quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Santa Emília Maria G. de Rodat, Fundadora - 19 de setembro

    
     Maria Guilhermina Emília de Rodat nasceu no castelo de Druelle, situado a 8 k de Rodez, capital de Rouergue, no dia 6 de setembro de 1787, era a primogênita do casal João Luís Guilherme Amans de Rodat e Henriete de Pomairols. Além de Eleonora, modelo de virtude, Emília tinha mais três irmãos: Carlota, Luís Guilherme e Armando Henrique.

     Aos 11 anos recebeu sua primeira comunhão clandestinamente, na capela de Ginals, sem nenhuma festa. Seus avós aproveitaram a presença de um dominicano, José Delbès, refugiado no castelo, para realizar a cerimônia, marcando uma etapa de sua vida interior. Era a época da infame Revolução Francesa, na qual os religiosos foram expulsos dos conventos, as igrejas foram profanadas, as relíquias quebradas e os túmulos violados.
     Em 1803, Emília era uma encantadora jovem, viva e graciosa, um pouco altiva e autoritária - notava-se nela tendências para a vaidade e o orgulho. Apesar das crises próprias da adolescência, Emília conservou sempre vivo o atrativo pelos pobres. Em companhia de Maria Ana Gombert, uma humilde moça de Villefranche, visitava os pobres e doentes com frequência.
     Em 1804, na Festa do Corpo de Deus, as palavras de um missionário determinaram a sua total conversão. Começou a vestir-se com muita simplicidade desprezando as modas. Ia diariamente à Igreja de Ampiac, à meia hora de Druelle, onde assistia à Santa Missa. Ainda nesse ano, recebeu o sacramento da crisma com muito fervor.
     Deixou então Druelle a fim de voltar para Villefranche e foi morar na casa da Sra. Saint-Cyr, dona de um pensionato reservado às senhoritas da sociedade. O Pe. Antônio Marty era o confessor da casa e tornou-se seu diretor espiritual.
     Em 1806, a Sra. Saint-Cyr aproveitou a relativa instrução de Emília para lhe confiar aulas de Catecismo e de Geografia.
     Em 1809, aos 22 anos, Emília fez algumas tentativas de ingresso na vida religiosa, sem sucesso. Triste, mas não desanimada com esse fracasso, obteve de seu diretor a permissão para pronunciar os votos privados em 21 de novembro desse mesmo ano.
     Em maio de 1815, durante uma visita que fazia aos pobres, Emília ouviu várias mães de família lamentarem a ignorância de suas filhas, sobretudo quanto à instrução religiosa. Elas diziam que antes da Revolução Francesa as religiosas ursulinas ensinavam-nas gratuitamente, o que não tinham suas filhas.
     Este lamento transpassou como um dardo a alma de Emília, que lhes disse: “Enviem-me suas filhas, eu as instruirei”. Sentiu o apelo irrecusável de Deus para socorrê-las numa fundação, em Villefranche, destinada à instrução das meninas pobres.
     Querendo iniciar sem demora a execução do seu projeto, Emília obteve da Sra. Saint-Cyr a permissão para dar aulas às crianças no seu exíguo quarto, tendo chegado rapidamente ao número de quarenta meninas.
     Com algumas companheiras teve que enfrentar grandes dificuldades. Em um ambiente hostil e sem meios financeiros, era difícil achar um local para morar, mas a Providência veio enfim em auxílio delas: no início de 1816, uma antiga aluna da Sra. Saint-Cyr, a Srta. Vitória Alric, prometeu alugar a metade de um imóvel, embora insalubre e mal situado.
     No dia 30 de abril, com suas companheiras, começou a viver ali uma rigorosa vida religiosa e, no dia 1º de maio, vestiram um hábito muito simples. No dia 3 de maio, à sombra da cruz, abriram também uma classe denominada Santa Maria para as meninas de média condição. Três órfãs foram igualmente adotadas.
     Em junho de 1816, D. Grainville, Bispo de Cahors, que se encontrava em Villefranche, consentiu que as Irmãs tivessem uma capelinha com o Santíssimo Sacramento. A partir desse momento, as Irmãs julgaram-se ricas no meio de tanta pobreza. Na Páscoa de 1817, Emília fez seus primeiros votos temporários.
     O grande número de alunas tornara necessária a aquisição de um novo local. No dia 29 de junho de 1817, transferiram-se para a casa Saint-Cyr, abandonada pelos membros da frágil federação. O número das Irmãs dobrou, e o Pe. Marty, apesar de inúmeras ocupações, permaneceu como capelão oficial. A obra prosperava sempre.
     O Pe. Grimal, benfeitor do instituto e protetor das Irmãs, decidiu pela compra do antigo Convento dos Franciscanos, abandonado desde 1793, uma casa contínua e mais tarde, um jardim. Em 29 de junho de 1819, as Irmãs tomaram posse da moradia definitiva, atual Casa-Mãe das Religiosas da Sagrada Família, onde solenemente fizeram os primeiros votos.
     Em agosto de 1820, começaram para Madre Emília as terríveis tentações contra a fé, a esperança e a caridade, que duraram 32 anos, levando-a a um estado extraordinário de sofrimento interior. Além disso, as Irmãs, as postulantes e até mesmo as alunas foram atingidas por uma terrível epidemia. A maioria das meninas abandonou as classes, e as postulantes voltaram para suas famílias. Nenhuma candidata se apresentava por ter medo do contágio e da morte.
     No dia 29 de agosto de 1822, o Pe. Marty enviou Madre Emília a Aubin para consultar-se com um médico renomado. Ao mesmo tempo, a Sra. Constans, pensionista em Villefranche e originária da localidade, convidou Madre Emília para fundar um educandário para moças em Aubin. O Pe. Marty deu o seu consentimento.
     Chegando a Aubin, ela ocupou-se ativamente da nova fundação, primeira do instituto, que estava no seu sexto ano de existência. O projeto foi bem aceito pelas autoridades locais e pelos habitantes. Além do cuidado com as crianças, as Irmãs visitavam os doentes e os pobres. Em breve, várias jovens, atraídas pelos bons exemplos das Irmãs, pediram para serem admitidas na Sagrada Família.
     No dia 1º de agosto de 1832, Madre Emília, acompanhada de três Irmãs, viajou para Livinhac com a difícil missão de transformar uma pequena comunidade numa casa religiosa destinada à educação das jovens, como as de Villefranche e Aubin. A princípio, havia duas comunidades na mesma casa. Aos poucos, as Irmãs foram se adaptando ao novo estilo de vida, depositando em Madre Emília confiança e estima.
     Até 1834 a Congregação da Sagrada Família compunha-se exclusivamente de Irmãs clausuradas que se dedicavam ao ensino no interior do convento, e de Irmãs conversas que exerciam diversas funções fora do claustro, dedicando-se aos pobres e aos doentes. Foi naquele ano que ocorreu algo totalmente imprevisto: a fundação das casas não clausuradas. Em alguns meses, houve três fundações. A Providência aproveitou-se do fato para dar origem ao segundo ramo do instituto: as Irmãs das Escolas, que seguiam em tudo as mesmas diretrizes que as outras, com exceção da clausura.
     No dia 15 de novembro de 1834, o Pe. Marty faleceu aos 78 anos de idade. A madre, que o teve como diretor espiritual desde os 18 anos, sofreu profundamente com a perda. No dia 18 de novembro, o conselho escolheu o Pe. Blanc para substituí-lo no governo da congregação.
     A fundadora continuou abrindo escolas num ritmo bastante acelerado.
     Além das provações interiores e das doenças, Madre Emília carregou também com profunda humildade e paciência a cruz da incompreensão que teve de suportar da parte de várias Irmãs da comunidade. Acusavam-na de arruinar a congregação com sua caridade exagerada, foi submetida à vigilância de uma ecônoma. Abriam suas cartas, vigiavam-na para impedi-la de conversar com as Irmãs que sofriam com essas humilhações e que pareciam auxiliá-la.
     Apesar de tantas provações, a Madre vivia na mais inalterável paz. Na sua profunda humildade, dizia: “Peço a Deus que suscite alguém para reparar meus erros”.
     No início de julho, sentindo-se livre das tentações que há anos a martirizavam, pressentiu estar perto o seu fim. Na madrugada de 4 de setembro, sofreu um desmaio que a impediu de descer para a missa. A partir desse dia, não deixou mais o seu quarto. Dedicou seus últimos dias às suas filhas: falou com cada uma em particular para lhes dar seus derradeiros avisos. Apesar de sua fraqueza, permaneceu lúcida até o fim.
     No dia 19 de setembro de 1852, às 13h30m, na presença do Pe. Faber e de algumas Irmãs, num último esforço, tomou seu crucifixo, que nunca deixava, fitou-o, colocou os lábios nas chagas do Salvador e, inclinando a cabeça, exalou o último suspiro.
     Quando a triste notícia do falecimento de Madre Emília espalhou-se pela cidade, o povo, chorando e lastimando a grande e irreparável perda, exclamava: “Morreu a Santa!”.
     Madre Rodat foi beatificada em 9 de junho de 1940; e canonizada em 23 de abril de 1950.
 

sábado, 14 de setembro de 2013

Santa Eugênia da Alsácia ou de Hohenbourg, Abadessa - 16 de setembro

    


Relicário de Santa Eugênia
     Eugênia nasceu em uma família principesca por volta do fim do século VII em Obernai, França. Seu era pai Adalberto, Duque da Alsácia, e sua mãe Gerlinda, de uma família não menos importante que a de seu pai. Eugênia teve também uma irmã, Santa Atala.

     Eugênia recebeu do céu um coração terno e sensível e cheio de boas inclinações para a virtude. Embora tudo concorresse para que ela se voltasse para as coisas do mundo - a nobreza de sua raça, os bens de seus pais, a beleza e a sabedoria, a doçura de seu caráter e as graças de seu espírito - a Providência desejava que todos esses dons fossem usados para a maior glória de Deus.
     Bem jovem ela prometeu consagrar a Deus sua vida e desejava viver a pobreza, dedicando-se a socorrer os doentes, consolar os aflitos e proteger os fracos.
     Ao completar 15 anos, data marcada por sua tia Santa Odília, fundadora da Abadia de Hohenbourg, para sua consagração pública a Nosso Senhor, Adalberto e Gerlinda a abençoaram e acompanhada por eles ela se dirigiu para Hohenbourg.
     Com coragem Eugênia seguiu os passos de sua tia e manteve a regularidade e a disciplina, e dava, como Odília, o exemplo de todas as virtudes à sua santa comunidade.
     O espírito da piedosa fundadora reinava nas duas casas e era um espetáculo bem edificante para a Alsácia ver jovens virgens nascidas nas primeiras famílias da região renunciarem às doçuras de uma vida cômoda e agradável para ir se consagrar às práticas da penitência e da oração.
     Após a morte de Santa Odília, Eugênia foi designada para suceder a fundadora. A sua assinatura como abadessa de Hohenbourg aparece em um documento do ano 722.
     Santa Eugênia tornou-se a consoladora dos necessitados da região. Para exemplificar sua imensa caridade, na Quinta-Feira Santa, para imitar a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ela convidava para a abadia grande número de pobres dos quais ela lavava e beijava os pés; após esta cerimônia, lhes dava roupas e os servia à mesa. Era grande sua compaixão pelos doentes. Nem a chuva, nem o mal tempo no inverno a impediam de ir visitá-los no Asilo São Nicolau, ou mesmo nas suas pobres casas no vale.
     Eugênia governou seu mosteiro por 15 anos e foi incluída no número das santas. Seu corpo foi colocado na capela de São João Batista, perto do túmulo de Santa Odília. Suas relíquias foram conservadas neste local até a guerra dos suecos.
     Em 1622, o Conde de Mansfeld, chamado de “o Atila da Cristandade”, mandou incendiar a Abadia de Hohenbourg e com seus soldados pilhou tudo de precioso que encontraram. Estes fanáticos abriram então o túmulo de Santa Eugênia e dispersaram seus restos mortais. Entretanto, naquele mesmo ano as monjas haviam transferido para Oberheim parte de suas relíquias, que podem ainda serem encontradas nas igrejas de Obernai e de Willgotheim.
     Em 1632, novamente os suecos incendiaram e pilharam a Abadia. Em 1687 o mosteiro e a igreja foram reconstruídos. Atualmente o local ainda é visitado por muitos peregrinos e devotos de Santa Odília e de sua santa sobrinha Eugênia.
     No século XIV Santa Eugênia era celebrada no dia 1o. de outubro, e posteriormente no dia 16 de setembro, dia de sua morte em Hohenbourg.
Abadia de Hohenbourg, Alsácia
 
 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Santa Placila (Ælia Flaccilla) Imperatriz - 14 de setembro

    

     Santa Placila, forma italiana do nome grego Plakilla, como é relatado pela respeitável Bibliotheca Sanctorum, é a imperatriz conhecida no mundo latino com o nome de Ælia Flaccilla, primeira esposa de São Teodósio I o Grande.
     Como o marido, ela também era de origem espanhola, talvez filha de Cláudio Antônio, prefeito de Gaul e cônsul no ano 382.
    O casamento de Teodósio e Placila foi celebrado por volta do ano 376. Pelo fim do ano seguinte nasceu o primeiro filho do casal, Santo Arcádio, que deveria herdar o império do Oriente, e nos anos sucessivos Placila deu à luz outros dois filhos: Honório, em 384, depois imperador do Ocidente, e Pulquéria, falecida em tenra idade.
     Placila faleceu prematuramente pouco depois, em 385, provavelmente devido a complicações após este último parto. São Gregório de Nissa, seu hagiógrafo, declarou expressamente que ela deu a Teodósio somente três filhos.
     A sua breve existência terrena não foi porém irrelevante na história da Cristandade, já que sob o benéfico influxo da sua personalidade inspirou a moderação e a clemência na política de seu marido, contribuindo para a promoção da fé cristã com a destruição dos cultos pagãos ainda vigentes.
     O casal imperial tornou-se assim um sustentáculo da doutrina cristã defendida pelo Concilio de Niceia, tendo Placila impedido que seu marido estipulasse um acordo ambíguo com o herético Ario.
     A obra desta santa imperatriz não foi porém exclusivamente de caráter teológico e doutrinário: São Gregório de Nissa também a considerou de fato um modelo brilhante de virtude cristã e caridade ardente, enquanto Santo Ambrósio, o célebre bispo milanês que batizou seu marido, a definiu como “Fidelis anima Deo” (alma fiel a Deus).
     Em um panegírico composto por ele, São Gregório de Nissa celebra a sua virtuosa vida, descrevendo Placila como a inspiradora das boas obras de Teodósio, seu esposo, o ornamento do império, a promotora da justiça, o ícone da beneficência. Além disso, segundo o seu autor, foi plena de zelo pela fé, coluna da Igreja e mãe dos indigentes. Teodoreto em particular exaltou a sua caridade para com os mais pobres e necessitados, concretizada não apenas com doações de dinheiro, mas por serviços prestados a eles.
     Santa Placila foi sepultada em Constantinopla, com orações fúnebres oficiadas por São Gregório de Nissa.
     A Acta Sanctorum redigida pelos Bollandistas de tradição latina se limita a mencioná-la como “venerável”; a Igreja Ortodoxa Grega ainda em data moderna a comemora como “santa”.
 
 
Sacrílego atentado contra Nossa Senhora em Roma
     No dia 14 de julho – data da queda da Bastilha durante a Revolução Francesa – profanadores em Roma “jogaram um líquido semelhante a sangue contra a imagem da Virgem, cujo rosto e vestimentas ficaram sujos de sulcos vermelhos”, denunciou a associação “Pela Villa Pamphilj”.
     É nesta Villa que se encontra a imagem de Nossa Senhora, no centro de um monumento dedicado aos soldados que em 1849 lutaram contra as tropas anticatólicas que estabeleceram uma espúria República Romana.
     O bem-aventurado Pio IX, legítimo monarca dos Estados Pontifícios, havia partido para o exílio poucos meses antes da proclamação dessa sacrílega república. Os continuadores dos revolucionários daquela época e prováveis autores do presente atentado cristofóbico contra a Santíssima Virgem talvez o tenham perpetrado por julgarem existir clima propício para por esse meio atacar a monarquia papal.
 

 
São Silvestre I, o primeiro Papa-rei de Roma (celebrado no dia 31 de dezembro)
     Dom Prosper Guéranger OSB (1805-1875), refundador da Abadia de Solesmes, escreveu em sua célebre obra L’Année Liturgique um grande elogio de São Silvestre I Papa (280-335), no qual, entre outras coisas, ele diz:
     Era justo, então, que a Santa Igreja, para reunir nessa oitava triunfante todas as glórias do céu e da terra, inscrevesse nesses dias, o nome de um santo confessor que representasse todos os confessores.
     Este é São Silvestre, esposo da Santa Igreja Romana e, por ela, da Igreja Universal.
     Um pontífice de reinado longo e pacífico, um servidor de Cristo ornado de todas as virtudes, e dado ao mundo após esses combates furiosos que tinham durado três séculos, nos quais triunfaram pelo martírio milhares de cristãos sob a direção de numerosos papas, mártires predecessores de Silvestre.
     Silvestre anuncia também a paz que Cristo veio trazer ao mundo e que os anjos cantaram em Belém.
     Amigo de Constantino, confirma o Concílio de Nicéia que condenou a heresia ariana e organiza a disciplina eclesiástica para uma era de paz. Seus predecessores representaram Cristo padecente; ele figura Cristo triunfante.
     Ele completa, nessa oitava, o caráter do Divino Menino que chega na humildade de Suas faixas, exposto à perseguição de Herodes e, entretanto, é o Príncipe da Paz e o Pai do século futuro.
     De acordo com os ensinamentos de Silvestre, o piedoso imperador confirmou com seu exemplo o direito concedido aos cristãos de construir seus templos de modo ostensivo, pois ele elevou grande número de Basílicas.
     A saber, a de Laterão dedicada a Cristo Salvador, a do Vaticano a São Pedro, a da via de Óstia a São Paulo, a de São Lourenço no Agro Verano, da Santa-Cruz no palácio de Sessorius, dos santos Pedro e Marcelino e de Santa Inês nas vias Lavicana e Nomentana, e outras ainda que ele ornou esplendidamente com imagens santas e dotou magnificamente com propriedades e privilégios.
     Foi sob seu pontificado que se reuniu o primeiro Concílio de Niceia, no qual, sob a presidência de seus legados, na presença de Constantino e de trezentos e dezoito bispos, a santa Fé católica foi explicada e Ario e seus sectários foram condenados. (…)
     São Silvestre também ditou vários decretos vantajosos para a Igreja de Deus que levam seu nome, a saber: (…) que os diáconos usariam a dalmática na Igreja e levariam no braço esquerdo um ornamento de linho; que o Sacrifício do altar se celebraria sobre uma toalha de linho. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Santíssimo Nome de Maria - 12 de setembro

   
     Já em 1513, em Cuenca, Espanha, o nome de Maria era comemorado no dia 15 de setembro. Em 1587, o Papa Sisto V mudou o dia da celebração para 17 de setembro; em 1622, o Papa Gregório XV estendeu a festa para a Arquidiocese de Toledo; em 1666 os Carmelitas Descalços receberam a permissão para recitar o Ofício do Nome de Maria quatro vezes por ano (dúplice); em 1671, a festa foi estendida para toda a Espanha.

     Em 1683, os cristãos conduzidos pelo Rei Jan III Sobieski da Polônia obtiveram a vitória sobre os turcos na Batalha de Viena. Antes da batalha o Rei Jan Sobieski havia colocado suas tropas sob a proteção da Virgem Maria. Após a batalha, o Papa Inocêncio XI estendeu a festa para toda a Igreja, numa homenagem a Maria Santíssima. 
 
O nome Maria
     A Bem-aventurada Virgem Maria é cheia de graça, e aos anjos supera em plenitude de graça. Convenientemente se chama “Maria”, que significa em si mesma iluminada. É-lhe por isso mesmo atribuída a seguinte passagem de Isaías (58,11): “O Senhor encherá tua alma de esplendores”.
     Outra interpretação desse nome é iluminadora dos outros; no caso, iluminadora do mundo inteiro. Por isso é comparada ao sol e à lua.
     (…) O Anjo reverenciou a Bem-aventurada Virgem, como mãe do Soberano Senhor e, por isso mesmo é Senhora. Donde lhe convir este nome “Maria”, que na língua siríaca significa “senhora”.
     A Bem-aventurada Virgem supera os anjos por sua pureza. Porque não só era em si mesma pura, mas também alcançava a pureza para os outros. Puríssima foi, também, quanto à culpa, porque não incorreu em pecado mortal ou venial; e o foi também quanto à pena.
     (…) A Bem-aventurada Virgem foi imune de toda maldição, e por isso é a “bendita entre as mulheres”. Porque somente Ela cancelou a maldição, trouxe-nos a bênção e abriu a porta do Paraíso.
     Eis porque lhe convém o nome de “Maria”, que se interpreta “Estrela do mar”, porque assim como pela estrela do mar os navegantes são guiados ao porto, do mesmo modo os católicos são dirigidos por Maria à glória.
     Quase sempre o pecador está procurando por algo que não consegue alcançar, mas o justo o alcança, conforme se lê nos Provérbios: “guarda-se para o justo a riqueza do pecador” (Pr 13,22).
     Foi assim que Eva procurou o fruto e nele nada encontrou do que desejava. Mas, em seu fruto, a Bem-aventurada Virgem Maria encontrou tudo o que Eva desejava.
 
Fonte: São Tomás de Aquino, In Salutationem Angelicam Expositio – (Comentário à Ave-Maria)
 
Sermão do Santíssimo Nome de Maria, do Padre António Vieira (excerto)
     Considera S. Bernardo como houve um Josué sucessor de Moisés, e um Jesus Sirac, e outro Jesus, filho de Josedec, que se chamaram Jesus. Mas como desafronta o santo a soberania do nome de Jesus da baixeza de estes outros sinô­nimos? Excelentemente: Non enfim ad instar priorum meus iste Jesus nomen va­cuum et inane portat. Non est in eo magni nominis umbra, sed veritas[23]: Sabeis quanta diferença vai desses Jesus ao nosso Jesus? Quanta vai da sombra à verda­de. – Os nomes de esses outros chamados Jesus eram nomes vazios, porque so­mente tinham o som e a voz, e lhes faltava o significado. Só o nosso Jesus foi nome cheio, porque a verdade da significação enchia os vazios e as medidas do nome. É o que disse o poeta, com discreta lisonja, escrevendo a Máximo: Maxime, qui tanti mensuram nominis imples[24]. – E assim como entre todos os que se cha­maram Jesus só o Filho de Maria encheu as medidas do nome de Jesus, assim entre todas as que se chamaram Marias só a Mãe de Jesus encheu as medidas do nome de Maria. E quais são as medidas do nome de Maria? A mesma Senhora o disse: Quia fecit mihi magna qui potens est[25]. – Quem quiser tomar a medida certa ao nome de Maria, tome-a primeiro à onipotência divina, porque tudo o que Deus podia e pode é o que entesourou neste imenso nome. E se todos os poderes da onipotência são os que só enchem as medidas do nome de Maria, vede como o podia compreender outra idéia, nem pronunciar outra voz, senão a da mesma di­vindade: De thesauro divinitatis nomen Mariae evolvitur.
 
[23] Bernard. Serm. l de Circun.
[24] Máximo, que enches as medidas de tão grande nome. (Ov. Pont. 1, 1, 2).
[25] Porque me fez grandes coisas o que é poderoso (Lc. I, 49).

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Beatas Maria Xoum Yochida e Maria Tanaura, mártires do Japão - 10 de setembro

    
52 Mártires do Japão
 
     Maria Yoshida era esposa de João. Este nasceu em Meaco, se transferiu ainda jovem para Nagasaki onde recebeu uma educação católica, vindo a ser batizado pelos padres da Companhia de Jesus.

     Após seu casamento com Maria, com quem teve filhos, continuou a ajudar os padres da Companhia na difusão do Evangelho.
     Quando em 1614 a perseguição feroz se iniciou contra os missionários cristãos estrangeiros, os quais foram expulsos do país, João hospedou alguns deles, embora soubesse o risco a que se expunha: a lei punia com a morte os japoneses que fizessem esta violação. Entre os religiosos que João ocultava estava o Padre Alfonso de Mena.
     No dia 15 de março de 1619 o missionário foi descoberto e aprisionado. A mesma sorte teve João, que foi colocado no cárcere de Nagasaki.
     No dia 17 de novembro João foi interrogado pelo governador Gonrocu, que tentou fazê-lo renegar a fé. No dia seguinte, com outros quatro companheiros, João foi queimado vivo na colina de Nagasaki. Os seus restos mortais, bem como de seus companheiros de martírio, foram lançados no mar, mas os cristãos conseguiram pescar alguns.
     A esposa de João, Maria, foi decapitada no dia 10 de setembro de 1622. O papa Pio IX os beatificou em julho de 1867.
*
     Quanto a Beata Maria Tanaura, também celebrada neste dia, era amiga de Takeya Inês, e foi aprisionada por ter ajudado os missionários estrangeiros, violando a lei do Estado que proibia dar hospitalidade e ajuda aos propagadores do Cristianismo.
     Após sofrer duramente na prisão, foi decapitada no dia 10 de setembro de 1622, na idade de 45 anos. Com ela foram martirizados 50 japoneses e estrangeiros (o “grande martírio”).
     Em 6 de julho de 1867 o papa Pio IX proclamou-os beatos. São celebrados no dia 10 de setembro.
 

sábado, 7 de setembro de 2013

Beata Serafina Sforza, Viúva e Clarissa - 8 e setembro

     
     Sveva Feltria pertencia à ilustre família dos Condes de Montefeltro, senhores de Urbino de 1234 a 1508. Nasceu em Urbino em meados de 1434, última filha de Guido Antônio e Catarina Colonna, sobrinha do Papa Martinho V.
     Em 1438 sua mãe faleceu e cinco anos mais tarde seu pai também. Durante algum tempo permaneceu em Urbino sob a tutela de seu irmão Odantonio e após a morte trágica deste foi acolhida por seu irmão Frederico.
     Em março de 1446 abandonou sua cidade natal e viveu em Roma por um ano, junto ao seu tio materno, o Cardeal Próspero Colonna, que, segundo os costumes da época, promoveu o casamento de sua jovem sobrinha com um senhor de Pésaro, Alexandre Sforza, de 40 anos. O casamento ocorreu em 9 de janeiro de 1448.
     Logo Sveva ficou sozinha devido a partida de seu esposo chamado por seus compromissos militares na guerra da Lombardia. Sveva se empenhou nos seus deveres de estado assistida pela tia Vitória Colonna, pela prima Isabel Malatesta; cuidou da educação de seus enteados, Batista e Constâncio Sforza, filhos de seu marido e da sua falecida esposa, Constança Varano.
     Sveva passou a sofrer enormes dificuldades devido às desconfianças e calúnias propagadas contra ela. Alexandre Sforza chegou a querer desfazer-se dela tentando envenená-la várias vezes; uma noite inclusive tentou estrangulá-la. A defesa que seus parentes fizeram dela de nada adiantaram. Foi obrigada por seu marido e seu cunhado, o Duque de Milão, a ingressar no convento de Corpus Christi das Clarissas, em Pésaro, onde, após a dispensa obtida do Papa Calixto III, fez sua profissão religiosa em fins de agosto de 1457, tomando o nome de Irmã Serafina.
     Passou 21 anos no mosteiro de Corpus Christi, durante os quais foi a edificação para suas coirmãs na prática das virtudes cristãs, na caridade para com Deus e o próximo, na humildade, na assistência às doentes e na rígida pobreza.
     Em 1475, por votação unânime, foi eleita abadessa. Nos últimos anos de sua vida teve a imensa alegria de ver a conversão de seu marido. Este, arrependido de seus desmandos e de quanto a havia feito sofrer, lhe pediu humildemente perdão de tudo, reconhecendo seus erros. Nos vários encontros com ela no mosteiro, fixou as bases de uma nova vida verdadeiramente cristã, na oração, na intima união com Deus, no cumprimento de seus deveres. Alexandre Sforza faleceu em 1473.
     Cinco anos depois, no dia 8 de setembro de 1478, Serafina faleceu em seu mosteiro de Pésaro, na idade de 44 anos. Sua morte foi lamentada pelas Clarissas e por toda a cidade, que a venerava como santa.
     Bento XIV aprovou o seu culto em 17 de julho de 1754. Ela é celebrada no dia 8 de setembro.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Beata Eugênia Picco, Religiosa - 7 de setembro

    
     "Como Jesus escolheu o pão, algo tão comum, assim deve ser minha vida, comum, acessível a todos e, ao mesmo tempo, humilde e escondida, como é o pão". Estas palavras de Eugênia Picco brotam de uma profunda contemplação de Jesus, Pão de vida, entregue por nós. A esta contemplação Eugênia chegou por um longo e doloroso caminho.

     Nasceu em Crescenzago (Milão) em 8 de novembro de 1867 de José Picco e Adelaide del Corno. O pai é um excelente músico cego da “Scala” de Milão. A mãe é uma mulher frívola, que não ama seu marido, que prefere o dinheiro, o êxito, as viagens. Os avós cuidavam habitualmente de Eugênia; ela encontrava seus pais durante as breves pausas que se concediam entre uma tournée e outra, até que um dia a mãe volta sozinha, sem seu marido, dando-o por morto.
     Eugênia não saberia nada sobre seu pai. Daquele momento em diante a mãe obriga a filha a viver com ela e com seu amante, do qual teve outros dois filhos. Eugênia cresceu em um ambiente irreligioso e moralmente malsão, tendo que conviver entre os desejos mundanos da mãe, que deseja que ela seja uma cantora famosa, e com o amante da mãe que a maltrata com frequência.
     «Perigos e ocasiões tanto em casa como fora», diria Eugênia recordando aqueles anos de tribulação e aquele «instintivo» anelo de rezar, de olhar para o alto, no silêncio da austera basílica de Santo Ambrósio de Milão, onde a cada dia ia pedir ajuda a Deus, quase sem conhecê-Lo. Até que uma tarde de maio de 1886 Eugênia sentiu dentro de si o chamado à santidade e daquele instante diante caminharia, com prontidão e fidelidade indefectível, para a perfeição.
     Aos vinte anos Eugênia decidiu amar a Jesus e ser santa. Ingressou na jovem Família Religiosa das Pequenas Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria fugindo de casa no dia 31 de agosto de 1887, sendo imediatamente acolhida, compreendida e amada pelo Fundador, o Venerável Agostinho Chieppi.
     Em 26 de agosto de 1888 iniciou o noviciado e em 10 de junho de 1891 emitiu a primeira profissão religiosa nas mãos do mesmo Fundador. Fez a profissão perpétua em 1º. de junho de 1894.
     Simples e humilde, fiel e generosa, se entregou sem reservas às alunas do Colégio de quem é mestra de música, canto e francês; às noviças de quem é mãe e mestra; às Irmãs como arquivista, Secretária geral e Conselheira. Em junho de 1911 foi eleita Superiora geral permanecendo no cargo até a morte.
     Mulher valente, fez o voto de cumprir com perfeição serena e tranquila os deveres de Superiora e isto para cumprir a vontade de Deus.
     Animadora sábia e prudente da Congregação das Pequenas Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, durante seu governo desenvolveu uma atividade iluminadora e prudente para uma organização definitiva do Instituto, propondo-se cumprir as diretrizes transmitidas pelo Fundador.
     Para todos era mãe, especialmente para os pobres e para os pequenos aos quais servia com caridade generosa e incansável. As necessidades e os dramas de muitos irmãos durante a grande guerra de 1915-1918 abriram ainda mais seu coração para acolher todo pranto, toda dor e toda preocupação social ou particular.
     Seu principal apoio, fonte vital de sua vida interior e de todo seu trabalho apostólico, era a Eucaristia, seu grande amor, centro de piedade, alimento, consolo e alegria em suas jornadas densas de oração e de cansaço. Jesus lhe infundia seu zelo pela salvação das almas; em seu ardente amor a Jesus encontramos a explicação de sua incessante atividade.
     De saúde débil, com um corpo consumido pela tuberculose óssea, em 1919 teve que se submeter à amputação da extremidade inferior direita. Irmã Eugênia se ofereceu para cumprir os planos de Deus sobre ela, pronta para qualquer imolação.
     Decidida a caminhar para a perfeição, isto se expressa em uma vida de mortificação, de pureza, de obediência, de heroísmo, de obras virtuosas, vivendo o comum e o mais humilde da vida de maneira extraordinária; este o clima em que se passou a existência de Irmã Eugenia Picco.
     Irmã Eugenia faleceu santamente no dia 7 de setembro de 1921. Sua fama de santidade sobreviveu e inclusive foi aumentando depois de sua morte. Por toda parte eram ouvidas expressões de admiração e veneração a ela, considerada por todos como exemplo de extraordinária virtude e modelo de piedade, zelo, prudência, espírito de sacrifício e sabedoria.
     Em setembro de 1945 foi iniciado o processo de beatificação. Em 20 de dezembro de 1999 foi publicado o decreto sobre o milagre atribuído à sua intercessão que reconheceu a cura prodigiosa de Camilo Talubingi Kingombe, da diocese de Uvira (ex Zaire), ocorrida em 25 de agosto de 1992. Em 7 de outubro de 2001 foi proclama beata.
 
Fonte: Santa Sé
 
Etimologia: Eugênio (a) do grego Eugênes: “de bom (eu) nascimento (gemes)”, “de nobre estirpe”.