quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Beatas Margarida Molli, Mística e Gentile Giusti, sua discípula - 23 de janeiro

     As informações sobre a Beata Margarida Molli e sua discípula e parente, a Beata Gentile Giusti se encontram na edição de 1535 de uma Vida de duas Beatíssimas Mulheres, Margarida e Gentile, compilada de acordo com notícias em parte recebidas da mesma Gentile Giusti pelo Cônego Regular Lateranense (Agostiniano) Padre Serafim Aceti de Porti da Fermo (1496-1540), portanto contemporâneo das duas beatas. Desta edição não existe atualmente nenhum exemplar, mas somente uma cópia manuscrita no arquivo de Santo Apolinário em Russi (Ravena).
     Margarida Molli, filha dos abastados Francisco e Joana Molli, nasceu no castelo de Russi, a 15 k de Ravena, no dia 8 de maio de 1442. Logo o sofrimento se apresentou em sua vida apesar da riqueza da família, porque aos três meses ficou cega devido a uma grave doença.
     Muito pequena, já aos cinco anos, iniciou uma vida de penitência e de contemplação; caminhava sem calçado em qualquer tempo. Tudo indicava uma precoce inclinação à santidade. Cresceu perseverando na penitência, deixando os bens terrenos aos pobres, vivendo de esmolas, infringindo-se jejuns e asperezas, como por exemplo, dormir sobre a terra nua. Emitiu na adolescência o voto de virgindade. Devido a sua cegueira, que muito embora não a impedisse de caminhar rapidamente e sem guia, não podia aspirar ao ingresso em uma ordem religiosa, então passou a viver como monja em sua casa.
     Embora vivesse afastada, a fama de sua santa vida se difundiu nos arredores e muitas pessoas procuravam-na para ouvir os seus conselhos para uma vida verdadeiramente evangélica, receber as consolações dirigidas aos aflitos, suscitando arrependimento nos pecadores.
     Margarida teve o dom da profecia, como também o de operar milagres: predisse a Batalha de Ravena de 1512, o Concílio de Trento (1545-1564) e a vitória de Lepanto de 1571.
     Era chamada por todos de “a Mãe, a Santa”; ela reuniu em Pieve de São Pancrácio, distante três quilômetros de sua casa, um grupo de jovenzinhas para instrui-las e educá-las cristãmente.
     Em 1485, aos 43 anos, deixou Russi e se mudou para Ravena onde morou na casa de Lourenço Orioli, seu parente e devoto, continuando sua atividade em muitas obras de caridade, visitando as igrejas, recebendo e guiando muitas pessoas admiradas e atraídas pela sua heroica prática das virtudes cristãs.
     Conservou uma grande serenidade de espírito e resignação, mesmo diante das calúnias daqueles que não acreditavam nela. Em união com o papa, empenhou-se na defesa da Cristandade contra os muçulmanos, e ao mesmo tempo estimulava as pessoas a rezar pela união de todos os cristãos.
     Para os inúmeros fieis que recorreriam a ela criou a Confraternidade do Bom Jesus que depois de sua morte, por obra de seu discípulo Jerônimo Maluselli auxiliado por outra discípula, Gentile Giusti, se tornaria a Congregação dos Padres do Bom Jesus, muito ativa em Ravena e em Romagna (em 1538, foi aprovada pelo papa Paulo III e, em 1651, foi supressa pelo papa Inocêncio X).
     Margarida morreu em Ravena no dia 23 de janeiro de 1505. Seu modesto túmulo em Santo Apolinário Novo se tornou meta de muito devotos. Como ele fora profanado durante a invasão dos franceses, seu devoto parente, Lourenço Orioli, com o consenso dos sacerdotes, transferiu o corpo levando-o sobre um asno, deixando o animal livre para ir onde desejasse. Em meio à noite o asno parou próximo à igreja de São Pancrácio de Russi, sob uma grande árvore, e ali o corpo foi enterrado à luz de uma multidão de pirilampos.
     Em 1659 as suas relíquias foram unidas as da Beata Gentile Giusti na Igreja do Bom Jesus de Ravena. Após outras transladações, as relíquias das duas beatas repousam na igreja de Santo Apolinário em Russi.
     Em 1537, por disposição do papa Paulo III, iniciou-se um processo para os milagres atribuídos às duas beatas. O culto é de origem popular e a festa das beatas é celebrada no último domingo de janeiro.
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     Gentile era filha de um ourives de Verona, e casou-se muito jovem com um alfaiate de Ravena, de sobrenome Pianella, matrimônio combinado pelos pais. Seu esposo era certamente um “bom partido” tendo em vista a grande clientela que tinha. Grosseiro, pouco sensível e nada religioso, Pianella era exatamente o contrário de Gentile, que era sensibilíssima por natureza, muito piedosa e delicada. Assim, não se pode dizer que o casamento fosse feliz: Gentile era maltratada e ele mofava dela. Afinal o marido a abandonou e se transferiu para Pádua, deixando-a sozinha com duas crianças para criar. Embora o péssimo marido a tivesse denunciado por bruxaria, o Bispo de Ravena pessoalmente reconheceu a absoluta correção e religiosidade de Gentile.
     Anos depois ele voltou e encontrou a mulher que, apesar de tudo, permanecera fiel e havia criado os filhos (embora um deles morresse muito jovem) e continuara a rezar por sua conversão. E o milagre da unidade familiar aconteceu com a mudança radical do estilo de vida do marido, graças ao exemplo da mulher. Ele faleceu pouco tempo depois e Gentile, especializada em paciência e fidelidade, continuou a oferecer o seu exemplo de viúva dedicada aos outros.
     Parece que a sua missão específica era realmente a de tornar melhores os homens que encontrava: Jerônimo Maluselli, incrédulo e violento, após abrir-se com ela e ter escutado seus conselhos, mudou de vida e se tornou sacerdote. Também Leonel, o único filho que lhe restou, ao qual se dedicava para que não seguisse o exemplo do pai, se tornou sacerdote.
     Gentile na realidade se inspirava no modelo de vida de sua prima, Margarida, cega e arruinada pelas ásperas penitências que se infligia.
     Gentile Giusti faleceu no dia 28 de janeiro de 1530, mas ainda hoje as regiões de Russi e de Ravena reservam o último domingo de janeiro para festejar juntas as duas primas, que depois de ter partilhado os ideais de vida cristã, repousam em uma única urna, circundadas de uma devoção vivíssima.
 
Fonte: santiebeati/it

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Stos Mario, Marta, esposos, e seus filhos Audifas e Abaco, Mártires - 20 de janeiro


     São Mário, juntamente com sua esposa Marta e seus filhos Audifas e Abaco, eram venerados no dia 19 de janeiro, embora antigos martirologios os mencionem no dia 20 de janeiro. Todos foram martirizados em Roma no século III.
     Segundo antigas "passio" do século VI, os quatro componentes da família pertenciam a nobreza persa e foram a Roma para venerar as relíquias dos mártires, como era então costume dos cristãos.
     Martirologios antigos colocam a chegada deles a Roma nos anos 268-270, no tempo do reinado de Claudio II, mas naquele período não houve perseguição aos cristãos. A edição recente do Martirologio Romano relata que a família persa cristã se hospedou em Roma por um certo número de anos.
     O século III foi um período de grande expansão do Cristianismo e de tolerância, até 293, quando Diocleciano assinou três editos de perseguição.
     Essa família se associou ao Padre João no ato de dar sepultura a 260 mártires na Via Salaria, vítimas da perseguição de Diocleciano. Os corpos decapitados e sem sepultura estavam em um campo aberto.
     Esta piedosa obra não passou despercebida, dado o grande número de corpos, e Mário e seus familiares foram descobertos, aprisionados e conduzidos ao tribunal. Inicialmente ao prefeito Flaviano e depois ao governador Marciano, que seguindo as normas dos editos imperiais, os interrogaram, convidando-os a sacrificar aos deuses. Diante da recusa, foram condenados à decapitação - para os três homens - e o martírio ocorreu na Via Cornélia, "in Nimpha", enquanto Marta foi lançada num poço um pouco distante.
     Os seus corpos foram recolhidos por uma piedosa matrona romana, Felicidade, e foram sepultados em uma propriedade sua chamada "Buxus", hoje Boccea, na mesma Via Cornélia.
     Numerosos estudos dão formulações diversas a este relato da "passio" do século VI, mantendo a origem persa e o fato de serem membros de uma única família (embora nas "passio" dos primeiros séculos havia uma tendência a transformar grupos de mártires habitantes da mesma localidade como pertencendo a um núcleo familiar).
     Quanto ao local do martírio, uma igreja em Boccea, da qual ainda são visíveis as ruínas, foi meta de peregrinações durante toda a Idade Média. Suas relíquias tiveram mudanças complicadas: algumas foram trasladadas para Roma e colocadas nas igrejas de Santo Adriano e de Santa Praxedes; em 828, parte delas foi enviada para Eginard, o biógrafo de Carlos Magno, que as doou, como era uso então, ao Mosteiro de Seligenstadt.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Beata Cristina de L'Aquila, Abadessa agostiniana - 18 de janeiro

    
    A primeira biografia sobre a vida terrena da Beata foi escrita por um nobre de Aquila por volta de 1595, 52 anos após a morte de Cristina. Outra foi encontrada em Colônia, Alemanha, impressa em latim e assinada por Cornelius Curtius, um douto agostiniano belga, historiador da ordem a qual pertencia.

     Mattia Ciccarelli, filha de Domingos e Maria de Perícolo, nasceu em Colle di Lucoli, província de L’Aquila (Itália), em 24 de fevereiro de 1480. Foi a última de seis irmãos.
     Desde a mais tenra idade Mattia se distinguiu pelas virtudes da obediência, humildade e modéstia. Seu amor pela oração a levava a se retirar em recantos mais escondidos da casa onde se prostrava devotamente diante de uma imagem da Virgem da Piedade. Às orações unia constantemente mortificações e rigorosos jejuns, flagelando seu corpo para apagar dele todo sinal de beleza e impedir assim ser admirada, já que era muito bela de aspecto.
     Aos onze anos conheceu o Beato Vicente de L’Aquila, que seria seu diretor espiritual e a quem confiou seu íntimo desejo de consagrar-se por completo a Deus abraçando a vida religiosa.
     Conta seu biografo que um dia Mattia ameaçou um rapaz habituado a blasfemar e a ofender sobretudo Santo Antônio: “Se não parares de blasfemar contra o santo abade, vejo um negro demônio sobre seus ombros pronto para sufocar na garganta uma blasfêmia!” Tempos depois, o jovem, cavalgando em um asno lento no caminhar, lançou uma blasfêmia contra Santo Antônio; tendo sido lançado por terra pelo animal, fraturou o crânio e teve uma morte pavorosa.
     Em junho de 1505 Mattia entrou no Mosteiro de Santa Lucia das Agostinhas observantes, em L’Aquila, onde tomou o véu e mudou seu nome pelo de Cristina. A grande piedade, a submissão mais completa e a absoluta humildade de que deu cotidianamente claras provas, lhe alcançaram em breve a veneração de todas as irmãs de hábito que não tardaram em elegê-la abadessa, cargo para o qual, muito a contragosto seu, foi reeleita repetidas vezes.
     Conhecida por sua santidade, por suas visões e milagres realizados, Cristina era visitada continuamente por uma grande multidão de pessoas das mais modestas às mais distinguidas.
     Entre os diversos êxtases com que Deus quis favorecê-la, dois são verdadeiramente admiráveis: o que ela teve em uma solenidade da festa de Corpus Christi, quando foi encontrada erguida a mais de cinco palmos do chão, enquanto sobre seu peito resplandecia a Hóstia Santa dentro de um ostensório de ouro (é como a Beata costuma ser representada); e o segundo aconteceu em uma Sexta-feira Santa e um Sábado Santo, nos quais, segundo sua própria confissão, chegou a sentir em sua carne grande parte das dores da Paixão de Nosso Senhor.
     Devota de São Marcos, Cristina recitava o santo rosário todos os dias em sua honra; um dia lhe apareceu São Martinho de Tours e lhe perguntou: “Por que honras com tanto afeto São Marcos e não fazes o mesmo comigo?”, desde então a Beata Cristina passou a rezar para ele e a se recomendar a este santo.
     De saúde precária e afligida por diversas enfermidades, Cristina faleceu em 18 de janeiro de 1543. Iniciou-se então um longo elenco de milagres e graças obtidos por sua intercessão: curou a chaga de um lenhador, sarou duas feridas mortais de um oficial de justiça, obteve a visão a um cego, curou a perna e o ombro de um dominicano, tornou são o fêmur de um franciscano e livrou uma monja de uma terrível hemicrania.
     Cornelius Curtius conclui: “Eu acrescentaria outros casos, se não fosse causar tédio aos leitores pela semelhança que há entre eles. São suficientemente válidos estes testemunhos que demonstram que Cristina vive entre aqueles de celeste vida imortal sem se esquecer dos mortais”.
     Em 12 de outubro de 1908, quando o mosteiro das agostinianas de Santa Lucia foi suprimido os restos mortais da Beata foram trasladados para o Mosteiro de São Amico.
     O culto público iniciado imediatamente após sua morte foi confirmado por Gregório XVI em 1841.
 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Santa Nino (Nouné, Nina, Cristiana), Apóstola da Geórgia - 14 de janeiro

      

    Santa Nino é mencionada em uma página que o historiador Rufino, amigo de São Jerônimo, anexou à “Storia Ecclesiastica” escrita pelo grande bispo e historiador Eusébio de Cesareia.
     No século IV, o povo da Ibéria Caucasiana, atual Geórgia, por ocasião de uma incursão efetuada por eles nas várias províncias orientais do Império Romano, levaram com eles da Capadócia uma prisioneira cristã que – segundo outros documentos históricos bizantinos, armênios, georgianos – tinha o nome de Nouné e que se modificou na literatura georgiana e russa para Nino.
     Tornando-se escrava na corte real de Mzekheta, não distante de Tbilissi, ela guardou sua fé. Ela vivia em castidade cristã, humildade e oração, e todos que a conheciam, pagãos e idólatras, a admiravam sem compreender; para explicar seus dotes e virtudes diziam dela: “É uma cristã”, e este nome prevaleceu e por isso é chamada também de Santa Cristiana.
     A rainha da Geórgia tomou conhecimento que Cristiana havia curado uma criança cobrindo-a com seu cilício; ela mandou chamá-la porque sofria de uma grave doença, mas obteve como resposta: “Meu lugar não é num palácio”. A rainha foi até a casa de Cristiana e recuperou a saúde. Ela desejava cobrir sua benfeitora de presentes, mas esta lhe respondeu: “A única coisa que pode fazer minha felicidade será o rei e vós mesma abraçar a fé cristã”. A rainha logo se converteu ao Cristianismo e, vencendo a resistência do esposo, o convenceu a abraçar a nova fé.
     Convertido, o rei por sua vez recebeu favores celestes e entregou à escrava cristã o projeto de construção de uma igreja, utilizando para isto os operários mais hábeis. Durante a construção “a apóstola” operou prodígios que a fizeram ainda mais estimada pelo povo, ao qual incessantemente ensinava os preceitos cristãos. Assim, em 334 foi construída a primeira igreja cristã que foi concluída em 379, no local onde agora está a Catedral Svetitskhoveli em Mzekheta.
     O rei enviou uma delegação ao imperador Constantino o Grande (280-337) para pedir-lhe que enviasse um bispo e padres para seu país. Quando o bispo chegou à Geórgia encontrou um povo já convertido graças à cristã Nino e pode administrar-lhe o Batismo.
     Santa Nino se retirou para a região de Bobde, Kakheti. Após sua morte, o Rei Mirian iniciou a construção de um mosteiro naquele local, onde seu túmulo ainda pode ser visto no pátio da igreja. Em Mzekheta um pequeno oratório ainda hoje recorda o batismo da Geórgia.
     O culto pela santa “apóstola” da Geórgia se difundiu por todo o Oriente e as várias Igrejas: Armênia, Grega, Alexandrina, Georgiana a recordam em seus menologios em datas diferentes. Na Armênia, ela é conhecida como Santa Nuneh. A história de como ela foi a única das 35 monjas companheiras das Santas Gaiana e Hripsime a escapar da morte nas mãos do pagão Rei Tiridates III (convertido ao Cristianismo posteriormente com toda a família) em 301, é relatada no livro “A história dos armênios”, de Movses Khorenatzi (Moisés de Khoren), que foi escrito aproximadamente no ano 440.
     No Ocidente a Santa ficou conhecida pelos martirologios medievais. O Cardeal Cesar Baronio (1538-1607), compilador do Martirologio Romano no século XVI, introduziu a sua memória arbitrariamente no dia 15 de dezembro. A nova edição revista de 2003 registrou a antiga data de celebração, 14 de janeiro, com o nome de Santa Nino.
 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Beata Ana Maria Janer Anglarill, Fundadora - 11 de janeiro

Fundadora do Instituto das Irmãs da Sagrada Família de Urgell

     Tu, Senhor, me darás a graça para ser uma esposa fiel, que te ama muito e te serve na pessoa dos doentes, dos deficientes”, dizia a Serva de Deus.
    No dia 11 de janeiro de 1885, em Talarn, histórica vila situada junto à cidade de Tremp, Ana Maria Janer Anglarill, pouco antes de entregar sua alma a Deus, expressou seu último desejo: morrer sobre o solo nu como penitente por amor a Cristo "que por mim expirou cravado na cruz", disse a Beata. Terminava assim uma trajetória de provada santidade, de correspondência fiel ao amor de Deus.
     Ana Maria nasceu no dia 18 de dezembro de 1800 em Cervera (Lérida, Espanha). Entrou como Irmã de Caridade no hospital de Cervera, onde se entregou ao cuidado dos doentes e à educação de meninas, em momentos especialmente difíceis, marcados pelas chamadas guerras civis que ensanguentaram a história da Espanha no século XIX.
     Em 1833, quando eclodiu a primeira guerra carlista e o hospital de Castelltort se tornou hospital militar, “a situação em que se encontrou Madre Janer no campo de batalha não foi fácil, e embora não tivesse os meios suficientes, soube organizar e infundir serenidade naquelas pessoas, dar-lhes alívio, consolá-las”, conforme depoimento de Irmã Cecília. Os feridos de guerra chamavam-na “a mãe” porque “fazia de tudo para cuidar de seus ferimentos e os ajudava a morrer pacificados com Deus e consigo mesmos”, disse aquela Irmã.
     Mas, em 1836 a junta do hospital expulsou as Irmãs. Naquele ano o governo liberal decretou a supressão das ordens religiosas, o confisco dos bens eclesiásticos e a expulsão das comunidades religiosas das obras sociais e educativas que até então sustentavam. A História é rica em atropelos deste gênero.
     Terminada a guerra, Ana Maria conheceu o exílio na França até 1844. Em 1849, Ana Maria se ofereceu como voluntária para trabalhar como Irmã na Casa de Misericórdia de Cervera. Durante dez anos atendeu amorosamente os órfãos daquela casa, as crianças de famílias muito pobres, os jovens sem capacitação e os anciãos. Em sua entrega tornava realidade a presença constante da Igreja de Jesus Cristo na vida dos mais pobres.
     Em 1858, o Bispo de Urgell, Josep Caixal Estradé, chamou Ana Maria para encarregar-se da direção do hospital de La Seu de Urgell. Ali, um ano depois, no dia 29 de junho de 1859, fundou seu próprio Instituto, que em 1860 recebeu a aprovação diocesana; o novo Instituto se dedicaria à assistência de pobres e doentes, e ao ensino da infância e da juventude. Numa atividade incansável, Madre Janer fundou colégios, hospitais e casas de caridade nas dioceses de Urgell, Solsona e Barcelona.
     O período revolucionário compreendido entre 1868 e 1875 representou um duro golpe para as obras da Madre Janer. Entre 1874 e 1880 ela enfrentou também outros tipos de lutas e provas em que manifestou seu grande sentir com a Igreja, seu silêncio e obediência.
     Em 1879, Mons. Casañas, novo Bispo de Urgell, posteriormente nomeado Cardeal, reorganizou a vida do Instituto e Madre Janer, aos oitenta anos, como merecido reconhecimento foi nomeada primeira superiora geral. Passou seus últimos anos na casa de Talarn sendo exemplo de luminosa caridade.
     Madre Janer tinha um amor especial pela cruz. Contemplar Cristo Crucificado se tornou para ela a base que lhe permitia ser sinal e testemunha clara dAquele que nos amou primeiro, dAquele que nos ama até dar a própria vida.
     Atualmente o Instituto das Irmãs da Sagrada Família de Urgell está presente na Espanha, Andorra, Itália, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, México, Peru e Guiné Equatorial.
     Madre Janer foi beatificada no dia 8 de outubro de 2011, durante o pontificado de Bento XVI.
 


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Santa Kentigerna (ou Caintigern), viúva - 7 de janeiro


     Kentigerna é comemorada no dia 7 de janeiro no Breviário Aberdeen, que nos informa que ela era de sangue real, filha de Cellach Cualann, Rei de Leinster, Irlanda; sua mãe era Caintigern, filha de Conaing Cuirre. Seu esposo foi o Feriacus regulus de Monchestre, que Mac Shamhrain identifica com o Feradach hoa Artúr de Dál Riata, o provável neto do Rei Artur que assinou o Cáin Adomnáin em Birr no ano de 697 e que talvez fosse um rei em Dál Riata.
     Além de outros filhos, foi mãe do santo abade São Fœlan ou Felan (ou ainda, Fillan). Fœlan nasceu com uma deformidade, como se tivesse uma grande pedra em sua boca, e seu pai, considerando-o um monstro, ordenou que ele fosse lançado em um lago próximo. Santo Ibar viu-o na superfície do lago brincando com anjos e o trouxe com segurança para a margem e o batizou. Diante do milagre, Kentigerna também se tornou cristã. Conta-se que São Felan estudava em uma cela escura onde ele escrevia com a mão direita iluminada pela mão esquerda.
     Após a morte de seu marido, ela deixou a Irlanda com seu irmão São Comgan e seu filho São Felan, e se tornou ermitã na Escócia, primeiro em Strath Fillan, consagrando-se a Deus e vivendo em grande austeridade e humildade.
     Já bem idosa, ela desejou se dedicar mais inteiramente à devoção e foi viver na ilha de Inchelrock ou Inch-Cailliach, em Loch Lomond. Naquele local ela podia com maior liberdade se entregar à meditação das coisas celestes.
     Santa Kentigerna faleceu no ano 734. Adam King nos informa que uma igreja paroquial famosa em Locloumont, Inchelroch - a pequena ilha em que ela se retirou algum tempo antes de sua morte - leva o seu nome. 
 
Vide Brev. Aberdon. e Colgan ad 7 janeiro p. 22.
Cfr. As Vidas dos Santos, 1866, pelo Rev. Alban Butler (1711
-1773). Volume I: janeiro. p. 105.
 
 
Inch-Cailliach, em Loch Lomond, Escócia

Beata Eurósia Fabris Barban, viúva, mãe de família - 8 de janeiro

    
     Eurósia Fabris nasceu em Quinto Vicentino (Vicenza, Itália), uma aldeia agrícola a poucos quilômetros de Vicenza, no dia 27 de setembro de 1866. Era filha de Luís e de Maria Fabris, humildes lavradores.

     Em 1870, Eurósia tinha quatro anos quando foi viver com a família em Marola, aldeia do distrito de Torri di Quartesolo (Vicenza). Ela ali permaneceu durante toda a sua vida. Apenas frequentou as duas primeiras classes elementares, de 1872 a 1874, pois ajudava o pai nos trabalhos do campo e a mãe nos trabalhos domésticos. Todavia esta instrução foi suficiente para que ela aprendesse a escrever e a ler, particularmente a Sagrada Escritura, ou outros livros religiosos, como o catecismo, a História Sagrada, a Filoteia e as Máximas eternas de Santo Afonso de Liguori.
     Além das atividades domésticas, Eurósia ajudava também sua mãe no ofício de costureira, profissão que ela irá exercer mais tarde. Rica em qualidades humanas e religiosas, Eurósia sempre se mostrava atenta às necessidades da sua família.
     Aos doze anos recebeu a Primeira Comunhão. Desde então ela era assídua ao Sacramento Eucarístico, recebendo-o todos os dias de festa religiosa, já que então não se praticava a comunhão quotidiana; só bem mais tarde, em 1905, foi publicado o decreto de São Pio X autorizando a comunhão diária.
     Eurósia inscreveu-se na Associação das Filhas de Maria na paróquia de Marola, sendo assíduas às suas reuniões. Observava rigorosa e escrupulosamente os estatutos da mesma. O fervor de sua piedade mariana cresceu ainda mais sob a influência do santuário vizinho dedicado a Nossa Senhora do Monte Berico, ponto de referência da sua devoção, porque desde Marola o santuário era bem visível no alto da montanha onde fora construído.
     Eurósia tinha como objeto das suas devoções o Espírito Santo, o Presépio, o Crucifixo, a Eucaristia, a Santíssima Virgem e as almas do Purgatório. Foi uma apóstola no seio de sua própria família, no meio das suas amigas e na paróquia, onde ela ensinava o catecismo às crianças. Também ensinava corte e costura às jovens que frequentavam sua casa.
     Aos 18 anos, Eurósia era uma jovem séria, piedosa e trabalhadeira. Suas virtudes e a sua estatura física eram notadas, o que fez com que vários pretendentes desejassem contrair matrimônio com ela, o que ela sempre recusou.
     Em 1885 Rosina (assim a chamavam também na família) foi tocada por um acontecimento trágico: uma jovem esposa, sua vizinha, morreu deixando três filhas ainda pequenas órfãs. A mais velha delas morreu também pouco depois. As duas outras tinham apenas 20 meses e 4 meses, respectivamente. Um tio e o avô, doente crônico, viviam com o pai das duas órfãs. Eram três homens de forte caráter que se afrontavam verbalmente ao longo do dia.
     A situação emocionou muito Rosina: durante seis meses, todas as manhãs ela passou a se ocupar das crianças e pôr ordem na casa. Seguindo o conselho de seus pais e do pároco, depois de muito rezar, ela aceitou casar-se com o viúvo, Carlos Barban, bem consciente dos sacrifícios que ela iria enfrentar. O pároco diria mais tarde: “Foi na verdade um ato heroico de caridade para com o próximo”.
     O casamento foi celebrado em 5 de maio de 1886; o casal teve nove filhos. Além de seus filhos, das duas órfãs e de outras três crianças recolhidas pelo casal, Mamãe Rosa - como a chamavam depois do seu casamento - ofereceu carinho, cuidados assíduos, sacrifícios e uma sólida formação cristã. Uma dessas crianças, Mansueto Mazzuco, entrou mais tarde no convento da Ordem dos Frades Menores Franciscanos, onde passou a usar o nome de Frei Jorge.
     Uma vez casada, Eurósia executava com grande fidelidade as suas obrigações de vida conjugal, e vivia numa profunda comunhão com seu marido. Tornou-se sua conselheira e seu conforto, demonstrou um terno amor aos seus filhos, uma capacidade de trabalho fora de normas, uma grande capacidade para responder às necessidades do próximo, uma intensa vida de oração e amor a Deus, uma grande devoção à Santíssima Eucaristia e à Virgem Maria.
     Tornou-se para a sua família um verdadeiro tesouro, a mulher forte de que fala a Sagrada Escritura. Ela soube gerir as economias familiares, bem magras, mas conseguia dividir com os pobres o pão de cada dia. Ela demonstrou as suas qualidades extraordinárias quando seu marido faleceu após uma longa doença.
     Ingressou na Ordem Terceira Franciscana e viveu o seu espírito de pobreza e alegria, de trabalho e de oração, a atenção delicada para com o próximo e o louvor a Deus Criador, fonte de todo o bem e de toda a nossa esperança.
     A família de Mamãe Rosa era verdadeiramente um exemplo de família católica. Ela soube educar e ensinar os filhos a rezar, a obedecer, a ter o temor de Deus, a oferecer os sacrifícios quotidianos, a amar o trabalho e todas as virtudes cristãs.
     Nessa missão de mãe cristã, Mamãe Rosa sacrificou-se e consumiu-se num longo e permanente serviço, dia após dia, como uma luz sobre o altar da caridade. No período de 1918 a 1921, três dos seus filhos foram ordenados sacerdotes: dois diocesanos e um franciscano, Frei Bernardino, que foi o seu primeiro biógrafo.
     Mamãe Rosa morreu no dia 8 de janeiro de 1932. O seu corpo repousa na igreja paroquial de Marola. Eurósia foi beatificada no dia 6 de novembro de 2005, em Vicenza (Itália) pelo papa Bento XVI.
 
Fontes: http://alexandrina.balasar.free.fr/eurosia_fabris_pt.htm; L'Osservatore Romano, de 11-XI-05.