segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Santa Bega, Abadessa de Andenne - 17 de dezembro

    
     Bega era filha de Pepino de Landen e de Ita (ou Iduberga), fundadora e primeira abadessa de Nivelles, e era portanto irmã de Santa Gertrudes de Nivelles, segunda abadessa daquela abadia, e de Grimoaldo, prefeito do palácio da Austrasia.
     Bega casou-se com um filho de Santo Arnolfo de Metz, Ansegiso ou Ansegisel, servidor na corte de Sigeberto III (m. 656) e de Childerico II (m. 675). Ansegiso é geralmente confundido com o nobre Adalgisel da Crônica de Fredegario ou da carta de fundação de Cugnon (645-47).
     Os jovens esposos tiveram os seguintes filhos: Pepino o jovem (+ 645 † 714), prefeito do palácio da Austrasia, Neustria e da Borgonha; hipoteticamente a Grimo, Abade de Corbie e Arcebispo de Rouen de 690 a 748; e também hipoteticamente a Clotilde Dode, esposa do rei Thierry III.
     A Vita Beggae, redigida no século XI, conta que em 685 Ansegisel foi assassinado em Chèvremont (perto de Liège) por um nobre austrasiano de nome Godin ou Gundoen, que ele havia educado como filho.
     Após enviuvar, Bega decidiu consagrar uma parte de sua fortuna ao serviço de Deus. Ela ingressou na Abadia de Nivelles, fundada por sua mãe e, em 691, com a autorização da abadessa Agnes, ela convenceu várias monjas a segui-la para fundar um mosteiro em Andenne, atualmente na província de Namur, Bélgica.
     Durante uma peregrinação à Roma, Bega prometeu ao Papa Adeodato que mandaria construir em uma de suas propriedades um mosteiro de religiosas e de construir ali sete igrejas em memória das sete basílicas principais da Cidade Eterna.
     Um fato viria auxiliá-la a designar o local onde construir as sete igrejas. Um dia, um serviçal de sua residência de Seilles (perto de Andenne) que procurava num matagal uma porca desgarrada, ouviu uma voz estranha lhe ordenar: “É aqui que deve se realizar o voto de Bega!”. No terceiro dia de suas buscas, ele a encontrou finalmente em companhia de sete porquinhos. Mais tarde, Pepino de Herstal descobriu uma galinha selvagem seguida por sete pintainhos e a matilha que o acompanhava na caça naquele dia se recusou tocá-los!
     Os simples viram nisto o dedo de Deus e foi então diante das colinas de Seilles, na margem direita do Rio Meuse, que Bega construiu seu mosteiro. As sete igrejas subsistiram até meados do século XVIII. Elas foram demolidas para serem substituídas pela Collégiale Sainte Begge, edifício neoclássico que existe hoje em dia.
     As monjas de Nivelles praticavam provavelmente a Regra de São Columbano. Mas em 691 a Regra levada para Andenne era uma mistura de elementos tirados das Regras de São Columbano e de São Bento.
     Bega foi venerada como santa logo após sua morte; o seu nome constava dos antigos martirológios e no século XI passou a constar do Martirológio Romano no dia 17 de dezembro, data de sua morte no ano 693.
     Devido a semelhança dos nomes, a partir do século XV se considerava que Bega dera início ao movimento das beguinas, e há uma literatura piedosa que ilustra e defende esta teoria, especialmente nos países flamengos. Mas, de fato, as beguinas escolheram Santa Bega como sua patrona.
     Atualmente podemos encontrar o “túmulo de Santa Bega”; toda sexta-feira, após a missa das 7:30 as mães levam seus filhinhos até este túmulo. Os fieis comparecem em grande número no dia da transladação das relíquias de Santa Bega (7 de julho), bem como no dia 17 de dezembro.
Procissão do relicário de Santa Bega em Andenne, França
 
 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Beata Maria Vitória de Fornari-Strata, Fundadora - 15 de dezembro



     Pouco depois de sua morte, a Beata Maria Vitória de Fornari-Strata apareceu a uma sua devota usando três vestidos: o primeiro era de cor escura, porém adornado de ouro e prata; o segundo também era escuro, porém adornado de joias brilhantes; o terceiro era branco azulado reluzente. Esta visão, prescindindo de sua historicidade, sintetiza os três estados de vida (conjugal, viuvez e religioso) pelos quais ela passou: foi, efetivamente, filha, esposa, mãe, viúva e religiosa (fundadora, superiora e simples monja). Sua vida exemplar deu testemunho das mais variadas virtudes.
     Maria Vitória nasceu em Gênova em 1562, sétima de nove filhos de Jerônimo e Bárbara Veneroso. Como cresceu em um ambiente de amor e de piedade bastante austero, provavelmente quis entrar na vida religiosa, mas quando os pais lhe encontraram um pretendente na pessoa de Angel Strata, se uniu a ele em matrimônio aos 17 anos. Logo chegaram os filhos. Quando Angel morreu, somente oito anos e oito meses depois do casamento, cinco criancinhas se agarravam à barra da saia da jovem mãe (tinha 25 anos) e um sexto nasceria um mês depois.
     Apesar dos filhos, Maria Vitória se sentiu de repente só e abandonada e passou por uma tremenda crise, durante a qual pediu varias vezes a morte: uma experiência humana que depois a ajudaria a compreender e a ajudar melhor as jovens desorientadas por alguma amarga prova. Passada a crise, fez três votos: de castidade, de não usar mais nem joias nem vestidos de seda, e de não participar de festas mundanas.
     Depois que as filhas se tornaram cônegas lateranenses e os filhos entraram nos mínimos, ela se uniu a Vicentina Lomellini-Centurione, Maria Tacchini, Clara Spinola e Cecília Pastori na Ordem das Irmãs Anunciadas Celestes, no mosteiro preparado para elas no Castelinho de Gênova, de Estevão Centurione, o esposo de Vicentina, que também se tornou religioso e sacerdote. Por seu hábito as religiosas foram chamadas “turquinas” ou “celestes”.
     A Regra, redigida pelo jesuíta Bernardino Zanoni, pai espiritual de Maria Vitória, estimulava as religiosas a uma íntima devoção à Santíssima Virgem da Anunciação, e estabelecia uma intensa vida de piedade, de pobreza genuína e uma rigorosa clausura. Fundadora e superiora, Maria Vitória passou os últimos cinco anos como simples religiosa, dando exemplo de humildade e obediência.
     A Beata Maria Vitória faleceu no dia 15 de dezembro de 1617, e foi beatificada por Leão XII em 1828.
 
Fonte: Catholic net, autor: P. Ángel Amo

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Beata Pribislava, irmã de São Venceslau, mártir - 12 de dezembro

    

     A mais antiga Vita de São Venceslau, do século X, narra que o duque Vratislau, pai de Venceslau e de Boleslau, tinha também quatro filhas que se casaram com duques de povos vizinhos. Uma delas era Pribislava, que muito provavelmente se casou com o duque dos Croatas, população próxima dos Boêmios. Outros detalhes são fornecidos pela Vita et Passio de São Venceslau e de Santa Ludmila, obra de Cristiano (fim do século X), que indica inclusive o nome de Pribislava.
     Segundo esta fonte, Pribislava tinha uma vida muito piedosa e após a morte prematura do esposo "tomou o véu sagrado", o que parece significar que ela ingressou no mosteiro das beneditinas de São Jorge, dentro do castelo de Praga, fundado por volta do ano 970 e o único na Boêmia daquele tempo.
     Segundo Cristiano, algum tempo depois da morte de Venceslau, Pribislava encontrou no próprio local do martírio, entre a igreja dos Santos Cosme e Damião e uma árvore, a orelha que fora cortada durante o suplício do irmão. Segundo o monge Lourenço, autor de uma Vita de São Venceslau, tratou-se porém de parte da mão. Ao entrar em contato com o corpo do santo, a orelha, segundo antigas narrativas recordadas nas legendas, pregou-se à cabeça.
     Pribislava esteve também presente na exumação do corpo de seu irmão no túmulo original no castelo de Praga, que ocorreu depois de um certo tempo. No mesmo castelo ela foi sepultada provavelmente no cemitério próximo do templo redondo de São Vítor, fundado por São Venceslau.
     Em 1367, após uma solene consagração da capela de São Venceslau, ainda hoje incorporada à catedral gótica de São Vítor, a "venerável e pia senhora Pribislava" foi sepultada dentro da catedral, junto com Podiven, criado de São Venceslau, nos umbrais da capela.
     Os ossos foram exumados em 1673, quando se iniciaram os complementos barrocos à catedral gótica, e foram colocados pelo Arcebispo de Praga, Breuner, em um relicário de prata em forma de um ramo de louro. Quando este relicário foi confiscado, as relíquias foram recolocadas em uma urna de madeira.
     Todas as informações sobre Pribislava nas mais antigas legendas de São Venceslau são repetidas também em outras vidas suas medievais (Oriente iam sole, Ut annuncietur) e nas crônicas boemias, entre as quais os versos de Dalimil (início do séc. XIV).
     No período barroco (1602) o historiador jesuíta Bohuslao Balbin inseriu Pribislava no seu livro sobre os santos da Boêmia (Bohemia sonda), entre os quais colocou aqueles que embora não tivessem ainda sido canonizados ou beatificados, eram venerados ou chamados "santos" e "beatos" (par. 5). Na literatura hagiográfica mais recente Pribislava é geralmente chamada «beata» ou «venerável», embora não se tenha notícia de uma aprovação oficial de seu culto por parte da autoridade eclesiástica.
     Na iconografia medieval Pribislava era sempre representada nos ciclos de ilustrações da Vita de São Venceslau no ato de reatar a orelha cortada na cabeça do irmão exangue. Mais recentemente (séc. XX) Pribislava ganhou também uma representação individual em roupas ducais com um relicário na mão direita. Assim ela é representada nas obras de Francisco Bilek e de Bfetislav Storm.
      A Beata é comemorada no dia 12 de dezembro.
 
Fonte: www.santiebeati/it - Vaclav Rynes

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Santa Eulália, Virgem e mártir na Espanha - 10 de dezembro

 
     Santa Eulália de Mérida (finais do século III - inícios do século IV), festejada a 10 de dezembro, é com frequência confundida com Santa Eulália de Barcelona, cuja hagiografia é semelhante.
     Santa Eulália é uma das mais famosas santas da Espanha. Os dados sobre sua vida e sua morte são encontrados em um hino escrito em sua honra pelo poeta Prudêncio no século IV. Ela também é cantada na célebre Sequência de Santa Eulália (ou Cantilena de Santa Eulália), o primeiro texto poético em língua francesa de fins do século IX.
     Eulália nasceu em Emerita Augusta no ano 292. Quando completou 12 anos, o imperador Maximiliano decretou a proibição do culto a Jesus Cristo pelos cristãos e ordenou que eles adorassem os ídolos pagãos. A menina sentiu um grande desgosto por leis tão injustas e se propôs protestar junto aos delegados do governo. Sua mãe a levou para viver no campo, pois temia que a jovem pudesse correr algum perigo de morte afrontando a perseguição dos governantes, mas ela deixou seu lar e se dirigiu à cidade de Mérida, indo enfrentar Daciano, o governador.
     Assim narra o martírio de Eulália de Mérida o poeta Prudêncio:
     ''De madrugada, antes da saída do sol, chegou à cidade, e, corajosa, se apresentou diante do tribunal, em meio de cujos leitores bradou aos magistrados: "Dizei-me, que fúria é essa que os move a fazer perder as almas, a adorar aos ídolos e a negar o Deus criador de todas as coisas? Se buscais cristãos, aqui me tendes a mim: sou inimiga de vossos deuses e estou disposta a pisoteá-los; com a boca e o coração confesso o Deus verdadeiro. Isis, Apolo, Vênus e até mesmo Maximiliano são nada: aqueles porque são obra da mão dos homens, este porque adora coisas feitas com as mãos. Não vos detenhais, pois: queimem, cortem, dividam estes meus membros; é coisa fácil quebrar um vaso frágil, porém minha alma não morrerá, por maior que seja a dor".
     Daciano tentou a princípio oferecer presentes e prometeu ajudar a menina se mudasse de opinião, porém ela continuou profundamente convencida de suas convicções cristãs. Enfurecido mandou torturá-la e a submeteu a sofrimentos atrozes. Mas nada fez com que ela deixasse de louvar ao Senhor.
     O poeta Prudêncio narra que ao morrer a santa, as pessoas viram uma pomba mais branca do que a neve que subindo tomou o caminho das estrelas: era a alma de Eulália, branca e doce como o leite, ágil e incontaminada.
     O culto de Santa Eulália se tornou tão popular, que Santo Agostinho fez sermões em honra desta jovem santa. Já em uma antiquíssima lista de mártires da Igreja Católica, o Martirológio Romano, constava a seguinte frase: “em 10 de dezembro se comemora Santa Eulália, mártir da Espanha, morta por proclamar sua Fé em Jesus Cristo”.
     Sepultada em Mérida, capital da Lusitânia, cidade da qual é patrona, parece que algumas das suas relíquias terão ido para Barcelona, donde a confusão com a santa homônima, Santa Eulália de Barcelona. Ela é também patrona da Arquidiocese de Oviedo, em cuja catedral repousam os seus restos.
 
Etimologia: Eulália, do grego Eulálios: “que fala bem”, “eloquente” - Eu = “bem”, Lálios = “falar”.

domingo, 8 de dezembro de 2013

IMACULADA CONCEIÇÃO - 8 de dezembro




A Ave-Maria de um protestante (uma história verdadeira)

     Um menino protestante de seis anos de idade tinha ouvido muitas vezes seus companheiros católicos rezarem a oração "Ave-Maria". Ele gostou tanto, que copiou, memorizou e a recitava todos os dias. "Olha, mamãe, que bela oração", ele disse à sua mãe um dia. "Nunca mais diga isso", respondeu a mãe. "É uma oração supersticiosa dos católicos, que adoram ídolos e acham que Maria é uma deusa. Afinal, ela é uma mulher como outra qualquer. Venha, tome esta Bíblia e lê-a. Ela contém tudo o que somos obrigados a fazer e devemos fazer".
     Daquele dia em diante o garotinho cessou de rezar a sua diária "Ave-Maria" e em seu lugar dedicou-se mais a ler a Bíblia. Um dia, lendo o Evangelho, ele se deparou com a passagem da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora. Cheio de alegria, o garoto correu até sua mãe e disse: "Mamãe, eu achei a Ave-Maria na Bíblia que diz: ‘Salve, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres’. Por que você a chama de uma oração supersticiosa?"
     Em outra ocasião ele encontrou a bela saudação de Santa Isabel à Virgem Maria e o maravilhoso cântico MAGNIFICAT em que Maria predisse que "as gerações A chamariam de bem-aventurada". Ele não disse mais nada sobre isso a sua mãe, mas começou a recitar a "Ave-Maria" todos os dias como antes. Ele sentia alegria em dizer essas palavras encantadoras à Mãe de Jesus, nosso Salvador.
     Um dia, quando tinha quatorze anos, ele ouviu uma discussão sobre Nossa Senhora entre os membros de sua família. Todos diziam que Maria era uma mulher comum como qualquer outra mulher.
     O garoto, depois de ouvir o raciocínio errôneo deles, não pode suportar por mais tempo e, cheio de indignação, interrompeu-os dizendo: "Maria não é como todos os outros filhos de Adão, manchada pelo pecado. Não! O anjo chamou-a CHEIA DE GRAÇA E BENDITA ENTRE AS MULHERES. Maria é a Mãe de Jesus Cristo e, consequentemente, Mãe de Deus. não há maior dignidade a que uma criatura possa ser elevada. O Evangelho diz que as gerações A proclamarão bem-aventurada e vocês estão tentando desprezá-la e rebaixá-la. O espírito de vocês não é o espírito do Evangelho ou da Bíblia que vocês proclamam ser o fundamento da religião cristã".
     Tão profunda foi a impressão que as palavras do garoto provocaram, que sua mãe gritou várias vezes com tristeza: "Oh, meu Deus, eu temo que este meu filho um dia vai se juntar à religião católica, a religião dos Papas!" E, de fato, não muito tempo depois, tendo feito um sério estudo sobre o Protestantismo e o Catolicismo, o garoto descobriu que esta última era a única religião verdadeira e abraçou-a e tornou-se um de seus apóstolos mais ardentes.
     Algum tempo depois de sua conversão ele se encontrou com sua irmã casada, que o repreendeu e disse indignada: "Você sabe bem o quanto amo meus filhos Se qualquer um deles desejassem se tornar católico, eu antes perfuraria seu coração com um punhal do que permitir que ele abraçasse a religião dos Papas!" Sua raiva era tão grande como a de São Paulo antes de sua conversão. Entretanto, ela iria mudar suas vias, assim como fez São Paulo a caminho de Damasco.
     Acontece que um de seus filhos caiu gravemente doente e os médicos não deram esperança de recuperação. O irmão dela se aproximou e lhe falou carinhosamente: "Minha querida irmã, naturalmente você deseja ter o seu filho curado Muito bem, então faça o que eu vou pedir a você para fazer. Vamos rezar uma Ave-Maria, e prometa a Deus que se seu filho recuperar a saúde você vai estudar seriamente a Doutrina Católica e, se você chegar à conclusão de que o Catolicismo é a única religião verdadeira, você o abraçará, não importa os sacrifícios que isto possa significar".
     Sua irmã ficou relutante no começo, mas como ela desejava a recuperação de seu filho, aceitou a proposta do irmão e rezou a Ave-Maria junto com ele. No dia seguinte o filho dela estava completamente curado. A mãe cumpriu sua promessa e estudou a Doutrina Católica. Após uma longa preparação recebeu o Batismo juntamente com toda a sua família, agradecendo a seu irmão por ter sido um apóstolo para ela.
     Esta história foi relatada durante um sermão dado pelo Rev. Padre Tuckwell. "Irmãos", ele continuou, “o menino que se tornou católico e converteu sua irmã ao Catolicismo dedicou toda a sua vida ao serviço de Deus. Ele é o sacerdote que está falando com vocês agora! O que eu sou devo a Nossa Senhora. Vocês, também, meus queridos irmãos, sejam inteiramente dedicados a Nossa Senhora e nunca deixem passar um dia sem dizer a bela oração ‘Ave-Maria’ e o seu Terço. Peçam a Ela para iluminar as mentes protestantes, separadas da verdadeira Igreja de Cristo, que foi fundada sobre a Rocha (Pedro) e ‘contra a qual as portas do inferno não prevalecerão’".
 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Santa Sabina e irmãs, Mártires de Caestre - 8 de dezembro

    
      Santa Sabina é venerada juntamente com suas duas irmãs, Elfrida e Edith.
     O ano de 851 parece marcar o desenvolvimento da cidade de Caestre (norte da França), progresso que coincide com uma legenda: A Legenda das 3 Virgens.
     Três jovens piedosas, filhas do Rei Kenulf, que reinava em Wessex (Inglaterra), tinham feito voto de fazer uma peregrinação aos túmulos dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.
     Para realizar tal projeto, elas deixaram o seu reino e atravessaram a Mancha; aproximaram-se do porto de Mardyck e em seguida tomaram a via romana, já então chamada Steenstraete (a estrada de pedra) que ia para Arras, passando por Cassel e a ponte de Estaires.
     A história conta que, tendo chegado a um bosque, em um lugar onde atualmente está localizada a cidade de Caestre, elas foram selvagemente assassinadas por malfeitores.
     Naquele mesmo momento, não longe dali, um cavaleiro cego, o Senhor de Strazeele, viu a Virgem Santíssima numa aparição. Ela o aconselhou a se dirigir ao local do crime e de esfregar seus olhos com o sangue das mártires a fim de recobrar a visão.
     O cavaleiro seguiu o conselho da Virgem, recuperou a visão e em agradecimento mandou construir uma capela no local da morte das virgens. Este local tornou-se um lugar venerável e desde o século IX uma peregrinação anual era organizada em honra de Nossa Senhora das Graças.
     Em 1560, o mausoléu das 3 virgens mártires foi destruído pelos huguenotes; a capela, ela mesma, sofreu o assalto dos homens e do tempo e foi reconstruída uma primeira vez sobre os alicerces do edifício antigo, restaurado depois em 1851.
     Atualmente é possível visitar a capela e contemplar os seis quadros que contam a história das três virgens.
     A Capela das Três Virgens e as formas de devoção popular atravessaram os séculos e são a memória da aldeia de Caestre e de seus habitantes.
     Tente um instante imaginar a vida em Caestre na época de Carlos Magno no tempo da construção da capela. A comunidade devia ser então muito modesta e o pequeno cemitério que a cercava, e que desapareceu somente no século XVIII, devia poder acolher os mortos da aldeia.
     Imaginemos também Caestre como um local de peregrinação muito frequentado após onze milagres terem sido constatados.
     Pensemos no medo dos aldeões quando no século XVI destruíram o mausoléu das 3 virgens e o patrimônio da capela, ou ainda um século mais tarde os habitantes de Caestre tiveram que fugir dos inimigos franceses que saquearam várias vezes a capela e a aldeia.
     Pouco mais de um século mais tarde, com a Revolução Francesa, os ornamentos e a prataria foram confiscados e, alguns anos depois, a capela foi pilhada pelos revolucionários. Em 1794, ela foi interditada e utilizada como hospital militar e estrebaria.
     Em 1790, o pároco de Caestre, Witsoet, escreveu uma peça de teatro: "De Drie Maegden", As Três Virgens, para a câmara de retórica local. Mas, pouco tempo depois, no livro de contas da paróquia escrito em um excelente neerlandês, ele descreveu suas angústias e sua batalha contra aqueles que em nome da liberdade, igualdade e fraternidade queriam roubar seus bens e o ameaçavam de morte. Ele foi aprisionado algum tempo depois e morreu nas prisões revolucionárias.
     Depois daqueles tempos tumultuados a capela foi restabelecida ao culto. E o ommegang (festividade folclórica) recobrou seu esplendor de outrora no século XIX. Mas os habitantes de Caestre tiveram que aceitar novamente que um bispo muito zeloso banisse do ommegang vários personagens, a justo título, como sendo muito pagãos.
 

Capela das 3 Virgens, Caëstre, França (foto antiga)
 
Fontes:

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Beata Agostinha Peña Rodríguez, Religiosa e mártir - 5 de dezembro



     Maria Anunciação Peña Rodríguez nasceu em Ruanales, na região espanhola da Cantábria, a 23 de março de 1900. Seus pais, Melitón e Agostinha, levaram-na à pia batismal da paróquia do Triunfo da Santa Cruz (Exaltação da Santa Cruz) dois dias depois.
     Em breve, a dor se apresentou em sua vida com a perda de sua mãe em tenra idade e no empenho no trabalho. Com o passar do tempo, se formou nela um espírito austero, trabalhador e sensível às necessidades das pessoas ao seu redor.
     Em 14 de dezembro de 1924 ingressou como postulante no Instituto das Irmãs Servas de Maria Ministras dos Enfermos, fundado pela Madre Maria Soledad de Acosta (Santa desde 1970), na casa de Tudela, mas mudou-se para o noviciado na Casa-Mãe, localizado em Madrid. Lá ela tomou o hábito de irmã coadjutora (denominação semelhante ao de conversa, ou seja, irmã proveniente de uma família pobre) em 4 de julho de 1925, assumindo, em memória de sua mãe, o nome de Irmã Agostinha. Durante o noviciado foi descrita como uma "pessoa de virtudes incomuns, sentimentos muito nobres, e apesar da pouca instrução, muito inteligente".
     Em Madrid, no dia 5 de julho de 1927, ela emitiu os primeiros votos e quatro dias mais tarde tornou-se parte da comunidade de Pozuelo de Alarcón, onde se tornou um grande apoio para as irmãs idosas e doentes hospitalizadas ali. Dedicava-se principalmente ao cultivo de hortaliças e acorria assim que as irmãs precisavam de algo. Assim que tinha um momento livre, era encontrada na capela, recolhida diante de Jesus na Eucaristia.
     A sua caridade se tornou patente quando lhe foi confiada a Irmã Aurélia Arambarri Fuente, que sofria de paralisia. A noite ela se levantava, sem fazer a menor queixa, toda vez que ela a chamava.
     Com a eclosão da guerra civil espanhola, em julho de 1936, as religiosas tiveram que deixar o hábito e foram forçadas a não se comunicarem umas com as outras, nem mesmo para rezar. Aquelas que puderam se refugiaram na casa de pessoas amigas. As que abrigaram a Irmã Aurélia e a Irmã Agostinha hospedavam outras duas religiosas: Irmã Aurora López González, a mais velha de todo o Instituto e a Irmã Daria Andiarena Sagaseta de cinquenta e sete anos.
     A família declarou que quando os militantes vieram capturá-las e as insultaram suspeitando que fossem freiras à paisana, a Irmã Daria disse: "Na verdade, somos religiosas. Vocês podem dispor de nós como quiserem, mas peço-lhes para não fazer nada a esta família, porque ao ver-nos desabrigadas, e tendo sido autorizada pelo Comitê [organização civil que substituiu a Câmara Municipal] de Pozuelo, fomos recebidas em sua casa por caridade".
     Irmã Agostinha foi forçada a se separar das irmãs e se juntou a outra família que fugia para Las Rozas, e ali, sozinha, foi acusada de ser religiosa e de ter sido vista rezando. Em 5 de dezembro de 1936 sofreu o martírio, aos trinta e seis anos. As outras três, no entanto, provavelmente morreram no dia seguinte e são comemoradas no dia 6 de dezembro.
     Em 3 de junho de 2013 Francisco I assinou o decreto reconhecendo o assassinato da Irmã Daria e de suas três companheiras por ódio à fé; a cerimônia de beatificação foi realizada no dia 13 de
outubro de 2013 , em Tarragona.
 
Fonte: santiebeati/it - Emilia Flocchini