quarta-feira, 26 de junho de 2013

Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado, Carmelita - 26 de junho

    
     Josefina Catanea nasceu no dia 18 de fevereiro de 1894, em Nápoles, no seio da nobre família dos marqueses Grimaldi. Desde pequena mostrou uma predileção particular pelos pobres e os mais necessitados, destinando-lhes o dinheiro que lhe davam para brinquedos ou merendas, e ajudando a duas velhinhas que viviam sozinhas.

     O exemplo de sua avó e de sua mãe foi a escola onde aprendeu a conhecer Jesus e a se enamorar dEle. Tinha uma devoção particular pela Eucaristia e pela Virgem Maria, o que demonstrava rezando o Rosário.
     Depois de terminados os estudos, em 10 de março de 1918, superando a oposição de sua mãe e de seus familiares, ingressou no Carmelo de Santa Maria, em "Ponti Rossi", lugar assim chamado porque ali se encontravam as ruínas de um aqueduto romano.
     No Carmelo aprendeu a amar a Cristo em meio ao sofrimento, oferecendo-se como vítima pelos sacerdotes. Soube aceitar a vontade de Deus, embora isto significasse grande dor física: se viu afetada por uma forma grave de tuberculose na espinha dorsal, com dores nas vértebras, que a paralisou completamente. Em 26 de junho de 1922 foi curada milagrosamente, de forma instantânea, depois do contato com o braço de São Francisco Xavier, que lhe levaram até sua cela.
     A "monja santa", como a chamava o povo, iniciou um grande apostolado principalmente no locutório do convento, acolhendo a todo tipo de pessoas doentes e necessitadas de ajuda, tanto material como espiritual, às quais proporcionava consolo e conselho para encontrar o amor de Deus. Inclusive realizou milagres.
     Sua abnegação prosseguiu também quando foi acometida de outras enfermidades que a obrigaram a usar cadeiras de rodas, crucificando-se com Jesus pela Igreja e pelas almas.
     Em 1932 a Santa Sé reconheceu a casa de "Ponti Rossi" como convento da ordem segunda das Carmelitas Descalças, e Josefina Catanea recebeu o hábito de Santa Teresa de forma oficial, tomando o nome de Maria Josefina de Jesus Crucificado. Em 6 de agosto desse mesmo ano fez a profissão solene segundo a Regra carmelitana, que já vivia desde 1918.
     Em 1934 o Cardeal Alessio Ascalesi, arcebispo de Nápoles, a nomeou sub-priora; em 1945, vigária; e em 29 de setembro desse ano, no primeiro capítulo geral, foi eleita priora, cargo que desempenhou até sua morte.
     Sua espiritualidade, sua docilidade amorosa, sua humildade e simplicidade, lhe granjearam grande estima durante os anos da 2ª. Guerra Mundial. Rezava sem cessar, alimentando assim sua confiança em Deus, com a qual contagiava a todos os que se dirigiam em peregrinação a "Ponti Rossi" para escutar suas palavras de alento, consolo e estímulo para superar as provas e as dores das tristes situações resultantes da guerra.
     No dia de sua tomada de hábito dissera: "Eu me ofereci a Jesus Crucificado para ser crucificada com Ele", e o Senhor aceitou sua oferta. Compartilhou os sofrimentos de Cristo de forma silenciosa, porém alegre. Suportou durante muitos anos duras provas e perseguições com espírito de abandono à vontade de Deus. Também gozou de carismas místicos extraordinários.
      Por obediência e por conselho de seu diretor espiritual, escreve sua "Autobiografia" (1894-1932) e seu "Diário" (1925-1945), bem como numerosas cartas e exortações para as religiosas.
     A partir de 1943 começou a sofrer várias enfermidades especialmente dolorosas, que incluíram a perda progressiva da visão. Convencida de que essas enfermidades eram vontade de Deus, as acolhia como "um dom magnífico" que a unia cada vez mais a Jesus Crucificado. Com um sorriso nos lábios, ofereceu seu corpo como altar de seu sacrifício pelas almas. Morreu no dia 14 de março de 1948 em sua cidade natal.
     Foi beatificada na Catedral de Nápoles pelo Cardeal Crescenzio Sepe em 1º de junho de 2008. A sua memória litúrgica é celebrada em 26 de junho.
 
Reproduzido de Vatican.va

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Beata Raingarda de Semur, Viúva, religiosa - 24 de junho

    
Nobre dama medieval ingressando em um Mosteiro
     Raingarda de Semur nasceu c. 1075. Era filha de Godofredo III, Senhor de Semur e de Ermengarda de Montagu. Por volta de 1093 desposou Pedro Mauricio de Montboissier. Montboissier é um castelo cujas ruinas se elevam ainda agora na Alvernia, França.
      A maior glória deste matrimônio são os filhos, Raingarda teve oito: o primeiro foi Arcebispo de Lyon; quatro foram abades beneditinos, um dos quais é São Pedro o Venerável, abade de Cluny; um morreu jovem; Hugo teve duas filhas que se juntaram a avó quando esta ingressou no Mosteiro de Marcigny; e Eustáquio, o único a perpetuar o nome da família.
     Raingarda entregou-se completamente nos cuidados de sua numerosa família, conservando no fundo do coração a pena de não se ter desapegado inteiramente do mundo. Com solicitude recebia no castelo os monges que por ali passavam.
     Mauricio de Montboissier era um bom católico, mas não aquiescia aos conselhos da esposa para se retirar em um mosteiro. Finalmente, decidiu-se a fazê-lo, tendo antes feito uma peregrinação à Terra Santa. Entretanto, ao retornar caiu gravemente doente. A esposa cuidou dele com a maior dedicação, preparou-o para a morte e ajudou-o a dispor os seus bens.
     Depois do falecimento do marido, Raingarda era aconselhada pelos amigos a tornar a se casar. Mas, secretamente ela se preparava para entrar no Mosteiro de Marcigny, perto de Paray-le-Monial, por ter clausura estrita. Este mosteiro era uma dependência de Cluny estritamente reservado às mulheres.
     A noite anterior à sua partida, Raingarda passou-a junto ao túmulo do esposo em oração, seguindo depois com numeroso séquito para Marcigny. As pessoas que a acompanhavam não sabiam qual seria o termo da viagem, mas ao verem-no, romperam em soluços e queriam dissuadir Raingarda. Ela então lhes disse: “Depois da tempestade, vem a calmaria; o bom tempo sucede à chuva. E as lágrimas que choram agora serão seguidas de riso e alegria. Voltai portanto ao século, e eu vou ter com Deus”.
     Em seguida, entrou com as monjas na clausura. Com grande alegria ali cortou o cabelo e mudou de vestes. O seu principal empenho foi sujeitar-se a todas as Irmãs com profunda humildade. Logo se tornou muito amada pelas monjas. Segundo nota seu filho, Pedro o Venerável, “ela não viveu assim apenas nos primeiros anos de conversão, como fazem os outros, mas durante todo o resto de sua vida”.
     Esta mãe de oito filhos se sentia feliz nesta vida tão oculta, quando lhe foi dado o cargo de celeireira, a administração do mosteiro ficou toda sobre seus ombros. Ela viu-se absorvida por uma quantidade de questões materiais e com frequência precisava sair. Procurou aprender a cozinhas e satisfazia quanto possível às necessidades e gostos de cada uma das Irmãs: “dava a uma assado, a outra cozido, a uma coisas salgadas, a outra doce”. Ocupava-se das doentes e, como saia do mosteiro, praticava a caridade com os pobres.
     O mais admirável era ver que tantos cuidados não abalavam sua vida espiritual, ela sabia ser ao mesmo tempo Marta e Maria.
     A austeridade da vida e a grande atividade esgotaram Raingarda, que caiu doente e pediu imediatamente a Unção dos Enfermos e o Viático. Três dias depois, vendo que a morte estava chegando, as Irmãs colocaram-na sobre cinzas, conforme ela desejara, e assim faleceu Raingarda no dia 24 de junho de 1135, com pouco mais de 60 anos de idade.
     Embora Raingarda não tenha sido oficialmente beatificada, os mosteiros de Cluny a veneram como Santa.
São Pedro o Venerável, Abade de Cluny, segundo gravura medieval

 
Fonte: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J., 3ª. Edição, Editorial A.O. – Braga.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Santa Demétria de Roma, Mártir - 21 de junho

     Santa Demétria, mártir romana, a tradição conta que era filha de São Flaviano (22 de dezembro) e de Santa Dafrosa (4 de janeiro) e irmã de Santa Bibiana (2 de dezembro). Hoje em dia, de toda a família apenas a última é ainda mencionada pelo Martirológio Romano.
     Demétria viveu em Roma no século IV, na época do imperador Juliano o Apóstata, que teria condenado sua família à morte. Na "Passio Sanctae Bibianae", que data do século VII, é dito que o governador Aproniano, depois de ter condenado à morte os cônjuges Flaviano e Dafrosa, podendo então tomar posse de seus bens, tentou forçar a apostasia também de suas duas jovens filhas.
     Demétria morreu trancada na prisão ou, segundo outras fontes, assustada com a visão do Imperador, antes de sofrer o martírio. No entanto, sua irmã Bibiana sofreu cruel martírio. Esta versão do fato serve como uma justificativa para a veneração das santas em duas datas distintas.
     Contudo, se afirma em vários relatórios hagiográficos que o "dies natalis" de Demétria é relatado em dias diferentes, entre eles o de 21 de junho. O corpo de Santa Demétria recebeu sepultamento no túmulo dos pais e da irmã, próximo de sua casa no Esquilino, onde, por ordem do Papa Simplício, foi erguida uma capela e mais tarde a atual basílica.
     As relíquias de São Flaviano tomaram caminho diferente e agora são veneradas na cidade de Montefiascone, Lazio. Os corpos de Dafrosa e das filhas Demétria e Bibiana foram encontrados em 1624 e dois anos mais tarde colocados em três relicários, sendo Papa Urbano VIII.
     Seus santos despojos ainda estão abrigados no sarcófago constantiniano em alabastro oriental, sob o altar-mor da Igreja de Santa Bibiana. Parte das relíquias de Santa Dafrosa está mantida na Patriarcal Basílica de Santa Maria Maior, onde sua festa é comemorada em 4 de janeiro.
     É bom lembrar que essa família santa é apenas um de muitos casos ocorridos em dois mil anos de Cristianismo quando famílias, à imitação da Sagrada Família de Nazaré procuravam se santificar e santificar sua prole.
     Alguns bons exemplos disso são as famílias de Santos Mário e Marta com seus filhos Abaco e Audiface; Gregório e Nonna com os filhos Gregório, Cesário e Gorgonia; Luís Martin e Zélia Guérin com sua filha Teresa do Menino Jesus. Eles podem ser considerados os modelos mais próximos das famílias nas quais os cônjuges fizeram de seu casamento o caminho para merecer a santidade para si e para seus filhos.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Santa Isabel de Schönau, Religiosa e mística - 18 de junho

    
     Isabel nasceu, com grande probabilidade, em Bonn, na Renânia, em 1129. Tinha apenas 12 anos quando os pais (dos quais se conhece apenas o nome do pai, Hartwig), a entregaram às monjas da abadia beneditina de Schönau, no Reno, próximo de Sankt Goarshausen, onde ela fez a profissão religiosa em 1147.

     Dez anos mais tarde foi eleita Superiora das monjas, que não tinham abadessa, pois dependiam do abade, que era então Egberto (+ 1184), irmão de Isabel. Este sempre exerceu grande influência sobre Isabel e foi seu conselheiro espiritual e seu primeiro biógrafo. Isabel tinha ainda outro irmão, Rogério, premostratense, que foi preboste em Pòhlde (Saxônia), e um sobrinho, Simão, que também se tornou abade de Schönau.
     Recuperada de uma grave doença em 1152, Isabel começou a ter visões e êxtases, durante os quais falava com Nosso Senhor, Nossa Senhora e com os santos do dia. Às vezes seus êxtases duravam semanas, e aos poucos debilitaram de tal forma o seu físico, que ela faleceu com apenas 35 anos em Schönau no dia 18 de junho de 1164 ou 1165.
     Em 1155, seu irmão Egberto, conhecido pelo seu engajamento contra os cátaros, transcreveu as suas visões em latim. Egbert incitou Isabel a pedir ao Anjo que lhe aparecia algumas explicações sobre certas questões litigiosas. Eis a razão de Isabel ter várias visões que atestam a realidade da transubstanciação, ponto sensível na luta contra os cátaros.
     Entre os livros que escreveu estão Visões (três volumes), Liber viarum Dei e Revelações do martírio de Santa Úrsula e suas companheiras.
     Os três livros das visões tiveram larga difusão durante a Idade Média. O Liber viarum Dei compilado à imitação da Scivias de Santa Hildegarda, se concentra quase inteiramente na necessidade da penitência e de uma reforma moral da Igreja. As visões De resurrectione beatae Mariae Virginis tratam da Assunção de Maria Santíssima, ou seja, a gloriosa trasladação da Mãe de Deus em corpo e alma da terra ao céu. O Liber revelationum de sacro exercitu virginum Coloniensium, escrito entre outubro de 1156 e outubro de 1157, trata em termos legendários de Santa Úrsula e suas companheiras. O primeiro livro é de uma linguagem simples que Isabel pode ter usado, mas os outros empregam uma linguagem mais sofisticada que provavelmente é de Egberto.
     As opiniões divergem quanto às visões e revelações de Isabel. A Igreja nunca se pronunciou a este respeito e nunca mesmo as examinou. A própria Isabel estava convencida do carácter sobrenatural destas, como ela o diz numa carta endereçada a Santa Hildegarda, da qual era muito amiga e que a vinha visitar. Quinze cartas suas autênticas, das quais uma a santa Hildegarda, chegou até aos nossos dias. Ela aí fala dos êxtases com que Deus a agracia.
     As suas obras eram, no seu tempo, mais conhecidas do que as de Santa Hildegarda de Bingen, da qual apenas alguns manuscritos chegaram até nós. Entretanto, numa leitura atenta das obras é possível distinguir nelas a influência do irmão, Egberto.
     As cartas de Isabel de Schönau, de conteúdos variados, são dirigidas a bispos, abades, monjas, escritas de 1154 até o ano de sua morte, nas quais ela usa uma linguagem dura para estigmatizar os vícios da época, linguagem que contrasta com a simplicidade de seu caráter infantil, mostrando-se menos original que sua grande amiga Santa Hildegarda de Bingen, a "profetisa da Alemanha".
     Objeto de veneração particular já em vida e mais ainda depois da morte, em 1584, no tempo de Gregório XIII, o nome de Isabel de Schönau foi inscrito no Martirológio Romano sob a data de 18 de junho «Schonaugiae, in Germania, sanctae Elisabeth virginis, ob monasticae vitae observantiam Celebris» (Comm. Martyr. Rom., p. 244, n. 8). Depois o seu ofício litúrgico foi inscrito na Diocese de Limburgo, que celebra a festa da santa no dia indicado. Das relíquias da santa, profanadas pelos suecos em 1632, foi possível salvar a cabeça, que é venerada atualmente na igreja paroquial de Schönau. Santa Isabel de Schönau é invocada contra as tentações. 
 
 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Beata Constância de Castro y Osório, Terciária franciscana - 14 de junho

     Constância de Castro y Osorio nasceu em Viveiro (Lugo, Espanha) na nobre família dos Condes de Lemos. Esposou o valoroso capitão Rui Diaz de Andrade, senhor de São Pantaleão das Vinhas (Betanzos), que morreu heroicamente na guerra contra Granada, combatendo pelo Rei São Fernando III, provavelmente entre 1245 e 1250.
     Antes de morrer, Rui enviou a sua esposa uma carta escrita em galego, a maneira de testamento, em que dava a ela e a seu filho Heitor, caso ele morresse em batalha, os seus bens para que ela os administrasse. A carta estava datada de 13 de agosto de 1250.
     Constância permaneceu viúva durante 40 anos; tomou o hábito da Ordem Terceira de São Francisco e se dedicou à oração e à caridade.
     Após uma vida de oração e de exercícios de piedade, faleceu em odor de santidade em data desconhecida. Foi sepultada na Capela da Cruz, no convento de São Francisco de Viveiro, que já existia em 1258. Em 1611, quando seria transladado, seu corpo foi encontrado incorrupto.
     À intercessão da Beata são atribuídos alguns milagres que foram julgados favoravelmente pelos seus examinadores, mandados pelo Bispo de Mondonedo, Pedro Fernandez Zorrilla (1616-18): Wadding possui uma cópia deste relatório.
     Entretanto, o processo de beatificação ficou interrompido. Apesar disto, é conhecida popularmente como “a Beata” e consta de alguns santorais. O Martirológio da Ordem de São Francisco a recorda em 14 de junho, fixando arbitrariamente a data de sua morte em 1286. A Igreja lhe outorga o título de Venerável.
 
Cenas da vida da Beata na cúpula da igreja de Vivieiro, Espanha
 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Chá da tarde: um costume que ajudou a unir um império

    
     O chá foi introduzido pela primeira vez na Europa pelo jesuíta português Pe. Jasper de Cruz, em 1560, e foi uma princesa portuguesa, Catarina de Bragança, esposa de Carlos II, que o introduziu na Grã-Bretanha. Na verdade, parte de seu dote consistia em um baú de chá da China.

     Uma apreciadora do chá desde a infância, a Rainha Catarina trouxe para a Corte o hábito de beber chá, ajudando a definir uma tendência entre a aristocracia da Inglaterra do século XVII. Da nobreza, o chá se difundiu entre as boas famílias e os níveis mais baixos da sociedade, tornando-se rapidamente uma bebida popular e nacional.
     Foi somente no final dos anos 1830, que a apreciação do chá na Grã-Bretanha atingiu o seu apogeu com a instituição da tradição social que veio a ser conhecida como o "chá da tarde". Este costume social foi fruto da imaginação de uma rica aristocrata inglesa, Lady Ana Maria Stanhope, esposa do 7º Duque de Bedford. Ela divertia seus amigos na Abadia de Woburn, no Salão Azul, e acreditava que o tempo entre o almoço e o jantar era muito longo. Assim, para atenuar as longas horas, ela concebeu a ideia de um chá da tarde e pediu que o chá fosse servido juntamente com um lanche leve de pão, manteiga, bolos, tortas e biscoitos.
     Por volta dos anos 1860, o chá da tarde havia se tornado moda e se generalizado. Era uma combinação elegante entre linho fino e prata de lei. O chá era servido na melhor porcelana da anfitriã e pequenas quantidades de quitutes saborosos eram apresentados em perfeita harmonia em pequenas baixelas.
     Esta crescente popularidade do chá da tarde coincidiu com a idade de ouro do Império Britânico e, portanto, da Inglaterra à Austrália, da Escócia à África do Sul, da Irlanda à Índia, senhoras e senhores paravam suas ocupações para desfrutarem juntos de alguns momentos de lazer refinado e conversa gentil durante o chá da tarde. Este costume social ajudou a unir os mais longínquos rincões do império, de modo que, assim como a pessoa do Rei ou da Rainha servia para unir o império no governo, assim também o chá da tarde os unia na tradição britânica e nas boas maneiras sociais.
     Apesar de não ser religioso em sua natureza, o chá da tarde forjou uma imponderável união metafísica, espiritual. Era um símbolo. Um símbolo elegante e visível da nação britânica.
    
      Admirando este refinado e elegante símbolo e tradição, o Professor Plinio Corrêa de Oliveira se perguntava se Deus havia designado um anjo da guarda só para inspirar, orientar e nutrir esse costume social. "Nesse caso", ele conjeturou, "poderíamos chamá-lo de ‘o anjo do chá das cinco’".