abertura de novas casas às margens do Reno, na região de Eifel, Vestefália. Em 1869, o bispo de Tréveris aprovou a Regra e as Constituições do novo Instituto das Religiosas Franciscanas de Santa Maria dos Anjos, assim chamadas em honra a Porciúncula de Assis.
     A generosidade e a abnegação das religiosas se mostraram sobretudo na dolorosa circunstância da guerra franco-prussiana, em 1870. Mais de cinquenta religiosas, quer dizer, quase a metade dos membros do Instituto, com a fundadora à frente, se dedicaram à assistência aos feridos e moribundos, colocando suas vidas em perigo. Doze delas morreram realizando essa obra de caridade. No fim da guerra, muitas religiosas foram condecoradas. Madre Maria Rosa, que tinha ido até a frente de batalha e havia sido ferida no ombro por uma bala, recebeu uma das maiores condecorações: a «Verdienstkreuz».
     Contudo, o Senhor quis provar Madre Maria Rosa com a cruz e a humilhação: no capítulo geral de 1878, a Beata entregou seu mandato à superiora geral; em seu lugar elegeram Irmã Agata Simons, secretária geral. A nova superiora geral perseguiu sem motivo a Beata e transferiu-a para a casa mais distante, em Niederwenigern, onde lhe deram uma cela sem janelas e a trataram como a última das convertidas.
     Madre Maria Rosa aceitou a humilhação com plena obediência e perfeita submissão, perdoando repetida e explicitamente aqueles que lhe causavam essa prova. Ela suportou estas humilhações durante vinte e oito anos. Com seu comportamento humilde e heroico, foi a luz do Instituto. Faleceu no dia 25 de março de 1906, depois de receber com grande devoção os santos sacramentos. Foi beatificada em 24 de maio de 2008.
 
Fonte: L´Osservatore Romano, edição semanal em língua espanhola, de 13-VI-08.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Beata Anunciata Cocchetti, Fundadora - 23 de março

     Fundadora das Irmãs de Santa Doroteia de Cemmo, Anunciata Cocchetti nasceu em Rovato (Brescia) no dia 9 de maio de 1800; aos sete anos ficou órfã e foi a avó paterna quem cuidou dela, não deixando faltar-lhe amor e carinho, educando-a para altos ideais.
     Foram seus diretores e guia espirituais no crescimento humano e cristão os padres da paróquia e em particular o Pe. Luca Passi. Aos 17 anos Anunciata abriu uma escola para meninas pobres da cidade em sua casa. Aos 22 anos formou-se professora tornando-se a primeira professora de Rovato. Naquele tempo teve oportunidade de conhecer Santa Madalena de Canossa, com a intenção de realizar a idéia de abrir uma casa de sua congregação na área de Brescia. Madalena intuiu que a jovem Anunciata estava destinada a um caminho diferente e lhe predisse.
     Em 1824, quando Anunciata tinha 24 anos, sua avó morreu e o tio Carlos, tutor dos outros três irmãos órfãos, um homem de negócios e de política, quis que Anunciata também se juntasse a ele em Milão, onde permaneceu por seis anos, cultivando a ideia de um bom casamento para ela, procurando assim dissuadi-la de suas inclinações religiosas.
     Mas Anunciata, ganhando novas experiências, não renunciou à sua vocação que era cada vez mais evidente, uma vez que ela foi convidada por Santa Madalena de Canossa para ingressar entre suas filhas.
     Em 1831, ela deixou Milão e foi para Cemmo em Valcamonica, então pequena e desconhecida região, sempre seguindo a orientação do Pe. Luca Passi. Ali havia uma escola aberta pela nobre Erminia Panzerini que, desde 1821, com algumas mulheres piedosas, dirigia no espírito da Obra de Santa Doroteia, mas a instituição não teve sucesso.
     Anunciata Cocchetti se dispos a ajudar a Sra. Panzerini como professora, aumentando as iniciativas escolares e de assistência às jovens.
     Ela se tornou uma fiel colaboradora e durante 10 anos foi obediente e diligente junto a diretora da escola, que amou e estimou, apesar das profundas diferenças de temperamento e mentalidade; tornou-se mãe e mestra de todas as meninas do vale, desejosas de instrução e de educação.
      Em 1842, a Sra. Panzerini morreu e ela se sentiu livre para a vida religiosa; se mudou para Veneza vestindo o hábito religioso das Irmãs de Santa Doroteia, recém-fundado pelo Pe. Luca Passi; em outubro do mesmo ano ela voltou para Cemmo com outras duas religiosas praticamento fundando o Instituto, proferindo os votos religiosos em 1843.
     Por 40 anos, ela foi a apóstola de Valcamonica, uma mulher de grande espiritualidade prática e forte, de sublime espírito de oração, de piedade eucarística e zelo pela salvação da juventude.
     Todos os domingos, qualquer que fosse o tempo, Madre Anunciata visitava a pé as paróquias das regiões vizinhas: esperavam-na as animadoras da Obra de Santa Doroteia e, todas juntas, colaboravam ativamente no apostolado das paróquias.
     Embora trabalhando no espírito da Obra de Santa Doroteia, da qual foi convicta apóstola em todo o Vale, imprimiu em seu instituto uma fisionomia própria, instituindo, desde 1853, em Cemmo, um noviciado próprio, desenvolvendo-o de forma independente e difundindo-o até mesmo fora da Itália.
     Às suas filhas deixou o exemplo de uma vida cheia de fé viva, de oração, de zelo operoso, dizendo-lhes: “Amai-vos como boas irmãs... tornai-vos santas, trabalhando muito bem com as jovens a vos confiadas".
     Madre Anunciata faleceu aos 82 anos, no dia 23 de março de 1882; seu corpo descansa desde 1951 em Cemmo, na casa santificada pela sua presença.
     Ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em 21 de abril de 1991.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Beata Sibilina Biscossi, Domenicana - 19 de março

     A Beata Sibilina Biscossi, nasceu em Pavia em 1287, e era órfã de pai e mãe. Nascida na honrada família Biscossi, desde os primeiros anos demostrou grande inclinação à piedade. Apenas teve forças para trabalhar, foi colocada a serviço. Aos doze anos, atingida por uma dolorosa enfermidade, ficou totalmente cega. Se bem que a menina aceitasse com resignação a dolorosa prova, não cessou de rogar a Deus a recuperação da visão, tão necessária a ela que tinha que conseguir o pão de cada dia com o trabalho de suas mãos.
     Um dia, enquanto rezava assim, o Santo Patriarca Domingos lhe apareceu, e lhe mostrou uma luz tão maravilhosa, que a fez desejar para sempre aquela luz e nenhuma outra coisa deste mundo. A Beata compreendeu que a sua cegueira podia ser luz e orientação para os outros. E assim, com quinze anos, vestindo o hábito da Ordem Terceira, e inflamada de um amor santo, se retirou em uma ermida junto à igreja dos Frades Pregadores, iniciando uma vida que podemos definir como heroica. Mais heroico ainda foi perseverar nela por 67 anos, sem jamais abandonar a sua cela: ali permaneceu dos 15 aos 80 anos, na mais severa penitência, vestindo no verão e no inverno o mesmo hábito, comento escassamente e dormindo sobre uma mesa de madeira, sem enxergão e sem coberta.
     Visitada por prelados e potentados, por devotos e descrentes, ela foi a Sibila cristã que respondia a todos os pedidos de conselho e de conforto. Era o olho luminoso de toda a cidade de Pavia, que reconhecia na cega vidente uma mestra de espírito.
     Com coração de mártir suportou as trevas da cegueira, a solidão completa, os rigores e uma severa penitência. Mas o segredo de tanta coragem era sua amorosa contemplação do Crucifixo. Nele ela adquiriu também a sabedoria celeste que a tornou mestra e consoladora de inumeráveis almas que acorriam a ela à procura de luz e de consolação.
     A hora de sua morte lhe foi revelada, e ocorreu no dia 19 de março de 1367, na veneranda idade de oitenta anos, cercada pelos religiosos da Ordem, que a assistiram na hora suprema.
     Foi ilustre pelos milagres. O seu corpo está sepultado na catedral de Pavia. O Papa Pio IX confirmou o seu culto em 17 de agosto de 1854.
     A Ordem Dominicana a recorda no dia 18 de abril.
 
Etimologia: Sibilina (diminutivo de Sibila) = que da a conhecer a vontade de Deus, do grego.

domingo, 17 de março de 2013

Santa Gertrudes de Nivelles, Abadessa - 17 de março

     Santa Gertrudes nasceu em 626. Era filha caçula de Pepino de Landen, nobre de grande poder no Brabante, prefeito do palácio nos reinados de Clotário II, Dagoberto e Sigeberto, e avoengo de Carlos Magno. A Beata Ida (ou Ita) d'Aquitânia era sua mãe. Sua irmã, Santa Begga, casou-se com o filho mais velho de Arnolfo de Metz, e tornou-se abadessa de Andenne após a morte do esposo.
     Desde cedo Gertrudes devotou-se à oração, afastava-se das festas e dedicava-se ao estudo, sendo muito culta. Quando tinha cerca de 10 anos de idade seu pai convidou o Rei Dagoberto e alguns nobres para um banquete. Naquela ocasião, ela foi pedida em casamento para o filho do Duque da Austrásia. Com decisão ela respondeu que não o desposaria, nem tão pouco qualquer outro homem, pois somente Jesus Cristo seria o seu Esposo.
     Com a morte de Pepino em 639, e seguindo o conselho de Santo Amando, Bispo de Maastrich, Ida transformou seu palácio de Nivelles em um mosteiro, onde ela e sua filha Gertrudes se consagraram a Deus. Gertrudes recebeu o véu de virgem consagrada das mãos do próprio Bispo de Maastrich. O mosteiro seguia a regra de São Columbano, o grande precursor dos monges evangelizadores irlandeses, e tornou-se famoso por sua hospitalidade aos peregrinos.
     Ida e Gertrudes tornaram-se grandes amigas de dois santos irlandeses, os irmãos São Follian e São Ultan, quando eles se hospedaram no mosteiro como peregrinos. Eles estavam indo de Roma a Peronne, onde o irmão deles, São Furseus, estava enterrado. Talvez esses monges as tenham influenciado a acolher uma comunidade masculina ao lado do mosteiro feminino, tornando-o assim um mosteiro duplo submetido à autoridade única da abadessa.
     Alguns autores mencionam que Ida foi abadessa até sua morte (652), sendo eleita Gertrudes, então com vinte anos, para substituí-la. Outros acreditam que Gertrudes foi a primeira abadessa, tendo sido assistida pela mãe, que preferira ser uma simples monja.
     O certo é que Gertrudes delegara a alguns monges virtuosos a administração do mosteiro, pois ela queria se dedicar à oração, às penitências e ao estudo das Sagradas Escrituras, que ela sabia quase de cor. Ela também reservara para si a tarefa de instruir monges e monjas, torná-los mais motivados na Fé e mais preparados para a difusão dos ensinamentos da Santa Igreja.
     Com a aprovação de Grimoaldo, irmão de Gertrudes, terras em Fosses, local não distante de Nivelles, foram doadas aos dois irlandeses para que fundassem um outro mosteiro. A direção do novo mosteiro foi dada a São Ultan. O Brabante foi evangelizado por aquela comunidade.
     Os dois mosteiros - Nivelles e Fosses - tinham uma ligação estreita. São Follian ia regularmente a Nivelles para ali celebrar o Ofício e instruir as duas comunidades. Em 31 de outubro de 655, retornando de uma dessas visitas, ele foi assassinado com seus companheiros. Gertrudes guardou relíquias dele antes que levassem seu corpo para Fosses, gesto que demonstrava seu interesse em promover o culto a São Follian em Nivelles.
     Gertrudes iniciara com vigor um grande processo de reformulação do mosteiro, chamando da Irlanda monges teólogos, os mais versados nas Sagradas Escrituras, e enviando pessoas a Roma para prover a comunidade de livros litúrgicos e culturais, ampliando muito a biblioteca da comunidade. Empregou toda a fortuna deixada pela mãe na construção de igrejas, mosteiros e hospitais. A missão de Gertrudes se tornara uma luta para a difusão da doutrina católica através da instrução. Isto significou um enorme esforço de sua parte, pois era uma época de ignorância e superstições, em que muitos ainda eram pagãos. Um eclipse da lua, por exemplo, era considerado um fenômeno sobrenatural e aterrorizava os camponeses, mesmo os já instruídos na fé cristã.
     Devota de Jesus Crucificado e de Maria Santíssima, ela fazia sacrifícios pelas almas do purgatório, que lhe apareciam durante as orações sob a forma de ratos negros que se tornavam dourados, simbolizando sua salvação pela Misericórdia de Deus. Ela comentava essas visões com as monjas, estimulando as preces por essas almas abandonadas.
     Por causa dessas visões, na arte sacra ela é sempre representada com um rato ao seu redor, como uma abadessa com camundongos a seus pés, como uma abadessa com camundongos correndo em seu manto, ou ainda, segurando o báculo e com um gato junto dela. Os devotos ainda hoje a invocam contra as invasões de ratos e o medo que eles provocam.
     Entretanto, o que mais a destacava era a sua profunda capacidade de compreender os anseios das almas. Gertrudes se revelou uma eficaz pacificadora: usando sua respeitabilidade, por nascimento e por sua crescente fama de santidade, atuava para acabar com as intermináveis guerras locais entre as famílias senhoriais. Suas palavras, dotadas de sabedoria e de autoridade, as persuadiam à conciliação. As guerras pacificadas representavam alívio para o povo exposto aos saques, incêndios, sequestro de reféns, tudo seguido de anos de miséria.
     Devido aos contínuos jejuns e penitências, aos 32 anos Gertrudes sentia-se tão fraca, que resolveu abdicar de seu cargo. Após consultar monges e monjas, ela indicou sua sobrinha, Santa Vilfetrudes, como sua sucessora, em dezembro de 658.
     Um dia antes de sua morte, ela enviou um dos monges à procura de São Ultan para perguntar se Deus lhe havia comunicado a hora de sua morte. O Santo respondeu que ela morreria no dia seguinte, durante a Santa Missa. A profecia se concretizou.
     Santa Gertrudes morreu em Nivelles, no dia 17 de março de 659, aos trinta e três anos. O seu corpo foi sepultado em uma capela. Ela, que já em vida era admirada por sua santidade, foi imediatamente venerada como Santa.
     Inês, a terceira Abadessa de Nivelles, mandou construir uma igreja em sua honra. Ela se tornaria depois basílica, sempre restaurada e reconstruída através dos séculos.
     Alguns anos após a morte de Santa Gertrudes, um monge seu contemporâneo escreveu sua "Vida", cuja autenticidade é reconhecida por todos os historiadores. Há dois textos redigidos - um em 691 e outro após 783 - relatando os milagres que eram obtidos pelo contato de suas relíquias: curas, ressurreição de uma criança afogada, extinção de um incêndio... Santa Gertrudes é mencionada no Martirológio de São Beda.
     Já no século XIII havia uma procissão em que suas relíquias eram transportadas em uma caixa de prata feita em 1296, uma verdadeira joia da ourivesaria francesa. Esse precioso relicário do século XIII foi destruído em 1940, num bombardeio que atingiu a basílica que o guardava e muitas casas de Nivelles.
     As preciosas relíquias, que puderam ser recuperadas, desde 1982 repousam num relicário feito pelo artista Félix Roulin.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Santa Lucrécia de Córdoba, Virgem e mártir - 15 de março

     Santa Lucrécia viveu em Córdoba quando esta era uma cidade moura e a conversão de um seguidor do Islã significava pena de morte. Os pais de Lucrecia eram ricos e influentes maometanos. Lucrecia fora convertida por uma parenta de nome Liliosa e fora batizada.
     Vivia também em Córdoba Santo Eulogio, varão famoso por sua sabedoria, sua cultura cientifica e teológica, seus dotes de prudência, e, quando era preciso, seu arrojo e valentia. Eulógio talvez seja a vítima mais célebre da invasão da Espanha pelos árabes vindos da África ao longo dos séculos VIII ao XIII.
     A ideia de um Deus que se entregara à morte por amor, com um amor de benevolência, quer dizer, amor de gratuidade absoluta, fascinava Lucrécia. Querendo instruir-se ainda mais no cristianismo, foi à procura do Santo.
     Santo Eulógio se encarregou de sua educação cristã com todo carinho. Sabia ao que se expunha com este trabalho de catequista. Porém nunca teve medo. Estava consciente de que os pais de Lucrecia se oporiam a que ela deixasse a religião muçulmana.
     Não tardou que os pais de Lucrécia percebessem seus novos hábitos e ela viu que não podia viver com eles, porque tornavam sua vida impossível; mudou-se então para a casa de Santo Eulogio, que a recebeu com grande caridade. Como ele tinha muitas ocupações pastorais, entregou-a aos cuidados de sua irmã Anilona.
     Os pais de Lucrécia procuraram pela filha, cujo desaparecimento já haviam denunciado aos juizes. Em consequência, houve um grande alarido, seguido de prisão e interrogatório de todos os cristãos suspeitos de terem ligação com ela.
     Lucrécia foi passando de uma família cristã para outra, enquanto Santo Eulógio visitava-a de tempos em tempos a fim de instruí-la melhor e fortalecê-la para o desenlace que a aguardava. Lucrécia empregava seu tempo em orações, jejuns e penitência.
     Um dia, enfim, Lucrécia decidiu fazer uma visita a Eulógio e a sua irmã; recebida com grande afeto, passou com eles a noite, pensando retornar ao seu esconderijo antes que se fizesse dia. Mas devido ao atraso da pessoa que a devia acompanhar, teve que esperar algumas horas. Enquanto isso, alguém denunciou aos juizes a presença de Lucrécia na casa de Eulógio. A habitação foi logo cercada pelos soldados que levaram todos os moradores diante do juiz.
     Perguntado por que escondera Lucrécia, Santo Eulógio respondeu: “Recebi a missão de pregar, e para mim é um dever sagrado ajudar os que buscam a luz da fé. A ninguém que procure, recuso-me a mostrar o caminho da vida. O que fiz por ela, teria feito por ti, se me tivesses pedido”. Eulógio foi condenado, açoitado e morto.
     Quanto a Lucrécia, o juiz procurou convencê-la de todos os modos a apostatar da fé católica. Como ela se negasse a abjurar do catolicismo, quatro dias após a morte do Santo, dia 15 de março de 859, açoitaram-na, decapitaram e a lançaram no Rio Guadalquivir.
     Os despojos de Lucrécia lançados no Guadalquivir milagrosamente permaneceram flutuando e os católicos puderam recolhê-los e sepultá-los na Basílica de São Genésio, na mesma cidade de Córdoba, ali permanecendo até 883.
     Naquele ano, um sacerdote toledano, Dulcídio, legado do Rei Afonso III o Grande, conseguiu transferir seus restos mortais, bem como os de Santo Eulógio, para Oviedo, onde foram solenemente recebidos pelo rei e pelo Bispo Ermenegildo com seu clero. Os despojos em ataúdes de cipreste foram colocados sob o altar da capela de Santa Leocádia, no dia 9 de janeiro de 884, data em que se celebrava esta transladação na Igreja de Oviedo.
     Finalmente, em 1300, após um milagre atribuído aos dois santos, suas relíquias foram de novo transferidas e colocadas em uma rica urna de prata. Algumas relíquias insignes de Santo Eulógio e de Santa Lucrécia retornaram a Córdoba e foram colocadas na Igreja de São Rafael, patrono da cidade, em 11 de abril de 1737.
     Na Acta Sanctorum, março, vol. II, consta um breve relato sobre Santa Lucrécia.