segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Santas Ripsima, Gaiana e Comp., Virgens e Mártires da Armênia - 29 de setembro

    





     A Vita destas Santas, bem como a de São Gregório o Iluminador, também chamado São Gregório Armênio, são recordadas nas fontes da tradição armênia. As Actas destas virgens apresentam pormenores extravagantes, mas não há dúvida de que a veneração a estas virgens e mártires existe desde tempos imemoriais na Armênia. Ripsima é venerada no Egito com o nome de "Arepsima" (ver Analecta Bollandiana, vol. XIV (1927), pp. 157 e 395), como também nos textos em árabe e no Martirológio Sírio de Rabban Silba.
     Segundo o testemunho dos historiadores armênios Fausto e Lázaro, podemos dizer que as mártires começaram a ser veneradas desde meados do século quinto (ver Tournebize, na Histoire politique et religieuse d´Armenie, pp. 452 e ss.). A versão grega das suas Actas, atribuída a Agatângelo, foi impressa na Acta Sanctorum sept. vol. VIII, junto com as de São Gregório, em 30 de setembro.
     Todos os pesquisadores dessas legendas concordam em dizer que a parte atribuída a Ripsima é pura fábula, conforme também S. Weber, em Die katholiche Kirche in Armenien (1903), p. 117 e a Analecta Bollandiana, vol. LX (1942), pp. 102-114.
     Mas, segundo a opinião do Pe. Paul Peeters "seria um atrevimento negar a existência destas mártires...".
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     Em 306, em Roma, o imperador Maxêncio (278-312) tomou o poder e de acordo com o historiador Eusébio, a princípio, usando de moderação, ordenou o fim da perseguição aos cristãos, mas com o passar do tempo, seguindo sua natureza perversa, começou a usar seu poder para roubar as esposas de seus maridos, especialmente dos patrícios e senadores.
     As senhoras nobres de Roma passaram tempos difíceis e então Ripsima, que pertencia à nobreza imperial, mas vivia a vida monástica com outras companheiras sob a orientação de Gaiana, decidiu deixar a cidade para escapar a esta infâmia.
     O grupo de mulheres decidiu mudar-se para o Oriente. A origem romana destas santas parece provável examinando seus nomes armênios: Gaiana certamente é o diminutivo de Gaia; Nune, nome de uma das companheiras, lembra o nome latino de Nona e o nome armênio de Hripsime parece ser uma alteração do nome latino Crispina.
     Na Armênia os fatos ocorridos com Ripsima, Gaiana (priora) e as suas companheiras estão interligados com os de São Gregório o Iluminador, o apóstolo da Armênia.
     O rei da Armênia, Tiridate III (+ 330), era inicialmente inimigo do Cristianismo e perseguia os cristãos. De acordo com o biógrafo, Ripsima e 33 companheiras foram decapitadas em 26 Hori (correspondente a 4 de novembro de 313) e Gaiana e duas virgens em 27 Hori (5 de novembro de 313).
     Poucos dias após o martírio das santas virgens São Gregório foi libertado da prisão. Depois da cura do rei, alcançada pela intercessão de São Gregório, e de sua posterior conversão, o santo bispo pegou as relíquias das mártires e construiu três capelas no local do martírio para guardar os túmulos das santas.
     Estas Capelas foram completamente restauradas no século VII e naquela época as relíquias foram redescobertas. No século XVII, os missionários tentaram, sem sucesso, levar as relíquias para o Ocidente; elas permaneceram na Armênia e as três capelas, joias da arquitetura armênia, são objeto de um cuidado especial do governo.
     A Igreja Armênia celebra as mártires em dois dias: na segunda e na terça-feira após a festa da SSma. Trindade. Como o martírio destas virgens está na origem da conversão da Armênia, grande é a popularidade delas naquela Nação. Elas são consideradas as primeiras mártires da Igreja Armênia.


(1) São Gregório o Iluminador é o apóstolo dos Armênios, Nação que se converteu ao Cristianismo em 301. Gregório nasceu em 260 e foi educado na fé cristã por sua ama de leite. Recusou-se a sacrificar aos deuses pagãos, como desejava o Rei Tiridate, e foi aprisionado. Depois, Tiridate adoeceu e foi curado pelo Santo, que foi então libertado. São Gregório converteu a família real, o que resultou na conversão de toda a Nação ao Cristianismo. São Gregório morreu em 328. Algumas de suas relíquias estão na igreja de São Gregório Armênio em Nápoles, na homônima rua, célebre por seus presépios. Outras se encontram em Nardò e Constantinopla. A mais importante é o braço direito, com a qual se benze o novo Katholikos (bispo) na Armênia.

Fonte: http://www.santiebeati.it/dettaglio
 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Martírio de católicos hoje, na Síria e outros países

    
          Verdadeiros martírios de católicos em mãos de fundamentalistas islâmicos aconteceram em Maaloula, aldeia situada ao norte de Damasco, na Síria.     O testemunho de uma mulher católica, cujo nome é preservado no anonimato por razões de segurança, permitiu à agencia vaticana Fides reconstituir detalhadamente o martírio.
     No dia 7 de setembro, os seguidores de Maomé foram violando casas dos católicos: destruíam imagens religiosas, objetos familiares e semeavam o terror.
     Numa casa estavam os católicos Mikhael Taalab, seu sobrinho Antoun Taalab e seu neto Sarkis el Zakhm, além da mulher A., única sobrevivente.
     Os devotos do Corão intimaram os presentes a se perverterem ao Islã, ameaçando matá-los se não o fizessem. Sarkis respondeu alto e bom som: “Sou cristão, e se quereis me matar porque sou cristão, fazei-o!”.
     O jovem e seus parentes foram fuzilados a sangue frio. A mulher ficou ferida, mas foi salva num hospital de Damasco como que por milagre.
     “O que aconteceu com Sarkis é um verdadeiro martírio, um assassinato por ódio à fé (in odium fidei)”, disse à Fides a Irmã Carmel.
     Houve grande emoção entre os cristãos de Damasco – onde há muitos fugitivos de Maalula –, especialmente entre os presentes ao funeral.
     As exéquias foram celebradas pelo Patriarca Gregório III Laham na catedral católica do rito greco-melquita. 

Maaloula, Síria

Beatas Mártires de 1936 - 27 de setembro

     
     Hermínia Martinez Amigo nasceu na Espanha em 31 de julho de 1887 em Puzol (Valência) e foi batizada na mesma igreja paroquial de Santos Juanes onde se casou em 24 de fevereiro de 1916.
     Ela teve duas filhas que morreram na infância. Tendo nascido em uma família rica, se dedicou às obras de caridade aos pobres. Fundou uma sociedade para o cuidado dos pobres doentes em sua cidade, nela empenhando todos os seus bens. Devido a uma doença do coração, Hermínia não podia assistir a Santa Missa todos os dias, porém recitava sempre o Rosário.
     Ela foi presa com o marido e ambos foram mortos em 27 de setembro de 1936 em Gilet, durante a perseguição religiosa que caracterizou a Guerra Civil Espanhola.
     Hermínia foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 11 de março 2001, junto com outros 232 mártires espanhóis testemunhas da fé, que foram executados em uma tentativa para destruir a Igreja Católica no país ibérico.
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     No mesmo dia são celebradas as religiosas da Ordem Terceira das Capuchinhas da Sagrada Família: Irmã Francisca Xavier de Rafelbunol; Irmã Rosária de Soano (Pietra Maria Vitória Quintana Argo) e Irmã Serafina Maria de Ochovi: 

     Maria Fenollosa Alcayna, Irmã Francisca Xavier de Rafelbunol, nasceu em Rafel-bunol, na província de Valência (Espanha), no dia 24 de maio 1901. Ingressou no convento em 1921 e fez sua profissão de temporária em 1924 e perpétua em 1928. Em Masamagrell ocupava o cargo de assistente da mestra de noviças. Ela era respeitada por todos como uma freira devota, fervorosa, humilde, amante do silêncio, sempre sorridente. Voltando para a família por causa do perigo que pairava sobre a sua comunidade, em 27 de setembro de 1936, foi presa com seu irmão José. No dia seguinte, seus corpos foram encontrados em cemitérios diversos. 
     Pietra Maria nasceu em 13 de maio de 1866 em Soano, província de Santander (Espanha). Em 1889 ingressou na Congregação das Irmãs Terceiras Capuchinhas da Sagrada Família, fundada por Luis Amigó y Ferrer (1854-1934). Foi Superiora em diversas casas da instituição, Mestra de Noviças, Superiora Geral e Vigária Geral de 1926 até sua morte. Ao romper a revolução espanhola se encontrava na casa de noviciado de Masamagrell (Valência), junto com a Superiora local, Ir. Serafina Maria de Ochovi.
     Na tarde de 21 de agosto de 1936, Irmã Rosária de Soano e Irmã Serafina Maria da Ochovi foram aprisionadas, porque eram religiosas, e foram assassinadas na noite seguinte.
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     Carmen, Rosa e Madalena eram três jovens que muito cedo se tornaram religiosas no Instituto das Filhas do Ssmo. Coração Imaculado de Maria. Elas tiveram apenas tempo de pronunciar os votos solenes quando iniciou a guerra civil de 1936.
     Como as outras coirmãs, foram obrigadas a abandonar às presas o convento para buscar refúgio onde podiam. As três voltaram para sua terra natal, junto aos pais, vestiram roupas civis e procuraram, na medida do possível, continuar a vida de oração e retiro que haviam escolhido. A observância da regra do seu Instituto e a precária tranquilidade duraram cerca de um mês e meio. No alvorecer do dia 27 de setembro de 1936 foram despertadas por pancadas na porta. Eram os vermelhos, avisados não se sabe por quem, que foram prendê-las e as levaram longe, para um bosque. Os revolucionários pretendiam violá-las, mas as três se defenderam com unhas e dentes. Se bem que homens, em maior número e armados, não conseguiram violentá-las. A ira os levou a torturá-las de mil modos antes de matá-las.
     O "sol do porvir" é sempre tingido de sangue.
 
 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Santa Ketevan (Catarina), Rainha da Geórgia, mártir - 24 de setembro

    
     Ketevan (* 1565 - + 13 de setembro de 1624) era filha do príncipe Ashotan de Mukhrani (Bagrationi) e casou-se com o príncipe David de Kakheti, futuro David I, rei de Kakheti 1601-1602.

     Após a morte de David, Ketevan dedicou-se à religião e à caridade. No entanto, quando o irmão de David, Constantino I, matou seu pai, o reinante Alexandre II e usurpou a coroa com o apoio iraniano em 1605, Ketevan reuniu os nobres de Kakheti contra o parricida, enfrentando as forças leais a Constantino. Após a revolta, ela negociou com o muçulmano Abbas I do Irã para confirmar o seu filho menor de idade, Teimuraz I, como rei de Kakheti, enquanto ela assumia a função de regente.
     Em 1614, enviada por Teimuraz como negociadora junto a Abbas I, Ketevan entregou a si mesma como refém numa tentativa frustrada de evitar que Kakheti fosse atacada pelos exércitos iranianos. Ela foi mantida em Shiraz por vários anos. Naquela cidade Ketevan encontrou-se com alguns missionários agostinianos provenientes de Portugal, que ficaram tão impressionados com seu testemunho de fidelidade ao Cristianismo, que após sua morte propuseram a sua canonização ao Papa.
     Após tê-la mantido na prisão por muito tempo sem obter a diminuição de sua fé, nem a de seus companheiros, Abbas I decidiu colocá-la diante da alternativa de abraçar o islã ou ser condenada à morte. Ketevan não teve dúvida e se colocou em paz nas mãos de seus algozes. Abbas I mandou torturá-la até a morte com tenazes em brasa, em 1624.
     Parte de suas relíquias foi levada pelos missionários católicos portugueses, testemunhas oculares de seu martírio, para a Geórgia, e enterrada no Mosteiro Alaverdi. O restante de seus despojos mortais foi sepultado na Igreja de Santo Agostinho, em Goa, na Índia. Várias expedições partiram da Geórgia e chegaram a Goa à procura do local exato de seu túmulo, em vão.
     O relato do martírio de Ketevan feito pelos missionários Agostinianos foi explorado por seu filho, Teimuraz, em seu poema O Livro e a paixão da rainha Ketevan (1625), bem como pelo autor alemão Andreas Gryphius em sua tragédia clássica Katharine von Georgien (1657). O monge georgiano Grigol Dodorkeli-Vakhvakhishvili do Mosteiro David Gareja foi outro autor quase contemporâneo cujos escritos, uma obra hagiográfica, bem como vários hinos, concentram-se na vida e no martírio de Ketevan. O poeta escocês William Forsyth compôs o poema O martírio de Kelavane (1861), com base no relato da morte de Ketevan de Jean Chardin.
     A importância da Rainha Ketevan para o povo georgiano levou-o à "caça" de uma relíquia sua durante as últimas décadas. Nomeadamente em Goa, e desde 1989, várias delegações provenientes de Georgia têm trabalhado em conjunto com o órgão “Pesquisa Arqueológica da Índia” para tentar localizar o túmulo de Ketevan dentro das ruínas do convento agostiniano de Nossa Senhora da Graça, em Goa Velha. Todos esses esforços foram frustrados, porque as equipes não foram capazes de interpretar corretamente os documentos portugueses que davam pistas sobre o lugar do sepultamento de Ketevan.
     Fontes históricas afirmam que fragmentos de ossos do braço e da palma da mão de Ketevan foram guardados dentro de uma urna de pedra debaixo de uma janela específica dentro da Capela do Capítulo do convento agostiniano.
     Em maio de 2004, a Capela do Capítulo e a janela, mencionadas nas fontes, foram encontradas durante um trabalho em colaboração com órgãos portugueses e indianos, e o arquiteto Sidh Losa Mendiratta. Embora a urna pedra estivesse desaparecida, a sua cumeeira de pedra e uma série de fragmentos ósseos foram encontrados perto da janela mencionada nas fontes portuguesas.
     Os cientistas indianos realizaram uma análise de DNA dos fragmentos de ossos encontrados durante esta escavação, mas o mistério das relíquias de Ketevan continua, uma vez que seria necessária a análise em confronto com as supostas relíquias existentes na Geórgia.

Santa Tecla de Icônio, Virgem e Mártir - 23 de setembro


     Não houve nome mais célebre na Antiguidade cristã; dizer duma mulher que era outra Tecla era reconhecer-lhe as mais elevadas virtudes. Assim se exprimiam São Jerônimo para louvar Santa Melânia e São Gregório Nazianzeno para exaltar a santidade de Santa Macrina, sua irmã.
     As informações que a respeito de Santa Tecla se encontram nos antigos Padres são tiradas das Actas de Paulo e Tecla, documento apócrifo do 2º século, que já Santo Agostinho afirmava ter sido interpolado e falsificado.
     Convertida por São Paulo, Tecla viveu durante algum tempo em Icônio (na atual Turquia). Sofreu muitas tribulações para se conservar fiel à fé e ao voto de virgindade que tinha pronunciado, e acabou tranquilamente a vida em Selêucia, onde o seu túmulo foi venerado desde o século IV.
     Nada mais se sabe ao certo desta virgem ilustre, venerada tanto na Igreja Grega como na Romana, exaltada por Santo Epifânio, São João Crisóstomo, São Metódio de Olimpo e Santo Ambrósio, a qual era invocada pela liturgia, à cabeceira dos moribundos, na seguinte oração:

     “Senhor, que livraste a bem-aventurada Tecla, virgem e mártir, de três tormentos cruéis, nós Vos suplicamos que na vossa bondade Vos digneis libertar esta alma e conceder-lhe a graça de gozar convosco dos bens celestiais. Amém”. 

     Os três tormentos mencionados nesta prece são: a fogueira, os leões, e as serpentes, aos quais, segundo dizem as Actas de Paulo, Tecla foi condenada e que não lhe causaram qualquer mal. Diz-se que a deixaram finalmente morrer em paz ao terminar o século I.
     Santa Tecla é invocada pelos fieis como a padroeira dos agonizantes e é também solicitada para interceder por eles contra os males da vista. A Igreja confirmou o seu culto pela tradição dos fiéis e manteve o dia em que tradicionalmente a sua festa é realizada.
 
Fonte: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J. Editorial A. O. – Braga.
 
Etimologia: Tecla, do grego Thékla, abreviação de Theókleia: "glória (kleia) de Deus (theós). O nome é ainda muito usado principalmente nos países de língua alemã.
 
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O Estado de S. Paulo, domingo, 8 de setembro de 2013
Forças leais a Assad e insurgentes disputam enclave cristão            Lourival Santanna

Beirute — Três dias depois de uma ousada incursão conjunta do Exército Sírio Livre (ESL) e do Movimento Islâmico Homens Livres do Levante (Harakat Ahrar ash-Sham al-Islami) no vilarejo cristão de Maaloula, 50 quilômetros a nordeste de Damasco, tropas leais ao governo e insurgentes travavam ontem intensa batalha na área, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, ligado à oposição.
Uma freira do Convento de Santa Tecla, em Maaloula, onde ainda se fala o aramaico, a língua de Jesus, disse pelo telefone à Associated Press que os invasores andaram na quarta-feira pelas ruas da cidade gritando em um megafone: “Aqueles que quiserem continuar vivos, convertam-se ao Islã”. Ela contou que a população estava aterrorizada: “É a primeira vez que nos atacam”.
As particularidades dessa incursão podem dificultar a campanha de Obama para angariar apoio no Congresso americano e entre países aliados para uma ação militar contra o regime Assad. A dificuldade de distinguir extremistas islâmicos dos combatentes seculares tem sido um argumento, no Ocidente, contra a ajuda aos insurgentes sírios.
Alguns observadores da guerra civil na Síria afirmam que o Ahrat ash-Sham tem se tornado um dos maiores e mais fortes grupos combatentes no país. Em seus primeiros comunicados, o grupo afirmou que seu objetivo de longo prazo é a imposição dos preceitos islâmicos no país, mas que entendia que a população síria não estava “preparada para isso”.
Maaloula é um local de peregrinação cristã. Nela estão, segundo a tradição, os restos de Santa Tecla, discípula de São Paulo e considerada uma das primeiras mártires do cristianismo. Condenada à fogueira por aderir ao cristianismo e ao celibato pregado por São Paulo, ela chegou ao local fugindo de soldados romanos. Segundo a tradição, Tecla se viu encurralada pela montanha, e Deus abriu o desfiladeiro, para facilitar sua fuga. Ironicamente, muitos dos 5 mil moradores cristãos de Maaloula têm fugido do vale, temendo a perseguição dos radicais islâmicos.
Na ocupação de Qusair, no oeste da Síria, com participação da Frente Nusra, no primeiro semestre, todas as imagens cristãs foram destruídas, e as paredes das igrejas, pichadas com frases em favor do Islã e contra o cristianismo.
 
 

domingo, 22 de setembro de 2013

Santa Ifigênia, Virgem etíope - 22 de setembro

Martírio de S Mateus e Sta Ifigênia, séc.XIV
     Ifigênia ou Efigênia [do grego Iphigenes: "nascida (genes) com poder (iphi)”], foi uma das responsáveis pela propagação do Cristianismo na Etiópia. Por ter sido uma grande colaboradora do Apóstolo São Mateus, é festejada no dia 22 de setembro, um dia após a festa daquele Santo.
     De acordo com o livro de Tiago de Voragine, A Legenda Áurea, Ifigênia era filha do rei etíope Egipo. Ela foi catequisada, batizada e consagrada a Deus por São Mateus, o Evangelista, que difundiu o Evangelho na região.
     Quando Hirtaco sucedeu o pai da santa no trono, prometeu que daria metade de seu reino ao Apóstolo caso persuadisse a filha do falecido monarca a se casar com ele. São Mateus, então, convidou o rei a acompanhar a missa de domingo. Aproveitando que ele ali se encontrava, explicou-lhe que não poderia permitir que a jovem virgem se casasse com ele, pois ela fora consagrada ao Senhor. Enfurecido, Hirtaco então mandou seus homens matarem São Mateus aos pés do altar, o que o tornou mártir da fé católica.
     Após a morte de São Mateus, o rei tentou destruir a casa de Ifigênia, que vivia com duzentas companheiras, como ela dedicadas à oração e à penitência, incendiando-a. Entretanto, o apóstolo apareceu e expulsou as chamas do lugar, voltando-as em direção ao palácio real. Completando o castigo divino, o filho de Hirtaco ficou possesso pelo demônio e o próprio rei contraiu a lepra.
     O povo aclamou o irmão da santa como seu rei. Este contava com os sábios conselhos da veneranda irmã e reinou por setenta anos; foi sucedido por seu filho, que por sua vez mandou construir muitas igrejas católicas pela Etiópia.
     Ifigênia morreu bem idosa, vendo o Evangelho espalhar-se pelos reinos vizinhos. Perto havia um reino, Abissínia, cujo rei, Elesbão, também se converteu a fé cristã, e é venerado como santo pela Igreja Católica.
     Os Carmelitas dizem-se descendentes dos Israelitas que viviam em comunidade no Monte Carmelo desde o tempo do Profeta Elias. Quando aceitaram o Evangelho acompanhavam os Apóstolos incentivando os primeiros cristãos a viver como eles. Eis porque Santa Ifigênia veste hábito carmelita em suas representações.
     O triunfo sobre a voracidade das chamas fez de Santa Ifigênia a advogada contra incêndios e protetora da moradia.
     Esta devoção começou entre os Carmelitas de Cádiz, na Andaluzia. Dessa região espanhola passou a Portugal e de lá ao Brasil. Por ser africana, Santa Ifigênia logo despertou a atenção e o amor do sofrido povo negro, que começou a receber abundantes graças por sua poderosa intercessão. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Santa Maura de Troyes, Virgem leiga - 21 de setembro

    
     Maura nasceu em Troyes, região de Champagne, França. Era filha do nobre Maurano e da rica Sedulia. Seu irmão, Eutrópio, sacerdote, foi um eminente prelado de Troyes.

     Existe uma Vita contemporânea de Santa Maura, breve, mas confiável, escrita por São Prudêncio de Troyes (celebrado a 6 de abril), que baseia o seu relato em conversas mantidas com a mãe da Santa. Ele narra que desde a mais tenra idade Maura, que nasceu em 827, levou uma vida de intensa oração, completamente focada em Deus. Existem também escritos sobre ela em Goujet e Mezangui, Vidas dos Santos.
     Como seu irmão renunciara à sua parte na herança, Maura dispunha de um grande dote que utilizou para promover instituições voltadas para a assistência aos pobres. Preferiu entregar-se ao Senhor e não a um homem. Dizia ter quatro noivos: os Santos Apóstolos Pedro e Paulo, São Gervásio e São Protásio. Rezava para eles com frequência e mantinha igrejas a eles dedicadas.
     Com a oração e o exemplo, se bem que fosse ainda menina, converteu o pai, Maurano, que levava uma vida dissipada. Graças às advertências da filha mudou de vida e se converteu em pai honrado e virtuoso.
     Com sua caridade e devoção havia impelido o irmão, Eutrópio, a se tornar sacerdote e posteriormente bispo de Troyes. Maura entretanto continuou a viver junto à família onde passava o tempo rezando, ajudando a mãe e assistindo aos pobres e aos necessitados.
     Sua vida era planejada com esmero para desempenhar qualquer atividade e pontuada por atos de penitência: ela jejuava todas as quartas-feiras e sextas-feiras, por exemplo, e às vezes caminhava descalça pelos três ou quatro quilômetros que a separavam da Abadia de Mantenay, onde se encontrava com o santo abade que era seu diretor espiritual.
     A Santa passava longas horas na igreja, adorando a Deus e meditando sobre a Vida e a Paixão de Nosso Senhor. Naqueles momentos de adoração era frequente que lágrimas corressem dos olhos de Maura, refletindo seu amor, sua alegria e o encanto de seu relacionamento com o Deus escondido no sacrário.
     Era grande o seu entusiasmo ao costurar vestimentas sagradas, ao aparar as mechas das velas na igreja e preparar a cera das velas para o altar.
     Maura era muito humilde e procurava não atrair a atenção para os seus dons, embora fossem conhecidos vários milagres alcançados graças às suas orações.
     A Santa virgem faleceu em 21 de setembro de 850, com somente 23 anos de idade, após uma longa enfermidade. Ela recebeu a Extrema Unção e o Viático com extraordinárias demonstrações de alegria divina e de amor, recitando orações. Ela expirou quando eram ditas estas palavras: Venha a nós o vosso reino. Santa Maura foi sepultada em Château Nore de Troyes. Suas relíquias são veneradas em várias igrejas por toda a França.
 
Etimologia: Mauro (a), do latim Maurus, do grego, Mauros: “nativo da Mauritânia”; ou “pardo como um mouro”.