sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Santa Alexandra do Egito, a Reclusa, Penitente - 14 de fevereiro


Túmulo antigo

     Alexandra viveu na segunda metade do século IV. As primeiras informações que se tem sobre ela são encontradas em Paladio de Helenópolis (363 - ca. 437) na “Historia Lausiaca”. Também a matrona romana Santa Melânia a Jovem (383-439), faz menção a ela e conta a visita feita à reclusa.
     Nos primeiros séculos da Igreja os penitentes sentiam a necessidade de encontrar formas de mortificação do corpo para purificar sempre mais o espírito, para assim chegar a uma união mais íntima com Deus, sem distrações decorrentes das necessidades materiais e os cuidados com o corpo.
     Assim, aqueles cristãos buscavam formas de penitência que hoje nos parecem incompreensíveis, como viver sobre uma coluna, em uma gruta, no deserto, sem falar com ninguém, ou como no caso de nossa Santa, de se recolher em um ambiente exíguo, com apenas uma pequena abertura para que o alimento pudesse ser introduzido por almas caridosas, com jejuns mais ou menos forçados. Condições de vida que hoje chamaríamos de “extremas” tinham como resultado que às vezes a existência do penitente era curta.
     Alexandra foi uma destas figuras de eremitas, já rara por se tratar de uma mulher. Ela nasceu no Egito, era uma jovem criada que, perseguida pelas importunidades de um jovem, preferiu se encerrar em uma espécie de túmulo, não muito distante de Alexandria. Uma simples janela como abertura era utilizada para que lhe dessem alimento. Ela viveu nestas condições por dez anos, até sua morte, ocorrida no dia 14 de fevereiro, muito jovem, presumivelmente com trinta anos.
     Santa Melânia a Jovem (vide um relato de sua vida neste blog, em 31 de dezembro de 2011), que a tinha visitado, informa que Alexandra havia deixado o mundo para fugir das tentações vindas de um homem, acreditando assim salvar a sua alma e a alma de outros. Ela empregava seu tempo rezando, trabalhando e meditando sobre a vida dos patriarcas, profetas, apóstolos e mártires. Ela fiava o linho e rezava as horas canônicas.
     Em um “Sinassario” podemos ler que Santa Melânia a servia, isto é, levava alimento e bebida para a reclusa, vestida com um capuz de criada, e esta obra de misericórdia ela estendia também aos outros penitentes do lugar.
 
Bibliografia: Lucot, A. Palladius: Histoire lausiaque. Textos e documentos 15. Paris, 1912.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Santa Sotera, Virgem e Mártir - 11 de fevereiro


Via Appia Antica, Roma
 

     Santo Ambrósio, o célebre pastor da Igreja de Milão, que era sobrinho-neto desta Santa, felicitava sua família por ter produzido esta ilustre mártir e a considerava o seu mais belo ornamento. Ele celebrava o martírio de sua parente que descendia como ele da gens Aurelia (1)
     Sotera contava entre seus ancestrais com uma longa linhagem de cônsules, prefeitos e governadores de províncias. Mas sua verdadeira glória consiste em ter desprezado, por amor de Jesus Cristo, a nobreza de nascimento, o brilho de sua beleza, as vantagens da fortuna, enfim, todos os seus bens, que atraem os desejos dos mundanos.
     Ela fez o sacrifício de sua virgindade a Deus e, como sua grande beleza a expunha a grandes perigos, ela negligenciava o cuidado de sua aparência e dispensava o uso de todo ornamento criado para atrair a atenção. Foi assim que ela se preparou para dar um glorioso testemunho da divindade de Jesus Cristo.
     A ocasião se apresentou imediatamente após a publicação dos editos bárbaros que Diocleciano e Maximiano promulgaram contra os fieis. Sotera foi aprisionada, conduzida diante dos magistrados, que fizeram com que ela fosse rudemente golpeada no rosto. Ela se alegrou por ser tratada como seu Salvador e recebeu com paciência admirável os golpes que lhe foram dados na face. “O perseguidor esperava que ao menos a vergonha a fizesse ceder, mas ela se alegrava em perder a beleza perecível, a fim de colocar seu pudor ao abrigo do perigo. Podiam ferir seu rosto; a beleza interior permaneceu intacta” (2).
     Assim”, continua Santo Ambrósio, “por causa de tratamentos injuriosos reservados aos escravos, ela atingiu o cume de sua paixão, tão corajosa e tão doce que o verdugo se cansou de bater em sua face antes que a mártir se fatigasse de sofrer seus ultrajes. Não a viram baixar a cabeça, nem virar a fronte; ela não deu um gemido, não verteu uma lágrima. Enfim, após sofrer todos os tormentos, ela recebeu da espada o golpe desejado”. (3)
     O juiz, vendo que o suplício não produzia o efeito desejado, ordenou novos golpes que não foram mais eficazes. Santa Sotera os sofreu sem sequer dar o menor suspiro e sem deixar correr uma só lágrima.
     Esta constância tão heroica em uma frágil virgem cobriu o magistrado de confusão. E porque não podia mais suportar sua vergonha e raiva, ordenou que ela fosse decapitada. Seu martírio ocorreu por volta do ano 304.
     Sotera foi sepultada no cemitério que leva o seu nome, vizinho ao cemitério de Calisto. Esta área não foi confiscada provavelmente porque era de direito privado, não tendo ainda sido dada a Igreja quando a perseguição eclodiu. (4)
     O Martirológio Jeronimiano menciona que Sotera foi sepultada inicialmente na Via Ápia e somente depois o Papa Sérgio II trasladou suas relíquias para a igreja de São Martino ai Monti.
     Esta ilustre mártir é mencionada em antigos martirológios.
_______________________


(1) Sobre a família e a nobreza de Santa Sotera, Roma sotterranea, p. 23-29.
(2) Santo Ambrósio, De Exhortatio virginis, 12.
(3) Santo Ambrósio, De Virginibus, III, 6

(4) Roma sotterranea, t. III, p. 36
 
Fontes : Vies des pères, des martyrs, et des autres principaux saints, volume 2, par Alban Butler, Jean François Godescard, Charles Butler, Lactantius, 1828. et Histoire universelle de l'Église catholique, tome 3, par René François Rohrbacher, 1866.
 
Etimologia: Sotero (a), do grego Sotér: "salvador".

Nossa Senhora de Lourdes - 11 de fevereiro


 

Só Santa Bernadette viu, ouviu e falou com Nossa Senhora. Porém, as multidões, acorrendo à gruta, vendo-a e imitando os seus gestos de piedade, tinham uma certeza inabalável da realidade das aparições.
LEIA MAIS EM:  http://lourdes-150-aparicoes.blogspot.com.br/


 
Uma pátina celeste cobre Lourdes
Gregório Vivanco Lopes (*)
 
     Naquele dia 2 de março de 1858, na gruta da Massabielle, Nossa Senhora disse à jovem Bernadette Soubirous, ajoelhada a seus pés: “Que venham aqui em procissão”.
     Essas palavras simples pareciam significar um desejo vago, uma aspiração momentânea. No entanto, elas estavam dotadas de uma potência insuspeitada, porque ditas pela Mãe de Deus. O pedido ecoou por toda a Terra e atraiu para Lourdes multidões pressurosas vindas de todos os continentes, dos vales e dos montes, das geleiras e das regiões tórridas, das ilhas mais afastadas, dos recantos mais ignorados.
     A procissão das velas que na primavera e verão se realiza em Lourdes todas as noites é um espetáculo digno de ser visto. Quando estive em Lourdes, pude aquilatar a multidão que, numa ordem perfeita e com uma compenetração impressionante, desembocava na esplanada em frente à Basílica, vinda de uma rua adjacente. Como as águas de um rio caudaloso e solene, vagas e vagas de fiéis sucediam-se empunhando velas acesas, que se erguiam todas ao céu quando os cânticos repetiam o refrão Ave, Ave, Ave Maria!
     A imagem de Nossa Senhora de Lourdes os precedia como rainha bondosa e muito amada. Enfermos em suas cadeiras de rodas, conduzidas por voluntários uniformizados, eram em número incontável. Durante o dia eles são vistos também na gruta das aparições, nas duas basílicas superpostas, no local dos banhos com água da fonte, por toda parte enfim.
* * *
     O ambiente é impregnado de fé, seriedade e elevação moral. Nota-se naqueles rostos sofridos e chicoteados pelos infortúnios da vida um estado de espírito que, de modo coletivo, só em Lourdes pude constatar. Naquele abençoado lugar, Deus opera, é certo, curas estupendas por intercessão de Nossa Senhora. Mas o maior milagre não são os coxos que andam nem os cegos que veem.
     O maior milagre é a conformidade sobrenatural daquelas almas. Há nelas uma esperança viva de que a Virgem Imaculada as cure; mas, ao mesmo tempo, uma disposição de espírito pela qual desde já aceitam resignadamente, sem revolta, sem acrimônia e mesmo sem tristeza, aquilo que for o desígnio de Deus.
     A graça impregna o ambiente de Lourdes como uma névoa clara e benfazeja; pousa sobre a gruta, sobre as pessoas, difunde-se sobrenaturalmente pelo ar. Após mais de 150 anos de milagres constantes, uma delicada camada de pátina celeste parece ter-se estendido por todos os recantos que circundam o lugar das aparições.
     Sente-se em Lourdes que o olhar da Virgem Santíssima pousa sobre nós, os necessitados e estropiados deste vale de lágrimas, produzindo uma paz de alma profunda, uma resignação perfeita, uma elevação sobrenatural.
     Lourdes tem comunicação direta com o Céu.
 
(*) Gregório Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM
Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Santa Apolônia, Virgem e mártir - 9 de fevereiro


     O martírio de Santa Apolônia é relatado pelo historiador Eusébio de Cesareia (265-340), que na sua Historia Ecclesiastica, escrita no terceiro século, transcreve um trecho da carta do bispo São Dionísio de Alexandria († 264), endereçada a Fábio de Antioquia, na qual ele narra alguns episódios de que fora testemunha.
     O governo de Felipe o Árabe (243-249) foi um período em que praticamente houve uma trégua nas perseguições anticristãs, mas, em 248, eclodiu em Alexandria do Egito uma sublevação popular contra os cristãos instigada por um adivinho alexandrino.
     Muitos seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo foram flagelados e lapidados; nem os mais débeis escaparam do massacre. Os pagãos entravam em suas casas saqueando tudo e devastando a habitação.
     Durante este furor sanguinário dos pagãos, foi aprisionada a virgem Apolônia, já anciã, definida por Eusébio “parthenos presbytès”, mas que na iconografia sagrada, como todas as santas virgens, é apresentada como uma jovem.
     Os perseguidores arrancaram seus dentes com uma tenaz. Depois, levaram-na fora da cidade, acenderam uma fogueira e ameaçaram lançá-la viva nela se não pronunciasse uma palavra de impiedade contra Deus. Apolônia pediu para deixaram-na livre por um momento e, obtido isto, se lançou rapidamente no fogo, sendo reduzida a cinzas.
     O fato ocorreu no fim do ano 248 e início de 249. Na sua carta São Dionísio afirma que sua vida fora digna de toda admiração e, devido sua conduta exemplar e pelo apostolado que desenvolvia, a fúria dos pagãos caíra sobre ela com uma crueldade particular.
     O gesto de Apolônia de lançar-se no fogo a fim de não cometer um pecado grave, suscitou entre os cristãos e os pagãos de então uma grande admiração e nos séculos seguintes foi objeto de considerações doutrinárias.
     Eusébio e Dionísio não acenam com nenhuma reprovação ao seu gesto, que pode ser considerado suicídio, mas de fato a virgem estava condenada de qualquer forma ao fogo se não abjurasse a Fé. Quiçá ela quis livrar-se de torturas posteriores que poderiam quebrantar sua vontade e que isto a fez decidir por se lançar nas chamas.
     Santo Agostinho, na sua De civitate Dei, se põe perguntas sobre o problema se é lícito dar-se voluntariamente a morte para não renegar a Fé e diz: “Não é melhor fazer uma ação vergonhosa da qual é possível se livrar com o arrependimento, do que um delito que não deixa espaço a um arrependimento que salva?” Mas o suicídio voluntário de algumas santas mulheres que em “tempo de perseguição se jogavam em um rio para fugir de quem tentava corromper a sua castidade” o deixava perplexo: e se não fora Deus mesmo que inspirara o gesto? Então não teria sido um erro, mas uma obediência. Santo Agostinho não se decide por uma posição sobre o argumento.
     Seja como for, o culto pela mártir da Alexandria se difundiu primeiro no Oriente e depois no Ocidente. Em várias cidades europeias surgiram igrejas dedicadas a ela; em Roma havia uma, hoje desaparecida, perto de Santa Maria em Trastevere. A sua festa, desde a Antiguidade, é celebrada no dia 9 de fevereiro.
     Na Idade Média era tão grande a devoção a esta santa mártir, protetora dos dentes e das doenças a eles relacionadas, que se multiplicaram os dentes-relíquia milagrosos, o que fez com que o Papa Pio VI (1775-1799), que era muito rígido nestas formas de culto, mandasse recolher todos os dentes que eram venerados na Itália. Este episódio nos ajuda a compreender quanta impressão e admiração o martírio desta santa suscitava no mundo cristão.
 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Santa Adelaide de Colônia, Abadessa - 5 de fevereiro


     Adelaide nasceu por volta de 970 e faleceu em Colônia, Alemanha, no dia 5 de fevereiro de 1015. Ela era filha de Megingoz, Conde de Guelders, e de Gerberga de Metzgau, uma neta de Carlos o Simples, rei dos Francos. Muito jovem ingressou no convento de Santa Úrsula, Nossa Senhora de Capitol, fundado por seus pais em Colônia, que seguia a Regra de São Jerônimo.
     Quando em 980 seus pais fundaram o convento de Villich, localizado na cidade de Bonn, na confluência dos rios Reno e Sieg, Adelaide tornou-se abadessa daquele novo convento. Inicialmente este convento foi estabelecido como uma comunidade de cônegos. Os cônegos eram anexados ao convento a fim de celebrar a Missa. Depois de algum tempo Adelaide introduziu a Regra de São Bento na abadia, pois ela julgava esta Regra mais rigorosa do que a de São Jerônimo. Ela exigia que as monjas sob sua direção aprendessem a ler o Latim, para que entendessem a Missa.
     A fama de sua santidade e o seu dom de fazer milagres logo atraíram a atenção de Santo Herberto, Arcebispo de Colônia, que desejou que ela fosse abadessa do convento de Santa Maria, em Colônia, para suceder sua irmã, Berta, que havia falecido no ano 1000. O Imperador Oto III reafirmou as imunidades de Villich das interferências eclesiásticas e concedeu o direito de escolher sua abadessa, o que permaneceu somente durante a existência da família dos fundadores. Estas ações fizeram com que Adelaide aceitasse a nova dignidade.
     Além de Abadessa de Santa Maria, Adelaide continuou a ser Abadessa de Villich. Ela faleceu em seu convento de Colônia, em 1015, mas foi sepultada em Villich, onde sua festa é celebrada no dia 5 de fevereiro, dia de sua morte. Seu túmulo logo atraiu peregrinos.
 
Fonte: RANBECK, Calendário Beneditino (London, 1896); LECHNER, Martirológio das Ordens Beneditinas (Augsburg, 1855); STADLER, Heiligen-Lexikon (Augsburg, 1858); MOOSMUELLER, Die Legende, VII, 448. MICHAEL OTT (Enciclopédia Católica).

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Santa Joana de Valois, Rainha e Fundadora - 4 de fevereiro


Fundadora da Ordem das Anunciadas
 
     Joana de Valois nasceu no dia 23 de abril de 1464 no Castelo Plessis-les-Tours; era filha de Luís XI, rei da França e da rainha Carlota de Saboia, irmã do Beato Amadeu IX. Luís, que ansiosamente esperava pelo nascimento do herdeiro do trono, não disfarçou o seu desapontamento quando ela nasceu, ainda mais quando soube que a criança era coxa.
     Por uma ordem despótica do rei a menina foi afastada da mãe: com 5 anos foi entregue aos cuidados do Barão François de Linières e sua esposa Anne de Culan que, no Castelo de Linières, dispensaram à princesinha uma cuidadosa educação. O casal não tinha filhos e se dedicou a ensinar a ela leitura e poesia, escrita e aritmética, desenho e pintura, bordado e tapeçaria, bem como os fatos históricos de seus ancestrais. Muito católicos, eles deram a ela uma sólida fé. Muito cedo Joana se voltou para Deus e para a Virgem Maria. Os mistérios da Anunciação e da Encarnação eram seu prazer.
     Tendo chegado à idade de 12 anos, Luís XI contratou o casamento de Joana com seu primo, Duque de Orleans, de 14 anos, que não fazia segredo da profunda antipatia que tinha por sua noiva. O casamento foi celebrado em 8 de setembro de 1476 no Castelo de Montrichard, na presença do Bispo de Orleans.
     Em pouco tempo Joana se convenceu da impossibilidade de convivência com um marido dissoluto e perverso. Com maior dedicação entregou-se aos exercícios de piedade e às obras de caridade, tudo em completa conformidade com a santa vontade de Deus.
     Tendo um dia notícia da grave enfermidade do seu esposo, pressurosa correu para junto dele em Bourges, oferecendo-lhe sua assistência de solícita enfermeira. Porém, recebeu apenas ingratidão, insultos e declarações injuriosas, suportando-as e dando provas de paciência heroica e humildade.
     Em 1483 o rei Luís XI faleceu, sucedendo-o seu filho Carlos VIII. Anos depois o Duque de Orleans sucedeu-o no trono como Luís XII. O marido de Joana repudiou-a então e fez anular canonicamente o seu casamento com ela para se unir à filha do Duque de Bretanha. Joana suportou isto também com serenidade cristã. O matrimônio de Joana com o rei foi declarado nulo pelo Papa Alexandre VI.
     Em 26 de dezembro de 1498 foi feita Duquesa de Berry, recebendo a província para governar. Indo viver em Bourges, a capital do ducado, Joana administrou-o com sabedoria e se devotou ao bem estar dos súditos. Pondo-se a serviço do povo, irrestritamente trabalhou para sua própria santificação sob a direção de São Francisco de Paula. Durante a peste eclodida de 1499 - 1500 ela demonstrou quão grande era sua caridade.
     Joana era devotíssima de Nossa Senhora e foi uma das primeiras figuras entre as veneradoras do puríssimo Coração de Maria, cujo imenso amor ao gênero humano lhe foi revelado em uma celestial visão.
     Livre de outras obrigações, Joana sentiu ressurgir a ideia que concebia desde a infância de fundar uma Congregação dedicada às virtudes da SS. Virgem. Pôs mãos à obra e já em maio de 1500, onze noviças, primícias da Anunciada, eram visitadas pela duquesa que a elas se associava nas devoções.
     No dia de Pentecostes de 1504 as primeiras monjas pronunciaram votos dando início à Ordem das Monjas da Bem-Aventurada Virgem Maria, ditas da Anunciada, cuja Regra teve a aprovação dos Papas Alexandre VI e Leão X. A fundadora construiu um convento para a Ordem.
     Joana fez a profissão a titulo privado em 26 de maio de 1504, mas permanece no mundo, fiel ao seu soberano. Em 3 de dezembro de 1503, Luís XII havia aprovado a fundação da “sua caríssima e amadíssima sobrinha Joana de França, Duquesa de Berry”, tomando o convento sob sua “proteção e salvaguarda especial”.
     Era intensão da fundadora de confiar a sua obra aos Frades Menores da Observância: no dia 21 de novembro de 1504 as religiosas entram na clausura.
     Joana rezava incessantemente pelo marido, e deixou como orientação à Ordem rezar pela alma dele, pela de seu irmão e pela de seu pai.
     Em 22 de janeiro de 1505, atacada de um grave mal-estar, Joana mandou fechar a porta de comunicação de sua cela com o convento; no dia 2 de fevereiro não conseguia se comunicar e depois de uma existência cheia de sacrifícios, provações e sofrimentos, mas não menos de uma vida dedicada à oração, Joana faleceu em 4 de fevereiro de 1505, na idade de 41 anos. Pessoas próximas a ela afirmaram terem visto a cabeça da falecida rodeada de uma luz misteriosa.
     O povo venerava Joana como santa. Milagres se sucederam após sua morte, e em 1514 o papa Leão X permitiu às Anunciadas honrarem-na por um ofício especial.
     Nas perseguições religiosas no século XVI seu túmulo foi  profanado. Fanáticos queimaram o corpo da Santa e atiraram as cinzas ao ar.
     A Congregação das Anunciadas se espalhou: antes da Revolução Francesa as Anunciadas contavam com 45 casas pela França, Bélgica e Inglaterra. Destas casas permanecem ainda hoje os mosteiros de Thiais e de Villeneuve-sur-Lot.
     A causa de Joana de Valois foi introduzida por Urbano VIII em 3 de maio de 1632; ela foi beatificada por Bento XIV em 18 de junho de 1742; em 28 de maio de 1950, Dia de Pentecostes, por ocasião do Ano Santo, o Papa Pio XII elevou-a às honras dos altares, canonizando-a. Sua festa é celebrada em 4 de fevereiro.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Apresentação do Menino Jesus no Templo e Purificação de Nossa Senhora - 2 de fevereiro

 

     O Evangelho de São Lucas narra que depois do nascimento de Nosso Senhor, e decorrido o prazo que a Lei mosaica estabelecia para a purificação das mulheres que davam à luz, Nossa Senhora e São José levaram o Menino Jesus ao Templo para O apresentarem a Deus, conforme também prescrito na Lei. Na ocasião, Maria Santíssima ofereceu ao Senhor o sacrifício ritual de dois pombinhos, estabelecido para a purificação de mulheres pobres. Jesus e Maria não estavam sujeitos à Lei, mas quiseram observá-la por amor à humildade e para nos dar o exemplo.
     A festa da Purificação é também chamada das Candeias, comemorando o dia em que Maria Santíssima, em obediência à Antiga Lei, apresentou seu Divino Filho no Templo 40 dias após seu nascimento.
     Ela foi saudada pelo velho Simeão que lhe predisse as Sete Dores que haveria de sofrer e que o Menino seria um sinal de contradição. 
Evangelho de São Lucas capítulo 2. versículos 25 a35
            25. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
            26. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.
            27. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei,
            28. tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
            29. Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
            30. Porque os meus olhos viram a vossa salvação
            31. que preparastes diante de todos os povos,
            32. como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
            33. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
            34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,
            35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma. 
     O encontro do Senhor com Simeão e Ana no Templo enfatiza o aspecto sacrificial da celebração e da comunhão de Maria com o sacrifício de Cristo, pois quarenta dias depois de sua maternidade divina a profecia de Simeão a faz ter um vislumbre das perspectivas de seu sofrimento: "Uma espada traspassará a tua alma".
     Maria, graças à sua íntima união com a pessoa de Cristo, é associada ao sacrifício do Filho. Não é de admirar, então, que à festa de hoje tenha sido dada tanta proeminência que induziu o Imperador Justiniano decretar feriado o dia 2 de fevereiro em todo o Império do Oriente.
     Roma adotou a festividade em meados do século VII. O Papa Sérgio I (687-701) estabeleceu a mais antiga das procissões penitenciais romanas, que começava na Igreja de Santo Adriano e terminava em Santa Maria Maggiore.
     O rito da bênção das velas, do qual há evidência já no século X, é inspirado nas palavras de Simeão: "Meus olhos viram a vossa salvação, que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações". A partir deste simbólico rito se originou o nome popular de festa das Candeias, ou a "Candelária". 
 
"Cada dia tem seu santo”, Revista Catolicismo, Bíblia Ave Maria