quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Beata Agostinha Peña Rodríguez, Religiosa e mártir - 5 de dezembro



     Maria Anunciação Peña Rodríguez nasceu em Ruanales, na região espanhola da Cantábria, a 23 de março de 1900. Seus pais, Melitón e Agostinha, levaram-na à pia batismal da paróquia do Triunfo da Santa Cruz (Exaltação da Santa Cruz) dois dias depois.
     Em breve, a dor se apresentou em sua vida com a perda de sua mãe em tenra idade e no empenho no trabalho. Com o passar do tempo, se formou nela um espírito austero, trabalhador e sensível às necessidades das pessoas ao seu redor.
     Em 14 de dezembro de 1924 ingressou como postulante no Instituto das Irmãs Servas de Maria Ministras dos Enfermos, fundado pela Madre Maria Soledad de Acosta (Santa desde 1970), na casa de Tudela, mas mudou-se para o noviciado na Casa-Mãe, localizado em Madrid. Lá ela tomou o hábito de irmã coadjutora (denominação semelhante ao de conversa, ou seja, irmã proveniente de uma família pobre) em 4 de julho de 1925, assumindo, em memória de sua mãe, o nome de Irmã Agostinha. Durante o noviciado foi descrita como uma "pessoa de virtudes incomuns, sentimentos muito nobres, e apesar da pouca instrução, muito inteligente".
     Em Madrid, no dia 5 de julho de 1927, ela emitiu os primeiros votos e quatro dias mais tarde tornou-se parte da comunidade de Pozuelo de Alarcón, onde se tornou um grande apoio para as irmãs idosas e doentes hospitalizadas ali. Dedicava-se principalmente ao cultivo de hortaliças e acorria assim que as irmãs precisavam de algo. Assim que tinha um momento livre, era encontrada na capela, recolhida diante de Jesus na Eucaristia.
     A sua caridade se tornou patente quando lhe foi confiada a Irmã Aurélia Arambarri Fuente, que sofria de paralisia. A noite ela se levantava, sem fazer a menor queixa, toda vez que ela a chamava.
     Com a eclosão da guerra civil espanhola, em julho de 1936, as religiosas tiveram que deixar o hábito e foram forçadas a não se comunicarem umas com as outras, nem mesmo para rezar. Aquelas que puderam se refugiaram na casa de pessoas amigas. As que abrigaram a Irmã Aurélia e a Irmã Agostinha hospedavam outras duas religiosas: Irmã Aurora López González, a mais velha de todo o Instituto e a Irmã Daria Andiarena Sagaseta de cinquenta e sete anos.
     A família declarou que quando os militantes vieram capturá-las e as insultaram suspeitando que fossem freiras à paisana, a Irmã Daria disse: "Na verdade, somos religiosas. Vocês podem dispor de nós como quiserem, mas peço-lhes para não fazer nada a esta família, porque ao ver-nos desabrigadas, e tendo sido autorizada pelo Comitê [organização civil que substituiu a Câmara Municipal] de Pozuelo, fomos recebidas em sua casa por caridade".
     Irmã Agostinha foi forçada a se separar das irmãs e se juntou a outra família que fugia para Las Rozas, e ali, sozinha, foi acusada de ser religiosa e de ter sido vista rezando. Em 5 de dezembro de 1936 sofreu o martírio, aos trinta e seis anos. As outras três, no entanto, provavelmente morreram no dia seguinte e são comemoradas no dia 6 de dezembro.
     Em 3 de junho de 2013 Francisco I assinou o decreto reconhecendo o assassinato da Irmã Daria e de suas três companheiras por ódio à fé; a cerimônia de beatificação foi realizada no dia 13 de
outubro de 2013 , em Tarragona.
 
Fonte: santiebeati/it - Emilia Flocchini
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Beata Maria Ângela Astorch, Clarissa Capuchinha - 2 de dezembro


     Nasceu no seio de boa família, sendo a mais nova de quatro irmãos. Seu pai, Cristóvão Cortey, era livreiro de profissão; sua mãe, Catarina Astorch, era herdeira universal de Pedro Miguel Astorch, com a condição de conservar o sobrenome na sua descendência. Ambos morreram num período de quatro anos, deixando Maria Ângela órfã, passando a ser cuidada por uma ama em Sarriá.
     Em 1599, como resultado de uma intoxicação, foi dada por morta. Sua irmã Isabel Astorch, que era monja em um mosteiro de capuchinhas recém-fundado em Barcelona, junto com a fundadora do mesmo, Ângela Serafina Prat, foram ao enterro. Em meio dos preparativos, Maria Ângela retornou à vida, e o milagre foi atribuído às orações de Ângela Serafina.
    A partir de então Maria Ângela passou a ter uma maturidade precoce e uma grande capacidade que faziam pensar em uma menina superdotada. Aprendeu a ler e a fazer trabalhos manuais, tinha grande amor pela leitura, especialmente por livros em latim.
     Em 16 de setembro de 1603, na idade de 11 anos, ingressou no Mosteiro de Santa Margarida de Barcelona, fundado por Madre Ângela Serafina Prat. Com essa idade ela já dominava os seis tomos do Breviário em latim.
    Não obstante sua maturidade precoce, Maria Ângela teve que esperar até 1608 para fazer o noviciado canônico. Foi um tempo de espera muito provado pela incompreensão e inveja da mestra, que chegou aos maus tratos, pois, devido sua maturidade e cultura, fora encarregada de dar alguma formação a suas companheiras. Finalmente Madre Ângela Serafina depôs a mestra e colocou Isabel Astorch, irmã de Maria Ângela, em seu lugar.
     No dia 8 de setembro de 1609 ela emitiu a profissão. Em 1612 foi eleita membro do conselho da comunidade.
     O Mosteiro de Santa Margarida se tornou um florescente foco de fundações: Gerona, Valencia, Mataró, Manresa.
     Em 19 de maio de 1614, Maria Ângela, com cinco religiosas, partiu para a fundação em Zaragoza, que foi inaugurada em 24 de maio do mesmo ano.
     Durante os anos em que permaneceu em Zaragoza ela exerceu o cargo de mestra de noviças (1614-1623); mestra de jovens professas (1623-1626); e abadessa (1626-1642), para o que teve que pedir dispensa a Roma, pois não tinha a idade canônica mínima.
     Nesta época também se dedicou a escrever pequenas obras de caráter espiritual. Um dos seus maiores triunfos foi conseguir, em 1627, a aprovação de Urbano VIII para as Constituições que regeriam a vida das Capuchinhas de Zaragoza, e dos mosteiros que dele se originaram, durante três séculos.
     Outra das obras de Irmã Maria Ângela era o atendimento a todos quantos se acercassem do mosteiro pedindo conselho ou buscando consolo. Entre estes estavam alguns bispos e o Cardeal Teodoro Trivulzio, vice-rei de Aragão, com quem manteve uma relação epistolar após o seu regresso para a Itália.
     Seu progresso espiritual foi conservado nos Relatos Autobiográficos e nas Cuentas de Espíritu. Neles ela relata as experiências místicas ocorridas entre os anos 1626-1656. Sua vivência espiritual é original em relação à época em que ela viveu - século XVII.
     Um de seus confessores mandou-a ler os místicos em voga naquele tempo, para ver se com algum deles ela se sentia identificada: Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz, São Tomas de Jesus. A resposta de Maria Ângela foi negativa. Sua experiência é mais próxima a de Santa Gertrudes de Helfta. Sua espiritualidade litúrgica mereceu de João Paulo II a alcunha de mística do Breviário em sua beatificação. Além disto, era especial seu culto e devoção pela Eucaristia e a Missa; bem como uma grande devoção à Paixão e ao Coração de Jesus.
     Em 9 de junho de 1645, acompanhada de outras quatro religiosas, seguiu para Murcia, inaugurando em 29 de junho do mesmo ano o Mosteiro da Exaltação do Santíssimo Sacramento. Ali exerceu os cargos de mestra de noviças e de abadessa. Entre suas discípulas estava Irmã Úrsula Micaela Morata, que em 1672 seria a fundadora do Mosteiro de Alicante.
     Durante os anos em que ela viveu em Murcia teve que enfrentar momentos difíceis, especialmente a peste de 1648 e as inundações do Rio Segura em 1651 e 1653.
     Em 1655 deixou de escrever preparando-se para sua morte. A partir de 1660 foi perdendo suas faculdades até acabar em um estado infantil. Em 1661 renunciou ao cargo de abadessa. Em 21 de novembro de 1665 sofreu uma hemiplegia, recobrando plenamente suas faculdades mentais. Morreu no dia 2 de dezembro do mesmo ano, cantando o Pange Lingua e após receber os sacramentos. Tinha 75 anos de idade.
     A cidade de Murcia participou de seu enterro, pois o povo tinha uma grande estima pela Madre Fundadora, como era popularmente conhecida.
     Em 1668 foi iniciado o processo diocesano para sua beatificação. Em 1683, com a permissão do bispo, seu corpo foi exumado e colocado em um nicho no presbitério da igreja. Ao reconhecê-lo, descobriram que estava incorrupto. Seu corpo foi reconhecido em diversas ocasiões.
     Em 1773 e em 1776, foram promulgados decretos de aprovação de seus escritos. Em 29 de setembro de 1850 foi declarada oficialmente Venerável.
     Em 1890 foi apresentado o milagre necessário para a beatificação. Em 1936, devido à guerra civil, o processo ficou parado. Graças à coragem de um marmorista que separou os seus restos dos demais, e ao médico Plácido Ruiz Molina, que tinha observado o cadáver antes da profanação, foi possível identificá-lo ao termino da contenda em 1939.
     Em 1979 um novo milagre foi apresentado. Novos médicos o estudam dando um ditame favorável em 21 de fevereiro de 1980. Por fim, em 23 de maio de 1982, João Paulo II a beatificou na Praça São Pedro.
 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

1 de dezembro: 1o. Domingo do Advento

A d v e n t o
 
     Advento é um tempo litúrgico que começa no domingo mais próximo da festa de Santo André Apóstolo (30 de novembro) e abarca quatro domingos. O primeiro domingo pode adiantar-se até o dia 27 de novembro (Festa da Medalha Milagrosa), então o Advento tem vinte e oito dias, ou atrasar-se até o dia 3 de dezembro, tendo só vinte e um dias. Em 2013 o Advento se inicia no próximo domingo, dia 1º de dezembro.
     Com o Advento o ano eclesiástico se inicia nas Igrejas Ocidentais. Durante este tempo os fiéis são exortados a preparar-se dignamente para celebrar o aniversário da vinda de Nosso Senhor ao mundo, de maneira que suas almas sejam moradas adequadas ao Redentor que vem através da Sagrada Comunhão e da graça, e em conseqüência estejam preparadas para sua vinda final como Juiz, na morte e no fim do mundo.
 
Simbolismo
     A Igreja prepara a Liturgia neste tempo para alcançar este objetivo. A oração oficial, no Breviário, no Invitatório de Matinas, chama seus ministros para adorar "o Rei que vem, o Senhor que se aproxima", "o Senhor que está perto", "amanhã contemplareis Sua glória". Nos Evangelhos a Igreja fala do Senhor que vem em sua glória; dAquele no qual e através do qual as profecias são cumpridas.
 
Origem Histórica
     A primeira referência ao "Tempo do Advento" é encontrada na Espanha, quando no ano 380 o Sínodo de Saragoça prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que antigamente também se celebrava o Natal. Na França, Perpétuo, bispo de Tours, instituiu seis semanas de preparação para o Natal e em Roma o Sacramentário Gelasiano cita o Advento no fim do século V.
     Há relatos de que o Advento começou a ser observado entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo como preparação para a festa do Natal.
     No final do século IV, na Gália (atual França) e na Espanha, tinha caráter ascético com jejum, abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de São Martinho). Duas homilias de São Máximo, Bispo de Turim (415-466), intituladas "In Adventu Domini", porém não fazem referência a nenhum tempo especial.
     Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o Batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor, passando a ser celebrado durante 5 domingos. No século oitavo, desde o dia 15 de novembro à Natividade, o Advento era observado não como uma celebração litúrgica, mas como um tempo de jejuns e abstinência que foi posteriormente reduzido a sete dias. Porém, um concílio ordenava o jejum de acordo com a velha regra desde o quinze de novembro.
 
A Coroa do Advento                                                         

 
   Origem: A Coroa do Advento tem sua origem numa tradição pagã européia que consistia em acender velas durante o inverno para representar o fogo do deus sol, pedindo que regressasse com sua luz e calor durante o inverno. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. A partir de seus costumes, ensinaram-lhes a Fé Católica. A coroa é formada por uma grande variedade de símbolos:
   A forma circular: O círculo não tem princípio nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e sem fim, e também de nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar.
   Os ramos verdes: Verde é a cor da esperança e da vida, e Deus quer que esperemos Sua graça, o perdão dos pecados e a glória eterna no final de nossas vidas. O anelo mais importante em nossas vidas deve ser chegar a uma união mais estreita com Deus, nosso Pai.
   As quatro velas nos fazem pensar na obscuridade provocada pelo pecado que cega o homem e o afasta de Deus. Depois da primeira queda do homem, Deus foi dando pouco a pouco uma esperança de salvação que iluminou todo o Universo como as velas a coroa. Assim como as trevas se dissipam com cada vela que acendemos, os séculos foram se iluminando com a proximidade cada vez maior da chegada de Cristo a nosso mundo.
   São quatro as velas que se coloca na coroa e que acendemos uma após a outra, cada uma representando um dos quatro domingos do Advento. Elas vão sendo acesas uma de cada vez. Assim, no 1o domingo só haverá uma vela acesa; no 2o duas; e assim por diante. Nos domingos do Advento a família deve se reunir em torno da Coroa do Advento para fazer alguma oração, todos se preparando para receber o Menino Jesus que vem nos trazer abundantes graças “aos homens de boa vontade”.
 
Os que esperavam a Cristo:
 
   Durante o Advento podemos nos recordar de alguns personagens do Antigo e do Novo Testamento que esperavam a vinda do Messias. Alguns personagens que se podem incluir:
       Abraão: Deus disse a Abraão que sua descendência ia ser numerosa como as estrela do céu e os grãos de areia do mar, e assim foi.
      David: Deus disse ao rei David que o Messias ia nascer de sua família.
      Isaías: Deus disse ao profeta Isaías que o Messias ia nascer da Virgem.
       Jeremias: Deus disse ao profeta Jeremias que quando nascesse o Messias, Ele ia dar aos homens um coração novo para conhecê-lo e amá-lo muito.
      Ezequiel: Deus disse ao profeta Ezequiel que o Messias ia ressuscitar.
      Miquéias: Deus disse ao profeta Miquéias que seu Filho ia nascer em Belém.
      Oséias: Deus disse ao profeta Oséias que Ele ia chamar seu Filho do Egito.
      Zacarias: Deus disse ao profeta Zacarias que seu filho ia entrar em Jerusalém montado em um jumento.
      Homens Sábios ou Reis Magos: esperavam a vinda do Salvador dos homens.
      Os pastores: Foram avisados por um anjo do grande acontecimento.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Santa Bililde, Duquesa e monja - 27 de novembro

    
     Pouco se sabe da vida de Santa Bililde (ou Bilhildis) de Altmünster. Seu culto é atestado pela primeira vez em um calendário de Mainz no ano 1000. Sua Vita embelezada foi escrita depois de 1060/62.

     Segundo a legenda, ela nasceu na Baviera, em Veitshoechheim, perto de Würzburg e era filha do Conde Iberin, da nobre família de Haganonen, e de sua esposa Matilde. No ano 672, Bililde desposou o Duque da Turíngia. Ela esperava uma criança quando seu marido partiu para uma guerra; ela então se refugiou junto ao seu tio, Bispo de Mogúncia, Sigiberto (ou Rigiberto). Seu filho morreu ali.
     Após a morte de seu marido, o Bispo Sigiberto adquiriu terras nas proximidades de Mainz. Lá ela fundou, com seu apoio, um mosteiro feminino, o primeiro de Hagenmüster, ou alta Münster, e chamado desde a Idade Média de Mosteiro Beneditino de Altmünster. Bililde o dotou de seus bens e o governou até a sua morte.
     Bililde faleceu provavelmente em 734 e foi enterrada no coro da igreja do mosteiro. Em 1289, foi construído um altar para ela em um mosteiro e um santuário com a sua própria cabeça. As relíquias chegaram pela primeira vez no Mainz e após o bombardeio e destruição, em 1945, e foram colocadas na sacristia da Catedral de Mainz. A relíquia da cabeça foi estudada cientificamente em 1991, e declarada genuína.
     Após a transladação de suas relíquias para Veitshoechheim em 1722, seu culto teve um grande impulso. Mas, foi após a dissolução do Mosteiro de Altmünster que em Veitshoechheim se iniciou uma comemoração anual em sua honra no dia 27 de novembro. Além disso, em um domingo de maio, há uma procissão com um relicário de Santa Bililde que percorre pelo pátio e pelas ruas.
     Embora as informações sobre a vida de Bililde não sejam inteiramente confiáveis, é certo que há testemunha de seu culto principalmente em Mainz e na Francônia. Em um calendário do século IX, hoje perdido, mas consultado por Mabillon na biblioteca de São Benigno em Dijon, se liam estas palavras: V Kal. dec. commemoratio sanctae Bilhildis virginis. Em Mogúncia existe hoje uma pequena igreja dedicada a ela. Pode-se portanto admitir que Bililde viveu perto de Mogúncia, que foi virgem e não esposa e que teve parte na fundação do mosteiro mencionado acima.
          Santa Bililde é patrona dos enfermos.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Santas Magnança e Máxima, Virgens - 26 de novembro


S Germano, Bispo de Auxerre e Sta Magnança

     Eis uma legenda que remonta suas origens nas profundezas do patrimônio cultural da região de Yonne, França.
     É preciso, para situar os fatos no seu contexto, recuar até a primeira metade do século V. São Germano ia suceder Santo Amatre e se preparava para ser o sexto Bispo de Auxerre. Esta sucessão seguiu-se a um verdadeiro plebiscito da população. Germano, inicialmente reticente, acabou por aceitar tornar-se Bispo de Auxerre.
     Assim, durante os 30 anos que durou o seu episcopado, de 418 a 448, a popularidade de Germano não parou de crescer e sua renomada aumentar com a imagem de um homem justo e bom, preocupado no amparo aos mais necessitados. Também lhe atribuem numerosos milagres, ao longo das viagens que ele empreendia.
    Por isso, quando em 448 São Germano foi para a Itália, em Ravena, atuando como mediador do povo de Armorique (em revolta contra os funcionários romanos) junto ao Imperador Valentiniano, ele estava, pode-se dizer, no auge de sua reputação. E foi naquele momento que a doença o atingiu, levando à sua perda.
     Antes de sua morte, São Germano manifestou o desejo de que seu corpo fosse enviado ao seu país natal, Auxerre. Sua vontade foi atendida e cinco jovens, que haviam sido suas discípulas, foram designadas para acompanhar os “despojos embalsamados” de São Germano até a sua última morada: Magnança, Paládia, Camila, Pórcia e Máxima. Ao longo do caminho os peregrinos se revezavam para tornar bom o estado das estradas e das pontes, a fim de facilitar o avanço do cortejo fúnebre.
     Mas, o trajeto de Ravena à Auxerre é longo e a viagem punha à prova. Assim, a mais frágil das jovens, Magnança, após ter com toda boa vontade atravessado os Alpes, caiu enferma a alguns dias do término da viagem. Seu devotamento a São Germano lhe fora fatal e ela morreu a beira da estrada, suplicando a suas companheiras que a sepultassem ali onde ela se encontrava e que continuassem a viagem para Auxerre. Isto ocorreu em novembro de 448.
     Durante um século e meio não mais se ouviu falar de Magnança; o lugar onde seu corpo havia sido sepultado se tornara desconhecido, embora os eruditos o situassem nos arredores da aldeia de Saint-Pierre-sous-Cordois.
     A legenda conta que no século VII um peregrino à procura de um lugar para dormir se deitou no mesmo local onde Magnança fora sepultada, tendo como travesseiro o esqueleto da cabeça de um cavalo. À noite, ele teve um sonho em que uma serpente saia da cabeça do cavalo e tentava se introduzir em sua boca. Ele acordou em pânico e teve então a visão de duas jovens que se apresentaram como Magnança e Paládia e o tranquilizaram dizendo que a serpente havia fugido e que elas o haviam acordado para salvar sua vida.
     Ao amanhecer, o homem foi para a aldeia próxima, Saint-Pierre-sous-Cordois, e contou sua história. Acreditou-se no milagre, e após terem cavado no local indicado pelo peregrino, o esqueleto de uma mulher foi encontrado e o transportaram para a aldeia. Foi assim que aquela aldeia tomou o nome de Santa Magnança.
     Mais tarde, por volta do século XV, um túmulo foi construído para acolher Santa Magnança.
 
     O pouco que se sabe sobre as duas virgens Magnança e Máxima vem de duas fontes: uma “Vida” anônima do século XII e o "Miracula Sancti Germani" de Henry de Auxerre.
     Segundo Henry, das discípulas de São Germano que seguiam com carinho e orações o trajeto de seu corpo, três morreram durante a longa viagem e seus túmulos foram construídos em várias igrejas. Henry relata que em seu tempo (976) multidões de peregrinos chegavam a Auxerre durante todo o ano.
     Para confirmar isto, existe na Borgonha a cidade de Santa Paládia (Vermenton) e Santa Magnança. Os monges de Moutier-Saint-Jean ajudaram na divulgação do culto de Santa Magnança.
     O belo túmulo da virgem Magnança, que até hoje está preservado, data do século XII e seus artísticos baixos-relevos representando cenas da legenda felizmente escaparam da destruição das relíquias pelos calvinistas e pelos adeptos da Revolução Francesa.
     Em 1823 e 1842 foram realizados dois reconhecimentos canônicos das relíquias. Santa Magnança vem sendo invocada especialmente para as crianças em perigo de morte. A sua festa na Diocese de Sens é no dia 26 de novembro.
     As relíquias de Santa Máxima foram preservadas no Mosteiro de Auxerre até 1567, quando foram destruídas pelos calvinistas. Por ambas - Magnança e Máxima - terem aparecido para salvar o peregrino, juntas elas são lembradas em tantos lugares na França.
 
     A Abadia de São Germano d’Auxerre é um mosteiro beneditino do centro da França, dedicado ao seu fundador São Germano, Bispo de Auxerre, falecido em 448.
     A abadia atingiu o ápice de sua importância cultural durante o período carolíngio; a fonte de sua história inicial consta do Miracula Sancti Germani Episcopi Autissiodorensis ("Milagres de São Germano, Bispo de Auxerre") escrito por volta do ano 880.
     Em 1927, foram descobertos afrescos do século IX sob os afrescos do século XVII nas paredes da cripta; aqueles afrescos são os únicos sobreviventes de pinturas de sua época na França para serem comparados com manuscritos iluminados.
     Durante a Revolução Francesa várias ogivas da nave foram demolidas e a abadia foi secularizada e usada como hospital. A nave primitiva se estendia sob o átrio atual.
     Nos últimos séculos os edifícios residenciais e de serviços da abadia foram remodelados como museu, apresentando descobertas pré-históricas, galo-romanas e medievais de Auxerre. Uma exposição em 1990 pôs em evidência o impacto cultural da abadia. A antiga igreja da abadia permanece em uso em determinadas ocasiões.

sábado, 23 de novembro de 2013

Santa Eanfleda, Rainha e Abadessa - 24 de novembro

    
Ruínas da célebre Abadia de Whitby, Inglaterra
 
     Santa Eanfleda era uma princesa da Nortúmbria (atual Inglaterra), filha do rei Santo Edwin, mártir, e sua esposa Etelburga. A mãe de Eanfleda tinha sido criada como cristã, mas seu pai era pagão e permanecia alheio à nova religião quando ela nasceu, na noite antes da Páscoa, em 626, em uma residência real perto do Rio Derwent.

     São Beda o Venerável relata que antes do dia em que Eanfleda nasceu um assassino enviado por Cwichelm de Wessex fez uma tentativa contra a vida de Edwin. Depois, Edwin, solicitado pelo Bispo de York, São Paulino, concordou com o batismo de Eanfleda e prometeu se tornar cristão se lhe fosse concedida uma vitória contra Cwichelm. Eanfleda foi batizada, segundo São Beda, na festa de Pentecostes (8 de junho 626) com onze outras pessoas da casa real.
     A campanha de Edwin contra Cwichelm foi um sucesso e o rei adotou a nova fé em 627. Seu reinado terminou em 633 com a sua derrota e morte na batalha de Hatfield Chase. Fugindo dos tempos incertos que se seguiram à morte de Edwin, Etelburga, juntamente com o Bispo Paulino, voltou para Kent com Eanfleda, onde esta cresceu sob a proteção de seu tio, o Rei Eadbald de Kent.
     Em 642 Oswiu, Rei de Bernicia, chefe da família real rival, enviou um sacerdote chamado Utta de Kent, que então era governada pelo primo de Eanfleda, Eorcenberht, para pedir sua mão em casamento. Oswiu já havia sido casado com uma princesa britânica chamada Rieinmellt, e recentemente tornara-se rei após a morte de seu irmão, Oswald, na batalha de Maserfield. O Rei Penda de Mércia, o vencedor de Maserfield, dominava a região central e Oswiu precisava de apoio contra ele. O casamento com Eanfleda lhe traria esse apoio; a data do casamento não está registrada. Por seu lado, Eanfleda tinha esperança de reunificar os dois ramos da monarquia da região, assumindo o papel de protetora do cristianismo.
     Se o objetivo de Oswiu ao se casar com Eanfleda fora a aceitação pacífica de seu governo em Deira, o plano não foi bem sucedido. Em 644 Oswine, primo em segundo grau do Eanfleda, governava Deira e em 651 foi morto por um dos generais de Oswiu. Para expiar a morte do parente de sua esposa, Oswiu fundou a Abadia de Gilling, em Gilling, onde orações eram feitas por ambos os reis.
     Com diferentes graus de certeza, os filhos de Eanfleda com Oswiu são identificados como Ecgfrith, Aelfwine, Osthryth e Aelfflaed.
     Embora Eanfleda tenha sido criada na tradição celta, apoiou São Wilfrid no cálculo da Páscoa de acordo com o método romano. Ela tornou-se protetora de São Wilfrid; este desempenhou um papel importante na política da Nortúmbria durante os reinados de Ecgfrith, Aldfrith e Osred, e no resto da Grã-Bretanha do século sétimo. Quando Wilfrid desejou viajar em peregrinação a Roma, a rainha recomendou-o a seu primo, o Rei Eorcenberht.
     O apoio inicial de Oswiu à facção celta, envolvendo a dupla celebração da Páscoa na corte real, levou a uma crise decisiva na Igreja da região e resultou na convocação do Sínodo de Whitby. Agradecido por seu apoio a data latina da Páscoa, o Papa Vitaliano deu a Eanfleda uma cruz de ouro, provavelmente recamada com alguns elos da corrente de São Pedro.
     Viúva em 670, ela ingressou na Abadia de Whitby como discípula da abadessa, Santa Hilda. Este mosteiro estava intimamente associado à família real e muitos membros foram enterrados lá. A Abadia de Whitby era um mosteiro duplo, que abrigava freiras e monges em alas separadas, embora eles compartilhassem a igreja da abadia e os ritos religiosos.
    Em 680, após a morte de Santa Hilda, fundadora e abadessa do mosteiro, Eanfleda tornou-se abadessa juntamente com sua filha Elfleda. Sob a orientação de Eanfleda o mosteiro mais e mais se aproximou das posições da Igreja de Roma. Neste mosteiro foi enterrado Oswiu e sua esposa fez transladar para Whitby até mesmo os restos de seu pai, o Rei Edwin.
     Eanfleda faleceu por volta do ano 704, no reinado de seu enteado, Aldfrith (685-704) e foi enterrada ao lado de seu marido. Infelizmente, durante a invasão os dinamarqueses apagaram todos os traços do seu culto primitivo. As relíquias da santa, no entanto - de acordo com William de Malmesbury - foram resgatadas e transportadas para a Abadia de Glastonbury, com as de outros santos da Nortúmbria, onde, segundo alguns relatos, existia um monumento dedicado a ela no século XII.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Beata Francisca Siedliska, Fundadora - 21 de novembro

    


     Ao ler a biografia da Beata Maria de Jesus Bom Pastor, Francisca Siedliska, ficamos maravilhados com o grande número de quilômetros percorridos em muitas viagens por toda a Europa e os EUA, que ocuparam a maior parte de sua vida religiosa, e utilizando os meios de transporte não certamente rápidos e confortáveis do final do século XIX.
     Francisca Siedliska nasceu no castelo de Roszkowa Wala, perto de Varsóvia, na Polônia, no dia 12 de novembro de 1842, a filha mais velha do casal Adolfo Siedliska e Cecilia Morawska, descendentes da antiga nobreza polonesa. A parte da Polônia onde viviam estava então sob a proteção do czar da Rússia, e 20 anos mais tarde, em 1863, foi incorporada ao império do czar.
     Ela cresceu com o carinho de seus pais, mais preocupados com sua saúde e com sua formação cultural, do que dar-lhe uma educação religiosa. Em um ambiente embebido de indiferença religiosa, própria da filosofia daquele tempo, Francisca começou a conhecer a Deus através de uma governanta muito boa e culta, que também a ensinou a rezar, mas a morte repentina desta governanta privou-a de seu apoio espiritual.
     Em seguida, uma parenta materna a preparou para a Primeira Confissão e em seguida sua mãe ficou muito doente e angustiada Francisca teve forças para pedir à Virgem pela sua recuperação, o que ocorreu logo em seguida.
     Neste período, quando Francisca acompanhava a mãe hospedada em Varsóvia na casa de seu avô, encontrou, em novembro de 1854, o capuchinho Padre Leandro Lendzian, de origem lituana, e entre os dois se iniciou uma união espiritual que ela considerou o "momento da minha conversão: eu fui conduzida ao padre como uma pagã, vazia de Deus e do Seu amor, voltei iluminada no amor”.
     Então, com as etapas da Primeira Comunhão feita em 1º de maio de 1855, da Quaresma de 1860 vivida por ela com profundo espírito ascético, do dramático confronto com seu pai que queria casá-la e colocá-la na alta sociedade, Francisca tomou cada vez mais consciência da vocação religiosa que gradualmente amadurecia nela.
     Em 1860, ela acompanhou seus pais que tiveram de viajar para a Suíça, Tirol, Alemanha e França, mas sua saúde, talvez devido a fadiga da viagem, começou a declinar, de modo a temer uma tuberculose, mal que assolava a época.
     No outono de 1860, a mãe a acompanhou para tratamento em Merano, em seguida na Suíça e, finalmente, em Cannes, na França, onde, em 1868, seu pai também se juntou a elas para fugir da insurreição polonesa; a reunião da família com o ressurrecionista Hube levou à conversão o pai, Adolfo.
     Seguiu-se um período de paz para a família que continuou mesmo depois de seu retorno à Polônia, em 1865, e até a morte do pai em 1870.
     Sempre com a orientação espiritual do Padre Leandro Lendzian, Francisca cultivava sua aspiração de se dedicar inteiramente a Deus, dificultada porém pelos problemas de saúde. Em 12 de abril de 1873, tinha 31 anos, o Padre Leandro lhe disse claramente que era a vontade de Deus que ela começasse a fundação de uma nova família religiosa.
     Embora surpresa com o pedido, não ofereceu resistência e começou o trabalho; juntaram-se a ela, em primeiro lugar a mãe, influenciada há tempos pela espiritualidade da filha, e duas terciárias franciscanas idosas que pertenciam a uma comunidade extinta de Lublin.
     A nova comunidade deveria ser dedicada à adoração do Santíssimo Sacramento, à imitação da vida da Virgem Maria em Nazaré, à educação catequética das crianças; por causa da oposição do Governo russo, não se podia abrir na Polônia a Casa Mãe, então Francisca Siedliska partiu para Roma para apresentar o programa da nova Congregação ao Papa Pio IX.
     Em 1º de outubro de 1873, ela foi recebida pelo Papa, que aprovou a idéia da fundação das "Irmãs da Sagrada Família de Nazaré"; de volta à Polônia, procurou escolher um lugar onde se estabelecer: foi para a França, para Lourdes, mas depois decidiu fundar sua Nazaré em Roma, e em 1874 para lá voltou, e teve como assessor o Geral dos Ressurrecionistas, Padre Semenko.
     Ela comprou uma pequena casa na Rua Merulana, onde se estabeleceu; depois a Casa Mãe foi finalmente fixada na Rua Maquiavel.
     O ideal ascético da fundação amadureceu em Loreto, em 1875, isto é, imitar a vida oculta e todas as virtudes da Sagrada Família de Nazaré; o período 1873-1876 foi chamado de "a primavera da Congregação", no primeiro domingo do Advento de 1875 teve lugar a fundação do novo Instituto com as primeiras noviças chegadas da Polônia, as três irmãs Wanda, Laura e Felicidade Lubowidzki.
     Em 1881, ela fundou uma nova casa em Cracóvia, na Polônia; em 1º de maio de 1884, a fundadora e as primeiras companheiras fizeram a profissão religiosa e nesta ocasião Francisca adotou o nome de Irmã Maria de Jesus Bom Pastor.
     Querendo alargar o âmbito da Congregação para as famílias emigrantes poloneses nos Estados Unidos, em 1885, 1889 e 1896, foi para lá, abrindo três casas em Chicago e espalhando as irmãs por toda parte; em 1892, ela estava em Paris, onde abriu uma casa; em 1895 fez o mesmo em Londres.
     Enquanto isso preparava as Constituições, nas quais a Congregação declarava que seu principal objetivo era levar as almas para a verdade fazendo-as conhecer e amar a Igreja de Jesus, por meio das seguintes obras: instrução religiosa dos catecúmenos judeus, protestantes e cismáticos, retiros espirituais para as senhoras, ensino da doutrina cristã e da história da Igreja para os jovens, preparação das crianças para a Primeira Comunhão.
     As Constituições remodeladas e expandidas foram definitivamente aprovadas pela Santa Sé em 1923, mais de 20 anos após a morte da fundadora.
     Madre Maria de Jesus Bom Pastor continuou seu trabalho amoroso junto às irmãs, especialmente aquelas doentes de quem cuidava e servia pessoalmente; para consolar, encorajar e aconselhar as religiosas, realizou outras viagens para a Inglaterra, França, Polônia.
     Mas seu organismo começou a dar sinais de fadiga, resultado das viagens, das preocupações e das várias doenças; ela aceitou o conselho dos médicos e foi passar um período de descanso junto às beneditinas de Subiaco, retornando a Roma em 16 de outubro de 1902.
     Em 15 de novembro foi atingida por peritonite aguda e no dia 21 de novembro de 1902 faleceu santamente em meio ao pesar de suas filhas: tinha 60 anos.
     Seu túmulo está localizado na Capela da Casa Geral das Irmãs da Sagrada Família de Nazaré, em Roma.
     Madre Maria de Jesus Bom Pastor Siedliska foi beatificada em Roma, em 23 de abril de 1989, pelo Papa João Paulo II; a sua festa litúrgica é 21 de novembro.