terça-feira, 19 de agosto de 2014

Beatas Elvira da Natividade de Na. Sra. e 8 comp., Mártires - 19 de agosto

 
     A comunidade da escola de Cullerà (Valença) e da Casa de Misericórdia daquela cidade estava preparada há tempo para a eventualidade do martírio. A superiora e as outras irmãs eram religiosas de grande estatura espiritual.
     As nove Carmelitas da Caridade foram levadas da casa-escola da Imaculada Conceição da cidadezinha marítima de Cullerà, onde residiam, no dia 15 de agosto de 1936, e conduzidas como prisioneiras. Três dias depois, no amanhecer do dia 19 de agosto de 1936, foram fuziladas pelos membros do comitê anárquico da FAI nas proximidades da salina.
     Madre Elvira da Natividade de Na. Sra. (Elvira Torrentallé Paraire), superiora da comunidade, nasceu em Balsareny Paraire Torrentallé (Barcelona) em 19 de junho de 1889. Em 9 de setembro de 1906 entrou no noviciado de Vic (Barcelona) em 1908 foi designada para a casa de Cullerà, onde ela fez sua profissão perpétua em abril de 1925 e foi designada para a Escola Sagrado Coração em Valença. Em 13 de janeiro de 1933 retornou ao seu primeiro destino, Cullerà, mas desta vez como Superiora da comunidade. Piedosa, modesta e dedicada, um de seus grandes amores era a Eucaristia.
     Em 1936, apesar das pressões da família para ir com eles, ela não deixou a comunidade. No caminho ao local do martírio encorajava as outras irmãs. Escolheu morrer por último; cantando o popular hino eucarístico Cantemos ao Amor dos amores, que entoou até o último suspiro, faleceu nas primeiras horas de 19 de agosto de 1936. A característica fundamental da sua espiritualidade era uma caridade sem limites, o amor de Deus se manifesta no amor aos irmãos.
     Madre Elvira e duas companheiras foram beatificadas, juntamente com outros 232 mártires, pelo Papa João Paulo II em 11 de março de 2001. Suas companheiras são:
 
Maria de Nossa Senhora da Providência Milagre Calaf
     Nasceu em Bonastre (Tarragona) em 18 de dezembro de 1871. Muito boa de caráter, possuía a têmpera dos fortes. Quando seu irmão foi procurá-la para pô-la a salvo junto à família, disse: “O que acontecer com uma, acontecerá com todas nós”.
 
Francisca de Santa Teresa Amezúa Ibaibarriaga
     Nasceu em Abadiano (Biscaia) em 9 de março de 1881. Uma verdadeira ba­sca, de família solidamente cristã, herdou uma fé pura e forte. De caráter afável e alegre, repetia: “A minha cozinha é um pedacinho do Céu, muito melhor que todos os palácios do mundo”. Acompanhou todos os momentos até o martírio com um espírito de alegria sobrenatural que causou a admiração de todos. Indo para o local do martírio repetia com fervor: “Sagrado Coração de Jesus! Nove mártires!”
 
Maria do Santíssimo Sacramento Giner Amparo Lister
     Nascida em Grão Valença em 13 de dezembro de 1877. Ativa, entusiasta, trabalhadeira, dava tudo de si no serviço dos outros. En­trou no noviciado de Vic em 2 de julho de 1902. Reconhecendo um de seus assassinos, lhe disse com serenidade: “Tu me dás a melhor coisa, me dás o Céu!”
 
Teresa da Mãe do Divino Pastor Chambò y Pallets
     Natural de Valença, onde nasceu em 5 de fevereiro de 1881. Entrou no noviciado de Vic em 21 de abril de 1900. Depois de ter feito os primeiros votos religiosos foi destinada a Manresa, depois a Denia e Oliva. Sempre modesta e silenciosa, sentia uma grande atração pelo recolhi­mento e pela oração. Nos seus restos mortais foi encontrado o anel da sua profissão religiosa, símbolo de sua fidelidade eterna ao seu esposo Jesus Cristo.
 
Ágata de Nossa Senhora das Virtudes Hernandez Amorós
     Original de Villena (Alicante), onde nascera no dia 5 de janeiro de 1893, entrou no noviciado de Vic em 27 de novembro de 1918. Cozinheira das alunas, era atenciosa e serviçal com todos. Quando a fúria da perseguição estourou sua família lhe ofereceu um refúgio seguro, mas ela não quis deixar a casa religiosa.
 
Maria das Dores de São Francisco Xavier Vidal Cervera
     Nasceu no dia 31 de janeiro de 1895 em Valença del Cid. Tornando-se religiosa entre as Carmelitas da Caridade, seu primeiro local de trabalho foi Zaragoza. As alunas mais velhas percebiam a riqueza de sua espiritualidade e admiravam sua prudência e compreensão, o que as levava a procurá-la para falar de seus problemas. As próprias alunas procuraram colocá-la a salvo, mas ela recusou a oferta, porque desejava compartilhar a sorte da sua comunidade.
 
Maria das Neves da Santíssima Trindade Crespo Lopez
     Nasceu na Ciudad Rodrigo (Salamanca) em 17 de setembro de 1897, mas se transferiu depois com a família para Valença. Entrou no instituto religioso no dia 11 de setembro de 1922. Na educação das alunas do colégio de Cullerà se distinguia como excelente pedagoga. Entrava na vida das alunas com suavidade e eficácia. Enérgica e firme, respondeu a um miliciano que jamais se separaria da comunidade.
 
Rosa de Nossa Senhora do Bom Conselho Pedret Rull
     Originária de Falset (Tarragona), onde nascera em 5 de dezembro de 1864, en­trou no instituto em 4 de março de 1886. Fez a profissão perpétua em 1881. Após o término da formação foi enviada a Cullerà, onde permaneceu por toda sua vida religiosa. Era a mais velha da comunidade. O responsável pelo comitê da FAI, vendo-a tão idosa e doce, convidou-a a ir embora, mas ela respondeu: “Não, irei aonde for a superiora, ainda que seja para a morte!”. Sua bondade e sua simplicidade eram proverbiais. Ela conhecia todo mundo em Cullerà e se interessava por cada pessoa. Mostrava-se sempre silenciosa e recolhida, totalmente unida a Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Fonte: www.santiebeati.it

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Santa Gioconda de Roma, Virgem e mártir - 15 de agosto

 
   
Com relação à história de Santa Gioconda temos muita documentação que nos permite reconstruir a história dela em detalhes.

     Foi uma jovem mártir romana que não temeu a morte e não renunciou ao seu amor à Cristo Jesus. Morreu em 107 e foi sepultada nas catacumbas de Ciriaco, em Verano. Suas relíquias foram destinadas à região de Rimella através dos bons ofícios de José Antônio Molino, que tomou posse delas por trâmites do Mons. José Maria Luini, bispo de Pesaro, pregador apostólico.
     Foi constatado o milagre de seu corpo mantido incorrupto apesar de muito judiado pelas torturas e pelo martírio. Suas relíquias vieram de Roma para Novara e foram levadas para a capela dos Frades Capuchinhos, onde o Pe. Illuminato de Novara cuidou da limpeza e do arranjo dos despojos dentro da urna, ao lado dos restos mortais de Agabio, segundo bispo da cidade.
     Em 29 de abril de 1789, por ocasião do casamento do Arquiduque d’ Este e Teresa Maria d’ Áustria, transportaram o corpo do santo bispo para colocá-lo no novo altar dedicado a ele na catedral. A urna utilizada exclusivamente para esta ocasião solene foi comprada por Michael Tesseri, de Rimella, e por ele destinada a guardar depois os restos mortais de Gioconda.
     A chegada da Santa à comunidade de Val Mastallone ocorreu no final de junho de 1790, com uma série de celebrações que duraram três dias, de 27 a 29, com a participação de todos os sacerdotes do vale, uma delegação do capítulo da catedral, os músicos da Basílica de San Gaudenzio e alguns pregadores famosos na época, incluindo a figura de Fra Filippo Royal, que fez as orações oficiais na conclusão das celebrações.
     O culto a Santa Gioconda logo se tornou muito vivo, principalmente entre os que migraram por causa do trabalho a outros lugares, especialmente em Novara e Vigevano. Eles confiavam tanto em sua proteção, que formaram uma associação: “O Consórcio de Santa Gioconda”, tendo como fim promover o seu culto. O estatuto foi aprovado pela diocese em 22 de março de 1902, assinado pelo então vigário geral, Callerio.
     Em 1º de setembro de 1842 a urna foi aberta para fazer a limpeza da roupa que revestia os ossos, mas só em 1903 o crânio foi levado para Milão para revesti-lo com cera e, assim prolongar a conservação. O altar de São Roque, já decorado pelo pintor Lorenzo Peracino de Celle, onde foi colocada a urna com os restos mortais de Santa Gioconda, foi completamente renovado em 1860 com as ofertas do Consórcio.
     A ampola que contém o seu sangue foi destinada ao Oratório da Visitação de Roncaccio Superiore, local de origem de José Antônio Molino, o doador das relíquias.
     Com relação à figura de Santa Gioconda de Roma, ela não está identificada com a santa de mesmo nome reverenciada em Reggio Emilia.
     O festival em homenagem a Santa Gioconda de Roma é celebrado todos os anos no primeiro domingo de agosto.
     Na procissão que ocorreu em agosto de 2001 participaram cerca de 800 pessoas, durante a qual quatro homens se revezaram no transporte da urna para a igreja da aldeia homônima de São Gotardo. Ao longo do percurso, arcos decorados com luzes e flores iluminavam o caminho até pelas pastagens próximas. Depois de uma vigília por toda a noite, as relíquias foram visitadas pelos fieis no dia seguinte, sendo em seguida levadas de volta à igreja paroquial e recolocadas, depois de alguns dias, na local onde fica habitualmente.
 
Etimologia: Gioconda, italiano: do latim Jucunda, Jucundus: "jucundo, alegre, aprazível".
 

domingo, 10 de agosto de 2014

Santa Rustícula d’Arles, Abadessa - 11 de agosto

   
Relicário de Sta Rusticula, Arles
 
Rustícula (ou Marcia d’Arles) nasceu em Vaison, no território atual de Séguret, Provença, França, por volta do ano 555; seus pais eram nobres e bons cristãos.

     Liliola, abadessa do mosteiro de Saint-Césaire d’Arles, recebeu-a neste mosteiro fundado em Arles por Santa Cesária, a pedido de seu irmão o bispo São Cesário.
     Rustícula se entregou à oração, à meditação das Sagradas Escrituras e à penitência. Ela possuía uma tal virtude, que se esquecendo de sua juventude, e contra sua vontade, aos 18 anos ela foi eleita abadessa por ocasião da morte de Liliola.
     Ela passou por numerosas provações, porque suspeitavam que ela mantivesse ligações no meio político. Ela foi ameaçada, tirada de sua comunidade, aprisionada e humilhada. Finalmente o Rei Clotário II reconheceu sua inocência e ela foi reabilitada e pode retornar ao seu mosteiro, o qual, sob sua direção, conheceu muita prosperidade material e moral, e um grande brilho.
     Santa Rustícula governou o seu mosteiro com grande sucesso e seu exemplo inspirou suas religiosas, ela embalsamou com o perfume de suas virtudes aquelas belas regiões francesas.
     Ela faleceu no dia 11 de agosto de 632, uma morte preciosa diante de Deus: ela expirou com um sorriso nos lábios. Venerada por toda a cidade de Arles, foi sepultada no seu mosteiro. No dia 12 de agosto de 632, o arcebispo de Arles, Teodósio, participou dos funerais desta abadessa considerada como santa pela Igreja.
     Na Vida de Rustícula, o texto consagrado a esta 4ª abadessa do mosteiro de Saint-Césaire d’Arles, consta a existência de várias igrejas dentro do convento: uma igreja dedicada à Santa Cruz e ao Arcanjo São Miguel e outra maior edificada para receber mais dignamente as relíquias da Santa Cruz. A presença destas relíquias em Arles era provavelmente ligada à estadia da rainha Santa Radegunda nos anos 570. Este documento apresenta ainda uma Basílica São Pedro que existia ainda no século X e registra os santos venerados ali.
     Por motivo das invasões bárbaras e sarracenas, o mosteiro deixou de subsistir nos séculos VII e IX. Por volta dos anos 860, o arcebispo de Arles, Rotlang, obteve do imperador Luís II a autoridade sobre o mosteiro. O historiador Jean-Pierre Poly faz remontar esta propriedade ao ano 869.
     Em 883, o arcebispo Rostang, sucessor de Rotlang, restaurou o túmulo de São Cesário violado pouco tempo antes durante a tomada e pilhagem da cidade pelos sarracenos. O Mosteiro de Saint-Césaire possuía naquela época três grupos de domínio.

Fonte: site du diocèse d'Avignon

Etimologia: Marcia, do latim Marcius, Marcus: “grande martelo de ferreiro”, cognato do latim Mars, Martis, “deus da guerra”.
Liliola, ou Liliosa, nome de origem cristã, do latim Liliosa: “cheia de lírios”. Variante de Lilia, do plural do latim Lilia, de Lilium: “lírio”, símbolo da pureza e inocência.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Beata Isabel Remiñán Carracedo, Religiosa e mártir - 7 de agosto

      
 
      A Irmã Isabel Remiñán nasceu no dia 17 de junho de 1876 em Seavia de Coristanco, localidade de Amboade (La Coruña). Era filha de Francisco Remiñán e de Pilar Carracedo. Foi batizada em 18 de junho de 1876 recebendo em nome de Maria do Consolo. Pertencia à uma família de lavradores de boas condições financeiras, católicos praticantes. Vários familiares e parentes próximos seguiram a vocação religiosa.
     "Pessoa de carácter, de constância, de energia e decidida, deixou a casa paterna e foi a Santiago para estudar e preparar-se para ser religiosa" (carta de seu parente D. Antônio Carracedo Viña, pároco de Sofán).
     Maria do Consolo recebeu a confirmação, como era necessário para iniciar a vida religiosa, em 19 de novembro de 1905 e vestiu o hábito no noviciado da Casa Generalícia da Congregação da Mãe do Divino Pastor, mudando o seu nome para Irmã Isabel. Emitiu sua profissão temporária em 12 de dezembro de 1907 e a perpétua em 15 de dezembro de 1912 também na Casa Generalícia.
     A função principal de Irmã Isabel era o ensino, mas o Senhor a provou nos seus últimos anos com uma enfermidade que a fez ingressar na enfermaria da comunidade e foi então o momento que se tornou patente sua humildade e seu espírito de sacrifício, nunca foi ouvida se lamentando. Em março de 1936 ingressou no Hospital da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, em Madrid, ocupando a cama 2 da sala aos Mártires, com o diagnóstico de Lupus tuberculoso no rosto.
     Quando os distúrbios políticos e revolucionários conturbaram Madrid, pensou-se que ela poderia permanecer no hospital, mas ela teve que sair e, com as outras religiosas, se refugiar em um dos andares que os superiores haviam indicado na Rua Arenal. Irmã Isabel permaneceu ali algum tempo, mas pensou em retornar ao hospital e foi reconhecida pelas turbas revolucionárias quando para lá se dirigia, e foi aprisionada.
     O que ocorreu depois é incerto, não se sabe com certeza como chegou ao local da execução, nem as circunstâncias exatas dela. Presume-se que foi reconhecida e feita prisioneira na porta do hospital. Algumas testemunhas afirmaram que ela ficou no meio da turba e foi lapidada; outros disseram que ela foi amarrada pelas mãos e pés a dois caminhões que, partindo em direções opostas, esquartejaram o corpo.
     É fato, porém, que o seu corpo foi encontrado no dia 7 de agosto de 1936 a cinco quilômetros da estrada de Perales del Rio, nos extremos municipais de Villaverde, perto de Madrid. Os documentos judiciais estabeleceram que Irmã Isabel foi morta por feridas de arma de fogo, o que contraria os comentários difundidos entre o povo.
     Fontes da Congregação afirmam que se ignora o local de seu sepultamento, mas recentemente foi encontrado em Villaverde Alto um atestado de óbito que se refere ao cadáver de uma mulher cuja documentação identifica como Consolo Remiñán Carracedo.
     O processo canônico para confirmar sua morte como vítima do ódio à Fé, bem como a de suas coirmãs Gertrude (no século Doroteia) Llamazares Fernández e Assunta (no século Juliana) González Trujillano, transcorreu de 27 de setembro de 1999 a 15 de outubro de 2000 na Arquidiocese de Madrid, e foi integrado a um processo da Diocese de Orense em 17 de fevereiro de 2000.
     As três foram beatificadas em Tarragona no dia 13 de outubro de 2012, incluídas no grupo de 522 mártires que foram assassinados durante a guerra civil espanhola.
 
Etimologia: Isabel, forma portuguesa/espanhola do francês antigo Ysabel. Ou variação de Jesabel. Outros fazem-no provir do hebraico Izebel: “casta”.

sábado, 2 de agosto de 2014

Stas. Licínia, Leôncia, Ampélia e Flávia, Virgens - 3 de agosto

    
 

     As santas irmãs Licínia, Leôncia, Ampélia e Flávia constituíram um digno círculo em torno da figura e da obra do grande Santo de Vercelli, Santo Eusébio († 1° agosto 371), que com o seu célebre cenóbio formou e produziu tantas figuras santas, sobretudo de bispos, que honraram quase todas as dioceses da Itália setentrional com seus luminosos episcopados a partir da antiga diocese de Vercelli.
     Santo Eusébio fundou também um mosteiro feminino em Vercelli, colocando-o sob a direção de sua irmã, Santa Eusébia (comemorada em 15 de outubro), que foi a primeira superiora. Desde o início neste mosteiro floresceram santas figuras de monjas, entre as quais as quatro virgens de que falamos. A existência das virgens consagradas no tempo de Eusébio está documentada por alguns escritos do próprio Eusébio em sua segunda carta escrita em Scitópoli, às “Santas Irmãs” de Vercelli e às “Santas Virgens”.
     O mosteiro ficava próximo da catedral em que era bispo Santo Eusébio, notável pela sua austeridade e doutrina espiritual, e que com a irmã deu a este cenóbio as normas de vida ascética.
     As monjas deviam praticar jejuns, viver em austera pobreza, recolherem-se várias vezes ao dia e também à noite, cantar em coro os louvores ao Senhor, observar escrupulosamente a clausura, ocupar as horas livres no trabalho para atendimento das necessidades do mosteiro e cuidar também dos paramentos da catedral. No interior da catedral havia, nas naves laterais e no vestíbulo, um local onde as monjas podiam assistir aos ritos sagrados, associando-se às orações do povo.
     Além do nome da primeira superiora, Santa Eusébia, são conhecidos oito ou nove nomes de monjas conservados nas antigas inscrições que ornavam seus túmulos. É o caso das monjas Zenobia, Constança e das quatro irmãs que celebramos hoje. Elas foram objeto de culto na antiga liturgia eusebiana e eram invocadas com os santos daquela Igreja nas ladainhas.
     Uma inscrição métrica e acróstica ornava o sepulcro das quatro virgens e exaltava as suas virtudes com expressões cheias de admiração. Recentemente o mármore foi perdido, mas felizmente os trinta versos tinham sido transcritos e são atualmente a única fonte que temos sobre as santas.
     Daquela inscrição, no último verso tomamos conhecimento de que a sobrinha das santas virgens, Taurina, monja ela também e superiora, desejou colocar sobre o túmulo que guardava as tias todas juntas, o poema que foi composto provavelmente pelo bispo São Flaviano, já então aluno do cenóbio eusebiano e poeta que celebrava os méritos dos personagens mais dignos florescidos na Igreja de Vercelli.
     Característica singular deste poema é que as quatro irmãs não são nomeadas, mas no final do elogio o poeta adverte os leitores para o fato de que seus versos são acrósticos, isto é, as iniciais de cada verso lidas na ordem formam os nomes das pessoas a quem o poema é dedicado; assim, os nomes das santas irmãs são revelados lendo-se em seguida as primeiras letras dos 30 versos.
     No que se refere à época em que elas viveram, calculando a idade de sua sobrinha Taurina, que viveu uma geração depois e foi contemporânea de São Flaviano († 542), se pode calcular que elas viveram na segunda metade do século anterior, isto é, no século V, portanto cem anos depois da fundação do mosteiro. Por outro lado, seus nomes singularmente romanos indicam que elas viveram no período anterior às invasões bárbaras.
     Os versos do poema elogiam a piedade e a fé dos seus pais, que dedicaram ao Rei celeste tantas filhas no mosteiro eusebiano. O autor dedica especialmente sua inspiração poética à mãe das quatro irmãs, Maria, que as dera à luz e repousa na paz eterna iluminada pela luz dos quatro astros esplêndidos consagrados a Deus. O poema continua elogiando as virtudes das irmãs, que no mosteiro se assemelhavam às virgens da parábola, rezando e esperando a vinda do Esposo Divino.
     Sob o véu imposto sobre suas cabeças pelo bispo celebrante, as suas vidas transcorreram inocentes e ricas de boas obras. E os seus corpos, livres de todo sofrimento, jazem num único túmulo: tal foi o amor que as manteve unidas em vida que um só sepulcro as guarda e as conserva para veneração dos fieis.
     São Jerônimo, escrevendo a Inocêncio no ano de 370, conta de uma mulher condenada à morte pelo governador de Vercelli. Dada como morta, durante a sepultura reviveu e foi confiada aos cuidados de algumas virgens que a acolheram e cuidaram dela em sua casa até sua completa recuperação. Este é um testemunho precioso que documenta a obra de caridade das virgens eusebianas.
     Desde a metade do século VI desaparecem as notícias desta instituição e este silêncio deve-se às invasões dos Longobardos na Itália.
     O historiador M. A. Cusano, no Calendário Eusebiano por ele publicado, coloca as quatro santas no dia 3 de agosto. Suas relíquias estão na catedral de Vercelli e uma parte também na igreja da Casa Mãe da Congregação das Irmãs Filhas de Santo Eusébio, fundada em Vercelli no dia 29 de março de 1899 por Mons. Dario Bognetti e pela Irmã Eusébia Arrigoni, sob a inspiração da espiritualidade do milenar mosteiro eusebiano.

Etimologia: Licínia, do latim Licinius, do grego Likínnios. Talvez o mesmo que Licinus: “o que tem o cabelo levantado na testa”...
Leôncia: do grego Leóntios, do latim Leontius: “leonino(a)”.
Ampélia: do latim Ampelius, do grego Ámpelos: “vinhedo”.
Flávia: do latim Flavius: “louro(a), áureo(a), o(a) de cabelos louros”.
Fonte: www.santiebeati/it

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Beata Clara de Orléans, Monja cisterciense - 1 de agosto


     Dentre as doze santas ou beatas relacionadas pela “Bibliotheca Sanctorum” com o nome de Clara, e todas vivendo em tempos longínquos, a única de nacionalidade francesa é a Beata Clara venerada em Orléans, mas originária da Normandia.
     Ela é recordada pelo hagiógrafo Castellano nas suas “Additiones” (Anexos ou Apêndices) ao Martirológio Romano como virgem da Ordem Cisterciense que se desenvolveu sobretudo em 1112 com São Bernardo de Claraval.
     Embora não sendo recordada no Calendário de Digion, nem no Menológio de Henriquez, é reconhecida com o título de beata. Mas antes do hagiógrafo Castellano, o pesquisador Calemoto já havia escrito que a festa da Beata Clara, virgem reclusa, era celebrada no dia 1º de agosto em um convento de monjas cistercienses da Diocese de Orléans, na localidade ‘Notre-Dame’.
     Os restos mortais da monja penitente foram transferidos para o convento e ali permaneceram custodiados por muito tempo. Durante uma das recorrentes guerras locais, as relíquias foram destruídas pelo fogo, mas sua lembrança continuou viva entre os numerosos peregrinos da época.
     Estas são as únicas informações que temos sobre esta Beata, que é venerada em Orléans no dia 1º de agosto.
 
Fonte: santiebeati
 
Etimologia: Clara, do latim Clarus: “clara, ilustre, brilhante”. Clarissa, derivado de Clara.
 
PS. A gravura acima não representa efetivamente a Beata Clara de Orléans, mas uma religiosa cisterciense anônima. Entretanto, achamos que ela bem podia ser adaptada à Beata comemorada no dia de hoje.

domingo, 27 de julho de 2014

Santa Natália e comp., mártires de Córdoba - 27 de julho

     
      Em 711, um exército muçulmano vindo do Norte da África conquistou a Ibéria visigótica cristã. Sob o seu líder, Tárique (Tariq ibn Ziyad), eles desembarcaram em Gibraltar e colocaram a maior parte da Península Ibérica sob o jugo do Islã numa campanha que durou oito anos. A região foi rebatizada de Al-Andalus pelos novos líderes. Quando os califas omiadas foram depostos pelos abássidas em Damasco em 750 d.C., os sobreviventes da dinastia se mudaram para Córdoba e ali passaram a governar um emirado, tornando a cidade um centro da cultura islâmica ibérica.
     Uma vez conquistada a Ibéria, a sharia (lei islâmica) foi imposta em todo o território. Os cristãos e os judeus eram chamados de dhimmis ("povos do livro") e estavam sujeitos à jizyah, um imposto pago por pessoa, que os permitia viver sob o regime islâmico. Sob a sharia, a blasfêmia contra o Islã, seja por muçulmanos ou dhimmis, e a apostasia eram motivos suficientes para a pena de morte.
     Apesar de quatro basílicas cristãs e diversos mosteiros - mencionados no Martirológio de Eulógio - terem permanecido abertos, os moçárabes (cristãos em território muçulmano) foram gradualmente aderindo ao Islamismo, num processo estimulado pela taxação e pela discriminação legal imposta aos cristãos (como as leis regulando os filhos de casamentos entre cristãos e muçulmanos).
     De forma incomum, Recafredo, bispo de Córdobra, ensinava as virtudes da tolerância e da acomodação com as autoridades muçulmanas, que não ajudou a estancar as conversões. Para espanto de Eulógio, cujos textos são a única fonte para os martírios e que passou a ser venerado como santo ainda no século IX, o bispo ficou do lado das autoridades muçulmanas contra os martírios, que ele entendia serem obra de fanáticos. O fechamento dos mosteiros começou a aparecer nos registros a partir da metade deste mesmo século.
     Santo Eulógio encorajava os mártires como forma de reforçar a fé da comunidade cristã, como nos tempos das perseguições aos cristãos sob o Império Romano. Ele compôs tratados e um martirológio para justificar a autoimolação dos mártires, dos quais um único manuscrito contendo sua Documentum martyriale, os três livros de sua Memoriale sanctorum e sua Liber apologeticus martyrum, foi preservado em Oviedo, no reino cristão das Astúrias, no extremo noroeste da Ibéria.
     Santo Eulógio foi enterrado na Catedral de San Salvador, em Oviedo, para onde as suas relíquias foram transladadas em 884 d.C.
As execuções
     Os quarenta e oito cristãos (a maioria monges) foram martirizados em Córdoba na década de 860 por decapitação por ofensas religiosas contra o Islã.
     A Acta detalhada destes martírios foi atribuída ao habilmente chamado "Eulogius" ("benção"), que foi um dos últimos a morrer. Embora a maior parte dos mártires de Córdoba terem sido hispânicos, beto-romanos ou visigodos, houve um árabe, um sírio, um monge grego e dois outros cujos nomes eram gregos.
Santa Natália e seus companheiros
     Santa Natália de Córdoba nasceu nesta cidade por volta do ano 825 d.C., em plena dominação muçulmana. Reinava então o emir Abderramán II, que acreditando que com isto amansaria o caráter indomável dos cristãos, desencadeou contra eles uma perseguição que enfrentou ainda maiores problemas.
     Natália nascera de pais maometanos. Mas após a norte do pai, sendo ainda bem pequenina, sua mãe se casou em segundas núpcias com um cristão, que a converteu. Natália, portanto, foi educada nos preceitos cristãos e casou-se com Aurélio, também cristão, mas na clandestinidade, para evitar as perseguições.
     Certo dia, Aurélio presenciou um espetáculo humilhante em que João, um cristão, amarrado a um jumento com o rosto voltado para a cauda do animal, era conduzido ao lugar da execução sob a gritaria dos infiéis. A partir daquele momento, os esposos resolveram ser mais corajosos e praticar sua religião em público para animar aos demais cristãos, evitando que eles aderissem à religião oficial naquele momento e lugar.
     Juntaram-se a eles o casal Felix e Liliana. Pressentindo que chegava a sua hora, o casal distribuiu os seus bens aos pobres e necessitados. Félix e Liliana fizeram o mesmo.
     Natalia, Aurélio, Felix e Liliana eram ibéricos cuja ascendência, ainda que religiosamente mesclada, legalmente requeria que eles professassem o islamismo. Após terem recebido quatro dias de prazo para se retratarem, eles foram condenados como apóstatas por revelarem que eram cristãos em segredo.
     O diácono Jorge era um monge da Palestina que foi preso juntamente com os dois casais. Mesmo tendo recebido o perdão por ser estrangeiro, ele escolheu denunciar o Islã para poder morrer com eles.
     Após juiz e verdugo tentarem de todos os meios que eles renegassem sua Fé, nem as promessas nem as torturas os demoveram; finalmente foram degolados em 27 de julho de 852.
     Seus corpos foram sepultados e venerados pelos cristãos; mas, por estarem pouco seguros em Córdoba, Carlos o Calvo seis anos mais tarde providenciou o traslado do corpo de Santo Aurélio e a cabeça de Santa Natália para Saint-Germain (Paris).
Etimologia: Natália, do latim Natalis, derivado de nascor, nascere, natus, que significa “nascer”. Derivado de Natal: “nascida do Natal de Jesus”.