domingo, 17 de novembro de 2013

Beata Carolina Közka Virgem e mártir - 18 de novembro

    
     Carolina nasceu na aldeia de Wal-Ruda, próximo de Tárnow, Polônia, no dia 2 de agosto de 1898. Era uma dos onze filhos de Jan e Maria Borzecka Közka. De 1904 a 1912 Carolina frequentou a escola local, tendo feito apenas o curso elementar, pois seus pais eram muito pobres.

     A piedade e a devoção ela recebeu em casa, onde o Rosário era rezado diariamente e a Missa dominical era a forma da família agradecer a Deus os dons que dEle recebia. Com frequência Carolina reunia vizinhos e parentes, especialmente as crianças, e liam as Sagradas Escrituras sob uma pereira próximo de sua casa. Ela gostava de rezar o Rosário usando o terço que sua mãe lhe dera. Devido às suas orações, ela geralmente dormia menos do que precisava. “Durante o dia ela sempre sussurrava as palavras ‘Ave Maria’, pois, como ela mesma dizia, estas palavras faziam-na ‘sentir uma grande alegria no coração’”.
     Ela rezava o Rosário constantemente e mesmo no seu trajeto para ir a igreja assistir à Missa; além da Missa dominical, ela a assistia também durante a semana. O tio de Carolina, Franciszek Borzecki, era uma inspiração para sua fé. Ela o auxiliava na biblioteca e na organização de outras coisas na paróquia; também ensinava catecismo para seus irmãozinhos e para as crianças da vizinhança. Desde a adolescência ela era dirigida pelo Padre Ladislao Mendrala, que a acompanhava na sua ativa vida no núcleo paroquial da aldeia.
     Com o início da 1ª. Guerra Mundial (1914-1918) a Polônia foi invadida pelo exército soviético. A situação em Tárnow era cada dia mais difícil devido aos abusos e a brutalidade dos soldados. Em novembro de 1914 eles controlaram Wal-Ruda. Seis meses antes, no mês de maio de 1914, Carolina recebera o sacramento da Crisma.
     Na noite de 18 de novembro de 1914, um soldado bêbado irrompeu na casa da família Közka exigindo alimento. Como não ficou satisfeito, obrigou o pai e Carolina a acompanhá-lo para reportar a conduta da família às autoridades.
     Nas proximidades da floresta, o soldado obrigou o pai, sob as ameaças de matá-lo e à sua família, a voltar para casa, ficando em poder de Carolina. Dois rapazes que voltavam para casa foram testemunhas do que aconteceu em seguida. O soldado tentou violentá-la, mas ela defendeu-se lutando com ele. Enfurecido, o homem feriu-a várias vezes com sua baioneta. Carolina correu em direção ao pântano, que a salvou de mais ataques, pois a caça ali era difícil para o soldado. Mas era tarde demais para Carolina: as feridas que ele fizera causaram muita perda de sangue. Ela morreu no pântano, mas com sua pureza intacta. Ela tinha somente 16 anos.
     Dezesseis dias depois, no dia 4 de dezembro, o seu corpo foi encontrado. Ele estava mutilado apresentando feridas de baioneta na cabeça, pernas, costas e peito. Suas mãos ensanguentadas demonstravam a resistência que opôs.
     Toda a aldeia compareceu ao seu enterro; Carolina foi sepultada no cemitério da paróquia. Ela passou a ser conhecida como “a Estrela de Tárnow”. Após o seu sepultamento, os habitantes da região vinham rezar no seu túmulo e no local de sua morte. Seu martírio causara muita comoção nos habitantes da região e, no dia 18 de junho de 1916, um monumento em sua memória foi construído próximo à igreja de Zabawa, e no local do delito foi erguida uma cruz.
     Em fevereiro de 1965, o Bispo Jerzy Ablewicz submeteu à apreciação a causa de sua beatificação e canonização (também de seu martírio). Em 10 de junho de 1987, ela foi beatificada em Tárnow. Ao beatificá-la, João Paulo II disse: “A morte de Carolina nos diz que o corpo humano tem um valor e uma dignidade imensa que não se pode baratear. Carolina Közka tinha consciência desta dignidade. Consciente desta vocação, ela entregou sua jovem vida, quando foi necessário entregá-la, para defender sua dignidade de mulher”.
     Após sua beatificação, suas relíquias foram colocadas no altar mor e veneradas pelos paroquianos e peregrinos. Sua casa foi transformada em um museu onde os visitantes podem conhecer mais sobre esta corajosa jovem.
     Carolina ainda não foi canonizada, mas milagres têm sido alcançados por sua intercessão. No 10º dia de cada mês há uma cerimônia junto às suas relíquias pedindo que ela seja canonizada.
     Conhecida como a “Maria Goretti da Polônia”, a Beata Carolina é vista como um grande exemplo de pureza para os jovens do 3º milênio, devido à sua humildade, coragem e fé em Deus. Ela é patrona da juventude e dos agricultores.
 
Fontes: en.wikipedia.org;wiki; santiebeati.it
 
Etimología: Carolina, feminino e diminutivo de Carlos = do latim Carolus, por sua vez do alto alemão antigo, Kharal, “homem”, sentido pritivo “viril, varonil, vigoroso”.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Santa Hilda de Whitby, Abadessa - 17 de novembro




     Não se sabe o local de nascimento de Hilda, mas, de acordo com São Beda o Venerável, foi no ano de 614. Era a segunda filha de Hereric, sobrinho de Eduino, primeiro rei cristão da Nortúmbria (atual Inglaterra), e de sua esposa Bregusvita. Sua irmã mais velha, Heresvita, se casou com Etelrico, irmão do rei Anna da Anglia Oriental. Quando era apenas um bebê, seu pai foi envenenado no exílio, na corte do rei de Elmet (hoje em dia West Yorkshire). Presume-se que ela cresceu na corte de Eduino, na Nortúmbria.
O batismo de Hilda
     Em 12 de abril de 627, Festa da Páscoa, o rei Eduino foi batizado junto com sua corte, que incluía Hilda, na pequena capela de madeira construída, especialmente para a ocasião, próximo do local em que está hoje a Catedral de York. A cerimônia foi oficializada pelo monge bispo Paulino, que viera de Roma com Agostinho (Santo Agostinho de Canterbury). Ele acompanhava Etelburga, uma princesa cristã que voltava para Kent para casar-se com Eduino.
     Desconhecem-se os detalhes da vida de Hilda de 627 a 647. Parece que depois da morte de Eduino em uma batalha, em 633, ela foi viver com sua irmã. São Beda resume sua história num ponto chave de sua vida quando, na idade de 33 anos, ela decidiu ir viver em um convento de Chelles, na França, acompanhando sua irmã que enviuvara. Santo Adriano, bispo de Lindisfarne, dissuadiu-a de tal propósito e aconselhou-a a voltar para a Nortúmbria e viver como monja beneditina.
Os mosteiros de Santa Hilda
     Não se sabe exatamente aonde Hilda iniciou sua vida de monja, apenas que ela se fixou com algumas companheiras junto ao Rio Wear. Elas aprenderam as tradições do monaquismo celta trazidas pelo Bispo de Iona, Santo Adriano. Depois de um ano, Santo Adriano nomeou Hilda a segunda Abadessa de Hartepool. Não restam vestígios desta abadia, porém o cemitério monástico foi encontrado próximo da atual Igreja de Santa Hilda.
     Em 657, Hilda fundou com suas rendas um novo mosteiro duplo em Whitby (então conhecido como Straneshalch), aonde permaneceu o resto de sua vida até sua morte em 680. (Whit = Pentecostes; by = mantido por). Whitby era então a capital da Nortúmbria. Hilda governou os dois mosteiros com grande prudência durante 30 anos.
Vida monástica em Whitby
     Em Whitby erguem-se impressionantes ruínas de uma abadia beneditina do século XII. Entretanto, não foi este o edifício que Hilda conheceu. Evidências arqueológicas mostram que o seu mosteiro tinha estilo celta, com seus monges vivendo em pequenas casas para duas ou três pessoas. Na tradição dos mosteiros duplos, como os de Hartepool e Whitby, os monges e as monjas viviam separados, porém podiam rezar juntos na Missa.
     São Beda nos conta que as idéias originais do monaquismo eram seguidas com rigor na abadia de Hilda. Todas as propriedades e bens eram comuns, praticavam-se os conselhos evangélicos, especialmente a paz e a caridade, todos tinham que estudar as Sagradas Escrituras e praticar obras de caridade. Entretanto, o número de monges e monjas que viviam em Whitby não é conhecido.
     Cinco monges de Whitby se tornaram bispos e um foi venerado como santo, São João de Beverly. A rainha Eanfreda de Deira e sua filha Alfreda se tornaram monjas, e juntas foram abadessas de Whitby depois da morte de Hilda.
     São Beda descreve Santa Hilda como uma mulher de grande energia, uma audaz e eficaz administradora e mestra. Gozava da reputação de grande sabedoria por toda a Inglaterra, e todas as grandes personalidades a consultavam: reis, príncipes e bispos. Entretanto, ela também se preocupava com as pessoas comuns, como Caedmon, um pastor e bardo religioso. Santa Hilda teve o dom da profecia e foi celebrada por todos os escritores e historiadores ingleses, tanto pela sabedoria divina que possuía como pela santidade altíssima. Mesmo tendo um temperamento forte, ela inspirava afeto. São Beda disse: "Todos os que a conheciam a chamavam de 'mãe' por causa de sua grande devoção e graça".
O Sínodo de Whitby
     Na segunda metade do século VI, os monges irlandeses, discípulos de São Patrício e São Columbano, chegaram à Inglaterra e fundaram uma série de mosteiros, entre eles o de Iona. Paralelamente, Roma havia enviado para lá vários monges, entre eles Santo Agostinho de Canterbury, com idêntica missão de evangelização. Esses empreendimentos missionários acabaram se chocando devido a diferenças que existiam entre eles de ritual, de estilo e de organização.
     A Nortúmbria ficou durante alguns anos sem saber a quem dar razão, se aos monges irlandeses ou aos romanos. Então, o rei Oswin da Nortúmbria decidiu resolver a questão convocando o Sínodo de Whitby, o que aconteceu no ano de 664. São Beda o Venerável se refere a esta reunião em sua Historia eclesiástica dos ingleses.
     O rei Oswin escolheu o mosteiro de Santa Hilda como sede para o Sínodo de Whitby, o primeiro sínodo da Igreja em seu reino. A maioria dos presentes, incluindo Santa Hilda, seguiam as tradições do Cristianismo celta, porém, vários no reino, incluindo a rainha Eanfreda e sua filha, a monja Alfreda, que vivia com Hilda no mosteiro, seguiam as tradições da Igreja Romana. Convencidos por São Vilfrido, um mensageiro de Roma, decidiu-se optar pelas tradições romanas. Santa Hilda aceitou esta decisão e aderiu às novas regras dando um bom exemplo de devoção e de obediência.
     Muitas das tradições celtas continuaram em uso, porém pontos essenciais como festas e celebrações foram mudados. São Cutberto de Lindisfarne, um Santo da Nortúmbria, demonstrou com sua vida como as tradições beneditinas e celtas podem ser combinadas efetivamente.
Morte de Santa Hilda
     Santa Hilda faleceu em 17 de novembro de 680 ao cabo de longa e penosa doença que durou seis anos. Não cessou, entretanto, de trabalhar durante esses anos. No último ano de vida ela fundou outro mosteiro em Hackness. Ela entregou a alma a Deus depois de receber o viático, e, segundo a tradição, os sinos do mosteiro de Hackness tocaram no momento de sua morte.
O legado de Santa Hilda
     As sucessoras de Santa Hilda foram Eanfreda, viúva do Rei Oswin, e sua filha Alfreda. Depois das mortes destas, não se sabe mais nada da Abadia de Whitby, além do fato de ter sido destruída pelos invasores daneses em 867. Depois da invasão da Inglaterra por Guilherme I, monges vindos de Evesham fundaram outra abadia beneditina para homens. E continuou existindo até a dissolução dos mosteiros por Henrique VIII em 1539.
     A partir do século XIX até hoje, surgiu no mundo todo um renovado interesse e uma grande devoção por Santa Hilda. Com o crescimento da educação feminina, muitas escolas e universidades foram fundadas em sua honra. A Universidade Santa Hilda, em Oxford, recebeu este nome em sua homenagem. Santa Hilda é considerada uma das padroeiras da educação e da cultura, inclusive da poesia, graças ao apoio que dedicava a Caedmon.

 
Etimologia: Hilda, do alemão, abreviatura de nomes como Hildegarda. Do alto alemão antigo Hiltia: “combate, guerra”, também se traduz por “guerreira”.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Santa Agostinha Lívia Pietrantoni, Religiosa - 13 de novembro

    
         27 de março de 1864. No pequeno povoado de Pozzaglia Sabina, a 800 m de altitude, na bonita zona geográfica entre Rieti, Orvinio, Tivoli, nasceu e foi batizada Lívia, segunda de 11 filhos. Os pais, Francisco Pietrantoni e Catarina Costantini, eram pequenos agricultores que trabalhavam a própria terra e algum terreno arrendado. A infância e a juventude de Lívia respiram os valores da família honesta, laboriosa, religiosa e são marcadas sobretudo pela sabedoria do avô Domingos, verdadeira ícone patriarcal na casa abençoada, onde "todos procuravam fazer o bem e a oração era comum".

Aos quatro anos, Lívia recebeu o sacramento da Crisma e por volta de 1876 fez a sua Primeira Comunhão, com uma consciência certamente extraordinária, comprovada pela sua posterior vida de oração, de generosidade e de doação. Ainda muito cedo aprendeu da mãe Catarina as atenções e os gestos de maternidade que exprime com docilidade entre os numerosos irmãozinhos da sua família, onde todos parecem ter direito ao seu tempo e à sua ajuda. Trabalha no campo e cuida dos animais. Portanto, não tem muito tempo para brincar e para a escola. Mesmo assim consegue obter um grande proveito da sua irregular freqüência, tanto a merecer das suas colegas o título de "professora".
Aos 7 anos começou a trabalhar com outras crianças transportando inúmeros baldes de cascalho e areia para a construção da estrada Orvinio-Poggio Moiano. Aos 12 anos parte com as outras meninas que nos meses invernais se encontram em Tivoli para a colheita da azeitona. Lívia, com uma sabedoria precoce, assume a responsabilidade moral e religiosa das jovens colegas: é para elas apoio na dureza do trabalho longe da família e do povoado; com decisão e coragem é também guia nas relações com os chefes prepotentes e sem escrúpulos.
Lívia era uma jovem admirável pela sabedoria, o senso altruísta, a generosidade, a beleza e isso não passa despercebido aos olhos dos rapazes do seu povoado. Mais que um rapaz a quis para esposa. Um deles deu este testemunho:
Lívia percebeu porque era inteligentíssima... Um dia passei por ela ao longo da estrada, quase por acaso. Estava a ler um livro. Parou e olhou para mim, um pouco atrapalhada. Depois tirou para fora do livro um 'santinho', um Ecce Homo (Cristo flagelado, coroado de espinhos e com as mãos atadas). Mostrou-o e disse:
- Este é que será o meu esposo.
Respondi-lhe apenas: - Já sabia e és bem digna dEle.
Às companheiras, que procuravam dissuadi-la, diz resolutamente: - Hei-se ser religiosa e no convento mais difícil.
Às pessoas da família e do povoado que pretendiam desviá-la da sua decisão, definindo-a uma fuga das dificuldades, Lívia respondia: "Quero escolher uma Congregação onde tenha trabalho para o dia e para a noite" e todos estão certos da autenticidade dessas palavras. A mãe declarou: - Que bênção de Deus esta minha filha! Sabe tratar melhor do que eu com o pai, com os irmãos, com a agulha, com o tear, na cozinha e na limpeza. Que poderia eu fazer sem ela, com uma família tão grande?
Como mãe católica que era, apesar da falta que lhe fazia, deu-lhe licença, assim como o pai, de seguir a vida religiosa.
Em 3 de março de 1886, a Superiora Geral das Irmãs da Caridade de Sta. Joana Antida Thouret, a Madre Josefina Bocquin, comunica-lhe que a espera na Casa Geral localizada na rua Sta. Maria em Cosmedin.
23 de março de 1886. Lívia chega a Roma aos 22 anos, passando a morar na Rua Sta. Maria em Cosmedin. Alguns meses de Postulado e de Noviciado são suficientes para constatar que a jovem possui todas as condições para ser Irmã da Caridade, isto é, uma verdadeira "serva dos pobres", conforme a tradição de São Vicente de Paulo e de Sta. Joana Antida. Lívia levava para o convento, como herança familiar, um potencial humano particularmente sólido que lhe serve de garantia.
Ao vestir o hábito religioso, recebeu o nome de Irmã Agostinha; ela percebeu que ela mesma deveria ser santa com este nome, visto que, de fato, não existe uma santa Agostinha!
Enviada ao Hospital Espírito Santo, glorioso pela sua história de 700 anos e definido como "o ginásio da caridade cristã", Irmã Agostinha dá a sua contribuição pessoal a exemplo dos santos que a precederam, entre os quais São Carlos Borromeo, São José Calasâncio, São João Bosco, São Camilo de Léllis, e naquele lugar de dor manifesta a caridade até o heroísmo.
Começou primeiramente a tratar das crianças; depois passou para a enfermaria dos tuberculosos.
Naqueles tempos de luta declarada contra a Igreja, a paciente religiosa tinha de ouvir freqüentemente blasfêmias, injúrias, palavras malcriadas e provocadoras. Os Padres Capuchinhos são expulsos, o crucifixo é banido, bem como os demais sinais religiosos. O clima no hospital é hostil à religião. Quereriam afastar também as Irmãs, mas temem a impopularidade. A vida torna-se "impossível" para elas e lhes é proibido falar de Deus. Ir. Agostinha, porém, não tem necessidade da boca para "gritar Deus" e nenhuma mordaça a pode impedir de anunciar o Evangelho.
Descontentamento, insultos, impaciências, grosserias de toda a espécie nunca lhe faltavam, mas ela sabia pagar tudo com muita delicadeza - escreveu um enfermo.  E outra testemunha: - Com os doentes era uma verdadeira mãe, especialmente com os mais graves. À noite, antes de se retirar, não deixava de se aproximar das camas dos que estavam em maior perigo. Acomodava-lhes o travesseiro e dizia-lhes qualquer boa palavra. Por vezes, algum doente mau e descontente provocava-lhe algum aborrecimento, como atirar ao chão o prato de comida. Mas a Irmã Agostinha nunca perdia a paciência.
Pela sua dedicação a boa Irmã contraiu depressa a tuberculose. Viu-se obrigada a retirar-se, mas fez a Superiora prometer-lhe que, se se curasse, voltaria para a mesma enfermaria. E assim aconteceu: milagrosamente sara.
Em segredo, em um pequeno ângulo escondido, Ir. Agostinha encontrou um lugar para a Virgem Maria, para que fique no hospital. A Ela confia os seus "protegidos", prometendo vigílias de oração e maiores sacrifícios para obter a graça da conversão dos mais obstinados.
José Romanelli era o pior de todos, o mais vulgar e insolente, sobretudo com Ir. Agostinha que se desdobra em atenções e acolhe com grande bondade a mãe cega que vem visitá-lo. Ele tinha sido quatro vezes condenado nos tribunais... Dele se pode esperar de tudo, todos estão aborrecidos.
Na noite de 23 de outubro de 1894, toma atitudes provocadoras com as lavadeiras. Um enfermeiro avisa o diretor clínico que, dois dias depois, o despede do hospital. Na sua raiva Romanelli quer encontrar uma vítima e a indefesa Irmã Agostinha é a vítima designada. "Matar-te-ei com as minhas mãos! Irmã Agostinha, não tens mais que um mês de vida!", são as expressões de ameaças que ele faz chegar, seguidas vezes, através de bilhetes.
De fato, Romanelli não brinca, mas nem mesmo Irmã Agostinha fixa limites à sua generosidade ao Senhor. Quando naquele 13 de novembro de 1894 Romanelli a surpreende em um estreito corredor do hospital e a fere mortalmente, dos seus lábios saem somente a invocação à Virgem e palavras de perdão. A Irmã cai de joelhos sem um lamento. Com extremo esforço levanta-se, dá uns passos para a habitação das religiosas, perdoa ao assassino e exala o último suspiro murmurando: Minha Mãe do céu, ajudai-me! A autópsia revelará que o coração tinha sido atravessado em três pontos.
No dia 15 de novembro toda a cidade de Roma se apinha nas ruas, do Hospital do Espírito Santo para o cemitério, a fim de ver passar o caixão da religiosa mártir. Os jornais do tempo referem que estavam presentes mais de 200 mil pessoas.
No dia 12 de novembro de 1972, Paulo VI elevou às honras dos altares, com o título de Beata, a Irmã Agostinha Lívia, falecida aos 30 anos. Ela foi canonizada no domingo, 18 de abril de 1999 por João Paulo II.
Esta Santa tinha feito a promessa solene: Ofereço-me a Deus para amar Nosso Senhor Jesus Cristo e para servi-Lo na pessoa dos pobres. Prometeu e cumpriu.
 
Fontes: www.vatican.va; Santos de Cada Dia, Pe. José Leite, S.J.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Beata Maria do Monte Carmelo do Menino Jesus, Fundadora - 9 de novembro

    
     Maria del Carmen Gonzalez-Ramon Garcia-Prieto nasceu em Antequera, no território da diocese de Málaga, em 30 de junho de 1834, filha de Salvador Gonzalez e Joana Ramos.

     Desde a infância, transcorrida na casa paterna, demonstrou um temperamento amável, espontâneo e sensível. Os primeiros estudos foram feitos com o auxílio de professores e preceptores particulares.
     Desde os anos da sua infância e juventude a Beata Carmem praticava uma intensa vida de piedade. A fonte inesgotável da qual aprendeu a viver era a Eucaristia. Aproximava-se diariamente para receber a Sagrada Comunhão, o que não era frequente na época. Nela radica a sua força. Por isso ela pode afirmar: "Os sofrimentos desta vida parecem nada, comparados com a honra de poder receber diariamente Jesus Sacramentado".
     Juntamente com a Eucaristia, os Mistérios de Belém e o Calvário iluminam o caminho espiritual desta Beata e marcam a sua entrega aos irmãos.
     Em 1857, contraiu matrimônio com Joaquim Munoz del Cano de Hoyos, mas os 24 anos de vida conjugal foram para ela um cálice amargo, que ela soube suportar com admirável fortaleza, alcançando com seu exemplo a conversão do esposo.
     A Paixão do Senhor, a sua Morte redentora, é também uma força muito viva na Madre Carmem do Menino Jesus para superar os longos e difíceis anos de seu matrimônio e também os sofrimentos que teve que suportar como fundadora. Quando ela afirma que "a vida do Calvário é a mais segura e proveitosa para a alma", experimentou como o amor a Jesus Cristo, que sofre e morre para nos salvar, dá sentido ao silêncio e à paciência nas acusações e calúnias, ao perdão generoso, à doação de si, à docilidade constante à vontade de Deus.
     Tendo enviuvado em 1881, começou a dedicar-se inteiramente aos atos de piedade e cheia de desejo de servir a Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa dos humildes e necessitados, transformou sua residência em um verdadeiro asilo de caridade. Em seu coração nasceu o desejo de consagrar a Deus os restantes dias de sua vida e guiada por seu diretor espiritual, o capuchinho Padre Barnabé da Astorga, empreendeu a fundação de um novo instituto religioso, a Congregação das Irmãs Terceiras Franciscanas dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
     Ela compreendeu a missão que Deus lhe confiava: aproximar de Jesus as almas que Ele colocou no seu caminho, contar as maravilhas do Senhor "que tanto nos ama", ensinar a descobri-lo e a amá-lo. E, ao mesmo tempo, enxugar as lágrimas dos pobres e enfermos dando-lhes ajuda e conforto; ocupando-se da educação das crianças e jovens, do cuidado dos enfermos e idosos, das jovens operárias, dos menores necessitados de cuidados.
     A contemplação da pobreza e humildade do Divino Nascimento ensinou-a a fazer-se pequena, a não procurar grandezas materiais, a acolher com amor as crianças, principalmente as pobres, a fazer-lhes todo o bem que pode. "Vede nas crianças a presença do Menino Jesus", dizia às suas irmãs.
     Madre Carmem devia ser o instrumento para enxugar as lágrimas, diminuir o pranto, confortar no sofrimento. Pelo espírito franciscano Deus dispô-la a ser portadora de Paz e de Bem; pela devoção ao Coração de Jesus manso e humilde, estimulou-a a "manifestar a todos o amor que Deus nos tem" (cf. Constituições, 5); no Coração Imaculado de Maria ensinou-lhe "a atitude diante de Deus e da vida" (Ibid., 6).
     No dia 17 de setembro de 1881, junto com oito companheiras, a fundadora emitiu os votos temporários e em 20 de fevereiro de 1889 fez a profissão perpétua assumindo o nome de Maria do Monte Carmelo do Menino Jesus. Naquela ocasião foi eleita a primeira superiora geral da Congregação, cargo que desempenhou sempre com grande prudência, diligência e amável magnanimidade.
     Sob seu governo o instituto cresceu rapidamente, graças também às numerosas vocações. Nasceram centros para os jovens, escolas e hospitais para o cuidado dos pobres e dos necessitados em geral.
     Em 1897 Madre Carmen deixou a direção da Congregação a cargo das mais novas e dois anos depois, no dia 9 de novembro de 1899, faleceu, já gozando de uma indiscutível fama de santidade.
     Há quase 130 anos esta cidade de Antequera recebe a bênção que Deus envia através da Madre Carmem e pode contar as obras que o Senhor faz por meio da Congregação em diversas regiões da Espanha e em vários países da América: República Dominicana, Nicarágua, Porto Rico, Uruguai e Venezuela.
     A Madre Carmem repetia: "Bendito seja Deus, que tanto nos ama", no sofrimento e na alegria. E a sua alma não queria ficar com esse tesouro só para ela. Por isso exclamava: "Quando olho para o céu, aumentam os meus desejos de ir pelo mundo afora ensinar as almas a conhecer e a amar Deus".
     Somente em 1948 os processos informativos foram entregues à cúria de Málaga, para depois ser introduzida a causa de beatificação, em 19 de dezembro de 1963, com decreto da Sagrada Congregação dos Ritos. Nos dois anos seguintes foram celebrados em Málaga os processos apostólicos e em 17 de abril de 1984 ela foi declarada Venerável.
     Finalmente, em 6 de maio de 2007, Madre Maria do Monte Carmelo do Menino Jesus foi beatificada. 
 
Fontes:
1. Homilia do Cardeal José Saraiva Martins no rito de beatificação de Madre Maria do Monte Carmelo (excertos) -Antequera (Espanha), 6 de Maio de 2007

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mélanie Calvat, a vidente de La Salette



     Há 182 anos, no dia 7 de novembro de 1831, Mélanie Calvat nascia em Corps (Grenoble, França). Era a 4ª de dez filhos da família de um lenhador. Colocada ao serviço dos agricultores locais, em 19 de setembro de 1846, enquanto pastoreava perto da aldeia de La Salette, junto com Maximin Giraud (1835 -1875), tornou-se protagonista de uma das grandes aparições marianas dos séculos XIX e XX: Rue du Bac (1830), Lourdes (1858) e Fátima (1917).
     Os dois adolescentes viram uma mulher sentada com a cabeça entre as mãos, os cotovelos sobre os joelhos, numa atitude de profunda tristeza. Vestia-se como as mulheres da região e tinha no pescoço um colar com um crucifixo em cujos lados apareciam os símbolos da Paixão de Jesus: um alicate e um martelo. A "Bela Senhora" - como a chamaram os dois videntes - passou-lhes uma longa mensagem a ser transmitida. Mélanie e Maximin contaram o que aconteceu para o pároco e a partir desse dia toda a comunidade ficou agitada.
     Desde o início acreditava-se que a "Bela Senhora" de "La Salette" era a Santíssima Virgem que aparecera naquela tarde de sábado, em que se iniciava, com o Ofício, a festa litúrgica de Nossa Senhora das Dores, então celebrada no 3º domingo de setembro.
     Começaram as peregrinações ao local da aparição - onde nasceu uma fonte de água que começou a operar milagres – e uma comissão de teólogos e eclesiásticos analisou a mensagem que, em 1851, teve sua veracidade aprovada bispo de Grenoble, Philibert de Bruillard. Isto abriu caminho para a devoção a Nossa Senhora de La Salette expandir-se na França e no exterior.
     No ano seguinte, o Bispo instituiu a congregação dos Missionários de Nossa Senhora de La Salette e começou a construção de um santuário dedicado a Virgem ‘Reconciliadora dos pecadores’ no lugar da aparição, que em 1879 foi elevado à categoria de Basílica.
     A partir da Aparição, Mélanie Calvat iniciou um caminho de sofrimentos e de mal-entendidos que se estenderam por toda sua vida. Ela passou quatro anos nas Irmãs da Providência em Corps, mas foi o novo bispo de Grenoble, Mons. Jacques Marie Achille Ginoulhiac, que se recusou a aceitar os seus votos religiosos.
     Para escapar de Napoleão III, a quem ela acusou de cesaropapismo, e do clero francês, que se lhe tornara amplamente hostil, Mélanie começou seu êxodo para a Europa, deslocando-se da Inglaterra para a França e a Grécia, até aterrissar na Itália, em Castellammare di Stabia (Nápoles). Ali ela passou 17 anos sob a direção espiritual do Abade Luís Salvatore Zola (1822-1898) dos Cônegos Regulares Lateranenses (*). Depois, quando este foi nomeado arcebispo de Lecce, em 1892, ela o seguiu mudando-se para Galatina (Lecce).
     E na pequena cidade de Salento, no dia 8 e 9 de agosto de 1897, ela conheceu o Padre Aníbal Maria di Francia (fundador dos Rogacionistas, canonizado em 2004). Dele lhe haviam falado o Cônego Vincenzo De Angelis de Oria, confessor de Maria Palma Matarrelli, de quem Mélanie também tinha se aproximado em segredo, e o beato de Palermo, Giacomo Gusman. O padre a tinha procurado com insistência convidando-a a assumir o ramo feminino de sua Obra, ameaçado de supressão devido a uma série de incidentes desagradáveis e ​​de intrigas.
     Dada a gravidade das circunstâncias, Mélanie aceitou o convite e no dia 14 de setembro de 1897 foi para Messina e pôs mãos às rédeas com decisão diante da situação delicada. O Padre Aníbal convidou todos a seguirem as suas instruções: "Coragem, a Superiora é uma santa, ela falou com Nossa Senhora: por isso sejam felizes em obedecê-la”. As dificuldades foram superadas e assim como uma rajada de ar a sua presença limpou o ambiente de brigas e descontentamentos. E isto foi suficiente para tranquilizar a autoridade eclesiástica. Depois de pouco mais de um ano, Mélanie deixou Messina assegurando ao Padre: "Eu sou de vossa Congregação".
     Para agradecer à Virgem Maria pela presença de Mélanie e a fim de mantê-la em Messina, em 2 de agosto de 1898, o Padre Aníbal fez uma peregrinação a La Salette. Aquele ano de bênção foi considerado o início efetivo da obra feminina graças às orações e à ação de Melanie; como consequência, o Padre quis inclui-la como cofundadora do Instituto.
     Depois dela ainda ter estado na França e na Itália, em 16 de junho de 1904, Mélanie se retirou incógnita em Altamura (Bari), onde faleceu em 14 de dezembro de 1904.
     Em 1918 o Padre Aníbal abriu uma Casa das Filhas do Divino Zelo em Altamura e imediatamente tomou medidas para garantir que os restos mortais da vidente de La Salette fossem trasladados para a igreja do Instituto, o que aconteceu em 19 de setembro do mesmo ano. Ele tentou também abrir - mas em vão - o processo diocesano para o reconhecimento de suas virtudes.
     "Nos meus Institutos, afirmava o Padre, a memória de Mélanie é santa e não deixamos de agradecer a Deus que de uma forma admirável no-la deu por um ano e a deixou mais tarde como protetora. Mélanie é uma criatura na qual o Altíssimo prodigalizou graças singulares, uma criatura cujo nome ressoou em todo o mundo, predileta de Deus, admirada pelos homens. A Santa Igreja vai colocá-lo sobre os altares, cingida da luminosa aureola dos santos". 
Sto. Aníbal e Mélanie Calvat
A "mensagem" e os "segredos" de La Salette
     Deve-se distinguir o conteúdo da "mensagem" e dos "segredos" de La Salette.
     Na mensagem que Maria deu aos dois adolescentes, enquanto se queixava com eles dos pecados da humanidade admoestava as pessoas a se converterem, a respeitar o dia santo dedicado a Deus, a condenarem as blasfêmias. Era um convite à penitência para afastar as catástrofes naturais, para escapar da punição divina, mas também para difundir o Evangelho da misericórdia e da reconciliação no mundo todo.
     Pelo contrário, os "segredos" confiados aos dois videntes foram divididos da seguinte forma: o segredo de Mélanie consistia no anúncio de grandes calamidades para a França e para a Europa, com referências ao anticristo e à ruína de Paris, e uma dura repreensão contra pessoas consagradas, mas infiéis; o segredo confiado a Maximin Giraud anunciava a misericórdia e a esperança.
     Em julho de 1851, a pedido da autoridade eclesiástica, Mélanie e Maximin escreveram seu segredo, que foi entregue ao Papa Pio IX.
     Infelizmente Mélanie continuaria com suas divagações proféticas, orquestradas posteriormente pelo talento de Léon Bloy (1846-1917), escritor francês animado em suas obras de um fervor profético e um fanatismo místico, o que deu origem a uma corrente chamada ‘melanista', referindo-se a La Salette, mas com base em declarações posteriores de Mélanie Calvat.
     O Padre Aníbal tinha seguido com paixão toda a história de La Salette e o debate que provocou, e cuja polêmica não dá sinais de desaparecer. Apesar de estar entre os mais fervorosos defensores da devoção a Nossa Senhora de La Salette, não podia tolerar que se passasse sobre a autoridade da Igreja.
     A este respeito, é significativa a carta dirigida por ele a Leon Bloy - o autor do livro chamado Celle qui pleure (Aquela que chora), onde não faltavam censuras amargas contra a atitude demasiadamente cautelosa e desconfiada, até a hostilidade, dos bispos franceses - na qual ele lhe suplicava: "retirai todas as cópias do seu livro e enviai para mim, e desde que são todas, eu as comprarei e as destruirei...".
     Enquanto isso o "segredo", lançado na íntegra em 1858, com a sua linguagem profética, repreensões tristes e o patético apelo ao clero, os anúncios de castigos da justiça divina, foram julgados muito duros e a ira de uma grande parte do episcopado francês chegou a tons inéditos. Mélanie foi reputada exaltada, louca, visionária e o segredo nascido de sua mente desequilibrada.
*
     (*) O Servo de Deus, Mons. Luís Salvatore Zola, foi um dos primeiros e o mais convicto apoiador de Mélanie. Em 1879 concedeu o imprimatur à publicação editada pela mesma Mélanie Calvat sobre a história da aparição de La Salette e seu "segredo".
 
 
* * *
     No livro de Pie Regamey, “Les plus beaux textes sur la Vierge” – Os mais belos textos sobre a Virgem – (Livre De Poche Chrétien, 1962), vem um depoimento feito por Mélanie Calvat (excertos):
     “A Santíssima Virgem era alta e bem proporcionada. Parecia tão leve que um sopro poderia atingi-La. Entretanto, Ela permanecia imóvel e inalterável”.
     “Sua fisionomia era majestosa, imponente, mas não imponente como são as grandes da terra. Ela impunha um temor respeitoso, ao mesmo tempo em que sua majestade impunha respeito entremeado de amor. Ela atraía”.
     “Ao seu redor, como em sua pessoa, tudo inspirava majestade, esplendor, magnificência de uma rainha incomparável. Ela parecia bela, clara, imaculada, cristalina, celeste”.
     “Parecia-me também como uma boa mãe cheia de bondade, amabilidade, amor para conosco, compaixão e misericórdia”.
     Mélanie descreveu também o pranto de Nossa Senhora:
     “A Santa Virgem chorava quase o tempo todo enquanto falava. Suas lágrimas corriam lentamente até os joelhos e desapareciam como faíscas de luz”.
     “Eram brilhantes e cheias de amor. Eu desejava consolá-la, para que não chorasse mais. Mas me parecia que tinha necessidade de mostrar suas lágrimas, para melhor evidenciar seu amor esquecido pelos homens”.
     “Eu quis me jogar nos seus braços e dizer-lhe: Minha mãe querida, não choreis! Quero vos amar por todos os homens da terra. Mas parece que Ela dizia: Há tantos que não me conhecem".
     “As lágrimas de nossa terna mãe, longe de diminuir seu ar de Majestade, Rainha e Senhora, pareciam embelezá-la, torná-la mais bela, mais poderosa, mais cheia de amor, mais maternal, mais encantadora. Eu talvez tivesse ingerido suas lágrimas, que faziam meu coração estremecer de compaixão e de amor”.
     “É compreensível que vendo chorar uma mãe, e uma tal mãe, se queira empregar todos os meios imagináveis para a consolar, para transformar suas dores em alegria”.
 
Para saber mais sobre as Aparições de La Salette acesse:
 

domingo, 3 de novembro de 2013

Beata Teresa Manganiello Terceira franciscana, Fundadora - 4 de novembro

    
      É "a analfabeta sábia" de Montefusco na província de Avelino (Itália). Teresa Manganiello nasceu perto de Montefusco no dia 1º de janeiro de 1849, undécima de doze filhos de uma família de camponeses. Seus pais eram Romualdo Manganiello e Rosária Lepore, “honestos concidadãos” cheios de fé e de profunda piedade cristã. No dia seguinte ela recebeu o batismo na Igreja de São João del Vaglio.

     Aos sete anos recebeu a Primeira Comunhão na igreja de Santo Egídio, anexa ao convento Capuchinho do mesmo nome.
    Como muitas crianças camponesas do sul da Itália daquela época, não frequentou a escola e sempre cresceu à sombra da casa colonial edificada nos campos daquela zona do país. Adolescente, manifestou o desejo de consagrar sua vida a Deus. Em contínua união com Deus, Teresa desde jovenzinha convidava com gentileza suas companheiras a cultivar a pureza e o amor a Deus e ao próximo. Tinha predileção pelas crianças, que cuidava como mãe dedicada.
     Como prova de sua particular devoção à Virgem Imaculada, bem jovem Teresa cortou sua longa e farta cabeleira e fez dela um presente a Nossa Senhora. A vida da jovem terceira franciscana era penetrada de orações marianas tão intensas, que poderia parecer inacreditável se se considera que ela se dedicava aos afazeres domésticos da manhã à noite. O Rosário preenchia toda a sua jornada. Teresa concluiu sua existência terrena repetindo a sua bela invocação: “Ó minha querida Mamãe! Só em vossa companhia serei digna de me apresentar ao vosso Filho, ao meu belo Esposo, Jesus!”
     A "Farmácia" de Teresa, que ela criara em sua casa com medicamentos extraídos das ervas cultivadas por ela, estava sempre aberta. Ali ela fazia o papel de enfermeira: lavava com água morna as lesões, com delicadeza as medicava com as poções preparadas por ela, curava micoses, eczema, sarna, doenças que figuravam no século XIX entre “as mais asquerosas da espécie humana”.
     Quando tinha 18 anos, o Padre Ludovico Acernese, homem sincero e humilde, cheio de caridade, de grande talento e de piedade seráfica, mas também determinado em suas ações, chegou ao convento de Santo Egídio. Este padre instituiu em Montefusco a Ordem Terceira Franciscana.
     Teresa se sentiu atraída pelo ideal franciscano e correu registrar-se, tornando-se a primeira terceira de Montefusco; elegeu o Padre Acernese como seu diretor e confessor. Em 15 de maio de 1870, aos 21 anos, vestiu o hábito e no ano seguinte fez a profissão dos votos, tomando o nome de Irmã Maria Luísa.
     O Padre Ludovico Acernese soube reconhecer nela todas as qualidades mais profundas de sua alma, o que o fez nomeá-la primeira conselheira e depois, pela perfeição do seu ideal franciscano, mestra de noviças.
     A família nunca apoiou seu desejo de se tornar monja, principalmente para não privar-se da grande ajuda que era ter Teresa vivendo em casa; ela levava um estilo de vida monacal; foi chamada popularmente "monachella santa"; estava sempre presente na Missa diária na igreja de Santo Egídio, além disso, vivia intensamente a oração que junto a ásperas mortificações corporais oferecia pela reparação dos escândalos. Apesar disso, sempre e em toda parte mostrava um sorriso que atraía a todos.
     Teresa se sentia chamada a um alto e difícil apostolado: a reparação. Compreende que deve rezar e expiar os males cometidos no mundo e desta forma se antecipou ao que foi pedido por Nossa Senhora em Fátima aos três pastorinhos: “Muitos vão para o inferno porque não há quem reze e se sacrifique por eles. Vós quereis vos oferecer?” Teresa havia se oferecido pela conversão dos pecadores e sempre teve nos lábios a sua jaculatória preferida: “Misericórdia, Senhor, misericórdia dos pecadores!”
     Hoje podemos admirar, expostos no “Memorial Teresa Manganiello”, preparado na Casa Mãe das Irmãs Franciscanas Imaculatinas em Pietradefusi, os instrumentos de seu suplício voluntário, diurno e noturno, realizado no silêncio, na alegria, na ânsia apostólica de converter os pecadores e salvar as almas.
     Embora fosse analfabeta, respondia com sabedoria inclusive a pessoas de vasta cultura; foi a executora do Movimento Terciário Franciscano em Irpina e em Sannio, junto com o Padre Acernese, que ante a insistência de Teresa Manganiello pelo seu ideal religioso e falando dele com outras terceiras, planejou a fundação de uma comunidade para elas.
     Para obter uma aprovação especial, ele a mandou em 1873 a uma audiência com o Papa Pio IX, para lhe apresentar sua intenção. O beato pontífice a abençoou e a animou a ir adiante; e quando Teresa já era considerada como a primeira superiora da nascente Congregação de Religiosas Terceiras Franciscanas, sua saúde começou a declinar.
     Em 14 de fevereiro de 1874, enquanto rezava na igreja teve a primeira hemoptise acompanhada de uma grave artrite; naquela época foi uma enfermidade que atacou pessoas de toda idade e condição social. Teresa seguiu adiante entre os altos e baixos da enfermidade até que no verão de 1876 o mal a prostrou.
     A muitos sacerdotes e fieis que foram visitá-la presenteou sempre com seu maravilhoso sorriso, totalmente entregue nas mãos de Deus, a quem rezava fervorosamente. Do leite de dores Teresa deu os extremos ensinamentos com o sangue, com a palavra e com o heroico sorriso. A quem se admirava com tanta resignação ela dizia: “O Senhor me fez a graça de sofrer por Ele e eu devo me lamentar? Ele já sabe que eu preciso de ajuda!”
     Faleceu no dia 4 de novembro de 1876 com apenas 27 anos e foi sepultada no cemitério de Montefusco.
     Cinco anos após sua morte, o Padre Ludovico Acernese, confiando em sua proteção espiritual, fundou em Pietradefusi a Congregação das Monjas Franciscanas Imaculatinas, das quais Teresa é a "Pedra angular" e a "Mãe espiritual". Em seu patrimônio espiritual cada monja encontra ricos exemplos e ensinamentos para uma vida de total consagração ao serviço de Deus e da Igreja.
     Em 1976, por ocasião dos cem anos de sua morte, as Monjas Franciscanas Imaculatinas iniciaram a causa para sua beatificação, reconhecendo nela o papel fundamental na fundação da Congregação. As atas do processo foram aprovadas pela Santa Sé em 12 de dezembro de1992. Teresa Manganiello foi beatificada em 22 de maio de 2010.
     Continuam sendo frequentes os sinais de graças, curas e favores de ordem moral e espiritual conseguidos por sua intercessão.
 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dia de Todos os Santos - 1° de novembro


Todos os Santos por Frá Angélico

     A Enciclopédia Católica define o Dia de Todos os Santos como uma festa em “honra a todos os santos, conhecidos e desconhecidos”. No fim do segundo século, os cristãos começaram a honrar os que haviam sido martirizados por causa da sua fé e, achando que eles já estavam com Nosso Senhor Jesus Cristo no céu, rezavam a eles para que intercedessem a seu favor.
    Esta tradição de recordar os santos está na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados, realizando-se nelas orações, missas e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos, como acontecia ao redor do Coliseu de Roma. Posteriormente tornou-se habitual erigirem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais.
     A partir da perseguição de Diocleciano o número de mártires era tão grande, que se tornou impossível designar para cada mártir um dia do ano. No século IV, em Antioquia já eram celebrados todos os santos mártires em um dia comum, no domingo seguinte ao de Pentecostes, tradição que se mantém nas igrejas orientais.
     Com o passar dos anos, mais homens e mulheres se sobressaíram como exemplos de santidade. Ao martírio pela fé que os cristãos respeitavam se soma a entrega de toda a vida no serviço de Deus; assim, "o dia de todos os santos" celebra todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido canonizados (*).
     A comemoração regular começou quando, em 13 de maio de 609 ou 610 d.C., o Papa Bonifácio IV dedicou o Panteão — o templo romano em honra a todos os deuses — a Maria e a todos os mártires.
     A data foi mudada para novembro quando o Papa Gregório III (731-741 d.C.) dedicou uma capela em Roma a todos os santos e ordenou que eles fossem homenageados em 1° de novembro. Não se sabe ao certo por que ele fez isso, mas pode ter sido porque já se comemorava um feriado parecido na mesma data na Inglaterra.
     A Enciclopédia da Religião afirma: “O Samhain continuou a ser uma festa popular entre os povos celtas durante todo o tempo da cristianização da Grã-Bretanha. A Igreja britânica tentou desviar esse interesse em costumes pagãos acrescentando uma comemoração cristã ao calendário, na mesma data do Samhain. É possível que a comemoração britânica medieval do Dia de Todos os Santos tenha sido o ponto de partida para a popularização dessa festividade em toda a Igreja cristã”.
     Markale menciona a crescente influência dos monges irlandeses em toda a Europa naquela época. De modo similar, a Nova Enciclopédia Católica afirma: “Os irlandeses costumavam reservar o primeiro dia do mês para as festividades importantes e, visto que 1° de novembro era também o início do inverno para os celtas, seria uma data propícia para uma festa em homenagem a todos os santos”.
     Finalmente, em 835, o Papa Gregório IV declarou-a uma festa universal.
 
     O Dia de Finados, no qual as pessoas rezam a fim de ajudar as almas no purgatório a obter a bem-aventurança eterna, teve sua data fixada em 2 de novembro durante o século XI pelos monges de Cluny, na França. Embora se afirmasse que o Dia de Finados era um dia santo católico, é óbvio que na mente do povo ainda havia muita confusão. A Nova Enciclopédia Católica afirma que “durante toda a Idade Média era popular a crença de que, nesse dia, as almas no purgatório podiam aparecer em forma de fogo-fátuo, bruxa, sapo, etc.”.
Intenção catequética da festividade
     Segundo o ensinamento da Igreja, a intenção catequética destas celebrações que tem lugar em todo o mundo, ressalta o chamamento de Cristo a cada pessoa para segui-lo e ser santo à imagem de Deus, a imagem em que foi originalmente criada e para a qual deve continuar a caminhar em amor. Isto não só faz ver que existem santos vivos (não apenas os do passado) e que cada pessoa o pode ser, mas sobretudo faz entender que são inúmeros os potenciais santos que não são conhecidos, mas que da mesma forma que os canonizados igualmente veem Deus face a face, têm plena felicidade e intercedem por nós. 
     Além disso, é importante recordar o artigo do Credo que fala da Comunhão dos Santos. Na Doutrina Católica a comunhão dos Santos tem dois significados intimamente relacionados: "comunhão nas coisas santas, sancta" e "comunhão entre as pessoas santas, sancti".
     O primeiro significa a participação de todos os membros da Igreja nas coisas santas: a Fé, os Sacramentos (nomeadamente a Eucaristia), os carismas e os outros dons espirituais. O segundo significa a união viva e espiritual de todos os fiéis cristãos e membros da Igreja que, "pela graça, estão unidos a Cristo", formando um único Corpo Místico de Cristo e sendo por isso "pessoas santas (sancti) em Cristo". Logo, esta comunhão de santos forma "uma só família, a Igreja", que está organizada em três estados espirituais diferentes:
     - A Igreja militante, formada pelos fiéis que "peregrinam na Terra", nomeadamente aqueles que estão em estado de graça (ou seja, que não estão manchados por pecados mortais não confessados);
     - A Igreja padecente ou purgante, constituída pelas almas que ainda padecem no Purgatório e que, por isso, necessitam das orações de sufrágio (nomeadamente a missa), das boas obras, dos sacrifícios, das indulgências e das obras de penitência praticadas pelos membros da Igreja militante. Todas estas ações aceleram a purificação e posterior entrada no Céu destas almas padecentes;
     - A Igreja triunfante, composta pelos habitantes do Céu (desconhecidos, anônimos ou oficialmente reconhecidos pela Igreja), que alcançaram a eterna e definitiva santidade e que, portanto, são os intercessores dos homens junto de Deus.
     Todos os membros da Igreja destes três diferentes estados espirituais, unidos espiritualmente em Cristo, podem por isso interceder e ajudar-se mutuamente através de orações, boas obras, sacrifícios e indulgências, ou seja, através da "comunicação dos bens espirituais".
     Esta união viva é sustentada na doutrina católica de que "todos os crentes formam um só corpo, [logo] o bem duns é comunicado aos outros [...]. E assim, deve-se acreditar que existe uma comunhão de bens na Igreja. [...] Mas o membro mais importante é Cristo, que é a Cabeça [...]. Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, comunicação que se faz através dos sacramentos da Igreja". Esta união espiritual, em última análise, é fundamentada "no mesmo amor de Deus e do próximo" que todos os católicos comungam, "embora de modo e grau diversos", formando assim uma só Igreja. 
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2000. ISBN 972-603-349-7
 
(*) No século V, teve início o uso de um processo para que a heroicidade de vida cristã de alguém aclamado pelo povo fosse averiguada; após o término do processo, o investigado pode ser chamado universalmente de beato ou santo. O processo também institui um dia e o tipo e lugar para as celebrações, normalmente com referência especial na missa.