segunda-feira, 29 de abril de 2013

Beata Paulina von Mallinckrodt, Fundadora - 30 de abril

    
     Paulina von Mallinckrodt nasceu no dia 3 de junho de 1817 em Minden, Vestefália. Era a filha mais velha de Detmar von Mallinckrodt, de religião protestante e alto funcionário do governo da Prússia, e de sua esposa, a Baronesa Bernardine von Hartmann, de religião católica, nascida em Paderborn.

     Desde pequena absorvia com avidez a formação dada por sua mãe com amor. Dela herdou uma fé profunda, um grande amor a Deus e aos pobres, e uma férrea adesão à Igreja Católica e a seus pastores. Herança paterna: a firmeza de caráter, os sólidos princípios, o respeito aos demais e o cumprimento da palavra empenhada.
     Paulina passou parte de sua infância e de sua juventude em Aquisgrán, para onde seu pai fora trasladado. Quando contava 17 anos sua mãe faleceu e ela tomou a direção da casa e da educação de seus irmãos menores, Jorge e Hermann, e da pequena Berta. Cumprida sua tarefa, encontrava tempo e meios para se colocar ao serviço de tantos pobres que sofriam as consequências causadas pelas mudanças sociais, econômicas e técnicas de seu século. Em Aquisgrán, com suas amigas, cuidava dos doentes, das crianças e dos jovens.
     Aos 18 anos recebeu o sacramento da Confirmação e passou a assistir a Missa diariamente. Um pouco mais tarde, seu confessor lhe permitiu a comunhão diária, algo não frequente naquela época. Fruto da Crisma foi também a decisão de consagrar sua vida inteira ao serviço de Deus.
     Quando seu pai se retirou do serviço estatal e se instalou com sua família em Paderborn, Paulina continuou sua atividade caritativa. Convidava e entusiasmava senhoras e jovens a colaborar no cuidado de doentes pobres, mas acima de tudo lhe parecia mais necessária a educação e instrução das crianças pobres.
     Fundou um acolhimento para crianças cegas com o intuito de cuidar delas e de instrui-las. Sob o impulso da graça, organizou a Liga Feminina para o cuidado dos doentes pobres. Fundou um jardim da infância para atender às crianças das mães que trabalhavam fora de seu lar para ganhar o sustento da família. A fundação deste jardim da infância em 1840 foi uma ideia inovadora.
     Paulina ia até os casebres dos pobres para aliviar suas misérias; os ajuda, consola, exorta e reza com os enfermos, sem temer a sujeira ou os contágios: "Nunca encontrei uma pessoa como ela. É difícil descrever a imagem tão atraente e emotiva de seu viver em Deus", escreve em uma carta sua prima Berta von Hartmann.
     Em 1842, pouco depois da morte do Senhor von Mallinckrodt, confiaram a Paulina o cuidado de umas crianças cegas muito pobres. Ela as atendeu com a afabilidade que a caracterizava. E como Deus sabe guiar tudo segundo seus planos, foram as crianças cegas que deram origem a Congregação, porque diversas congregações religiosas admitiriam Paulina, mas não aos cegos.
     Monsenhor Antônio Claessen, após escutá-la com atenção e de rezar muito, fez Paulina compreender que era chamada por Deus para fundar uma Congregação. Em 21 de agosto de 1849, obtida a aprovação do Bispo de Paderborn, Monsenhor Francisco Drepper, Paulina com três companheiras funda a Congregação das Irmãs da Caridade Cristã, Filhas da Bem-aventurada Virgem Maria da Imaculada Conceição. Logo outros campos de atividade lhe são abertos: lares para crianças e escolas.
     Abençoada pela Igreja, a Congregação floresceu e se estendeu rapidamente na Alemanha; mas, como toda obra grata a Deus, teve que ser provada pelo sofrimento, a prova não tardou a chegar. Em 1871, o Chanceler von Bismark empreendeu uma dura luta contra a Igreja Católica. Uma após outra, Madre Paulina vê serem fechadas e expropriadas as casas da Congregação na Alemanha.
     Com seu profundo espírito de fé, ela vê a mão de Deus nesta perseguição religiosa. As casas da jovem Congregação foram confiscadas, as Irmãs expulsas, a fundação parecia chegar ao seu fim. Mas, justamente então produziu frutos.
     Na mesma época das perseguições na Alemanha chegaram muitos pedidos vindos dos Estados Unidos e da América do Sul para que as Irmãs fossem àquelas regiões ensinar as crianças alemãs. Paulina respondeu enviando pequenos grupos de Irmãs a Nova Orleans em 1873.
     Nos meses seguintes mais grupos de religiosas foram enviadas aos Estados Unidos e ela mesma fez duas longas viagens à América para constatar pessoalmente as necessidades do Novo Mundo, onde fundou em pouco tempo uma Casa Mãe em Wilkesbarre, Pensilvânia. As Irmãs abriram também casas nas arquidioceses de Baltimore, Chicago, Cincinnati, Nova York, Filadélfia, St. Louis e St. Paul, e na diocese de Albany, Belleville, Brooklyn, Detroit, Harrisburg, Newark, Sioux City e Syracuse.
     Em novembro de 1874, as primeiras religiosas chegaram à diocese de Ancud, no Chile, solicitadas por Monsenhor Francisco de Paula Solar. Uns anos mais tarde, dali partiriam para o Rio da Prata: em 1883, para Melo, Uruguai, e em 1905, para Buenos Aires, Argentina.
     Pelo fim da década de 1870, a perseguição religiosa na Alemanha terminou e as Irmãs puderam voltar da Bélgica para sua pátria, onde continuaram sua obra. A Congregação tinha crescido em número e em missões durante os anos de perseguição. Madre Paulina voltou a Paderborn depois de sua viagem a América em 1880.
     Poucos meses depois, Madre Paulina adoeceu gravemente e, para grande sofrimento das Irmãs, faleceu no dia 30 de abril de 1881. Ela foi beatificada em 14 de abril de 1985. 
Fonte: http://es.catholic.net/santoral/articulo.php?id=36482

sábado, 27 de abril de 2013

Santa Valéria, S. Vital e filhos, mártires de Ravena - 28 de abril

    
     São Vital teve uma vasta representação na arte: a ele é dedicada a Basílica de São Vital em Ravena, com seus magníficos mosaicos, e a igreja de mesmo nome em Veneza, onde ele é apresentado vestido como um soldado a cavalo levantando uma bandeira, com espada, lança e maça, instrumento do martírio de sua esposa Valéria. Ainda é dedicada a ele a igreja de São Vital em Roma, com afrescos narrando seu martírio.

     As primeiras informações que temos de Vital e Valéria estão contidas em um livreto escrito por Filipe, chamado 'servus Christi’, que apresentava os mais antigos grupos de vida cristã em Milão, e que foi encontrado perto da cabeça dos corpos dos mártires Gervásio e Protásio, encontrados por Santo Ambrósio, em 396.
     O livreto, além de narrar o martírio dos dois irmãos, também descreve o de seus pais, Vital e Valéria, e do médico Ursicino, natural de Ligúria, mas talvez trabalhando em Ravena, os quais viveram e morreram no século III.
     Vital era um oficial que acompanhou o juiz Paulino de Milão para Ravena. Quando a perseguição contra os cristãos começou, acompanhou e encorajou Ursicino condenado à morte, o qual, durante o trajeto ao local da execução, tinha ficado perturbado pelo horror de encontrar-se diante de morte violenta. Ursicino foi decapitado e enterrado decentemente por Vital, dentro da cidade de Ravena.
     Vital também foi preso e após ser submetido a várias torturas para fazê-lo apostatar do Cristianismo, o juiz Paulino ordenou que fosse jogado em um poço profundo e coberto com pedras e terra; assim, também ele se tornou um mártir de Ravena e seu túmulo perto da cidade tornou-se uma fonte de graça.
     Valéria, sua esposa, queria recuperar o corpo do marido, mas os cristãos de Ravena o impediram, então ela tentou retornar para Milão, mas durante a viagem encontrou um bando de idólatras que a obrigaram a sacrificar ao deus Silvano; ela recusou e foi espancada de forma tão violenta que, levada para Milão, morreu três dias depois.
     Seus filhos, Gervásio e Protásio, venderam todos os seus bens, dando o valor aos pobres e dedicaram-se às leituras sagradas, oração; dez anos mais tarde, eles também foram martirizados. O já citado Filipe foi quem cuidou do sepultamento dos irmãos mártires.
     Muitos estudiosos acreditam que a narrativa é em parte imaginativa, reconhecendo nos personagens mencionados outras figuras de mártires venerados em Milão e Ravena. A antiga Igreja de Santa Valéria, em Milão, destruída em 1786, para os estudiosos não era senão a “cella memoriae” da primitiva área do cemitério milanês dedicado precisamente à gens Valéria.
     Em todo caso, lengendário ou verdadeiro, a narração é documentada por monumentos famosos também de considerável antigüidade. A basílica de Ravena, consagrada em 17 de maio de 548, é dedicada não só a São Vital, como também a seus filhos Gervásio e Protásio, cujas imagens estão localizadas abaixo da lista dos apóstolos, enquanto um altar lateral é dedicado a São Ursicino.
     Nos mosaicos de Santo Apolinário Novo estão representandos todos os cinco personagens: do 11 ao 14º lugar, nas fileiras dos santos, estão os quatro homens; e na fileira das santas, no nono lugar está Valéria.
     Numerosos documentos e martirológios os nomearam ao longo dos séculos, especialmente Sao Vital e São Ursicino mártires em Ravena. Em Milão, surgiram as três igrejas que, devido à sua proximidade, confirmam a estreita relação dos mártires: como era costume então, construiram a igreja de Sâo Vital, a igreja de Santa Valéria (mais tarde destruída) e Santo Ambrosio, onde repousam os irmãos gêmeos Gervásio e Protásio. 
* * *
      Que este Santo Casal, como milhares de outros que durante séculos deram para a Santa Igreja filhos santos, interceda junto a Deus pela família tradicional ameaçada por leis iniquas. Na França, foi aprovada a lei Taubira na terça-feira passada, apesar de manifestações multitudinárias que vêm acontecendo desde que o governo Hollande resolveu implantar o “casamento” homossexual. Após a aprovação da lei, a despeito da total recusa da Opinião Pública francesa, os católicos continuam suas manifestações de repudio com vigílias, reza do terço etc. Os prefeitos se recusam a aplicar a lei, isto é, a fazer tais “casamentos”. Que Nossa Senhora e São José mantenham essa onda admirável de reação! 


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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Santa Franca de Piacenza, Abadessa - 25 de abril

    

     Franca Visalta (1170–1218) nasceu em Piacenza (Emilia), Itália. Tinha apenas sete anos quando entrou no convento beneditino de São Ciro de Piacenza para se educar.
     Aos 14 anos fez sua profissão religiosa, e, apesar de sua juventude, superava as outras religiosas em obediência, devoção e esquecimento de si mesma.
     Por ocasião da morte da abadessa, foi eleita para sucedê-la, porém a férrea disciplina imposta por ela produziu sua imediata substituição no cargo.
     Durante anos a santa teve que enfrentar calúnias, falsos testemunhos e graves provas interiores. Seu único consolo era uma jovem chamada Carencia; Franca persuadiu os pais da noviça a construir uma casa cisterciense em Montelana. Franca se tornou abadessa deste convento e manteve uma estrita norma e austeridade, porém depois de dois anos decidiu transladar suas monjas para o convento de Vallera e em seguida para Pittolo (Plectoli), em Piacenza, para não expô-las aos roubos e assaltos, bem como a falta de alimentos.
     A santa foi nomeada abadessa da nova fundação, onde reinava a austeridade e a pobreza da regra cisterciense. A abadessa não ficava satisfeita e passava noites inteiras na capela entregue à oração.
     Ao verem que a saúde da abadessa se debilitava de forma alarmante, as religiosas ordenaram que o sacristão guardasse a chave da capela; porém isto não bastou para impedir que a fervorosa superiora continuasse com suas vigílias.
     Finalmente, a santa faleceu em 25 de abril de 1218, resultado de uma febre, aos 43 anos de idade.
     Suas filhas religiosas, levando em conta a sua grande devoção por seu mosteiro, sepultaram-na na igreja do convento em Pittolo. Ali seus restos mortais foram objeto de grande veneração e mais ainda quando grandes milagres aconteceram por sua intercessão.
     Em 1273, seu culto foi confirmado pelo Papa Gregório X (1271-1276). Parece que esta confirmação foi feita verbalmente quando o Papa passou por Piacenza se dirigindo ao Concilio de Lyon.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Beata Helena Valentini, Religiosa Agostiniana - 23 de abril

    
Helena Valentini nasceu em 1396 (ou 1397) em Udine, Itália, na família dos Valentini, senhores de Maniago, e se casou em 1414 com o nobre Antônio Cavalcanti; o casal teve seis filhos.

     Tendo ficado viúva em 1441, decidiu retirar-se do mundo e, sob a influência da palavra vibrante do agostiniano Ângelo de São Severino, se fez terceira agostiniana.
     Depois de ter emitido a profissão, até 1446 continuou a viver na casa deixada para ela pelo marido, quando foi morar com a irmã Perfeita, ela também terceira agostiniana.
     Levou sempre uma vida de penitência e de rigorosa mortificação, alimentando-se quase que somente de pão e água, dormindo sobre um duro leito de pedras recoberto de uma fina camada de palhas, flagelando-se continuamente e caminhando com trinta e três pedras nos sapatos “por causa do amor que tive aos bailes e danças que no mundo frequentei ofendendo ao meu Senhor, e pelo amor que levou o meu terno Jesus a caminhar durante trinta e três anos no mundo por amor de mim”.
     Todas as formas de penitência que ela se impunha sempre foram inspiradas pelo duplo motivo: imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo e antítese de sua vida anterior. Com grande força e ânimo, numa pequena cela na sua casa, enfrentou toda sorte de provações e somente saia para rezar e meditar na sua querida igreja de Santa Luzia.
     A sua vida de completa renúncia e de luta foi confortada por êxtases e visões celestes, e Deus a recompensou com o dom dos milagres e do conhecimento de coisas ocultas.
     Como resultado da fratura dos fêmures, a Beata permaneceu os últimos anos de vida presa a seu pobre e duro leito, demonstrando uma grande serenidade e paciência até a morte, que ocorreu no dia 23 de abril de 1458.
     Depois de vários traslados, em 1845 os despojos da Beata encontraram um digno local na Catedral, onde ainda hoje estão expostos à veneração pública. Seu culto foi confirmado em 1848 pelo Beato Pio IX. A sua memória litúrgica acontece em 23 de abril.

sábado, 20 de abril de 2013

Santa Endelienda, Virgem - 20 de abril

      

  
     A memória de Endelienda permanece viva no nome da pequena cidade de St. Endellion onde ela foi sepultada.
     Segundo a tradição, Endelienda (Cenheidlon em celta), era filha do Rei Brychan de Brycheiniog, da região sul de Gales. Ela nasceu por volta do ano 470 d.C. A povoação de St. Endellion, na Cornuália, assim chamada em sua homenagem, foi o ponto a partir do qual ela evangelizou a população local. Dois poços próximos à cidade também têm o seu nome.
     Mais tarde ela cruzou o canal de Bristol para juntar-se a seus irmãos que trabalhavam na conversão da população do Norte da Cornuália ao Cristianismo. Durante sua viagem, inicialmente ela permaneceu na Ilha de Lundy, onde se acredita que ela fundou uma pequena capela (atualmente dedicada a Sta. Helena). Mudou depois para a terra firme onde se encontrou com seu irmão São Nectan (*) em Hartland, antes de fixar-se em Trentinney, a sudeste da atual St. Endellion, mas ela retornava a Lundy de tempos em tempos para fazer retiros espirituais.
     Sua irmã, Santa Dilic (cuja igreja fica em Landulph), se estabeleceu nas proximidades e as duas se encontravam com frequência num caminho cuja relva sempre crescia mais verde do que em outro lugar.
     Ela viveu em Trentinney como eremita; a legenda conta que ela possuía uma vaca que garantia o leite para sua subsistência, e dois poços lhe forneciam água. A vaca foi morta pelo Lorde de Trentinney. Ele foi, por sua vez, morto pelo padrinho de Endelienda, revoltado com a morte do animal tão útil à ermitã. Mas Endelienda não se alegrou com o fato de que uma pessoa tivesse sido morta por sua causa e trouxe ambos, o lorde e a vaca, à vida.
      Acredita-se que ela morreu no mês de abril, em meados do século VI, e possivelmente nas mãos de piratas saxões. Ela foi sepultada no alto de um morro e uma igreja foi construída sobre seu túmulo. A atual igreja de St. Endellion fica no local de seu túmulo.
     Uma capela dedicada Santa Endelienda sobreviveu no local de sua ermida em Trentinney até o século XVI; e seu túmulo na igreja de St. Endellion era local de peregrinação durante a Idade Média. Seu túmulo, destruído nos tempos de Henrique VIII, foi restaurado e colocado a guisa de altar na extremidade da nave sul de sua igreja, e sobrevive até os dias atuais e ainda pode ser visto.
     A sua festa é celebrada em 20 de abril, mas em St. Endellion as celebrações em sua honra acontecem na quinta-feira da Ascensão e nos dois dias seguintes (especialmente no sábado).
     O Festival de Música Santa Endelienda acontece todos os anos na Páscoa e no verão na Igreja de Santa Endelienda.
 
(*) Conhecido também como Nudd, em celta; Natanus, em latim; Nathan, em inglês. É um dos santos mais célebres do oeste da Inglaterra, embora os detalhes de sua vida sejam bastante escassos. São Nectan atendia as necessidades dos pobres em todo Devon, Cornuália e até mesmo da Bretanha, onde igrejas dedicadas a ele podem ser encontradas. São Nectan faleceu em 17 de junho de 510. Seu corpo foi trazido para um santuário mais adequado nos anos 1030, e mais tarde os Cônegos de Santo Agostinho construíram uma abadia próxima ao seu túmulo.


Igreja de Sta. Endelienda
 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Santa Anastácia de Egina, Viúva e Abadessa - 18 de abril

    
     Há duas “Vitae”, substancialmente idênticas, uma grega e outra latina, que narram a vida de Santa Anastásia ou Atanásia. A grega é atribuída a Simão Metafraste; a latina é obra de Lippomano e de Surio, e consta da Acta SS. Augusti.

     Segundo a Vita, Anastácia viveu no século IX, na Ilha de Egina, Grécia. Ainda muito jovem se distinguia por suas virtudes. Desejava consagrar-se a Deus, mas, para obedecer aos pais, se casou. Seu esposo era um homem rico e jovem. Formaram um casal feliz até o falecimento do marido defendendo o porto de Egina, do qual os muçulmanos, vindos da Espanha, desejavam se apoderar.
     As leis da ilha forçavam as viúvas jovens a contrair novo casamento, pois ela estava despovoada devido à guerra. Seu novo esposo, mais rico do que o primeiro, era um homem bom e misericordioso com os pobres, como ela. Juntos se dedicavam à oração e a socorrer os indigentes.
     Depois de alguns anos, se separaram para se prepararem para a morte. Anastácia permaneceu em seu palácio, que transformou em convento, tendo sido eleita superiora (ou egumena, título dado na antiguidade ao leigo ou clérigo monástico eleito como dirigente do mosteiro; equivale a abade ou abadessa).
     As monjas tinham uma vida extremamente austera, e eram dirigidas por um habilidoso abade chamado Matias, que sugeriu que se mudassem para um lugar mais solitário: Tamia. Ali o mosteiro cresceu e prosperou.
     A fama de Anastácia chegou aos ouvidos da imperatriz de Constantinopla, Teodora, esposa do imperador Teófilo o Iconoclasta. A imperatriz pediu a ela que fosse ajudá-la a restaurar a veneração às imagens. Anastácia permaneceu em Constantinopla por sete anos. De volta a Tamia, apesar de muito doente, continuou assistindo ao ofício até a véspera de sua morte.
*
     A Ilha de Egina (Aegina), situada na costa de Atenas, tem um terreno rochoso, e a falta de boa terra agrícola obrigou os primeiros eginetianos a buscar o seu sustento no mar. Eles se tornaram excepcionais comerciantes marítimos. No início do século VI a.C. Egina foi o depósito central de cereais do Mar Negro a caminho do Peloponeso e, perto da metade desse século, Egina tinha obtido importantes concessões de cereais em Naucratis no Egito.
     Durante o curso de suas viagens, os comerciantes eginetianos tiveram acesso à cunhagem de moedas da Ásia Menor, e sua introdução para Egina foi uma consequência natural. As primeiras moedas europeias foram produzidas na Ilha de Egina por volta da metade do século VI d.C., e representam a tartaruga (refletindo o interesse marítimo do eginetianos) no anverso, enquanto que no reverso levava a marca de punção empregada para forçar o metal para dentro da forma do anverso. A Ilha de Siphnos era a fonte mais provável da prata usada no início da cunhagem de Egina; estas primeiras moedas foram encontradas enterradas até dois séculos mais tarde.