quinta-feira, 19 de junho de 2014

Santa Elia de Ohren, Abadessa - 20 de junho

     Santa Elia (ou Eliada) foi uma magnífica religiosa que a vida toda se enamorou da Regra de São Bento, com ela chegando ao cume da santidade. O cumprimento da Regra constituía para a Ordem Beneditina o fator principal para estender-se por todo mundo.
     Elia se preocupou durante todo o tempo em que foi abadessa da Abadia de Ohren, na qual havia doze irmãs, em tratar com santidade, elegância e finura a todas e a cada uma em particular, com a caridade que emanava de seu grande coração. Elia tinha consciência de que era como uma mãe para suas filhas na comunidade. Também era grande seu amor à Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
     O titulo de abadessa é usado nos Beneditinos, nas Clarissas e em certos colégios de canonisas. Elia tinha o direito de usar o anel e a cruz como símbolos de seu cargo. Foi a quinta abadessa da Abadia de Ohren, próximo de Trier (Renânia-Palatinado), Alemanha, e faleceu por volta do ano 750.
     Há livros de oração que fazem menção específica a ela. Podemos enumerar entre outros o breviário do Arcebispo Balduíno, os calendários de Santo Irmino, de São Máximo no esplendoroso século XIV. Também a celebra o Greven nas Atas do Martirológio de Usuardo. Nos martirológios beneditinos, desde Wion, sua festa fixou-se definitivamente em 20 de junho.
     Embora de tão longínquas épocas, esta santa abadessa não perde atualidade, porque a relíquia de seu braço está hoje no mosteiro franciscano de Ohren.
 
Etimologia: Elia = do grego, “resplandecente como o sol”.

Corpus Christi, a festa para honrar e adorar o Santíssimo Sacramento

     "Eu Te adoro com efeito, Deus oculto, que Te escondes nestas aparências. A Ti sujeita-se o meu coração por inteiro e desfalece ao Te contemplar".
     "A vista, o tato e o gosto não Te alcançam, mas só com o ouvir-Te firmemente creio. Creio em tudo o que disse o Filho de Deus, nada mais verdadeiro do que esta Palavra de Verdade".
                                                                                          Adoro te devote, de Santo Tomás de Aquino
 
Orvieto, a "Cidade do Corpus Christi"
     Na belíssima Catedral se encontra o famoso Corporal que protagonizou o “Milagre de Bolsena”, em que a Santa Hóstia verteu sangue (ano de 1263), durante a Consagração na Missa rezada pelo Padre Peter de Praga, que passava por uma crise de fé na Presença Real.
     O Papa Urbano IV mandou trazer à sua presença aquele corporal e ordenou uma apuração meticulosa, que resultou na comprovação inequívoca do milagre.
     Com a bula Transiturus de hoc mundo, de 11 de agosto de 1264, Urbano IV estendeu a todo o Orbe católico a Festa de Corpus Christi, a ser celebrada publicamente de modo solene pelas ruas e praças. A data da comemoração foi fixada para a quinta-feira após o dia da Santíssima Trindade.
     A partir desta determinação de Urbano IV, uma soleníssima procissão se realiza todos os anos pelas encantadoras ruas de Orvieto. O Corporal milagroso é solenemente transportado naquela procissão.
 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Santa Julita e São Ciro, mártires - 16 de junho


     Julita vivia na cidade de Icônio, na Licaônia, atualmente Turquia. Ela era uma senhora riquíssima, da alta aristocracia e cristã, que enviuvara logo após ter dado à luz um menino. Ele foi batizado com o nome de Ciro, mas também atendia pelo diminutivo Ciríaco ou Quiríaco. Tinha três anos de idade quando o sanguinário imperador Diocleciano começou a perseguir, prender e matar cristãos. As pessoas ao olharem para seu semblante angélico pensavam que ele era um desses celestes espíritos bem-aventurados e não uma criança deste mundo.
     Julita, levando o filhinho e algumas servidoras, fugiu para a Selêucia e, em seguida, para Tarso, mas ali acabou presa. O governador local, um cruel romano chamado Alexandre, perguntou quem era ela e de onde vinha. Ela somente respondeu: "Sou cristã!"
     Irritado, o governador tirou-lhe o filho dos braços e passou a usá-lo como um elemento a mais para sua tortura. Colocou-o sentado sobre seus joelhos, enquanto submetia Julita ao flagelo na frente do menino, para fazê-la renegar a fé em Cristo. O menino entretanto não se aquietava e estendia os braços em direção da mãe, querendo unir-se a ela.
     Como Julita continuasse firme na sua fé, os castigos aumentaram. Enquanto era flagelada ela apenas dizia: "Eu sou cristã!" Foi então que o pequeno Ciro começou a gritar: "Também sou cristão!" Foi tamanha a ira do governador, que ele pegou o menino pelo pé e, do alto do local onde ele se sentava, atirou-o com violência no chão. Ciro bateu a cabeça no canto do degrau que levava ao tribunal e ela se quebrou. No mesmo momento sua alma subiu ao Céu.
    Conta-se que Julita ficou imóvel, não reclamou, nem chorou, apenas rezou para que pudesse seguir seu filho no martírio e encontrá-lo o mais rápido possível ao lado de Deus.
     O juiz, vendo que nem ameaças nem castigos podiam abalar a coragem da heroica mulher, mandou que ela fosse decapitada e seu corpo, bem como o de seu filho, fossem lançados no local onde os corpos dos criminosos eram jogados.
     No local da execução Julita ajoelhou-se e rezou. Ao final, o carrasco ergueu a espada e golpeou-a. Era o ano 304.
     Os corpos foram recolhidos por uma de suas fiéis servidoras e sepultados num túmulo que foi mantido oculto até que as perseguições cessassem. Quando isso aconteceu, poucos anos depois, o Bispo de Icônio, Teodoro, resolveu, com a ajuda de testemunhas da época e documentos legítimos, reconstruir fielmente a dramática história de Julita e Ciro. E foi assim, pleno de autenticidade, que este culto chegou até nossos dias.
     Ciro tornou-se o mais jovem mártir do cristianismo, precedido apenas dos santos mártires inocentes, exterminados pelo rei Herodes em Belém. Por isso é considerado o santo padroeiro das crianças que sofrem de maus-tratos. A festa de Santa Julita e de São Ciro é celebrada pela Igreja no dia 16 de junho em todo o mundo católico. 
 
Etimologia: Julita, do latim Julitta, que parece ligar-se a Julius (o luzente, o brilhante), mas é provável que tenha sofrido influxo etrusco, denunciado pelo sufixo feminino ta.
 
Fontes:
Rev. D. Chisholm, The Catechism in Examples (London: R & T Washbourne, Ltd., 1919), 277-80.

sábado, 14 de junho de 2014

Beata Iolanda da Polônia, Duquesa e Abadessa - 15 de junho


     Iolanda, ou Helena, como foi chamada depois pelos súditos poloneses, nasceu no ano de 1235, na cidade de Esztergom, filha de Bela IV, rei da Hungria, que era terciário franciscano, e de sua esposa Maria Laskarina. As suas duas irmãs, mais famosas, foram Santa Margarida da Hungria, canonizada em 1943 por Pio XII; e Santa Kinga (Cunegundes) canonizada por João Paulo II em 1999. Santa Isabel da Hungria, terciária franciscana, era sua tia. Nas raízes da santidade de sua família estava Santa Edviges e os santos soberanos húngaros, Santos Estevão e Ladislau.
     Iolanda foi educada desde muito pequena pela irmã, Cunegundes, que se casara com um dos reis mais virtuosos da Polônia, Boleslau o Casto. Por tradição familiar e social da época, Iolanda deveria também se casar com alguém da terra e, em 1256, foi entregue como esposa a outro Boleslau, o Duque de Kalisz, conhecido como "o Pio". O casamento foi celebrado em Cracóvia. Foi uma época de muita alegria para o povo polonês que viu nas duas estrangeiras pessoas profundamente bondosas, cristãs, justas e caridosas.
     Iolanda também se tornou terceira franciscana e uniu aos deveres de esposa e mãe o exercício da caridade, concretizando-o na assistência aos pobres e aos doentes. O reino verdadeiramente exemplar de Boleslau o Casto, de sua esposa Santa Kinga, e dos cunhados Beata Iolanda e Boleslau o Pio, porém não teve longa duração, pois alguns anos depois o quarteto foi desmanchado pela fatalidade.
     Primeiro morreu o rei, ficando Cunegundes viúva. Em 1279 o esposo de Iolanda faleceu; ela então dividiu os seus bens entre a Igreja e seus parentes, dando parte a sua irmã viúva, Santa Kinga. Ela já tinha então três filhas, das quais duas se casaram e uma terceira retirou-se para o convento das Clarissas de Sandeck, onde já se encontrava Cunegundes (Kinga). As duas logo seriam seguidas por Iolanda.
     Muitos anos se passaram e as três damas cristãs continuavam naquele lugar, fazendo do silêncio do claustro o terreno para um fecundo período de meditação e oração. Quando morreu Cunegundes, em 1292, Iolanda deixou aquele mosteiro e foi mais para o Ocidente, para o convento das Clarissas de Gniezno, fundado por seu marido. Ali terminou seus dias como superiora, no dia 14 de junho de 1298. Foi enterrada na capela do claustro.
     Amada pela população, seu culto ganhou força entre os fiéis do Leste europeu e difundiu-se por todo o mundo católico ao longo dos tempos. Seu túmulo tornou-se meta de romeiros pelos milagres e graças atribuídos à sua intercessão.
     Em 1631 foi iniciado o processo para sua beatificação; em 22 de setembro de 1827 Leão XII autorizou o seu culto e permitiu à Ordem dos Frades Menores Conventuais e às Clarissas celebrarem o Ofício e a Missa no dia 15 de junho. Leão XIII estendeu sua festa a todas as outras dioceses da Polônia.
     As filhas de Iolanda e Boleslau, que permaneceram no mundo, são: Edviges de Kalisz (1266-1339), esposa do Rei Vladislau I da Polônia; Isabel de Kalisz (1263-1304), esposa do Duque Henrique V de Legnica.
 
Etimologia: o seu nome, de origem grega, significa Violeta.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Santa Adelaide de Schaerbeek, Virgem cisterciense - 12 de junho


     Esta Santa, também conhecida como Alice ou Aleide, nasceu em Schaerbeek, perto de Bruxelas, no Brabante, moderna Bélgica, na primeira metade do século XIII.
     Desde a infância, esta criança graciosa se fez notar pelo espírito penetrante, memória feliz e um grande amor a Deus. Aos sete anos foi recebida na abadia cisterciense de Cambre para ser educada e instruída, como era costume na época, e aplicou-se, sobretudo, no princípio, à humildade; mostrava-se simples, afável, prudente e corajosa. Com a idade de 9 anos começou a fazer milagres.
     Com o passar dos anos, vestiu o hábito monástico, sua virtude cresceu e Adelaide teve uma visão divina em que lhe foi dada por Deus uma cruz de ouro, em sinal de acerbíssimos sofrimentos que ela deveria sofrer.
     O Senhor a submeteu a uma prova terrível: Adelaide contraiu a lepra logo após a profissão, doença que a consumiu durante muitos anos, reduzindo-a a um corpo purulento; foi separada da comunidade e instalada numa cabanazinha que sobreviveu à destruição da abadia pelos calvinistas. Ali ela era consolada da grande solidão por Nosso Senhor mesmo, cujo Coração lhe era um refúgio.
     Enquanto seu corpo se decompunha progressivamente, ela se tornava o paradoxo de um corpo humano mais e mais feio que abrigava a joia de uma alma mais e mais sublime. Várias graças excepcionais lhe foram concedidas e as suas orações obtiveram que outras almas fossem libertadas dos pecados ou das tentações, e mesmo do Purgatório.
     A doença tirou-lhe, no fim, o uso da vista; fez o sacrifício do olho direito pela vitória do rei dos Romanos, Frederico II, que cercava nessa altura (1247) Aix-la-Chapelle; e o olho esquerdo por intenção de São Luís, que tinha partido para a 6ª Cruzada (1249).
     A 11 de junho daquele mesmo ano, sentiu-se tão fraca que recebeu a Extrema Unção, mas Nosso Senhor avisou-a que viveria ainda por um ano. A partir de 13 de março, passou por sofrimentos que ela comparava aos do Inferno ou do Purgatório, embora não deixasse de sentir-se muito perto de Jesus. Recebeu de novo o Sacramento dos doentes e entregou o espírito no dia seguinte, 11 de junho de 1250, ao nascer do sol. Uma pessoa que não lhe assistira à morte, viu-a entrar no Céu sem passar pelo Purgatório e ser lá recebida pelos querubins e serafins.
     Com o decreto de 1º de julho de 1702, Clemente XI concedeu aos monges da Congregação de São Bernardo a faculdade de celebrar a festa de Adelaide, cujo culto foi estendido a toda a Ordem Cisterciense em 1870. São Pio X autorizou o seu culto com o título de Santa em 24 de abril de 1907.
     A festa de Santa Adelaide (Aleide, Alice) cai no dia 11 de junho, mas na Ordem Cisterciense e na Diocese de Malines ela é celebrada no dia 15 de junho; no Menológio Cisterciense o nome de Adelaide é recordado em 12 de junho.
 
Etimologia: Adelaide, do alemão Adelheid “semblante, porte, garbo (heid) distinto, fidalgo (adel)”. Ou de “linhagem nobre”. Alice, segundo alguns, abreviação de Aleke (Adelaide).

terça-feira, 10 de junho de 2014

Beata Maria do Sagrado Coração de Jesus, Fundadora - 11 de junho

    
     A Beata Maria Schininà Arezzo era de família nobre. Foi a 5ª de seis filhos dos Barões de S. Felipe e do Monte. Nasceu em Ragusa, Itália, a 10 de abril de 1844. Teve por preceptor na casa paterna um padre de grande virtude.

     Em criança comungava duas vezes por mês e na adolescência de oito em oito dias. Apesar de tão bons princípios, a jovem deixou-se arrastar pelas vaidades do mundo. Mas não largou as práticas de piedade nem interrompeu os atos de caridade. Conduziu vida senhoril até que aos 22 anos perdeu o pai e isto a afligiu vivamente, mas nem por isso se apartou das vaidades mundanas; casados todos os irmãos, permaneceu só com sua mãe.
     Aos 30 anos, inexplicavelmente, passou a assistir a Santa Missa diariamente, comungar com frequência, visitar e socorrer os pobres e doentes, e ir à igreja para fazer companhia a Jesus Sacramentado. Vestia-se com modéstia e ensinava o catecismo às crianças. Foi chamada pelo carmelita Salvatore La Perla a dirigir as Filhas de Maria dedicadas ao socorro dos pobres.
     Tornou-se apóstola fervorosa da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora do Rosário. Mandou fazer uma coroa para a Virgem desfazendo-se de todas as suas joias para aquele efeito. Começou a sentir atração pela vida consagrada no mosteiro de clausura de Malta, mas o pároco aconselhou-a a ficar com a mãe já idosa e a cuidar dela.
     Em 1884, ao morrer a mãe, desejou se retirar para o mosteiro, mas desta vez foi o Arcebispo de Siracusa que a persuadiu a fundar um Instituto religioso que se dedicasse a obras de caridade.
     A partir do ano seguinte conseguiu juntar algumas companheiras que se empenharam com ela na instrução e educação da juventude, na proteção aos órfãos e na assistência aos idosos e doentes. Em 9 de maio de 1889 o próprio Arcebispo presidiu a Santa Missa em que a Beata e cinco companheiras fizeram os votos de pobreza, castidade e obediência, tomando o nome de Irmãs do Sagrado Coração de Jesus.
     O Papa Leão XIII a recebeu em audiência em 1890. Em 1892 ela iniciou a construção da primeira casa do Instituto, que se tornaria a Casa-mãe.
     Foi chamada para organizar em Ragusa a Associação das Damas de Caridade; hospedou em seu Instituto, de 1906 a 1908, as primeiras monjas carmelitas da cidade; de 1908 a 1909, deu asilo aos afetados pelo desastroso terremoto que destruiu Messina e Reggio Calabria.
     O começo do Instituto foi difícil; a hábil fundadora superou todos os vexames e adversidades. Para socorrer a todos os necessitados não se envergonhava de pedir esmolas de porta em porta, o que para ela, que tinha sido rica, significava um ato de humildade fora do comum.
     Interessou-se não apenas pelos necessitados de bens materiais, mas sobretudo pelos que precisavam de auxílio espiritual como eram os que se achavam em perigo de perder a fé. Sua caridade não tinha limites, estendeu-se também aos presos, aos quais pregava cursos de exercícios espirituais por ocasião da Páscoa. Todos os anos ela se empenhava para que os operários recebessem os sacramentos da confissão e da comunhão; as pecadoras públicas se mostravam sensíveis às suas iniciativas de caridade.
     Madre Maria do Sagrado Coração de Jesus mortificava o próprio corpo e a mente; sofria de dores de cabeça constantes, mas não se permitia um só lamento, considerando-se feliz por participar da coroação de espinhos de Jesus. A sua vida era toda feita de oração e de fé, a ponto de imprimir em seu próprio peito o nome de “Jesus” com ferro quente.
     Levar o “Coração de Deus às pessoas, e as pessoas ao Coração de Deus”, assim viveu a Beata até o seu falecimento em 11 de junho de 1910. As suas virtudes heroicas foram oficialmente reconhecidas em 13 de maio de 1989 e em 4 de novembro de 1990 foi beatificada. O palácio onde nasceu é hoje a sede do Episcopado de Ragusa.
     Desde 1950 o Instituto se abriu às missões no mundo, enviando as primeiras irmãs italianas aos Estados Unidos e Canadá. Desde então, as religiosas estão presentes em Madagascar (1961), Filipinas (1988), Polônia (1991), Nigéria (1995), Romênia (1997), Índia (2004).
 
Fonte: www.santiebeati.it; Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.

sábado, 7 de junho de 2014

Beata Madalena da Conceição, Virgem mercedária - 8 de junho


     A Beata Madalena da Conceição, cognominada de ‘a Menor’, era monja do Mosteiro Mercedário da Assunção de Sevilha, no sudoeste da Espanha.
     A vida toda manifestou grande caridade e devoção pelas almas do Purgatório com uma admirável constância na oração.
     Na hora da sua morte foi alegrada pela visita de Nossa Senhora e, com tantos méritos, atingiu a felicidade eterna.
     A Ordem a festeja no dia 8 de junho.
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     A Ordem da Mercê foi fundada, por assim dizer, em pleno campo de batalha contra os mouros, e contou mais cavaleiros do que clérigos em sua origem.
     Estando os cristãos escravizados pelos mouros na Espanha, parece que Deus compadeceu-se daqueles infelizes, expostos a perder a fé e a inocência e sujeitos a toda espécie de maus tratos.
     Em 1218, São Pedro Nolasco, São Raimundo de Peñaforte e Jaime I, rei de Aragão, verificaram que cada um tinha tido a mesma visão: Nossa Senhora apareceu a um rei, a um pensador, como era São Raimundo de Peñaforte, e a um guerreiro como São Pedro Nolasco, e aos três recomendou a mesma coisa, que fundassem uma ordem para libertar os cativos. A Ordem, portanto, nasceu de um sorriso de Nossa Senhora.
     Eles fundaram a Ordem a que dão o nome de Ordem Real, Militar e Religiosa de Nossa Senhora da Mercê para a redenção dos cativos. Seus clérigos se entregavam mais especialmente ao ofício do coro nos conventos; os cavaleiros vigiavam as costas e se desempenhavam da missão perigosa do resgate dos prisioneiros cristãos.
     Mas havia grupos de senhoras que sustentavam com orações e ofertas as suas obras e as custosas expedições à África. Em 25 de março de 1265, liderados por Santa Maria de Cervellò, os grupos femininos se transformaram canonicamente em Ordem Terceira Mercedária, com estatuto, hábito religioso e uma priora.
     São Pedro Nolasco, foi o primeiro comendador geral ou Grão Mestre da Ordem; por ocasião do encontro de seus preciosos restos, ele estava na sepultura armado de couraça e de espada. 
     A Igreja instituiu a festa de Nossa Senhora das Mercês por causa desta Ordem religiosa fundada a conselho de Nossa Senhora para resgate dos cativos.