sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Beatas Maria da Providência e Maria Marta de Jesus, Virgens e mártires - 19 de dezembro


     Em Slonim, na Polônia, Beatas Maria Eva da Providência Noiszewska e Maria Marta de Jesus Wolowska, virgens da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição e mártires, que, por manter a fé no tempo da ocupação da Polônia durante a guerra, foram fuziladas.
     Estas duas religiosas da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria foram presas durante a noite de 18 para 19 de dezembro de 1942 na cidade de Slonim, em que sua congregação tinha uma casa, e na manhã foram levadas para as cercanias da cidade, na colina chamada Góra Pietralewicka, onde foram fuziladas por ódio à fé. O papa João Paulo II as beatificou em 13 de junho de 1999.
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     Bogumila Noiszewska nasceu em 11 de junho de 1885 em Osaniszki, Lituânia, no seio de uma família polonesa; era a mais velha de onze irmãos. Passou sua infância e primeira adolescência em Duneburg e Tula. Terminado o curso médio, estudou medicina, em que chegou a doutorar-se, e na 1ª. Guerra Mundial trabalhou nos hospitais militares com grande entrega e dedicação, aproveitando seu contato com os feridos para aproximá-los de Deus e infundir-lhes sentimentos religiosos.
     Confiou a direção de sua alma ao venerável servo de Deus Segismundo Lozinski (+ 1932), mais tarde bispo de Pinks. A ele confiou seu desejo de se tornar religiosa, porém não foi senão em 1919 que pode concretizar seu anelo entrando na Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria. Em 12 de maio de 1920 recebeu o hábito religioso e tomou o nome de Irmã Maria Eva da Providência. Em 12 de maio de 1921 emitiu a profissão temporária e em 16 de julho de 1927 a profissão perpétua.
     Um de seus destinos foi a casa de Jazlowiek onde foi educadora, médica dos alunos e diretora do Seminário (1930-1936). Em 1938 foi destinada à casa de Slonim. Chegada a 2ª. Guerra Mundial, a cidade foi tomada, primeiro pelos bolcheviques e depois pelos nazis, porém ela não mudou sua entrega e dedicação na obras de caridade e ao apostolado, trabalhando no hospital e hospedando na casa os perseguidos judeus.
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     Casimira Wolowska nasceu em Lublin no dia 30 de setembro de 1879, última de oito filhos. Recebeu em sua família uma esmerada educação e aos 13 anos perdeu a mãe. Ingressou em novembro de 1900 na mencionada congregação religiosa, e começou o noviciado em 30 de junho de 1901, com o nome de Irmã Maria Marta de Jesus. Fez a primeira profissão em 8 de dezembro de 1902 e os votos perpétuos em 3 de julho de 1909. Religiosa dedicada e de boas qualidades, era jovem quando foi nomeada superiora de várias casas sucessivamente.
     Em 1919 organizou o orfanato de Maciejów para crianças polonesas, ucranianas e russas procedentes da Sibéria, e em seguida abriu para elas uma escola de instrução geral e profissional e uma escola pedagógica. Muito inteligente e preparada, buscava boas relações com ortodoxos e judeus. Em agosto de 1939 foi nomeada superiora da casa de Slonim e poucos dias depois eclodiu a 2ª. Guerra Mundial.
     Tendo a cidade sido tomada sucessivamente pelos bolcheviques e nazis, ela procurou organizar uma ajuda a todos: prisioneiros, perseguidos, famintos, etc. Foi-lhe dito que estava sendo vigiada e que se encontrava em uma lista muito perigosa. Teria podido fugir, mas preferiu manter-se em seu posto.
 
Fonte: “Año Cristiano” - AAVV, BAC, 2003
http://www.eltestigofiel.org/lectura/santoral.php?idu=4564

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Beata Maria dos Anjos, Virgem Carmelita - 16 de dezembro

     Mariana Fontanella nasceu em Turim a 7 de janeiro de 1661 e foi batizada em 11 de janeiro do mesmo ano na igreja paroquial de São Simão e São Judas. Era a última dos 11 filhos do Conde João Donato Fontanella e de Maria Tana de Santena, parente da mãe exemplar de São Luís de Gonzaga, dos Condes de Chieri.
     Mariana cresceu tendo diante dos olhos e no coração São Luís Gonzaga como modelo e intercessor. O imita na fé, na caridade, na ilibada pureza, na dedicação a Jesus. Recebeu de seus pais uma boa educação religiosa que a levou a ter uma terníssima devoção a Nossa Senhora e a São José. Em 15 de agosto de 1672, recebeu pela primeira vez Jesus Sacramentado das mãos do primeiro pároco da freguesia, Pe. Emílio Malliano.
     Mariana era uma criança inteligente, de temperamento forte, mas muito sensível não só aos valores religiosos e cristãos, mas também aberta e sensível às realidades do mundo. De acordo com os costumes da época, a sua educação foi confiada a um mestre que vivia com a família. Quanto ao resto, seguiu em tudo a formação que normalmente era dada às meninas da sua condição social. A sua paixão pela dança era singular, Mariana era exímia nessa arte.
     Um dia, por acaso, encontrou no sótão um crucifixo sem braços e ficou profundamente tocada; imediatamente jogou fora a sua boneca e substituiu-a por Cristo na cruz, que a partir de então se tornou o objeto das suas efusões de carinho.
     O Pe. Malliano guiava-a habilmente numa vida de oração intensa, moderou os seus desejos de penitência e em vez disso ensinou-a gradualmente a temer-se a si mesma e a separar-se das frivolidades da vida da sociedade.
     Em 1673 entrou como pensionista no Mosteiro das Clarissas de Santa Maria da Estrela, em Rifreddo de Saluzzo, ali permanecendo um ano e meio, voltando para junto da família a 5 de janeiro de 1675.
     Quando Mariana estava com 14 anos, seu pai faleceu e a mãe colocou a administração da família nas mãos de seu filho mais velho, João Batista. Este, por sua vez, pediu que Mariana cuidasse da direção da casa. Apesar de muito jovem, ela mostrou grande equilíbrio, sabedoria, prudência, delicadeza e perspicácia.
     Cada vez mais atraída por Jesus Crucificado, quis dar-lhe toda a sua vida. Incentivada por Pe. Malliano, pároco desde 1669 da vizinha igreja de S. Roque, falou sobre isso a sua mãe, que em resposta lhe propôs um bom casamento. Mariana respondeu que o seu coração agora pertencia somente a Deus e que não se envolveria com qualquer criatura tão nobre e boa que pudesse ser.
     A Condessa Maria acabou por se resignar com a vocação da filha, concordou com ela, iniciando logo conversações com as cistercienses de Saluzzo para que a aceitassem no mosteiro, onde já era monja professa outra irmã de Mariana, Clara Cecília.
     Em 1675, ou na primavera de 1676, a data deste acontecimento é pouco clara, houve em Turim uma exposição do Santo Sudário. Mariana vai venerá-lo e encontrou ali um velho carmelita descalço que percebendo a sua vocação lhe falou sobre as carmelitas do Carmelo de Santa Cristina. Mariana escutou-o com interesse crescente, sobretudo quando ele lhe falou do espírito da regra que correspondia perfeitamente aos seus desejos. Logo compreendeu que era para ali que o Senhor a chamava.
     De volta a casa, declarou a todos que se faria carmelita e nessa mesma noite escreveu ao convento de Saluzzo para anunciar a sua decisão. Novas lutas com a mãe que não queria deixá-la entrar num mosteiro tão austero. Mas a sua tenaz perseverança obteve o efeito esperado: a Condessa acabou por aceitar a escolha da filha e deixou-a entrar no Carmelo.
     Mariana ingressou no Carmelo no dia 19 de novembro de 1676 e ali tomou o nome de Maria dos Anjos. Pouco mais de um ano após a sua entrada no Carmelo de Santa Cristina, em 26 de dezembro de 1677, ela fez a sua profissão religiosa.
     A Irmã Maria dos Anjos prestava um generoso serviço à comunidade, mostrando sempre uma dedicação exemplar. Começou para ela um longo período de provações interiores, acompanhado por graças místicas extraordinárias que duraram cerca de quatorze anos.
     No fim de 1691 cessaram as dolorosas provações interiores (a “purificação” de que os místicos falam, especialmente São João da Cruz). A Irmã Maria dos Anjos adquiriu um perfeito equilíbrio interior que brilha em todo o seu comportamento. Os superiores julgaram bem confiar-lhe a educação das noviças, embora ela tivesse apenas 30 anos de idade.
     Em 1694, após pedirem, sem o seu conhecimento, dispensa à Santa Sé, porque a Irmã Maria dos Anjos ainda não tinha a idade exigida pelos Santos Cânones, elegeram-na Priora.
     Quanto o rei Victor Amadeu II assumira o governo em 1684, a pressão da França se tornou mais forte do que nunca, as pretensões francesas se tornam intoleráveis e Victor Amadeu declara guerra. No Carmelo de Santa Cristina Madre Maria dos Anjos rezava.
     Em 1696, com o apoio de Joana Batista de Saboia Nemours, ela obteve a instituição na Diocese de Turim da festa do Patrocínio de São José, garantindo que assim a guerra que assolava o Ducado desde 1690 iria acabar. A paz de Vigevano, assinada em outubro 1696, deu-lhe razão.
     As graças místicas das quais era depositária vão-se tornando cada vez mais sublimes e, para maior confusão da beneficiária, são demasiado evidentes para permanecerem escondidas. A fama da sua santidade espalhou-se pela cidade, suscitando grande interesse em torno de sua pessoa. Algumas curas milagrosas atribuídas à sua intercessão faziam chover mais e mais pedidos de orações no mosteiro.
     Personagens ilustres do clero – o Beato Sebastião Valfré, o Pe. Provana, o Núncio Monsenhor Sforza etc. – e da aristocracia, Madame Real, a duquesa Ana e o duque Victor Amadeu II, procuravam a Madre para lhe submeter os seus problemas espirituais, como provam as cartas assinadas e endereçadas a eles pela Beata, conservadas nos Arquivos do Estado de Turim.
     Impulsionada pelo desejo de fundar um novo Carmelo que pudesse acolher as jovens que não podiam ser recebidas em Santa Cristina por falta de espaço (o número de religiosas em cada Carmelo não pode ser maior de 21) iniciou negociações com os superiores.
      Em 16 de setembro de 1703, vencendo múltiplas dificuldades, o Carmelo de Moncalieri foi solenemente inaugurado na presença da Madre Maria dos Anjos; ao mosteiro foi dado o nome de São José. Por outro lado, a família Saboia fazia pressão sobre os seus superiores religiosos para impedir que a Madre deixasse Turim.
     Partiram de Santa Catarina três Irmãs, uma das quais, a Madre Maria Vitória da Santíssima Anunciada, ocuparia o cargo de Priora com o título de “vigária”, para significar que a verdadeira priora do mosteiro era a Madre Maria dos Anjos.
     Na verdade, de Turim ela continuou a prover as freiras de Moncalieri do necessário, cuidando da formação espiritual destas através de correspondência, velando com coração de mãe pelo bom funcionamento da comunidade. Assim o fez até sua morte.
     Autêntica carmelita, a Beata participou intensamente da vida da Igreja, oferecendo-se como uma “hóstia de penitência” pelos irmãos, especialmente por aqueles cujas necessidades ela conhecia, mas também pelos mais afastados.
     Era singular a sua solicitude pelas almas daqueles que esperavam a purificação final no Purgatório. A sua caridade forte e generosa se estendia a todas as categorias de pessoas: os pobres, os doentes, os soldados feridos, as meninas sem dote, aqueles que estavam em dificuldade. Ela, tão tímida, se atreveu a enviar uma petição ao rei para salvar a vida de um soldado condenado à morte como desertor; de outra vez, para garantir recursos financeiros suficientes para financiar os estudos de um calvinista convertido que desejava abraçar o sacerdócio.
     Singular o papel que ela desempenhou durante o terrível cerco de 1706. Turim foi novamente assediada pelos franceses por quatro meses. Enquanto Pedro Micca se sacrificava para impedir que os franceses entrassem na cidade, Madre Maria dos Anjos recorria a Nossa Senhora para obter a proteção para Turim.
     Quando as forças invasoras já tinham chegado perto do mosteiro, ela, tranquilizada por duas visões sucessivas da Virgem Maria, garantia que na festa de Maria Bambina (Nossa Senhora Menina) se alcançaria a vitória. Tornou-se famosa a sua frase, repetida nas muralhas e na cidade por Valfré: "Com a Bambina venceremos. A Bambina será a nossa libertadora". A vitória foi alcançada pelos turineses no dia 7 de setembro, dia em que então era celebrada a festa de Maria Santíssima Menina.
    Estes e outros fatos singulares - curas, profecias, etc. - fizeram crescer enormemente a sua fama de santidade, de modo que quando da sua morte, que ocorreu em 16 de dezembro de 1717, os turineses acorreram em massa ao mosteiro de Santa Cristina, pois todos queriam venerá-la, tocar objetos no seu corpo, obter fragmentos de algo que lhe tivesse pertencido.
     Em 1802, Turim foi atingida pela tempestade napoleônica, o Mosteiro de Santa Cristina foi confiscado. De noite, por medo de profanação, o corpo da venerável Madre Maria dos Anjos foi levado para a igreja de Santa Teresa dos Carmelitas Descalços. Ali foi sepultado e ali permaneceu até 25 de abril de 1865, dia de sua beatificação pelo Bem-aventurado Pio IX, após a aprovação de duas curas milagrosas obtidas por sua intercessão. A Beata foi a primeira carmelita italiana a ser elevada a honra dos altares.
     Em 1866, São João Bosco escreveu uma biografia da Beata, que difundiu entre as suas "Leituras Católicas", descrevendo-a como modelo de santidade e de amor cristão à pátria.
 
Fonte: Tradução e adaptação: Afonso Rocha

sábado, 13 de dezembro de 2014

Santa Lúcia ou Luzia de Siracusa, virgem e mártir - 13 de dezembro

 

     Luzia nasceu na cidade italiana de Siracusa e era de uma família rica e cristã. Era considerada como uma das jovens mais belas de sua cidade. Seu pai morrera quando ela tinha 5 anos e sua mãe, Eutíquia, sofria de graves hemorragias internas.
     Luzia tinha uma grande convicção cristã, que a fez consagrar-se secretamente a Nosso Senhor Jesus Cristo, e oferecer sua virgindade perpetuamente.
     Ela e a mãe decidiram fazer uma peregrinação à cidade de Catânia onde se encontrava o corpo da grande virgem Santa Águeda, que morrera por recusar adorar os ídolos. O Evangelho pregado na Santa Missa daquele dia foi o da mulher que sofria com hemorragias internas, iguais às da mãe de Luzia. Ela então pensou: "Se aquela mulher ao tocar nas vestes do Senhor ficou curada, será que Santa Águeda não pedirá ao Senhor que cure minha mãe da mesma forma como Ele curou aquela mulher?" Ela então disse à mãe que esperassem todos saírem da igreja para irem rezar junto ao corpo da Santa.
     Nesse interim, Luzia em êxtase sonhou que anjos rodeavam Santa Águeda e que a mesma lhe dizia: "Luzia, minha irmã, por que pedes a mim uma coisa que tu mesma podes conceder?" Luzia saiu do êxtase e foi procurar sua mãe, que lhe disse ter sido curada. Luzia aproveitou esse momento para revelar à mãe que havia feito voto de virgindade a Jesus e que distribuiria seus bens aos pobres. Sua mãe disse: "Luzia minha filha, tudo o que é meu e de seu falecido pai é teu, por isso faça o que queres".
     Elas então começaram a distribuir seus bens aos pobres. Um jovem muito rico e pagão, que se enamorara de Luzia, perguntou à mãe dela o motivo de tanto esbanjamento de dinheiro, e em resposta Eutíquia disse: "Luzia achou bens muito mais valiosos do que esses". O jovem não entendeu que ela falava dos bens celestes.
     Luzia e sua mãe davam mais e mais dinheiro aos necessitados dilapidando a grande fortuna da família, o que fez com que o jovem tivesse certeza que Luzia era cristã. Ele denunciou-a ao prefeito de Siracusa, Pascasio que furioso com a grande fé de Luzia, mandou-a ao Imperador Diocleciano que tentou persuadi-la a se converter aos ídolos. Luzia se mostrou cheia do Espírito Santo diante de Diocleciano.
     Vendo que nada a convertia, Diocleciano mandou enviá-la a uma casa de prostituição, mas foi em vão: ninguém conseguia tirar Luzia dali, nem mesmo uma junta de bois. Os soldados saíram envergonhados por não conseguir tirá-la dali. Era como se seus pés estivessem fincados no chão como raízes de plantas.
     Depois tentaram colocar fogo em seu corpo, mas Luzia fez uma oração e as chamas nada fizeram contra ela e por isso retiraram-na de dentro do fogo. Como nada havia dado certo, foi-lhe aplicado o castigo mais cruel depois da degolação: um soldado, a mando do imperador, arrancou-lhe os olhos e entregou-os em um prato a Luzia. No mesmo instante nasceram-lhe olhos sãos, perfeitos e mais belos do que os outros.
     Vendo que nada a convencia a voltar para o paganismo, deceparam sua cabeça no momento em que Luzia dizia: "Adoro a um só Deus verdadeiro, e a Ele prometi amor e fidelidade". No mesmo instante sua cabeça rolou pelo o chão. Era 13 de dezembro do ano de 304 D.C. Os cristãos recolheram seu corpo virginal e a sepultaram nas catacumbas de Roma. Sua fama de santidade se espalhou por toda a Itália e Europa e depois para todo mundo, onde hoje é venerada e honrada como a "Santa da Visão".
 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Nossa Senhora de Guadalupe - 12 de dezembro


     Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego.
     Nossa Senhora disse então a Juan Diego que fosse até o bispo e lhe pedisse que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.
     O bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que somente na terceira aparição foi concedido. Isso ocorreu quando Juan Diego buscava um sacerdote para o tio doente:
     “Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija e o perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que você vai levar ao Bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é meu embaixador e merece a minha confiança. Quando chegar diante dele, desdobre a sua “tilma” (manto) e mostre-lhe o que carrega, porém, só em sua presença. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omita”.
     O prelado viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Santíssima Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.
     Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego fora visitar o seu tio, que sadio narrou: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou a mim. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de ‘Santa Maria de Guadalupe’, embora não tenha explicado o porquê”. Diante de tudo isso muitos se converteram e o santuário foi construído.
     O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já existe há mais de quatro séculos e meio! Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.
     No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. E nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do referido bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.
     O tamanho tão pequeno das córneas na imagem, cerca de 7mm a 8mm, descartam a possibilidade das figuras dos reflexos terem sido pintadas sobre os olhos. Devemos também ter em conta que o tecido, feito de fibras de Maguey, sobre qual a imagem foi estampada, é extremamente rudimentar e apresenta poros e falhas na costura, por vezes maiores que os das córneas da imagem. Se com a tecnologia de que dispomos hoje é impossível criar ou reproduzir uma figura com tanta riqueza de detalhes, imagine para um artista no ano de 1531!
     Os estudos dos olhos da Virgem de Guadalupe resultaram na descoberta de 13 pequenas imagens. Mas a surpresa não para por aí. Primeiramente ampliou-se 1 mm da imagem 2.500 vezes. Um destes pontinhos microscópicos corresponde à pupila do Bispo Zumárraga (que está por inteiro na pupila da Virgem) e foram ampliadas outras 1.000 vezes. Nela encontra-se novamente a imagem de Juan Diego mostrando o poncho com a imagem da Virgem de Guadalupe.
     A imagem de Juan Diego aparece duas vezes: uma nos olhos da Virgem e outra nos olhos do Bispo que está nos olhos da Virgem.
     Declarou o Papa Bento XIV, em 1754: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros... uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja... Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.
     Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII no dia 12 de outubro de 1945.
As Estrelas do Manto
12 de dezembro – Solstício de inverno
     Na terça-feira, 12 de dezembro de 1531 de nosso calendário (Calendário Juliano), ou 22 de dezembro do Calendário Astronômico dos indígenas, aconteceu a aparição da Virgem de Guadalupe no poncho de São Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002). Na manhã deste mesmo dia ocorreu o solstício de inverno, que para os indígenas era o dia mais importante de seu calendário religioso. O sol vencia as trevas e ressurgia vitorioso. Não é coincidência que a Virgem tenha apresentado seu Filho justamente neste dia, ficando claro para os índios que Aquele que Ela trazia em seu seio era o verdadeiro Deus.
 
Fontes: http://santo.cancaonova.com/santo/nossa-senhora-de-guadalupe-padroeira-de-toda-a-america/ e Revista Milícia da Imaculada – Maio/2011 (excertos)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Santa Gorgonia, Matrona - 9 de dezembro


     São Gregório Nazianzeno o Velho e sua esposa, Santa Nonna tiveram três filhos: Santa Gorgonia, São Gregório Nazianzeno e São Cesário, dos quais Gorgonia era a mais velha.
     Gorgonia se casou com um homem de alguma influência da Pisídia, às vezes chamado Vitolian, e outras vezes Meletius. Pelo menos numa referência a ela é chamada de "modelo de uma santa casada". Ela teve vários filhos e filhas, a mais notável da quais chamava-se Alypania. Mais tarde ela converteu seu marido que foi batizado junto com ela e seus filhos e netos. A seu filhos ela deu uma educação tão esmerada como a que havia recebido.
    Duas vezes em sua vida ela foi milagrosamente curada de doenças graves. A primeira delas foi após ter sido pisoteada por uma mula, causando-lhe a quebra de ossos e o esmagamento de órgãos internos. No entanto, Gorgonia não quis que nenhum médico cuidasse dela, pois ela não achava isto decente. Segundo a legenda, foi esta modéstia que a curou.
     Ela ficou curada da segunda doença ao receber a comunhão. O irmão da santa conta que, certa ocasião Anjos, com a esperança de obter assim a cura. Como se sabe, naquela época se usava o pão comum para os sagrados mistérios w assim se faz ainda em muitas igrejas do Oriente. Eis como São Gregório nos relata a oração de Santa Gorgonia:
     "Em outros tempos - dizia ela ao Senhor - uma pobre mulher atormentada por cruel enfermidade tocou a orla de vosso manto e no mesmo instante ficou curada. E, meu amado Jesus, terá diminuído vosso poder? Vosso Corpo todo teria menos eficácia que a orla de vossa roupa? Vós que vos enternecestes à voz da pobre Cananeia, Jesus meu, ficaríeis insensível à minha súplica? Vossa bondade, vossa ternura tão compassiva não mais se moverá para curar os enfermos? Por acaso terá limites a infinitude de vosso poder, de vossa bondade e de vosso amor? Eis-me aqui prostrada aos pés de vossa inesgotável misericórdia, na presença deste tabernáculo onde estabelecestes vossa morada no excesso de vosso amor aos filhos dos homens. Pois bem: faço voto de não me levantar daqui sem que me tenhais curado".
     Terminada esta súplica, na qual não se sabe o que admirar mais, se sua fé tão viva ou seu amor tão vivo, Gorgonia se levanta: sua petição havia sido ouvida e estava curada.
      Santa Gorgonia dedicou sempre muito amor à liturgia e costumava contribuir com a construção de igrejas. Vivia piedosa e sobriamente, e era muito generosa com os pobres. Entretanto, como era costume na época, Gorgonia somente receber o batismo na idade madura. Ela converteu o marido, que foi batizado junto com ela e seus filhos e netos.
     Sua morte ocorreu por volta do ano 375 (presume-se que ela nascera por volta do ano 300) de causas naturais. Seu pai e sua mãe estavam vivos, embora extremamente idosos, no momento de sua morte. Em seu funeral, seu irmão, São Gregório de Nazianzo, o Jovem, pronunciou sua oração fúnebre, que foi na realidade um panegírico da bondade de Santa Gorgonia. Ele declarou-a um modelo de esposa e mãe cristã: "Modelo de perfeição das mulheres" e "O diamante de seu sexo".
     Os escassos dados sobre Santa Gorgonia se encontram nesse panegírico que pode ser visto em Migne, PG., vol. xxxv, pp. 789-817.
  Santa Gorgonia é venerada como padroeira das pessoas atingidas por males corporais ou doenças. O legado de sua caridade lhe rendeu os títulos de "Mãe dos Órfãos", "Olhos dos Cegos" e "Cuidadora dos pobres".
 
Fontes: «Vidas de los santos de A. Butler», Herbert Thurston, SI;
http://www.eltestigofiel.org/lectura/santoral.php?idu=4456; "St. Gorgonia". Saints and Angels. Catholic Online. Retrieved 2007-04-27.
 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A definição dogmática da Imaculada Conceição


Coluna da Imaculada Conceição, na Piazza di Spagna (Roma). Foto tirada por volta de 1880. O monumento foi inaugurado a 8 de dezembro de 1857, portanto três anos depois da proclamação desse dogma. 

Da obra “Fatti ameni della vita di Pio IX raccolti da pubblici documenti”
(São João Bosco, Torino, 1871)
 

     A definição dogmática da Imaculada Conceição é um dos mais assinalados acontecimentos da história da Igreja.
     Uma soberba coluna erguida na Praça de Espanha, em Roma, consagra para sempre a memória deste fato tão glorioso a Maria.
     As quatro colossais estátuas de Moisés, de Davi, de Ezequiel e de Isaías circundam o pedestal, e suas profecias evocam à mente o grande mistério definido por Pio IX.
     O referido pedestal é adornado com dois baixos-relevos. Um representa São José sendo advertido pelo Anjo, durante o sono, sobre o mistério da Encarnação; o outro, Pio IX proclamando o dogma.
     Sob o primeiro baixo-relevo estão escritas as simples mas sublimes palavras da angélica saudação: “Ave, ó cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre todas as mulheres”.
     Do lado oposto se lê:
Mariae Virgini Genitrici Dei
ipsa origine
ab omni labe immuni
Pius VIIII. P. M.
Insignis praeconii
fide confirmata
Decreto Q. D. S. VI ID. DEC.
AN. MDCCCLIIII.
PONEND. CURAVIT
AN. SUI PRINCIP. XII.
     “À Virgem Maria, Mãe de Deus, imune de qualquer mancha desde sua origem, Pio IX, Soberano Pontífice, após haver confirmado com decreto de oito de dezembro, a fé neste insigne privilegio, pôs este monumento a expensas do universo católico, no décimo segundo ano de seu Sagrado Pontificado”.
     A estátua de Isaías tem como legenda estas palavras do profeta: “Ecce Virgo concipiet – Eis que uma virgem conceberá’” (Is. VII, 14).
     Sob o pedestal da estátua de Ezequiel se lê: “Porta haec clausa erit – Esta porta permanecerá fechada” (Ez. XLIV, 2).
     Sob o pedestal da estátua de Davi: “Sanctificavit tabernaculum suum Altissimus - O Altíssimo santificou o seu tabernáculo” (Ps. XLV, 5).
     Moisés abre o livro da Gênese e profetiza a eterna luta entre o inferno e o Céu: “Inimicitias ponam inter te et muliere – Eu porei inimizades entre ti e a mulher” (Gen. III, 15).
     Ora, a mulher inimiga da serpente não é apenas Maria, mas também a Igreja, da qual a Virgem é a personificação.
     “A Igreja também Ela é a sede da Sabedoria” e também a Mãe de Cristo, dado que o cristão, como diz Tertuliano, é um outro Cristo.
     Em nossos dias, a inimizade está em seu ápice, a luta é ardorosa. Mas o pé vencedor que esmaga a cabeça da serpente nos pressagia uma vitória tão gloriosa quanto infalível.
     Nós (São João Bosco se refere a si) tivemos a ventura de visitar, na igreja de São Boaventura (em Roma), o quarto do Bem-aventurado (hoje Santo, n.d.t.) Leonardo de Porto Maurício que predisse este triunfo em uma carta ora célebre.
     O exemplo de Roma, mãe e mestra de todas as igrejas, despertou no mundo inteiro o ardor e o zelo dos filhos de Maria.
     Vimos germinar uma quantidade enorme de monumentos, de altares, de santuários, de igrejas, de estátuas destinadas todas a perpetuar a memória do grande ato de 8 de dezembro de 1854 (proclamação do dogma da Imaculada Conceição, n.d.t.), e a edificação da coluna erguida por Pio IX na Piazza di Spagna foi também o sinal ao qual todo o orbe se apressou em responder com aquela riqueza de monumentos que espontaneamente cobriu o mundo (cfr. op. cit., pag. 43-49 in “Opere Edite”, Libreria Ateneo Salesiano, Roma, 1977).

Fonte: pliniocorreadeoliveira.info

sábado, 6 de dezembro de 2014

Santa Serena de Spoleto, Viúva e mártir - 7 de dezembro


     Na legendária narração da "Vita" de São Savino, Bispo de Spoleto, Itália, há algumas informações referentes à Santa Serena. Era uma viúva que se dedicava com grande empenho na caridade ao próximo e tinha uma grande veneração pelo Bispo São Savino. Durante a perseguição de Diocleciano sofreu o martírio. Estas são as únicas informações que dela se possui.
     No século X, Teodorico, Bispo de Metz, na França, conseguiu que as relíquias da mártir fossem transferidas para sua diocese. Elas estavam sepultadas no Mosteiro de São Savino, em Spoleto, sendo muito venerada pelo povo. Com a transladação das relíquias para Metz (no ano 970) o seu culto se estendeu gerando um grande desdobramento.
     Santa Serena é celebrada no dia 7 de dezembro com São Savino, mas também no dia 30 de maio.
     No dia 16 de agosto de alguns calendários o nome de Santa Serena é mencionado, mas se trata da esposa de Diocleciano, que nos Atos de São Marcelo e de Santa Susana aparece como defensora dos cristãos. Trata-se de uma informação falsa, já que Latanzio, que vivia na corte de Diocleciano, no seu “De mortibus persecutorem” diz que a mulher daquele imperador se chamava Prisca e a filha Valéria, portanto a celebração não é exata.
     O nome Serena deriva do sobrenome tardio latino Serenus, com o feminino Serena. Originariamente significava "enxuto", "seco", e vem em seguida a um adjetivo referente ao céu, significando "límpido", "privado de nuvens". Aplicado a uma pessoa assume o significado de "tranquila", "calma", "feliz", "sem preocupação": si trata portanto de um nome que pressagia, de significado análogo a Feliz, Tranquilo, Pacífico, etc.
     No âmbito religioso o nome adquiriu o significado de "pura" e se difundiu nos ambientes cristãos graças à veneração a alguns mártires e com presságio da serenidade na Fé. A variante Serenella, além de ser o diminutivo de Serena, pode ser vista como derivada de homônima flor. Da mesma raiz de Serena surgiu o nome inglês Serenity.