quarta-feira, 22 de maio de 2013

Beata Maria Domingas Brun Barbantini, Fundadora - 22 de maio

Fundadora das Irmãs Ministras dos Enfermos (Camilianas)
 
     Maria Domingas nasceu em Lucca, a 17 de fevereiro de 1789, segunda filha entre irmãos. Seu pai Pedro Brun, era de origem suíça, e sua mãe, Joana Granucci, era natural de Lucca.
     Na idade de seis anos, ela viveu uma experiência mística de singular importância: a visão do sangue de Jesus que jorra do cálice durante a Consagração. Este acontecimento se constituiu um sinal profético para a sua futura missão ao lado dos doentes e sofredores.
     Aos 12 anos, a morte do pai e de três irmãos menores deixou profundas marcas na adolescência de Maria Domingas. A partir de então, cresceu sob a orientação afetuosa e inteligente da mãe, que soube imprimir na filha as mais belas virtudes católicas, contribuiu de modo particular para formar nela um coração aberto e sensível aos infelizes, tornando-se um exemplo de resignação e santidade diante das adversidades com que se deparou durante a vida.
     Ao alcançar a juventude, destacou-se como uma mulher brilhante, generosa e cheia de zelo cristão. Foi nesta época que conheceu o jovem Salvador Barbantini, que a pediu em casamento após nutrirem grande amor um pelo outro.
     Casaram-se no dia 22 de abril de 1811 na Catedral de São Martino, de Lucca. No seu sexto mês de casamento, a morte súbita do seu esposo foi uma ocasião em que, golpeada, aceitou os desígnios da Providência Divina, exprimindo a sua dor a Jesus crucificado, sob a promessa de que intensificaria sua vida cristã e que não contrairia novo matrimônio: "Tu, serás único, meu Cristo Crucificado, serás o meu bem, doravante meu único e verdadeiro amor, a minha única delícia".
     Viúva e à espera de uma criança, Maria Domingas foi novamente atingida pela dor e pela angústia quando seu filhinho, Lourenço, morreu aos oito anos. Apesar disso, jamais se vislumbrou nela qualquer resquício de revolta. Pelo contrário: intensificou os propósitos firmados pela ocasião da morte do marido e entregou-se total e incondicionalmente ao serviço dos pobres, doentes e infelizes. A sua maternidade desenvolveu-se numa maternidade mais profunda, santa e universal.
     Os pobres enfermos abandonados de sua cidade tornam-se objeto de seu prometido amor. De noite e de dia, sob o sol escaldante ou na chuva, ela não consagrava somente sua ternura aos que sofriam, mas exprimia também diversas atitudes concretas de misericórdia, sempre absolutamente unida e guiada pela Santa Igreja de Cristo, que amava com uma afeição filial, servindo-a com ardor extremo.
     Dotada de qualidades específicas, participava em Lucca das atividades do Mosteiro de Santa Maria da Visitação, destinado à educação dos jovens. Era incumbida de organizar a catequese e sua dedicação permitiu que viesse a fundar um instituto para as crianças abandonadas. Por tamanha dedicação e destaque, foi-lhe confiada a responsabilidade de reforçar e também reformar diversas atividades apostólicas e educativas.
     O que efetivamente marcou sua vida foi a fundação do Instituto Religioso das Irmãs Ministras dos Enfermos. Tal projeto teve início no ano de 1829 quando, reunindo em torno de si algumas jovens donzelas pobres, em sua maioria de saúde frágil, realizou prodígios de caridade à cabeceira dos pobres moribundos e abandonados, vocação maternal que atraiu uma grande quantidade de outras jovens àquela obra de apostolado.
     A obra atravessou décadas com diversas moças aplicadas e dedicadas ao apostolado santo das regras escritas pela Fundadora. Finalmente, no dia 5 de agosto de 1841, o arcebispo da cidade de Lucca, D. Domenico Stefanelli, tendo testemunhado a caridade da Fundadora e de suas filhas, aprovou a Regra escrita por Maria Domingas e erigiu a comunidade em Instituto Religioso Diocesano.
     Mulher de fé, sempre empenhada no cumprimento e realização concreta da vontade de Deus, Maria Domingas impôs-se na História. Sempre ensinou às suas filhas espirituais a progredirem próximas dos sofredores, em especial dos enfermos, tratando da doença, valorizando o sofrimento, anunciando o rosto bondoso de Deus, no espírito do paternal e caridoso São Camilo de Lellis, que foi perfeito modelo de santidade e de serviço ao próximo, base da inspiração para a fundação desta congregação Camiliana, presente e atuante em diversas partes do mundo.
     Maria Domingas experimentou todos os estados de vida que uma mulher pode atravessar: esposa, mãe, viúva, fundadora e religiosa da sua congregação.
     A Beata entregou sua alma a Deus no dia 22 de maio de 1868. Por ter vivido de maneira heroica e tendo suas virtudes de fé, esperança e caridade reconhecidas pela Igreja, o Papa João Paulo II a beatificou no dia 17 de maio de 1995.
 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Beata Josefa Hendrina Stenmanns, Religiosa - 20 de maio

    
     Seria justo chamá-la “senhora da santa paciência” e poderíamos invocá-la, quantos de nós somos impacientes. Hendrina Stenmanns começou desde pequena a exercer a paciência. Não se tratou apenas de suportar as contrariedades que a vida reserva a todos, mas sobretudo para conseguir realizar o sonho da sua vida. Graças a uma tia religiosa, Hendrina desde pequena sente-se também chamada a tornar-se freira, mas uma “freira franciscana”.

     Hendrina Stenmanns nasceu no dia 28 de maio de 1852, no Baixo Reno, na vila de Issum, Diocese de Münster, na Alemanha. Dos 6 aos 14 anos freqüentou a escola, mas antes de terminar o último ano teve que deixá-la para ajudar a cuidar da casa e dos irmãos menores. Sua dedicação generosa ao trabalho não impedia a busca de Deus e a prática das virtudes cristãs. Visitava os doentes e como a sua amabilidade e delicadeza eram grandes, todos os doentes queriam tê-la perto.
     Aos 19 anos tornou-se membro da Terceira Ordem de São Francisco em Sonsbeck. Hendrina queria ser religiosa, mas a época não era favorável, inúmeros conventos estavam sendo fechados em função de incidentes políticos do "Kulturkampf".
     Em 1878 sua mãe faleceu e Hendrina prometeu ficar com o pai para cuidar dos irmãos e irmãs. Assumia a situação como era e com sua tarefa. Tinha então 26 anos e seu irmão mais novo tinha apenas 8 anos. Diante da impossibilidade de realizar sua vocação, entregou-se nas mãos da Divina Providência. Não se notava uma única palavra de queixa ou lamentação.
     Hendrina tinha os dois pés no chão, mas permeava em tudo o que fazia o amor de um coração firmemente ancorado em Deus. Ele era o sustento de sua vida; na Missa e na Comunhão experimentava a confirmação desta presença.
     Anos depois veio a conhecer a obra missionária de Steyl, a Congregação dos Verbitas fundada na Holanda pelo Pe. Arnoldo Janssen. Após fundar a congregação masculina de missionários, o Pe. Janssen estava pensando em fundar uma congregação feminina. Hendrina conheceu duas jovens que trabalhavam como empregadas no Seminário do Pe. Janssen na esperança de que um dia fosse fundada a congregação. Hendrina sentiu que lá era seu lugar.
     O pároco de Issum, Pe. Veels, que conhecia muito bem Hendrina, em janeiro de 1884 escreveu ao Pe. Janssen que poderia dar-lhe “as melhores recomendações em todos os sentidos. Ela sempre teve o desejo de entrar na vida religiosa, por muitos anos se confessava semanalmente e, apesar de morar a mais de 15 minutos de caminhada da igreja e ter de cuidar da casa, assiste diariamente a Santa Missa”. Não era comum uma jovem com a carga de trabalho de Hendrina levar uma vida espiritual tão intensa.
     O Pe. Janssen aceitou o pedido de Hendrina e quando sua irmã mais nova teve condições de ocupar seu lugar, partiu para Steyl.
     Na cozinha do Seminário, Hendrina reza, sofre e espera por cinco anos, longos também para ela, embora já habituada a ter paciência e a esperar.
     Para o pequeno grupo em Steyl, célula germinativa da futura Congregação, a Eucaristia era fonte de força no trabalho diário e pesado na cozinha. Poderíamos dizer que as empregadas viviam um “círculo Eucarístico”: da Missa de manhã, onde frequentemente recebiam a Santa Comunhão, para a meia hora de oração ao meio dia, para a Bênção do Santíssimo Sacramento à tarde. A antecipação destes ‘auxílios espirituais’ diários permeava e animava a sua vida quotidiana.
     O dia 8 de dezembro de 1889 é considerado o "Dia da Fundação" da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. Hendrina com mais cinco moças, entre elas Helena Stollenwerk, foram recebidas como postulantes.
     Em agosto de 1891, Arnoldo Janssen nomeou Helena Stollenwerk como superiora da comunidade e Hendrina como sua assistente. No dia 17 de janeiro de 1892, recebeu o hábito religioso e o nome de Irmã Josefa. No dia 12 de março de 1894, com onze companheiras, pode finalmente emitir os primeiros votos religiosos.
     “Vivíamos hora por hora, dia por dia, e deixávamos o futuro a Deus”, ela repetia incansavelmente, enquanto dizia de si mesma “O meu coração está pronto” e sussurra em cada ação o “Veni, Sancte Spíritus”.
    Para a Irmã Josefa a vida religiosa significava pertencer inteiramente a Deus. Com o aumento do número de Irmãs, o trabalho aumentava continuamente. Mesmo assim, ela não se perdia nas inúmeras tarefas e sempre tinha uma palavra bondosa; trabalho e oração eram igualmente serviço a Deus. Tornou-se necessário construir um novo convento para acolher o número crescente de irmãs.
     Quando a Irmã Maria Helena Stollenwerk é transferida para as adoradoras perpétuas (outra congregação fundada pelo Pe. Janssen), Irmã Josefa tornou-se superiora das Servas do Espírito Santo, mais que um cargo é um serviço que ela exercita com paciência e amor, mas por pouco tempo. Em 1902 foi lançada a pedra fundamental. Irmã Josefa, no entanto, sofria cada vez mais de asma e de outras enfermidades.
     De fato, ela deveria exercitar ainda a paciência quando a saúde vacilou, a doença tolheu suas forças e a levou para o leito. Em meio a intensos sofrimentos veio a falecer em 20 de maio de 1903, aos 51 anos incompletos, e foi sepultada ao lado da outra co-fundadora, Madre Maria Stollenwerk.
     Em 28 de junho de 2008, Madre Hendrina Josefa Stenmanns foi elevada a glória dos altares, onde a tinham precedido o Padre Arnoldo Janssen (canonizado em 2003) e a Madre Maria Helena Stollenwerk (beatificada em 1995). 
Fontes Missionárias SSpS; www.santiebeati.it

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Santa Maria Bernarda Bütler, Fundadora - 19 de maio

    
     Verena Bütler nasceu e foi batizada em Auw (cantão de Argovia, Suíça) no dia 28 de maio de 1848. Era a quarta filha de Henrique e de Catarina Bütler, camponeses humildes e católicos praticantes.

     Ao concluir o ensino escolar básico, se dedicou aos afazeres domésticos e ao trabalho no campo. Fez uma tentativa de vida religiosa, mas ao perceber que Deus não a chamava a viver naquele local, voltou para a casa paterna, onde se entregou ao trabalho, à oração e ao apostolado, alimentando sempre sua vocação.
     Finalmente, no dia 12 de novembro de 1867, aos 19 anos de idade, ingressou no mosteiro das Irmãs Capuchinhas de Maria Hilf, de vida contemplativa, em Altstätten, próximo de Saint Gallen, ao norte da Suíça.
     Em 4 de maio de 1868 vestiu o hábito franciscano, tomando o nome religioso de Maria Bernarda do Sagrado Coração de Maria. Fez a profissão religiosa em 4 de outubro de 1869.
     Por suas profundas virtudes e qualidades humanas, logo foi nomeada mestra de noviças e mais tarde, em 1880, tornou-se superiora, cargo que ocupou até sua partida para as missões.
     Quando Mons. Pedro Schumacher, Bispo de Portoviejo (Equador), escreveu relatando o total abandono em que viviam as pessoas daquelas terras, e oferecendo sua diocese como campo missionário, Madre Maria Bernarda se convenceu que aquele convite era um claro chamado de Deus para ela ir anunciar o Evangelho e fundar uma casa filial do mosteiro de Altstätten em terras equatorianas.
     Após vencer a resistência inicial das autoridades eclesiásticas e obter a permissão pontifícia para deixar o mosteiro, no dia 19 de junho de 1888 se dirigiu, com seis companheiras, a Le Havre, França, onde as sete embarcaram rumo ao Equador.
     Quando chegaram ao Equador, o bispo indicou às Irmãs o povoado de Chone, lugar difícil e abandonado espiritualmente, que contava com uns 13 mil habitantes. Na missão de Chone, Madre Maria Bernarda contou com a ajuda das seis Irmãs, entre as quais a Bem-aventurada Maria Caridade Brader.
     Madre Maria Bernarda colocou na base de sua atividade missionária a oração, a pobreza, a fidelidade à Igreja e o exercício das obras de misericórdia. As Irmãs se encarregaram da educação das crianças e dos jovens; visitavam e assistiam os doentes e os pobres.
     A semente plantada por esta grande mulher germinou e frutificou. Surgiram várias casas filiais no Equador. Mas sua obra também foi marcada pela Cruz: pobreza absoluta, clima tórrido, inseguranças e dificuldades de toda espécie, junto a mal-entendidos por parte das autoridades eclesiásticas e separação de algumas Irmãs de sua primeira fundação no Equador.
     O passo inicial que tinha por fim a fundação de uma filial missionária do mosteiro suíço acabou sendo o início de um processo que converteu Madre Maria Bernarda em fundadora de um novo Instituto, a Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora.
     Em 1895, Madre Maria Bernarda e mais 15 Irmãs, tiveram que fugir do Equador devido a uma violenta perseguição contra a Igreja, e partiram para Cartagena, na Colômbia. Durante a travessia, receberam o convite de Mons. Eugenio Biffi, Bispo de Cartagena de Índias, para trabalharem em sua diocese.
     No dia 2 de agosto de 1895 chegaram ao porto de Cartagena e seguiram para a residência que lhes indicara Mons. Biffi numa ala do hospital de mulheres chamado Obra Pia, onde Madre Maria Bernarda morreu anos mais tarde.
     O número das Irmãs cresceu e a Congregação fundou casas na Colômbia, Áustria e Brasil. Madre Bernarda permanecia temporadas com as Irmãs nos diversos locais, compartilhava com elas seu trabalho e sua vida, era exemplo vivo de humildade evangélica, edificava e animava a todas. Atendia com ternura e misericórdia a todos os necessitados na alma e no corpo, rezava, exortava, escrevia com uma entrega assombrosa.
     Em 1911, cinco Irmãs se estabeleceram no norte do Pará, em Óbidos. Desde essa casa, as Irmãs ampliaram sua atuação para outras regiões do país: Quissamã, Três Arroios e Erechim, Canoinhas e no Mato Grosso.
     Madre Bernarda dirigiu a Congregação durante 32 anos, e quando renunciou a este serviço com gratidão e humildade, continuou animando as Irmãs com seu exemplo, sua palavra e seus inúmeros escritos, mina de doutrina e de fecundidade espiritual.
     A Santa faleceu no dia 19 de maio de 1924, na Obra Pia, aos 76 anos de idade, 56 de vida religiosa e 36 de missionária na América Latina. Foi beatificada em 29 de outubro de 1995 com outras filhas espirituais de São Francisco: Maria Teresa Sherer (cf. 16 de junho) e Margarida Bays (cf. 27 de junho).
     A Congregação fundada por Madre Maria Bernarda conta com 840 freiras que atuam em escolas, hospitais e projetos de assistência a pessoas com deficiências. Sua principal área de apostolado é a América Latina, mas encontram-se também na Europa (Áustria e Suíça) e na África (Chad e Mali).
     Foi canonizada no dia 12 de outubro de 2008 pelo Papa Bento XVI. Sua festa é celebrada no dia 19 de maio.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Santa Dinfna, Virgem e mártir - 15 de maio

Sta Dinfna batizada por S Gereberno
     A Irlanda foi evangelizada por São Patrício e uma relação dos santos irlandeses preencheria um calendário da Santa Igreja. Mas, infelizmente, estes santos são desconhecidos pela maior parte dos católicos. Um exemplo de santo esquecido ou desconhecido é Santa Dinfna.
     Sua "Vida" foi escrita entre 1238 e 1247 por um cônego da Colegiada de Santo Alberto de Cambrai, França, de nome Pedro, sendo Bispo de Cambrai Guy I. O autor mesmo menciona que se baseou na tradição oral popular. Portanto, não há dados comprobatórios da narração feita por ele.
     Há na Irlanda uma igreja, Chilldamhnait ou Kildowner, situada na parte sul da ilha, cujo nome significa Igreja de Dinfna. Segundo antiga tradição, Dinfna veio do antigo reino de Oriel e fundou a igreja no século VII. Nessa igreja ela atendia os doentes. Dinfna morreu em Gheel, Bélgica. A igreja foi restaurada no século XVII, mas a igreja original está atualmente em ruínas.
     De acordo com a "Vida" escrita na Idade Média, Santa Dinfna nasceu no século VII, em Clogher, no Condado de Tyrone, Irlanda, quando o país havia sido evangelizado. Porém, seu pai, rei de Oriel, ainda era pagão. Sua mãe, de família nobre, era cristã e notável por sua beleza e piedade.
     Como sua mãe, Dinfna era um exemplo de beleza e de virtude, favorecida desde o nascimento com graças especiais. Desde muito pequena Dinfna foi entregue aos cuidados de uma piedosa cristã, que a preparou para o Batismo. O Padre Gereberno administrou-lhe o Sacramento e aparentemente fazia parte da família, pois foi ele quem deu as primeiras noções de escrita, bem como das verdades da religião, à pequena Dinfna.
     Bem cedo Dinfna, como muitas outras nobres irlandesas antes e depois dela, escolheu Nosso Senhor Jesus Cristo como seu Divino Esposo e consagrou sua virgindade a Ele e a sua Santa Mãe pelo voto de castidade.
     Uma grande prova veio turbar a vida da adolescente: sua querida mãe falece. Ela ofereceu a Deus sua grande dor. Seu pai também ficou inconsolável com a perda da esposa e durante muito tempo ficou prostrado pelo luto.
     Seus conselheiros persuadiram-no a buscar um segundo matrimônio. Em vão os mensageiros procuraram uma pessoa com a beleza física e moral de sua primeira esposa. Os conselheiros diziam que não havia ninguém mais amável e encantadora do que sua filha, Dinfna. Dando ouvidos à sugestão deles, o rei concebeu o pecaminoso desejo de casar-se com a própria filha. Com palavras persuasivas ele manifestou seus propósitos a ela.
     Dinfna, horrorizada com os planos de seu pai, pediu a ele um tempo para pensar na proposta. Imediatamente procurou o Padre Gereberno, que a aconselhou a fugir; e uma vez que o perigo era iminente, ele disse que ela não demorasse em concretizar o seu plano.
     Com toda pressa ela partiu rumo ao continente; acompanhou-a o Padre Gereberno (o Santo era já bem idoso quando acompanhou sua dirigida nessa fuga) e um casal de servidores de sua confiança. Após uma travessia favorável, eles chegaram à costa próxima da atual cidade de Antuérpia e depois a um pequeno vilarejo próximo de um oratório a São Martinho, local conhecido hoje como Gheel. Eles foram recebidos com simpatia pelos moradores e ali se fixaram.
     Entrementes, o rei, furioso com a fuga de Dinfna, enviou seus servidores em perseguição aos foragidos. Após buscas exaustivas, conseguiram descobrir que eles haviam seguido para a Bélgica e finalmente o local de refúgio foi localizado. A princípio o pai de Dinfna tentou persuadi-la a voltar com ele. O Padre Gereberno, porém, reprovou com firmeza suas intenções pecaminosas, o que levou o rei a mandar matá-lo. Seus subordinados imediatamente o degolaram. Um novo glorioso mártir reuniu-se aos heróis do Reino de Cristo.
     As tentativas do pai de Dinfna para induzi-la a voltar com ele foram infrutíferas. Com coragem ela enfrentou todos os maus tratos. Diante de sua resistência, enfurecido o pai desembainhou sua adaga golpeando-a no pescoço. Recomendando sua alma a Deus, a virgem caiu aos pés de seu insano e delirante pai.
      A coroa do martírio foi dada a Dinfna no dia 15 de maio, entre os anos 620 e 640.
     Os corpos dos dois mártires ficaram por algum tempo insepultos. Os habitantes de Gheel removeram os santos despojos e, conforme o costume da época naquela região, colocaram numa caverna. Após alguns anos, os santos despojos foram transladados e colocados numa pequena igreja. Mais tarde, foi necessário erigir uma magnífica Igreja de Santa Dinfna, no local onde os corpos foram sepultados pela primeira vez. Os ossos de São Gereberno foram trasladados para Kanten.
     A fama de Santa Dinfna, segundo a tradição, teve início graças ao milagre ocorrido quando um doente mental foi tocado com a placa acima referida, por ocasião da transladação das suas relíquias. Ela tornou-se então protetora das vítimas de doenças nervosas e mentais, e os milagres e as curas aumentaram continuamente. Mais e mais pessoas eram trazidas ao seu túmulo por parentes e amigos, muitos vindos em peregrinação de locais distantes. Novenas eram rezadas e os doentes eram tocados com a relíquia da Santa.
     No começo, os doentes ficavam alojados em um pequeno anexo construído ao lado da igreja. No século XIII, uma instituição chamada "Enfermaria de Santa Isabel" era conduzida pelas Irmãs de Santo Agostinho. Mais tarde tornou-se um hospital dedicado ao cuidado dos doentes. Muitos dos pacientes eram colocados nas casas das famílias de Gheel após passarem algum tempo na "Enfermaria", e ali levavam uma vida relativamente normal.
     Ainda em nossos dias os moradores de Gheel recebem pacientes em seu círculo familiar, ajudando-os a se prepararem para retornar ao convívio com a família. Em centenas de gerações os moradores de Gheel acumularam uma sensível habilidade para lidar com essa função, e o seu notável espírito de caridade cristã para com esses membros aflitos da sociedade dá ao nosso mundo moderno, tão ávido em colocar sua confiança na ciência e tão esquecido dos princípios da verdadeira caridade católica, uma lição de como restaurar certos tipos de doentes.
     Santa Dinfna é invocada como padroeira dos portadores de doenças nervosas e mentais (epilepsia, sonambulismo, depressão, neuroses, estresse), dos psicólogos e dos endemoninhados. Os seus símbolos são: a espada que a decapitou e o demônio acorrentado a seus pés, que simboliza a sua intercessão para livrar os possessos. A iconografia da Santa é sobretudo de origem belga e flamenga, embora sua nacionalidade seja irlandesa.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Santa Teodora Guérin, Fundadora - 14 de maio

   
Que fortaleza adquire a alma na oração! Em meio à tormenta, quão doce é a calma que a oração encontra no coração de Jesus! Porém... Qual o consolo que têm aqueles que não rezam?” (Sta. Teodora Guérin)

     Ana Teresa Guérin nasceu no dia 2 de outubro de 1798 na aldeia de Étables, França. Sua devoção a Deus e à Igreja Católica se manifestou quando ainda muito pequena. Foi-lhe permitido receber a Primeira Comunhão com apenas dez anos de idade (fato incomum na época) e nessa ocasião expressou ao pároco sua intenção de algum dia tomar o hábito de religiosa.
     A pequena Ana Teresa com frequência procurava a solidão das costas rochosas próximas de sua casa, onde dedicava muitas horas à meditação, à reflexão e à oração. Foi educada por sua mãe, Isabel Guérin, que centralizou seu ensino na religião e nas Escrituras. Laurêncio, pai de Ana Teresa, prestava serviços na Armada de Napoleão e permanecia fora do lar por longos períodos.
     Quando Ana Teresa tinha 15 anos seu pai foi assassinado por bandidos quando voltava para casa para visitar sua família. A perda do esposo tornou Isabel muito doente, durante muitos anos a responsabilidade de cuidar da mãe e da pequena irmã recaiu sobre Ana Teresa que, além disto, cuidava da casa e da horta da família.
     Ao longo desses anos de penúrias e sacrifícios - na realidade, durante toda sua vida -, a fé em Deus nunca vacilou, jamais titubeou. No mais profundo de sua alma sabia que Deus estava com ela, que sempre estaria com ela, como uma companhia constante.
     Ana Teresa tinha quase 25 anos quando ingressou nas Irmãs da Providência de Ruillé-sur-Loire, uma jovem comunidade de religiosas que serviam a Deus na educação das crianças e cuidando dos pobres, doentes e moribundos.
     Irmã Santa Teodora, como era então conhecida, foi solicitada para encabeçar um pequeno grupo missionário de Irmãs da Providência nos Estados Unidos. O projeto incluía o estabelecimento de um convento, a fundação de escolas e compartilhar o amor a Deus com os pioneiros da Diocese de Vincennes, no Estado de Indiana.
     Piedosa e humilde, Irmã Teodora jamais imaginou ser a pessoa mais indicada para a missão. Sua saúde era frágil. Durante seu noviciado havia adoecido gravemente e os remédios comprometeram gravemente seu sistema digestivo, a ponto de no resto de sua vida só poder consumir alimentos suaves e macios. Após muitas orações e consultas aos superiores, aceitou a missão temendo que ninguém o faria, talvez nenhuma religiosa se aventurasse em tão agreste região para difundir o amor de Deus.
     Madre Teodora e outras cinco Irmãs da Providência chegaram à sede de sua missão em Saint Mary-of-the-Woods, Indiana, na tarde do dia 22 de outubro de 1840. Imediatamente se dirigiram à pequena cabana de troncos que fazia as vezes de capela. Ali, as Irmãs se prostraram em oração diante do Santíssimo Sacramento para agradecer a Deus terem chegado sãs e salvas, e para pedir a Ele a bênção para a nova missão.
     Nessa terra Madre Teodora estabeleceu uma Congregação, escolas e um legado de amor, misericórdia e justiça que perdura até hoje.
     Durante anos de provações e anos de paz, Madre Teodora confiou sempre na Providência Divina, procurando obter conselho e direção, urgindo as Irmãs da Providência a “entregar-se por inteiro nas mãos da Providência”. Em suas cartas à França dizia: “Porém nossa esperança reside na Providência de Deus, que nos tem protegido até o presente e que, de uma ou outra maneira, proverá para nossas necessidades futuras”.
     No outono de 1840, a missão de Saint Mary-of-the-Woods consistia apenas de uma capela - uma diminuta cabana de troncos que também servia de alojamento para um sacerdote - e uma fazenda de pequena estrutura onde residiam Madre Teodora, as Irmãs francesas e várias postulantes. Ao chegar o primeiro inverno, fortes ventos do norte sopraram sacudindo a pequena fazenda. As Irmãs sentiam frio constantemente e passavam fome. Logo converteram a galeria em uma capela; nesse humilde convento encontravam conforto na presença do Santíssimo Sacramento. Madre Teodora sempre dizia: “Com Jesus, o que podemos temer?
     Durante seus primeiros anos em Saint Mary-of-the-Woods, Madre Teodora enfrentou numerosos problemas: o preconceito contra os católicos, especialmente contra as religiosas; traições, mal-entendidos; a ruptura das Congregações de Indiana e de Ruillé; um incêndio devastador que destruiu uma colheita deixando as Irmãs desprovidas e famintas; frequentes doenças mortais.
     Em cartas Madre Teodora relatava suas tribulações: “Se alguma vez esta pobre e pequena comunidade conseguir assentar-se definitivamente, o fará sobre a Cruz; isto me infunde confiança e me brinda esperança, mesmo diante do desamparo”.
     Menos de um ano depois de sua chegada a Saint Mary-of-the-Woods, Madre Teodora fundou a primeira Academia da Congregação e, em 1842, estabeleceu escolas em Jasper, Indiana e St. Francisville, Illinois. Por ocasião de sua morte, Madre Teodora já tinha aberto escolas em várias cidades de toda Indiana e a Congregação das Irmãs da Providência era uma instituição sólida, viável e respeitada. Madre Teodora sempre atribuiu o crescimento e o êxito das Irmãs a Deus e a Maria, Mãe de Jesus, a quem dedicou os seus trabalhos em Saint Mary-of-the-Woods.
     Madre Teodora tinha a rara habilidade de fazer florescer as melhores virtudes nas pessoas para permitir-lhes ir além do que aparentemente era possível. O amor de Madre Teodora foi uma de suas grandes virtudes. Amava a Deus, ao povo de Deus, as Irmãs, a Igreja Católica e as pessoas a quem servia. Jamais excluiu alguém de suas obras e orações, pois dedicou sua vida a ajudar a todos a conhecer a Deus e a viver uma vida melhor.
     Ela faleceu dezesseis anos após sua chegada a Saint Mary-of-the-Woods, no dia 14 de maio de 1856. Durante esses anos, influenciou inúmeras vidas, o que ainda hoje continua fazendo. O legado que entregou às gerações que a sucederam é sua vida: um modelo de bondade, virtude, amor e fé.
     Foi canonizada em 15 de outubro de 2006 por S.S. Bento XVI. 

sábado, 11 de maio de 2013

Beata Juliana de Norwich, Mística - 13 de maio

     Ignora-se o seu nome de Batismo e o de sua família. O seu livro Revelações do Amor Divino, que contém dados sobre sua existência, é mencionado por uma testemunha recentemente descoberta: Margery Kempe, outra mística de seu tempo, que em sua autobiografia diz que no ano 1413 visitou "Lady Julian" para obter conselhos de direção espiritual.
     Juliana, nome como era conhecida em vida, e pelo qual ficará conhecida para sempre, talvez tenha sido adotado em honra de São Julião, patrono da igreja junto à qual transcorreu grande parte de sua vida. A igreja pertencia ao Mosteiro de Beneditinas de SS. Maria, dentro da cidade de Norwich. Há um debate acadêmico sobre se Juliana era uma monja do priorado, ou uma leiga. Ela viveu em uma ermida de três quartos do lado de fora do mosteiro, e tinha dois servidores que a atendiam quando atingiu a idade avançada.
     Aos 30 anos, quando ela vivia em casa, sofreu uma doença grave. Embora aparentemente em seu leito de morte, ela teve uma série de visões intensas de Jesus Cristo, que terminaram no momento em que ela se recuperou de sua doença, no dia 13 de maio de 1373.
     Juliana escreveu sobre suas visões imediatamente depois que elas tinham acontecido: esses escritos são conhecidos como "O texto curto". Vinte a trinta anos mais tarde, ela escreveu uma meditação teológica sobre o significado das visões, conhecida como "O texto longo". Suas visões foram a fonte de sua grande obra, Revelações do Amor Divino, que ela escreveu em torno de 1393. Acredita-se ser o mais antigo livro escrito no idioma inglês por uma mulher.
     Revelações é uma obra célebre no Catolicismo por causa da clareza e da profundidade da visão de Deus de Juliana.
     A primeira versão impressa das Revelações se tornou disponível ao público em 1670 e foi editada pelo beneditino Serenus Cressy. O livro não se tornou muito conhecido até o século 20. A edição de Cressy foi reimpresso em 1843, 1864 e novamente em 1902. A versão do livro feita por Grace Warrack, em 1901, introduziu os escritos de Juliana junto à maioria dos leitores do início do século 20.
     Após a publicação da edição de Warrack, o nome de Juliana se espalhou rapidamente e se tornou tema de muitas palestras e escritos. Em 1979, uma edição do livro foi publicada e, como resultado, o livro tornou-se amplamente vendido e discutido, em um momento de espiritualidade renovada. Juliana de Norwich é agora reconhecida como uma das místicas mais importantes da Inglaterra.
     Os beneditinos de Norwich e o Cardeal da Inglaterra, Adam Easton, podem ter sido os diretores espirituais de Juliana de Norwich, e os editores de seu Longo Texto Mostrando o Amor.
     O ditado: "... Tudo estará bem, e todos estarão bem, e todos os tipos de coisas deverão estar bem", que Juliana afirmou ter sido dito a ela por Deus, reflete sua teologia. É uma das linhas mais famosas da escrita teológica católica e é uma das mais famosas frases da literatura de sua época.
     Em suas visões, Juliana viu o sangue fluindo sob a Coroa de Espinhos de Jesus Cristo, viu a Virgem como uma jovem e simples senhora; viu Jesus mostrando a ela uma castanha na palma de sua mão. Ela pensou: “O que será isso?”, e Ele respondeu: “Isto é tudo que é criado. Deus deu forma, Deus deu vida, Deus a mantém assim”.
     Assim ela aprendeu a bondade de Deus “para O qual a nossa mais elevada das preces deve ser dirigida”. “O qual desce para atender as nossas menores necessidades”. E em relação à Cruz, ela viu a misericórdia Divina caindo como uma fina chuva de graças durante a Sua Paixão. Ela viu o Senhor morrendo, os Seus terríveis tormentos, e escreveu: “Assim eu O vi e eu O amava”.
     Na época de sua morte, a Beata tinha uma vastíssima reputação e atraia visitantes de toda a Inglaterra para a sua cela. Embora Juliana não tenha sido formalmente beatificada, é mencionada como Beata por vários autores e na Inglaterra a invocam como Santa.
     A festa da Beata Juliana de Norwich na tradição católica romana é a 13 de maio.

Imagem da Beata na igreja de Sto. André e Sta. Maria, Norwich

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Santa Solange, Mártir da pureza - 10 de maio

    
     Solange foi uma pastora do século IX. É uma das padroeiras de Berry, França. Ela é invocada para o alívio da seca.

     “A ilustríssima virgem Solange é a patrona e, por assim dizer, a Santa Genoveva de Berry. Ela nasceu em 863, no burgo de Villemont, a duas ou três léguas da cidade de Bourges. Seu pai era um pobre vinhateiro que levava uma vida muito católica; Deus recompensou sua piedade abençoando seu casamento. Ele teve uma filha a quem pôs o nome de Solange. Nesta admirável criança a beleza do corpo e a beleza da alma faziam as delicias de Deus e dos homens”.
     “Antigas crônicas a chamam de Solange ou Soulange; o local de seu nascimento não existe mais; podemos ver as ruínas de uma casa no meio do Prado Verdier, que dizem que era a habitação de Santa Solange. Esta pradaria fica a meia légua do burgo que recebeu o nome da Santa após sua morte”.
     “As lições do ofício que a Igreja consagrou a ela narram que dia e noite aparecia sobre sua cabeça uma estrela que a conduzia em suas caminhadas, e que lhe servia de regra em tudo o que ela devia fazer; esta estrela servia especialmente para guia-la e adverti-la, assim que o tempo que ela destinava à oração ou à salmodia se aproximava, como se esta luz, que outrora convidara os Santos reis Magos a ir reconhecer e adorar Jesus Cristo, tivesse sido reproduzida para favorecer esta Santa esposa do Salvador, e indicar a ela os preciosos momentos que o divino Esposo pedia suas adorações”. (Extraído dos Petits Bollandistes)
     Ela era forte, alegre e piedosa; gostava de ouvir as vidas dos santos durante as longas noites de inverno. Especialmente gostava da história de Santa Inês, que tinha sofrido um terrível martírio, e para si repetia que haveria de seguir os seus passos. Aos sete anos fez voto de castidade.
     Quando se tornou mais velha, passou a se ocupar do pequeno rebanho da família. Levantava-se ao amanhecer, passava diante da pequena igreja e parava para deixar algumas flores sobre o altar, depois seguia para o campo, onde havia construído uma capelinha toda para si e ali se ajoelhava rezando com fervor.
     Algumas vezes era transportada por êxtases e o tempo passava velozmente, mas os anjos a chamavam de volta à realidade. Era muito generosa com os pobres e também foi abençoada com o poder de curar os doentes e curou muitos.
     Um dia, atraído pela reputação da pastora, Bernardo de la Gothie, filho de Bernardo, Conde de Poitiers, de Bourges et do Auvergne, montou seu cavalo e, sob pretexto de ir à caça, foi em direção a Villemont, onde Solange guardava seu pequeno rebanho. Ao vê-la, ele desejou vivamente tê-la, mas ela recusou sua proposta.
     Aparentemente resignado, o jovem entretanto voltou a abordá-la no mesmo local dias depois e, diante de nova recusa, agarrou-a e levou-a em seu cavalo. Solange, decidida a não consentir em seus avanços, conseguiu escapar e caiu em um riacho próximo da estrada. Bernardo, cego de raiva diante da persistente recusa de Solange, a decapitou (outros dizem que ele a traspassou com sua espada).
     Solange, que estava de pé, calmamente estendeu seus braços para receber sua cabeça e caminhou até Saint Martin du Cros (um cruzeiro) onde caiu sem vida e foi sepultada. (Boll. T. 5, pp. 427 à 431) A ereção de cruzes nas encruzilhadas era então muito frequente.
     A tradição tem como data do martírio de Solange o dia 10 de maio de 878, sob o pontificado de Frotario, Arcebispo de Bourges (876-890). Uma nova igreja foi construída sobre o túmulo da Santa e lhe foi dedicada.
    Desde a Idade Média até os dias de hoje seu culto permanece importante em Berry. Seus restos foram exumados “por causa dos milagres que eles operavam” (Guérin). Inicialmente colocados em um relicário de madeira, foram depois postos em um relicário de cobre. A última transladação ocorreu em 1511. Em 1657, a cidade de Bourges doou um relicário de prata para substituir o antigo. Em 1793, durante a Revolução Francesa, as relíquias foram dispersas.
Capela de Sta. Solange

     "Fazendo minha visita a Méry-ès-Bois, em 5 de abril de 843 – escreve M. Caillaud, vigário geral – ai encontrei relíquias de Santa Solange: um osso do crânio, a mandíbula superior e um dente da Santa. Esta relíquias pertenciam, antes da Revolução, à abadia dos bernardinos de Luis e tinham sido transferidas com grande pompa à Méry-ès-Bois em 1791, assim que os monges deixaram o convento; eu dividi estas relíquias em duas porções iguais, das quais uma ficou em Méry-ès-Bois, e a outra foi dada à paroquia de Santa Solange”.
     Todos os anos, os fieis peregrinos levam o relicário contendo as relíquias de Santa Solange até a capela consagrada, no “Campo do martírio”. A igreja foi classificada como monumento histórico em 1913.
     O Papa Alexandre VII autorizou a criação de uma confraria dos “Primos de Santa Solange".
 
Etimologia: Solange = do latim Solemnia, “solene, majestosa”.
 
 
 
     Vocalista blasfema contra Nosso Senhor Sacramentado durante show com cerca de 700 mil pessoas, na Praça de São João de Latrão, Itália.
     A indiferença e a negação da existência de Deus não são realidades totalmente incomuns ao longo da História, especialmente nos últimos séculos. Contudo, provocações...
 
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