sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Santa Sciath, Virgem irlandesa - 6 de setembro


     No dia 6 de setembro comemoramos um número bem grande de santos, mas uma santa virgem, Sciath de Ardskeagh, pouco conhecida, faz-se notar. Esta informação é tirada do volume 9 do The Lives of the Irish Saints (As vidas do santos irlandeses).
     Santa Sciath (também conhecida como Scéithe, Scethi, Scethe) descendia de Conaire, filho de Mogh-lamha, monarca da Irlanda, por sua vez descendente de Heremon. Eilhue, filha de Concraidh, era sua mãe.
     A santa de Fert Sceithe, atualmente Ardskeagh, Irlanda, é mencionada no Martirológio de Tallagh no dia 1 de janeiro, possivelmente a data de sua morte. Pelo Martirológio de Donegal ficamos sabendo que neste dia, 6 de setembro, Santa Sciath, virgem de Feart Sceithe (ou Fert Sceithe), é venerada em Muscraighe-Aedha.
     A pequena paróquia de Feart Sceithe (ou Fert Sceithe), atualmente conhecida como Ardskeagh, fica em Muskerry, no condado de Cork (Irlanda).
     O dia 6 de setembro comemora a trasladação de suas relíquias para Tallagh. A veneração a ela no dia 6 de setembro consta de uma cópia de um manuscrito antigo, como também no Martirológio de Tallagh, onde é mencionada a chegada das relíquias de Scethi, filha de Mechi, em Tamlachta, ou Tallagh.
     A celebração de Santa Sciath pode ser encontrada no Feilire de São Oengus no dia 6 de setembro.
     No Martirológio de Donegal, Santa Sciath é mencionada como a padroeira de Fert Sceithe. Esta santa era venerada também na Escócia no dia 6 de setembro; naquele país ela é inserida no Calendário de Drummond como Santa Scetthe, virgem.
     Além destas informações, pouco de sabe sobre a vida desta Santa. Não se pode determinar com segurança o período em que ela viveu, mas segundo a evidência genealógica sua existência terrena deve ser colocada na primeira metade do século VII. Em Ardskeagh há ruínas de uma igreja construída no início do século XII e dedicada a São Miguel. Ela fora construída no local onde existiam as ruínas de um convento fundado por Santa Sciath por volta do ano 550. Esta igreja de São Miguel é mencionada em 1302; em 1591 ela já era descrita como locus desertus’ (JCHAS, 1892).
 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Beata Brígida de Jesus Morello, Fundadora - 3 de setembro


Fundadora da Congregação das Irmãs Ursulinas de Maria Imaculada
 
     Brígida Morello foi uma mulher de seu tempo, o século XVII: uma mulher de grande fé que soube ver nos acontecimentos históricos, e sobretudo nos que se relacionavam a ela, como viver a santa vontade de Deus.
     Deus é nosso Pai e nunca nos abandonará”. Esta segurança de ser amada como filha, gratuita e incondicionalmente, motivou-a a entregar seu carinho ao próximo.
     Brígida nasceu em 17 de junho de 1610 em São Miguel de Pagana (Gênova), na Costa de Levante, sexta de onze filhos; cresceu em um lar intensamente cristão. Aos 23 anos, em 14 de outubro de 1633, se casou com Mateus Zancano, de Cremona, e se estabeleceu com seu marido em Salsomaggiore (Parma), onde foi reconhecida por suas virtudes.
     Aos 27 anos, em 11 de novembro de 1637, ficou viúva, quando fez o voto de castidade, desejando tornar-se religiosa, porém não obteve sucesso ao desejar entrar entre as capuchinhas da localidade devido ao fato de ser viúva.
     Em 1640 se transferiu para Piacenza, onde os jesuítas se tornaram seus diretores espirituais, guiando-a sempre e a mantendo na via da perfeição, especialmente por parte do Padre Antônio Morando, seu confessor e primeiro biógrafo.
     Margarida de Médici, duquesa de Parma e Piacenza, queria dotar Piacenza de um Instituto de Ursulinas para a educação da juventude feminina, similar ao que existia em Parma. Para isto, em setembro de 1646, Brígida Morello acolheu algumas jovens mulheres em sua casa, sob a denominação de Santa Úrsula, dando assim início, em 17 de fevereiro de 1649, Quarta-feira de Cinzas, com cinco companheiras, a uma nova família de Ursulinas, sob a direção dos jesuítas.
     Entretanto, Brígida não foi a primeira superiora, pois em 1665 ela foi eleita como tal, sendo confirmada em 1670 e em 1675. Suas precárias condições de saúde não a impediram governar por extensos períodos, inclusive da cama, sua Congregação de Ursulinas de Maria Imaculada.
     Durante os longos anos de doença e de sofrimentos físicos e interiores, a Beata dirigia com frequência o olhar orante para o Crucifixo que levava sempre consigo. A oração da Beata Brígida dirigia-se com frequência para a terra dos Balcãs, invocando ao Senhor a conversão de todos e a paz para “o universo mundo”.
     Brígida faleceu no dia 3 de setembro de 1679, em Piacenza, e foi enterrada na igreja local de São Pedro; hoje não existem rastros de seu túmulo, mas há um certo número de cartas, alguns escritos autobiográficos e edificantes, documentos dos quais se pode tirar uma visão exata das experiências espirituais da fundadora.
     Somente nos anos 1927-28 se celebrou em Piacenza o processo ordinário para sua beatificação. O decreto sobre a heroicidade de suas virtudes se obteve em 29 de abril de 1980. Em 15 de março de 1998 o papa João Paulo II a beatificou.
 
 
Etimologia: Brígida, do médio-irlandês Brighid; irlandês antigo Brigit; alemão Brigitte, Birgitta, provavelmente variação de Berta. Céltico antigo Briganti: “a elevação, a grande, a sublime”. Outros traduzem “força, forte; guia”.

domingo, 31 de agosto de 2014

Santa Dulcelina, patrona de Hyères - 1 de setembro

    
     Nascida em Digne (Alpes de Provença) por volta de 1214-1215, Dulcelina era filha de Bérenger e de Huguette. Após a morte de seu pai, ela foi para Hyères para ficar junto de seu irmão o futuro Bem-aventurado Hugo de Barjols. 
     A jovenzinha se tornou dona de casa exemplar e se impregnou do espírito franciscano que começara a soprar na cidade onde os Irmãos Cordeliers implantaram uma pequena comunidade. Ela dormia sobre palhas, visitava doentes, recebia e servia os pobres.
     Hugo, ele também edificado pelo ensino e pelo exemplo dos irmãos franciscanos, decidiu se colocar a serviço da Igreja. Para se tornar digno disto, ele seguiu o ensinamento dos mestres mais respeitados na Itália, em Lyon, em Paris, forjando uma sólida cultura religiosa que fez dele um conselheiro de almas reputado em toda região de Provença após ter tomado o hábito dos cordeliers em 1236. Ele se tornou o célebre Hugo de Digne (ou Hugo de Barjols) que pregou diante de São Luís IX em 1254 (cf. Chroniques de Joinville) e era venerado por aquele Rei santo. Ele faleceu em 1256.
     Dulcelina consagrou toda sua vida aos pobres e aos doentes se cercou de outras mulheres devotadas à caridade. Aconselhada por Hugo, ela adotou o hábito de beguina, e foi assim que se formou em Hyères uma comunidade de beguinas que os habitantes da cidade chamaram de “Damas de Roubaud”, do nome de um pequeno rio perto do qual elas tinham o local de reunião e de oração.
     Em 1240, sempre dirigida pelo irmão, ela fez os votos de virgindade e de pobreza, que foi também emitido pelas outras Damas; estas lhe deram o nome de “Santa Madre”, pois ela dirigia as orações, os trabalhos e as atividades desta comunidade exemplar.
     Em 1250, Hugo optou pelo convento de Marselha e convidou a irmã para ir criar outra “Casa de Roubaud” próximo da atual Igreja São Teodoro.
     A nova comunidade marselhesa cresceu rapidamente e em toda Provença Dulcelina era considerada santa. Foi assim que Beatriz, esposa de Carlos, Duque de Anjou, Conde de Provença, chamou-a para perto de si quanto ficou grávida. Amiga e protetora dos mais pobres, Dulcelina era também conselheira da Corte, cujos cortesãos solicitavam seus conselhos judiciosos.
     Além de suas penitências, ela passava muito tempo em oração e com frequência caia em êxtase. Seus êxtases durante as orações contribuíram para atrair aqueles que tinham confiança em seu poder de intercessão e muitos milagres foram atribuídos a Dulcelina.
     No dia 1º de setembro de 1274, a Santa faleceu na idade de 60 anos, extenuada por se consagrar muito à oração e ao devotamento aos outros, cercada pelas irmãs de sua ordem e dos irmãos cordeliers, que sempre a consideraram como franciscana. O Bispo de Orange pronunciou o seu panegírico.
     Desde 1275, os restos mortais de Dulcelina repousam na igreja marselhesa dos franciscanos, ao lado de seu irmão São Hugo. Sua grande virtude levou-a à beatificação.
     Por testamento, São Luís de Anjou, bispo franciscano de Toulouse, falecido em Brignoles em 1297, pediu para ser sepultado junto de Hugo e de Dulcelina. O túmulo de Santa Dulcelina foi o local de numerosos milagres.
     A igreja dos Frades Menores que guardava as relíquias de Dulcelina e de Hugo foi demolida em 1524. As relíquias foram transportadas para a igreja chamada hoje "Velha Maior". Esta foi parcialmente destruída em 1857 para a construção da nova catedral. Sabe-se que os restos mortais dos bispos do passado foram então recolhidos e distribuídos nos túmulos dos altares; acreditamos que aí se encontram as relíquias de Dulcelina.
     A vida de Santa Dulcelina chegou-nos por um manuscrito redigido em 1297 por Filipina de Porcelet ("La Vida de la benaurada sancta Dulcelina"), uma discípula do beguinato originário de Arles. Intitulada Vie de la Bienheureuse Mère, esta obra escrita em linga provençal, falada em Marselha no século XIII, foi elogiada como uma obra-prima entre outros por Ernest Renan.
     “Permanecei unidas”, dizia ela à suas filhas, “no amor do Senhor, porque vós estais aqui reunidas no amor de Cristo e Cristo vos ligou em sua Caridade. Todas as outras santas ordens têm um liame muito forte, a Regra, mas o vosso liame é a Caridade. Este pobre cordãozinho vos mantêm unidas em Cristo”.
 
Fonte: Histoire du diocèse de Marseille
 
Etimologia: Dulcelina deve ser uma variante de Dulce, do latim Dulcis: “doce, suave, agradável”. Em francês, Douceline pode derivar de douce: “doce, suave, brando (a)”. 

Santa Verena de Zurzach - 1 de setembro

    
     Há duas Vite que narram a trajetória terrena de Santa Verana: uma escrita por volta de 888 e outra de 1005. Há também o Miracula s. Verenæ de 1010, que descreve a veneração dedicada a Santa Verena no século X, com peregrinações ao seu túmulo de Zurzach.
     Segundo a narrativa contida no capítulo 3º da Vita prior, Verena nasceu em uma estimada família de Tebas, no Egito. Os pais devem tê-la confiado, para ser batizada e para sua formação cristã, ao idoso bispo Queremone de Nilópolis. Este bispo devia ser conhecido do autor da Vita prior, o abade da Abadia de Reichenau, Hatto I (cerca do ano 888), uma vez que fora citado por Eusébio de Cesareia.
     Após a morte do Queremone, Verena foi transferida com outros cristãos para o Baixo Egito, onde os imperadores Diocleciano e Maximiano procuravam por novos soldados e haviam fundado com eles uma nova legião tebana.
     No capítulo 4º da Vita prior é dito que ela chegou à Milão acompanhando esta legião. Ali ela permaneceu por algum tempo procurando pelo cárcere dos legionários. Assim que soube da morte dos legionários, se pôs a caminho de Agaunum (atual Saint-Maurice, na Suíça). Em várias legendas hagiográficas é relatado que Verena deu sepultura aos mártires da Legião Tebana (a famosa legião de São Maurício).
     Segundo o 4º capítulo da Vita prior ela teria chegado a Solodorum, estabelecendo-se perto de um varão santo. Naquele local passava os dias em jejuns, orações e recitando os Salmos. Em uma parte deste capítulo o autor descreve que ela se comportava como uma verdadeira virgem cristã. Este capítulo termina com a informação de que Verena se fez enclausurar em um local augusto.
     A sua ligação com a Legião Tebana, cuja existência histórica é controvertida, pode ter sido obra do autor da Vita, devido ao grande culto dedicado naquele tempo àquela Legião. Era uso no tempo dos romanos que as esposas e os filhos dos militares fossem acompanhando as legiões. Segundo Speidel há sinais de uma legião, cujo nome era Tebas, já antes do ano 300, como também há noticias da existência de casas para virgens cristãs já no século III.
     Em uma gruta, chamada por ela mesma “Cova de Verena”, a jovem provia sua subsistência vendendo objetos feitos por ela manualmente. Segundo a legenda, Verena curava cegos e possuídos. Por isso os alemães se converteram ao Cristianismo e se fizeram batizar por um padre vindo da Itália. No capítulo VIII da Vita lemos que Verena atraiu para junto de si outras virgens. Em outro texto o autor descreve ainda mais detalhadamente a vida cristã de uma virgem dedicada a Deus.
     Como Venera atraia muita gente, ela foi aprisionada por um tirano romano. No capítulo IX, lemos que uma noite lhe apareceu um jovem que se revelou ser São Mauricio e a consolou. Quando o tirano romano foi acometido por uma febre, a fez chamar para que o curasse. Após curá-lo, Verena foi libertada e pode voltar para junto de suas amigas. O aprisionamento de Verena pode ter ocorrido durante a vigência do edito de perseguição de 303 expedido por Diocleciano e Maximiano.
     No capítulo XI está descrito o primeiro milagre: quando faltou o pão, Verena se voltou para Deus para pedir ajuda; inesperadamente, 40 sacos de farinha foram encontrados na cela.
    No início da Vita Posterior está escrito que a fama de Verena cresceu mais, o que a fez se transferir para uma ilha.
     Na ilha do Reno também chegaram numerosos doentes, cegos e estropiados para serem curados por Verena. No capítulo III da Vita Posterior vem descrito como uma mulher procurou ajuda com seu filho cego e estropiado. Verena se deitou sobre o solo com os braços em cruz e pediu o auxílio de Deus. O filho voltou curado para casa. A descrição da oração de Verena lembra muito a forma medieval de rezar.
     Escavações arqueológicas e fontes escritas provam que desde o século V se recorria a Santa Verena para obter graças. Ainda hoje a cripta do Mosteiro de Santa Verena de Zurzach é um local visitado por peregrinos. Por volta do ano 1010, um monge de Zurzach escreveu um livro sobre os milagres de Santa Verena ocorridos durante as peregrinações (o Miracula s. Verenæ).
     Em 1795, um incêndio atingiu Coblenza e muitas casas e igrejas foram danificadas. Somente uma imagem de Verena em madeira ficou intacta. Até hoje há muitas histórias e relatos de milagres, como o da fonte termal com que Santa Verena presenteou os habitantes de Zurzach e a intercessão da Santa pelas pessoas doentes.
     A popularidade de Santa Verena se manifesta também pelas numerosas representações artísticas. Ela é frequentemente representada com o avental e o cântaro.
    Santa Venera é celebrada no dia 1º de setembro, dia em que é grande a afluência de peregrinos a Zurzach para participar da Santa Missa em honra de Verena.
 
Etimologia: Verena, do latim verenna, em vez de verenda: “que é digna de veneração”. Ou do germânico Verana, talvez cognato do latim vera: “verdadeira”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Beata Teresa Bracco, Mártir da pureza - 29 de agosto

    
      Nasceu em 24 de fevereiro de 1924, penúltima de sete filhos, em Santa Giulia, no Piemonte, Itália. Mãe e pai – Ângela e Jacobo Bracco - foram para ela um exemplo de fé e fortaleza cristã: em 1927 sepultaram em apenas três dias dois filhos de nove e quinze anos. Uma fé submetida ao cadinho da prova. No fim do dia, o próprio Jacobo dirigia a reza do Rosário em família. O nome de Teresa ela recebera em honra da “pequena santa” de Lisieux, beatificada em 1923.

     Teresa só pôde frequentar até o quarto ano do primeiro grau, pois com o seu trabalho de pastorinha procurou contribuir para o sustento da família. Trazia o Terço sempre consigo e no campo nunca parava de rezar.
     Teresa era uma jovem extremamente reservada, modesta, delicada no relacionamento com as pessoas, sempre pronta a dar a sua ajuda. E bela: dois grandes olhos escuros e aveludados sobressaíam num rosto sereno e pensativo, emoldurado por grandes tranças castanhas. Bela, mas sem qualquer vaidade. Sabia atrair a admiração respeitosa dos conterrâneos: “Uma garota assim, eu nunca tinha visto antes e jamais vi depois”, afirmou um deles. “Havia nela algo de diferente das demais garotas”, recorda uma amiga. “Era a melhor de nós todas”, confia sua irmã Ana.
     Ginin – como era chamada – sacrificava de boa vontade preciosas horas de sono desde que pudesse comungar. A igreja não ficava tão perto de sua casa, e a missa era ali celebrada ao alvorecer. Mesmo assim, Teresa jamais renunciava à Santa Missa, por nada no mundo. A Eucaristia, a devoção a Nossa Senhora e a espiritualidade das obrigações, eis o segredo da sua santidade.
     Na casa da família Bracco chegava regularmente o Boletim Salesiano. Do número de agosto de 1933, Teresa cortou a terceira página que trazia a figura de Domingos Sávio, filho de camponeses como ela, que havia sido declarado venerável há pouco, e que tinha feito o seguinte propósito: “A morte, mas não o pecado”. A pequena – tinha apenas nove anos – ficou fascinada por ele, e colocou a página na cabeceira da cama. Desde então, o mote de Domingos foi também seu. Declarou guerra ao pecado: “Antes, eu me deixo matar”, escreveu. E manteve o propósito.
     Em 28 de agosto de 1944, uma feroz investida alemã chega a Santa Giulia e Teresa, assim como outras mulheres e crianças da região, foi tomada como refém de guerra por soldados alemães. Entendendo as intenções não benevolentes dos oficiais, Teresa tentou fugir indo em direção à floresta, mas foi alcançada por um oficial que, tomado pela raiva, a estrangulou e disparou um tiro de pistola no coração. O soldado ainda chutou o corpo já sem vida de Teresa, provocando a quebra do crânio.
     O corpo da jovem foi encontrado na floresta dois dias depois. Teresa tentara inicialmente fugir às atitudes brutais do soldado; depois, vendo a inutilidade de seus esforços, preferiu renunciar à vida a perder a virtude tão ciosamente conservada. O seu sacrifício não foi senão o último de uma vida inteiramente vivida pelo Evangelho. Toda a dinâmica do assassinato foi esclarecida pelo exame dos restos feitos em 10 de maio de 1989, sob a ordem do tribunal eclesiástico.
     João Paulo II beatificou-a em Turim no dia 24 de maio de 1998, memória de Maria Auxiliadora, durante sua peregrinação ao Santo Sudário.
 
Fontes: santiebeati e Bollettino Salesiano, Março, 2004

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Beata Maria Pilar Izquierdo Albero, Fundadora - 27 de agosto

    
      Maria Pilar Izquierdo Albero, terceira de cinco irmãos, nasceu em Zaragoza, Espanha, no dia 27 de julho de 1906. Na festa de Santa Maria das Neves, dia 5 de agosto, ela foi batizada. Mais tarde ela diria que esse fora o maior dia da sua vida, porque começara a ser filha da Igreja.

     Seus pais, pobres de bens materiais, mas ricos em virtudes, inculcaram na criança o espírito de piedade, o amor aos pobres e uma terna devoção à Virgem do Pilar. Desde muito criança brilhou nela um grande amor a Deus e aos pobres. Privava-se às vezes do seu lanche e das suas coisas para ajudar a quem considerava mais necessitado do que ela. Como nunca foi à escola, não sabia escrever nem quase ler, por isso considerava-se “uma tolinha” que não sabia senão “sofrer e amar, amar e sofrer”.
     Cedo Maria Pilar experimentou a dor e compreendeu o valor redentor do sofrimento. Aos 12 anos foi vítima de uma doença misteriosa que nenhum médico soube diagnosticar. Depois de quatro anos vividos, por motivos de saúde, em Alfamén, regressou a Zaragoza, onde começou a trabalhar numa fábrica de calçado.
     Era muito querida por todos por sua simplicidade, sua natural simpatia, sua bondade e sua laboriosidade. Mas o Senhor queria levá-la por outros caminhos e assim a foi adentrando no mistério da Cruz. De tal maneira Maria Pilar amou o sofrimento, que costumava dizer: “Encontro neste sofrer um amor tão grande a nosso Jesus, que morro e não morro... porque esse amor é o que me faz viver”.
     Em 1926, enquanto voltava do trabalho, fraturou a pélvis e em 1929 ficou paraplégica e cega por causa dos inúmeros quistos. Por mais de doze anos peregrinou pelos hospitais de Zaragoza, vivendo na água-furtada da Rua Cerdán, 24. Esta se converteu numa escola de espiritualidade e num lugar de luz, de paz e de alegria para quantos a visitavam, especialmente durante os três anos da guerra civil espanhola.
     As orações e a caridade mútua que imperavam ali faziam com que as almas discernissem a vocação a que Deus as chamava. Maria Pilar começou a falar da “Obra de Jesus” em 1936; ela dizia que esta obra haveria de aparecer na Igreja, que teria como finalidade “reproduzir a vida ativa do Senhor na terra através das obras de misericórdia”.
     No dia 8 de dezembro de 1939, festa da Imaculada Conceição, de quem era devotíssima, Maria Pilar ficou milagrosamente curada da paralisia que a havia prostrado por mais de dez anos no leito. Os quistos também desapareceram e ela recobrou instantaneamente a visão. Uma vez curada, pôs em marcha sua obra, deslocando-se, junto com várias jovens, a Madrid, onde já tinha sido aprovada a Fundação com o nome de “Missionárias de Jesus e Maria”.
     Logo apareceram os que procuram burlar os planos de Deus: ela foi proibida de exercer qualquer apostolado. Em 1942, porém, o Bispo de Madrid erigiu canonicamente a Obra como “Pia União de Missionárias de Jesus, Maria e José”.
     Após dois anos de fecundo apostolado entre pobres, crianças e doentes, Deus a fez caminhar novamente pelas vias da Cruz: reapareceram quistos no ventre. A este sofrimento físico se somaram os sofrimentos morais que Deus permite para purificar as almas: calúnias, intrigas, incompreensões, desacreditaram sua obra e afastaram várias jovens que haviam sido fieis.
     Aconselhada pelo seu confessor, Maria Pilar se retirou de sua própria obra em novembro de 1944, sendo seguida por nove das suas filhas. Em 9 de dezembro viajou até São Sebastião. Durante a viagem, numa noite gélida e por caminhos cobertos de neve, fraturou uma perna num acidente. Um tumor maligno se manifestou e a feriu de morte, mas não conseguiu apagar a luz da sua fé nem a sua firme convicção de que a obra voltaria a ressurgir.
     Abandonada das criaturas, prostrada no leito, alentava suas filhas: “Sinto deixá-las, porque as amo muito, mas lá do céu serei mais útil. Voltarei a terra para estar com os que sofrem, com os pobres, os doentes. Quanto mais sozinhas estiverem, mais perto de vocês estarei”.
     Morreu em São Sebastião, aos 39 anos, no dia 27 de agosto de 1945, oferecendo a sua vida pelas Filhas que se tinham separado, e que recordava com dor e com carinho: “Amo-as tanto, que não as posso esquecer; embora me batessem, me arrastassem, quisera tê-las aqui. Não quero lembrar-me do mal que me fazem, mas do bem que me fizeram. Bem sabe nosso amado Jesus que mais, muito mais do que me fazem sofrer quero que lhes dê o céu”.
     Confiantes nas palavras da Madre, suas filhas permaneceram unidas sob a direção do Pe. Daniel Diez Garcia, que a tinha ajudado e assistido nos últimos anos de sua vida. Em maio de 1948, o bispo D. Fidel Garcia Martines aprovou a obra canonicamente com o nome de “Obra Missionária de Jesus e Maria”.
     Em 1961 foram aprovadas como Congregação de Direito Diocesano e 1981 de Direito Pontifício. A Congregação conta na atualidade com 230 religiosas em diversos pontos da Espanha, Colômbia, Equador, Venezuela, Itália, México e Moçambique.
     A fama de santidade de Madre Pilar Izquierdo cresceu de tal forma, que o bispo D. Francisco Álvarez Martínez achou oportuno iniciar a Causa de Beatificação e Canonização. O Processo diocesano realizou-se de 1983-1988.
     No dia 18 de dezembro de 2000 foi declarada a heroicidade das suas virtudes e a 7 de julho de 2001 foi aprovado o milagre atribuído à sua intercessão. No dia 4 de novembro de 2001, Madre Maria Pilar foi beatificada por João Paulo II em solene cerimônia.
 
Fonte: Santa Sé

sábado, 23 de agosto de 2014

Sta. Maria Micaela do Ssmo. Sacramento, Fundadora - 24 de agosto

    
     Micaela Desmaissières y López de Dicastillo era filha de um opulento aristocrata e valente militar espanhol que em 1809 combatia as tropas de Napoleão que tinham invadido a Espanha. Sua mãe, Bernarda, era camareira da rainha Maria Luiza de Parma e tinha um irmão — Diego, depois conde de la Veja del Pozo — que foi embaixador do governo espanhol em Bruxelas e Paris, tendo falecido prematuramente aos 49 anos de idade.

     Austera, Bernarda educou os filhos à maneira das grandes famílias de antanho. Por isso quis que a filha, apesar de aristocrata, aprendesse a cozinhar, passar, e ocupar-se de todos os afazeres domésticos. Dizia que isso era “para o que possa suceder”. Micaela aprendeu também a tocar vários instrumentos musicais. Bernarda legou também à filha o hábito de passar de duas a três horas na igreja, o que Micaela fazia “embevecida em ternos afetos”.
     Em sua juventude Micaela costumava visitar os doentes e costurar para vestir os pobres. Reunia também em casa meninas pobres para ensinar-lhes a doutrina católica.
     Absorta em suas devoções e obras de caridade, Micaela chegou aos trinta anos sem pensar em casamento. Falecendo então a mãe, à qual era muito unida, ela herdou o título de Viscondessa de Jorbalán.
     Como encontrasse nos hospitais de Madrid muitas mulheres que, depois de levar vida devassa, sofriam as consequências de seus desmandos, veio-lhe a ideia de fundar uma casa de refúgio para a redenção dessas pecadoras. Foi o que fez com seus próprios recursos. Mesmo quando estava no exterior, a viscondessa não deixava de favorecer essa fundação com conselhos e dinheiro.
     Diz um seu biógrafo: “Seu irmão, o embaixador, apreciava tanto suas requintadas qualidades de gentileza no trato, sua discrição no falar e seu senso de oportunidade em tudo, que não podia separar-se de sua companhia. Para comprazer-lhe, a viscondessa aceitava aquela vida de sociedade, procurando harmonizá-la com uma intensa vida interior”. (1) Desse modo viveu vários anos nas principais capitais europeias.
     Ela mesma nos conta como passava seus dias: “De manhã, em obras de caridade; o resto do dia em visitas, passeios a cavalo ou de carro; e, à noite, no teatro, em reuniões e baile. Acrescente-se a isto o excessivo luxo e o primor na mesa”. (2) Isso, que poderia ser uma vida de dissipação, para ela era ocasião de sacrifícios. Pois, sob os ricos vestidos de seda, levava rudes cilícios e no teatro assistia à cena usando óculos sem vidros.
     Ela revela também a luta que tinha que enfrentar para vencer seu orgulho e caráter impetuoso e demasiado ativo. (4)
     Em 1848 ela voltou à Espanha, disposta a seguir o caminho que a Providência Divina lhe indicasse. Continuou enquanto isso a se vestir com muito luxo. Um dia ela foi assim toda ataviada se confessar. O sacerdote, ouvindo o frufru das sedas, disse-lhe bem espanholamente: “A Senhora vem demasiado oca para pedir perdão a Deus”. Ela desculpou-se: “São as saias”. O sacerdote retrucou: “Pois arranje outras”.
     No dia seguinte a santa apresentou-se no extremo oposto; tão desajeitada que chamava a atenção de toda a igreja. O sacerdote increpou-a novamente: “Como vem tão ridícula? Tire as sedas, mas se vista como essas senhoras virtuosas que vê na igreja”. Santa Micaela mandou fazer então um vestido simples de lã.
     Entretanto, sua obra para a regeneração de mulheres de má vida ia progredindo. O local se ampliava e o número de moças recolhidas crescia. Em 1850, Santa Micaela decide mudar-se para junto delas. “Seu talento organizador, sua penetração psicológica, seus dotes de mando e sua arte para dominar os espíritos mais rebeldes se revelam subitamente, com estupefação de todos que seguem o desenvolvimento da obra”. (6) No princípio tem que fazer de tudo: cozinhar, varrer, costurar, ensinar.
     A família fica chocada ao vê-la entre gente tão desclassificada, os círculos da aristocracia fazem vazio em torno dela, e seu irmão cai desmaiado ao ver a pobreza de seu quarto. Ao palácio real chega a notícia de que ela “endoideceu”. A rainha Isabel II deseja vê-la. E aí nasce entre ambas uma amizade profunda, muito aprovada pelo confessor da rainha, Santo Antônio Maria Claret.
     Aos poucos, entrementes a obra da santa começou a se impor aos olhos do público como força moralizadora e de grande significado religioso e social. Algumas moças da sociedade se uniram a Santa Micaela, surgindo assim, em 1858, a congregação das Adoradoras, Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade, para a adoração perpétua do Sacramento do Altar e regeneração das mulheres perdidas ou moças com risco de se perderem.
     Santa Micaela soube unir a bondade à energia no trato com as desgraçadas. Um dia pergunta a uma delas, que desejava ir embora, para onde iria. Esta lhe responde descaradamente que ia voltar para o bordel. Ao ouvir isso, a Santa indignada desfere-lhe sonora bofetada no rosto. A jovem lançou-se então a seus pés e disse: “Só minha mãe me castigou assim. Eu vou obedecer à senhora como a ela. Se ela não tivesse morrido, eu não me teria perdido”.
     O demônio aparecia-lhe sob diversas formas, atormentava-a com estrondos e empurrões e mais de uma vez a lançou escada abaixo.
     Aprovada pela Santa Sé em 1861, sua congregação religiosa continuava a crescer de maneira a possibilitar a fundação de outras casas em diversas cidades da Espanha.
     No verão de 1865, chegou à casa-mãe de Madrid a notícia de que várias monjas da casa de Valência haviam sido atacadas pela cólera. Santa Micaela comentou: “Saio para Valência, pois aquelas filhas que tenho lá não são valentes, e temo que se acovardem ao ver tanta mortandade”.
     Alguns dias depois de chegar a Valência, sentiu os primeiros sintomas da peste e compreendeu que sua vida chegava ao fim. No dia 24 de agosto comentou: “Vou padecer um pouco; mas às doze horas tudo terá passado”. Efetivamente, à meia-noite ela entregou sua valorosa alma a Deus.
     Os biógrafos descrevem Santa Micaela como sendo severa e maternal, não muito afetuosa, mas nem por demais esquiva, disposta a rir quando se contava algo engraçado; cheia de espírito e de agradáveis comentários de muito propósito, inimiga das lágrimas, mesmo no momento dos maiores transes, tranquila nas dificuldades, e contente em ver as demais contentes. Fisicamente não era muito bonita, mas impunha-se por sua graça e simpatia, bem como pelo seu atrativo sem igual. Tinha o aspecto majestoso e cheio de uma distinção aristocrática. Em suma, por muitos traços de seu corpo, bem como por sua psicologia, Santa Micaela lembrava muito Santa Joana de Chantal, a cofundadora das visitandinas.
     Santa Maria Micaela do Santíssimo Sacramento foi beatificada em 1925 e canonizada em 1934. Sua festa é celebrada no dia 24 de agosto.
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Notas:
1. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Santa Micaela, o la Madre Sacramento, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo III, p. 422. 2. Pe. José Leite, Santa Micaela, Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, 1987, tomo II, p. 584. 3. Urbel, p. 422. 4. Id. Ib. 5. Leite, p. 584. 6. Urbel, pp. 423-424. 7. Id., p. 427.
Fonte: Plinio Maria Solimeo, www.catolicismo.com.br (excertos)