domingo, 18 de maio de 2014

Beata Pina Suriano, Leiga - 19 de maio

    
     Nasceu em Partinico (Itália), centro agrícola da província de Palermo, a 18 de fevereiro de 1915; foi batizada no dia 6 de março com o nome de Giuseppina (Josefina em português), mas será sempre conhecida com o diminutivo: Pina.
     Os seus jovens pais, José e Graziela Costantino, viviam dos modestos proventos do trabalho nos campos; a família era profundamente religiosa o que refletia no ânimo sereno de Pina. De índole dócil e submissa, interessava-se pelas coisas simples da vida relacionadas com o sentido religioso que será, ao longo de toda a sua vida, o primeiro dos seus interesses. Pina recebeu em família a primeira educação moral e religiosa, que depois foi aperfeiçoada, a partir dos 4 anos de idade, quando entrou no asilo das Irmãs "Collegine de San Antonio".
     Em 1922, à distância de poucos dias um do outro, recebeu os Sacramentos da Penitência, da Primeira Comunhão e da Confirmação. Com apenas doze anos, entrou na Ação Católica.
     Começou a inserir-se na vida paroquial e diocesana, participando ativamente em todas as iniciativas da Ação Católica e nas que eram ditadas pela necessidade dos problemas locais. Fez da sua paróquia o centro de todas as suas ações, em colaboração com o pároco, Pe. Antonio Cataldo, que era o seu diretor espiritual e confessor.
     Em 1937, após a instituição da nova paróquia de Nossa Senhora do Rosário, devido sua residência estar naquela jurisdição, Pina passou a frequentá-la e teve como confessor e diretor espiritual o Pe. Andrea Soresi, que foi posteriormente o seu biógrafo.
     De 1939 a 1948 foi secretária da A.C. e, posteriormente, foi nomeada Presidente das jovens da A.C. Fundou a Associação das Filhas de Maria, da qual foi Presidente até à morte.
     Pina Suriano baseou todo o seu apostolado e espiritualidade na trilogia da A.C.: “Oração, Ação, Sacrifício”, a qual acrescentou a Santa Missa, a Comunhão, a meditação quotidiana, o estudo da palavra de Deus e a obediência ao magistério eclesiástico.
     Embora sendo uma filha perfeita, que de boa vontade realizava os serviços para a família, Pina teve que enfrentar a oposição de sua mãe que não queria que ela se dedicasse tanto à Igreja, pois desejava para ela o estado matrimonial, que entretanto não estava em suas cogitações. O empenho religioso de Pina era resultado de uma convicção e de uma escolha de vida, e nesse contexto ela fez o voto de castidade em 29 de abril de 1932, na pequena igreja das Filhas da Misericórdia e da Cruz, que era a sede social da Juventude Feminina da A.C. de Partinico.
     Como prova da seriedade do voto emitido, Pina renovava-o todos os meses, com a autorização do seu diretor espiritual, recusando as várias propostas de matrimônio que lhe foram feitas por mais de um jovem. Era grande o seu desejo de se fazer religiosa, mas encontrou grandes dificuldades na oposição dos seus pais. Visto que para ela o caminho da vida religiosa não se abria, quis dar a Jesus a última prova do seu imenso amor e, a 30 de março de 1948, com outras três companheiras, ofereceu-se como vítima pela santificação dos sacerdotes.
     Antes que o sofrimento desejado e ofertado se apresentasse em sua jovem vida, em setembro de 1948 com grande alegria Pina foi a Roma em peregrinação por ocasião de uma celebração da Juventude Feminina.
     No mesmo ano de 1948, manifestou-se uma forma de artrose reumática tão violenta que provocou uma deficiência cardíaca; nos meses seguintes Pina sofria muito, mas estava feliz porque a oferenda de vítima para a santificação dos sacerdotes fora aceita.
     Ela desejou muito voltar a Roma para assistir à canonização de Santa Maria Goretti, que aconteceu em 24 de junho de 1950, mas faleceu repentinamente, vítima de um infarto, em 19 de maio de 1950, com apenas 35 anos.
     O funeral foi solene, com a participação de muita gente convencida de que havia morrido uma santa; ela foi sepultada no túmulo da família no cemitério de Partinico. Em 8 de maio de 1969 seus restos mortais foram definitivamente transladados para a igreja paroquial do Sagrado Coração de Partinico.
     Ela foi beatificada em Loreto, no dia 5 de setembro de 2004. Determinante para sua beatificação foi um milagre obtido por sua intercessão pela jovem Isabel Mannone, de 18 anos, de Mazara del Vallo.
     Pina amou a Jesus com um amor ardente e fiel, até o ponto de poder escrever com toda sinceridade: “Não faço mais que viver de Jesus”. Dirigia-se a Jesus com coração de esposa: “Jesus, faz-me sempre tua. Jesus, quero viver e morrer contigo e para ti”. 
 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Maria Gaetana Agnesi, Matemática - 16 de maio


Ilustre pela Ciência e sublime pela Virtude
    
     Maria Gaetana Agnesi nasceu em Milão no dia 16 de maio de 1718, em uma família rica e culta. Seu pai, Pietro Agnesi, professor de matemática da Universidade de Bolonha, teve vinte e três filhos com suas três esposas, sendo Maria a primogênita. Pietro tinha condições de oferecer a Maria os melhores tutores para que ela pudesse ter uma educação privilegiada. Dessa maneira, proporcionou-lhe uma educação privada primorosa, que lhe possibilitou adquirir conhecimentos profundos em várias áreas, o que não era hábito das damas desse século.
     Aos nove anos de idade, publicou um discurso em latim que defendia um ensino de alta qualidade para as mulheres. Ao contrário do que muitos pensaram, Maria não havia escrito o discurso, mas fizera a tradução para o latim a partir do original escrito por um de seus tutores. Entretanto, Maria fez o discurso em público, sem recorrer à leitura, para uma audiência acadêmica, organizada por seu pai.
     Aos 13 anos, além do italiano e do latim, sabia cinco outras línguas: grego, hebreu, francês, espanhol e alemão e, por isso, a chamavam de: O Oráculo das Sete Línguas. Quando tinha 15 anos, o pai a introduziu num círculo de intelectuais, onde todos se admiravam com a sua genialidade na área da Matemática, da Física e da Filosofia.
     Em 1738, publicou uma série de estudos filosóficos chamado Propositiones Philosophicae. Essa obra continha 191 teses que Maria defendera publicamente na presença de importantes convidados nacionais e internacionais. Seu pai os convidava e ela, apesar de não apreciar muito falar em público, obedecia.
     Certo dia, Maria confessou ao pai seu desejo de tornar-se freira, mas ele, desejoso da companhia da filha, implorou-lhe que mudasse de ideia. Maria aceitou apenas sob três condições: ir à Igreja sempre que quisesse, vestir-se de maneira simples e humilde e não precisar frequentar festas, teatros e outras diversões que considerava profanas.
     A partir daí, concentrou seus esforços para estudar Religião e Matemática. Maria tinha que aprender Matemática praticamente sozinha - um feito reservado a pouquíssimas pessoas - mas teve a sorte de Ramiro Rampinelli, professor de matemática da Universidade de Roma e Bolonha, chegar em Milão e se tornar um assíduo frequentador de sua casa. Foi ele quem a ajudou a estudar os textos de Cálculo do matemático Reyneau.
     Através de Rampinelli, Agnesi entrou em contato com o matemático Riccati, que foi de vital importância na revisão da obra que lhe daria grande reconhecimento. Esse trabalho foi publicado em 1748, numa obra em dois volumes, intitulada Istituzioni Analitiche ad uso della Gioventù Italiana com temas de Álgebra, Geometria e Cálculo Infinitesimal. O aparecimento desse livro causou grande sensação ser uma publicação feita por uma senhora e desenvolvida com maestria, envolvendo questões matemáticas consideradas profundas e difíceis.
     Tamanho foi o sucesso dessa obra que a Academia de Ciências de Paris publicou um relatório onde dizia: "... Muita habilidade, como a autora demonstrou ter, foi necessária para reduzir e quase uniformizar os métodos que estas descobertas geraram ao longo dos trabalhos de matemáticos modernos, frequentemente muito diferentes entre si. Ordem, clareza e precisão reinam em todas as partes deste trabalho... Nós o consideramos como o mais completo e melhor tratado já feito".
     A primeira seção de Istituzioni Analitiche trata da análise de quantidades finitas, dos problemas elementares de máximo e mínimo, tangentes e dos pontos de inflexão. A segunda seção discute a análise de quantidades infinitamente pequenas. A terceira seção é sobre o Cálculo Integral e apresenta uma discussão geral do estado do conhecimento. A última seção trata do método inverso das tangentes e das equações diferenciais. No volume 2 é apresentada uma extensa discussão sobre a curva cúbica, conhecida como Curva de Agnesi.
     A contribuição matemática mais importante de Agnesi foi a primeira tradução francesa dos Principia de Newton, publicada postumamente em 1756, com um prefácio de Voltaire e sob a direção de Clairaut.
     Por volta de 1750, Agnesi foi convidada para ocupar a cadeira de Matemática na Universidade de Bolonha, mas sua vida, em seguida, tomaria um rumo completamente diferente.
     Com a morte do pai, movida pelos seus sentimentos religiosos, deixou a docência e recolheu-se em um convento para se dedicar aos que sofriam de doenças graves. Quando a instituição Pio Istituto Trivulzo foi aberta, Maria ficou encarregada de sua direção. Esse Instituto era uma casa para doentes e enfermos, aos quais ela se dedicou inteiramente, doando toda a sua fortuna e trabalhando ali até a sua morte.
     Maria era uma pessoa delicada e muito tímida. Nunca teve ambição de se tornar uma matemática famosa a despeito de seu gênio brilhante. Alguns dizem que ela apenas se interessou por matemática para agradar ao pai.
     Não obstante, a sua inteligência e o seu talento tornaram possível integrar todo o conhecimento de mais alto nível sobre Cálculo da época de uma maneira muito clara. Maria Agnesi é reconhecida como a primeira mulher matemática a ter produzido textos de alta qualidade científica.
     Morreu em janeiro de 1799, com 81 anos de idade, no seu hospital. Pode dizer-se que foi ilustre pela Ciência e sublime pela Virtude.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Santa Cesária, Eremita em Otranto - 15 de maio

    
     Santa Cesária nasceu em um dezembro do século XIV, filha de Luís e Lucrécia, graça alcançada após dez anos de matrimônio e ao final de uma piedosa prática da devoção sabatina, sugerida pelo eremita José Benigno.
     Ao ficar órfã de mãe ainda adolescente, Cesária foi obrigada a abandonar a casa dos pais para fugir das insanas tentações do pai; ela se refugiou em uma gruta da marinha de Castro, sob um outeiro rochoso próximo de Otranto.
     Ali ela enfrentou uma vida de privações e de oração, devotada a uma dedicação total a Deus, tornando-se uma eremita cuja fama se estendeu em toda a região de Otranto. Após sua morte, ocorrida na gruta, de onde nunca saíra, já no século XIV uma igreja foi erguida no local, a qual tornou-se um centro de seu culto.
     Em 1924 esta igreja foi confiada aos Franciscanos que a substituíram por uma nova, erigida depois em paróquia em 1954.
     Em honra de Santa Cesária outras igrejas foram erguidas nos centros do Salentino, em particular em Francavilla Fontana (Brindisi) que algumas tradições consideram como a pátria de origem da Santa.
     Patrona do Porto Cesário na província de Lecce, a sua festa litúrgica é em 15 de maio.
     A cidade de Santa Cesária Terme festeja a sua patrona em 11 de setembro de cada ano, data tradicionalmente conhecida como a data da fuga de Cesária, com uma procissão que depois de ter percorrido todas as ruas da cidade termina com um cortejo de barcas até a gruta onde ela teria vivido e morrido.
     O culto da Santa é muito difundido por toda a região da Puglia (Itália) e o nome de Cesária é muito usado em toda a província de Lecce.
 
Etimologia: Cesária = feminino de Cesário do latim Caesarius, "devoto de Cesar" ou segundo outros autores, "cabelos longos", "cabeludo".
 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Santa Inês de Poitiers, Abadessa - 13 de maio

    

     Inês foi educada “ab ineunte aetate loco filiae” pela Rainha da França, Santa Radegunda. Depois de ter-se retirado da corte, Santa Radegunda fundou o mosteiro de Santa Cruz de Poitiers, a mais antiga abadia feminina, e como não desejasse para si o encargo de abadessa, pediu que Inês assumisse aquela função. Atendendo ao pedido de sua benfeitora, Inês tornou-se a 1ª abadessa de Santa Cruz de Poitiers, com a bênção abacial dada por São Germano, Bispo de Paris, na presença de outros bispos.
      Depois de alguns anos, devido a disputas entre o mosteiro e o bispo da cidade, Meroveu, por questões de jurisdição, a Santa resolveu oportuno se retirar temporariamente para Arles, juntamente com Radegunda. Ao retornar, ela introduziu no mosteiro a regra de São Cesário, bem como para a abadia feminina de São João de Arles.
     A prudência com que Inês exercia a difícil arte de governo, além de atrair mais de 200 religiosas ao mosteiro, fez com que após a morte de Santa Radegunda fosse possível a reconciliação com Meroveu, que teve uma alta direção do cenóbio.
     A vida destas duas Santas no interior do mosteiro foi expressa nas palavras de um poeta cujas obras chegaram até nós, Venâncio Fortunato, o último poeta latino da Gália, que foi por muitos anos capelão da Abadia da Santa Cruz. Ele nasceu na Itália c. 530 e morreu Bispo de Poitiers no início do século VII.
     Após visitar os reis e os bispos de França, ele foi apresentar seu apreço à Rainha Radegunda, viúva, madrasta dos reis, e ficou tão encantado com aquela comunidade intelectual e amável, bem como o seu refinamento, que ele permaneceu ali como capelão até o falecimento de Santa Radegunda.
     A rainha constantemente o enviava para importantes missões junto a vários personagens, e assim a comunidade ficava informada e se interessava por tudo o que acontecia em outros lugares. Ele cuidava dos negócios externos das monjas e tomava parte em suas ocupações. Elas liam e transcreviam livros, representavam peças de teatro, recebiam visitantes, tinham pequenas festas nos aniversários.
     Fortunato tornou-se apreciado por elas como fora por bispos santos e reis semicivilizados e encontrou na abadia um oásis de paz e refinamento em um deserto de bárbaros. Em seus escritos ele descreve a vida na abadia e as comidas, no que ele parece ter sido um connaisseur. Ele tomou Nosso Senhor como testemunha de que sua afeição por Inês era a de um irmão. Entre os seus poemas estão dois hinos adotados pela Igreja: Pange lingua e Vexilla Regis. Os Bollandistas preservaram a Vida de Sta. Radegunda escrita por ele, bem com outra vida daquela Santa escrita por uma das monjas.
     As Santas Radegunda e Inês tiveram muitos aborrecimentos com duas princesas desobedientes, Crodielde e Basine (ver Ludovera), que tinham sido postas sob seus cuidados. Após a morte destas duas dirigentes da Abadia de Santa Cruz, aquelas princesas se rebelaram contra Ludovera, a abadessa seguinte; uma delas exigia ofício como uma filha de rei, embora absolutamente desqualificada para a posição. Um grande escândalo se seguiu; bispos e reis tiveram que interferir e as senhoras refratárias foram removidas, para grande alívio de Ludovera e das monjas boas.
     Inês morreu em 13 de maio de 588, nove meses depois de Radegunda, e foi sepultada na Igreja de Santa Maria, fora dos muros da cidade.
     A Diocese de Poitiers celebra Santa Inês em 13 de maio. Ela é patrona dos Trinitários e contra os perigos no mar.
 
Etimologia: Inês = pura, casta, do grego.

sábado, 10 de maio de 2014

Santa Estela (Stella ou Eustelle), Mártir - 11 de maio

   
Quadro na Igreja de S Hilaire de Villefranche em Saintonge
     Eustelle é um nome de origem grega e significa "bem adornada (de virtudes)" (do grego "eu" = belo, bem e "stello"= adornar, ornar, enfeitar); este nome era muito popular na região de Charentes, mas o poeta Frederico Mistral tomou a santa como patrona de seu movimento literário e latinizou seu nome para Estelle, que significa "estrela".
     Esta Santa de origem francesa, chamada na França Estelle ou Eustelle, é venerada em Saintes (região histórica da França ocidental ao norte da Gironda, hoje compreendida no departamento de Charente-Maritime). Eustelle, ou Estela em português, foi por muito tempo a patrona das jovens cristãs.
     Esta Santa somente vai aparecer na literatura cristã na Idade Média, em particular no Guia do peregrino de Santiago de Compostela, no trecho que fala sobre a vida de Santo Eutrópio de Saintes. Na vida do mártir Santo Eutrópio, escrita em 1612 por um jesuíta anônimo, ela é apresentada como uma mártir.
     Estela era filha de um funcionário do pretor das Gálias no século III; foi convertida ao Cristianismo por Santo Eutrópio (festejado a 30 de abril), Bispo de Saintes, e quando o santo bispo sofreu o martírio mediante decapitação, Estela recolheu o seu corpo e o sepultou. Era uma obra piedosa que muitos cristãos praticavam para com seus mártires mesmo com o risco de serem aprisionados e mortos.
     Como a hagiografia áurea dos santos mártires narra de várias jovens e rapazes mártires dos primeiros séculos, também para Estela foi o pai, pagão, quem a fez morrer pouco tempo depois, ao que parece ela também decapitada. No local do seu martírio surgiu uma nascente d’água.
     Eis um extrato da obra de 1612: "Para aqueles que amam a virtude, não deixa de ser uma grande perda não ter as memórias das ações particulares de Santa Estela. Nós aí reconheceríamos sem dúvida o modelo de uma perfeita santidade, mesmo sem saber quanto tempo ela viveu e de que forma ela morreu. O antigo Breviário de Saintes dá a ela o título de Virgem e Mártir e coloca sua festa no dia 24 de maio; entretanto ele não diz nada além de sua morte, que se deu devido ao desprezo aos prazeres e às glórias do mundo; ela sofreu uma morte muito gloriosa e foi sepultada junto ao túmulo de Santo Eutrópio. Pode ser que seu pai, vendo que nem seus rogos nem suas ameaças podiam afastar a filha da Religião Cristã, e diante da promessa que ela havia feito a Deus de guardar inteira e sem desonra a flor de sua virgindade, ele ficou tão irritado, que se esquecendo de toda afeição natural, ensopou suas mãos no sangue inocente de sua santa filha, como fez Dióscoro, pai de Santa Bárbara, que cortou a cabeça de sua filha porque esta não quis seguir sua impiedade e renunciar a Jesus Cristo".
     Em 1655, ela foi declarada mártir nos documentos do priorado de Santo Eutrópio. Isto foi autenticado por Mons. Tomas, Bispo de Saintes, somente no século XIX.
     A sua festa se celebra em 11 de maio.
     Estela significa "luminosa como um astro" e, além da França, este nome é muito usado em toda Itália, especialmente na Sicília. Também são usadas as suas variantes femininas Estelita, Maristela, Estela Maria. Este nome afetivo em uso desde a Idade Media reflete sobretudo a devoção a Maria Santíssima, invocada como Maris Stella (Estela do Mar). No latim litúrgico há um belíssimo canto "Ave maris stella", onde Nossa Senhora, guia e fonte de salvação, é comparada à Estrela Polar, guia e referência para os navegantes.
 
Fonte: ww.santiebeati.it e Les Jeunes Saintes, par l'Abbé J. Knell, 1896

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Beata Maria Catarina de Santo Agostinho, Virgem - 8 de maio

    
     Descendente de duas famílias nobres de Cotentin (França), Maria Catarina de Santo Agostinho, no século Catherine Simon de Longpré, nasceu e foi batizada a 3 de maio de 1632, em Saint-Sauveur-le-Vicomte, no atual departamento da Mancha, na França. Seu pai Jacques Simon de Longpré, era advogado e sua mãe, Francisca Jourdan de Launay, era filha de um lugar-tenente civil e penal.
     A educação da menina foi confiada a seus avós maternos. Os Jourdan tinham em sua casa uma espécie de hospital onde recebiam e tratavam os pobres e os doentes. Catarina ali recebeu uma grande influência da parte de São João Eudes (1601-1680) e outros religiosos que frequentavam aquela Instituição.
    Em 1642, num escrito assinado com o próprio sangue, ela consagrou-se à Santíssima Virgem. No ano seguinte fez três votos: tomar a Santíssima Virgem como mãe, não cometer nenhum pecado mortal e viver uma castidade perpétua.
     Seduzida pela vida religiosa, aos 12 anos Catarina entrou como postulante para o Hôtel-Dieu de Bayeux em 7 de outubro de 1644. Começou a aprender a profissão de enfermeira neste hospital, onde as religiosas Agostinianas Hospitalares da Misericórdia de Jesus davam assistência aos doentes.
     Entrou no noviciado dessa Congregação e desde então ela concebeu o desejo de ir para o Canadá, onde as freiras Agostinianas Hospitalares da Misericórdia de Jesus tinham, em 1539, fundado o Hôtel-Dieu de Quebec. Quando estas pediram novas recrutas, Catarina ofereceu-se imediatamente. Ela ainda não havia completado dezesseis anos de idade.
     Tentaram dissuadi-la e seu pai opôs-se ao seu desejo. Ela fez o voto “de viver e morrer no Canadá, se Deus lhe abrisse a porta deste país”. Todos foram forçados a ceder às suas razões e Catarina fez profissão religiosa a 4 de maio de 1648, em previsão do seu embarque, em 27 de maio. No dia 19 de agosto de 1648 ela chegou a Québec.
     Madre Catarina de Santo Agostinho ia ser uma grande ajuda para o mosteiro e o hospital de Quebec. Ela progredira tanto na prática de todas as virtudes e na profissão de enfermeira, que aos 22 anos foi nomeada administradora da comunidade e do hospital. Assumiu depois a direção do hospital e foi escolhida para Conselheira da Superiora e Mestra de Noviças. Durante seu primeiro triênio como depositária, ela dirigiu a construção do novo Hôtel-Dieu.
     Procurou aprender a língua dos indígenas a fim de poder ensinar-lhes o catecismo e encaminhá-los para Deus. O seu zelo e caridade não tinham limites. Humilde, simples e alegre, palmilhou rapidamente o caminho da santidade.
     No entanto, esta jovem freira tão ativa esteve quase sempre doente. Ela esteve mais de oito anos com febre sem nunca acamar, sem reclamar, sem desistir à obediência, sem perder os exercícios da Comunidade. Não só não se queixava, mas ela estava sempre de semblante agradável e a sua ternura contínua causava a admiração de todos.
     A discrição de Catarina iludiu até mesmo suas irmãs sobre as suas disposições interiores. Considerou-se que, enquanto viva, ela se comportava simplesmente como uma boa religiosa, porque, com exceção do seu diretor e do seu bispo, ninguém sabia o que nela se passava. As riquezas da sua vida interior e as maravilhas místicas que o Espírito Santo operava na sua alma foram reveladas apenas depois de sua morte.
     Conta-se sobre ela “coisas extraordinárias”: visões, revelações, constantes lutas contra os demônios. Ela teve a consolação de ver espiritualmente o Padre Jean de Brébeuf (1593-1649), jesuíta mártir no Canadá em 1649, proclamado Beato em 1925 e canonizado em 1930, juntamente com outros sete jesuítas, mártires entre 1622 e 1649. O santo jesuíta, que fora assassinado pelos iroqueses, apareceu para ela dizendo: “Era para ele um sofrimento ver que um país pelo qual ele tinha tanto trabalhado e onde havia derramado seu sangue, fosse agora terra de abominação e de impiedade” e prosseguiu: “Irmã de Santo Agostinho! Tendes piedade de nós? Ajudai-nos, eu vos peço!” Madre Catarina respondeu abandonando-se “à divina justiça, como uma vítima pública pelos pecados dos outros”.
     No mês de fevereiro de 1663, teve ainda visões do Padre Jean de Brébeuf que a fez compreender que Deus queria servir-se dela para proteger o país e todos que recorressem a ela receberiam uma ajuda segura.
     O Beato Francisco de Laval, seu bispo, e a Beata Maria da Encarnação fizeram mais caso, no entanto, das suas virtudes sólidas do que dos “milagres e maravilhas”. Maria da Encarnação, quanto a ela, sentiu que “as graças que Deus lhe concedeu estavam baseadas nas três virtudes, humildade, caridade e paciência”.
     Estas três virtudes, Catarina praticou-as a um verdadeiro grau heróico. Nunca, na verdade, ela sofreu tanto, especialmente por parte dos demônios, que não lhe deixavam qualquer descanso, torturando-a moralmente e batendo-lhe mesmo. Contudo, nunca saciada de sofrimentos, a humilde hospitaleira queria imolar-se sempre cada vez mais para a salvação das almas e o bem espiritual de seu país de adoção. Finalmente, consumida pela tísica, ela morreu em 8 de maio de 1668, com a idade de trinta e seis anos.
     O Beato Francisco de Laval, para o qual Catarina de Santo Agostinho era “a alma mais santa que conhecera”, tinha “uma confiança muito especial” no seu poder, “porque, se ela nos socorreu tão poderosamente durante o tempo em que viveu entre nós, escreve ele, que não fará ela agora conhecendo com mais luminosidade as necessidades, seja do Pastor ou seja do rebanho?
     Madre Maria Catarina foi beatificada em Roma no dia 23 de abril de 1989 e sua festa litúrgica é celebrada a 8 de maio.
 
Fontes: http://alexandrina.balasar.free.fr; Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J. 3ª. Ed.; www.santiebeati.it

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Beata Maria Catarina Troiani - 6 de maio



Fundadora das Irmãs Franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria.

     Quando Constança Troiani, que ficara órfã de mãe aos seis anos e meio, transpôs os umbrais de um mosteiro e foi entregue aos cuidados e à educação das religiosas enclausuradas que o dirigiam, ninguém podia imaginar que aquela menina estava destinada por Deus a fundar o primeiro instituto missionário italiano.
     A menina era originária de Giuliano de Roma, onde nasceu e foi batizada no dia 19 de janeiro de 1813, com o nome de Constância Dominica Antônia. Seu pai, Tomás Troiani, fazia parte do conselho municipal e era organista da paróquia; sua mãe era Teresa Panici-Cantoni.
     Embora a sua família fosse remediada, o falecimento da mãe em 1819 provocou a desagregação familiar e levou ao internamento de Constança no mosteiro de Santa Clara, a fim de aí receber educação e instrução.
     A dor provocada pela morte da mãe e pela separação dos seus não tardou a ser superada, e a menina começou a voltar-se cada vez mais para Deus amabilíssimo que a enchia do seu amor. Não admira, por isso, que aos 16 anos tenha decidido abraçar a vida religiosa como irmã no mosteiro onde já passara 10 anos.
     A 8 de dezembro de 1829 tomou o hábito de Santa Clara com o nome de Irmã Maria Catarina de Santa Rosa de Viterbo, e no ano seguinte emitiu os votos de consagração. A jovem irmã, que já iniciara o caminho para a perfeição religiosa em amoroso serviço, sentiu aos 22 anos um chamamento claro para a vida missionária. No entanto, só aos 46 anos pôde finalmente concretizá-lo.
     Isto aconteceu quando aceitou o convite do Vigário Apostólico do Egito, o franciscano Perpétuo Guasco. Um pequeno grupo de seis irmãs, cuja alma era Irmã Maria Catarina, partiu a 25 de agosto de 1859 para o Cairo, aonde chegaram no dia 14 de setembro daquele ano, dando início à nova obra de Deus na terra dos Faraós.
     Clot-Bey foi como um farol a irradiar a luz do Evangelho sobre o pobre bairro árabe onde estava instalado. Logo atraiu vocações inesperadas vindas de toda a parte. Contando com novo pessoal, Madre Maria Catarina pode abrir no Cairo mais duas casas e fundar outras em diversas localidades.
     Em 5 de julho de 1868, o novo Instituto e família religiosa da Terceira Ordem Regular de São Francisco foi juridicamente aprovado por decreto pontifício. Madre Troiani passou assim de clarissa para terceira da ordem franciscana, sem nunca deixar de se sentir fiel e autêntica filha e discípula de São Francisco e de Santa Clara. Fundada a Congregação, o zelo de Madre Maria Catarina ultrapassou os limites do Cairo. Abriu sete casas no Egito, Palestina, Malta e Itália. Neste último país, abriu uma casa em Roma e outras cidades.
     Madre Catarina não se limitou a apontar o que devia ser feito em favor dos necessitados. Como o Bom Samaritano ela se pôs ao lado de cada irmão que sofria no corpo e na alma, estendendo amorosamente sua mão e sacrificando-se por eles. Nem mesmo o perigo da doença e da morte por contágio detinha o ardor de sua caridade: por duas vezes foi contagiada pelo mal da cólera. Ela e as coirmãs sempre se preocuparam em dar assistência aos atingidos pelo mal, sendo que algumas pagaram com a vida esse serviço de dedicação e caridade.
     Quando sobreveio a guerra de 1882, sua fé luminosa, a fortaleza indômita, a caridade ardente emergiram. Segundo o princípio que lhe era tão caro: “Desconfiança de si mesmo, confiança em Deus”, ela continuou a comportar-se com uma inabalável confiança na Providência.
     A sua piedade, forjada num ambiente semi-claustral, assumiu aspectos pioneiros com especial devoção ao Sagrado Coração e às festas marianas, a São José, aos Anjos da Guarda e São Francisco Estigmatizado.
     Adormeceu no Senhor aos 74 anos de idade no dia 6 de maio de 1887 na primeira casa fundada no Egito, que fora o palco da sua ilimitada caridade e do fecundo trabalho apostólico, e foi chorada por cristãos e muçulmanos.
     Madre Maria Catarina Troiani foi beatificada em 14 de abril de 1985, e a sua celebração litúrgica é no dia 6 de maio.
 
Fonte: Ferrini-Ramírez, Santos franciscanos para cada día. Asís, Ed.Porziuncola, 2000, pp.411-412