domingo, 3 de novembro de 2013

Beata Teresa Manganiello Terceira franciscana, Fundadora - 4 de novembro

    
      É "a analfabeta sábia" de Montefusco na província de Avelino (Itália). Teresa Manganiello nasceu perto de Montefusco no dia 1º de janeiro de 1849, undécima de doze filhos de uma família de camponeses. Seus pais eram Romualdo Manganiello e Rosária Lepore, “honestos concidadãos” cheios de fé e de profunda piedade cristã. No dia seguinte ela recebeu o batismo na Igreja de São João del Vaglio.

     Aos sete anos recebeu a Primeira Comunhão na igreja de Santo Egídio, anexa ao convento Capuchinho do mesmo nome.
    Como muitas crianças camponesas do sul da Itália daquela época, não frequentou a escola e sempre cresceu à sombra da casa colonial edificada nos campos daquela zona do país. Adolescente, manifestou o desejo de consagrar sua vida a Deus. Em contínua união com Deus, Teresa desde jovenzinha convidava com gentileza suas companheiras a cultivar a pureza e o amor a Deus e ao próximo. Tinha predileção pelas crianças, que cuidava como mãe dedicada.
     Como prova de sua particular devoção à Virgem Imaculada, bem jovem Teresa cortou sua longa e farta cabeleira e fez dela um presente a Nossa Senhora. A vida da jovem terceira franciscana era penetrada de orações marianas tão intensas, que poderia parecer inacreditável se se considera que ela se dedicava aos afazeres domésticos da manhã à noite. O Rosário preenchia toda a sua jornada. Teresa concluiu sua existência terrena repetindo a sua bela invocação: “Ó minha querida Mamãe! Só em vossa companhia serei digna de me apresentar ao vosso Filho, ao meu belo Esposo, Jesus!”
     A "Farmácia" de Teresa, que ela criara em sua casa com medicamentos extraídos das ervas cultivadas por ela, estava sempre aberta. Ali ela fazia o papel de enfermeira: lavava com água morna as lesões, com delicadeza as medicava com as poções preparadas por ela, curava micoses, eczema, sarna, doenças que figuravam no século XIX entre “as mais asquerosas da espécie humana”.
     Quando tinha 18 anos, o Padre Ludovico Acernese, homem sincero e humilde, cheio de caridade, de grande talento e de piedade seráfica, mas também determinado em suas ações, chegou ao convento de Santo Egídio. Este padre instituiu em Montefusco a Ordem Terceira Franciscana.
     Teresa se sentiu atraída pelo ideal franciscano e correu registrar-se, tornando-se a primeira terceira de Montefusco; elegeu o Padre Acernese como seu diretor e confessor. Em 15 de maio de 1870, aos 21 anos, vestiu o hábito e no ano seguinte fez a profissão dos votos, tomando o nome de Irmã Maria Luísa.
     O Padre Ludovico Acernese soube reconhecer nela todas as qualidades mais profundas de sua alma, o que o fez nomeá-la primeira conselheira e depois, pela perfeição do seu ideal franciscano, mestra de noviças.
     A família nunca apoiou seu desejo de se tornar monja, principalmente para não privar-se da grande ajuda que era ter Teresa vivendo em casa; ela levava um estilo de vida monacal; foi chamada popularmente "monachella santa"; estava sempre presente na Missa diária na igreja de Santo Egídio, além disso, vivia intensamente a oração que junto a ásperas mortificações corporais oferecia pela reparação dos escândalos. Apesar disso, sempre e em toda parte mostrava um sorriso que atraía a todos.
     Teresa se sentia chamada a um alto e difícil apostolado: a reparação. Compreende que deve rezar e expiar os males cometidos no mundo e desta forma se antecipou ao que foi pedido por Nossa Senhora em Fátima aos três pastorinhos: “Muitos vão para o inferno porque não há quem reze e se sacrifique por eles. Vós quereis vos oferecer?” Teresa havia se oferecido pela conversão dos pecadores e sempre teve nos lábios a sua jaculatória preferida: “Misericórdia, Senhor, misericórdia dos pecadores!”
     Hoje podemos admirar, expostos no “Memorial Teresa Manganiello”, preparado na Casa Mãe das Irmãs Franciscanas Imaculatinas em Pietradefusi, os instrumentos de seu suplício voluntário, diurno e noturno, realizado no silêncio, na alegria, na ânsia apostólica de converter os pecadores e salvar as almas.
     Embora fosse analfabeta, respondia com sabedoria inclusive a pessoas de vasta cultura; foi a executora do Movimento Terciário Franciscano em Irpina e em Sannio, junto com o Padre Acernese, que ante a insistência de Teresa Manganiello pelo seu ideal religioso e falando dele com outras terceiras, planejou a fundação de uma comunidade para elas.
     Para obter uma aprovação especial, ele a mandou em 1873 a uma audiência com o Papa Pio IX, para lhe apresentar sua intenção. O beato pontífice a abençoou e a animou a ir adiante; e quando Teresa já era considerada como a primeira superiora da nascente Congregação de Religiosas Terceiras Franciscanas, sua saúde começou a declinar.
     Em 14 de fevereiro de 1874, enquanto rezava na igreja teve a primeira hemoptise acompanhada de uma grave artrite; naquela época foi uma enfermidade que atacou pessoas de toda idade e condição social. Teresa seguiu adiante entre os altos e baixos da enfermidade até que no verão de 1876 o mal a prostrou.
     A muitos sacerdotes e fieis que foram visitá-la presenteou sempre com seu maravilhoso sorriso, totalmente entregue nas mãos de Deus, a quem rezava fervorosamente. Do leite de dores Teresa deu os extremos ensinamentos com o sangue, com a palavra e com o heroico sorriso. A quem se admirava com tanta resignação ela dizia: “O Senhor me fez a graça de sofrer por Ele e eu devo me lamentar? Ele já sabe que eu preciso de ajuda!”
     Faleceu no dia 4 de novembro de 1876 com apenas 27 anos e foi sepultada no cemitério de Montefusco.
     Cinco anos após sua morte, o Padre Ludovico Acernese, confiando em sua proteção espiritual, fundou em Pietradefusi a Congregação das Monjas Franciscanas Imaculatinas, das quais Teresa é a "Pedra angular" e a "Mãe espiritual". Em seu patrimônio espiritual cada monja encontra ricos exemplos e ensinamentos para uma vida de total consagração ao serviço de Deus e da Igreja.
     Em 1976, por ocasião dos cem anos de sua morte, as Monjas Franciscanas Imaculatinas iniciaram a causa para sua beatificação, reconhecendo nela o papel fundamental na fundação da Congregação. As atas do processo foram aprovadas pela Santa Sé em 12 de dezembro de1992. Teresa Manganiello foi beatificada em 22 de maio de 2010.
     Continuam sendo frequentes os sinais de graças, curas e favores de ordem moral e espiritual conseguidos por sua intercessão.
 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dia de Todos os Santos - 1° de novembro


Todos os Santos por Frá Angélico

     A Enciclopédia Católica define o Dia de Todos os Santos como uma festa em “honra a todos os santos, conhecidos e desconhecidos”. No fim do segundo século, os cristãos começaram a honrar os que haviam sido martirizados por causa da sua fé e, achando que eles já estavam com Nosso Senhor Jesus Cristo no céu, rezavam a eles para que intercedessem a seu favor.
    Esta tradição de recordar os santos está na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados, realizando-se nelas orações, missas e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos, como acontecia ao redor do Coliseu de Roma. Posteriormente tornou-se habitual erigirem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais.
     A partir da perseguição de Diocleciano o número de mártires era tão grande, que se tornou impossível designar para cada mártir um dia do ano. No século IV, em Antioquia já eram celebrados todos os santos mártires em um dia comum, no domingo seguinte ao de Pentecostes, tradição que se mantém nas igrejas orientais.
     Com o passar dos anos, mais homens e mulheres se sobressaíram como exemplos de santidade. Ao martírio pela fé que os cristãos respeitavam se soma a entrega de toda a vida no serviço de Deus; assim, "o dia de todos os santos" celebra todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido canonizados (*).
     A comemoração regular começou quando, em 13 de maio de 609 ou 610 d.C., o Papa Bonifácio IV dedicou o Panteão — o templo romano em honra a todos os deuses — a Maria e a todos os mártires.
     A data foi mudada para novembro quando o Papa Gregório III (731-741 d.C.) dedicou uma capela em Roma a todos os santos e ordenou que eles fossem homenageados em 1° de novembro. Não se sabe ao certo por que ele fez isso, mas pode ter sido porque já se comemorava um feriado parecido na mesma data na Inglaterra.
     A Enciclopédia da Religião afirma: “O Samhain continuou a ser uma festa popular entre os povos celtas durante todo o tempo da cristianização da Grã-Bretanha. A Igreja britânica tentou desviar esse interesse em costumes pagãos acrescentando uma comemoração cristã ao calendário, na mesma data do Samhain. É possível que a comemoração britânica medieval do Dia de Todos os Santos tenha sido o ponto de partida para a popularização dessa festividade em toda a Igreja cristã”.
     Markale menciona a crescente influência dos monges irlandeses em toda a Europa naquela época. De modo similar, a Nova Enciclopédia Católica afirma: “Os irlandeses costumavam reservar o primeiro dia do mês para as festividades importantes e, visto que 1° de novembro era também o início do inverno para os celtas, seria uma data propícia para uma festa em homenagem a todos os santos”.
     Finalmente, em 835, o Papa Gregório IV declarou-a uma festa universal.
 
     O Dia de Finados, no qual as pessoas rezam a fim de ajudar as almas no purgatório a obter a bem-aventurança eterna, teve sua data fixada em 2 de novembro durante o século XI pelos monges de Cluny, na França. Embora se afirmasse que o Dia de Finados era um dia santo católico, é óbvio que na mente do povo ainda havia muita confusão. A Nova Enciclopédia Católica afirma que “durante toda a Idade Média era popular a crença de que, nesse dia, as almas no purgatório podiam aparecer em forma de fogo-fátuo, bruxa, sapo, etc.”.
Intenção catequética da festividade
     Segundo o ensinamento da Igreja, a intenção catequética destas celebrações que tem lugar em todo o mundo, ressalta o chamamento de Cristo a cada pessoa para segui-lo e ser santo à imagem de Deus, a imagem em que foi originalmente criada e para a qual deve continuar a caminhar em amor. Isto não só faz ver que existem santos vivos (não apenas os do passado) e que cada pessoa o pode ser, mas sobretudo faz entender que são inúmeros os potenciais santos que não são conhecidos, mas que da mesma forma que os canonizados igualmente veem Deus face a face, têm plena felicidade e intercedem por nós. 
     Além disso, é importante recordar o artigo do Credo que fala da Comunhão dos Santos. Na Doutrina Católica a comunhão dos Santos tem dois significados intimamente relacionados: "comunhão nas coisas santas, sancta" e "comunhão entre as pessoas santas, sancti".
     O primeiro significa a participação de todos os membros da Igreja nas coisas santas: a Fé, os Sacramentos (nomeadamente a Eucaristia), os carismas e os outros dons espirituais. O segundo significa a união viva e espiritual de todos os fiéis cristãos e membros da Igreja que, "pela graça, estão unidos a Cristo", formando um único Corpo Místico de Cristo e sendo por isso "pessoas santas (sancti) em Cristo". Logo, esta comunhão de santos forma "uma só família, a Igreja", que está organizada em três estados espirituais diferentes:
     - A Igreja militante, formada pelos fiéis que "peregrinam na Terra", nomeadamente aqueles que estão em estado de graça (ou seja, que não estão manchados por pecados mortais não confessados);
     - A Igreja padecente ou purgante, constituída pelas almas que ainda padecem no Purgatório e que, por isso, necessitam das orações de sufrágio (nomeadamente a missa), das boas obras, dos sacrifícios, das indulgências e das obras de penitência praticadas pelos membros da Igreja militante. Todas estas ações aceleram a purificação e posterior entrada no Céu destas almas padecentes;
     - A Igreja triunfante, composta pelos habitantes do Céu (desconhecidos, anônimos ou oficialmente reconhecidos pela Igreja), que alcançaram a eterna e definitiva santidade e que, portanto, são os intercessores dos homens junto de Deus.
     Todos os membros da Igreja destes três diferentes estados espirituais, unidos espiritualmente em Cristo, podem por isso interceder e ajudar-se mutuamente através de orações, boas obras, sacrifícios e indulgências, ou seja, através da "comunicação dos bens espirituais".
     Esta união viva é sustentada na doutrina católica de que "todos os crentes formam um só corpo, [logo] o bem duns é comunicado aos outros [...]. E assim, deve-se acreditar que existe uma comunhão de bens na Igreja. [...] Mas o membro mais importante é Cristo, que é a Cabeça [...]. Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, comunicação que se faz através dos sacramentos da Igreja". Esta união espiritual, em última análise, é fundamentada "no mesmo amor de Deus e do próximo" que todos os católicos comungam, "embora de modo e grau diversos", formando assim uma só Igreja. 
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2000. ISBN 972-603-349-7
 
(*) No século V, teve início o uso de um processo para que a heroicidade de vida cristã de alguém aclamado pelo povo fosse averiguada; após o término do processo, o investigado pode ser chamado universalmente de beato ou santo. O processo também institui um dia e o tipo e lugar para as celebrações, normalmente com referência especial na missa.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Santa Lucila de Roma, Virgem e mártir - 31 de outubro

    


     Os dois termos relativos ao início e ao fim do dia, a alba e o crepúsculo, deram origem a dois nomes próprios que estão ligados ao percurso que a luz faz no nosso dia: Lucila, “nascida à alba”, e Crepusca “nascida no crepúsculo” (nome inteiramente desconhecido no Brasil).
     Lucila é o gracioso diminutivo de Lúcia (*), e é o nome da virgem e mártir do século III que é festejada do dia 31 de outubro.
     São poucos os documentos relativos à Santa Lucila, mas a devoção a ela é muito simbólica, sugerindo uma estreita ligação entre a luz material e a fé que ilumina a alma.
     Um “corpo santo” de Lucila, tirado do cemitério de Calisto em 1642 foi levado para Reggio Emilia inicialmente para a Basílica de São Próspero, patrono daquela cidade, e em seguida foi trasladado para a capela de Nossa Senhora das Graças.
     Segundo relatos longínquos e legendários, nos tempos da perseguição de Valeriano, no século 257, o tribuno Nemésio havia pedido e obtido do Pontífice o batismo para si e para sua filha Lucila. Esta, cega desde o nascimento, pouco depois da cerimônia recuperou a visão.
     A nova fé e o milagre obtido pela filha tornou o tribuno romano surdo às exortações do imperador que exigia o seu retorno ao culto pagão. Devido às recusas persistentes, pai e filha foram condenados à morte e martirizados um entre a Via Appia e a Via Latina, e a outra na Via Appia, próximo do templo de Marte.
     Os seus corpos foram enterrados e exumados diversas vezes e, segundo algumas interpretações, as trasladações tiveram e mantiveram o significado simbólico da centelha luminosa e santa que marca no mundo o itinerário triunfal do Cristianismo.
     A nós basta pensar que o pai, São Nemésio, e a filha, Santa Lucila, são como chamas de testemunho convicto de fé e de caridade recíproca inseridas nas sombras de cada dia. 
 
Fonte: www.santiebeati/it  Mario Benatti 
 
(*) Do latim Lucius, “luminoso(a), luzente, iluminado(a), que por vez tem origem em lux, lucis, “luz”.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

No mês do Rosário, o terço em família

 
Mas é sobretudo dentro das paredes do lar que temos o desejo de ver reflorir por toda a parte o hábito assíduo da reza do terço, e seja religiosamente guardado e revigorizado com novo fervor.
 
     É que será vão o esforço de remediar a situação decadente da sociedade civil se a família, princípio e base de toda a sociedade humana, não se ajustar diligentemente à lei do Evangelho.
     E nós afirmamos que, para desempenho cabal desse árduo dever, é sobremaneira conveniente o costume de rezar o terço em família. Quão suave e profundamente agradável a Deus é o espetáculo do lar cristão que, ao cair de cada noite, ressoa com as harmonias dos reiterados louvores da augusta Rainha do Céu!
     Então essa prece comum reúne pais e filhos, de volta do trabalho do dia, em admirável união de almas, aos pés da imagem de Maria; depois une piedosamente com os ausentes, com os já falecidos; a todos, enfim, com suavíssimo vínculo de amor, liga mais estreitamente a virgem Maria, que, como mãe amantíssima, rodeada da coroa dos seus filhos, ali estará presente a infundir com profusão os dons da união e da paz doméstica.
     Então o lar da família cristã, ajustado ao modelo da família de Nazaré, tornar-se-á mansão de santidade na terra e quase templo sagrado, em que a reza do Rosário de Maria não será apenas particular forma e modo de oração a subir cada dia ao céu em odor de suavidade, mas eficacíssima escola de disciplina e virtude cristã.
     Efetivamente, os admiráveis mistérios da Redenção, propostos à contemplação, hão de fazer que os mais idosos, tendo ante os olhos os exemplos luminosos de Jesus e de Maria, se habituem a passá-los, dia a dia, à prática da vida, deles possam haurir conforto nas angústias e adversidades e, por eles movidos, frutuosamente se lembrem dos tesouros dos bens celestes “aos quais não chega o ladrão, nem rói a traça” (Lc 12, 33).
     E farão que nas mentes das crianças se vão penetrando as principais verdades da fé cristã, de tal maneira que floresça quase espontaneamente nos seus corações inocentes o amor ao Redentor benigníssimo, ao mesmo tempo que logo desde a tenra idade, sob a luz do exemplo dos pais que reverentemente ajoelham ante a majestade de Deus, aprendem a conhecer o valor da oração feita em comum.

Fonte: Blog Almas Devotas

 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Beata Maria Teresa Ferragud Roig e 4 filhas religiosas, Mártires - 25 de outubro

    
     Surpresos ao ouvir falar da coragem heroica da mãe dos sete Macabeus bíblicos, que foi um apoio no doloroso martírio dos filhos, finalmente coroando-o pelo derramamento de seu próprio sangue, falemos hoje de outra mãe que o Papa, por ocasião do 6º Encontro Mundial das Famílias na Cidade do México, apresentou como um modelo, talvez doloroso, de uma família que viveu o seu testemunho cristão.

     Maria Teresa Ferragud Roig nasceu em Algemesi (província de Valência) em 14 de janeiro de 1853 e se formou nas fileiras da Ação Católica, primeiro como Aspirante, em seguida, entre as "senhoras católicas". De uma espiritualidade sólida, alimentada pela Missa e Comunhão diária, ancorada na adoração eucarística e iluminada pela devoção mariana. Sua fé prosperava em obras, era pródiga na caridade para com os necessitados no âmbito da Conferência de São Vicente, da qual também foi presidente alguns anos.
     Quando se decidiu casar, quis um marido que pensasse como ela, especialmente em matéria de fé e caridade. Ela o encontrou em Vicente Silvério Masiá, com quem se casou aos 19 anos. As testemunhas concordam, dizem que homem mais devoto e caridoso teria sido difícil encontrar, e se hoje nós não o veneramos entre os bem-aventurados da Igreja é só porque o fim dele foi do homem comum, que morreu em sua própria cama e não martirizado, mas que vamos encontrar um dia entre os santos anônimos que habitam o Céu.
     Maria Teresa deu à luz nove filhos, inspirados no seu estilo e de acordo com o seu exemplo. Não é de admirar que tenham florescido em sua família não uma, mas seis vocações religiosas: dois Capuchinhos (um dos quais morreu em 1927, e o outro foi missionário na América) e quatro irmãs de vida contemplativa.
     Interessa-nos ​estas últimas, três das quais ingressaram no mosteiro capuchinho de Agullent: Irmã Maria de Jesus (Vicência) nascida em 1882, Irmã Maria Verônica (Joaquina) nascida em 1884, e Irmã Maria Felicidade (Francisca) de 1890. Para terminar a série, a Irmã Josefa da Purificação (Raimunda) de 1887, agostiniana descalça.
     Em 1936, no momento crucial da guerra civil espanhola, encontravam-se todas na casa da família, porque seus conventos tiveram que fechar suas portas. À mãe, que já chegara aos 83 anos, não parecia real tê-las por perto, mesmo que suas "meninas" permanecessem enclausuradas em casa, dedicadas à oração, ao silêncio e à meditação.
     Na tarde de 19 de outubro, as quatro irmãs foram presas pela milícia e a mãe não quis se separar delas, ela que possivelmente poderia se salvar devido a idade.
     Permaneceram seis dias na cadeia aguardando a sentença de morte, que chegou no dia 25 de outubro, na época era Festa de Cristo Rei, quando elas foram retiradas da prisão e levadas para o local da execução.
     Como último desejo, Maria Teresa pediu para ser executada por último: ela queria cumprir o seu dever de mãe até o fim, animando as filhas, para ter certeza de sua fidelidade até a morte. "Coragem, filhas! É um piscar de olhos e a eternidade vai durar para sempre", ouvem-na gritar, enquanto as incita: "O vosso Esposo vos espera". Ela as vê cair uma a uma, com o nome de Cristo Rei nos lábios e o perdão no coração. Portanto, estava serena quando chegou a sua vez.
     Para seus assassinos que gritam: "Velha, você não tem medo de morrer?" pode responder tranquilamente: "Até agora tenho seguido a Cristo e vou fazê-lo até o fim. Para onde foram as minhas filhas eu também vou", forçando-os a admitir, após a sua execução: "Esta mulher era realmente uma santa".
     A força de seu testemunho levou João Paulo II, que tinha uma grande admiração por ela, a beatificá-la junto com suas quatro filhas em 2001.
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Beata Josefina Leroux e Comp., Ursulinas Mártires da Rev. Francesa - 22 de outubro

    
     Josefina Leroux nasceu em Cambrai, França, a 23 de janeiro de 1747. Foi santamente educada pelos pais bondosos e religiosos. A 10 de maio de 1779, aos vinte e dois anos, abandonou a casa paterna e foi recebida entre as filhas de Santa Clara no mosteiro das clarissas de Valenciennes. No ano seguinte pronunciou os votos. Sua irmã, Maria Escolástica, ingressou nas religiosas ursulinas da mesma cidade.

     Na paz silenciosa do claustro, Josefina ocupou-se em servir ao Senhor com crescente amor, fidelidade e perfeita alegria franciscana. Porém, bem cedo a pobre terra da França deveria ser golpeada pelo furioso furacão da revolução. Milhares de vítimas foram colocadas na prisão e sacrificadas. Os tribunais revolucionários somente interrogavam os acusados, não lhes permitindo a possibilidade de se defenderem.
     Em 1791 as monjas clarissas foram expulsas de seu mosteiro e Josefina foi hospedada por seus parentes em Cambrai. As irmãs ursulinas, com o desejo ardente de continuar sua vida religiosa, atravessaram a fronteira e se uniram às suas coirmãs da região de Mons. Este exílio durou de 17 de setembro de 1792 a 1º de novembro de 1793, quando as irmãs ursulinas puderam regressar ao seu convento.
     Vendo que não lhe era possível regressar junto com as outras irmãs, desejosa de voltar à vida de comunidade, Josefina pediu para ser acolhida entre as irmãs ursulinas, junto à sua irmã Escolástica. O gozo da recuperação da vida conventual foi breve. Valenciennes caiu novamente nas mãos dos franceses e a fúria tudo derrubou.
     Na noite entre os dias 2 e 3 de setembro os emissários revolucionários, percorrendo a cidade, aprisionaram Josefina, que se distinguiu por uma grande tranquilidade de ânimo que jamais abandonou. Ao comissário disse que não havia necessidade de tanta gente para apoderar-se de uma pobre mulher. Nessa mesma noite, junto com sua irmã Maria Escolástica, foi recolhida à prisão e ali esperaram o momento solene.
     A 23 de outubro de 1794, subiram ao patíbulo recitando o "Te Deum" e as ladainhas da Virgem. No cadafalso tiveram palavras de agradecimento para os verdugos, cujas mãos elas beijaram. A Bem-aventurada Josefina Leroux e as dez irmãs ursulinas foram assassinadas por ódio à fé, à Igreja e à religião de Cristo. Quando foi guilhotinada tinha 47 anos.
     As disposições em que se encontravam as religiosas, assim as indica Maria Margarida, escrevendo às ursulinas de Mons em 20 de outubro: "Não nos lastimeis; perguntai antes o que fizemos para merecer este favor. Cinco de nós já sofreram a guilhotina. Subiram para ela a rir... Ficai bem certas que sempre vos ficaremos reconhecidas no céu. Ao morrermos, abraçamo-nos de todo o coração..."
     As onze religiosas, juntamente com quatro irmãos da caridade, de Arrás, foram beatificadas por Bento XV em 1920.
     São totalmente desconhecidas as circunstâncias em que foram sepultados os corpos das vítimas e os túmulos não foram encontrados.
 
Fonte:

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Rainha Branca de Castela e o Rosário

     No mês do Rosário, conheçamos uma grande propulsora desta devoção 
 
 

     Rainha Branca de Castela (1187-1251), a esposa do Rei Luís VIII, estava profundamente triste porque ela ainda não tinha filhos após 12 anos de casamento. Quando São Domingos de Gusmão foi vê-la, ele aconselhou-a a rezar o terço todos os dias para pedir a Deus a graça da maternidade.
     Ela seguiu o seu conselho fielmente. Em 1213, ela deu à luz seu filho mais velho, Filipe, mas a criança morreu na infância. O fervor da Rainha não foi de modo algum embotado por essa decepção.
     Pelo contrário, ela procurou a ajuda de Nossa Senhora, mais do que nunca. Ela havia distribuído um grande número de Rosários para todos os membros da corte e também para as pessoas em várias cidades do Reino, pedindo-lhes para se juntar a ela rogando a Deus por uma bênção que desta vez seria completa.
     Em 1215, ela deu à luz a São Luís, o príncipe que viria a ser a glória da França e o modelo de todos os Reis Católicos. Ele usou sua coroa terrena de modo perfeito, e assim ganhou uma coroa celestial cuja glória nunca se apagará.
     Esta história foi relatada em um livro de exempla Mariano, o Ulm Rosary Handbook, escrito por Alanus de Rupe em 1483. Mais tarde, São Luís Maria Grignion de Montfort iria repetir a história em seu livro O Segredo do Rosário, para incentivar a oração do Rosário.
     Se São Luís foi um Rei católico exemplar, sua mãe Branca de Castela foi o modelo de Rainha Católica piedosa, forte. No livro Married Saints [Santos Casados] (p. 110-128), lemos que ela combinou o gênio para governar com as melhores qualidades da maternidade:
     Com a morte prematura de Luís VIII, o reino enfrentou uma crise uma vez que Luís era apenas um menino de 12 anos. A Rainha Branca governou o reino como regente por oito anos – 1226-1234 – com sabedoria e vigor até que ele pudesse ser coroado como Luís IX. Ela frustrou repetidamente as tramas dos barões contra seu filho, e entrou em guerra contra os nobres, quando necessário, para preservar a unidade do reino. Ela foi muito mais inteligente do que eles e, finalmente, conseguiu fazê-los respeitar sua autoridade.
     Branca levou São Luís com ela em suas campanhas militares, e fê-lo sentar-se ao lado dela nos conselhos de Estado. Isto deu a ele treinamento na arte de governar, pois ele aprendeu não só através de preceitos, mas através da demonstração ocular. Branca não se contentou em treinar seu filho para ser um rei, ela o instruiu também nos caminhos da santidade. Ela ensinou-lhe a fé católica e a devoção, e incutiu-lhe o costume de rezar, que ele nunca abandonou.
     Desde os seus primeiros anos, ela se esforçou para impressionar a sua mente sensível com o valor da santidade. Ela costumava dizer-lhe: ‘Eu preferiria vê-lo morto a saber que você deve viver para cometer um pecado mortal.
     A confiança que São Luís IX tinha em sua mãe é óbvia: quando ele pegou em armas na guerra santa contra os sarracenos, no Egito, ele fez Branca a Rainha regente da França.
     Em sua partida, ele disse à sua mãe: “Deixo os meus três filhos para a senhora guardá-los. Deixo este reino da França para a senhora governá-lo. Verdadeiramente eu sei que meus filhos vão ser bem guardados e o reino bem governado”.
     A Rainha Branca realmente suprimiu rebeliões e ampliou o poder da dinastia francesa.
     Em 1249, enquanto o seu filho estava na Cruzada, ela completou a absorção do sul da França para o Reino e fez alianças vantajosas. Como resultado, o Reino da França ficou mais próximo da aparência que tem hoje.