quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Santa Emerenciana, Virgem e Mártir - 23 de janeiro

 
     Mártir romana que morreu em 304 durante as perseguições de Diocleciano.
     Segundo o Martirológio Romano e a Lição do Breviário deste dia, Santa Emerenciana era irmã de leite de Santa Inês. Eram pois aproximadamente da mesma idade. Mas Emerenciana era catecúmena (cristã convertida que ainda não havia recebido o batismo).
     Dois dias depois do martírio de Santa Inês, Santa Emerenciana morreu apedrejada quando se encontrava rezando junto ao túmulo de sua irmã de leite, pois confessou também ser cristã. Desta forma Emerenciana recebeu o batismo de sangue.
     Este relato constitui uma espécie de apêndice das “Actas” de Santa Inês, mas não devem ser tomados ao pé da letra; existem provas de que a mártir chamada Emerenciana esteve inicialmente sepultada no "Coemeterium majus". Este cemitério fica um pouco distante da Via Nomentana, local onde foi erigida a Basílica de Santa Inês.
     Consta que Santa Emerenciana era celebrada nos dias 23 de janeiro e 16 de setembro junto com os Santos Victor, Félix e Alexandre, mas por alguma razão seus restos foram trasladados posteriormente para a Basílica de Santa Inês e assim as duas Santas foram relacionadas pela legenda.
     Santa Emerenciana é Padroeira de Teruel, Espanha.
 
Etimologia: Emerenciana, do latim Emerentianus ou Emerêncio de Emerentius: “digno; o que tem merecimento”.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Santa Inês, Virgem e Mártir - 21 de janeiro

     São Jerônimo, em referência a esta santa, escreve: “Todos os povos são unânimes em louvar Santa Inês, porque vencendo a fraqueza da idade e o tirano, coroou a virgindade com a morte do martírio”. De modo semelhante se exprimem Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Com Maria Santíssima e Santa Tecla, Santa Inês é invocada para obter-se a virtude da pureza.
     Inês nasceu em Roma, descendente da nobre e poderosa família Cláudia e desde pequena foi educada pelos pais na fé cristã. Cresceu virtuosa e logo que soube avaliar a excelência da pureza virginal ofereceu-a a Deus num santo voto. A riqueza, formosura e nobre origem de Inês fizeram com que diversos jovens de famílias importantes de Roma a pedissem em casamento. A todos Inês respondia que seu coração já pertencia a um esposo invisível a olhos humanos.
     Às declarações de amizade e afeto dos pretendentes seguiu-se a denúncia, que arrastou a donzela ao tribunal, para defender-se contra a acusação de ser cristã. A maneira que o juiz a tratou para conseguir que abandonasse a religião obedeceu ao programa costumeiro em tais ocasiões: elogios, desculpas, galanteios e promessas. Experimentada a ineficácia destes recursos, entravam em cena imposições, ameaças, insultos, brutalidades.
     O juiz fez Inês saborear todos os recursos da força inquisitorial da justiça romana. Arrastada com brutalidade ao lugar onde se achavam imagens de deuses e intimada a queimar incenso, a donzela levantou as mãos puríssimas ao céu, para fazer o sinal da cruz. No auge do furor, vendo baldados todos os esforços, o juiz teve uma inspiração diabólica: condenou-a a ser exposta nua num prostíbulo no Circo Agnolo (hoje Praça Navona, onde se ergue a Basílica de Santa Inês in Agone).
     Diz a história que, introduzida no local da desonra, uma luz celestial a protegeu e ninguém ousou aproximar-se dela. Seus cabelos cresceram maravilhosamente cobrindo seu corpo. Ao ser defendida por um anjo guardião, um dos seus lascivos pretendentes caiu morto. Os companheiros, tomados por um grande pavor, tiraram o corpo do infeliz e levaram-no para outro lugar. Mas a santa, apiedada, orou a Deus e o ressuscitou.
     Temeroso, o Prefeito Simprônio passou o caso ao seu cruel substituto, Aspásio. Após novo interrogatório, a menina foi condenada a morrer queimada. As chamas também não a tocaram, voltando-se contra seus algozes e matando muitos deles. Foi por fim decapitada, a mando do vice-prefeito de Roma, Aspásio.
     O juiz, profundamente humilhado com esta inesperada vitória da Santa, deu ordem para que fosse decapitada. O algoz tinha recebido ordem para antes de executar a sentença de morte convidar Inês para prestar obediência à intimação do juiz. Feito pela última vez, Inês com firmeza o rejeitou. Ajoelhando-se, inclinou a cabeça, ao que parecia para prestar a Deus a última adoração aqui na terra, quando a espada do algoz lhe deu o golpe de morte.
     Santa Inês completou o martírio aos 21 de janeiro de 304 ou 305, tendo apenas a idade de 13 anos. Seus pais sepultaram seu corpo num terreno próximo da Via Nomentana, onde a princesa Constantina, filha do imperador Constantino mandou erguer a majestosa Basílica de Santa Inês Fora dos Muros, palco de grandes milagres por intermédio da santa virgem.
     A história conta que oito dias depois da morte, Inês apareceu em grande glória aos pais que rezavam em seu túmulo, segurando um cordeirinho branco e cercada de muitas virgens e anjos, e anunciou-lhes sua grande felicidade no céu.
     Santa Inês é padroeira das Filhas de Maria, por causa da sua pureza angélica. Os jardineiros também a veneram como padroeira, por ser o modelo perfeito da pureza como Maria Santíssima, que é chamada “hortus conclusus”, horto fechado. É padroeira dos noivos, por ter-se chamado esposa de Cristo. Do nome Inês há duas interpretações, a grega e a latina. Inês em grego é Hagne, isto é, pura; em latim, Agna significa cordeirinho.
     Santo Agostinho admitia as duas interpretações: “Inês, diz ele, significa em latim um cordeirinho e em grego a pura”.
     No dia da festa desta Santa, na sua igreja em Roma são apresentados e bentos cordeirinhos de cuja lã são confeccionados os “palliums” dos Arcebispos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Santa Eufrosina, Virgem - 16 de janeiro

     
Santa Eufrosina se dá a conhecer a seu pai
     Eufrosina faleceu por volta do ano 470. Sua história faz parte do grupo de legendas que relatam como virgens cristãs que para serem mais bem sucedidas na escolha de uma vida celibatária e ascética em que se desejavam consagrar, se trajavam como homens e passavam por um deles.
     De acordo com o relato de sua vida na “Vitae Patrum”, Eufrosina era a única filha de Paphnutius, um homem rico de Alexandria, que desejava casá-la com um rico jovem. Mas tendo ela consagrado sua vida a Deus e aparentemente não vendo outros meios de manter os seus votos, vestiu-se como um homem e sob o nome de Smaragdus conseguiu ser admitida num mosteiro masculino próximo de Alexandria, onde ela viveu desde então por trinta e oito anos.
     Ela logo atraiu a atenção do abade pela rápida caminhada que fez em direção a perfeição na vida ascética. Quando Paphnutius procurou o abade e apelou para que ele o confortasse em seu sofrimento, o superior do mosteiro colocou-o sob os cuidados do jovem monge Smaragdus.
     O pai então recebeu da própria filha, que ele não conseguiu reconhecer, conselhos e exortações que o confortaram. Ela somente revelou-se ao pai no momento de sua morte, quanto ele soube que ela era sua filha desaparecida. Após a morte de Eufrosina Paphnutius também entrou mosteiro.
     Sua festa é celebrada na Igreja Católica no dia 16 de janeiro e pelos Carmelitas em 11 de fevereiro.
 
Fonte: Enciclopédia Católica
 
Etimologia: Eufrosina, do grego Euphrosyna: “alegre, jovial, agradável”.

Beata Eufêmia Domitila, Abadessa - 17 de janeiro

Antiga igreja de Racibórz, atualmente museu
 
     Eufêmia Domitila era filha do Duque Przemysław de Ratibor (Racibórz), Silésia, Polônia. Entrou no convento dominicano daquela cidade e mais tarde se tornou priora do mesmo. Eufêmia faleceu no dia 17 de janeiro de 1359 e gozava da fama de santidade. O povo a venerava como beata. Desde 1821 seu corpo se encontra na igreja paroquial de Liebfrauen, na Alemanha.
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     O Ducado de Racibórz foi formado em 1172 como território de Mieszko, tendo como principais cidades Racibórz, Koźle e Cieszyn.
     Após várias anexações, em 1327 o filho do Duque Przemysław, Duque Leszek, prestou homenagem a D. João da Boêmia, após o que seu ducado tornar-se um feudo da Boemia.
     Após Leszek morrer sem herdeiros, em 1336, o Rei João concedeu o ducado para o Duque Nicolas II de Opava, formando o Estado Ducado de Opava e Racibórz. O ducado iria sofrer várias alterações territoriais até em 1521 foi novamente fundido com Opole sob o governo do Duque Jan II, o Bom.
      Após a morte do Duque Jan em 1532, o Ducado de Opole e Racibórz voltou a pertencer aos Habsburgo, reis da Boêmia desde 1526. O feudo foi dado em penhor ao Margrave George de Brandenburg Ansbach da Casa de Hohenzollern, mais tarde brevemente para a polonesa Casa de Vasa e, finalmente, foi anexado e incorporado ao Reino da Prússia pelo Tratado de Breslau em 1742.
     O título de "Duque de Ratibor" foi adquirido pelo Landgrave Victor Amadeus de Hesse Rotenburg em 1821. Em 1840 o rei Frederico Guilherme IV da Prússia concedeu-o para o sobrinho do landgrave, Príncipe Victor de Hohenlohe Schillingsfürst, que por sua vez renunciou em favor de seu irmão mais novo Chlodwig.
     Atualmente Racibórz é uma cidade da Polônia, do Condado de Raciborski. Estende-se por uma área de 74,96 km2, com 60.218 habitantes, segundo o censo de 2006.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Venerável Ana de Guigné - 14 de janeiro


 Uma tão grande alma para uma tão pequena menina
 
     Em 1915, um ano após o início da primeira guerra mundial, enquanto os combates se atolam nas trincheiras, todas as famílias de França sabem que uma visita de oficiais do estado civil num lar significa o anúncio de uma morte a frente de batalha. Assim, quando a 29 de julho de 1915, a Senhora de Guigné vê o presidente da câmara de Annecy-le-Vieux chegar à porta da sua residência, ela percebe que o seu marido, ferido já em três ocasiões, não regressará mais.
“Ana, se me queres consolar, tens de ser boazinha”, diz a mãe à sua filha de tão-somente quatro anos de idade, a mais velha dos seus quatro filhos. A partir desse momento, a criança até aí voluntariosamente desobediente, orgulhosa e invejosa, vai realizar, com tenacidade e continuidade, um combate de cada instante a fim de se tornar boa, o combate da sua transformação interior que ela vencerá graças à sua vontade, obviamente, mas sobretudo – e é ela a dizê-lo – através da oração e de sacrifícios que ela se impõe. Veem-na ficar vermelha, serrando os seus pequenos punhos para controlar o seu forte caráter perante as contrariedades que enfrenta; depois, pouco a pouco, as crises diminuem até ao ponto dos seus familiares e conhecidos ficarem com a impressão que tudo se lhe tornou agradável. O amor pela sua mãe que ela quer consolar vai assim tornar-se o seu caminho para o seu Deus.
Este caminho encontra-se balizado pelas numerosas reflexões de Ana que nos revelam a intensidade da sua vida espiritual e pelos numerosos testemunhos dos seus próximos que recordam os esforços contínuos que ela fazia para progredir na sua conversão. Para Ana de Guigné, o farol que ilumina o seu caminho de conversão é a sua primeira comunhão à qual aspira com todo o seu ser e toda a sua alma e que ela prepara com alegria. Chegado o momento, a sua tenra idade necessitando uma licença especial, o bispo impõe-lhe um exame que ela ultrapassará com uma facilidade desconcertante. “Desejo que estejamos sempre ao nível de instrução religiosa desta criança”, dirá o seu examinador.
 A continuação da sua curta vida traduz a paz de uma grande felicidade íntima alimentada pelo amor ao seu Deus que se aplica, à medida que cresce, a um círculo de pessoa cada vez mais vasto: seus parentes e familiares, pessoas com quem vai contatando, os doentes, os pobres, os não crentes.
Ela vive, reza, sofre pelos outros. Atingida precocemente pelo reumatismo, ela sabe o que é o sofrimento e corresponde-lhe com uma oferta: “Jesus, eu vo-lo ofereço”, ou ainda “Ó, eu não sofro; aprendo a sofrer!”
Mas em dezembro de 1921, é afetada por uma doença cerebral – sem dúvida uma meningite – que a força a permanecer acamada. Ela repete incessantemente: “Meu Deus, eu quero tudo o que quiserdes”, e acrescenta sistematicamente às orações que são feitas pelas suas melhoras: “e curai também todos os outros doentes”.
Ana de Guigné morre na madrugada de 14 de janeiro de 1922 após este último diálogo com a religiosa que vela por ela: “Irmã, posso ir com os anjos?” - “Sim, minha bela pequena menina”. “Obrigada, Irmã! Ó obrigada!”.
Esta menina é uma “santa”, tal é então o veredito geral. Os testemunhos abundam, artigos são publicados e o Bispo de Annecy inicia em 1932 o processo de beatificação. Mas então a Igreja não tinha tido ainda a necessidade de ajuizar sobre a santidade de uma criança que não fosse mártir. Os estudos conduzidos em Roma sobre a possibilidade da heroicidade das virtudes da infância foram concluídos positivamente em 1981 e a 3 de março de 1990 o decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Ana de Guigné e declarando-a “venerável” era assinado pelo papa João Paulo II. 
Notas escritas e bilhetes
“Meu pequeno Jesus, eu vos amo e para vos agradar tomo a resolução de obedecer sempre.” (Bilhete deixado sobre o altar aquando da sua primeira comunhão)
“O pequeno Jesus, parece-me que me respondeu no meu coração. Eu dizia-Lhe que queria ser muito obediente e pareceu-me ouvir: sim, sê-o.” (bilhete à mãe 1917)
“Eu quero que o meu coração seja puro como um lírio”.
“Quero que Jesus viva e cresça em mim. Que meios tomar para isso?” (Notas de retiro 1920)
“Bem podemos sofrer por Jesus pois Jesus sofreu por nós”.
Numa imagem do Calvário que ela tinha feito, Ana escreve: “De pé diante da Cruz sobre a qual o seu Filho estava suspenso, a Mãe das dores chorava com resignação. Dai-me a graça de chorar convosco”. Ela acrescentava: “Porque Jesus não é suficientemente amado”.
 
Emprestai-m’O, Oh Maria minha boa Mãe
Emprestai-me o vosso filho, apenas um segundo,
Colocai-o nos meus humildes braços.
Permiti-me, Maria
De beijar os pés do vosso querido Filho
Que me deu tantas graças.
Como eu desejo, ó Maria
Receber nos meus braços o vosso Filho,
Dai-m’O, dai-m’O!
Que feliz eu sou agora
Pois tenho-O comigo!
(Canto composto por Ana para a comunhão)
     À sua mãe que lhe pergunta por que razão deixou de usar o seu missal, ela responde: “Porque sei de cor as suas orações e distraio-me facilmente ao lê-lo. Pelo contrário, quando falo ao pequeno Jesus nunca me distraio. É como quando falamos com alguém, Mãezinha, sabemos muito bem o que dizemos”. (dezembro de 1919)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Beata Verônica de Binasco, Virgem - 13 de janeiro

    
     A vida da Beata Verônica de Binasco pode ser lida num dos numerosos volumes conservados na preciosa biblioteca do mosteiro de Santa Rita de Cássia. A biografia publicada em Foligno, no longínquo 1709, recorda a figura de uma esposa de Cristo perfeita, um modelo de verdade evangélica.

     Verônica nasceu em Binasco, cidade entre Pavia e Milão, em 1445. Foi batizada com o nome de Joana. Pertencia a uma família de lavradores pobres, mais rica de virtudes do que de bens tirados da terra. Devido à pobreza, seus pais precisaram colocá-la muito cedo para trabalhar no campo. Em vez de dar ouvidos às conversas mundanas e às canções populares, ela se entregava às orações e parecia alheia a tudo o que se passava ao seu redor. Esta flor de virtude iria desabrochar na vida religiosa.
     Movida pelo ardente desejo de entrar para a família das Irmãs Agostinianas de Santa Marta, em Milão, Verônica dedicou uma parte de suas noites a aprender a ler e a escrever, condição necessária para ser admitida no convento.
     Seus esforços foram em vão e, desencorajada, ela se queixou à Virgem Santíssima, que lhe apareceu, dizendo: “Minha filha, não se inquiete; você precisará aprender apenas as três lições que eu trago do Céu. A primeira é a pureza do coração, que nos leva a amar Deus acima de todas as coisas; você deve ter apenas um amor, o de meu Filho. A segunda é a de não murmurar contra os defeitos do próximo, mas suportá-los com paciência, orando por ele. A terceira é meditar todos os dias a Paixão de Jesus Cristo, que a aceita por Sua esposa”.
     A partir desse momento, Verônica não se preocupou mais com o alfabeto e os livros, mas encontrou o caminho da “ciência dos santos”. Finalmente foi recebida entre as irmãs convertidas de Santa Marta em 1466.
     O seu leito consistia em um saco de palha; usava o cilício e seus hábitos não eram adaptados ao frio. O alimento era insípido e renunciou ao vinho. Mas Verônica distinguiu-se não apenas pelas virtudes mais brilhantes, mas pelos dons os mais extraordinários. Seus olhos eram infinitas fontes de lágrimas. Frequentemente Nosso Senhor lhe aparecia. Certa feita Ele recitou o Ofício Divino com ela; outra vez, Ele Se mostrou a ela pregado na Cruz, a cabeça coroada de espinhos, o rosto pálido e desfigurado, o corpo coberto de chagas. Esta visão fez Verônica desmaiar. Os demônios a atormentavam de mil maneiras, procurando aniquilar uma virtude tão heroica, mas seus ataques serviram apenas para aumentar os méritos da religiosa.
     Sofreu intensas dores por êxtases durantes anos. Ela teve um visão de Cristo em 1494 quando recebeu uma mensagem para o Papa Alexandre VI. Fez a viagem para Roma para entregar a mensagem que o papa recebeu com admiração pela sua notável exatidão e coerência vindo de uma irmã sem profundos conhecimentos dos Evangelhos.
     Todos os dias, durante um ano, o santo venerado pela Igreja a cada dia lhe aparecia e instruía. Os Anjos a serviam e, durante os três anos que precederam sua morte, um destes espíritos celestes lhe trazia, às segundas, terças e quartas-feiras de cada semana, um pão que a saciava, tirando-lhe o gosto por qualquer outra comida. Sua vida, envolta em maravilhas, foi coroada por uma santa morte, cujo dia e hora Verônica havia predito.
     Depois de um doença de 6 meses, faleceu em 13 de janeiro de 1497 em Milão. Beatificada pelo Papa Leão X em 1517, em 1672 o Papa Clemente X estendeu sua devoção a toda a Ordem Agostiniana.
 
Tradução e Adaptação: Gisele Pimentel gisele.pimentel@gmail.com
Fontes: www.santiebeati.it; Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.
Etimologia: Veronica, do grego, “portadora de vitória”.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Beata Maria Dolores Rodriguez Sopeña, Fundadora - 10 de janeiro

    
     Maria Dolores foi a quarta dos sete filhos de Tomás Rodríguez Sopeña, um jovem magistrado, e Nicolasa Ortega Salomón. Sua infância foi um “lago de tranquilidade”, segundo ela mesma. Trasladou-se para Almería e com dezessete anos começou a frequentar festas levando uma vida social, porém descobriu que o que lhe interessava era fazer o bem aos demais. Atendia aos pobres, especialmente a um leproso e a duas irmãs doentes de tifo.
     Seu pai foi transferido para Porto Rico e vai para lá com seu filho mais velho, enquanto o resto da família vai viver em Madrid. Ali Maria Dolores colabora ensinando doutrina católica na prisão feminina, no Hospital da Princesa e nas Escolas Dominicais. Pouco tempo depois toda a família se reúne em Porto Rico, onde ela funda as Filhas de Maria e as Escolas Dominicais para meninas.
     Devido a uma nova transferência de seu pai como fiscal do rei na Audiência de Cuba, ela se mudou para Santiago de Cuba. Ali visita os doentes do hospital militar. Começou a trabalhar nos bairros de periferia e fundou, com a ajuda de algumas colaboradoras, os Centros de Instrução em três bairros diferentes, onde se ensina cultura geral, catecismo e se dá assistência médica. Fundou em Cuba as Damas Catequistas, Instituto para catequizar a população mais pobre, que incluía negros e mestiços. Colaborou com ela José Maria Orberá, vigário desta arquidiocese naquela época e que anos mais tarde seria bispo de Almería. Maria Dolores estabeleceria depois vários destes Centros em várias cidades cubanas e espanholas.
     Com a morte de sua mãe, seu pai se aposenta e volta para Madrid em 1877. Seu pai falece em Madrid. Ela inicia seus trabalhos no bairro das Injúrias e funda Centros de Instrução. Por sugestão do bispo de Madrid, Ciriaco Sancha, em 1892 funda uma associação de apostolado secular, hoje denominada Movimento de Leigos Sopeña. Também criou Centros Operários de Instrução, onde assistiam os operários fortemente influenciados pelo anticlericalismo, pois não se podia pretender ensinar a religião diretamente.
     Em 1896, ela estendeu suas comunidades e centros por toda Espanha, sobretudo pelas cidades mais industrializadas de então. Em 1901 fundou o Instituto que atualmente é denominado Instituto Catequista Dolores Sopeña. Em 1902, o Governo da Espanha aprovou os estatutos de sua associação civil de Obra social, atualmente chamada Obra Social e Cultural Sopeña (OSCUS).
     A primeira fundação fora da Espanha a faz na Itália em 1914, e em 1917 as primeiras catequistas viajam para abrir no Chile a primeira casa na América. Entra em contato com os principais movimentos sociais da época. Em 1915 recebeu a Cruz de Afonso XII por seus desvelos pelos mais humildes.
     Maria Dolores faleceu em Madrid no dia 10 de janeiro de 1918. Em 23 de março de 2003 foi beatificada em Roma.
     Atualmente a família Sopeña, formada pelas três instituições que ela fundou (o Instituto Catequistas Dolores Sopeña, o Movimento de Leigos Sopeña e a OSCUS), está presente na Espanha, Itália, Argentina, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, México e São Domingos.