quinta-feira, 17 de julho de 2014

Santa Edviges da Polônia, Rainha - 17 de julho

    

 

     Edviges d'Anjou foi rainha da Polônia a partir de 1384 e grã-duquesa da Lituânia a partir de 1386. Filha de Luís I, rei da Hungria e da Polônia e de Isabel Kotromanic da Bósnia, sucedeu seu pai em 1382 na Polônia, enquanto sua irmã Maria herdou o trono da Hungria.
     Embora seja chamada de "rainha", Edviges foi de fato coroada como "Rei da Polônia" (Hedvigis Rex Poloniæ e não Hedvigis Regina Poloniæ). O gênero masculino do seu título significava que ela era monarca de pleno direito, enquanto que o título de rainha era atribuído às esposas dos reis. Edviges pertencia à Casa Real dos Piast, antiga dinastia nativa da Polônia, sendo bisneta de Ladislau I, que reunificou o reino polonês, em 1320.
     Como rainha, Edviges teve efetivamente poderes limitados, mas foi muito ativa na gestão política do reino e na vida diplomática e cultural de seu país.
     No final do primeiro milênio, os apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo tinham ido à terra dos Piast. Naquela época Mieszko I recebeu o Batismo, e isto constituiu ao mesmo tempo o Batismo da Polônia. Séculos depois, os poloneses batizados contribuíram para a evangelização e o Batismo dos seus vizinhos, graças à obra de Edviges.
     Após consultas ao Arcebispo de Bodzanta, ao Bispo de Cracóvia Jan Radlica, a outros nobres do reino polonês, e muita oração diante do Crucifixo de Wawel, ficou estabelecido seu casamento com Jogaila, Grão-Duque da Lituânia, o qual havia prometido receber o Batismo – bem como toda sua Nação, último país pagão na Europa – e unir a Lituânia à Polônia. As bodas se realizaram a 18 de fevereiro de 1386. Convertido ao Catolicismo, o grão-duque foi batizado recebendo o nome de Ladislau II.
     Consciente da missão de levar o Evangelho aos irmãos lituanos, Edviges fê-lo juntamente com o seu esposo. Um novo país cristão, renascido das águas do Batismo, surgiu no Báltico, como no século X a mesma água fizera renascer os filhos da Nação polonesa. Uma vez aberta a estrada para a cristianização da Lituânia, Edviges, coerente no agir, procurou assegurar ao povo recém-batizado uma formação religiosa fundando em Praga um Colégio para os futuros sacerdotes daquela Nação.
     Edviges fora educada na leitura religiosa clássica desde tenra infância. Lia a Sagrada Escritura, o Saltério, as Homilias dos Padres da Igreja, as meditações e orações de São Bernardo, os Sermões e a Vida dos Santos, etc. Algumas destas obras foram traduzidas para a língua polonesa para ela e para seus súditos. A Rainha ordenou a execução de um saltério em três versões linguísticas, chamado Saltério Floriano, o qual se encontra hoje na Biblioteca Nacional de Varsóvia.
     Ela doou as próprias joias para financiar a recuperação da Academia de Cracóvia que, no século XIX, passou a se chamar Universidade Jagelônica, em homenagem à Dinastia Jagelônica, sucessora dos Piast. Nesta Universidade educaram-se e ensinaram pessoas que tornaram o nome da Polônia, e daquela cidade, famosos no mundo inteiro. A fama desta Universidade foi durante séculos um motivo de orgulho para a Igreja de Cracóvia. Dela saíram estudiosos da qualidade de São João Kanty, que exerceram não pouca influência no desenvolvimento do pensamento teológico da Igreja universal.
     Visitando os hospitais medievais (Biecz, Sandomierz, Sącz, Stradom) podemos admirar as numerosas obras fundadas pela misericórdia da soberana.
     A Santa Rainha tinha compreendido o ensinamento de Nosso Senhor e dos Apóstolos. Muitas vezes ela se ajoelhara aos pés do Crucifixo de Wawel para aprender dEle mesmo o amor generoso. E com Ele, do Cristo de Wawel, este Crucifixo negro que os habitantes da Cracóvia visitam em peregrinação na Sexta-Feira Santa, a Rainha Edviges aprendeu a dar a vida pelos irmãos. A sua profunda sabedoria e a sua intensa atividade brotavam da contemplação, do vínculo pessoal com o Crucificado.
     Perita na arte da diplomacia, ela lançou os fundamentos da grandeza da Polônia do século XV. Incentivou a cooperação religiosa e cultural entre as nações, e enriqueceu a Polônia com um patrimônio espiritual e cultural. Graças à profundidade da sua mente Cracóvia se tornou um importante centro do pensamento na Europa, o berço da cultura polonesa e a ponte entre o Ocidente e o Oriente cristãos.
     A sua bondade e senso de justiça era fruto de uma vida de muito sofrimento. Coroada aos dez anos, em 1384, aos doze deixou seu país natal. Em 1387 perdeu sua mãe, em 1395 sua irmã. Era vítima de calúnias difundidas no mundo europeu que tentavam criar animosidades entre seu esposo bem mais velho e ela; enfrentou dificuldades políticas e humanas, sofreu também com o fato de durante vários anos não poder dar um herdeiro ao trono.
     Para aproximar os súditos poloneses, lituanos e rutenos dos frutos espirituais da Igreja, pediu ao Papa Bonifácio IX a graça de poder celebrar o Ano Santo de 1390 no próprio país. Seu pedido foi motivado pelos grandes perigos políticos e sociais a que estariam expostos os peregrinos numa viagem à Roma. O Papa atendeu seu pedido, enviando, em 1392, o seu legado, João de Pontremoli, com a bula e as respectivas instruções.
     A Santa Rainha fundou, em 1393, o Colégio dos 16 Salmistas, para que noite e dia se louvasse a glória de Deus.
     Finalmente a Santa Rainha recebeu a graça de se tornar mãe, mas gozou por pouco tempo a alegria da maternidade física, porque a herdeira do trono, Isabel Bonifácia, morreu pouco depois. Quatro dias depois, em 17 de julho de 1399, Edviges falecia, em decorrência de complicações do parto, aos 25 anos e cinco meses. A Dieta da Polônia elegeu Ladislau II para sucedê-la. Este teve como sucessores os filhos havidos com sua última mulher, Sofia de Halshany.
     Apesar da veneração espontânea do povo polonês que a considerava Santa, foram necessários seiscentos anos para que o seu culto fosse reconhecido oficialmente pela canonização, o que ocorreu no dia 8 de junho de 1997, em Cracóvia, Polônia, durante a visita de João Paulo II àquela cidade.
O Crucifixo Negro e a Rainha Santa Edviges
     O Crucifixo Negro foi trazido para a Polônia por ela mesma em 1384. Santa Edviges passava horas rezando diante do crucifixo e em várias ocasiões Nosso Senhor lhe falou por meio dele. Desde 1745 o Cristo Negro, de 13 pés de altura, ocupa a parte central do altar barroco da Catedral. A Santa Sé declarou que ouvir a Santa Missa neste lugar obtém a graça de livrar uma alma do Purgatório.
     Quando a Rainha Edviges foi beatificada, em 1987, suas relíquias foram transferidas para o altar do Crucifixo Negro.
 
Etimologia: Edviges = do alemão antigo Haduwig, composto de sinônimos “luta” (hadu) e “combate” (wig). Outros: “lutadora que odeia”. Hedwig em alemão; Jadwiga em polonês; Eduvigis em espanhol; Edvige em italiano; Hedvigis em latim.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Nossa Senhora do Carmo - 16 de julho

    
 
     A palavra Carmelo, em hebraico "carmo", significa vinha, e "el" significa senhor, portanto, "Vinha do Senhor". Este nome nos leva para esta famosa montanha da Palestina, onde o profeta Elias e seu sucessor, Elizeu, fizeram história com Deus e com Nossa Senhora, que foi prefigurada por uma nuvenzinha branca que, num período de grande seca, prenunciava a chuva redentora que cairia sobre a terra ressequida (cf I Rs 18,20-45).

     Esta montanha foi o cenário de importantes acontecimentos na história do Antigo Testamento. A sensibilidade vivaz e poética dos autores bíblicos usa a imagem do Carmelo para evocar a ideia da beleza e da fecundidade. Por sua rica vegetação, pelo verde de suas árvores e arbustos, pela grande variedade da flora e da fauna, o Carmelo é considerado na Bíblia como terra de uma grande e rara formosura. Os profetas a utilizaram repetidamente nesta perspectiva.
     E a Igreja canta a formosura da Virgem Maria com essas imagens bíblicas. O título mariano da Ordem Carmelitana - Nossa Senhora do Carmo - está intimamente relacionado com a dedicação do primeiro oratório no Monte Carmelo a Nossa Senhora pelos carmelitas.
São Simão Stock
     Na Inglaterra, vivia um homem penitente, como o Profeta Elias, austero como João Batista. Chamava-se Simão. Mas, diante de sua vida solitária na convexidade de uma árvore no seio da floresta, deram-lhe o apelido de Stock.
     Simão nasceu no ano de 1165 no Castelo de Harford, no condado de Kent, Inglaterra, em atenção às preces de seus piedosos pais, que uniam a mais alta nobreza à virtude. Alguns escritores julgam mesmo que tinham parentesco com a família real.
     Sua mãe consagrou-o à Santíssima Virgem desde antes de nascer. Em reconhecimento a Ela pelo feliz parto, e para pedir sua especial proteção para o filhinho, a jovem mãe, antes de o amamentar, oferecia-o à Virgem, rezando de joelhos uma Ave-Maria. Bela atitude de uma senhora altamente nobre!
     O menino aprendeu a ler com pouquíssima idade. A exemplo de seus pais, começou a rezar o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem, e logo também o Saltério. Esse verdadeiro pequeno gênio, aos sete anos de idade iniciou o estudo das Belas Artes no Colégio de Oxford, com tanto sucesso que surpreendeu os professores. Foi também nessa época admitido à Mesa Eucarística, e consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.
     Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno aos 12 anos, encontrando refúgio numa floresta onde viveu inteiramente isolado durante 20 anos, em oração e penitência.
     Nossa Senhora revelou-lhe então seu desejo de que ele se juntasse a certos monges que viriam do Monte Carmelo, na Palestina, à Inglaterra, “sobretudo porque aqueles religiosos estavam consagrados de um modo especial à Mãe de Deus”. Simão saiu de sua solidão e, obedecendo também a uma ordem do Céu, estudou teologia, recebendo as sagradas ordens. Dedicou-se à pregação, até que finalmente chegaram dois frades carmelitas no ano de 1213. Ele pôde então receber o hábito da Ordem, em Aylesford.
     Em 1215, tendo chegado aos ouvidos de São Brocardo, Geral latino do Carmo, a fama das virtudes de Simão, quis tê-lo como coadjutor na direção da Ordem; em 1226, nomeou-o Vigário-Geral de todas as províncias européias.
     São Simão teve que enfrentar uma verdadeira tormenta contra os carmelitas na Europa, suscitada pelo demônio através de homens ditos zelosos pelas leis da Igreja, os quais queriam a todo custo suprimir a Ordem a vários pretextos. Mas o Sumo Pontífice, mediante uma bula, declarou legítima e conforme aos decretos de Latrão a existência legal da Ordem dos Carmelitas, e a autorizou a continuar suas fundações na Europa.
     São Simão participou do Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, em 1237. Em um novo Capítulo, em 1245, foi eleito 6° Prior-Geral dos Carmelitas.
 
A Aparição da Mãe de Deus a São Simão Stock
     Na manhã do dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por ele composta:
     "Flor do Carmelo, Vinha florífera, Esplendor do céu, Virgem fecunda, singular. Ó Mãe benigna, sem conhecer varão, aos Carmelitas dá privilégio, Estrela do Mar!"
     Terminada esta prece, levanta os olhos marejados de lágrimas, vê a cela encher-se, subitamente, de luz. Rodeada de anjos, em grande cortejo, apareceu-lhe a Virgem Santíssima, revestida de esplendor, trazendo nas mãos o Escapulário dizendo a São Simão Stock, com inexprimível ternura maternal:
     “Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno’’.
     Essa graça especialíssima foi imediatamente difundida nos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.
     São Simão Stock atingiu extrema idade e altíssima santidade, operando inúmeros milagres, tendo também obtido o dom das línguas; foi chamado à pátria celeste por Deus em 16 de maio de 1265.
     Há mais de 760 anos, desde o dia 16 de julho de 1251, todos os que trouxeram o Escapulário, com verdadeira piedade, com sincero desejo de perfeição cristã, com sinais de conversão, sempre foram protegidos na alma e no corpo contra tantos perigos que ameaçam a vida espiritual e corporal.
     O Escapulário é a devoção de papas e reis, de pobres e plebeus, de homens cultos e analfabetos. É a devoção de todos. Foi a devoção de São Luís IX, de Luís XIII, Luís XIV da França, Carlos VII, Filipe I e Filipe III da Espanha, Leopoldo I da Alemanha, Dom João I, de Portugal.
 
As promessas específicas de Nossa Senhora do Carmo
Primeira: Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno.
     Em primeiro lugar, ao fazer a sua promessa, Maria não quer dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal se salvará. A morte em pecado mortal e a condenação são uma e a mesma coisa. A promessa de Maria traduz-se, sem dúvida, por estas outras palavras: “Quem morrer revestido do Escapulário, não morrerá em pecado mortal”. Para tornar isto claro, a Igreja insere, muitas vezes, a palavra “piamente” na promessa: “aquele que morrer piamente não padecerá do fogo do inferno”.
Segunda: Nossa Senhora livrará do Purgatório quem portar seu Escapulário, no primeiro sábado após sua morte.
     Embora às vezes se interprete este privilégio ao pé da letra, isto é, que a pessoa será livre do Purgatório no primeiro sábado após sua morte, “tudo que a Igreja, tem para explicar estas palavras, tem dito oficialmente em várias ocasiões, é que aqueles que cumprem as condições do Privilégio Sabatino serão, por intercessão de Nossa Senhora, libertos do Purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no sábado”. De qualquer modo, se formos fiéis em observar as palavras da Virgem Santíssima, Ela será muito mais fiel em observar as suas.
 
Fontes: Na Sra do Carmo - Por: Pe.Wagner Augusto Portugal  http://www.catequisar.com.br

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Beata Angelina de Montegiove, Fundadora - 14 de julho

    
     Angelina nasceu em 1377 no ancestral Castelo de Montegiove, cerca de 40 k de Orvieto, na Úmbria, então parte dos Estados Papais. Era filha de Tiago Angioballi, Conde de Marsciano, e de Ana, filha do Conde de Corbara (por isso a Beata às vezes é referida como Angelina de Corbara).
     Quando tinha doze anos ficou órfã de mãe. Angelina consagrou a Deus sua virgindade, correspondendo às graças que recebia desde a infância. Mas, três anos depois seu pai decidiu casá-la com o Conde de Civitella, senhor de Abruzos. Em vão a jovem implorou que o pai a deixasse consagrar-se a Deus; foi ameaçada de morte se não consentisse no casamento no prazo de oito dias.
     Nessa aflição, Angelina recorreu ao Senhor que lhe recomendou cumprir a vontade do pai. Ela desposou então o conde, decorrendo a cerimônia em meio a grandes festejos tradicionais. Ao aproximar-se a noite, a jovem refugiou-se no quarto, e, cheia de angústia, ajoelhou-se aos pés do Crucifixo pedindo a Deus que a protegesse. Deus lhe mandou então o seu Anjo da Guarda para protegê-la.
     Surpreendida por seu esposo em conversa com o Anjo, o conde perguntou-lhe o motivo de suas lágrimas. Ao saber do voto que fizera, tocado pela graça quis imitá-la. Ajoelhou-se e prometeu, com sua jovem esposa, guardar a castidade e considerá-la como irmã. E ambos agradeceram a Deus a grande graça recebida.
     Aos 17 anos, com a morte do marido, Angelina voltou aos seus queridos projetos de vida inteiramente dedicada a Deus. Distribuiu todos os seus bens aos pobres e vestiu o humilde hábito de São Francisco, tornando-se promotora da virgindade e da pureza de costumes.
     Tornou-se famosa por causa de seus milagres e muitas jovens da nobreza vieram juntar-se a ela. Com elas iniciou uma missão apostólica pregando os valores do arrependimento e da virgindade, bem como o empenho em aliviar os necessitados.
     Logo começaram a acusar Angelina de sedução, de encantamento: a feiticeira tinha algo de magia para arrastar a juventude! E de heresia, devido a uma suposta oposição maniqueísta ao casamento. Angelina se defendeu pessoalmente diante de Ladislau, rei de Nápoles, que retirou as acusações, mas expulsou-a do seu reino, bem como as suas companheiras, para evitar mais reclamações.
     Com suas discípulas, partiu no dia 31 de julho de 1395, dirigindo-se a Assis, onde foram venerar os túmulos de São Francisco e Santa Clara. Em Assis, na Igreja de Santa Maria dos Anjos, à luz de Deus, Angelina compreendeu a sua missão: fundar um mosteiro de terceiras claustradas.
     Fixou-se em Foligno e, em 1397, Angelina e suas seguidoras emitiram os três votos. Ela se juntou ao Mosteiro de Santa Ana, uma pequena comunidade de mulheres terceiras franciscanas fundada em 1388 pelo Beato Paoluccio Trinci (+ 1390), um frade franciscano. Conhecido como o “Mosteiro das Condessas”, devido ao nível social de muitas das ingressas, ele o havia estabelecido como resultado de sua visão de ter mulheres nobres da cidade como uma força evangelizadora na sociedade. Essas mulheres tinham vida ascética no mosteiro, mas, não sendo monjas, seguiam uma estrutura informal, livres para ir e vir, o que possibilitava a elas cuidarem dos pobres e dos doentes da região.
     Angelina tomou um papel de liderança no pequeno grupo e começou a organizar suas vidas numa forma mais regular e foi aclamada superiora. Em 1403 ela obteve uma bula papal do Papa Bonifácio IX, que reconhecia formalmente o mosteiro.
     A reputação da comunidade de Foligno era tão grande, que rapidamente seu exemplo foi imitado em outras cidades, tendo Angelina como superiora geral destes mosteiros: Florença, Spoleto, Assis e Viterbo, bem como outras onze, antes da morte de sua morte em 1435.
    As diversas comunidades foram reconhecidas como Congregação pelo Papa Martinho V, em 1428. Este decreto também permitia que elas elegessem uma Geral que teria o direito de visitar canonicamente as outras comunidades. A Congregação teve sua primeira eleição geral em 1430, na qual Angelina foi eleita a primeira Geral. Neste cargo, ela desenvolveu os Estatutos a serem obedecidos por todas as casas.
     Esta independência não foi bem recebida pelos Frades Menores, aos quais havia sido dada total autoridade sobre as terceiras naquele mesmo ano. O Geral dos frades, Guilherme de Casala, ordenou que as Irmãs da Ordem Terceira da Congregação confirmassem a obediência a ele. Angelina submeteu-se e numa cerimônia pública, ocorrida na igreja dos frades em Foligno, no dia 5 de novembro de 1430, jurou obediência ao Provincial local.
     Este ato de obediência, entretanto, foi repudiado pelo capítulo da comunidade no Mosteiro de Santa Ana, dizendo que ele era inválido por que fora obtido sob pressão e sem sua aprovação. A Santa Sé confirmou sua autonomia no ano seguinte. Para evitar futuros conflitos, a Congregação colocou-se sob a obediência de seus bispos locais, sob a direção espiritual dos frades da Ordem Terceira Regular de São Francisco da Penitência.
     Angelina faleceu aos 58 anos, em 14 de julho de 1435 e foi enterrada na Igreja de São Francisco, em Foligno. Em 1492, após um milagre, o seu corpo foi encontrado intacto. Após a exumação, foi encerrado em uma urna preciosa e colocado num altar em frente ao túmulo da Beata Ângela de Foligno.
     A Congregação de Angelina tornou-se muito popular nos séculos 15 e 16 devido à regra de que suas comunidades deviam ser pequenas e simples. Em 1428, o Papa Martinho V dera um mandato específico para elas se dedicarem à educação e instrução das meninas. O trabalho das irmãs foi apostólico até que se tornaram, em 1617, uma ordem de enclaustradas, tomando votos solenes de estrita exclusão de contato com o mundo exterior, limitando-se à educação das meninas dentro do claustro.
     No século XVII, havia cento e trinta e cinco mosteiros destas terceiras na Itália e na França. Já no tempo de Pio II cada Superiora havia se tornado independente. Em 1903, o apostolado exterior foi novamente permitido e a Congregação passou a ser conhecida como Irmãs Franciscanas da Beata Angelina. Desde 2000, elas têm casas no Brasil, Madagascar e Suíça, bem como na Itália.
     Em 8 de março de 1825 o Papa Leão XII aprovou o seu culto, e a sua festa litúrgica é celebrada no dia 14 de julho.
 
Etimologia: Angelina, diminutivo de Ângela = do latim Angelus: “anjo”; do grego Ággelos, derivado de ággelos: “mensageiro”.

sábado, 12 de julho de 2014

Santa Mildred, Abadessa de Minster-in-Thanet - 13 de julho

     Mildred foi uma abadessa do mosteiro Minster-in-Thanet em Kent (sudeste da Inglaterra), um dos conventos mais ricos da Inglaterra anglo-saxã. (Minster, que deriva de monasterium em latim, foi o termo Inglês Antigo para praticamente qualquer instituição eclesiástica, e não distingue claramente entre conventos e mosteiros, ou conventos e igrejas.)
     Há inúmeros textos sobre a Vitae de Santa Mildred, com análises detalhadas de David Rollason em A Legenda de Mildred: um estudo da hagiografia medieval na Inglaterra (Leicester: Universidade de Leicester Imprensa 1982) e de Stephanie Hollis, A História da Fundação de Minster-in-Thanet, Inglaterra anglo-saxã, 27 (1998).
     A sequência de textos sobre Mildred é particularmente importante porque a versão mais antiga, agora perdida, parece ter sido composta no início do século VIII. Além disso, Hollis argumentou que o texto original apresenta as tradições das mulheres que viviam em Minster-in-Thanet, em vez das tradições monásticas masculinas que normalmente aparecem em outros textos. O início da Igreja anglo-saxã parece ter se caracterizado por dar mais destaque às mulheres do que mais tarde e os textos sobre Mildred fornecem uma visão útil de como isto se dava.
     O primeiro e o principal texto, uma versão relativamente simples e completa, é uma abreviação no Inglês Antigo da legenda original de Mildred que foi perdida (ou talvez uma versão independente com base nas mesmas tradições), conhecida como Tha Halgan ("Os Santos"), ou a Legenda Real de Kent, que talvez tenha sido composta em Kent (o se pode deduzir por no texto aparecer a palavra sulung distintamente da região de Kent), entre 725 e 974.
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     Mildrith, também conhecida como Mildthryth, Mildryth ou Mildred era a filha do rei Merewalh de Magonsaete, um sub-reino de Mércia, e de Santa Eormenburga, filha do rei Etelberto de Kent e, como tal, personagem das Legendas Reais de Kent.
     Suas irmãs, Milburga e Mildgytha também foram canonizadas. Goscelin, se baseando numa história agora considerada perdida dos governantes do reino de Kent, escreveu uma hagiografia sobre Mildred.
     A família materna de Mildred possui laços íntimos com os monarcas Merovíngios de Gaul, e acredita-se que Mildred tenha sido educada na prestigiosa Abadia de Chelles. Ela entrou na abadia de Minster-in-Thanet, a qual sua mãe havia estabelecido, e da qual se tornou abadessa em 694.
     Acredita-se que seus laços com Gaul foram mantidos, já que existe uma série de dedicações a Mildred em Pas-de-Calais, incluindo em Millam. Mildred morreu provavelmente em 716 (ou 733), em Minster-in-Thanet e foi enterrada lá.
     Seus restos mortais foram transferidos para a Abadia de Santo Agostinho, na Cantuária, em 1030; a data é comemorada em 18 de maio. Mildred parece ter sido substituída na função de abadessa por Edburga de Minster-in-Thanet, correspondente de São Bonifácio.
     Santa Mildred é celebrada no dia 13 de julho.
 
Etimologia: Mildred, do alemão antigo Miltr(a)aud: (milti) “graciosa, risonha” e (trud) “amável, afetuosa, familiar”.
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     A Abadia de Minster-in-Thanet é o coração de Thanet. Em 597, o Papa S. Gregório Magno enviou para ali Santo Agostinho da Cantuária, que iniciou sua missão de evangelização do povo anglo-saxão. Alguns anos depois de sua chegada à Thanet, a Cristandade já havia se espalhado por toda a região da Inglaterra e a vida monástica começou a florescer. Minster-in-Thanet foi uma das primeiras fundações monásticas. O mosteiro foi construído no ano de 670 d.C. pela mãe de Santa Mildred, que foi a segunda abadessa do mosteiro.
     Santa Mildred era uma das mais amadas Santas anglo-saxãs e é a padroeira de Thanet. Durante o período em que foi abadessa, a igreja do mosteiro era dedicada aos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. O mosteiro foi atacado inúmeras vezes e provavelmente destruído durante as invasões viking nos séculos 9 e 10. Escavações dos anos 1930 descobriram as fundações de seus edifícios.
     A história da fundação da Abadia de Minster-in-Thanet está bem documentada nas antigas crônicas e atestada por vários capítulos da Legenda dos Reis de Kent.
     Em 1027 a propriedade foi dada à Abadia de Santo Agostinho e o mosteiro foi reconstruído. A Ala Saxã, a mais antiga das partes da abadia, com uma pequena capela, ainda está em uso pela comunidade atual. Os monges logo assumiram a vida de oração e reedificaram a igreja do mosteiro bem como a igreja paroquial, que se tornou conhecida como a catedral. Por muitos anos os monges serviram de sacerdotes na paróquia de Thanet.
     Com os habitantes da região, os monges tornaram as terras agriculturáveis e construíram instalações para acomodar hóspedes e peregrinos que visitavam as relíquias de Santo Agostinho da Cantuária.
     A Abadia foi o lar dos monges por 500 anos. Na época de Henrique VIII, os monges foram obrigados a abandoná-la e a propriedade passou para mãos particulares.
     Em 1937, a comunidade beneditina católica de Santa Valburga, da Bavária, reestabeleceu a vida monástica da Abadia. Mais uma vez, ela se tornou local de oração e dedicação a Deus.
     Como nos dias de Santa Mildred, hospitalidade é um importante aspecto da vida monástica e uma forma de partilhar as ricas heranças beneditinas. As irmãs têm uma Casa de Hóspedes que fica no local do antigo mosteiro. A Abadia atrai centenas de visitantes todo ano. Embora seja um monumento antigo, é também o local de uma comunidade viva. Alguns vão à Abadia por motivos históricos, outros por perspectivas arqueológicas. Mas vários vão para encontrar a paz e para rezar na capela, desfrutando da sacralidade de um local aonde a adoração a Deus vêm sendo cantada por muitos séculos.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Santa Marciana da Mauritânia, Virgem e Mártir - 12 de julho


Martirológio Romano: Em Cesareia da Mauritânia, Santa Marciana, virgem, a qual, condenada às feras, alcançou a palma do martírio. 
 
     Dados biográficos tirados do Abbé Perrier, La grande fleur de la vie des Saints:
     Em Rusuccur (atualmente Tigzirt), pequena cidade da Mauritânia, Argélia de hoje, vivia, em fins do século III, uma jovem chamada Marciana, tão piedosa quanto bela, que consagrou muito cedo sua virgindade a Deus e deixou tudo para viver numa cela perto da cidade romana.
     Ora, um dia, a virgem, inspirada sem dúvida pela voz do Senhor, saiu de sua cela e veio se misturar à multidão que circulava na cidade agitada por uma viva emoção, porque corriam os dias sangrentos da perseguição desencadeada no mundo inteiro pelo ímpio Diocleciano.
     Marciana, chegando pela porta Tipásia, viu colocada numa praça uma estátua de mármore da deusa Diana. Aos pés da deusa corriam águas límpidas num tanque também de mármore.
     A intrépida virgem não pode suportar a visão do ídolo impuro. E tendo primeiro lhe quebrado a cabeça, fez depois o ídolo em mil pedaços. Uma multidão furiosa se lançou sobre ela e a maltratou horrivelmente. Depois a arrastaram ao pretório, perante o juiz imperial.
     A altiva cristã riu-se dos deuses de pedra e de madeira e gloriou-se de adorar o Deus vivo e O exaltou no templo com voz eloquente. O juiz pagão irritou-se e entregou-a aos gladiadores para que servisse de joguete a infames ultrajes. A virgem permaneceu serena e sem medo. Durante três horas, com efeito, Deus a defendeu no meio desses brutos, atacados de terror e imobilidade. Pela oração da angélica mártir, um deles se converteu a Jesus Cristo.
     O tirano, confuso, redobrou seu ódio ímpio, e não podendo desonrar a virgem cristã, condenou-a a ser estraçalhada por animais ferozes. Marciana, quando chegou a hora, caminhou para a arena como para uma alegre festa, bendizendo a Jesus Cristo. Amarraram-na ao local do suplício e contra ela foi lançado um leão furioso que logo se atirou sobre a vítima, ficou de pé e colocou suas garras sobre seu peito. Depois, afastou-se bruscamente e não a tocou mais.
     O povo, tomado de admiração, gritou que libertassem a jovem mártir. Mas um grupo de judeus, misturado à multidão, e sempre sedento de sangue cristão, pediu que lançassem agora contra Marciana um touro selvagem.
     A fera aproximou-se dela e com seus chifres furiosos lhe fez no peito uma horrível ferida. O sangue jorrou e a virgem caiu agonizante na arena. Tiraram-na de lá por um momento, estancaram-lhe o sangue e como lhe restasse um pouco de vida, o bárbaro tirano a fez amarrar ainda uma terceira vez.
     Marciana ergueu seus olhos ao céu, um sorriso iluminou seu rosto marcado pelo sofrimento: Ó Cristo, gritou, eu Vos adoro e Vos amo. Vós estivestes comigo na prisão, Vós me guardastes pura e agora Vós me chamais. Ó meu Divino Mestre, vou feliz para vós. Recebei a minha alma. Neste momento, o tirano lançou-lhe um leopardo monstruoso, que com suas garras horríveis despedaçou os membros da heróica virgem e lhe abriu o glorioso caminho do Céu.
     O sentido da epopeia de Santa Marciana era, primeiro, converter os de seu tempo pelos milagres e pela beleza da doutrina; depois, conservar a Fé para a posteridade e convencer os pósteros pelo valor de seu testemunho.
     Os manuscritos das Atas não estão de acordo sobre a data do martírio: 9 de janeiro, 9 ou 12 de julho. Barônio, em suas notas ao Martirológio Romano, estima que o 12 de julho celebra uma trasladação das relíquias da Santa, e o 9 de janeiro o aniversário do martírio.
     O Martirológio menciona no dia 12 de julho uma Santa Marciana, virgem e mártir, em Toledo. Barônio acredita que se trata de Santa Marciana da Mauritânia, venerada em Toledo. No breviário moçárabe se encontra um belo hino em sua honra.
 
Etimologia: Marciano, -a: do latim Martianus, derivado de Márcio, do latim Marcius, o mesmo que Marcos, Marcus, “grande martelo do ferreiro”.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Santa Priscila e São Áquila, esposos e mártires - 8 de julho


     Duas décadas após a Ascensão de Nosso Senhor a semente do Evangelho já havia se espalhado por numerosas cidades do Império Romano.
     Em Roma, alguns judeus professavam sua fé em Jesus como o Salvador. Entre eles, Áquila, um tecedor de tendas. Ele procedia de Anatólia do Norte, a atual Turquia. Sua esposa, Priscila – nome abreviado para Prisca – era romana. Segundo uma antiga tradição, o casal era aparentado com o senador Caio Mario Pudente Corneliano, que hospedava São Pedro em sua casa em Viminale. Embora não haja fontes escritas que testemunhem isto, existem pinturas de São Pedro administrando o Batismo a uma jovem chamada Prisca.
     Inicialmente o Estado romano confundia os cristãos com os judeus a ponto de oferecer a eles os mesmos privilégios: livre exercício do culto e dispensa de obrigações incompatíveis com o monoteísmo, como o culto ao imperador.
     No final dos anos 40 d.C. as discrepâncias dentro da comunidade judaica sobre a questão messiânica chegou ao conhecimento do imperador Tibério Cláudio César, que se mostrara benévolo com os judeus, mas que temia uma possível revolta e resolveu exilá-los de Roma por um tempo.
     Forçados a deixar Roma, Áquila e Priscila foram para Corinto, a capital de Acaya, conforme relatado nos Atos dos Apóstolos.
     O jovem casal teve que iniciar a vida numa cidade em que gregos, romanos, africanos e judeus conviviam. As tradições e as mentalidades mais diversas convergiam à capital: espetáculos sangrentos vindos de Roma, veneração a deuses etc. Além disso, Corinto era consagrada a deusa Afrodite. Tudo parecia impossibilitar a vida cristã. A cidade ocupava um lugar chave entre o Oriente e o Ocidente; os coríntios frequentavam as numerosas termas, teatros e os intelectuais podiam ter contato com escolas filosóficas de peso.
     Esta cidade que abrira as portas a todo tipo de novidades, inclusive aos costumes mais inumanos, acolheu o casal cristão entre seus habitantes. Áquila não tardou a instalar seu próprio negócio da indústria da púrpura e do tecido.
     Alguns meses depois, hospedaram um viajante que lhes pedia asilo. O hóspede vinha de Atenas abatido, após ter se dirigido a pessoas que apenas o ouviam para ter algo em que falar. São Paulo assim se recorda de sua entrada em Corinto: “me apresentei diante de vós débil e com temor e muito tremor”.
     Além de o casal alojar São Paulo em seu lar, Áquila compartilhou sua oficina com São Paulo, pois este também era fabricante de tendas. Os Atos dos Apóstolos falam pouco do trabalho na oficina de Áquila. Era trabalho de grande concentração, inclusive os tecedores estavam desobrigados de se por de pé à passagem de pessoas importantes para não se distrair durante sua tarefa.
     Em fins do ano 50 e inicio de 51, a oficina de São Paulo e de Áquila foi palco de um fato dos mais relevantes da História: Timóteo e Silas chegaram a Corinto para trazer notícias de Tessalônica para São Paulo.
     Os cristãos daquela cidade sofriam perseguição por parte daqueles que não aceitavam o Evangelho. O Apóstolo então escreveu para eles a fim de fortalecê-los na Fé e esclarecer dúvidas em torno do destino dos mortos e da segunda vinda do Senhor: era a Primeira Carta aos Tessalonicenses e o primeiro livro do Novo Testamento.
     Não só pela atuação do Apóstolo, mas também pela de Áquila e Priscila e de outros cristãos, a Igreja de Acaya chegou a ser uma das mais importantes. O Batismo foi dado, entre outros, a Crispo, chefe da sinagoga; Erasto, tesoureiro da cidade; Tercio, que mais tarde seria secretário de São Paulo; Ticio Justo, membro da colônia romana; Estéfanas, um prosélito, e sua família. Escravos e libertos, artesãos e pessoas exponenciais, foram batizadas na cidade que parecia surda às moções da graça.
     No outono de 52, depois de um intenso trabalho apostólico, São Paulo deixou Corinto. “Paulo ficou muitos dias com os cristãos em Corinto. Depois se despediu deles e embarcou num navio para a província da Síria, junto com Priscila e o seu marido Áquila. Antes de embarcar em Cencréia, ele rapou a cabeça como sinal de que havia cumprido uma promessa que tinha feito a Deus”. (Atos 18:18)
     Áquila e Priscila, movidos pela Fé, junto com Silas e Timóteo, acompanharam o Apóstolo na sua travessia de quase dez dias até Éfeso. A nave ancorou no porto de Palermo, e os viajantes foram de barco até Éfeso, a capital da Ásia proconsular. São Paulo pretendia continuar em direção à Síria e embora os judeus do lugar instassem para ele ficar, o Apóstolo seguiu, prometendo voltar.
     Éfeso era o centro da província mais populosa da Ásia. Havia ali uma importante colônia de judeus. Apolônio – abreviado, Apolo – “homem eloquente e muito versado nas Escrituras”, natural de Alexandria do Egito, possivelmente educado na cultura aberta à verdade, pregava na sinagoga. Um dia, Áquila e Priscila ouviram sua pregação e reconheceram o esplendor de um discurso messiânico. Ele (Santo Apolônio) começou a falar com coragem na sinagoga. Priscila e o seu marido Áquila o ouviram falar; então o levaram para a casa deles e lhe explicaram melhor o Caminho de Deus”. (Atos 18:26)
     O douto homem entendeu as razões e pediu para ser batizado. Apolônio foi para Acaya e se apresentou à Igreja de Corinto e ali foi “de grande eficácia, com a graça divina, para os que haviam acreditado, pois refutava vigorosamente em público os judeus, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Cristo”.
     Pela carta do Apóstolo aos romanos ficamos sabendo que Priscila e Áquila retornaram a Roma: “Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, que para salvar minha vida expuseram suas cabeças. Não somente eu lhes devo gratidão, mas também todas as igrejas da gentilidade. Saudai também a Igreja que se reúne em sua casa”.
     Entende-se pela carta que os esposos realizavam em sua casa este tipo de reunião que em grego se chama ekklesia, em latim ecclesia, que quer dizer convocação, assembleia, reunião. A casa de Priscila e Áquila ficava provavelmente onde atualmente se encontra a Igreja de Santa Prisca, no Aventino.
     As escavações arqueológicas dos anos 1933 a 1966 descobriram dois edifícios dos séculos I e II. No do século II, encontraram um lugar de culto ao deus Mitra; na casa do século I, se reconheceu o titulus Priscae, a placa que indicava quem era o titular da casa.
     Não sabemos quanto tempo Priscila e Áquila permaneceram em Roma. Até o ano 67 se encontravam em Éfeso, pois São Paulo lhes envia saudações em sua carta a Timóteo. Alguns autores falam de um novo retorno do casal a Roma, ou pelo menos o de Priscila (Prisca). Em todo caso, os dados biográficos que chegaram aos nossos dias são suficientes para motivar-nos à gratidão a estes esposos que, dóceis à vontade de Deus, como seu mestre, o Apóstolos das Gentes, iam de uma cidade a outra defendendo sua Fé.
     O Martirológio Romano afirma que eles morreram na Ásia Menor, porém, segundo a tradição, foram martirizados em Roma. 
 
Etimologia: Priscila, do latim Priscilla, diminutivo de Prisca, do latim Priscus: “antigo, velho”. Na época imperial romana, na linguagem poética, tinha um matiz de respeito e veneração.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Santa Marta de Antioquia, leiga - 5 de julho

Martirológio Romano: No Monte Admirável, na Síria, Santa Marta, mãe de São Simeão Estilita o Jovem. 

     Marta nasceu na Antioquia no início do século VI. Embora tivesse feito voto de virgindade, casou-se com João, originário de Edessa, para obedecer aos pais e após ter tido uma revelação de São João Batista, que anunciou inclusive o nome do filho que ela daria à luz.
     Depois de alguns anos, após o falecimento do esposo, ela se dedicou com zelo à formação católica do filho, Simeão, que nascera em 520. Simeão se tornaria célebre por sua vida e sua atividade no Monte dos Milagres (ou Admirável), próximo de Antioquia.
     Um século mais tarde um autor, provavelmente um monge do convento de São Simeão, escreveu uma “Vida de Marta” que, ao narrar as suas maravilhas, supera a própria “Vida” do filho, que apareceu um pouco mais tarde. A obra é rica sobretudo de lugares comuns sobre sua virtude, contínuas aparições de São João Batista e de anjos, além de numerosos milagres.
     Um anjo anunciou a data de sua morte com um ano de antecedência e ela informou o filho a respeito, pedindo que ele a sepultasse no cemitério dos estrangeiros em Daphne, perto de Antioquia.
     Marta faleceu no dia 5 de julho de 551 e sua vontade foi respeitada quanto aos funerais. Informado sobre a morte da mãe, Simeão mandou exumar o seu corpo e o fez sepultar na abside da Igreja da Ssma. Trindade, à direita de sua coluna. Mas Marta lhe apareceu para pedir que construísse um sepulcro na parte sul da igreja, onde foi construída uma capela para a qual foi transferido o seu corpo com grande solenidade e onde ocorreram muitos milagres.
 
Etimologia: Marta, do arameu ou do siríaco: “senhora”.
 
São Simeão Estilita, o Jovem
     Assim como seu homônimo, São Simeão Estilita, o Velho, o primeiro dos estilitas, Simeão parece ter sido atraído desde muito cedo para uma vida austera. Ele se juntou a uma comunidade asceta que vivia ao redor de outro eremita num pilar, chamado João, que agia como líder espiritual do grupo.
     Simeão, ainda um garoto, fez com que erigissem uma coluna para si quando ele perdeu seu primeiro dente. Ele manteve este estilo de vida por 68 anos, porém, no decurso de sua vida, ele se mudou diversas vezes para outra coluna.
     Quando da primeira destas mudanças, o Patriarca de Antioquia e Bispo de Selêucia o ordenou diácono durante um curto período em que ele ficou no chão. Por oito anos, até a morte de João, Simeão permaneceu ao lado da coluna de seu mestre, tão perto que eles podiam facilmente conversar. Durante este período, seu ascetismo foi contido pelo do ancião.
     Após a morte de João, Simeão deu forças às suas práticas ascéticas ao ponto de Evágrio Escolástico afirmar que ele vivia apenas sob arbustos que cresciam na região de Teópolis. Ele foi novamente ordenado, agora padre, e foi assim que pode oferecer uma missa pela memória de sua mãe.
     Nessas ocasiões, seus discípulos, um após o outro, subiam por uma escada para receber a Eucaristia de suas mãos. Como era o caso da maioria dos outros santos estilitas, um grande número de milagres foi atribuído a Simeão o Jovem. Dotado de poderes extraordinários sobre o demônio e as forças da natureza, em diversas ocasiões a cura de doentes era realizada por meio de imagens representando o eremita. No final de sua vida o santo ocupava uma coluna sobre um morro próximo de Antioquia chamado, por causa dele, de "Monte dos Milagres", e foi ali que ele morreu no dia 24 de maio de 592.
     Além de uma carta escrita de seu pilar ao guardião da cruz verdadeira em Jerusalém, diversas outras obras são atribuídas a ele. Uma quantidade destes curtos tratados espirituais foi publicada por Cozza-Luzzi ("Nova PP. Bib.", VIII, iii, Roma, 1871, pp. 4–156). Há também um "Apocalipse" e cartas aos imperadores bizantinos Justiniano I e Justino II.
     Há uma longa "Vida de São Simeão, o Jovem”, escrita por Nicéforo Calisto, mas é possível aprender mais sobre a vida do santo a partir da "Vida de Santa Marta", sua mãe, e pela História Eclesiástica de Evágrio Escolástico.