quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Beata Josefina Leroux e Comp., Ursulinas Mártires da Rev. Francesa - 22 de outubro

    
     Josefina Leroux nasceu em Cambrai, França, a 23 de janeiro de 1747. Foi santamente educada pelos pais bondosos e religiosos. A 10 de maio de 1779, aos vinte e dois anos, abandonou a casa paterna e foi recebida entre as filhas de Santa Clara no mosteiro das clarissas de Valenciennes. No ano seguinte pronunciou os votos. Sua irmã, Maria Escolástica, ingressou nas religiosas ursulinas da mesma cidade.

     Na paz silenciosa do claustro, Josefina ocupou-se em servir ao Senhor com crescente amor, fidelidade e perfeita alegria franciscana. Porém, bem cedo a pobre terra da França deveria ser golpeada pelo furioso furacão da revolução. Milhares de vítimas foram colocadas na prisão e sacrificadas. Os tribunais revolucionários somente interrogavam os acusados, não lhes permitindo a possibilidade de se defenderem.
     Em 1791 as monjas clarissas foram expulsas de seu mosteiro e Josefina foi hospedada por seus parentes em Cambrai. As irmãs ursulinas, com o desejo ardente de continuar sua vida religiosa, atravessaram a fronteira e se uniram às suas coirmãs da região de Mons. Este exílio durou de 17 de setembro de 1792 a 1º de novembro de 1793, quando as irmãs ursulinas puderam regressar ao seu convento.
     Vendo que não lhe era possível regressar junto com as outras irmãs, desejosa de voltar à vida de comunidade, Josefina pediu para ser acolhida entre as irmãs ursulinas, junto à sua irmã Escolástica. O gozo da recuperação da vida conventual foi breve. Valenciennes caiu novamente nas mãos dos franceses e a fúria tudo derrubou.
     Na noite entre os dias 2 e 3 de setembro os emissários revolucionários, percorrendo a cidade, aprisionaram Josefina, que se distinguiu por uma grande tranquilidade de ânimo que jamais abandonou. Ao comissário disse que não havia necessidade de tanta gente para apoderar-se de uma pobre mulher. Nessa mesma noite, junto com sua irmã Maria Escolástica, foi recolhida à prisão e ali esperaram o momento solene.
     A 23 de outubro de 1794, subiram ao patíbulo recitando o "Te Deum" e as ladainhas da Virgem. No cadafalso tiveram palavras de agradecimento para os verdugos, cujas mãos elas beijaram. A Bem-aventurada Josefina Leroux e as dez irmãs ursulinas foram assassinadas por ódio à fé, à Igreja e à religião de Cristo. Quando foi guilhotinada tinha 47 anos.
     As disposições em que se encontravam as religiosas, assim as indica Maria Margarida, escrevendo às ursulinas de Mons em 20 de outubro: "Não nos lastimeis; perguntai antes o que fizemos para merecer este favor. Cinco de nós já sofreram a guilhotina. Subiram para ela a rir... Ficai bem certas que sempre vos ficaremos reconhecidas no céu. Ao morrermos, abraçamo-nos de todo o coração..."
     As onze religiosas, juntamente com quatro irmãos da caridade, de Arrás, foram beatificadas por Bento XV em 1920.
     São totalmente desconhecidas as circunstâncias em que foram sepultados os corpos das vítimas e os túmulos não foram encontrados.
 
Fonte:

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Rainha Branca de Castela e o Rosário

     No mês do Rosário, conheçamos uma grande propulsora desta devoção 
 
 

     Rainha Branca de Castela (1187-1251), a esposa do Rei Luís VIII, estava profundamente triste porque ela ainda não tinha filhos após 12 anos de casamento. Quando São Domingos de Gusmão foi vê-la, ele aconselhou-a a rezar o terço todos os dias para pedir a Deus a graça da maternidade.
     Ela seguiu o seu conselho fielmente. Em 1213, ela deu à luz seu filho mais velho, Filipe, mas a criança morreu na infância. O fervor da Rainha não foi de modo algum embotado por essa decepção.
     Pelo contrário, ela procurou a ajuda de Nossa Senhora, mais do que nunca. Ela havia distribuído um grande número de Rosários para todos os membros da corte e também para as pessoas em várias cidades do Reino, pedindo-lhes para se juntar a ela rogando a Deus por uma bênção que desta vez seria completa.
     Em 1215, ela deu à luz a São Luís, o príncipe que viria a ser a glória da França e o modelo de todos os Reis Católicos. Ele usou sua coroa terrena de modo perfeito, e assim ganhou uma coroa celestial cuja glória nunca se apagará.
     Esta história foi relatada em um livro de exempla Mariano, o Ulm Rosary Handbook, escrito por Alanus de Rupe em 1483. Mais tarde, São Luís Maria Grignion de Montfort iria repetir a história em seu livro O Segredo do Rosário, para incentivar a oração do Rosário.
     Se São Luís foi um Rei católico exemplar, sua mãe Branca de Castela foi o modelo de Rainha Católica piedosa, forte. No livro Married Saints [Santos Casados] (p. 110-128), lemos que ela combinou o gênio para governar com as melhores qualidades da maternidade:
     Com a morte prematura de Luís VIII, o reino enfrentou uma crise uma vez que Luís era apenas um menino de 12 anos. A Rainha Branca governou o reino como regente por oito anos – 1226-1234 – com sabedoria e vigor até que ele pudesse ser coroado como Luís IX. Ela frustrou repetidamente as tramas dos barões contra seu filho, e entrou em guerra contra os nobres, quando necessário, para preservar a unidade do reino. Ela foi muito mais inteligente do que eles e, finalmente, conseguiu fazê-los respeitar sua autoridade.
     Branca levou São Luís com ela em suas campanhas militares, e fê-lo sentar-se ao lado dela nos conselhos de Estado. Isto deu a ele treinamento na arte de governar, pois ele aprendeu não só através de preceitos, mas através da demonstração ocular. Branca não se contentou em treinar seu filho para ser um rei, ela o instruiu também nos caminhos da santidade. Ela ensinou-lhe a fé católica e a devoção, e incutiu-lhe o costume de rezar, que ele nunca abandonou.
     Desde os seus primeiros anos, ela se esforçou para impressionar a sua mente sensível com o valor da santidade. Ela costumava dizer-lhe: ‘Eu preferiria vê-lo morto a saber que você deve viver para cometer um pecado mortal.
     A confiança que São Luís IX tinha em sua mãe é óbvia: quando ele pegou em armas na guerra santa contra os sarracenos, no Egito, ele fez Branca a Rainha regente da França.
     Em sua partida, ele disse à sua mãe: “Deixo os meus três filhos para a senhora guardá-los. Deixo este reino da França para a senhora governá-lo. Verdadeiramente eu sei que meus filhos vão ser bem guardados e o reino bem governado”.
     A Rainha Branca realmente suprimiu rebeliões e ampliou o poder da dinastia francesa.
     Em 1249, enquanto o seu filho estava na Cruzada, ela completou a absorção do sul da França para o Reino e fez alianças vantajosas. Como resultado, o Reino da França ficou mais próximo da aparência que tem hoje.
 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Beata Inês de Jesus de Langeac, Dominicana - 19 de outubro

   
   
     Inês de Jesus Galand nasceu em 17 de novembro de 1602 e teve uma vida curta, faleceu em 19 de outubro de 1634.
     Em Le Puy-en-Velay, França, seu pai, Pedro Galand, tinha uma pequena loja de facas; sua mãe chamava-se Guilhermina Massiote. Puy, desde a Idade Média, era um centro de peregrinações marianas entre as principais da França. Por isso Inês cresceu educada na oração.
     Desde o século XIII os religiosos dominicanos estavam presentes em Puy. A igreja de seu convento, São Tiago, ficava próxima da residência de Inês. Ela ia frequentemente rezar ali e encontrava os religiosos. Um deles, o Padre Panassière, tornou-se seu diretor espiritual.
     Aos sete anos Inês se consagrou a Maria Santíssima como escrava de amor. Aos nove anos começou a recitar o Ofício diariamente em honra ao Espírito Santo. Desde a idade de oito anos, constatando sua profunda piedade, ela foi autorizada a comungar, o que era excepcional naquela época. Ela rezava longamente, a conselho de seu confessor.
     Inês tinha o hábito de dar esmolas a todos os mendigos com quem cruzasse pelas ruas de Puy. Adolescente, ela reunia suas amigas para estudarem a doutrina católica e rezarem em conjunto. Ela também tinha um cuidado especial em ajudar as mulheres grávidas antes, durante e depois do parto.
     Em abril de 1621 ela se tornou religiosa terceira da Ordem de São Domingos e em 1623 foi aceita como freira conversa no Mosteiro de São Catarina de Siena, que fora construído naquele mesmo ano na cidade de Langeac, que fica ao longo do Rio Allier. Este mosteiro pertencia, com outros trinta, ao movimento de reforma inaugurado no sul da França pelo Padre Sebastian Michaelis.
     Em 1625, na Festa da Purificação da Santíssima Virgem Maria, fez a sua Profissão Solene como monja corista. Foi Mestra de Noviças e duas vezes priora.
     À imitação da mística mestra de Siena viveu apaixonada por Cristo e pela Igreja. Em 1631, Jesus e Maria convidaram interiormente Inês a interceder e rezar por um sacerdote a quem ela não conhecia. Três anos depois, no parlatório do mosteiro ela se encontrou com o Abade de Prebac, Jean-Jacques Olier, fundador do Seminário Maior de São Sulpício e ela compreendeu que ele era o sacerdote por quem ela estava oferecendo sua vida de oração e sacrifício.
     A fama de sua santidade e as funções delicadas que ela executou não só atrairam elogios, mas também a calúnia e a inveja, por isso, em 1631, ela foi demitida das suas funções como priora. Aceitou com grande serenidade todos estes sofrimentos injustos, oferecendo-os a Deus para que na França fossem aplicados os decretos do Concílio de Trento para a formação do clero, e pela futura Congregação dos Sacerdotes de São Sulpício, instituída pelo Abade Olier.
     Madre Inês mantinha um relacionamento diário com seu Anjo da Guarda. Ela deixou como herança para suas coirmãs sua vocação particular de rezar pelos sacerdotes.
     Madre Inês de Jesus morreu em 19 de outubro de 1634. Seu corpo é mantido no Mosteiro de Langeac. Em 20 de novembro de 1994, foi beatificada por João Paulo II, juntamente com o Padre Jacinto Cormier, Superior Geral de 1832 a 1916, que reconheceu que devia sua vocação às orações de Madre Inês de Jesus de Langeac.
 
Milagres e tradição
     Durante sua vida terrena, Inês amara especialmente estar junto às mães no momento do parto. Assim, em 1952, em Langeac, após rezarem para ela interceder num nascimento que poderia colocar a vida da mãe e da criança em perigo, o parto aconteceu muito naturalmente. Este milagre foi o ponto de partida para a sua beatificação.
     Diz-se que certa vez, quando ela ia assistir a Missa, um pobre veio até ela e pediu uma esmola. Inês lhe disse que, infelizmente, não tinha nada para lhe dar. "Olhe no seu bolso" - disse o pobre - "que você vai encontrar algo bom para mim". Ela obedeceu e encontrou uma moeda que ela ia entregar ao pobre, mas ele tinha desaparecido.
     Pouco depois de entrar no mosteiro Langeac, à Inês foi confiado o cuidado da cozinha. Ora, era preciso ir muito longe para buscar a água; ela tinha que fazer viagens longas e árduas. Ela confidenciou seu sofrimento a Deus, que imediatamente atendeu seu desejo: Ele fez que na cozinha mesmo surgisse uma fonte de água muito clara e abundante. Esta fonte, organizada mais tarde, foi o foco de muitos milagres.
     Madre Inês de Jesus portava os estigmas sem que estes fossem visíveis externamente.
     Ela era tida como mística ainda em vida. São Luís Maria Grignion de Montfort a menciona em seu Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, parágrafo 170:
     "Contento-me simplesmente de citar uma passagem histórica que li na vida da Madre Inês de Jesus, religiosa jacobina (*) do convento de Langeac, em Auvergne, a qual morreu em odor de santidade nesse mesmo lugar, em 1634. Não tinha ela ainda sete anos, quando, uma ocasião, sofrendo tormentos de espírito, ouviu uma voz que lhe disse que, se ela quisesse livrar-se de todos os seus sofrimentos e ser protegida contra todos os seus inimigos, se fizesse quanto antes escrava de Jesus e de sua Mãe Santíssima. Mal chegou em casa, entregou-se inteiramente a Jesus e Maria, como lhe aconselhara a voz, embora não soubesse antes em que consistia esta devoção; e, tendo encontrado uma corrente de ferro, cingiu com ela os rins e a usou até a morte. Depois desse ato todas as suas penas e escrúpulos cessaram, e ela se achou numa grande paz e bem-estar de coração, e isto a levou a ensinar esta devoção a muitas outras pessoas, que fizeram grandes progressos, entre outros, a M. Olier, que instituiu o Seminário de São Sulpício, e a muitos outros padres e eclesiásticos do mesmo seminário. Um dia a Santíssima Virgem lhe apareceu e lhe pôs ao pescoço uma cadeia de ouro para lhe testemunhar a alegria de tê-la como escrava de seu Filho e sua; e Santa Cecília, que acompanhava a Santíssima Virgem, lhe disse: 'Felizes os fieis escravos da Rainha do céu, pois gozarão da verdadeira liberdade: Tibi servire libertas'".
 
(*) Até a Revolução Francesa os religiosos da Ordem de São Domingos eram chamados jacobinos, do nome da Igreja de Saint-Jacques (São Tiago) em Paris, perto da qual a Ordem se estabeleceu.
 
Fonte: www.santiebeati.it e outras diversas.
 
Mosteiro de Sta. Catarina de Siena, em Langeac (atualmente)
 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Santa Tecla de Kitzingen, Abadessa - 15 de outubro

  
   Abadessa beneditina de Kitzingen e Ochsenfurt, a data de seu nascimento é desconhecida; faleceu em Kitzingen cerca de 790, ou mais tarde.

     São Bonifácio, o apóstolo da Alemanha, manteve uma correspondência constante com a comunidade de Wimborne, Dorset, e obteve da abadessa, Santa Tetta, em 748-49, que uma colônia monástica fosse enviada para a Alemanha. Entre essas freiras, uma das mais ilustres em santidade e aprendizagem foi Tecla, parente de Santa Lioba, que ela acompanhou desde Wimborne e sob cujo governo ela viveu por algum tempo em Tauberbischofsheim, até São Bonifácio nomeá-la abadessa da recém-fundada Abadia de Ochsenfurt.
     Mais tarde, com a morte de Santa Adelaide (ou Haldelonga), fundadora e primeira abadessa de Kitzingen, ela foi indicada para dirigir aquela abadia, mantendo o governo de Ochsenfurt.
     Tanto o Martirológio Romano, como o beneditino inglês, comemora seu dia em 15 de outubro, outros em 27 ou 28 de setembro. O nome de Tecla não aparece na lista das abadessas de Kitzingen, mas pensa-se geralmente que é designada como Heilga, ou "santa".
     Entre as cartas de São Bonifácio uma é dirigida a Lioba, Tecla e Cinehilde, como as superioras de comunidades religiosas distintas. Seu tom revela o quão longe as freiras tinham ido como inteligentes companheiras de trabalho para o seu apostolado.
     São Bonifácio parece ter tido um tríplice propósito ao convocar essas freiras anglo-saxãs como suas auxiliares: 1º propagar a plena observância da Regra beneditina para introduzi-la em mosteiros fundados; 2º para restaurar a sua observância em outros; 3º finalmente, trazer a sua influência suave para influenciar as ferozes mulheres alemãs, tanto pelo exemplo como pela educação transmitida aos seus filhos.
     A capela em ruínas de Santa Tecla, em uma ilhota no Severn, pode ter sido dedicada a ela por Walstod, um bispo saxão. Alguns tentaram provar que Santa Tecla fora uma das freiras de Barking a quem Santa Adelaide dedicou seu "Tratado sobre a virgindade”, mas como este tratado foi escrito antes de 705, e como Santa Lioba foi para a Alemanha por volta de 748-49, é evidente que sua discípula, que sobreviveu a ela, não era essa monja de Barking.
     Ochsenfurt declinou gradualmente, provavelmente devido à sua proximidade com Kitzingen. Não há registro de qualquer outra abadessa depois de Santa Tecla. Durante a Idade Média as relíquias de Santa Tecla eram veneradas em Kitzingen, mas foram dispersas durante a guerra dos camponeses alemães.
     Kitzingen foi utilizada para fins seculares pelos margraves de Brandenburg, a quem tinha sido hipotecada em 1440-1629, quando foi resgatada por Philip Adolphus, bispo de Würzburg, e restaurada por John Godfrey de Guttenberg como uma escola para as Ursulinas.
     Em 1803 o Instituto das Ursulinas foi secularizado e hoje a igreja da abadia está nas mãos dos protestantes e serve como sua igreja paroquial.
     Os túmulos de Santa Tecla e Santa Adelaide nesta igreja foram profanados na Guerra Camponesa de 1525: um fanático de Kitzingen usou as cabeças para jogar boliche. Quando a igreja foi reconstruída (1695), os veneráveis ​​corpos foram cobertos de lixo. O mosteiro contém uma escola católica e uma escola protestante para meninas, uma escola protestante para meninos, apartamentos para alguns professores e o tribunal distrital. A torre da abadessa é propriedade privada.
 

sábado, 12 de outubro de 2013

O Milagre do Sol - 13 de Outubro de 1917

    

     Debaixo de uma forte chuva e cercados por uma multidão de mais de 70 mil pessoas, a Cova da Iria tornou-se palco do mais belo espetáculo atmosférico, jamais visto até hoje. 

     Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas”.
     - Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes, se convertia uns pecadores, etc.
     Uns, sim: outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados.
     E tomando um aspecto mais triste: Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido.
     E abrindo as mãos, fê-las refletir o sol, prometido três meses antes, como prova da verdade das aparições de Fátima. Para a chuva e o sol por três vezes gira sobre si mesmo lançando para todos os lados feixes de luz e de várias cores. Parece a dada altura desprender-se do firmamento e cair sobre a multidão. Após dez minutos de prodígio, tomou o sol o seu estado normal. Entretanto, os Pastorinhos eram favorecidos com outras aparições.
     Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, vimos ao lado do sol, São José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. São José com o Menino parecia abençoar o Mundo, com um gesto que fazia com a mão em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nosso Senhor e Nossa Senhora que me dava a idéia de ser Nossa Senhora das Dores. Nosso Senhor parecia abençoar o Mundo da mesma forma que São José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ver ainda Nossa Senhora em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo. 

Memórias da Irmã Lúcia
 
 
     Assim encerrou-se o ciclo das aparições em Fátima, que aconteceram durante seis meses seguidos de maio a outubro de 1917.
     O Milagre do Sol foi testemunhado por cerca de 70 mil pessoas nos campos da Cova da Iria, perto de Fátima, Portugal. As estimativas do tamanho da multidão variam de "trinta a quarenta mil" por Avelino de Almeida, escrevendo para o jornal português O Século, a cem mil, segundo estimativa de José de Almeida Garrett, professor de ciências naturais na Universidade de Coimbra. Ambos presenciaram o fenômeno.
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     “Em Portugal, várias tensões prepararam o clima para a revolução que ocorreu em 1910, quase idêntica à que se deu na Rússia em 1917”. (...)
     “A coluna dorsal da revolução da estrela vermelha em Portugal era uma organização secreta conhecida como Carbonária”. (...)
     “O Milagre do Sol verdadeiramente nunca se assemelhou tanto a uma ‘explosão do sobrenatural’ do que para estes dirigentes da Estrela Vermelha de Portugal. Eles identificavam sua revolução com o ateísmo. Ensinavam que a religião era o ópio do povo. E de repente se viram diante de um milagre testemunhado por um sétimo da população total da Nação!”

(excertos do livro O Milagre do Sol, de John M. Haffert)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Beata Maria do Esponsalício, Serva de Maria - 10 de outubro

    

     Maria Catarina Irigoyen Echegaray nasceu em pleno século XIX, em 25 de novembro de 1848, em Pamplona, no coração da Navarra; era a última de oito irmãos e gêmea do sétimo. Em 26 de novembro, festa dos Esponsais da Virgem, foi batizada na Igreja Catedral de Pamplona e em 26 de novembro de 1860 Maria Catarina recebeu a Primeira Comunhão.
     A sua família, aparentada com aquela de São Francisco Xavier, era fervorosa e observante, e contribuiu de maneira decisiva na maturação da sua fé.
     Ela foi educada no Instituto das Irmãs Dominicanas, distinguindo-se por sua particular devoção filial a Nossa Senhora. Eleita presidente da Congregação das Filhas de Maria, nos momentos livres visitava o hospital da cidade para assistir aos anciãos e as pessoas abandonadas, enquanto com algumas companheiras mantinha em sua casa uma oficina para a confecção de roupas para os necessitados.
     Na idade de 30 anos começou a colaborar com as religiosas Servas de Maria, que estavam abrindo uma casa em Pamplona, cuja principal obra apostólica era o tratamento gratuito dos doentes, um serviço diurno e noturno feito nos domicílios, nas clínicas, nos hospitais, dispensários e ambulatórios (*)
     Com o passar do tempo o relacionamento entre Maria Catarina e a Congregação se intensifica e se consolida, enquanto nela se delineia os contornos da chamada à vida religiosa naquele Instituto. Assim sendo, solicitou à fundadora, Santa Maria Soledade Torres Acosta, ser admitida na Congregação.
     Tendo entrado como Postulante em Pamplona em 31 de dezembro de 1881, foi transferida para Madri para o noviciado. Emitiu sua Profissão Temporária em 14 de maio de 1883 e a Profissão Perpétua em 15 de julho de 1889. Permaneceria até sua morte na capital da Espanha.
     Se entrega com dedicação ao serviço domiciliar dos doentes, operando com caridade, paciência, determinação. Naquele período uma pandemia de cólera, influenza e varíola fazia vítimas nas casas, provocando o abandono dos doentes por parte dos familiares pelo medo do contágio.
     Desprezando o perigo, a religiosa os assiste incansavelmente. E a fama de suas extraordinárias capacidades, alimentadas pelo inexaurível espírito de caridade, se difunde rapidamente por toda Madri, a ponto de em algumas casas se colocarem cartazes com a frase: “Se eu adoecer, que eu seja tratado pela Irmã Maria Catarina”.
     Após 23 anos de serviços junto aos enfermos, devido a uma grave forma de surdez teve que renunciar à sua amada atividade; assumiu então o encargo de recolher as ofertas que os benfeitores destinavam ao sustento da Congregação.
     Seus sofrimentos entretanto não terminaram. Em 1913, foi diagnosticada com uma tuberculose óssea que lhe causavam dores tremendas. A doença bloqueia o físico, mas não o coração e o espírito: a sua vida se torna uma oração contínua por todas as intenções que lhe são confiadas por tantos que a consideravam “fonte de força e porta para chegar até Deus”.
     Irmã Maria Catarina faleceu no dia 10 de outubro de 1910, na casa-mãe da Congregação, no quarteirão madrileno de Chamberi, onde hoje repousam os seus despojos.
     O milagre aconteceu em La Paz, na Bolívia: graças à sua intercessão, um cirurgião acometido de doença cerebral se recupera e deve retornar ao trabalho.
     “Com tanta solicitude e gentileza”, se lê entre os testemunhos do processo de glorificação, “acorria aos pedidos e as necessidades dos doentes, que muitos deles a consideravam como uma mãe amorosa e muitas famílias a solicitavam como enfermeira ideal”.
     Irmã Maria Catarina foi beatificada em 29 de outubro de 2011.
 
 
(*) O Instituto conta hoje com 1.600 religiosas distribuídas em 115 comunidades, e está presente em 22 países da Europa, América, África e Ásia.