domingo, 5 de outubro de 2014

Santa Flor ou Flora, Religiosa - 5 de outubro


     O Hospital Beaulieu foi fundado em 1238 por Gerbert de Thémines e sua esposa Aigline de Castelnau, entre Thémines e Grammat, no caminho de Conques à Rocamadour, na direção de São Tiago de Compostela.
     O local era ao mesmo tempo um mosteiro, um hospital e um local onde os pobres, os doentes eram cuidados. Em 1259, os fundadores o doaram para a ordem religiosa, militar e hospitalar de São João de Jerusalém, chamada atualmente Ordem de Malta. As irmãs eram admitidas após comprovação de nobreza.
     Santa Flor de Issendolus ou Santa Flor ou Flora, nasceu em Maurs em 1309, no Auvergne, na nobre família de Corbie, essencialmente religiosa, que contava com três filhos e sete filhas. Quatro delas foram religiosas como Flor. Seu pai chamava-se Pons de Corbie e sua mãe Melhors de Merle.
     Desde muito pequena se fez notar por uma maturidade precoce e uma grande piedade. Com quatorze anos, confessando sua vocação religiosa, pediu para entrar no convento. Ela ingressou no Hospital Beaulieu da Ordem de São João de Jerusalém.
     Logo de sua entrada no mosteiro Flora se deu totalmente à uma vida de oração, de penitência e de caridade. Ela escolheu uma vida de serviço para aliviar o sofrimento e a miséria dos pobres e dos doentes de seu tempo. Sua atividade transbordante era acompanhada de orações e de contemplação.
     A Guerra dos 100 anos tinha iniciado. As tropas inglesas invadiram a região de Quercy em 1342. Sabe-se que Santa Flora saia constantemente do convento para ir cuidar dos doentes, principalmente em Grammat, e visitava seus pais em Maurs. Os caminhos pelos planaltos calcários lhe permitiam passar sem se chocar com as tropas que se acantonavam nos vilarejos.
     Ela assistia a Missa todos os dias. A oração fervorosa lhe permitia passar noites sem dormir. Suas virtudes e sua humildade profunda a tornaram modelo para suas companheiras.
     Durante toda sua vida no Hospital Beaulieu Flor teve numerosas visões. Nessas visões, em seus êxtases, ela se aproximava desse mundo invisível ao comum dos mortais. Ela se dessedentava na fonte verdadeira, como Cristo havia indicado à Samaritana, fortificada com a descoberta do Paraiso. A Eucaristia a fazia cair numa extrema alegria.
     Santa Flor guardava segredo de suas visões e somente seu confessor podia fazê-las conhecidas. No começo suas companheiras zombavam de sua atitude, mas pouco a pouco, como suas visões se repetiam com frequência e idênticas, as monjas compreenderam que Santa Flora era uma privilegiada de Deus.
     Parece que foi então que ela recebeu o dom de curar, pois paralíticos, epilépticos recuperaram a saúde.
     Quanto mais sua alma se elevava para Deus, mais seu corpo se degradava. Esgotada devido a seus êxtases, ela se alimentava mal. Esgotada pela doença e pelo trabalho, Santa Flora faleceu em 1347, provavelmente no dia 5 de outubro, na idade de 38 anos.
    Após sua partida deste mundo, curas milagrosas ocorreram junto a seu túmulo. Os milagres se multiplicaram, seu sepulcro tornou-se o centro de uma piedosa peregrinação. Treze anos após sua morte seu corpo foi exumado e exposto à veneração dos fieis por ordem do Bispo de Cahors, Bertrand de Cardaillac.
     As relíquias foram levadas para a capela do Hospital Beaulieu. Em 1793, os revolucionários incendiaram o hospital. As relíquias da Santa foram profanadas e queimadas. Duas almas misericordiosas salvaram o crânio e uma tíbia da Santa. Em 1866, o Bispo de Cahors mandou depô-los na igreja de Issendolus.
     Proclamada Santa pelo povo antes de o ser oficialmente pela Igreja, Santa Flora realizou numerosos milagres: 109 foram reconhecidos. Eles foram descritos desde o século XVII, mas ainda hoje eles acontecem. Numerosas narrativas autenticam a intervenção de Santa Flora.
     As intercessões de Santa Flor acontecem dentro da tradição da Ordem religiosa e militar a favor dos pobres, dos doentes, dos peregrinos e dos soldados. A relação dos milagres de Santa Flora, por vezes narrativas reduzidas a algumas linhas, traz informações sobre a vida da província durante a Guerra dos 100 anos e as devoções populares.
     Santa Flor ficou conhecida graças ao seu confessor que escreveu sua vida. O texto original em latim desapareceu, mas uma tradução gasconha do século XV se conservou sob o nome de: Vida e miracles de S. Flor. O texto foi publicado por Clovis Brunel em 1946.
 
Etimologia: Flora, do latim Flora, deusa das flores, entre os romanos. Deriva-se de flos, floris: “flor”.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Sts. Máxima, Júlia e Veríssimo, Mártires - 3 de outubro

     Assim diz o Martirológio Romano de 1953: “Em Lisboa, na Lusitânia (agora Portugal), os santos mártires Veríssimo e suas irmãs Máxima e Júlia, que sofreram durante a perseguição do imperador Diocleciano” (284-305).
     Uma das referências mais antigas dos mártires de Lisboa é encontrada no Martirológio de Usuardo do século IX. Os testemunhos litúrgicos multiplicaram-se ao longo dos séculos X e XI. O Padre Miguel de Oliveira sustenta a opinião de que "os santos mártires de Lisboa já estavam inscritos nos calendários uns 200 anos depois do seu martírio". Esta devoção foi guardada pela comunidade moçárabe de Córdoba.
     Quanto aos detalhes da vida destes mártires, só os conhecemos pelo descrito num códice quatrocentista da Biblioteca Pública de Évora, (cód. CV/1-23d). Segundo a "Legenda", os irmãos lisbonenses, Veríssimo, Máxima e Júlia, durante a perseguição de Diocleciano apresentaram-se espontaneamente ao executor dos éditos imperiais,
Públio Daciano, legado do imperador, confessando a fé cristã.
     O juiz procurou dissuadi-los com promessas e ameaças; como nada conseguisse, mandou-os prender. Os três irmãos saíram vitoriosos da prova do cárcere. O juiz então mandou submetê-los a vários tormentos: açoites, ecúleo, unhas de ferro, lâminas em brasa. Diante de sua inabalável resistência, mandou que fossem arrastados pelas ruas da cidade e finalmente degolados. Alcançaram a palma do martírio em 303 ou 304.
     Depois de mortos, o juiz ordenou que os cadáveres ficassem insepultos para servirem de pasto aos cães e às aves, mas as feras os respeitaram. Mandou em seguida que eles fossem lançados no mar com pesadas pedras. Quando os barqueiros regressaram à praia do Rio Tejo encontraram ali os santos despojos. Os cristãos recolheram-nos e sepultaram-nos no lugar onde depois se erigiu a igreja Santos-o-Velho, a primeira igreja em Lisboa a albergar as relíquias destes Santos.
     Em 1475, D. João II ordenou que fossem trasladados para Santos-o-Novo, mosteiro das Comendadeiras de São Tiago. Em 1529, a comendadeira Da. Ana de Mendonça mandou colocar as relíquias em um cofre de prata, que foi depositado ao lado direito do altar mor da igreja.
     Alguns estudiosos pretenderam que estes mártires fossem filhos de um senador romano vivendo em Roma, os quais receberam de um anjo a missão de irem a Lisboa para confessarem a Fé. Esta legenda repercutiu na iconografia: os três mártires são apresentados em trajes de romeiros, portanto bordões compridos nas mãos. É como os podemos ver no belo conjunto de três imagens do século XVII expostas ao culto na igreja do extinto Mosteiro de Santos-o-Novo, em Lisboa, que guarda parte das relíquias dos mártires.
 
Fontes: http://evangelhoquotidiano.org/; Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.
 
Mosteiro de Santos-o-Novo
     Uma velha tradição diz ter o Rio Tejo arrojado a uma das praias da sua margem direita, que depois se ficou chamanda de Santos, os corpos dos santos mártires Veríssimo, Máximo e Júlia. No local, pela tradição indicado, mandou D. Afonso Henriques edificar a Igreja de Santos, e D. Sancho I um mosteiro, destinado aos cavaleiros da Ordem de Santiago da Espada. Mais tarde, tendo estes recebido de D. Afonso III as vilas de Mértola, Alcácer do Sal e Palmela, foi o mosteiro concedido a algumas senhoras parentes dos cavaleiros de Santiago, a quem D. Afonso Henriques concedera o título de Comendadeira e que por êsse tempo viviam reunidas numa quinta em Arruda dos Vinhos.
     Largos anos estiveram essas donas e donzelas no mosteiro de Santos, sendo conhecidas vulgarmente nessa época por mulheres da obrigação dos cavaleiros de Santiago. Porém, em 1470, D. João II mandou que essas senhoras passassem para a ermida de Nossa Senhora do Paraíso, entre os conventos de Santa Clara e Xabregas, enquanto se construia, o de Santos-o-Novo.
     Em 1475 entraram as comendadeiras naquele novo e vasto convento, com bons dormitórios, grande claustro arborizado, tendo o espaçoso edifício muitos compartimentos e 365 janelas. E anos depois, foram solene e processionalmente transportadas para o convento de Santos-o-Novo as relíquias dos Santos Mártires, que desde o reinado de D. Afonso Henriques estavam guardadas na igreja de Santos-o-Velho.
     As senhoras recolhidas naquele mosteiro gozavam de muitas honras e privilégios, não sendo consideradas freiras. Eram pessoas nobres, que podiam ter criadas ao seu serviço. Algumas delas professavam votos iguais aos cavaleiros da mesma Ordem de Santiago. Pertenceram à Ordem senhoras de nobre estirpe, como D. Auzenda Egas, descendente de Egas Moniz e D. Sancha Martins Peres, que foi a primeira superiora.
     Como D. Afonso Henriques recomendara em uma carta para Arruda dos Vinhos que as senhoras usassem toucados honestos, as comendadeiras seguiram sempre essa recomendação vestindo trajos de sêda preta colocando sôbre êles mantos brancos de tule com as cruzes de Santiago e toucados também brancos nos cabelos. A princípio ocuparam, cada uma, várias dependências do convento, mas, pouco a pouco, foram vivendo mais modestamente, contentando-se cada uma com mais reduzido número de compartimentos; e o título de comendadeira chegou ao séc. XIX apenas como honorífico.
     O terramoto de 1755 arruinou bastante o edifício, chegando as senhoras ali recolhidas a terem que armar barracas na cêrca do convento para ali se abrigarem, até se reedificarem os seus dormitórios. Em 1833, o mosteiro podia acomodar 500 pessoas. Mas nesse mesmo ano D. Pedro IV ordenou que as religiosas de todos os conventos recolhessem para dentro das linhas de defesa de Lisboa, e a maior parte das comendadeiras de Santo-o-Novo recolheu ao mosteiro da Encarnação, da Ordem de S. Bento de Aviz. Terminadas as lutas civis, as comendadeiras regressaram ao seu convento.
     O edifício do convento de Santos é atualmente (1941) patrimônio do Estado e destinado a recolhimento de viúvas e filhas de oficiais do Exército e da Armada e funcionários públicos, dependendo da Direção Geral de Assistência Pública. No edifício estão também escolas primárias e o Instituto Presidente Sidónio Pais, do Prefessorado Primário (secção masculina).
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Beata Cecilia Eusepi, Terciária servita - 1 de outubro

    
     Esta é a história de uma mocinha. Não era um gênio, não deixou obras. Nada de excessivo, em suma, nada de especial. Se não fosse que para Alguém tivesse sido tão preciosa.

     Cecília Eusepi é o nome desta jovem que viveu no início do século XX num vilarejo às portas de Roma e morta pela tuberculose com apenas dezoito anos. De si não deixou mais do que poucos cadernos com as suas recordações de infância e um diário, escritos apenas para obedecer ao seu confessor quando já estava tomada pela doença.
     A beatificação, introduzida pouco depois da sua morte, procedeu sem obstáculos. No dia 1º de junho de 1987 foi declarada venerável por João Paulo II, e dia 17 de junho de 2012 foi proclamada beata pelo Papa Bento XVI.
     Hoje já há quem a considere uma irmã espiritual de Santa Teresa de Lisieux, à qual Cecília Eusepi é semelhante em muitos aspectos.
Vida e Morte
     Nepi é uma antiga cidadezinha da Tuscia a quarenta quilômetros de Roma. Um dos muitos sonolentos vilarejos que tempos atrás pertenciam à Itália camponesa. Foi neste ambiente que foi morar Cecília, vinda de Monte Romano, uma cidadezinha próxima na qual tinha nascido no dia 17 de fevereiro de 1910, última de onze filhos. Com a mãe viúva e o tio materno estabeleceram-se a três quilômetros do vilarejo, numa propriedade chamada “La Massa” que pertencia aos Duques Lante della Rovere, onde o tio trabalhava como caseiro.
     Muito vivaz e sensível, cresceu circundada por um afeto particular, principalmente por parte do tio, a cujos cuidados seu pai, antes de morrer, a tinha confiado. Aos seis anos, como muitas meninas do povoado, foi mandada à escola junto ao mosteiro cisterciense de Nepi, que hospedava na comunidade as órfãs de guerra. Pela destacada sensibilidade e a rapidez de aprendizado de tudo aquilo que lhe ensinavam, as monjas não esconderam a esperança de tê-la um dia entre os muros do claustro.
     Mas não era a vida monacal que atraía Cecília. Um pouco mais adiante, a cem metros do convento, encontrava-se a paróquia de São Ptolomeu mantida pelos Servos de Maria, à qual tinha anexo o seminário, que então era lotado de aspirantes sacerdotes para as missões. Em torno da paróquia de São Ptolomeu gravitava toda a vida juvenil do vilarejo.
     Concluída a escola primária, Cecília passava o seu tempo ali, e foi neste contexto que amadureceu precocemente e com surpreendente clareza a sua vocação. Tanto que com apenas doze anos, junto com outras colegas maiores, pediu para entrar como terciária na ordem dos Servos de Maria e no ano seguinte, apesar da tenra idade e das tentativas para dissuadi-la por parte dos familiares, obteve do bispo a dispensa para entrar postulante entre as “Mantellates” Servas de Maria. Foi estudar em Roma, em Pistóia e depois em Zara.
     Mas a sua aspiração de partir como missionária não se realizaria. Em outubro de 1926, atingida pela doença que dois anos depois a levaria à morte, foi obrigada a voltar para Nepi.
     A pedido do Pe. Gabriele Roschini, seu confessor, escreveu suas memórias e as entregou em junho de 1927 num caderninho de escola.
Como Santa Teresa de Lisieux
     Quem lê aquela narração talvez poderá se admirar com o modo infantil e confidencial de Cecília falar da sua ligação de pertença a Jesus, mas toda sua sabedoria está neste ser criança abandonada à graça de Deus. Exatamente como Santa Teresa de Lisieux. Ela mesma diz isso: Chegarei a Jesus por um pequeno atalho, breve, muito breve, que me foi traçado pela pequena Teresa do Menino Jesus.
     Foi justamente a leitura de "História de uma alma" que provocou em Cecília ainda menina o desejo de abraçar a vida religiosa. Cecília ainda não tinha completado dez anos e Teresa de Lisieux não tinha sido proclamada venerável. Mais tarde diria: Jamais pensei em chamá-la de irmã, embora tivesse notado entre a minha alma e a Sua uma grande semelhança, não pela correspondência à graça, mas pelos dons de graça que Jesus nos concedeu.
     No dia 23 de outubro de 1926, com a volta para Nepi, para Cecília se inicia o último e breve percurso da sua vida, marcado pela manifestação e agudeza progressiva da tuberculose. Período que se tornou ainda mais doloroso pela solidão do chamado por ela “exílio em La Massa”. Um exílio sofrido pela consciência de não poder mais professar os votos, pelo afastamento de Nepi, e as calúnias por parte dos proprietários do local. Único conforto, a devoção filial a Nossa Senhora das Dores que ela chama o seu “coração” e à Eucaristia, o seu “tesouro”, que Pe. Roschini, duas vezes por semana, com qualquer condição de tempo, pontualmente levava para ela.
     Não faltam, para romper o exílio, as frequentes visitas dos camponeses, dos colegas da Ação Católica, e dos jovens seminaristas acompanhados pelos padres, os quais com frequência pedem a essa mocinha doente e pouco instruída conselhos para as homilias.
     Nestes últimos anos Cecília terá do “pequeno caminho” uma lúcida consciência: Humildade, abandono, amor”. Até o fim não diminuiria a sua simplicidade e alegria, faleceu cantando as orações à Maria que tinha aprendido quando pequena. Era o dia 1º de outubro de 1928. E também esta data parece quase uma coincidência. Teresa morrera no dia precedente, dia 30 de setembro de 1897. Em 1927, ano em que foi proclamada por Pio XI padroeira das missões, no dia 1º de outubro Teresa apareceu num sonho de Cecília, assim como está documentado no seu diário, preanunciando sua morte exatamente para aquele dia.
     Cecília desejava repousar para sempre na igreja de São Ptolomeu, aos pés do altar de Nossa Senhora das Dores, ali onde estava o seu “coração”. E também este desejo foi concedido durante a guerra, quando por temor dos bombardeamentos os frades decidiram transportar os seus restos para o interior da igreja. Naquela ocasião foi feito um reconhecimento dos seus restos e os presentes viram com surpresa que o corpo estava intacto (assim como se encontra até agora) “e a pele era tão macia”, lembra Pe. Pietro, atual pároco de São Ptolomeu, “que parecia que estava dormindo...”. 
Milagre
     Uma junta médica aprovou por unanimidade, no dia 1° de outubro de 2009, a cura de Thomas Ricci, ocorrida em 4 de agosto de 1959, depois que ele sofreu uma queda acidental. Sua recuperação milagrosa foi a condição necessária para a continuação da causa de beatificação da Serva de Deus Cecilia Eusepi.
 

domingo, 28 de setembro de 2014

Beata Amália Abad Casasempere, Mãe de família e mártir - 28 de setembro

     Amália Abad Casasempere nasceu em 11 de dezembro de 1897 em Alcoy, Alicante, na Espanha. Foi batizada no mesmo dia na paróquia do seu povoado; foi crismada em 6 de  outubro de 1906 e recebeu a 1ª Comunhão em 22 de maio de 1907. Amália foi educada nos valores da fé e cresceu, como muitas jovens da sua geração, em meio às dificuldades políticas daquelas primeiras décadas do século XX, na Espanha.
     Em 6 de setembro de 1924, casou-se com o capitão do exército Luís Maestre Vidal, preocupando-se doravante em ser uma boa esposa e criar o ambiente adequado para criar os filhos que Deus lhes concederia. Nada levava a crer que, após a alegria do nascimento dos seus três filhos, e depois de três anos de matrimônio, Amália ficaria viúva.
     Ela teve que ser forte e nos momentos de fraqueza confiava seus filhos à Virgem Maria. Sabia que a fé era o maior tesouro que poderia lhes dar e educou-os num ambiente de piedade e generosidade. Apesar da responsabilidade que implicava educar seus três filhos, Amália encontrava tempo para participar de várias atividades da Igreja, de maneira especial na Ação Católica. Sem se descuidar do seu lar, se dedicava com entusiasmo à catequese e às obras de caridade.
     Quando a perseguição religiosa começou na Espanha, com a consequente destruição de igrejas e conventos, e o assassinato de inúmeros católicos, Amália escondeu em sua casa duas religiosas, sabendo que esta atitude poderia custar-lhe a vida. Seu despojamento e caridade a impulsionaram a visitar dois fiéis encarcerados para dar-lhes ânimo e socorrê-los materialmente. Os perseguidores, conhecendo sua militância católica e a ajuda que prestava aos detentos, prenderam-na e submeteram-na a todo tipo de maus-tratos e fome.
     Finalmente, em 28 de setembro de 1936, a jovem mãe deu testemunho do seu amor a Jesus Cristo com seu próprio sangue, sendo assassinada em Benillup pelos milicianos. Sua confiança na Providência de Deus frutificou: seus filhos foram ajudados e anos mais tarde uma filha sua partiu rumo à África como missionária.
     O Papa João Paulo II elevou-a a honra dos altares no dia 11 de março de 2001, juntamente com outros 232 mártires da perseguição religiosa ocorrida na Espanha. 
 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Santa Justina, virgem e mártir - 26 de setembro


     Vivia em Antioquia, região situada entre a Síria e a Arábia, pertencente ao governo da Fenícia, a bela e rica donzela Justina. Seu pai Edeso, sacerdote dos ídolos, e sua mãe Cledônia a educaram nas tradições pagãs. Ela “sentava-se todos os dias à janela a ouvir o diácono Prélio ler o Evangelho, até que, por fim, foi convertida por ele”(*) ao Cristianismo, dedicando sua vida às orações, consagrando e preservando sua virgindade.
     Um jovem rico chamado Acládio apaixonou-se por Justina. Os pais da donzela, agora já convertidos à fé cristã, concederam-na a ele por esposa, mas Justina não aceitou casar-se. Acládio recorreu a Cipriano, o feiticeiro, para que este usasse seu poder para que a donzela abandonasse a Fé e se entregasse ao matrimônio.
     Cipriano de Antioquia, o feiticeiro, assim denominado para distinguir-se de Cipriano de Cartago, era filho de pais pagãos muito ricos. Desde menino foi induzido aos estudos da feitiçaria e das ciências ocultas como a alquimia, astrologia, adivinhação e as diversas modalidades de magia.
     Após muito tempo viajando pelo Egito, Grécia e outros países aperfeiçoando seus conhecimentos, aos trinta anos de idade Cipriano foi à Babilônia a fim de conhecer a cultura ocultista dos Caldeus. Encontrou a Bruxa Évora e intensificou seus estudos e aprimorou a técnica da premonição. Évora morreu em avançada idade deixando seus manuscritos para Cipriano, o que foi de grande proveito para ele. O feiticeiro logo se tornou conhecido, respeitado e temido por onde passava.
     Cipriano iniciou o ataque contra Justina: usou um pó que despertaria a luxúria, ofereceu sacrifícios aos demônios e empregou diversas obras malignas. Mas Justina se defendia redobrando as orações a Deus e fazendo o Sinal da Cruz a cada novo ataque do demônio, e as magias não obtinham resultado.
     A ineficácia dos feitiços fez com que Cipriano caísse em si e se desiludisse profundamente de sua fé pagã e se voltasse contra o demônio. Ele foi ter com o bispo contando-lhe tudo o que havia acontecido, protestando sincero arrependimento e pedindo-lhe que o batizasse. Assim, o bruxo se converteu ao Cristianismo, queimou seus manuscritos de feitiçaria e distribuiu seus bens entre os pobres.
     Cipriano avançou tanto no conhecimento da doutrina como na vida cristã que foi ordenado bispo após a morte do titular. Ele então pôs Justina à frente de um grupo de muitas virgens. São Cipriano enviava muitas cartas aos mártires fortalecendo-os no combate.
     Chegou ao conhecimento do governador romano daquela região a fama de Cipriano e de Justina. Baseando-se no decreto do imperador Diocleciano, que perseguia os cristãos, ordenou que fossem presos, torturados e forçados a negar a Fé Cristã.
     Diante do governador Justina foi chicoteada e Cipriano açoitado com pentes de ferro, mas não cederam. Irritado com esta resistência, o governador ordenou que Cipriano e Justina fossem lançados numa caldeira cheia de banha e cera ferventes. Eles não só não renunciaram à Fé, como sentiam muito frescor em vez de qualquer suplício.
     O sacerdote dos ídolos supôs que as torturas não produziam resultado devido a algum feitiço lançado por Cipriano. Desafiando-o, ele invocou os demônios e atirou-se na caldeira. Em poucos segundos seu corpo foi destruído.
     O governador então ordenou que Justina, Cipriano e outro cristão de nome Teoctisto fossem decapitados. Era o ano 302. Os seus corpos ficaram expostos aos cães por seis dias, mas estes não os tocaram; foram depois recolhidos pelos cristãos e trasladados para Roma.
     Estes santos foram introduzidos por São Beda em seu Martirológio, e por meio dos martirológios históricos passaram para o Martirológio Romano, onde são comemorados no dia 26 de setembro.
     Obs.: Justina vem de justitia, “justiça”.
 
(*) Fonte: Legenda Áurea, Tiago de Voragine.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Beata Colomba Gabriel, Abadessa e Fundadora - 24 de setembro


     Martirologio Romano: Em Roma, Beata Colomba (Joana) Gabriel, abadessa do mosteiro de Lviv, na Ucrânia, que, injustamente caluniada, viajou para Roma onde, vivendo pobre e alegre, fundou a Congregação das Irmãs Beneditinas da Caridade, além da obra social chamada Casa da Família para jovens operárias pobres ou afastadas de sua família.
     Joana Matilde Gabriel nasceu no dia 3 de maio de 1858, em Stanislawow (Polônia), no seio de uma família de nobre linhagem. Teve uma formação cultural sólida primeiro na família, depois nas escolas de sua cidade natal e em Lviv. Tendo se formado professora, ensinou nas escolas públicas e depois nas escolas das Irmãs Beneditinas de Lviv, onde, em 20 de agosto de 1882, fez sua profissão religiosa solene. Tomou o nome de Colomba e mais tarde chegou a ser abadessa.
     Mas a Providência dispôs de outra forma. Como resultado de conflitos internos teve que deixar o cargo e, em 24 de janeiro de 1900, também o mosteiro. Foi para Roma, ingressou no mosteiro beneditino de Subiaco onde permaneceu até 1902. Voltou depois para Roma onde se dedicou ao cuidado das crianças da paróquia de Testaccio e Prati.
     Continuou o trabalho social com os necessitados e com a ajuda de um grupo de damas romanas presidido pela Princesa Barberini organizou uma “casa da família”, a fim de proteger as jovens trabalhadoras pobres.
     Aconselhada por seus superiores, reuniu em torno a si mulheres jovens que desejavam colaborar com a obra, unindo-se na vida religiosa. Assim nasceu, em 1908, o Instituto chamado das “Beneditinas da Caridade”, com o objetivo de dedicar-se às jovens abandonadas, que mais tarde se estenderia aos jovens em general e à paróquia.
     Madre Colomba Gabriel recebeu a ajuda da co-fundadora, Plácida Oldoini, que a sucedeu depois de sua morte, ocorrida no subúrbio romano de Centocelle, em 24 de setembro de 1926. Sua sucessora expandiu a fundação, que em 1970 já possuía 118 casas na Itália.
     A beatificação de Madre Colomba Gabriel foi celebrada pelo Papa João Paulo II em 16 de maio de 1993.
 
Fonte: www.santiebeati/it

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nossa Senhora de La Salette - 19 de setembro

 

Nas pastagens da montanha
     No sábado, 19 de setembro de 1846, bem cedo, duas crianças - Maximino Giraud e Melânia Calvat - sobem as ladeiras do Monte Planeau. O sol resplandecia sobre as pastagens. Ao meio dia, no fundo do vale, o sino da Igreja da aldeia toca a hora do Ângelus. Junto à fonte, eles comem pão e um pedaço de queijo.
Uma estranha claridade
     Contrariamente a seu costume, eles se estendem sobre a relva e adormecem. Melânia acorda e não vê o rebanho que pastoreavam. Ela sacode Maximino e ambos sobem a ladeira à procura dos animais. Voltando-se, têm diante de si toda a pradaria: as vacas lá estão ruminando calmamente. Os dois pastores se tranquilizam. Melânia começa a descer, mas ela se detém imóvel e de susto deixa cair o cajado. Junto à pequena fonte, sobre um dos assentos de pedra, ela vê um globo de fogo: "É como se o sol tivesse caído lá", aponta. No entanto, o sol continua brilhando num céu sem nuvens. Então, uma mulher aparece, sentada, a cabeça entre as mãos, os cotovelos sobre os joelhos, numa atitude de profunda tristeza.
A "Bela Dama"
     Maximino Giraud e Melânia Calvat haviam recebido apenas uma muito limitada educação. As crianças relataram que a "Belle Dame" estava triste e chorando, com seu rosto descansando em suas mãos. A Bela Senhora pôs-se de pé e disse:
     "Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade! Se meu povo não se quer submeter, sou forçada a deixar cair o braço de meu Filho. É tão forte e tão pesado que não o posso mais. Há quanto tempo sofro por vós. Dei-vos seis dias para trabalhar, reservei-me o sétimo, e não o querem me conceder! É isso que torna tão pesado o braço de meu Filho. E também os carroceiros não sabem jurar sem usar o nome de meu Filho. São essas as duas coisas que tornam tão pesado o Seu braço. Se a colheita for perdida a culpa é vossa (...) Orai bem, fazei o bem. Se a colheita se estraga, e só por vossa causa, Eu vo-lo mostrei no ano passado com as batatinhas: e vós nem fizestes caso! Ao contrário, quando encontráveis batatinhas estragadas, blasfemáveis usando o nome de meu Filho. Elas continuarão assim e, neste ano, para o Natal, não haverá mais".
     Então, as crianças vão até a Bela Senhora. Ela não parava de chorar. Segundo os relatos das crianças, a Senhora era alta e toda de luz; vestia-se como as mulheres da região: vestido longo, um grande avental, lenço cruzado e amarrado às costas, touca de camponesa. Rosas coroavam sua cabeça, ladeavam o lenço e ornavam seu calçado. Em sua fronte a luz brilhava como um diadema. Sobre os ombros carregava uma pesada corrente. Uma corrente mais leve prendia sobre o peito um crucifixo resplandecente, com um martelo de um lado e de outro uma torquês. Assim a Bela Senhora falou em segredo a Maximino e depois a Melânia.
     E novamente os dois em conjunto ouvem as seguintes palavras: "Se se converterem, as pedras e rochedos se transformarão em montões de trigo, e as batatinhas serão semeadas nos roçados". E a Bela Senhora conclui, não mais em patois, mas em francês: "Pois bem, meus filhos, transmitireis isso a todo o meu povo".
     Terminou assim a aparição. Segundo as crianças ela andava, mas as plantas de seus pés não esmagavam a relva, quase não dobravam os talos. Melânia correu e a contemplou de novo lá no alto. E depois, segundo ela, viu o rosto e a figura da Senhora desaparecendo à medida que a luminosidade aumentava.
As Profecias da Virgem
     O tema central das mensagens da Virgem para a Humanidade foi que deveriam livrar-se do pecado mortal e fazer penitência, ou sofreriam terríveis sofrimentos.
     A Virgem Maria predisse eventos futuros da sociedade e da Igreja. O cumprimento destas previsões foi também visto como uma das indicações da veracidade da aparição nas investigações que se seguiram à aparição.
     No que diz respeito à sociedade, a Virgem Maria previu que a colheita seria completamente fracassada. Em dezembro de 1846, a maior parte das camadas populares foi atingida por doenças e, em 1847, uma fome assolou a Europa, resultando na perda de cerca de um milhão de vidas, sendo cem mil só na França. A cólera se tornou prevalente em várias partes da França e custou a vida de muitas crianças. O desaparecimento da Segunda República Francesa, com a Guerra franco-prussiana (1870-1871) e a revolta da Comuna de Paris de 1871, foram igualmente previstos.
     No que diz respeito à Igreja, Ela previu que a fé católica na França e no mundo, mesmo na hierarquia católica, iria diminuir bastante por causa dos muitos pecados dos leigos e do clero. Guerras iriam ocorrer se os homens não se arrependessem, Paris e Marselha seriam destruídas.
     A Humanidade foi alertada para a vinda do Anticristo e do fim dos tempos. Para Maximino, Ela previra a conversão da Inglaterra na fase final do Apocalipse.
Alerta para os erros e a diminuição da Fé
     Nas suas profecias a Virgem alerta com bastante rigor:
     "No ano de 1864, Lúcifer, com um grande número de demônios serão soltos do inferno. Eles abolirão a fé pouco a pouco, mesmo nas pessoas consagradas a Deus. Os cegará duma tal maneira que, a não ser por uma graça especial, essas pessoas tomarão o espírito desses anjos maus. Muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas".
     "Os maus livros se multiplicarão sobre a terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda a parte um relaxamento universal por tudo o que respeita ao serviço de Deus; eles terão um poder muito grande sobre a natureza. Haverá igrejas para servir a esses espíritos. Pessoas serão transportadas dum lugar para outro por esses espíritos malignos e mesmo sacerdotes, porque estes não serão conduzidos pelo bom espírito do Evangelho que é um espírito de humildade, de caridade e de zelo pela glória de Deus. 'Far-se-á ressuscitar mortos e justos' (isto é, esses mortos tomarão a forma das almas justas que tinham vivido na terra, a fim de seduzir melhor os homens: esses autodenominados mortos ressuscitados, que não serão outra coisa que o demônio debaixo dessas figuras, pregarão um outro evangelho contrário ao do verdadeiro Jesus Cristo, negando a existência do céu e mesmo a das almas dos condenados. Todas essas almas parecerão como unidas a seus corpos). Haverá em todos os lugares prodígios extraordinários, porque a verdadeira fé se extinguiu e a luz falsa ilumina o mundo. Desgraçados dos Príncipes da Igreja que não se ocuparão senão com amontoar riquezas sobre riquezas, salvaguardar a sua autoridade e dominar com orgulho!"
     Seu alerta, embora parecesse confuso à época, aparentemente previra o lançamento, em 1864, do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo" de Allan Kardec, versão dos ensinamentos de Jesus pregando ideias na forma contestada em La Salette, e relatando os mesmos "prodígios" alertados dezenas de anos antes por Maria SSma.
     Não se pode esquecer, contudo, que no século XIX surgiram inúmeras seitas e filosofias ditas de cunho religioso, oriundas de diferentes nações, idiomas e raízes filosóficas ou mesmo pretensamente teológicas, nem sempre afinadas com os tradicionais ensinamentos da Santa Igreja Católica.
Crise Moral dos Sacerdotes
     Outro clamor atual da Virgem é quanto à crise moral e até mesmo litúrgica da vida sacerdotal; podemos até citar as desonras e a vergonha da Igreja com a falta de muitos dos seus membros pelos escândalos de pedofilia, sincretismo, apostasia e outras abominações:
     "Os sacerdotes, ministros de meu Filho, por sua má vida, por suas irreverências e sua impiedade em celebrar os santos mistérios, por amor do dinheiro, das honras e dos prazeres, os sacerdotes tornaram-se cloacas de impureza. Sim, os padres pedem vingança, e esta está suspensa sobre as suas cabeças. Desgraçados dos padres e das pessoas consagradas a Deus, as quais, por suas infidelidades e sua má vida crucificam novamente o meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao Céu e chamam a vingança e ela está às suas portas, pois não se encontra ninguém para implorar misericórdia, e perdão para o povo; não há mais almas generosas não há mais ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Pai Eterno em favor do mundo".
     Que vosso zelo vos faça como que famintos da glória e honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins”.
 
O Santuário
     Em 1º de maio de 1852 D. Felisberto de Bruillard anunciou a construção de um santuário em La Salette e a criação de um grupo de missionários diocesanos a quem dá o nome de "Missionários de Na. Sra. de La Salette". E acrescentou: - "A Santa Virgem apareceu em La Salette para o mundo inteiro, quem disso pode duvidar?". O santuário se encontra nos Alpes franceses, no coração da montanha, a 1800 metros de altitude. Os missionários e as irmãs de Na. Sra. de La Salette asseguram seu funcionamento: missa, ofício, vigília, procissão, terço, Via Sacra, hospedagem, além da possibilidade da oração no silêncio das montanhas. 
Fontes:
Santuário de La Salette - São Paulo-SP; Michel Corteville – René Laurentin, “Découverte du Secret de La Salette — Au-delà des polémiques, la vérité sur l'apparition et ses voyants”,Fayard, Paris, 2002 ; http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Salete