quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dia de Todos os Santos - 1° de novembro


Todos os Santos por Frá Angélico

     A Enciclopédia Católica define o Dia de Todos os Santos como uma festa em “honra a todos os santos, conhecidos e desconhecidos”. No fim do segundo século, os cristãos começaram a honrar os que haviam sido martirizados por causa da sua fé e, achando que eles já estavam com Nosso Senhor Jesus Cristo no céu, rezavam a eles para que intercedessem a seu favor.
    Esta tradição de recordar os santos está na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados, realizando-se nelas orações, missas e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos, como acontecia ao redor do Coliseu de Roma. Posteriormente tornou-se habitual erigirem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais.
     A partir da perseguição de Diocleciano o número de mártires era tão grande, que se tornou impossível designar para cada mártir um dia do ano. No século IV, em Antioquia já eram celebrados todos os santos mártires em um dia comum, no domingo seguinte ao de Pentecostes, tradição que se mantém nas igrejas orientais.
     Com o passar dos anos, mais homens e mulheres se sobressaíram como exemplos de santidade. Ao martírio pela fé que os cristãos respeitavam se soma a entrega de toda a vida no serviço de Deus; assim, "o dia de todos os santos" celebra todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido canonizados (*).
     A comemoração regular começou quando, em 13 de maio de 609 ou 610 d.C., o Papa Bonifácio IV dedicou o Panteão — o templo romano em honra a todos os deuses — a Maria e a todos os mártires.
     A data foi mudada para novembro quando o Papa Gregório III (731-741 d.C.) dedicou uma capela em Roma a todos os santos e ordenou que eles fossem homenageados em 1° de novembro. Não se sabe ao certo por que ele fez isso, mas pode ter sido porque já se comemorava um feriado parecido na mesma data na Inglaterra.
     A Enciclopédia da Religião afirma: “O Samhain continuou a ser uma festa popular entre os povos celtas durante todo o tempo da cristianização da Grã-Bretanha. A Igreja britânica tentou desviar esse interesse em costumes pagãos acrescentando uma comemoração cristã ao calendário, na mesma data do Samhain. É possível que a comemoração britânica medieval do Dia de Todos os Santos tenha sido o ponto de partida para a popularização dessa festividade em toda a Igreja cristã”.
     Markale menciona a crescente influência dos monges irlandeses em toda a Europa naquela época. De modo similar, a Nova Enciclopédia Católica afirma: “Os irlandeses costumavam reservar o primeiro dia do mês para as festividades importantes e, visto que 1° de novembro era também o início do inverno para os celtas, seria uma data propícia para uma festa em homenagem a todos os santos”.
     Finalmente, em 835, o Papa Gregório IV declarou-a uma festa universal.
 
     O Dia de Finados, no qual as pessoas rezam a fim de ajudar as almas no purgatório a obter a bem-aventurança eterna, teve sua data fixada em 2 de novembro durante o século XI pelos monges de Cluny, na França. Embora se afirmasse que o Dia de Finados era um dia santo católico, é óbvio que na mente do povo ainda havia muita confusão. A Nova Enciclopédia Católica afirma que “durante toda a Idade Média era popular a crença de que, nesse dia, as almas no purgatório podiam aparecer em forma de fogo-fátuo, bruxa, sapo, etc.”.
Intenção catequética da festividade
     Segundo o ensinamento da Igreja, a intenção catequética destas celebrações que tem lugar em todo o mundo, ressalta o chamamento de Cristo a cada pessoa para segui-lo e ser santo à imagem de Deus, a imagem em que foi originalmente criada e para a qual deve continuar a caminhar em amor. Isto não só faz ver que existem santos vivos (não apenas os do passado) e que cada pessoa o pode ser, mas sobretudo faz entender que são inúmeros os potenciais santos que não são conhecidos, mas que da mesma forma que os canonizados igualmente veem Deus face a face, têm plena felicidade e intercedem por nós. 
     Além disso, é importante recordar o artigo do Credo que fala da Comunhão dos Santos. Na Doutrina Católica a comunhão dos Santos tem dois significados intimamente relacionados: "comunhão nas coisas santas, sancta" e "comunhão entre as pessoas santas, sancti".
     O primeiro significa a participação de todos os membros da Igreja nas coisas santas: a Fé, os Sacramentos (nomeadamente a Eucaristia), os carismas e os outros dons espirituais. O segundo significa a união viva e espiritual de todos os fiéis cristãos e membros da Igreja que, "pela graça, estão unidos a Cristo", formando um único Corpo Místico de Cristo e sendo por isso "pessoas santas (sancti) em Cristo". Logo, esta comunhão de santos forma "uma só família, a Igreja", que está organizada em três estados espirituais diferentes:
     - A Igreja militante, formada pelos fiéis que "peregrinam na Terra", nomeadamente aqueles que estão em estado de graça (ou seja, que não estão manchados por pecados mortais não confessados);
     - A Igreja padecente ou purgante, constituída pelas almas que ainda padecem no Purgatório e que, por isso, necessitam das orações de sufrágio (nomeadamente a missa), das boas obras, dos sacrifícios, das indulgências e das obras de penitência praticadas pelos membros da Igreja militante. Todas estas ações aceleram a purificação e posterior entrada no Céu destas almas padecentes;
     - A Igreja triunfante, composta pelos habitantes do Céu (desconhecidos, anônimos ou oficialmente reconhecidos pela Igreja), que alcançaram a eterna e definitiva santidade e que, portanto, são os intercessores dos homens junto de Deus.
     Todos os membros da Igreja destes três diferentes estados espirituais, unidos espiritualmente em Cristo, podem por isso interceder e ajudar-se mutuamente através de orações, boas obras, sacrifícios e indulgências, ou seja, através da "comunicação dos bens espirituais".
     Esta união viva é sustentada na doutrina católica de que "todos os crentes formam um só corpo, [logo] o bem duns é comunicado aos outros [...]. E assim, deve-se acreditar que existe uma comunhão de bens na Igreja. [...] Mas o membro mais importante é Cristo, que é a Cabeça [...]. Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, comunicação que se faz através dos sacramentos da Igreja". Esta união espiritual, em última análise, é fundamentada "no mesmo amor de Deus e do próximo" que todos os católicos comungam, "embora de modo e grau diversos", formando assim uma só Igreja. 
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2000. ISBN 972-603-349-7
 
(*) No século V, teve início o uso de um processo para que a heroicidade de vida cristã de alguém aclamado pelo povo fosse averiguada; após o término do processo, o investigado pode ser chamado universalmente de beato ou santo. O processo também institui um dia e o tipo e lugar para as celebrações, normalmente com referência especial na missa.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Santa Lucila de Roma, Virgem e mártir - 31 de outubro

    


     Os dois termos relativos ao início e ao fim do dia, a alba e o crepúsculo, deram origem a dois nomes próprios que estão ligados ao percurso que a luz faz no nosso dia: Lucila, “nascida à alba”, e Crepusca “nascida no crepúsculo” (nome inteiramente desconhecido no Brasil).
     Lucila é o gracioso diminutivo de Lúcia (*), e é o nome da virgem e mártir do século III que é festejada do dia 31 de outubro.
     São poucos os documentos relativos à Santa Lucila, mas a devoção a ela é muito simbólica, sugerindo uma estreita ligação entre a luz material e a fé que ilumina a alma.
     Um “corpo santo” de Lucila, tirado do cemitério de Calisto em 1642 foi levado para Reggio Emilia inicialmente para a Basílica de São Próspero, patrono daquela cidade, e em seguida foi trasladado para a capela de Nossa Senhora das Graças.
     Segundo relatos longínquos e legendários, nos tempos da perseguição de Valeriano, no século 257, o tribuno Nemésio havia pedido e obtido do Pontífice o batismo para si e para sua filha Lucila. Esta, cega desde o nascimento, pouco depois da cerimônia recuperou a visão.
     A nova fé e o milagre obtido pela filha tornou o tribuno romano surdo às exortações do imperador que exigia o seu retorno ao culto pagão. Devido às recusas persistentes, pai e filha foram condenados à morte e martirizados um entre a Via Appia e a Via Latina, e a outra na Via Appia, próximo do templo de Marte.
     Os seus corpos foram enterrados e exumados diversas vezes e, segundo algumas interpretações, as trasladações tiveram e mantiveram o significado simbólico da centelha luminosa e santa que marca no mundo o itinerário triunfal do Cristianismo.
     A nós basta pensar que o pai, São Nemésio, e a filha, Santa Lucila, são como chamas de testemunho convicto de fé e de caridade recíproca inseridas nas sombras de cada dia. 
 
Fonte: www.santiebeati/it  Mario Benatti 
 
(*) Do latim Lucius, “luminoso(a), luzente, iluminado(a), que por vez tem origem em lux, lucis, “luz”.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

No mês do Rosário, o terço em família

 
Mas é sobretudo dentro das paredes do lar que temos o desejo de ver reflorir por toda a parte o hábito assíduo da reza do terço, e seja religiosamente guardado e revigorizado com novo fervor.
 
     É que será vão o esforço de remediar a situação decadente da sociedade civil se a família, princípio e base de toda a sociedade humana, não se ajustar diligentemente à lei do Evangelho.
     E nós afirmamos que, para desempenho cabal desse árduo dever, é sobremaneira conveniente o costume de rezar o terço em família. Quão suave e profundamente agradável a Deus é o espetáculo do lar cristão que, ao cair de cada noite, ressoa com as harmonias dos reiterados louvores da augusta Rainha do Céu!
     Então essa prece comum reúne pais e filhos, de volta do trabalho do dia, em admirável união de almas, aos pés da imagem de Maria; depois une piedosamente com os ausentes, com os já falecidos; a todos, enfim, com suavíssimo vínculo de amor, liga mais estreitamente a virgem Maria, que, como mãe amantíssima, rodeada da coroa dos seus filhos, ali estará presente a infundir com profusão os dons da união e da paz doméstica.
     Então o lar da família cristã, ajustado ao modelo da família de Nazaré, tornar-se-á mansão de santidade na terra e quase templo sagrado, em que a reza do Rosário de Maria não será apenas particular forma e modo de oração a subir cada dia ao céu em odor de suavidade, mas eficacíssima escola de disciplina e virtude cristã.
     Efetivamente, os admiráveis mistérios da Redenção, propostos à contemplação, hão de fazer que os mais idosos, tendo ante os olhos os exemplos luminosos de Jesus e de Maria, se habituem a passá-los, dia a dia, à prática da vida, deles possam haurir conforto nas angústias e adversidades e, por eles movidos, frutuosamente se lembrem dos tesouros dos bens celestes “aos quais não chega o ladrão, nem rói a traça” (Lc 12, 33).
     E farão que nas mentes das crianças se vão penetrando as principais verdades da fé cristã, de tal maneira que floresça quase espontaneamente nos seus corações inocentes o amor ao Redentor benigníssimo, ao mesmo tempo que logo desde a tenra idade, sob a luz do exemplo dos pais que reverentemente ajoelham ante a majestade de Deus, aprendem a conhecer o valor da oração feita em comum.

Fonte: Blog Almas Devotas

 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Beata Maria Teresa Ferragud Roig e 4 filhas religiosas, Mártires - 25 de outubro

    
     Surpresos ao ouvir falar da coragem heroica da mãe dos sete Macabeus bíblicos, que foi um apoio no doloroso martírio dos filhos, finalmente coroando-o pelo derramamento de seu próprio sangue, falemos hoje de outra mãe que o Papa, por ocasião do 6º Encontro Mundial das Famílias na Cidade do México, apresentou como um modelo, talvez doloroso, de uma família que viveu o seu testemunho cristão.

     Maria Teresa Ferragud Roig nasceu em Algemesi (província de Valência) em 14 de janeiro de 1853 e se formou nas fileiras da Ação Católica, primeiro como Aspirante, em seguida, entre as "senhoras católicas". De uma espiritualidade sólida, alimentada pela Missa e Comunhão diária, ancorada na adoração eucarística e iluminada pela devoção mariana. Sua fé prosperava em obras, era pródiga na caridade para com os necessitados no âmbito da Conferência de São Vicente, da qual também foi presidente alguns anos.
     Quando se decidiu casar, quis um marido que pensasse como ela, especialmente em matéria de fé e caridade. Ela o encontrou em Vicente Silvério Masiá, com quem se casou aos 19 anos. As testemunhas concordam, dizem que homem mais devoto e caridoso teria sido difícil encontrar, e se hoje nós não o veneramos entre os bem-aventurados da Igreja é só porque o fim dele foi do homem comum, que morreu em sua própria cama e não martirizado, mas que vamos encontrar um dia entre os santos anônimos que habitam o Céu.
     Maria Teresa deu à luz nove filhos, inspirados no seu estilo e de acordo com o seu exemplo. Não é de admirar que tenham florescido em sua família não uma, mas seis vocações religiosas: dois Capuchinhos (um dos quais morreu em 1927, e o outro foi missionário na América) e quatro irmãs de vida contemplativa.
     Interessa-nos ​estas últimas, três das quais ingressaram no mosteiro capuchinho de Agullent: Irmã Maria de Jesus (Vicência) nascida em 1882, Irmã Maria Verônica (Joaquina) nascida em 1884, e Irmã Maria Felicidade (Francisca) de 1890. Para terminar a série, a Irmã Josefa da Purificação (Raimunda) de 1887, agostiniana descalça.
     Em 1936, no momento crucial da guerra civil espanhola, encontravam-se todas na casa da família, porque seus conventos tiveram que fechar suas portas. À mãe, que já chegara aos 83 anos, não parecia real tê-las por perto, mesmo que suas "meninas" permanecessem enclausuradas em casa, dedicadas à oração, ao silêncio e à meditação.
     Na tarde de 19 de outubro, as quatro irmãs foram presas pela milícia e a mãe não quis se separar delas, ela que possivelmente poderia se salvar devido a idade.
     Permaneceram seis dias na cadeia aguardando a sentença de morte, que chegou no dia 25 de outubro, na época era Festa de Cristo Rei, quando elas foram retiradas da prisão e levadas para o local da execução.
     Como último desejo, Maria Teresa pediu para ser executada por último: ela queria cumprir o seu dever de mãe até o fim, animando as filhas, para ter certeza de sua fidelidade até a morte. "Coragem, filhas! É um piscar de olhos e a eternidade vai durar para sempre", ouvem-na gritar, enquanto as incita: "O vosso Esposo vos espera". Ela as vê cair uma a uma, com o nome de Cristo Rei nos lábios e o perdão no coração. Portanto, estava serena quando chegou a sua vez.
     Para seus assassinos que gritam: "Velha, você não tem medo de morrer?" pode responder tranquilamente: "Até agora tenho seguido a Cristo e vou fazê-lo até o fim. Para onde foram as minhas filhas eu também vou", forçando-os a admitir, após a sua execução: "Esta mulher era realmente uma santa".
     A força de seu testemunho levou João Paulo II, que tinha uma grande admiração por ela, a beatificá-la junto com suas quatro filhas em 2001.
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Beata Josefina Leroux e Comp., Ursulinas Mártires da Rev. Francesa - 22 de outubro

    
     Josefina Leroux nasceu em Cambrai, França, a 23 de janeiro de 1747. Foi santamente educada pelos pais bondosos e religiosos. A 10 de maio de 1779, aos vinte e dois anos, abandonou a casa paterna e foi recebida entre as filhas de Santa Clara no mosteiro das clarissas de Valenciennes. No ano seguinte pronunciou os votos. Sua irmã, Maria Escolástica, ingressou nas religiosas ursulinas da mesma cidade.

     Na paz silenciosa do claustro, Josefina ocupou-se em servir ao Senhor com crescente amor, fidelidade e perfeita alegria franciscana. Porém, bem cedo a pobre terra da França deveria ser golpeada pelo furioso furacão da revolução. Milhares de vítimas foram colocadas na prisão e sacrificadas. Os tribunais revolucionários somente interrogavam os acusados, não lhes permitindo a possibilidade de se defenderem.
     Em 1791 as monjas clarissas foram expulsas de seu mosteiro e Josefina foi hospedada por seus parentes em Cambrai. As irmãs ursulinas, com o desejo ardente de continuar sua vida religiosa, atravessaram a fronteira e se uniram às suas coirmãs da região de Mons. Este exílio durou de 17 de setembro de 1792 a 1º de novembro de 1793, quando as irmãs ursulinas puderam regressar ao seu convento.
     Vendo que não lhe era possível regressar junto com as outras irmãs, desejosa de voltar à vida de comunidade, Josefina pediu para ser acolhida entre as irmãs ursulinas, junto à sua irmã Escolástica. O gozo da recuperação da vida conventual foi breve. Valenciennes caiu novamente nas mãos dos franceses e a fúria tudo derrubou.
     Na noite entre os dias 2 e 3 de setembro os emissários revolucionários, percorrendo a cidade, aprisionaram Josefina, que se distinguiu por uma grande tranquilidade de ânimo que jamais abandonou. Ao comissário disse que não havia necessidade de tanta gente para apoderar-se de uma pobre mulher. Nessa mesma noite, junto com sua irmã Maria Escolástica, foi recolhida à prisão e ali esperaram o momento solene.
     A 23 de outubro de 1794, subiram ao patíbulo recitando o "Te Deum" e as ladainhas da Virgem. No cadafalso tiveram palavras de agradecimento para os verdugos, cujas mãos elas beijaram. A Bem-aventurada Josefina Leroux e as dez irmãs ursulinas foram assassinadas por ódio à fé, à Igreja e à religião de Cristo. Quando foi guilhotinada tinha 47 anos.
     As disposições em que se encontravam as religiosas, assim as indica Maria Margarida, escrevendo às ursulinas de Mons em 20 de outubro: "Não nos lastimeis; perguntai antes o que fizemos para merecer este favor. Cinco de nós já sofreram a guilhotina. Subiram para ela a rir... Ficai bem certas que sempre vos ficaremos reconhecidas no céu. Ao morrermos, abraçamo-nos de todo o coração..."
     As onze religiosas, juntamente com quatro irmãos da caridade, de Arrás, foram beatificadas por Bento XV em 1920.
     São totalmente desconhecidas as circunstâncias em que foram sepultados os corpos das vítimas e os túmulos não foram encontrados.
 
Fonte:

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Rainha Branca de Castela e o Rosário

     No mês do Rosário, conheçamos uma grande propulsora desta devoção 
 
 

     Rainha Branca de Castela (1187-1251), a esposa do Rei Luís VIII, estava profundamente triste porque ela ainda não tinha filhos após 12 anos de casamento. Quando São Domingos de Gusmão foi vê-la, ele aconselhou-a a rezar o terço todos os dias para pedir a Deus a graça da maternidade.
     Ela seguiu o seu conselho fielmente. Em 1213, ela deu à luz seu filho mais velho, Filipe, mas a criança morreu na infância. O fervor da Rainha não foi de modo algum embotado por essa decepção.
     Pelo contrário, ela procurou a ajuda de Nossa Senhora, mais do que nunca. Ela havia distribuído um grande número de Rosários para todos os membros da corte e também para as pessoas em várias cidades do Reino, pedindo-lhes para se juntar a ela rogando a Deus por uma bênção que desta vez seria completa.
     Em 1215, ela deu à luz a São Luís, o príncipe que viria a ser a glória da França e o modelo de todos os Reis Católicos. Ele usou sua coroa terrena de modo perfeito, e assim ganhou uma coroa celestial cuja glória nunca se apagará.
     Esta história foi relatada em um livro de exempla Mariano, o Ulm Rosary Handbook, escrito por Alanus de Rupe em 1483. Mais tarde, São Luís Maria Grignion de Montfort iria repetir a história em seu livro O Segredo do Rosário, para incentivar a oração do Rosário.
     Se São Luís foi um Rei católico exemplar, sua mãe Branca de Castela foi o modelo de Rainha Católica piedosa, forte. No livro Married Saints [Santos Casados] (p. 110-128), lemos que ela combinou o gênio para governar com as melhores qualidades da maternidade:
     Com a morte prematura de Luís VIII, o reino enfrentou uma crise uma vez que Luís era apenas um menino de 12 anos. A Rainha Branca governou o reino como regente por oito anos – 1226-1234 – com sabedoria e vigor até que ele pudesse ser coroado como Luís IX. Ela frustrou repetidamente as tramas dos barões contra seu filho, e entrou em guerra contra os nobres, quando necessário, para preservar a unidade do reino. Ela foi muito mais inteligente do que eles e, finalmente, conseguiu fazê-los respeitar sua autoridade.
     Branca levou São Luís com ela em suas campanhas militares, e fê-lo sentar-se ao lado dela nos conselhos de Estado. Isto deu a ele treinamento na arte de governar, pois ele aprendeu não só através de preceitos, mas através da demonstração ocular. Branca não se contentou em treinar seu filho para ser um rei, ela o instruiu também nos caminhos da santidade. Ela ensinou-lhe a fé católica e a devoção, e incutiu-lhe o costume de rezar, que ele nunca abandonou.
     Desde os seus primeiros anos, ela se esforçou para impressionar a sua mente sensível com o valor da santidade. Ela costumava dizer-lhe: ‘Eu preferiria vê-lo morto a saber que você deve viver para cometer um pecado mortal.
     A confiança que São Luís IX tinha em sua mãe é óbvia: quando ele pegou em armas na guerra santa contra os sarracenos, no Egito, ele fez Branca a Rainha regente da França.
     Em sua partida, ele disse à sua mãe: “Deixo os meus três filhos para a senhora guardá-los. Deixo este reino da França para a senhora governá-lo. Verdadeiramente eu sei que meus filhos vão ser bem guardados e o reino bem governado”.
     A Rainha Branca realmente suprimiu rebeliões e ampliou o poder da dinastia francesa.
     Em 1249, enquanto o seu filho estava na Cruzada, ela completou a absorção do sul da França para o Reino e fez alianças vantajosas. Como resultado, o Reino da França ficou mais próximo da aparência que tem hoje.
 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Beata Inês de Jesus de Langeac, Dominicana - 19 de outubro

   
   
     Inês de Jesus Galand nasceu em 17 de novembro de 1602 e teve uma vida curta, faleceu em 19 de outubro de 1634.
     Em Le Puy-en-Velay, França, seu pai, Pedro Galand, tinha uma pequena loja de facas; sua mãe chamava-se Guilhermina Massiote. Puy, desde a Idade Média, era um centro de peregrinações marianas entre as principais da França. Por isso Inês cresceu educada na oração.
     Desde o século XIII os religiosos dominicanos estavam presentes em Puy. A igreja de seu convento, São Tiago, ficava próxima da residência de Inês. Ela ia frequentemente rezar ali e encontrava os religiosos. Um deles, o Padre Panassière, tornou-se seu diretor espiritual.
     Aos sete anos Inês se consagrou a Maria Santíssima como escrava de amor. Aos nove anos começou a recitar o Ofício diariamente em honra ao Espírito Santo. Desde a idade de oito anos, constatando sua profunda piedade, ela foi autorizada a comungar, o que era excepcional naquela época. Ela rezava longamente, a conselho de seu confessor.
     Inês tinha o hábito de dar esmolas a todos os mendigos com quem cruzasse pelas ruas de Puy. Adolescente, ela reunia suas amigas para estudarem a doutrina católica e rezarem em conjunto. Ela também tinha um cuidado especial em ajudar as mulheres grávidas antes, durante e depois do parto.
     Em abril de 1621 ela se tornou religiosa terceira da Ordem de São Domingos e em 1623 foi aceita como freira conversa no Mosteiro de São Catarina de Siena, que fora construído naquele mesmo ano na cidade de Langeac, que fica ao longo do Rio Allier. Este mosteiro pertencia, com outros trinta, ao movimento de reforma inaugurado no sul da França pelo Padre Sebastian Michaelis.
     Em 1625, na Festa da Purificação da Santíssima Virgem Maria, fez a sua Profissão Solene como monja corista. Foi Mestra de Noviças e duas vezes priora.
     À imitação da mística mestra de Siena viveu apaixonada por Cristo e pela Igreja. Em 1631, Jesus e Maria convidaram interiormente Inês a interceder e rezar por um sacerdote a quem ela não conhecia. Três anos depois, no parlatório do mosteiro ela se encontrou com o Abade de Prebac, Jean-Jacques Olier, fundador do Seminário Maior de São Sulpício e ela compreendeu que ele era o sacerdote por quem ela estava oferecendo sua vida de oração e sacrifício.
     A fama de sua santidade e as funções delicadas que ela executou não só atrairam elogios, mas também a calúnia e a inveja, por isso, em 1631, ela foi demitida das suas funções como priora. Aceitou com grande serenidade todos estes sofrimentos injustos, oferecendo-os a Deus para que na França fossem aplicados os decretos do Concílio de Trento para a formação do clero, e pela futura Congregação dos Sacerdotes de São Sulpício, instituída pelo Abade Olier.
     Madre Inês mantinha um relacionamento diário com seu Anjo da Guarda. Ela deixou como herança para suas coirmãs sua vocação particular de rezar pelos sacerdotes.
     Madre Inês de Jesus morreu em 19 de outubro de 1634. Seu corpo é mantido no Mosteiro de Langeac. Em 20 de novembro de 1994, foi beatificada por João Paulo II, juntamente com o Padre Jacinto Cormier, Superior Geral de 1832 a 1916, que reconheceu que devia sua vocação às orações de Madre Inês de Jesus de Langeac.
 
Milagres e tradição
     Durante sua vida terrena, Inês amara especialmente estar junto às mães no momento do parto. Assim, em 1952, em Langeac, após rezarem para ela interceder num nascimento que poderia colocar a vida da mãe e da criança em perigo, o parto aconteceu muito naturalmente. Este milagre foi o ponto de partida para a sua beatificação.
     Diz-se que certa vez, quando ela ia assistir a Missa, um pobre veio até ela e pediu uma esmola. Inês lhe disse que, infelizmente, não tinha nada para lhe dar. "Olhe no seu bolso" - disse o pobre - "que você vai encontrar algo bom para mim". Ela obedeceu e encontrou uma moeda que ela ia entregar ao pobre, mas ele tinha desaparecido.
     Pouco depois de entrar no mosteiro Langeac, à Inês foi confiado o cuidado da cozinha. Ora, era preciso ir muito longe para buscar a água; ela tinha que fazer viagens longas e árduas. Ela confidenciou seu sofrimento a Deus, que imediatamente atendeu seu desejo: Ele fez que na cozinha mesmo surgisse uma fonte de água muito clara e abundante. Esta fonte, organizada mais tarde, foi o foco de muitos milagres.
     Madre Inês de Jesus portava os estigmas sem que estes fossem visíveis externamente.
     Ela era tida como mística ainda em vida. São Luís Maria Grignion de Montfort a menciona em seu Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, parágrafo 170:
     "Contento-me simplesmente de citar uma passagem histórica que li na vida da Madre Inês de Jesus, religiosa jacobina (*) do convento de Langeac, em Auvergne, a qual morreu em odor de santidade nesse mesmo lugar, em 1634. Não tinha ela ainda sete anos, quando, uma ocasião, sofrendo tormentos de espírito, ouviu uma voz que lhe disse que, se ela quisesse livrar-se de todos os seus sofrimentos e ser protegida contra todos os seus inimigos, se fizesse quanto antes escrava de Jesus e de sua Mãe Santíssima. Mal chegou em casa, entregou-se inteiramente a Jesus e Maria, como lhe aconselhara a voz, embora não soubesse antes em que consistia esta devoção; e, tendo encontrado uma corrente de ferro, cingiu com ela os rins e a usou até a morte. Depois desse ato todas as suas penas e escrúpulos cessaram, e ela se achou numa grande paz e bem-estar de coração, e isto a levou a ensinar esta devoção a muitas outras pessoas, que fizeram grandes progressos, entre outros, a M. Olier, que instituiu o Seminário de São Sulpício, e a muitos outros padres e eclesiásticos do mesmo seminário. Um dia a Santíssima Virgem lhe apareceu e lhe pôs ao pescoço uma cadeia de ouro para lhe testemunhar a alegria de tê-la como escrava de seu Filho e sua; e Santa Cecília, que acompanhava a Santíssima Virgem, lhe disse: 'Felizes os fieis escravos da Rainha do céu, pois gozarão da verdadeira liberdade: Tibi servire libertas'".
 
(*) Até a Revolução Francesa os religiosos da Ordem de São Domingos eram chamados jacobinos, do nome da Igreja de Saint-Jacques (São Tiago) em Paris, perto da qual a Ordem se estabeleceu.
 
Fonte: www.santiebeati.it e outras diversas.
 
Mosteiro de Sta. Catarina de Siena, em Langeac (atualmente)