terça-feira, 18 de março de 2014

São José, pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo - 19 de março

    
     Amanhã comemoraremos a Solenidade de São José, Padroeiro da Igreja Católica Universal, assim proclamado pelo Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1870.
     Entre todos os homens do seu tempo, Deus escolheu o glorioso São José para ser pai adotivo de seu Filho divino e humanado. E Jesus lhe era submisso, como mostra São Lucas.
     Santa Gertrudes (1256-1302), a grande mística alemã, afirmou que “viu os Anjos inclinarem a cabeça quando no céu pronunciavam o nome de São José”.
     Santa Teresa de Ávila (1515-1582), a primeira doutora da Igreja, a reformadora do Carmelo, disse: “Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”. E declarava que em todas as suas festas lhe fazia um pedido e que nunca deixou de ser atendida. Ensinava ainda que cada santo nos socorre em uma determinada necessidade, mas que São José nos socorre em todas.
     O Evangelho fala pouco de sua vida, mas o exalta por ter vivido segundo “a obediência da fé” (cf. Rm 1,5). Deus nos dá a graça para viver pela fé (cf. Rm, 5,1.2; Hb 10,38) em todas as circunstâncias. São José, um homem humilde e justo "viveu pela fé", sem a qual “é impossível agradar a Deus” (cf. Hab 2,3; Rm 1,17; Hb 11,6).
     O grande doutor da Igreja, Santo Agostinho, compara os outros santos às estrelas e São José ao Sol. A esse grande santo Deus confiou Suas riquezas: Jesus e a Virgem Maria. Leão XIII, na Encíclica “Quanquam Pluries”, propôs que ele fosse tido como “advogado dos lares cristãos”. Pio XII o declarou como “exemplo para todos os trabalhadores” e fixou o dia 1º de maio como festa de São José Trabalhador.
     Rezemos a São José:
     A Vós, São José, recorremos em nossa tribulação e depois de ter implorado o auxílio de vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio. Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada, Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder. Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai, para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas e, assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda a adversidade. Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio a fim de que a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio possamos viver virtuosamente, piedosamente morrer e alcançar no céu a eterna bem-aventurança. Amém.
     Glorioso São José, rogai por nós.




Relicário com o “cinto de São José”. No ano de 1254, Sire de Joinville, um dos Cruzados, trouxe o cinto do Oriente para a França, e mandou construir uma capela em honra a São José para guardar este tesouro; nela ele foi sepultado em 1319. Esta capela foi muito visitada pelos peregrinos franceses, entre os quais o Rei Luís XIV e o Cardeal Richelieu. Este relicário está atualmente na Igreja de Nossa Senhora, Joinville, Haute-Marne, França.

sábado, 15 de março de 2014

Beata Benedita de Assis, Abadessa - 16 de março


     Ingressou nas Clarissas de Assis em 1214; sendo sucessora de Santa Clara no governo do Mosteiro de São Damião, permaneceu no cargo até sua morte em 16 de março de 1260. É quase certo que é a mesma que encontramos como abadessa em Siena em 1227, e de 1240 a 1248 em Vallegloria próximo de Spello.
     Ela esteve presente no processo de canonização de Santa Clara, em novembro de 1253, no qual entretanto não testemunhou, talvez por ter estado muito tempo ausente de Assis. Os Irmãos Leo e Ângelo passaram para ela o breviário usado por São Francisco após a morte de Santa Clara.
     A Beata assistiu o início da construção da Basílica de Santa Clara (1257), a transferência das Clarissas de São Damião para os locais adjacentes à antiga Igreja de São Jorge, e talvez também tenha presenciado a transferência do corpo de Santa Clara da Igreja de São Jorge para a nova basílica, se com os Bolandistas for aceita como a data de sua morte o dia 19 de outubro em vez de 16 de março de 1260.
     O Martirológio Franciscano diz que sua vida brilhou por uma prudência singular e uma grande reputação de virtude e milagres. Ela foi enterrada na Igreja de São Jorge.
     Em 1602, o bispo de Assis, Crescêncio, mandou colocar as suas relíquias com as da Beata Amada e de Santa Inês na capela dedicada a esta última na Basílica de Santa Clara. Nela é venerada, acima do altar mor, uma grande cruz com as laterais contendo pinturas de Santa Clara e da Beata Benedita, com a seguinte legenda em letras góticas: “Domina Benedicta post Sanctam Claram prima Abbatissa me fecit fieri” (Dona Benedita, primeira abadessa depois de Santa Clara, me fez pintar).

quarta-feira, 12 de março de 2014

Santa Judite de Hildesheim, Abadessa - 13 de março

Mosteiro de São Miguel de Hildesheim

 
     Judite era irmã de São Bernoardo de Hildesheim (vide abaixo), falecido em 1022.
     Há poucas notícias sobre sua vida. Mas, a julgar pelas virtudes de seu santo irmão, ela deve ter sido uma grande abadessa. O obituário da Igreja de São Miguel de Hildesheim indica o dia 13 de março como a data de seu falecimento. Seu túmulo foi objeto da veneração dos fieis e em 1497 foi feita uma exumação de suas relíquias. Entretanto, todos os indícios de culto desapareceram com a Pseudo-Reforma Protestante.
 
Etimologia: Judite = zeladora de Deus, do hebraico.
 
* * *
 
Martirológio Romano: Em Hildesheim na Saxônia, Alemanha, São Bernoardo, bispo, que defendeu o rebanho dos ataques, renovou a disciplina do clero com numerosos sínodos e promoveu a vida monástica. 
 
     Tipo perfeito dos grandes prelados da Idade Média, que enquanto pais de almas eram defensores e educadores do povo, Bernoardo nos mostra em sua vida as mais variadas atividades. Ele era bispo, estudioso, artista, santo, político e militar, e tudo em um grau eminente. Nascido em uma das famílias aristocráticas mais ricas da Saxônia, criança ainda deixou o seu castelo para se dedicar ao estudo da filosofia.
     O bispo metalúrgico, podemos chamá-lo assim, estudava as Escrituras e a doutrina da Igreja, e era atraído pela arte de forjar, fundir e modelar os metais nas oficinas artesanais de Hildesheim, grande centro comercial da Baixa Saxônia.
     Quando jovem sacerdote foi chamado para a corte onde foi mestre do novo imperador Otão III, que era ainda criança. Em 992 foi nomeado bispo de Hildesheim. Ele introduziu os primeiros beneditinos na região. Enquanto iniciava a construção do grande Mosteiro de São Miguel, participou de uma expedição militar, fortificou a sua cidade e outros locais do território diocesano.
     Nos anos 1000-1001 acompanhou o imperador Otão III, então com 18 anos, para enfrentar uma revolta na Itália.
     O Mosteiro de São Miguel foi concluído em 1022, poucas semanas antes de sua morte. Ali São Bernoardo foi sepultado.
     Hildesheim conserva ainda algumas obras de arte realizadas sob sua influência: a porta de bronze da catedral, a imponente coluna de bronze, o seu crucifixo de prata, etc.
 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Santa Maria Eugênia de Jesus, Fundadora - 10 de março



     Ana Eugênia Milleret de Brou nasceu em Metz no dia 25 de agosto de 1817; sua infância transcorreu entre a casa natal dos Milleret de Brou e a vasta propriedade de Preisch, na fronteira entre Luxemburgo, Alemanha e França. De uma família incrédula cujo pai, voltairiano, era um alto funcionário e a mãe, uma excelente educadora que só praticava um formalismo religioso, Ana Eugênia teve um verdadeiro encontro místico com Jesus Cristo no dia de sua Primeira Comunhão, no Natal de 1829: “Nunca o esqueci”.
     Aos 13 anos uma grave doença obrigou Ana a interromper os estudos, que teve que prosseguir sozinha. As provas de Ana continuaram em 1830: durante a revolução contra o rei Carlos X, que deu o trono da França a Felipe de Orleans, o pai caiu na ruína e teve que vender o Castelo de Preisch, e mais tarde a casa de Metz. Seus pais se separaram; ela foi para Paris com a mãe, que uma epidemia de cólera – uma doença que açoitava com grande força Paris naquela época – colherá brutalmente em 1832. Uma rica família amiga de Châlons a acolheu.
     Aos 17 anos, conheceu a solidão em meio dos mundanismos que a rodeiam: "Vivi uns anos me perguntando sobre a base e o efeito das crenças que não havia compreendido... Minha ignorância sobre o ensino da Igreja era inconcebível e contudo havia recebido as instruções comuns do Catecismo". (Carta ao Pe. Lacordaire, 1841).
     Seu pai a fez voltar para Paris. Durante a Quaresma de 1836, ouviu o Pe. Lacordaire pregar na Catedral de Notre-Dame. "Vossa palavra despertava em mim uma fé que nada pode fazer vacilar". "Minha vocação começou em Notre-Dame", diria mais tarde.
     Na Quaresma de 1837, Ana Eugênia encontrou o Pe. Combalot, que pregava em São Sulpício, e que a orientou na fundação de uma nova Congregação. Ele sonhava fundar uma congregação dedicada a Nossa Senhora da Assunção para formar jovens dos meios dirigentes, a maioria irreligiosa; ela sonhava com a vocação religiosa.
     O Pe. Combalot enviou Ana Eugênia ao Convento da Visitação de La Côte-Saint-André (Isère), experiência que deixaria nela a marca do espírito e da espiritualidade de São Francisco de Sales. Já tinha as bases de sua pedagogia: rechaçava uma educação mundana em que a instrução cristã fosse pouca, queria um cristianismo autêntico e não um verniz superficial, queria dar para as jovens uma educação à luz de Cristo.
      Em outubro de 1838, se encontrou com o Pe. d’Alzon. Esta grande amizade duraria 40 anos. Em 30 de abril 1839, com 22 anos, se unem a ela duas jovens para realizar o seu projeto em um apartamento pequeno da Rua Férou; em outubro já eram quatro em um andar da Rua de Vaugirard. Elas estudam teologia, a Sagrada Escritura e as ciências profanas. Kate O’Neill, uma irlandesa, se uniu a elas e tomou o nome de Teresa-Emanuel. De personalidade forte, ela acompanharia Ana Eugênia oferecendo-lhe sua amizade e sua ajuda durante toda sua vida.
     Em maio de 1841, as Irmãs se separaram definitivamente do Pe. Combalot. Mons. Affre lhes ofereceu o apoio de seu vigário geral, Mons. Gros.
     As Irmãs retomam os estudos e fazem sua primeira profissão religiosa em 14 de agosto de 1841. A pobreza em que viviam era grande e a comunidade não aumentava. Isto não impediu Madre Maria Eugênia de abrir o primeiro colégio na primavera de 1842, no Impasse des Vignes. Mais tarde se instalou em Chaillot, porque a comunidade crescia e se tornava cada vez mais internacional. Às vezes ela se queixava dos sacerdotes e dos leigos: "Seu coração não bate por nada que seja grande".
     No Natal de 1844, Madre Maria Eugênia fez sua Profissão perpétua, com um quarto voto: “Estender por toda minha vida o Reino de Jesus Cristo...”.
     Madre Maria Eugênia desejava para suas filhas “contemplativas da ação” a recitação do Ofício Divino como devoção principal por ser a oração oficial da Igreja, e o centro de sua espiritualidade devia ser Jesus Eucaristia. Roma reconheceu esta nova Congregação em 1867. As Constituições, ou a Regra da Congregação da Assunção, foram definitivamente aprovadas em 11 de abril de 1888.
     A morte do Pe. d’Alzon em 1880 pressagiava o despojamento que ela havia entrevisto como necessário em 1854: "Deus quer que tudo caia ao meu redor". Irmã Teresa-Emanuel faleceu em 3 de maio de 1888, e sua solidão se tornou mais profunda.
     Entre 1854 e 1895, nasceram novas comunidades na França, seguidas das fundações na Inglaterra, Espanha, Nova Caledônia, Itália, América Latina e Filipinas.
     As viagens, as construções, os estudos, as decisões se sucediam. Sua preocupação constante porém será sempre sua intuição inicial, a que as Irmãs têm que ser fieis aos chamados do Senhor: "Na educação, uma filosofia, um carácter, uma paixão. Porém, que paixão dar? A da Fé, a do Amor, a da realização do Evangelho”. As religiosas devem ser professoras educadoras adaptando-se às necessidades que vão se apresentando, sem deixar de lado a observância monástica.
     Quando descobriu a debilidade da velhice, "um estado no qual só resta o amor", Madre Maria Eugênia foi se apagando pouco a pouco: "Só me resta ser boa". Vencida por uma paralisia em 1897, somente terá seu olhar para expressar essa bondade. Em 10 de março de 1898, entregou sua alma a Deus.
     Madre Maria Eugênia de Jesus foi beatificada em 9 de fevereiro de 1975 pelo papa Paulo VI; e em 3 de junho de 2007 o papa Bento XVI canonizou-a em Roma, na Festa da Santíssima Trindade.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Santa Teresa Margarida do Coração de Jesus - 7 de março

 
"Jovem flor do Carmelo, a imitar a brancura das açucenas"
 
     Ana Maria Redi nasceu na Itália, na cidade de Arezzo, de nobre família, na vigília da Festa de Nossa Senhora do Carmo, dia 15 de julho de 1747. Seus pais, Inácio Fernando Maria Redi e Maria Camila Ballati, tiveram 13 filhos, Ana Maria foi a segunda. Teve três irmãs religiosas e dois irmãos sacerdotes. Foi alma contemplativa desde menina. Frequentemente enchia-se de entusiasmo e questionava: “Diga-me, quem é esse Deus?” Desde muito pequenina, gostava de colher flores para oferecê-las a Jesus. Na adolescência, procurava exercitar cada dia uma virtude. Na juventude, gostava de rezar diante do sacrário, onde dizia palpitar não só o Amor, mas o Coração do Amor.
     Aos nove anos, junto com a irmã, Eleonora Catarina, foi mandada para Florença para receber formação com as Beneditinas de Santa Apolônia. Recebeu a Primeira Comunhão no dia da Assunção de 1757. Um fato significativo: seu maior confidente era o pai, Inácio Maria Redi, homem ilustre e religioso. Entre os dois se iniciou uma intensa troca de correspondência, infelizmente quase toda perdida devido a sua promessa de queimar as cartas. Ana Maria muitas vezes disse que era grata ao pai mais pelo que lhe ensinava do que por tê-la gerado.
     Após ter lido a vida de Santa Margarida Maria Alacoque nasceu nela uma grande devoção ao Sagrado Coração.
     Tinha 17 anos quando ouviu uma voz que lhe dizia: «Sou Teresa de Jesus e quero-te entre as minhas filhas». Foi o seu chamamento ao Carmelo, à «casa dos Anjos», como gostava de chamar os conventos de carmelitas, assim como Santa Teresa de Jesus lhes chamava «pombais de Nossa Senhora». A exemplo da amiga Cecília Albergotti resolveu entrar no Carmelo. A separação da família foi dolorosíssima. No dia 1° de setembro de 1764 foi recebida no Mosteiro de Santa Maria dos Anjos de Florença, recebendo o nome de Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus.
     Quando era postulante uma doença provocada por um tumor maligno a fez sofrer muito. Uma vez restabelecida, iniciou o Noviciado tomando o véu em 11 de março de 1765. Fez a profissão religiosa em 12 de março de 1766.
     Por ocasião da sua profissão religiosa, por amor a Jesus, renunciou a manter a troca de correspondência com seu pai. Custou-lhe muitíssimo, mas eles combinaram que a partir daquela data todas as noites, antes do repouso, se encontrariam no Coração de Jesus.
     Quando ainda jovem professa desejou profundamente conhecer a vida escondida de Jesus. Apagar a sede de Deus através da imitação de Cristo se tornou o objetivo de sua existência. Nasceu assim a singular expressão: "Que bela escada, que escada preciosa, indispensável é o nosso Bom Jesus!", Mestre, modelo e instrumento para compreender e entrar no Mistério Divino.
     O mistério da Cruz e os espinhos que rodeavam o Coração de Cristo atraíam-na fazendo-a humilde, alegre e caridosa. No dizer das Irmãs, era um anjo do Céu no convento de Florença.
     Durante toda a sua vida viveu o lema: "Escondida com Cristo em Deus". Mais que mestra foi um contínuo e magnífico testemunho de vida espiritual. Assimilou com perfeição os ensinamentos de Santa Margarida Maria Alacoque sobre o Sagrado Coração de Jesus e viveu-os de modo bem pessoal, até chegar à intimidade com a Santíssima Trindade. Foi Apóstola do Sagrado Coração e de Nossa Senhora do Carmo, a quem amou entranhadamente. Outro lema que lhe era muito caro, como fiel herdeira do espírito do Carmelo, era "padecer e calar".
     No domingo 28 de junho de 1767, encontrando-se no coro para o Ofício de Terça, ouviu a leitura breve: Deus é caridade, e quem permanece na caridade, permanece em Deus (Ep. Jo. 1, 4-16). Um sentimento sobrenatural a invadiu e por vários dias ficou abalada. Doou então o seu coração a Cristo, oferecendo-se para ser consumida por Seu amor. Havia chegado ao último degrau da escada... Tudo isto na mais profunda humildade, com o desejo de transmitir tais dons místicos às irmãs de hábito. Pediu ao confessor a permissão para fazer a oferta de Santa Margarida Maria Alacoque: colocar a sua vontade própria na Chaga do Lado de Cristo e entrar em Seu Coração.
     O amor de Deus se concretizou no ofício de auxiliar de enfermeira, cargo que exerceu com extraordinária abnegação, em particular com uma irmã que devido a problemas psíquicos havia se tornado violenta. A sua caridade foi silenciosa e heroica.
     Temos poucos escritos de Santa Teresa Margarida Redi: algumas cartas, vários bilhetes que gostava de enviar às irmãs e os propósitos dos exercícios de 1768 e um outro breve propósito. Mas a sua ardente devoção a fez atingir uma altíssima experiência mística. Apesar de não ter muitos conhecimentos teológicos, teve profundíssima compreensão das Sagradas Escrituras como um dom do Espírito Santo. Tinha muito interesse também pela leitura das obras da Santa Madre Teresa.
     Ardente foi também seu amor pela Eucaristia: "No Ofertório renovo a profissão (religiosa): antes que elevem o Santíssimo, rogo a Nosso Senhor que assim como Ele opera o milagre de tornar aquele pão e aquele vinho no Seu preciosíssimo Corpo e Sangue, assim também se digne transmudar-me nEle mesmo. Quando O elevam, O adoro e renovo ainda a minha profissão, depois peço o que desejo dEle".
     A festa do Sagrado Coração foi celebrada pela primeira vez na comunidade por sua influência, pondo ela todo empenho em que a festa fosse solene. Nisto foi apoiada pelo pai e pelo tio, o jesuíta Diego Redi. Eram os anos em que essa devoção começava a se propagar, nem sempre bem acolhida devido à influência dos jansenistas.
     Conforme um de seus biógrafos, ela pertence “à estirpe espiritual sanjoanista mais pura. A chama obscura do amor infuso que a abrasa, consome, ilumina e dirige toda a vida, fazendo-a tocar o centro da vida trinitária, de onde se abre ao mais ardente apostolado contemplativo”.
     Soube cobrir com as cinzas da santa humildade seus dons naturais: nobreza, cultura e inteligência. Conservou no mais profundo silêncio as graças que recebia de Deus, dissimulando continuamente todo ato de virtude.
     No dia 4 de março de 1770 pediu ao confessor que a ouvisse em confissão geral, pois queria comungar no dia seguinte tão preparada como se fosse a última vez. No dia 5 de março, depois de comungar fervorosamente, caiu doente. A doença degenerou em gangrena que lhe provocava dores horríveis e insuportáveis. O Crucifixo, que sempre teve nas mãos, foi a sua força. Morreu dois dias depois da doença se ter declarado, aos 23 anos, no dia 7 de março de 1770. Expirou abraçada a seu crucifixo. O seu corpo emanava um perfume suave e ainda hoje permanece incorrupto no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Florença, no passado antiga herdade da família Redi.
     Um século antes, outra carmelita, Santa Maria Madalena de Pazzi, tinha glorificado Florença com a sua santidade. Teresa Margarida hauriu nas chagas de Cristo e no seu Coração o segredo da sua pureza, simplicidade, amor e caridade.
     O papa Pio XI a beatificou no dia 9 de junho de 1929 e a canonizou no dia 19 de março de 1934, definindo-a como neve ardente. A ata de beatificação chama-a "jovem flor do Carmelo, a imitar a brancura das açucenas”. Sua festa é celebrada no dia 7 de março. 
     A seu respeito, disse o papa Pio XII: “Santa Teresa Margarida, ardente do amor divino, mais se assemelhou a um anjo que a uma criatura humana, podendo assim ajudar muitas almas a alcançar a virtude”. 
 
Fontes: www.santiebeati.com e sites Carmelitanos.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Beata Joana Irrizaldi, Virgem mercedária - 5 de março


     A vida religiosa da Beata Joana Irrizaldi, monja mercedária, transcorreu no Mosteiro de São José em Nalan, pequena cidade das Astúrias, na Espanha, onde deu testemunho de uma exemplar fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Ela ficou notabilizada pelo seguinte milagre: tendo que se dirigir a outro local, como faltasse uma embarcação para levá-la, estendeu um véu sobre as ondas do mar, saltou sobre ele e foi transportada sobre as águas sem que molhasse sequer os pés.
     Ao término de sua vida terrena, o seu corpo foi sepultado no mosteiro. A Ordem a festeja no dia 5 de março.
 

sábado, 1 de março de 2014

Santa Teresa Verzeri, Fundadora - 3 de março

    
     Teresa Verzeri nasceu no dia 31 de julho de 1801, em Bérgamo (Itália), era a mais velha dos sete filhos de Antônio Verzeri e da Condessa Helena Pedrocca-Grumelli. Seu irmão, Jerônimo, se tornou bispo de Brescia. Sua mãe, em dúvida se devia escolher o casamento ou abraçar a vida monástica, ouviu sua tia Antônia M. Grumelli, religiosa Clarissa, dizer em tom profético: "Deus te destina aquele estado para tornar-se mãe de uma santa prole".
     Na mais tenra idade Teresa aprendeu com a mãe, uma mulher eminentemente católica, a conhecer e amar a Deus ardentemente. Em sua jornada espiritual foi dirigida pelo Cônego José Benaglio, Vigário Geral da Diocese de Bérgamo, que já acompanhava a família.
     Teresa completou seus estudos iniciais em casa. Inteligente, dotada de uma mente aberta, vigilante, reta, foi educada para buscar os valores eternos e a fidelidade à ação da graça. Desde a infância até a idade mais madura, Teresa se deixa iluminar pelo Espírito de Verdade que vai animá-la no combate espiritual constante: à luz da fé descobre e experimenta o peso de sua própria fragilidade, desmascarando, tanto quanto é possível ao ser humano, todas as formas de falsidade, orgulho, medo, para se render totalmente a Deus. Por meio da graça, percorreu um caminho feito de desapego, de pureza de intenção, de retidão e simplicidade que a levou a buscar "Deus só".
     Interiormente Teresa viveu a experiência mística da "ausência de Deus", no entanto, ela nunca perdeu sua confiança e o abandono a Deus, Pai providente e misericordioso, a quem ela dedicou sua vida em obediência, e como Jesus sua solidão se tornou entrega de si mesma por amor.
     Na intenção de agradar a Deus e fazer somente a Sua vontade, amadureceu a sua vocação religiosa no Mosteiro Beneditino de Santa Grata, do qual saiu, após uma longa e laboriosa busca, para fundar em Bergamo, juntamente com a Cônego José Benaglio, em 8 de fevereiro de 1831, a Congregação das Filhas do Sagrada Coração de Jesus.
     Teresa Verzeri viveu na primeira metade do século XIX, um período de grandes mudanças na história da Itália e na sociedade de Bergamo, marcado por mudanças políticas, revoluções, perseguições que não pouparam a Igreja, também penetrada pelo jansenismo, e da crise de valores, fruto da Revolução Francesa.
     Numa época em que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus encontrava resistências, ela confiou às primeiras Filhas do Sagrado Coração este testamento que caracteriza o patrimônio espiritual de sua família religiosa: "Jesus Cristo, a vós e ao vosso instituto tem dado o dom precioso de Seu Coração, porque não aprendestes de outros a santidade, sendo Ele a fonte inesgotável da verdadeira santidade". (Livro dos Deveres, vol. I, p. 484)
     Teresa vê muito claramente as premências, entende as necessidades de seu tempo. Com disponibilidade absoluta em qualquer situação que a caridade o exige, mesmo as mais perigosas e sérias, com suas primeiras companheiras se dedicou a vários serviços apostólicos: "educação da juventude da classe média e da classe baixa; internatos para órfãos em perigo, abandonados e até mesmo desencaminhados; escolas, doutrina cristã, exercícios espirituais, recreações festivas, cuidado dos doentes". (Práticas, 1841)
     Em sua missão revela um talento especial de mestra de almas, apóstola e educadora. Teresa adotou expressamente o sistema preventivo: "Cultivar e guardar com muita atenção a mente e o coração de vossas meninas enquanto ainda são novas, para evitar, tanto quanto possível, que nelas entre o mal, sendo a melhor coisa evitar uma queda com vossos avisos e admoestações do que as reerguer com correção". (Livro dos Deveres, vol. III, p. 368)
     A educação é obra de persuasão respeitando a individualidade; para isso ela recomendou deixar às jovens "uma santa liberdade para que elas possam fazer de boa vontade e de pleno acordo o que, sufocadas pelo mando, fariam como peso e com má vontade"; que a escolha dos meios se adaptem "ao temperamento, às inclinações, às circunstâncias de cada uma ... e sobre o conhecimento de cada uma", determinando a maneira pela qual tratá-la. (Livro dos Deveres, vol. I, p. 447 e 349)
     O Cônego Benaglio morre em 1836. Teresa, apoiada na obediência que lhe garantia que a Congregação foi querida por Deus, dedicou-se completamente à sua aprovação, consolidação e expansão. Enfrentou muitos obstáculos colocados pelas autoridades civis e também pela hierarquia eclesiástica, o que colocou à dura prova a sua virtude. Teresa se mostrou heroica no abandono à vontade de Deus que a sustentava.
     Depois de uma vida de intensa doação, Teresa morreu em Brescia, no dia 3 de março de 1852. Deixou a Congregação já aprovada pela Igreja e pelo governo, uma vasta documentação – especialmente nas Constituições, no Livro dos Deveres, e em mais de 3.500 cartas – na qual é possível admirar toda a riqueza de sua experiência espiritual e humana.
     A preciosa herança espiritual transmitida por ela à Congregação encontra seu centro no Coração de Jesus, de quem a Filha do Sagrado Coração herda o espírito de eximia caridade que a obriga a ser "toda para todos". Teresa a coloca desta forma:
     "As Filhas do Sagrado Coração de Jesus, como aqueles que absorvem sua caridade na própria fonte do amor, isto é, no Coração de Jesus Cristo, devem arder da caridade do mesmo Coração divino pelo próximo. Caridade puríssima que não visa senão a glória de Deus e o bem das almas; caridade universal que não exclui ninguém, mas abraça a todos; caridade generosa que não se abate no sofrimento, não se alarma com a contradição, mas que no sofrimento e na oposição cresce em força e vence pela paciência". (Livro dos Deveres, vol. I, p. 58)
    Animadas deste espírito, as Filhas do Sagrado Coração de Jesus continuam hoje a missão de Teresa na Itália, Brasil, Argentina e Bolívia, na República Centro Africana e em Camarões, na Índia e na Albânia.
     As relíquias de Santa Teresa Verzeri são veneradas na capela das Filhas do Sagrado Coração de Jesus, em Bergamo.

     Foi canonizada em 10 de junho de 2001 por João Paulo II.