sábado, 4 de janeiro de 2014

Beata Cristiana da Santa Cruz, Fundadora - 4 de janeiro

    

    Batizada com o nome de Oringa, nasceu em Santa Croce sull'Arno entre 1237 e 1240 em uma família de condições humildes. Oringa Menabuoi mais tarde viria a ser conhecida pelo nome de Cristiana da Santa Cruz ou Cristiana de Lucca.

     Amante da pureza, desde cedo tentou manter a mente e o coração puros por meio de todos os tipos de mortificações e de uma oração contínua. Desde a infância ela mostrava interesse pela vida religiosa e pela oração, que praticava com dedicação especial enquanto estava sozinha cuidando das ovelhas. Ela desejava dedicar-se ao Senhor e não queria se casar.
     Tendo perdidos os pais, fugiu de casa para escapar dos maus tratos constantes dos irmãos que queriam casá-la contra a sua vontade; indo para Lucca, ela se colocou a serviço de um rico senhor do lugar.
     Depois de algum tempo, Oringa deixou a cidade para, com algumas companheiras, fazer uma peregrinação ao santuário de São Miguel Arcanjo no Gargano. No caminho de volta, ela parou em Roma, hospedando-se em casa de uma senhora de nome Margarida, que ficou admirada com suas virtudes: foi durante a sua estadia em Roma que, devido aos exemplos de caridade cristã que ela constantemente oferecia, passou a ser chamada pelo nome de Cristiana, nome pelo qual ficou conhecida para sempre.
     Ao visitar com Margarida o túmulo de São Francisco de Assis, o Senhor mostrou-lhe numa visão a fundação de uma casa religiosa em sua terra natal. Tendo conseguido uma casa para esta finalidade, oferecida pela cidade, em 24 de dezembro de 1279 ali se retirou com algumas companheiras, fundando assim o Mosteiro de Santa Maria Novella, colocado pela fundadora sob a Regra de Santo Agostinho e canonicamente reconhecido em 1296.
     Atingida por uma grave doença, após três anos de sofrimentos atrozes e quase imobilizada por uma paralisia, Cristiana encerrou a sua jornada terrena em 4 de janeiro de 1310. Sepultada na igreja de seu mosteiro, imediatamente se tornou objeto de veneração por seus conterrâneos, que em grande número visitavam os seus restos mortais e invocavam a sua proteção.
     Para honrar a memória da Beata, o município de Santa Croce declarou o 4 de janeiro como dia festivo, a elegeu sua patrona principal e ordenou que a sua efígie figurasse no escudo da cidade ao lado da arma tradicional.
     Depreende-se de uma carta do Bispo de Lucca, Alexandre Guiduccioni (15 de dezembro de 1587) que Sisto V havia aprovado naquele ano o culto prestado a Cristiana desde tempos imemoriais, culto que foi reconhecido oficialmente por um decreto da Sagrada Congregação dos Ritos em 15 de junho de 1776 (limitado, no entanto, à cidade de Santa Croce), aprovando a concessão do Ofício e da Missa em honra da Beata, estendida para toda a Ordem Agostiniana em 1777. Sua festa é celebrada no dia 4 de janeiro.
 
Fonte: Niccolò Del Re, santiebeati/it 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Beata Maria Ana Sureau-Blondin, Fundadora - 2 de janeiro

     Esta beata do Canadá, cujo nome civil era Maria Ester Sureau-Blondin, nasceu em Terrebonne, na província de Quebec, em 18 de abril de 1809; seu pai, João Batista Sureau-Blondin, era agricultor e a mãe, Maria Rosa Limoges, dona-de-casa. Ela era a terceira de 12 filhos desta família muito católica.
     Maria Ester passou a infância e a adolescência em casa, recebendo educação e formação de seus pais devido à falta de escolas católicas de língua francesa em um Estado que há 50 anos passara para o domínio britânico e protestante.
     Aos 20 anos, em 1829, começou a prestar serviços às Irmãs da Congregação de Notre- Dame, que haviam se estabelecido recentemente em Terrebonne, recebendo como salário o aprender a ler e a escrever. Em 1832, foi admitida no noviciado da Congregação, mas não pronunciou os votos, porque foi rejeitada pela saúde precária.
     Ela passou um período de tratamento e descanso em casa e depois se tornou colaboradora da professora da escola primária católica na vila de Vaudreuil, tornando-se diretora da mesma escola em 1838.
     Comovida com a ignorância das crianças rurais e incentivada pelo vigário Paul-Loup Archambault, decidiu, em 1848, depois de obter a permissão de Mons. Inácio Bourget, Bispo de Montreal, lançar as bases para uma nova comunidade inteiramente dedicada à educação. Em setembro de 1850, com quatro companheiras, ela pronunciou os seus votos adotando o nome de Irmã Maria Ana, dando início à Congregação das Irmãs de Santa Ana.
     No início a jovem instituição passou por muitas dificuldades devido a grande pobreza. Mas o recrutamento para esta nova comunidade foi tão bem sucedido, que em 1853 tiveram que transferir o jovem Instituto, contando então com 34 membros, de Vaudreuil para Saint-Jacques de l'Achigan (Saint-Jacques). Em 1864, a Casa Mãe foi finalmente fixada em Lachine.
     O que caracteriza a carreira de Madre Maria Ana é que dos 40 anos de vida religiosa ela somente governou a sua comunidade por quatro anos.
     Uma espécie de drama moral começou para ela em sua chegada a Saint-Jacques, com a nomeação do Abade Luís Adolfo Maréchal como capelão do Instituto. Segundo ele, as Irmãs de Santa Ana, Congregação que tinha apenas cinco anos, tinha o duro desafio de substituir professoras respeitáveis, as religiosas da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus.
     A equipe de Madre Maria Ana foi agitada por um homem naturalmente dominador que excedeu seus poderes, segundo a superiora, interferindo nas regras da comunidade. O entendimento entre a fundadora das Irmãs de Santa Ana e o capelão tendo se tornado impossível, foi preciso sacrificar um ou outro para evitar profundas divisões no seio da comunidade.
     Em agosto de 1854, Mons. Bourget decidiu destituir Madre Maria Ana e nomear um novo conselho. Nomeada superiora do Convento de Sainte-Geneviève (Pierrefonds) que ela fundara em 1851, para lá ela se encaminhou no início de novembro.
     Apesar da distância, muitas religiosas formadas pela Irmã Maria Ana permaneceram em contato com ela, o que não foi tolerado pelo capelão, que obteve a permissão do bispo para tirar-lhe também aquele cargo.
     A partir de então Madre Maria Ana ficaria longe do governo da comunidade. Em 1864, ela acompanhou as Irmãs que se instalaram na nova Casa Mãe de Lachine, mas seus cargos de conselheira local, de assistente local e conselheira geral são apenas títulos: de fato, a fundadora das Irmãs de Santa Ana vai limitar-se às tarefas mais humildes. Para ela, fundadora e ótima professora, foram confiadas tarefas como: portaria, responsável pela lavanderia das Irmãs, sacristã, ofícios que ela exerceu ao longo de 36 anos em casas fundadas em várias cidades.
     A força de alma de Madre Maria Ana se manifestou por uma docilidade exemplar ao seu bispo, pelo perdão concedido de forma inequívoca ao Abade Maréchal e às suas filhas que pareciam ter esquecido o passado. Outros se encarregariam de exaltar uma fundadora desconhecida. Mas a "recuperação" seria lenta. Falecendo octogenária, em 2 de janeiro de 1890, Madre Maria Ana foi até o fim uma testemunha discreta e calma do desenvolvimento do seu trabalho.
     O último período de sua vida é o testemunho de uma fé viva e de uma grande força de vontade no meio das incompreensões, exemplo de submissão amorosa à vontade de Deus, de respeito à autoridade, caridade e serviço a todos, humildade e abnegação.
     Ela aceitou sua demissão oferecendo sua vida para o bem da Congregação, o que evidentemente foi aceito por Deus: em 1884, a Congregação recebeu a aprovação de Roma, e em 1890 havia 428 religiosas envolvidas no ensino e ocupadas no cuidado dos doentes em 42 casas de Quebec, Colômbia Canadense, Estados Unidos e Alasca.
     No outono de 1889, Madre Maria Ana ficou doente com uma bronquite grave; na noite de Natal ela quis assistir à Missa na capela da Casa Mãe, o que lhe custou um agravamento da doença, que a levou à morte em 2 de janeiro de 1890, em Lachine.
     Em 7 de janeiro de 1977 foi introduzida na causa de sua beatificação; em 14 de março de 1991 recebeu o título de Venerável; em 29 de abril de 2001 foi beatificada pelo Papa João Paulo II na Praça de S. Pedro, em Roma.

Fontes: santiebeati/it; www.biographi.ca/fr/bio/sureau_esther_11F.html

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Beata Eugênia Ravasco, Fundadora - 30 de dezembro

Eugênia Ravasco nasceu em Milão no dia 4 de janeiro de 1845, terceira dos seis filhos do banqueiro genovês Francisco Mateus e da nobre senhora Carolina Mozzoni Frosconi. Foi batizada na Basílica de Santa Maria da Paixão e recebeu o nome de Eugênia Maria. A família rica e religiosa ofereceu-lhe um ambiente cheio de afetos, de fé e uma fina educação.
Depois da morte prematura de dois filhinhos e também da perda da jovem esposa, o pai retornou a Gênova, levando consigo o primogênito Ambrósio e a última filha Elisa, com apenas um ano e meio. Eugênia ficou em Milão com a irmãzinha Constância, entregue aos cuidados da tia, Marieta Anselmi.
No ano de 1852 se reuniu à sua família em Gênova. Após três anos, em março de 1855, morreu também seu pai. O tio, Luís Ravasco, banqueiro e cristão convicto, assumiu os seus sobrinhos órfãos. Providenciou a todos uma boa formação e confiou as duas irmãs a uma governanta qualificada. Eugênia, de caráter vivo e exuberante, sofreu muito com a maneira bastante severa usada pela Sra. Serra, mas também soube submeter-se docilmente.
Em 21 de junho de 1855, com dez anos, recebeu a Primeira Comunhão e a Crisma na Igreja de Santo Ambrósio (hoje de Jesus) em Gênova, tendo sido preparada pelo Canônico Salvatore Magnasco. Daquele dia em diante se sentiu atraída pelo mistério da Presença Eucarística: quando passava diante de uma igreja entrava para adorar o Santíssimo Sacramento. O culto à Eucaristia, de fato, é o fundamento da sua espiritualidade, unido ao culto do Coração de Jesus e de Maria Imaculada.
Movida pela grande compaixão que tinha em sua alma por aqueles que sofrem, desde sua adolescência se doou com amor generoso aos pobres e aos necessitados, contente de fazer algum sacrifício.
Em dezembro de 1862, morreu o seu Tio Luís, que para ela era mais que um pai. Dele herdou não só a retidão moral, mas também a coerência cristã e a generosidade para com os pobres. Confiando em Deus e aconselhada pelo Canônico Salvatore Magnasco, futuro Arcebispo de Gênova, e de sábios advogados, ela assumiu a responsabilidade de administrar os bens da família, até então nas mãos de administradores nem sempre honestos.
Fez de tudo, porém não pode salvar o seu irmão Ambrósio da estrada que o levava à ruína moral e física. Este foi dos seus sofrimentos o mais atroz e também uma grande prova para sua fé.
Em 31 de maio de 1863, entrou na Igreja de Santa Sabina, em Gênova, para saudar Jesus Eucarístico. Através das palavras do sacerdote, que naquele momento falava aos fiéis, Eugênia recebeu o convite divino a “consagrar-se a fazer o bem por amor ao Coração de Jesus”. Este foi o evento que iluminou o seu futuro e lhe transformou a vida, consagrou sem reservas à glória de Deus todo o seu ser: a energia da mente e do coração e também o patrimônio herdado da sua família: “esta riqueza — repetia — não é minha, mas do Senhor, eu sou somente a administradora” (cfr.: Positio C.L, 70).
Suportou com firmeza a reação dos parentes, as críticas e o desprezo dos senhores da sua condição social. Começou com coragem a fazer o bem ao redor de si. Ensinou o Catecismo na Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, colaborou com as Filhas da Imaculada na Obra de Santa Dorotéia como assistente das crianças vizinhas. Abriu a sua casa para dar-lhes instrução religiosa e escola de costura e bordado. Com as damas de Santa Catarina de Portoria, assistiu aos doentes do Hospital de Pammatone. Visitou os pobres nas suas casas levando o conforto da sua caridade. Sentia grande dor especialmente ao ver tantas crianças e jovens abandonados a si mesmos, expostos a todos os perigos e sem conhecimento das coisas de Deus.
Em 6 de dezembro de 1868, com 23 anos fundou a Congregação Religiosa das Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria com a missão de fazer o bem à juventude. Assim, as escolas, o ensino do Catecismo, as associações e os Oratórios surgiram. O projeto educativo de Madre Ravasco era: educar os jovens e formá-los para uma vida cristã sólida, operosa, para que fossem “honestos cidadãos em meio à sociedade e santos no céu”.
Em 1878, numa época de grande hostilidade à Igreja e de laicização social, Eugênia Ravasco, atenta às necessidades do seu tempo, abriu uma Escola Normal Feminina, com o objetivo de dar às jovens uma orientação cristã e de preparar professoras cristãs para a sociedade. Por esta obra, que tanto amava, enfrentou com fortaleza, confiando só em Deus, os ataques maldosos da imprensa contrária.
Inflamada de ardente caridade, que lhe vinha do Coração de Jesus, e animada da vontade de ajudar o próximo na vida espiritual, de acordo com os párocos organizou exercícios espirituais, retiros, celebrações religiosas e missões populares. Sentia grande conforto ao ver tantos corações voltarem para Deus e fazerem experiência da sua misericórdia através da oração, do canto sacro e dos Sacramentos. Rezava: “Coração de Jesus, concede-me fazer este bem e nenhum outro em toda parte”.
Estendeu o olhar à missão Ad Gentes, um projeto que se realizou após sua morte. Promoveu o culto ao Coração de Jesus, à Eucaristia e ao Coração Imaculado de Maria. Abriu Associações para as mães de família do povo e para as aristocratas; a estas últimas propôs que ajudassem as jovens necessitadas e as igrejas pobres. Com sua caridade aproximou os moribundos e os encarcerados afastados da Igreja. Viveu de fé, de oração, de sofrimento e de abandono à vontade de Deus.
Em 1884, junto com outras Irmãs, Eugênia Ravasco fez a Profissão Perpétua. Continuou a interessar-se pelo desenvolvimento e consolidação do Instituto que foi aprovado pela Igreja Diocesana em 1882, e seria de Direito Pontifício em 1909.
Abriu algumas casas que por ela foram visitadas, não obstante a sua pouca saúde. Guiou a sua comunidade com amor, prudência e visão de futuro. Considerando-se a última entre as Irmãs, empenhou-se para manter acesa em suas filhas a chama da caridade e do zelo pela salvação do mundo, propondo-lhes como modelo os Corações Santíssimos de Jesus e de Maria. O seu ideal apostólico foi: “Arder de desejo pelo bem dos outros, especialmente da juventude”, o seu empenho de vida: “Viver abandonada em Deus e nos braços de Maria Imaculada”.
Purificada com a prova da doença, da incompreensão e do isolamento dentro da comunidade, Eugênia Ravasco não deixou jamais de trabalhar.
Em 1898, fundou a Associação de Santa Zita para as jovens operárias. Ao mesmo tempo construiu o “teatrinho”, para os momentos de lazer dos jovens do Oratório e das numerosas Associações do Instituto.
Madre Eugênia morreu em Gênova, com 55 anos, na Casa Mãe do Instituto, na manhã de 30 de dezembro de 1900. “Deixo-vos todas no Coração de Jesus”, foi sua saudação final às filhas e às caríssimas jovens.
Em 1948, sua Eminência José Siri, Arcebispo de Gênova, introduziu o Processo Diocesano. Em 5 de julho de 2002, João Paulo II firmou o Decreto de Aprovação da cura da menina Eilen Jiménez Cardozo, de Cochabamba, na Bolívia, alcançada pela intercessão de Madre Eugênia Ravasco. E em 27 de abril de 2003, Madre Eugênia foi beatificada na Praça de São Pedro em Roma.


Fonte: www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20030427_ravasco_po.html


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Beata Maria dos Apóstolos, Cofundadora - 25 de dezembro

     Na noite de Natal de 1907 o coração generoso de Madre Maria dos Apóstolos cessava de bater. Terminava em Roma a sua vida operosa, cheia de ardor missionário, tendo fundado em Tivoli, no Lácio, o Instituto das Irmãs do Divino Salvador.
     Teresa von Wüllenweber nasceu aos 19 de fevereiro de 1833 no Castelo de Myllendonk, em Neuwerk, próximo de Mönchengladbach, Alemanha. Sendo a primogênita dentre as cinco filhas do casal Joseph Theodor, Barão de Wüllenweber, e Constância Elizabeth Lefort, Teresa devia herdar o castelo.
     Cresceu em um ambiente profundamente religioso, com alguns aspectos austeros, mas caracterizado por um forte afeto familiar. O pai, homem reto e afável, era bem quisto por todos. Teresa recebeu a primeira instrução em casa com sua mãe e com alguns sacerdotes. Na idade de 15 anos aperfeiçoou sua educação e instrução junto às Beneditinas de Liège, Bélgica, onde, pensando em Roma como o coração da cristandade, desejou estudar também o italiano.
     Em 1850 regressou ao castelo e ajudava sua mãe nos afazeres da casa e seu pai nos trabalhos administrativos; exercitava-se ao piano e gostava de trabalhos artísticos; junto com a mãe visitava os pobres e os doentes dos arredores. O Evangelho passou a ser seu estudo preferido.
     Em 1853 e em 1857 participou com a mãe e a irmã de retiros espirituais dos Jesuítas, durante os quais nasceu nela o grande amor pelas missões.
     Aos 24 anos, contra a vontade do pai, mas com a permissão da mãe, entrou no convento do Sagrado Coração de Blumenthal, perto de Aquisgrana. Exerceu vários ofícios em Warendolf e em Orleans (França), mas embora fosse feliz no apostolado que exercia e aproximando-se a profissão solene, sentia em seu coração que o Senhor tinha para ela outros desígnios. Deixou amigavelmente o Instituto em março de 1863.
     Na nota de demissão a fundadora, Santa Madalena Sofia Barat, anotou: “piedosa e de bom caráter ... não se encontrou nela a disposição para ser educadora”. Foi uma experiência muito importante que a tornou uma grande devota do Sagrado Coração por toda vida.
     Por algum tempo se preocupou com a casa e as irmãs, até que, em 1868, ingressou na Congregação da Adoração Perpétua de Bruxelas, com encargos em Liège. Ali constatou que milhares de alemães pobres emigravam para Liège, porque não sendo obrigatório dar estudo às crianças, os mandavam trabalhar nas minas de carvão. Se tornavam assim vítimas da corrupção, sem religião, arruinando-se espiritual e fisicamente. Ela pensava em uma fundação na Alemanha, mas eram os anos da kulturkampt com perseguições anticlericais, dioceses vazias, seminários fechados, sacerdotes no exílio. Dois anos depois Teresa voltou para casa.
     Em 1872, Teresa conheceu o pároco de Neuwerk que se tornou seu diretor espiritual. Começaram a falar de uma nova fundação. Em 1876 alugou uma parte do ex-mosteiro beneditino de Neuwerk e ali abriu o Instituto Santa Bárbara para assistência dos órfãos, das jovens e das senhoras sozinhas. Tentou sem sucesso a união com um instituto similar. Entre outros, conheceu Santo Arnoldo Janssen.
     Finalmente, após ler um anúncio no jornal da Sociedade Apostólica Instrutiva, em 4 de julho de 1882 encontrou-se com o jovem sacerdote João Batista Jordan (Francisco da Cruz), que seis anos antes havia fundado em Roma o Instituto (o termo Apostólica seria substituído por Católica).
     Embora a diferença de idade entre os dois fosse de 15 anos e pertencessem a classes sociais diferentes (o Padre Jordan era de humilde origem), logo se tornaram muito unidos.
     Dois meses após o primeiro encontro, Teresa (então com 49 anos) se ligou com votos privados à Sociedade, dando-lhe “o seu convento”. Em 1888, com um pequeno grupo de coirmãs, foi chamada pelo Padre Jordan para ir a Tivoli. Em 8 de dezembro de 1888, nasceu o novo ramo feminino da Sociedade Católica Instrutiva; Teresa foi eleita Superiora com o nome de Irmã Maria dos Apóstolos. Ela é considerada cofundadora da Congregação das Irmãs do Divino Salvador.
     A nova Congregação logo recebeu vocações da Alemanha, Suíça, Áustria, Hungria e do Tirol do Sul. Desde os primeiros tempos o seu espírito foi missionário, tanto que poucos anos depois Madre Maria enviava as primeiras Irmãs para a Índia e o Equador, mantendo sempre com elas contatos através de correspondência.
     Em Tivoli, no ano de 1894, abriu um seminário magistral para uma maior preparação das Irmãs, sob o olhar vigilante do Padre Jordan. A obediência ao Fundador por parte de Madre Maria foi sempre um dever.
     Pelo fim de 1905, aconteceu o Primeiro Capítulo, com a Madre já doente e envelhecida, tendo quase perdido a visão. Foi reeleita, mas as condições de saúde, suportadas com paciência, pioraram progressivamente com ataques de asma e problemas de mobilidade. Dois anos depois uma meningite foi fatal: enquanto as Irmãs se encontravam na igreja para a Missa de Natal, ela faleceu.
     Em 4 de agosto de 1903 ela tinha escrito o seu testamento espiritual: “Espero humildemente que as minhas boas Irmãs rezarão muito por mim. Que continuarão a trabalhar com santo zelo pela própria perfeição, procurando sempre fazer o verdadeiro bem ao próximo, mantendo-se firmes no espírito do Fundador”.
     Madre Maria dos Apóstolos foi beatificada em 13 de outubro de 1968 pelo Papa Paulo VI. As suas relíquias são veneradas na igreja da Casa Generalícia de Roma.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Santa Paula Isabel Cerioli, Viúva e Fundadora - 24 de dezembro

     
     Constança Cerioli nasceu em Soncino (Cremona, Itália), aos 28 de janeiro de 1816 e foi a última dos dezesseis filhos do nobre Francisco Cerioli e de sua esposa a Condessa Francisca Corniani, ricos fazendeiros, e ainda mais ricos pela vida cristã que testemunhavam na família e na sociedade. A recém-nascida foi logo batizada, em casa, pois corria risco de vida; superada a fase crítica, no dia 2 de fevereiro foi batizada na Igreja.
     Desde cedo teve que lidar com o sofrimento: o físico, pelo seu corpo frágil e não poucas vezes doente; o moral, vendo a miséria, na época muito presente entre as pessoas do campo, para as quais a mãe despertou cedo a atenção dela com verdadeira sabedoria cristã.
     Chegado o tempo da sua formação cultural e moral, como era costume então para as famílias nobres, foi enviada ao Mosteiro das Irmãs da Visitação em Alzano Maggiore (Bergamo), onde já tinha sido enviada a irmã e onde se encontrava a tia, Irmã Joana.
     Por quase cinco anos, a partir dos 11 até os 16 anos, Constança ficou naquele colégio recebendo a formação prevista para as filhas da nobreza. Depois da volta para a casa, a vontade dos pais, na qual ela sempre reconheceu a vontade do Deus, a levou, com 19 anos, ao casamento com Caetano Buzecchi-Tassis, de 58 anos, herdeiro dos Condes Tassis de Comonte de Seriate (Bergamo).
     No difícil casamento agiu como uma esposa dócil e cuidadosa. Teve a alegria de gerar quatro filhos, dos quais três morreram recém-nascidos e Carlos morreu com 16 anos. Poucos meses depois, em 1854, morria também o marido, deixando Constança sozinha e herdeira de um grande patrimônio.
     A perda do último filho e do marido foi para ela uma experiência dramática. Graças à ajuda de dois bispos de Bergamo, Mons. Luís Speranza e Mons. Alexandre Valsecchi, que a acompanharam espiritualmente, teve a força de se agarrar à fé. Deparou-se com o mistério da Mãe das Dores e se abriu, através de uma profunda vida de fé e de caridade ativa, ao valor da maternidade espiritual. Poucos meses depois de ter ficado viúva abriu o seu palácio para as meninas do campo abandonadas. Sua primeira ajudante, que ela considerava como sua mão direita, foi Luísa Corti. Por outro lado, havia os que a consideravam “louca”, ao que ela respondia: “É verdade que estou: tenho a loucura da cruz”.
     Em 1857, junto com seis companheiras fundou o Instituto das Irmãs da Sagrada Família e ao fazer os votos religiosos adotou o nome de Paula Isabel.
     Tendo enfrentado não poucas dificuldades, no dia 4 de novembro de 1863, realizava a sua mais profunda inspiração abrindo a primeira casa para a acolhida e a educação dos pobres filhos do campo, disponibilizando para isso a sua propriedade de Villacampagna (Cremona). O primeiro e fiel colaborador foi o Irmão João Capponi, natural de Leffe (Bergamo). Fundava assim os Institutos das Irmãs e dos Irmãos da Sagrada Família para o socorro material e a educação moral e religiosa da classe camponesa, na época a mais excluída e pobre.
     Foi uma feliz circunstância que aquela obra nascesse precisamente nas proximidades de Mântua, a cidade de Virgílio, da qual disse o poeta: O fortunatas nimium, sua si bona norint, agricola: "Se soubessem os venturosos camponeses a riqueza agrícola que têm aí!" Uma boa parte da vocação da Irmã Paula consistiu em dar a conhecer essa riqueza aos camponeses italianos os quais viviam em grande miséria.
     Escolheu a Sagrada Família como modelo, ajuda e conforto, querendo que as suas comunidades aprendessem dela como ser famílias cristãs acolhedoras, unidas no amor atuante, na fraternidade serena, na fé forte simples e confiante.
     Feliz por ter se tornado pobre com os pobres, Santa Paula Isabel faleceu em Comonte, na madrugada da véspera do Natal de 1865, enquanto dormia. Ela havia dado o nome de Sagrada Família à sua fundação por causa de sua profunda veneração por São José e não podia ter sido melhor data para sua morte que aquela vigília de Natal. Ao falecer, ela deixou aos cuidados da Providência o Instituto feminino já bem iniciado e a semente recém-jogada do Instituto masculino.
     A Bem-aventurada Paula Isabel viveu em tempos difíceis, nos meados do século XIX, quando as regiões da Lombardia e do Vêneto estavam sob o domínio do Império da Áustria, tempo de fortes contrastes pelas consequências do liberalismo e do nacionalismo como herança da Revolução Francesa.
     No centro de todo seu desejo e atividade a Santa teve sempre uma referência explícita a Deus Pai e ao seu Filho Jesus. Mas o desenvolvimento do seu testemunho espiritual foi marcado de maneira especial pela figura de Maria Mãe das Dores.
     Este mistério de Maria, que manifesta uma união total e profunda com o mistério de Jesus, que na sua vida terrena não excluiu a tentação e a cruz, para ela não foi só objeto de contemplação exterior: durante o ano de 1854 se tornou verdadeira iluminação que vivificou o destino de sua vida e de sua obra. “Ela confessou que uma vez, considerando as dores de Maria Santíssima e imaginando o momento em que Ela viu a morte do seu Divino Filho, sentiu um pressentimento tal e um tal aperto de coração, que angustiada se deixou cair sentada quase desmaiando. ‘Não sei’ — dizia depois — ‘como eu posso ter sobrevivido, frágil e provada como estava’".
     Foi assim que lentamente se sentiu levada a ter em si mesma as atitudes e as disposições que foram próprias de Maria e que o Filho agonizante, de maneira profética, a convidava a assimilar: «Mãe não chores, Deus te dará outros filhos».
     Destacou-se pela maternidade espiritual, a caridade concreta, a piedade, a absoluta confiança na Providência, o amor pela pobreza, a humildade e a simplicidade, e pela admirável submissão aos superiores (os bispos seus orientadores espirituais). Valorizou a dignidade e o papel da mulher na família e na sociedade.
     Criou colégios para órfãs e órfãos abandonados e sem futuro; instituiu escolas, cursos de doutrina cristã, exercícios espirituais, recreações festivas e assistência às enfermas. Vencendo dificuldades e incompreensões de todo tipo, quis dar início a uma instituição religiosa constituída por homens e mulheres que de alguma forma imitassem o modelo evangélico do mistério de Nazaré constituído por Maria e José que acolhem Jesus para doá-lo ao mundo.
     A Irmã Paula Isabel Cerioli foi beatificada em 1950, por Pio XII. Em 16 de maio de 2004 foi proclamada Santa por João Paulo II.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Beata Adelaide de Susa, Marquesa - 19 de dezembro

    
     Em várias crônicas beneditinas ela é chamada de "Beata Adelaide", mas o seu culto nunca foi reconhecido oficialmente.
     Filha primogênita e herdeira do Conde Olderico Manfredo II, Marquês de Susa e Conde de Turim e de Berta Obertagna dos Marqueses d'Este, Adelaide nasceu no castelo de Susa entre 1010 e 1016.
     A mãe morreu jovem, depois de ter dado à luz quatro filhos: Adelaide, Imila, Berta e um filho que morreu muito jovem em 1034. O marquês, seu pai, tendo ficado viúvo, dividiu os seus bens entre as três filhas, dos quais a maioria (todas as terras entre Ivrea e Ventimiglia) foi legada à filha mais velha, Adelaide. Mas, o poder dos marqueses de Susa e condes de Turim era principalmente militar, não transmissível a uma mulher, então, quando seu pai morreu, a jovem marquesa, qualificada em muitos textos como princesa, com apenas dezesseis anos, em 1035, casou-se com Hermano III, Duque da Suábia.
     Foi um casamento de curta duração, porque o Duque Hermano morreu de peste em julho de 1038, sem ter tido um filho. Adelaide, que tinha 19 anos, casou-se novamente com Henrique I, Marquês de Monferrato, mas em 1044 ela ficou viúva novamente. Por razões de Estado foi necessário recorrer a um terceiro casamento e a jovem viúva casou-se em 1045 com Odom I (1020 ca – 19/2/1059), Conde de Saboia, Aosta, Maurienne, segundo filho de Humberto I Biancamano de Sabóia.
     Nos 14 anos de casamento, cinco crianças nasceram: Pedro I († 1078), Amadeu II († 1080) Berta († 1087), Adelaide († 1079), Odon († 1102), futuro Bispo de Asti; quatro deles morreram antes da mãe, de novo viúva em 1059.
     Digna neta de Arduino de Ivrea, seu bisavô, que em 976 expulsou os sarracenos do Vale de Susa, Adelaide passou a maior parte da adolescência entre as armas, vendo as guerras e os massacres de perto, vestindo ela também sua armadura e usando armas.
     Apesar de ser bela, considerava a beleza e a riqueza como coisas transitórias, avaliando as virtudes como a glória duradoura. Dotada de um temperamento forte, não protelava, caso necessário, punir a corrupção em grandes personagens da região, incluindo até mesmo os bispos, enquanto premiava magnanimamente as ações nobres e as atividades beneficentes. Acolhia na sua corte menestréis e trovadores, mas queria que suas canções sempre fossem usadas para incitar à virtude, à religião e à piedade.
     Fundou em suas propriedades muitas igrejas e mosteiros que se tornaram depois centros de divulgação do patrimônio de estudos e de história; mandou restaurar a igreja de São Lourenço em Ouls (Turim), que como muitas outras havia sido destruída pelos sarracenos.
     Sua proteção a muitos mosteiros fundados no Piemonte, Valle d'Aosta e Saboia era tal, que São Pedro Damião († 1072), Bispo e Doutor da Igreja, seu contemporâneo, pode dizer: "Sob a proteção de Adelaide os monges vivem como pintainhos sob as asas da galinha".
     Ela era amada pelos italianos da época, que geralmente a chamavam de "a Marquesa dos Alpes", foi estimada por seus súditos e temida pelos seus adversários. Nos longos anos de viuvez, foi capaz de manter o poder com notável habilidade e sabedoria, de modo que o já mencionado São Pedro Damião escreveu a ela: "Tu, sem a ajuda de um rei, sustentas o peso do reino, e a ti recorrem aqueles que desejam adicionar às suas decisões o peso de um julgamento legal. Que Deus Todo-Poderoso te abençoe e a teus filhos de índole régia".
     Infelizmente, seus filhos que tanto amava foram para ela as dores mais fortes, porque os viu morrer ainda jovens, exceto o último, o Bispo Odon. Além disso, a filha Berta (1051-1087) foi protagonista involuntária da agitação política que varreu o império da Alemanha e o Papado. Seu marido, Henrique IV (1050-1106), imperador do S. R. I., rei da Alemanha, da Itália e Duque da Franconia, que ela havia desposado com quinze anos em 13 de julho de 1066, por seu caráter vicioso e tirânico, começou a hostilizar a casta donzela, agindo com grosseria, fazendo armadilhas para desacreditá-la e assim poder se livrar dela. Eclodiu uma tal hostilidade, que levou a pobre Berta a recolher-se na Abadia de Lorscheim, aguardando os acontecimentos.
     Henrique IV convocou um Concílio em Mainz para discutir o seu pedido de divórcio, contra o parecer de sua mãe, a imperatriz Agnes, ela também retirada em um mosteiro.
     O papa enviou como seu representante o Cardeal Bispo de Ostia, São Pedro Damião, que na discussão que se seguiu brilhantemente argumentou em favor da jovem Berta, convencendo todos os acusadores​​.
     A reação de Henrique IV foi grande, e não temendo a aversão dos súditos, continuou em seus propósitos e no final recebeu a excomunhão do Papa São Gregório VII (Hildebrando de Soana, † 1085).
     Apesar de ter sofrido muito com o marido ímpio, Berta mostrou ter um espírito elevado, incitando-o, com a ajuda de sua família no Piemonte, a ir pedir perdão ao papa. Adelaide, por intercessão da filha, concordou em acompanhar o ingrato genro até o papa, que era hóspede da Condessa Matilde em seu Castelo de Canossa (Reggio Emilia), acompanhada por seu filho Amadeu II.
     O imperador humilhado deveu muito mais a esta enérgica mulher do que à Condessa Matilde se o Papa Gregório VII concedeu termos e condições duras, mas viáveis, removendo a excomunhão, que havia resultado da desobediência do súdito. Entretanto, a humilhação foi grande o suficiente para entrar para a História, porque Henrique IV foi deixado por três dias fora do Castelo de Canossa no auge do inverno antes de ser recebido pelo papa. Isto ocorreu em 1077.
     Omitimos aqui a continuação da história de Berta e Henrique que voltaram para a Alemanha, e retornamos para a história de Adelaide, que neste caso doloroso da filha amada foi capaz de obedecer e honrar o Papa e não se indispôs com o Imperador, desintrincando entre as duas autoridades distintas, uma espiritual e outra temporal em luta aberta pelas investiduras eclesiásticas.
     Depois disto, Adelaide teve que agir como mediadora em uma disputa entre os seus dois genros: o mesmo Henrique IV e Rodolfo, Duque da Suábia, marido de sua outra filha, Adelaide.
     Nos últimos anos de sua vida, embora muito idosa, manteve sempre a mente lúcida; deixando todos os cuidados de governo ao seu sobrinho Humberto II, retirou-se primeiramente em Valperga aonde às vezes ia de pés descalços ao pequeno mosteiro de Colberg, distante apenas duas milhas, para honrar a Mãe de Deus venerada ali; o mosteiro mencionado tomou depois o nome de Belmonte.
     Sobre o fim da Marquesa Adelaide de Susa existem hipóteses conflitantes de vários estudiosos: o mais confiável é que depois de Valperga ela se mudou para uma pequena aldeia, Canischio (TO), talvez para fugir da peste, morreu ali, e foi sepultada na igreja São Pedro em 19 de dezembro de 1091.
     O testemunho de um estudioso diz que em 1775 lhe foi apresentado na igreja paroquial de Canischio o seu "mesquinhíssimo túmulo" em um estado de abandono que refletia o estado de vida modesta de seus últimos anos.
     A igreja mencionada foi destruída e de seu túmulo não há qualquer vestígio. Outra hipótese dos historiadores é que seus restos mortais foram transportados de Canischio para a Catedral de São João Batista em Turim, mas também ali não há pistas de seus despojos.
Fonte: santiebeati/it - autor: Antonio Borrelli

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Santa Bega, Abadessa de Andenne - 17 de dezembro

    
     Bega era filha de Pepino de Landen e de Ita (ou Iduberga), fundadora e primeira abadessa de Nivelles, e era portanto irmã de Santa Gertrudes de Nivelles, segunda abadessa daquela abadia, e de Grimoaldo, prefeito do palácio da Austrasia.
     Bega casou-se com um filho de Santo Arnolfo de Metz, Ansegiso ou Ansegisel, servidor na corte de Sigeberto III (m. 656) e de Childerico II (m. 675). Ansegiso é geralmente confundido com o nobre Adalgisel da Crônica de Fredegario ou da carta de fundação de Cugnon (645-47).
     Os jovens esposos tiveram os seguintes filhos: Pepino o jovem (+ 645 † 714), prefeito do palácio da Austrasia, Neustria e da Borgonha; hipoteticamente a Grimo, Abade de Corbie e Arcebispo de Rouen de 690 a 748; e também hipoteticamente a Clotilde Dode, esposa do rei Thierry III.
     A Vita Beggae, redigida no século XI, conta que em 685 Ansegisel foi assassinado em Chèvremont (perto de Liège) por um nobre austrasiano de nome Godin ou Gundoen, que ele havia educado como filho.
     Após enviuvar, Bega decidiu consagrar uma parte de sua fortuna ao serviço de Deus. Ela ingressou na Abadia de Nivelles, fundada por sua mãe e, em 691, com a autorização da abadessa Agnes, ela convenceu várias monjas a segui-la para fundar um mosteiro em Andenne, atualmente na província de Namur, Bélgica.
     Durante uma peregrinação à Roma, Bega prometeu ao Papa Adeodato que mandaria construir em uma de suas propriedades um mosteiro de religiosas e de construir ali sete igrejas em memória das sete basílicas principais da Cidade Eterna.
     Um fato viria auxiliá-la a designar o local onde construir as sete igrejas. Um dia, um serviçal de sua residência de Seilles (perto de Andenne) que procurava num matagal uma porca desgarrada, ouviu uma voz estranha lhe ordenar: “É aqui que deve se realizar o voto de Bega!”. No terceiro dia de suas buscas, ele a encontrou finalmente em companhia de sete porquinhos. Mais tarde, Pepino de Herstal descobriu uma galinha selvagem seguida por sete pintainhos e a matilha que o acompanhava na caça naquele dia se recusou tocá-los!
     Os simples viram nisto o dedo de Deus e foi então diante das colinas de Seilles, na margem direita do Rio Meuse, que Bega construiu seu mosteiro. As sete igrejas subsistiram até meados do século XVIII. Elas foram demolidas para serem substituídas pela Collégiale Sainte Begge, edifício neoclássico que existe hoje em dia.
     As monjas de Nivelles praticavam provavelmente a Regra de São Columbano. Mas em 691 a Regra levada para Andenne era uma mistura de elementos tirados das Regras de São Columbano e de São Bento.
     Bega foi venerada como santa logo após sua morte; o seu nome constava dos antigos martirológios e no século XI passou a constar do Martirológio Romano no dia 17 de dezembro, data de sua morte no ano 693.
     Devido a semelhança dos nomes, a partir do século XV se considerava que Bega dera início ao movimento das beguinas, e há uma literatura piedosa que ilustra e defende esta teoria, especialmente nos países flamengos. Mas, de fato, as beguinas escolheram Santa Bega como sua patrona.
     Atualmente podemos encontrar o “túmulo de Santa Bega”; toda sexta-feira, após a missa das 7:30 as mães levam seus filhinhos até este túmulo. Os fieis comparecem em grande número no dia da transladação das relíquias de Santa Bega (7 de julho), bem como no dia 17 de dezembro.
Procissão do relicário de Santa Bega em Andenne, França